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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sang Royal Vol.1: Noces Sacrilèges


A minha primeira crítica a um livro em francês: Sang Royal Vol.1: Noces Sacrilèges!
Desenganem-se os que pensam que já fui aprender francês, não isso não é verdade…
:)
Quando fui ao grande festival de Angoulême o ano passado comprei um livro (compro sempre livros em festivais de BD) e a escolha na altura recaiu neste título. A arte cativou-se e o autor da estória era nada mais que o grande Jodorowsky. O livro ficou na prateleira para futura leitura, para quando aprendesse francês. Mas… mas existe um site brasileiro ..:: Ndrangheta & DecK'Arte ::. que faz boas “scanlations” para português e eu não tive hesitações, fiz o download e li no computador com o livro ao meu lado!
Assim li o primeiro livro em francês (essa língua maricas)!
Os autores são o já referido Jodorowsky nos textos, e o incrível Dongzi Liu na parte artística. Assim um artista chinês de Manhua (BD chinesa) aliou-se a um roteirista chileno para uma saga que promete chocar quem a ler.
Jodorowsky é mais do que conhecido pelo seu trabalho em títulos como Incal, Casta dos Metabarões, Depois do Incal, Tecnopapas, Antes do Incal, Incal Final, Castaka, O Lama Branco, Juan Solo, Bórgia , Face de Lua, Megalex, Armas do Metabarão e Bouncer (quase tudo títulos editados em português na sua maioria total ou parcialmente). Não há grande coisa a dizer deste grande nome.
Para Dongzi Liu este foi o primeiro trabalho de nomeada, portanto um autor a descobrir!
Sang Royal tem como cenário uma época Medieval violenta e uma família Real destruída por traições e laços amorosos.
Jodorowsky gosta de chocar, é um facto. Gosta de abanar as nossas mentes pondo tabus cruamente a descoberto, e se em Bórgia tratou de um caso de incesto sobejamente conhecido historicamente, em Sang Royal o incesto é levado ficcionalmente ao extremo. Não sei se Jodorowsky tem um problema mal resolvido com incesto, ou simplesmente se gosta de chocar e descobriu que a ligação incestuosa era das menos aceites socialmente no mundo e cultura ocidental. Qualquer que seja a razão este tema surge como centro de toda esta estória. Como estória de um primeiro volume está excelente, Jodorowsky também é cineasta e sabe como fazer uma planificação de guião irrepreensível. A estória flui sempre muita homogenia, mesmo quando a acção muda de cenário ou temporalmente. Não há quebras, o livro não deixa o leitor parar de ler até ao final, e quando se chega ao final chora-se pelo volume seguinte! É isto que se espera de um primeiro volume: forte!
Mas nada disto seria a mesma coisa sem Dongzi Liu… a arte deste chinês é fantástica, de uma beleza que não está ao alcance de todos. Utilizando uma paleta de cores sóbrias, em que usa muitas cores neutras consegue um ambiente muito belo, mas ao mesmo tempo choca e agride quando assim a estória o exige. As figuras humanas são retratadas muitas vezes num registo um pouco sujo, fazendo contraponto com outras (sobretudo a figura feminina) se quer que sejam belas, angélicas mesmo.
Esta estória choque tem como base uma traição, e como final uma vingança cruel.
A traição vem do primo do Rei Alvar, este Rei era um grande guerreiro e bastava a sua presença para fazer com que meia batalha já estivesse ganha. Mas numa batalha é atingido por uma flecha provocando uma ferida muito grave… afasta-se da batalha com o seu primo e pede a este (muito parecido fisicamente) para vestir a sua armadura e voltar à batalha para fazer crer aos seus guerreiros que o Rei estava bem e ia conduzi-los à vitória. O primo assim faz, mas faz muito mais que isso… infecta-lhe a ferida propositadamente e rouba-lhe o título, o nome, o lugar e a família. Alvar é encontrado por uma mulher feia, corcunda entre outras enfermidades, que o recolhe e trata. Mas Alvar ficou louco! Os acontecimentos recentes retiraram-lhe a razão e acaba por pensar que esta mulher que vive longe dos homens na floresta é a sua mulher. Acabam por ter uma filha. Alvar recobra a razão passados 10 longos anos e parte deixando o anel Real com a mulher deformada. Não vou spoilar a partir daqui, apenas digo que passados uns anos volta reencontrar a filha, e o encontro foi escaldante…
Livro que eu recomendo a quem saiba ler francês.
E também para quem sabe francês, saiu o ano passado em Junho o segundo volume da série: Crime et Châtiment. Com este segundo volume a série fica completa.

Boas leituras

Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky e Dongzi Liu
Editado em 2010 pela Glénat
Nota : 9,5 em 10
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