Penso que todo o hype criado à volta deste livro o prejudicou, não nas vendas com certeza, mas na leitura.
Podemos fazer uma crítica a este livro de três maneiras: Comparando com Goscinny (no argumento), comparando com Uderzo (no desenho e construção das páginas), ou comparando com os livros publicados apenas por Uderzo (argumento e desenho).
Vou optar por esta última, por várias razões. A primeira é que Goscinny era um génio. Muito dificilmente alguém chegará ao Goscinny em Astérix ou Lucky Luke.
Uderzo era outro génio, mas na concepção gráfica, na expressividade dos seus desenhos, na sua capacidade de narrativa gráfica. Daí o sucesso enorme que esta série teve na altura desta dupla, ou seja, antes da morte de Goscinny.
Outra coisa que eu gosto de salientar, que vai de algum modo contra o status quo desta série para a maioria dos portugueses, é que efectivamente era uma banda desenhada para adultos. Apesar de os jovens gostarem das aventuras, é preciso maturidade para entender em toda a plenitude tudo quanto estava presente nos livros de Astérix desta dupla.
Passando esta introdução, vou comparar este livro com os últimos de Uderzo (como argumentista e desenhador).
Como toda a gente sentiu, os livros foram ficando cada vez mais fracos, até culminar na aberração que foi “O Céu Cai-lhe em Cima da Cabeça”. Este livro foi o corolário negativo de como Uderzo não era talhado para argumentos engraçados, com a componente do humor inteligente quase nula. Esse livro foi muito mau…
Garantidamente este último livro é bastante melhor que os últimos de Uderzo, mas também tenho de dizer que não era uma tarefa difícil!
Os dois autores foram competentes. Ferri apresenta uma história bem construída, e Conrad conseguiu captar bem as personagens graficamente.
Mas sente-se a falta de qualquer coisa.
Ao argumento de Ferri falta o sentido de humor corrosivo e sempre com dupla intenção de Goscinny. Tem humor sim, porque tem. Mas penso que falta aquela centelha! Claro, muito melhor que Uderzo, isso não restem dúvidas.
Conrad na representação gráfica das personagens cola-se muito bem a Uderzo, inclusivamente na construção das páginas e na maneira de fazer correr a acção. Claro que existem algumas diferenças, sobretudo nas personagens secundárias, e dentro destas a diferença que achei maior foi nas personagens femininas, aqui mais bonitas na generalidade (dentro do possível…lol). Na generalidade porque a mulher “gira e sexy” da aldeia, mulher do velho Decanonix, foi a menos beneficiada neste aspecto, antes pelo contrário. Outra coisa que eu notei (lol) é que as calças do Obélix têm menos riscas… ou seja, as que existem são mais largas… sim, chamem-me picuinhas!
Nada de grave…
Bom, isto tudo para dizer que o desenho e narrativa gráfica de Conrad não deixam ficar mal o Uderzo!
:D

A aventura inicia-se com a descoberta de um estranho congelado, aliás conservado dentro de um bloco de gelo. Panoramix consegue revivê-lo, apesar da fala ter sido difícil, e chega também à conclusão que é um Picto da Caledónia. As mulheres da aldeia acham-no uma “brasa”, o que começa a pôr os aldeões nervosos…
O rapaz está infeliz e quer voltar para junto da sua amada, e é aqui que Astérix e Obélix entram. Vão acompanhá-lo na viagem de volta ao território das várias tribos Pictos. Como não podia deixar de ser encontram os piratas do costume pelo caminho…
Na Caledónia vão deparar-se com vários problemas… e é claro que não vou contar a história!
:D
Mas como não podia deixar de ser temos um vilão Picto (Mac Abro), por oposição ao herói (Mac Brasa). E temos um simpático monstro de Loch Ness, os trocadilhos que são emblemáticos da série, e o tradicional banquete final!
Transversalmente à história do livro, temos um desgraçado romano que quer fazer os censos da aldeia gaulesa… (pobre romano).
:)
Um bom livro para os fãs normais, os fãs hardcore vão achar um monte de defeitos (é assim que costuma funcionar), mas é o melhor livro desta série de há uns anos ( e livros) para cá.
Hardcover
Criado por: Jean-Yves Ferri e Didier Conrad
Editado em 2013 pela ASA
Nota: 8,5 em 10


