segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Pró


"Ela Pragueja
Ela Fuma
Ela Amamenta
Ela Engole (a concorrência)
Ela é a mais improvável pessoa na Terra para ter super-poderes!
Ela é a "Pró"

Este pequeno livro foi das maiores paródias, a roçar a humilhação, aos super-heróis tradicionais que eu já li! Bem, aqui ou se gosta ou se detesta! Não há meio termo… (eu gostei!).
O livro “A Pró” foi editado em 2003 em português pela Devir e ainda se arranja com bastante facilidade nas livrarias e em algumas grandes tabacarias. Os autores desta “pequena brincadeira” são Garth Ennis (textos), Amanda Conner (desenho) e Jimmy Palmiotti (cor).
Como é sabido por muita gente Garth Ennis não gosta de super-heróis e provavelmente poderá chegar ao “detesta super-heróis”. Já o tinha demonstrado na excelente série “The Boys”, mas aqui neste livro vai até ao limite! A carreira deste autor irlandês é recheada de muitos títulos e alguns êxitos, vou referenciar “The Boys”, “Hellblazer” e a sua grande obra: “Preacher”. Ganhou diversos prémios durante a sua carreira, mas falando do prémio mais conhecido da BD, os “Eisner Awards”, foi nomeado nestes por quatro vezes ganhando o prémio apenas uma vez. É um autor que tem como apanágio grandes doses de violência, tanto física como verbal, aliadas a uma crueza do quotidiano tão normal nos seus textos, que passa a ser banalidade. Não fazendo comparações é muita na linha de Warren Ellis.
Conheci a artista Amanda Conner através do título Vampirella : Death & Destruction, depois disso vi o nome desta talentosa desenhadora em muitos títulos da DC (Birds of Prey, Supergirl, Power Girl, Batgirl…), Marvel (DareDevil, She-Hulk, Excalibur…) e outros como PainKiller Jane. Acompanhando Amanda Conner em muitos títulos como colorista temos Jimmy Palmiotti, que não só é colorista como também é autor de textos! Como autor tem o seu dedo em DareDevil, Hawkman, Deadpool, entre outros, como colorista tem o seu nome em Ghost Rider e Punisher.
Como vêem são três artistas com bastantes pergaminhos e um que dia resolveram gozar com os super-heróis! E que gozo…
O “Vigia” numa aposta com o seu robot, garantia que qualquer ser humano era capaz de uma atitude verdadeiramente heróica se tivesse poder para tal, e a escolha caiu numa prostituta de rua com os valores humanos bem lá em baixo… é claro que ela tem uma linguagem que em nada se coaduna com os seus colegas superes e as suas acções violam qualquer código de honra destes! Para além disso serve-se dos seus poderes para se vingar de alguns “clientes” que se usavam da sua “arte” e não pagavam no fim, para cúmulo usa os seus super poderes para ser uma super prostituta enchendo-se de dinheiro!
Enfim… só lendo! Para quem não tenha preconceitos é um livro a ler, e atenção à linguagem usada no livro… é muito “vernácula”!
:D
Boas leituras.

TPB
Criado por: Garth Ennis, Amanda Conner e Jimmy Palmiotti
Editado em 2003 pela Devir
Nota : 8 em 10
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sábado, 26 de dezembro de 2009

Salúquia: A Lenda de Moura em Banda Desenhada


A História de Portugal é rica em lendas, como qualquer região com mais de 1000 anos de História documentada, desde os Lusitanos ainda dentro do império Romano, até aos nossos dias. Assim se se quiser aproveitar toda esta riqueza de lendas e costumes para escrever estórias, com certeza teremos “pano para mangas”. Muitas foram aproveitadas para fazer estórias de Banda Desenhada e esta lenda da Moura Salúquia foi recuperada para esta edição da Câmara Municipal de Moura para um livro de BD, com base na própria lenda que deu o nome a esta cidade! Carlos Rico é o coordenador deste projecto que teve como meta um livro com a visão própria da lenda de Moura, feita em Banda Desenhada, por muitos desenhadores e escritores de vários tipos e vertentes desta área. Carlos Rico nasceu em Moura e é coordenador do Moura BD - Salão Internacional de Banda Desenhada, para além de autor de inúmeros livros infanto-juvenis como ilustrador, recebeu o Troféu Sobredão em 2002, na Sobreda BD.
O projecto para este livro era um pouco diferente do habitual, visto o que o normal seria conter várias estórias diferentes de diferentes lendas. Aqui a lenda é só uma e é contada por vários artistas muito diferentes na sua maneira de fazer BD e contar uma estória! As visões da mesma lenda conseguem ser tristes, heróicas, cómicas e com diferentes finais, dependendo do artista. Assim como autores temos:
- Artur Correia
- Augusto Trigo
- Baptista Mendes
- Carlos Alberto Santos (capa)
- Catherine Labey
- Eugénio Silva
- Isabel Lobinho (contracapa)
- Jorge Magalhães
- José Abrantes
- José Antunes
- José Garcês
- José Pires
- José Ruy
- Luís Afonso
- Pedro Massano
- Zé Manel
Como vêem as diferenças artísticas são muitas… e isso transforma o livro 14 vezes, não o deixando ser maçudo como se poderia prever num livro que conta a mesma estória tantas vezes. De notar que antes do começo de cada estória é presente uma pequena biografia do autor. É simpático, pois de alguns autores apenas lhes conhecia os nomes!
O ponto negativo desta edição é a sua distribuição… sabemos que estes livros editados por câmaras são distribuídos primeiramente, e principalmente, pelas instituições do concelho (escolas, bibliotecas, etc. ), mas uma tiragem de 1500 exemplares, e com esta qualidade, deveria chegar a mais pontos regionais portugueses. Se alguém desejar obter o livro deverá contactar a Câmara Municipal de Moura.
Embora haja duas ou três estórias que considero melhores, não vou fazer essa distinção aqui no blog porque acho que o livro vale como um todo, e é de recomendar!
Boas leituras!

Softcover
Criado por vários artistas e coordenado por Carlos Rico
Editado pela Câmara Municipal de Moura em Junho de 2009
Nota: 8 em 10
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um Feliz Natal (com muita BD...) para todos!



Votos de um muito bom Natal para todos, comam muitos docinhos (cuidado com o fígado), bebam regradamente (cuidado com o fígado e a GNR) e abracem, beijem a vossa família e amigos!
Desta vez fui eu que fiz a imagem natalícia, espero que não se assustem com o meu jeitinho para as artes gráficas (as imagens da Net alusivas à quadra já estão todas muito vistas...)
Bom Natal, com boas leituras!
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Estranhas Aventuras


Harvey Kurtzman tem o nome indissociavelmente ligado à revista “Mad” norte-americana (foi um dos seus dois fundadores), revista esta que revolucionou mentes na década de “50”, nos Estados Unidos da América. Toda a gente conhece a mascote deste revista, Alfred E. Neuman, esta saiu da mente brilhante de Kurtzman. Este trabalhou nesta revista desde o seu início (1952) até se embrulhar com o outro sócio, William Gaines, em 1956 deixando a revista nesta altura. Depois de “Mad” foi editor em mais umas quantas revista, umas com mais sucesso que outras, como a “Trump”, a “Humbug” e a “Help!”. Também fez tiras diárias do “Flash Gordon”, um “Jungle Book” e trabalhou no personagem da revista Playboy, Little Annie Fanny, durante 26 anos.
Neste “Estranhas Aventuras” resolveu juntar um grupo de desenhadores que de certeza todos vocês já ouviram falar… desde Dave Gibbons (Watchmen) a Moebius (Incal, Blueberry), Kurtzman reuniu um bom lote de artistas e deu-lhes pequenas estórias para trabalhar. Umas funcionam melhor que outras, mas todas com boa qualidade na generalidade. Destas eu destaco “Shmegeggi, o Homem das Cavernas” (com William Stout) e “O Super Surfista” (com Dave Gibbons). Aqui funcionará com certeza o gosto pessoal de cada um, são oito pequenas estórias ao longo de 64 páginas que vamos lendo com um sorriso, e de vez em quando com uma boa gargalhada!
Tenho de chamar à atenção do excelente prefácio assinado por Art Spiegelman, autor conhecido pela obra “Maus”. Ficam as estórias e seus autores:
- A Minha Estranha Aventura com Harvey Kurtzman (prefácio de Art Spiegelman)
- Ode para Harvey Kurtz (por Robert Crumb e Eric Palma)
- Shmegeggi, o Homem das Cavernas (Harvey Kurtzman com William Stout)
- Capitão Bleed (Harvey Kurtzmen com Sergio Aragones e Tom Luth)
- Ouvem-se Tambores no Shmohawk (Harvey Kurtzman)
- Um Vampiro Chamado Mel (Harvey Kurtzman com Tomas Bunk)
- Sassy, Volta para Casa (Harvey Kurtzman com Rick Geary)
- O Super Surfista (Harvey Kurtzman com Dave Gibbons)
- Halloween, ou a Lenda do Vale dos Sustos (Harvey Kurtzman com Sarah Downs
Boas Leituras!
:D

Softcover
Criado por Harvey Kurtzman e convidados
Editado pela Meribérica em 1993
Nota: 8,5 em 10
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domingo, 20 de dezembro de 2009

Homem-Aranha & Gata Negra: O Mal que os Homens Fazem


Depois de Kraven`s Last Hunt e Death of the Stacys voltamos ao Homem-Aranha! “O Mal que os Homens Fazem” foi editado pela Devir portuguesa em 2006 sendo apresentado como uma obra controversa no mundo do Homem-Aranha. O autor dos textos é o produtor/director de cinema Kevin Smith, estando a arte a cargo do casal Terry e Rachel Dodson. Esta obra provocou a ira dos fãs e de quem começou a comprar as revistas em 2002, visto que Kevin Smith “esqueceu-se” que tinha de acabar esta mini-série, apenas se “lembrou” em 2005 que tinha qualquer coisa para fazer… um hiato de três anos dá cabo de qualquer mini-série! Não vou divagar acerca se a série teria ficado melhor ou pior se fosse acabada em tempo útil, visto isso não ter resposta, mas que o curso da estória sofreu modificações profundas, sofreu! Ao fim de tanto tempo a maneira de ver e sentir o que nos rodeia muda e isso tem sempre implicações na nossa maneira de pensar. Neste caso começamos com uma estória de acção pura, com laivos de investigação policial por parte dos heróis centrais, acabando o livro num registo completamento negro… mas já lá vamos! A arte esteve a cargo de uma das minhas duplas preferidas dos comics norte-americanos, Terry e Rachel Dodson; ele no desenho, ela na cor. A figura feminina Gata Negra (Black Cat) acaba por ser a principal nesta estória do aranhiço, ofuscando-o completamente ao nível gráfico e mesmo a narrativa está muito assente nesta personagem feminina, sobretudo do meio do livro para a frente. Como é sabido por todos a arte de Terry Dodson no que toca a personagens femininas é sempre muito sexy, e a Gata é uma das suas preferidas. Assim temos uma Gata Negra extremamente voluptuosa a “dar em cima” do Spider-Man, que nesta altura estava separado de Mary Jane...
A estória de início tem a Black Cat em busca de uma amiga desaparecida, e neste regresso e deambular por Nova Iorque encontra o Aranha a fazer trabalho de detective, pois também investigava o desaparecimento e morte, estranhamente devido a drogas, de um aluno seu.
Aqui foi o relembrar de uma paixão antiga entre os dois, onde sempre houve uma química muito especial, com a Gata Negra a provocar o aranhiço sempre que a oportunidade surgia.
Acabam por se meter numa luta entre grupos ligados ao tráfico de droga, e quando descobrem, embora não tendo provas, quem seria o culpado pelas diversas e estranhas mortes devido a heroína (os corpos não apresentavam marcas de serem consumidores desta droga), dá-se uma cisão entre Felícia (Black Cat) e Peter Parker. Este queria continuar a investigar até arranjar provas, a Gata queria justiça imediata pelas suas mãos.
Depois disto entramos num mundo muito negro, com revelações íntimas, incesto, violações (tanto femininas como masculinas), abuso de menores, enfim… o pior que há nos homens! Temos dois convidados especiais neste livro: DareDevil e Nocturno. Este último aparece apenas como consultor de teleporte, visto que o suposto criminoso demonstrou ser um mutante com estas características. O DareDevil (Demolidor) dá uma ajuda a Peter Parker tanto no campo legal, como Matt Murdock, como física (Demolidor). Não aparece muito, mas é sempre uma mais-valia durante a acção.
Pode-se dizer que gostei, mas atenção... é uma estória do Homem-Aranha para adultos e adolescentes crescidos.
Boas leituras.

Hardcover
Criado por: Kevin Smith, Terry Dodson e Rachel Dodson
Editado em 2006 pela Devir
Nota : 9 em 10
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Lançamento Plátano: Lendas da História de Portugal


Jorge Miguel, o autor de Camões: De Vós Não Conhecido Nem Sonhado? , é o excelente ilustrador de serviço neste livro editado pela Plátano, sendo os textos de Carlos Rebelo. Esta é uma compilação de várias das nossas lendas mais famosas ilustradas a preceito por Jorge Miguel.
Segue a informação da Plátano:

Lendas da História de Portugal
De Carlos Rebelo e Jorge Miguel

Encontras aqui algumas das mais famosas lendas que fazem parte da nossa História. São descrições de pessoas e factos que se passaram em diversas épocas e locais de Portugal. Geralmente, estas narrativas possuem um fundo de verdade, embora se misturem quase sempre com muitos elementos de fantasia, que lhes foram sendo acrescentados, oralmente, ao longo dos anos.
Ao leres estas lendas poderás conhecer um pouco mais Histórias de Portugal e imaginar factos passados, mas também descobrir as razões que levaram a descrevê-los desta maneira.
Lendas:
- A Fundação da Lousã
- São Vicente e os Corvos
- Os Santos Mártires
- O Rei Rodrigo
- A Moura Salúquia
- A Lenda de Cárquere
- A Gesta de Egas Moniz
- A Batalha de Ourique
- Martim Moniz e a Conquista de Lisboa
- D. Fuas Roupinho
- A Conquista de Silves
- O Milagre das Rosas
- A Origem do Nome Freixo de Espada à Cinta
- Pedro e Inês
- O Alcaide do Castelo de Faria
- Deu-Lá-Deu Martins
- A Padeira de Aljubarrota
- Os Doze de Inglaterra
- O Mar Tenebroso
- A Origem do Nome Tripeiros
- Lenda do Machico
- A Ilha das Sete Cidades
- Santa Joana Princesa
- Pedro Sem
- O Jardim da Manga, em Coimbra
- A Nau Catrineta
- As Profecias de Bandarra
- Dom Sebastião
- Brianda Pereira
- As Cortes de Lamego



Se quiserem acompanhar o blog de Jorge Miguel é só seguir o link:
Falta apagar o lápis

Boas leituras
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Blacksad: Vol.4


Não é que eu seja um fã de Blacksad, mas gosto muito desta série!
Já me interrogava para quando seria a edição do 4º volume do herói antropomorfizado de Canales e Guarnido, assim numa resposta a um mail disseram-me que iria sair entre Março e Setembro de 2010. Bom, eu sei que um intervalo de 8 meses é muito grande, mas para quem pensava que não sairia mais nenhum Blacksad são boas notícias!
A prancha em cima é do volume 4.
Boas leituras!

(Agora vou preparar-me para ir ver o "Avatar"...)
:)
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domingo, 13 de dezembro de 2009

Justice Society of America: Black Adam and Isis


Este livro fecha a passagem do escritor Geoff Johns na série Justice Society of America. A estória que dá o título a esta compilação, Black Adam and Isis, é da sua autoria com arte de Bob Wiacek e Jerry Ordway (este também colaborou na escrita desta estória). E é Ordway quem aguenta esta fase de transição para Bill Willingham, que se espera que seja o mais rápido possível. Bill Willingham é o autor de uma série norte-americanas de referência para mim: Fables!
Penso que graficamente a série está mais inconsistente neste livro , os responsáveis gráficos já não são os mesmos dos livros anteriores! Conta com um evento principal, “Black Adam and Isis”, seguindo para um excelente e pequeno episódio em que podemos participar no aniversário de Stargirl e depois para um arco já da total responsabilidade de Ordway. Finaliza-se este livro com um pequeno capítulo dedicado à preparação do evento Blackest Night (Green Lantern).
A JSA debate no seu núcleo duro a inclusão e exclusão de alguns membros, devido ao embate anterior entre as duas facções criada pela presença do “Deus” Gog. Uma discussão acesa que acaba com a saída do Hawkman. A resolução final fica mesmo para o fim… primeiro existe um problema que envolve Black Adam, Billy Batson (Capitão Marvel, aqui ocupando o lugar do feiticeiro Shazam), Mary Marvel e Isis... ou seja, toda a família Marvel!
Black Adam é para mim um dos vilões (ou não) mais bem conseguidos da indústria dos comics norte-americanos. Tem uma personalidade muito complexa, por vezes ajuda lutando ao lado dos “bons” mas em contrapartida pode cometer os crimes mais hediondos devido à sua particular noção de justiça… Assim como consegue odiar, também sabe amar e este livro fecha mais um capítulo do romance com Isis. Esta ligação amorosa tinha começado em “52”, depois num livro que eu não consegui obter (Black Adam: The Dark Age), e tem neste livro um desenvolvimento inesperado após a ressurreição de Isis, esta não é mais aquela doce deusa que “amansou” Black Adam…
O segundo arco do livro começa com: “- Black Adam ruined my birthday!”
Stargirl está danada depois do embate anterior, mas a festa é catita e a loucura Starman conseguiu-me arrancar uns sorrisos. Uma estória curta, mas bem feita!
A estória seguinte, uma “Ghost Story” em que a JSA têm um embate com um vilão da 2ª Guerra Mundial (e de 2ª categoria também…), é um perfeito “filler” e não passa disso mesmo… dá para passar o tempo!
Para finalizar temos mais um pouco de publicidade a “Blackest Night”, com Scar a controlar a JSA à distância…
O primeiro arco acaba de uma maneira que me dá vontade de continuar uma série que eu ia descontinuar, bolas!
Boas leituras.

Hardcover
Criado por: Geoff Johns, Dale Eaglesham, Bob Wiacek e Jerry Ordway
Editado em 2009 por DC Comics
Nota : 7,5 em 10
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Claymore クレイモア


Claymore é mais uma incursão de leituras minhas no mundo do Manga. Mais uma vez foi ocasional, visto que o meu maior problema com a BD oriunda do Japão é o desconhecimento gigantesco que eu tenho sobre o que é editado nesta zona do globo. Foi-me sugerida por um amigo, e resolvi ler online para experimentar. Comecei ler e quando dei por mim já tinham passado quatro horas de leitura à frente do PC, só a dor de cabeça me fez parar… O passo seguinte foi ver preços, e estes foram uma agradável surpresa! Estão quinze volumes editados em Inglês pela Viz Media (16 no Japão pela Shueisha), estando os últimos capítulos a sair na revista “Jump Square”.
Esta série tem como autor Norihiro Yagi. Este autor tem tido sucesso, sendo logo premiado na sua primeira obra, “Undeadman”. “Angel Densetsu” foi a obra seguinte sendo publicada no Japão durante oito anos, e agora falando de “Claymore”, esta é publicada desde 2001 com bastante sucesso. Usa todas as técnicas do Manga com bastante mestria (velocidade e pormenor misturado com simplicidade), obtendo algumas pranchas bastantes espectaculares sobretudo em páginas duplas.
A história vai-se reinventando ao longo destes quinze livros, não deixando o leitor cair na monotonia, sendo que a última reviravolta da narrativa irá fornecer um novo fôlego para novos desenvolvimento da história, ou seja… mais livros! Se o autor quiser, claro…
Claymore insere-se num registo de fantasia “negra”, em que existem monstros de várias classes, caçadores de monstros (também de várias classes) e os desgraçados dos humanos que são carne para canhão no meio desta guerra. Sabe-se que o espaço físico da narrativa é fechado (uma ilha) dividido em 47 regiões. Cada região tem uma defensora (Claymore) cujo “rank” dentro da organização é dado precisamente de 1 até 47. A personagem principal é exactamente a última… a nº47, Clare. Os monstros aparentam a forma humana para poderem circular entre estes, sendo apenas reconhecidos pelas Claymore. Estes monstros são famintos por entranhas humanas e quando nalguma povoação se dão ataques, as Claymore são pagas para eliminar estes monstros, os “Yoma”. As Claymore, chamadas assim por causa das longas e pesadas espadas que possuem para combater estes monstros, são criadas na “Organização” por um grupo de homens que lhes fornece as missões e recolhe o pagamento nas povoações… Estas raparigas possuem esta capacidade de detectar os “Yoma” precisamente porque em parte são monstros também, uma Claymore tem pedaços de “Yoma” dentro de si. Esta sua parte “monstruosa” dá-lhes também a força necessária para manejar as longas espadas e possuírem técnicas especiais de combate, mas existe um senão… por norma só podem usar até 80% da sua parte “Yoma”, a partir daí as transformações podem tornar-se irreversíveis. Quando isso acontece a Claymore em causa é eliminada, senão torna-se num ser muito poderoso, um "Awakened Being". Para eliminar um vulgar ser destes normalmente será necessário uma equipa de pelo menos quatro Claymore. Já agora… as Claymore são do sexo feminino porque no início ao utilizar-se homens para o efeito, estes descontrolavam-se muito facilmente com tanto poder tornando-se rapidamente "Awakened Beings". Quando estes eram Claymore de grande poder tornam-se nos super-poderosos “Seres Abissais”. Três destes seres dividem a ilha com a “Organização”…
Clare não é uma Claymore a 100%, porque não foi formada directamente com carne “Yoma”, apenas e para se poder vingar do "Awakened Being" que vitimou a sua mãe adoptiva pediu à organização para ter dentro de si a carne de Teresa, uma super-poderosa Claymore. Clare conhece Raki, um rapaz de aldeia que ficou sem família devido a um “Yoma”, e juntos seguem caminho fazendo as missões juntos. Numa destas missões esta Claymore esteve À beira de se tornar num "Awakened Being", mas com a ajuda de Raki consegue voltar ao normal… a “Organização” tudo sabe e tem muitos segredos e a maior partes destes bem tenebrosos, assim para se ver livre de Clare e outras quatro Claymore que tinham passado pelo mesmo, mandam-nas eliminar um "Awakened Being", que supostamente seria relativamente fraco… o que não era o caso. Não sabiam era que estas raparigas que ultrapassaram o limiar da sua força neste tipo de situação desenvolvem anormalmente os seus poderes normais. Assim este grupo vai participar em guerras sem quartel e de onde nunca deveriam sair vivas, para no final passarem a uma espécie de guerrilha contra a “Organização”. Para mais, a líder deste grupo, “Phantom” Miria, descobre o maior e mais escondido segredo da “Organização”. A partir daqui tudo pode acontecer… as maquinações da “Organização” são muitas vezes sabotadas por este grupo que se alia por vezes a "Awakened Beings" para levar avante as suas intenções!
Torna-se complicado dar a conhecer o mundo de Claymore sem estragar as surpresas que a narrativa nos traz, mas espero ter conseguido!
Tudo isto é rendilhado por arcos de história bastantes interessantes, fazendo a leitura desta série muito viciante. As reviravoltas são constantes, muitas maquinações bem escondidas, e os “bons” afinal não são assim tão bons, nem os “maus” são assim tão maus.


Sem ser uma BD de “encher o olho”, tem os seus momentos tanto na arte como nos textos, e é sobretudo…
VICIANTE!
:)
Boas leituras.

Tankobon
Criado por: Norihiro Yagi 八木 教広
Editado entre 2006 e 2009 por Viz Media
Nota: 8,5 em 10
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domingo, 6 de dezembro de 2009

Incal Final Vol.1: Os Quatro John Difool


Este sim! Este levou-me a reler novamente o Incal e a aperceber-me do que se tinha passado na última página do sexto livro do O Incal, “A 5ª Essência: O Planeta Difool”, editado pela Meribérica em 1990.
Jodorowsky continua a trabalhar o universo Incal e com esta série, segundo ele diz, vai encerrar o ciclo do O Incal. Está série, Incal Final está prevista para ser um díptico (dois livros) surgindo a seguir a uma série que nunca foi editada em português, “Avant l`Incal” (Depois do Incal). Este “Depois do Incal” não conheço, embora tenha lido bastantes críticas positivas, mas pelo que eu percebi não é bem uma série mas sim o contar de episódios e envolvências que ficaram por contar ou explicar no Incal.
O “Incal Final” começa exactamente na última página da série Incal, é mesmo uma continuação, e isso alegra-me pois para séries derivadas já bastam as várias sagas diferentes dos Metabarões (Casta dos Metabarões, Castaka, Armas do Metabarão) e Tecnopapas (gostaria muito de ver esta editada em português!).
O autor é Jodorowsky, o grande arquitecto deste universo imaginário, e desta vez o desenhador é o mexicano José Ladrönn. Este já tinha colaborado com Jodorowsky em alguns momentos do Incal, mas sobretudo é conhecido no mundo dos comics norte-americanos pelos seus trabalhos em “Cable”, “Inhumans” e “Hip Flask”. Também colaborou como autor de capas em grandes sagas como “Planet Hulk” e “Countdown to Infinite Crisis - The Omac Project”.
O traço deste mexicano é excelente, como podem verificar todos aqueles que comprarem este livro, e tendo como influência Juan Jimenez e Moebius, consegue descolar destes mostrando que tem personalidade e muita qualidade.
Em relação à estória do livro não vou adiantar muito, mas fiquem já a saber que os “quatro” não são as quatro partes da personalidade de Difool que o Incal mostrou no livro “O Incal Negro” (da série original), mas sim quatro John Difool em quatro estádios de desenvolvimento espiritual diferente. Não há dúvida que o “multiverso” está na moda! Continuamos a ter as excelentes metáforas, sobretudo agora com o histerismo e medo de determinadas doenças, temos ainda o esoterismo sempre presente e aquela linguagem muito particular deste universo (adoro tecnocretino e homeoputa :D ). Já agora e para não fazer confusão, a dona do coração de John Difool neste livro, Louz de Garra, não é a Animah da primeira série! Pelo que investiguei vem da série “Antes do Incal” (apenas o volume nº1 editado pela Meribérica).
O livro funcionou bem e fiquei com muita vontade de ler o segundo, infelizmente ainda não está editado no original… espero que quando sair em França a Vitamina BD acompanhe e termine esta série!
Gostei!
Boas leituras.

Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky e José Ladrönn
Editado em 2009 pela Vitamina BD
Nota : 9,5 em 10
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sábado, 5 de dezembro de 2009

As Armas do Metabarão


Saiu no dia 1 deste mês, durante a comemoração dos quinze anos da BD Mania, mais uma das séries derivadas do Incal: As Armas do Metabarão. Bem, saíram mais três mas isso fica para depois…
Os autores são Alexandro Jodorowsky, Zoran Janjetov e Travis Charest. Jodorowsky continua a expandir o universo do Incal com séries derivadas de séries, como por exemplo, d´A Casta dos Metabarões (que derivou do Incal) saiu Castaka e As Armas do Metabarão. Desta vez o Metabarão protagonista é o mesmo da série Incal, ou seja, o Metabarão do “presente”. Este é filho do Metabarão andrógino, Aghora, e é conhecido como o “Sem Nome”. A arte inicialmente esteve a cargo do canadiano Travis Charest, mas a sua lentidão foi tão exasperante que a editora francesa Humanoïdes Associés o substituiu por Zoran Janjetov. Assim, Charest é responsável pela capa e pelas páginas nº 9 até 37, ficando as restantes a cargo de Janjetov. O jugoslavo Janjetov já tinha trabalhado com Jodorowsky no universo Incal (Os Tecnopapas, Antes do Incal, Depois do Incal) e provou que é mesmo muito bom, mas felizmente ele não é o único artista deste livro! Charest é brilhante, as suas páginas brilham em cor e pormenor e é sem dúvida a grande mais-valia deste livro. Infelizmente é muito muito lento, o que não lhe dá hipótese de fazer muita Banda Desenhada. As duas páginas presentes neste post são ambas de Charest e felizmente este livro foi editado em português, assim fiquei a conhecer o enorme talento deste canadiano.
A estória conta o inicio de “Sem Nome” como Metabarão desde o ritual parricida de pai e filho lutarem até à morte (manda a tradição que o filho saia vencedor). Depois de “Sem Nome” derrotar e matar e o seu pai/mãe (Aghora tinha os dois sexos), recebendo a marca dos Castaka no seu peito, viaja até ao planeta vivo, Omphale, lutando aí para receber as suas primeiras armas especiais, viajando depois para o espaço, onde irá lutar pela posse das restantes armas que fazem do Metabarão o guerreiro supremo.
O cenário é magnífico, mas os textos de Jodorowsky neste livro (é um livro fechado sem continuação) não são brilhantes. Vale mesmo a arte dos dois desenhadores que são a alma deste livro! E a minha pontuação premeia isso mesmo, a arte superior apresentada.
Também é de referir que felizmente a Vitamina BD acordou, com uma tripla edição:
- As Armas do Metabarão
- Incal Final Vol.1: Os Quatro John Difool
- A Herança de Bois-Maury: Vassya
A Vitamina BD está a apostar em várias séries derivadas do Incal, e todas elas apenas com um livro editado no original. Espero que os segundos volumes não tardem, e que a Vitamina os edite.
Está a ser um bom final de ano, e ainda não acabou!
Boas leituras :)

Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky, Travis Charest e Zoran Janjetov
Editado em 2009 pela Vitamina BD
Nota : 8 em 10
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Countdown to Final Crisis


Sim... este canto estava a ficar com teias de aranha, mas de vez em quando convêm descansar um pouco para voltar a fazer as coisas com gosto. Aproveitei para ler muitos livros que estavam em "lista de espera"!
:)

É inevitável a comparação entre “Countdown to Final Crisis” e “52”. Ambas as séries foram semanais e duraram um ano inteirinho, e “Countdown to Final Crisis” usou a fórmula que fez sucesso em “52”, ou seja, usar heróis de 2º plano em diversas estórias que se vão cruzando e influenciando durante a saga. Penso que se ficam por aqui as semelhanças entre estas duas séries. Bem… a arte também está “mais ou menos” ao mesmo nível uma da outra, talvez mais baixa em algumas das tais estórias paralelas.
“Countdown to Final Crisis” tem como equipa criativa nos textos Paul Dini, Jimmy Palmiotti, Sean McKeever, Tony Bedard, Adam Beechen e Justin Gray. Digamos que aqui Paul Dini e Jimmy Palmiotti deverão ter chefiado todo o processo de escrita e integração das várias intrigas paralelas presentes, e não há dúvida… foram bastantes inferiores ao que se fez em “52”. Para quem comprou esta série em revistas individuais (comics) deve ter sido uma leitura penosa, para quem comprou os TPB e leu tudo de seguida já não foi tão mau, embora os volumes 3 e 4, sobretudo este último, tenham sido muito confusos e alguns com má caracterização de personagens. Digamos que havia melhores compras… mas eu quis ter as “Crises” da DC todas seguidas, portanto este “Countdown to Final Crisis” teve de constar na minha colecção. Como “Countdown” para uma crise conseguiu ser bastante pior que “Countdown to Infinite Crisis”, esta esteve a um nível médio alto ao contrário de “Countdown to Final Crisis”.
Não me vou alongar muito com as críticas à saga, acho que toda a gente fica com a mesma opinião depois de a ler, vou apenas referir o que gostei.
Gostei da estória que envolveu Donna Troy, Jason Todd, Kyle Rayner e um Monitor, na busca do “Atom”, Ray Palmer. Outra que eu segui com interesse foi Mary Marvel, Holly Robinson, and Harley Quinn no mundo das Amazonas, e depois no mundo de Darkseid. Este por vezes está muito bem como o super-todo-poderoso-vilão, outras… muito fraquinho!
Ahh! Gostei do “ensaio de porrada” que o Superman dá neste Darkseid!
Houve aqui e ali noutras estórias alguns bons momentos, mas foram muito poucos para tanta página. Como conclusão ficamos a saber que o multiverso DC continua a existir e que os Monitors que o controlam já não são de confiança. Mary Marvel continua “negra” no final e acho que ela é melhor vilã do que heroína! Gostaria que ficasse assim.
Não vou dar uma nota tão baixa como aquela que mereceria se eu tivesse lido isto em “comics”, aliás, neste formato desistiria logo de comprar. Tudo seguido em TPB fica um pouquinho melhor.
Isto não é grande leitura, mas… continuo a desejar-vos boas leituras!

TPB
Criado por Keith Giffen, Jesus Saiz, Jim Calafiore, Carlos Magno, David Lopez, Paul Dini, Jimmy Palmiotti, Sean McKeever, Tony Bedard, Adam Beechen e Justin Gray
Editado por DC Comics em 2008
Nota : 5 em 10
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