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sábado, 1 de novembro de 2014

Lançamento Kingpin Books: Sepultura dos Pais



Sepultura dos Pais é a aposta mais recente da Kingpin e foi apresentada ao público no fim de semana passado no 25º Amadora BD.

Mais uma obra de David Soares no mundo da BD, agora com  André Coelho no desenho.
Como já nos habituou, David Soares traz-nos uma história com uma leitura negra, sobre a influência da ruína do ambiente na ruína do ser humano que lá vive; e vice-versa. Parece-me ser uma abordagem muito interessante sobre o assunto. Para a semana darei a minha opinião sobre este livro que ainda não li.


André Coelho, David Soares e Mário Freitas durante a apresentação do livro Sepultura dos Pais


Deram bastantes autógrafos o fim de semana passado, e penso que hoje e amanhã estarão presentes novamente no Amadora BD para personalizar os livros de que são autores. Sepultura dos Pais está à venda no stand da Kingpin.



SEPULTURAS DOS PAIS
Argumento de David Soares
Desenhos de André Coelho

Borges, homem solitário que vive junto ao mar, é o único que conhece o extraordinário poder das areias da sua praia. Ao conhecer Janeiro, uma adolescente bela, mas instável, mostra-lhe esse segredo e revela-lhe que, afinal, há verdadeira magia. No entanto, saberem da existência do maravilhoso poderá não ser suficiente para evitar um trágico desenlace.

«Sepulturas dos Pais» é uma história sobre ruína, sobre pessoas que vivem sem amanhã e sobre como aquilo que se tem de melhor nem sempre assegura a salvação. Escrita por David Soares («Palmas Para o Esquilo», «O Pequeno Deus Cego», «Batalha») e desenhada por André Coelho («É de Noite que Faço as Perguntas», «Terminal Tower»), é um cruzamento contundente de fantasia sobrenatural, violência real e ambiguidade moral. Uma experiência de leitura que deixa areia na alma.

Uma edição KINGPIN BOOKS
ISBN: 978-989-8673-08-4
Brochado, 19x24,5cm.
64 páginas, preto e branco.
PVP (c/IVA): 9,95EUR.




















































David Soares e André Coelho em sessão de autógrafos


Boas leituras
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terça-feira, 5 de novembro de 2013

24º Amadora BD: Exposições - David Soares e Mutts


David Soares, O Acto da Escrita é um Acto de Autor

David Soares é um escritor que balança entre a literatura e a banda desenhada. Escreveu livros como Batalha, Lisboa Triunfante ou O Evangelho do Enforcado. Mas é na BD que está o meu maior interesse por este autor, com as suas obras incómodas e difíceis.

Como já disse publicamente não escolhe de antemão se vai escrever para um livro de BD ou para um livro "comum". Depende como a obra nasce na sua mente e imaginação, imaginação esta que David Soares preza acima de tudo!

Na BD já foi premiado mais que uma vez, e foi o autor dos argumentos dos seguintes livros de BD:

  • Cidade-Túmulo (Círculo de Abuso), Abril 2000
  • Mr. Burroughs (Círculo de Abuso), Novembro 2000
  • Sammahel (Círculo de Abuso), Março 2001
  • A Última Grande Sala de Cinema (Círculo de Abuso), Fevereiro 2003
  • Mucha (Kingpin Books), Outubro 2009
  • É de Noite Que Faço as Perguntas (Saída de Emergência), 2010
  • o pEQUENO dEUS cEGO (Kingpin Books), 2011
  • Palmas para o Esquilo (Kingpin Books), 2013

De notar que Mr. Burroughs foi publicado em língua francesa. Também tem a particularidade de ter sido o desenhador nos livros Cidade-Túmulo, Sammahel e A Última Grande Sala de Cinema.






















































As suas temáticas foram bem captadas numa exposição muito original e cuidada, como podem ver pelas fotos e pelo pequeno filme.


______________________________________________________________________________

Mutts


Saídas da imaginação de Patrick McDonnell, as tiras de Mutts têm como protagonistas dois animais: Mooch, o gato; e a Earl, o cão.

Série de sucesso em Portugal, já com os seguinte livros publicados:

  1. Mutts
  2. Mutts: Cães e Gatos
  3. Mutts: Mais Coijas
  4. Mutts: Shim!
  5. Mutts: Os Nossos Mutts


Mais uma bela e cuidada exposição. Na realidade esta vertente do festival (as exposições) são mesmo muito boas e merecem uma visita cuidada.







Boas leituras
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domingo, 15 de setembro de 2013

Apresentação oficial do livro Palmas para o Esquilo na loja Kingpin Books


Aconteceu este Sábado.
Uma apresentação descontraída com os autores e editor.

Claro que estes eventos servem também para colocar conversa em dia com alguns amigos do meio, saber novidades e conhecer algumas pessoas com que só tínhamos tido contacto virtual.

Estiveram cerca de 30 pessoas, o que me pareceu decididamente estranho devido a ser um lançamento com autores com provas dadas, e o David Soares com provas dadas também fora do meio da Banda Desenhada.


O evento foi amplamente divulgado e na realidade eu estaria à espera de meia centena de pessoas.
Poderia falar mais sobre o assunto, mas o editor Mário Freitas já disse o que pensava do assunto, expressou-se melhor do que eu o faria, e eu subscrevo perfeitamente o que ele escreveu sobre isto.
Já agora, algumas pessoas que se dizem muito bedéfilas dizem que não vão aos eventos da Kingpin por causa do Cosplay... que eu saiba ontem não houve Cosplay. Ontem apenas houve BD. Onde é que estão esses apoiantes da BD nacional? Hummm ... treinadores de bancada?


A conversa foi perfeitamente informal, ficamos a saber como surgiu a ideia para este livro, o porquê da escolha do Pedro Serpa para o desenhar, e para além disso uma novidade foi anunciada.

David Soares

Foi uma hora e meia bem passada no meio de pessoas que gostam de BD. Ficam algumas fotos do evento.

Pedro Serpa


Mário Freitas (ao meio) a moderar a apresentação

Podem ver a minha crítica ao livro no link em baixo:
Palmas para o Esquilo

E já agora, para quem não leu, no post de lançamento deste livro aqui no Leituras de BD, foi feita uma pequena entrevista aos autores, se quiserem visualizar e ler cliquem no link abaixo:
Lançamento Kingpin: Palmas para o Esquilo (entrevista a David Soares e a Pedro Serpa)


Boas leituras
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Palmas para o Esquilo


A loucura é o abismo sob a ponte da imaginação.
A imaginação é luz.
Mas basta um fulgor para encadear e empurrar para a escuridão.

Aprendemos a usar os instrumentos da criação.
Aprendemos a arte de fazer arte.
Nem todos são capazes de aguentar o calor intenso dessa fornalha… e dedicam as vidas a apagar o fogo. As centelhas são mais fáceis de extinguir.
Nada é mais miserável que esse serviço.
Nada é mais abjecto.
Porque nada é mais cintilante que o fogo da criação.
Nada brilha com mais radiância.
E, no entanto, nada é mais frágil que esse fogo. Nada é mais efémero.

David Soares
in Palmas para o Esquilo

Desculpem-me esta introdução longa com a transcrição de dois momentos da escrita de David Soares nesta Banda Desenhada.
Acho que são importantes, e emblemáticos, neste ensaio sobre imaginação e loucura.

Tenho milhares de livros de BD. E quem me conhece sabe que a minha Bedeteca é composta por tudo quanto é tendência ou género nesta arte. Mesmo. Até Manga alternativa tenho!
Mas este livro é único. Foi o livro que exigiu mais de mim como leitor, tanto ao nível do vocabulário, como na apreensão das ideias apresentadas. Estou a escrever isto positivamente. As ideias estão lá, a transmissão não é fácil, propositadamente, penso eu.

Já li livros (aliás, tenho) que me foram difíceis ao nível do entendimento, mas no fim não me transmitiram nada. Nem uma única emoção, sem ser aquela “porque é que eu gastei dinheiro nesta bosta de um pseudo-intelectual?”

“Palmas para o Esquilo” é diferente. Primeiro porque o David Soares não é um pseudo-intelectual, como lavram por aí muitos autores ditos “alternativos”. O David Soares é um escritor com ideias, e não gosta que seja fácil ao leitor entender o que nos quer transmitir. Ele dá trabalho ao leitor. Vocabulário puxado? Sim. Metáforas a cada esquina? Sim. Cultura? Sim.

Se procuram um livro de ideias fáceis, este não é o vosso livro.
Este é um excelente livro do David Soares e do Pedro Serpa, mas obriga o leitor a trabalhar. Se alguém quiser provar a outrem que a BD não é para crianças, ofereçam-lhe este livro.

David Soares não caiu na armadilha do livro “pesado”. O livro é denso de ideias, mas não pesado.
Cheguei a casa com o livro e imediatamente o li. Disse duas ou três palavras no mais verdadeiro vernáculo que a língua portuguesa tem ao seu dispor, coloquei o livro de lado.
O meu exercício como leitor deste livro foi feito a quatro tempos, e do primeiro já falei. Foi o primeiro impacto, impacto este que me disse que teria de o ler outra vez.
A minha segunda leitura foi feita da seguinte maneira: Apenas li as caixas de texto sem olhar aos balões de fala, e com um dicionário à minha frente. Aprendi algumas (muitas) palavras novas! Isto acompanhando sempre a narrativa gráfica do Pedro Serpa.
De seguida (e foi difícil ignorar as caixas de texto) li os balões de texto em conjunto, claro, com os desenhos do Pedro Serpa.
A última leitura trouxe-me o entendimento geral (não posso dizer total) do livro como um todo, e neste momento sim. Eu li “Palmas para o Esquilo”!

David Soares transporta-nos para um universo em que a imaginação, sempre tão frágil quando contraposta a alguma dificuldade, é facilmente transformada em loucura.
O cercear da imaginação pode amputar logo de início o brilho da mente livre, e num caso mais extremo, transformá-la em demência.

A história passa-se num asilo, e com o auxílio de flashbacks o leitor pode verificar as etapas que podem levar à loucura… a fronteira por vezes é tão ténue que basta um pequeno desequilíbrio numa mente em formação, ou simplesmente um momento disruptor que faz balançar o equilíbrio mental para o lado negro…

Falei em etapas, mas posso dizer em círculos… sim porque o círculo imaginação-loucura tem um problema. Só se quebra com a morte, e a morte neste caso é libertadora. E há quem ache esse tipo de morte tão libertador, que ensaia de seguida um voo para a liberdade… fatal? Ou libertador?

Eu não vou repetir o que toda a gente diz sobre os desenhos do Pedro Serpa. Blá-blá-blá falsa simplicidade, blá-blá-blá não é fácil atingir aquele grau de singeleza blá-blá-blá…
O que eu posso dizer é que o Pedro Serpa apresenta SEMPRE (aconteceu n’o pQUENO dEUS cEGO – Lembram-se daquela splash page com o dragão?) imagens de uma força enorme. Não é em todas as páginas, mas o efeito emocional que provoca de repente ver a espaços uma imagem tão forte e plena de significado, vale tudo. Existem três páginas super simples e com uma força tão brutal para quem está embrenhado a sério no livro, que eu tenho de lhe tirar o meu chapéu (eu não uso chapéu, mas façam de conta que tenho um…). E sim, o Pedro Serpa tem uma estilo muito próprio de desenhar, quase naive, que se adapta muito bem a estilo de escrever do David Sores.

O lettering esteve a cargo do Mário Freitas, assim como o design do livro, e eu nem vou comentar nada. Quem adquirir a obra, depois diga aqui nos comentários.
;)

Como publicação. A Kingpin cada vez mais está a subir a fasquia da qualidade, e tiragens, das suas publicações. Este é um bom exemplo! Impressão off-set, e um design muito bom de capa e badanas!

Já agora, amanhã é o lançamento oficial deste livro na loja da Kingpin, e os autores estarão presentes para autógrafos. E já agora, para quem não leu, no post de lançamento deste livro aqui no Leituras de BD, foi feita uma pequena entrevista aos autores, se quiserem visualizar e ler cliquem no link abaixo:
Lançamento Kingpin: Palmas para o Esquilo (entrevista a David Soares e a Pedro Serpa)

Boas leituras

Softcover
Criado por: David Soares e Pedro Serpa
Editado em 2013 pela Kingpin
Nota: 9 em 10
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Lançamento Kingpin: Palmas para o Esquilo (entrevista a David Soares e a Pedro Serpa)


É já no dia 14 de Setembro que a Kingpin vai lançar o seu terceiro livro de 2013. Como foi dito anteriormente, neste ano de 2013 esta editora publicará cinco obras de Banda Desenhada realizadas por autores portugueses.

Setembro é o mês de "Palmas para o Esquilo", escrito por David Soares e desenhado por Pedro Serpa. Esta dupla já tinha trabalhado junta no livro o pEQUENO dEUS cEGO com sucesso, e espero que este seja um sucesso ainda maior!
A seguir à nota de imprensa terão uma pequena entrevista com os autores deste livro, são cinco perguntas para cada um!
























Desta vez David Soares vai entrar no mundo da loucura mostrando-nos que a fronteira entre esta e a imaginação é muito ténue, mas claro... para conhecerem melhor esta obra nada como estar presente no lançamento, que será feito no espaço da loja Kingpin Books e contará com a presença dos autores, que com certeza darão autógrafos.

Fiquem com a nota de imprensa da Kingpin:

PALMAS PARA O ESQUILO, escrito por David Soares e desenhado por Pedro Serpa, consiste numa observação sobre a distância que separa a imaginação da loucura e como a primeira pode transformar-se na segunda. Passado numa instituição para doentes mentais, Palmas Para o Esquilo recusa os lugares-comuns associados aos asilos para apresentar os loucos numa luz positiva e compassiva, numa abordagem que parte da loucura como alegoria para a condição humana. O asilo é um mundo, mas a loucura é uma antilinguagem, porque não permite a comunicação. Isolados dentro das suas próprias mentes, só a imaginação pode libertar a alma.
























Dos mesmos autores de "O Pequeno Deus Cego", vencedor em 2012 do Prémio Nacional de BD para o Melhor Argumento, atribuído pelo Amadora BD.

Kingpin Books, 52 páginas, cor.
PVP: 10,99EUR.

Entrevista a David Soares


Como te surgiu a ideia para este livro?

Surgiu de repente, praticamente toda estruturada. Ando constantemente com muitas ideias, conceitos, frases e imagens na cabeça e grande parte dos meus livros aparece de modo súbito na mente, como uma montra na qual se expõem quase todos os elementos e quase toda a cronologia da história. Já andava com vontade de escrever sobre a loucura e, felizmente, «Palmas Para o Esquilo» encerra tudo o que tinha para contar, neste momento, sobre o assunto. Estava num café, muito perto de casa, a ler, e quando comecei a imaginar a história, agarrei de imediato numa caneta para esboçar as pranchas num bloco de notas. É o que eu chamo “escrever com imagens”: as vinhetas são como frases e as pranchas são como parágrafos. Nesse instante, esbocei como a história ia começar, como iria terminar e qual o tom que devia ter. O tom é o mais importante e ou se apanha logo ou não se apanha de todo. Já abandonei histórias, porque não lhes apanhei o tom no início. O tom relaciona-se com a voz autoral, mas esta é sempre a mesma em todos os livros, enquanto que o tom muda de livro para livro. É, chamemos-lhe isso, a personalidade do livro, a voz do livro, em complemento à voz do autor. O livro tem de ter a sua própria voz e é ela que, em suma, comunica com os leitores de um modo subjectivo. Tão subjectivo que eles nem dão conta disso – em especial, se o autor souber o que está a fazer.

Podes falar um pouco do livro e já agora, que tipo de emoções pretendes que os teus leitores sintam após acabarem de ler o livro?

Gosto de pensar que é um livro emocionalmente devastador e intelectualmente exigente, mas os leitores irão, certamente, experimentar as suas próprias emoções e sentir o livro à sua maneira: se lhes provocar as emoções que enunciei, será fantástico; se provocar outras, isso também será interessante. Escrever sobre a imaginação, que é um dos temas do livro, é algo que levo muitíssimo a sério, porque a relação que tenho com a minha imaginação é muito séria. Para começar, ela é uma excelente companheira, porque nunca me deixou ficar mal; e, nesse sentido, faço os possíveis por tratá-la bem. Leio bons livros, passeio muito a pé para digerir o que li e o que vi e para entrosar essas informações em pensamentos originais; ando sempre com um bloco de notas para apontar esses pensamentos, de modo a ter um arquivo de memória. Trato a minha imaginação como se ela fosse uma rainha e o resultado pode ler-se nos meus livros. Daí que eu sei o quão preciosa a imaginação é e o quanto ela é erodida por um sem-número de agentes, digamos assim, que existem na sociedade. Acho que «Palmas Para o Esquilo» é sobre isso, também: o modo miserável como se mata a imaginação e o modo miserável como, muitas vezes, os indivíduos deixam que isso lhes aconteça. Nesse sentido, «Palmas Para o Esquilo» tem muita coisa autobiográfica, mas não é, de maneira nenhuma, uma autobiografia.


Já havias feito um livro com o desenhador Pedro Serpa, o pEQUENO dEUS cEGO. Agora outro! O que gostas mais na arte do Pedro?

Gosto da doçura do desenho do Pedro, porque isso permite-me alcançar algo que o Lucio Fulci, realizador italiano de filmes de horror, cristalizou na perfeição e que outros cineastas, até alguns norte-americanos muito conhecidos, tentaram emular: quanto mais horríveis e intensas forem as cenas, mais bonita e etérea é a fotografia do filme. Acho que em «Palmas Para o Esquilo», os desenhos do Pedro estão ainda mais bonitos e doces que em «O Pequeno Deus Cego». São perfeitos para o livro e não o imagino com os desenhos de outro artista.

Quando idealizaste o livro, o resultado final depois de desenhado era o que tu esperavas, ou foi/é sempre uma surpresa no final?

Era o que esperava. Eu não sou um argumentista: sou um autor, o que significa que tenho um universo autoral próprio, no qual vou explorando determinados conceitos, determinadas preocupações, mas sempre sob pontos de vista diferentes. Daí que quando convido um artista para trabalhar comigo, estou a convidá-lo para entrar no meu mundo, que é um mundo definido com rigor e com muitos livros publicados, para desenhar aquilo que escrevi e planeei. Existem elementos que nunca são importantes para a sequência narrativa, nem para o desenvolvimento da história, e que remeto para o gosto pessoal dos desenhadores, mas não os convido para criarem histórias: convido-os para desenharem as minhas histórias.

Queres deixar alguma mensagem aos leitores deste blogue?

Agradeçam ao Nuno o tempo que ele devota à divulgação de livros e autores e leiam sempre com atenção merecida aquilo que ele escreve: a dedicação nunca é unilateral.

Obrigado David!


Entrevista a Pedro Serpa


Pedro, como é trabalhar com o David Soares? Ele dá-te rédea para “inventar graficamente”, ou está sempre presente na construção das pranchas?

O David, para além do guião, fornece o layout das pranchas. Sendo ele um autor experiente e com uma visão muito bem definida sigo as suas indicações e concentro-me no desenho. Aí tenho toda a liberdade, tanto no desenho como na cor.

Qual foi a tua maior dificuldade, graficamente falando, com este novo livro, se é que houve alguma?

A maior dificuldade acabou por ser a impossibilidade de desenhar o tempo necessário para evoluir e ganhar ritmo de trabalho. Para quem não sabe, trabalho a tempo inteiro numa empresa e isso ocupa praticamente todo as horas úteis do dia. E agora, com um filho recém-nascido, tornou-se muito difícil gerir o tempo livre.

Já tinhas feito um livro com o escritor David Soares, o pEQUENO dEUS cEGO. Agora outro!
O que gostas mais nos argumentos do David?

O David escreve sem medo nem pudor. É visceral, directo e ao mesmo tempo obscuro e profundo, exige reflexão.

O resultado final depois de desenhado foi o que tu esperavas, ou foi/é sempre uma surpresa no final?

Ainda não vi o livro impresso, mas como demorou um ano e meio a ser concluído, acabo por sentir já alguma nostalgia ao ver as pranchas. Estou muito satisfeito com o resultado, é o que queria fazer. Reflecte de forma coerente todo o processo.

Queres deixar alguma mensagem aos leitores deste blogue?

Quando estiverem a ler o “Palmas para o Esquilo”, pesquisem as várias referências contidas na narração. Este é um livro denso e muito rico, que vai recompensar o leitor.

Obrigado Pedro!

Podem visitar o blogue do David Soares no link em baixo:
Cadernos de Daath

E o blogue do Pedro Serpa:
Os desenhos do Serpa

Boas leituras
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

o pEQUENO dEUS cEGO


o pEQUENO dEUS cEGO é a mais recente edição da Kingpin, e apresenta mais uma estória plena de alegorias e significados imersos numa narrativa aparentemente simples de David Soares. Digo aparentemente porque se quisermos “ler” mais fundo torna-se uma leitura bastante mais densa, e que obriga a pensar sobre o que o autor nos quer transmitir com frases simples, mas plenas de significado.
David Soares gosta de “obrigar” os leitores a ler um pouco mais fundo, mas se fizermos uma leitura simples deste livro, continua a ser uma boa estória! E isto é de louvar, tanto dá para leitores mais exigentes, como para uma leitura mais superficial e leve. Acho que toda a gente ficará satisfeita. E não vou mentir a dizer que percebi toda a simbologia apresentada, porque seria mentira. A minha cultura não é assim tão vasta, percebi algumas alegorias, outras senti que estavam lá mas faltou-me qualquer coisa para as perceber por inteiro. Mas isso não me tirou o prazer desta leitura, apenas me fez tentar pensar mais um pouco do que é costume! Não gosto de me fazer daquilo que não sou, e seria fácil para mim usar aqui alguns chavões que aparecem repetidos no mundo da informação online (que até parecem bem) sobre este livro, mas ninguém diz exactamente o que achou do livro, pelo menos que eu tenha visto.
O que eu acho... é um excelente ensaio sobre a cegueira de quem tem olhos, e em antítese, a inteligência e coragem de quem não precisa deles para “ver”, apreender e entender emocionalmente o mundo que o rodeia. Não há dúvida de que quem consegue isto se aproxima de um dEUS. Pronto, também temos algumas entradas mais filosóficas muito bem encadeadas em toda a narrativa, excepto no caso do dragão. Aqui achei o monólogo deste muito extenso, partindo um pouco a vivacidade com que vinha a narrativa.
Pedro Serpa surpreendeu-me! Não conhecia o seu trabalho, mas este livro mostrou um traço simples e muito eficiente. Em muitas páginas foi muito forte na transmissão artística da narrativa de David Soares, noutras nem tanto. No geral gostei muito do trabalho dele, e penso que é um autor com larga margem de progressão. Não foi completamente homogéneo durante todo o livro, mas tem lá grandes páginas plenas de força! Aquele dragão em cima das caveiras está brutalíssimo!
A estória é contada num ambiente asiático com “uma” protagonista que acaba por ter vários nomes durante a narrativa, como Sem-Olhos, Caganita, Papa-Moscas… Esta pequena criança irá ser iniciada num rito inominável pela mãe, mas será que isso é o mais horrível da ainda curta vida de Sem-Olhos? Por certo que não… e quem ler esta obra vai ainda conhecer algo ainda mais horrendo. Mas o conhecimento traz coragem e “esta pequena”, acompanhada pelo seu amigo Panda (grande achado), e por um ancião que lhe traz luz e lhe abre o espírito, vai à procura da verdade! Uma obra sangrenta, mas comovente!
Bom livro! Estão todos de parabéns pelo resultado obtido, os autores e a editora!
Aliás, cada um no seu género, este Amadora BD está recheado de bons lançamentos, tivemos já Mahou: Na Origem da Magia, e a seguir iremos ter Dog Mendonça e PizzaBoy: Apocalipse! E não esquecer o novo livro de Ricardo Cabral, "Pontas Soltas - Cidades".
A BD portuguesa está viva e recomenda-se!

Boas leituras, bom festival… e comprem um livro no Amadora BD!

TPB
Criado por: David Soares e Pedro Serpa
Editado em 2011 pela Kingpin Books
Nota: 8 em 10
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domingo, 16 de outubro de 2011

Lançamento Kingpin Books: o pEQUENO dEUS cEGO


A Kingpin mantém a tradição e em alturas de Amadora BD faz a edição de mais um livro.
Desta vez chama-se "O Pequeno Deus Cego", e teve como autores o já bem conhecido David Soares e o menos conhecido Pedro Serpa. É um dos livros que conto obter neste Amadora BD, e diga-se, tenho bastante curiosidade em ler. Primeiro porque o palco e ambientes são completamente diferentes do habitual na BD portuguesa, e segundo porque quero ver como esta dupla funcionou! David Soares tem uma reconhecida e grande capacidade para cenários dentro do fantástico, Pedro Serpa é quase desconhecido para mim.
Tenho para apresentar, para além da nota de imprensa, quatro páginas deste livro. Desfrutem delas!

O PEQUENO DEUS CEGO

A vida da pequena Sem-Olhos torna-se uma tragédia quando a mãe determina que ela seja iniciada num sangrento rito tradicional, mas ainda mais doloroso é o grande segredo da família, oculto no passado, que duas personagens misteriosas irão desmascarar.
Será que Sem-Olhos é apenas uma criança ou poderá ser um pequeno deus sobre a terra?

Escrita por DAVID SOARES (Mucha, Batalha, O Evangelho do Enforcado, A Conspiração dos Antepassados), com arte de PEDRO SERPA (Histórias em Busca de Uma Alternativa), O Pequeno Deus Cego é uma história alegórica, de contornos herméticos, passada numa fabulada China ancestral. Filosófica e visceral, em simultâneo, é uma banda desenhada que irá resgatar o leitor das trevas para a luz.

Argumento de David Soares
Arte de Pedro Serpa
Cor, 48 páginas.






Este livro vai ser lançado logo no primeiro Sábado do 22º Amadora BD Sábado, 22 de Outubro, entre 15:30 e as 16:00!
Ou seja... saímos do almoço organizado pelo Leituras de BD, para o lançamento do livro!
:D

Boas leituras!
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