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quarta-feira, 20 de março de 2019

Mulheres da Disney


A Disney sempre teve personagens femininas nas suas histórias, umas com mais destaque que outras. Irei então agora falar um pouco dessas mulheres das revistas Disney.

Vamos tentar dividir isto então por categorias, começando pelas namoradas dos personagens.

Margarida - A namorada do Donald, que tinha a concorrência do Gastão, é talvez a heroína mais bem sucedida das revistas Disney. Chegou a ter uma revista própria na editora Abril, que teve 257 edições, de Julho de 1986 a Fevereiro de 1997, editada de forma quinzenal até à 243 e daí em diante mensalmente. Teve uma segunda série em 2004, que durou 25 edições, nas duas séries, a maioria das aventuras eram criadas no Brasil. Na revista chamava a atenção por não vestir sempre a mesma roupa, algo que não era muito comum.

Era uma repórter destemida, fugindo assim da simples namoradinha, mostrando na mesma a sua personalidade decidida e aventureira. Vestiu também fato de super heroína, apresentando-se como SuperPata. Tinha o mesmo feitio do Donald, apenas sabia o controlar melhor. Foi criada por Al Taliaferro, com o nome original de Daisy Duck, aparecendo nas revistas em 1940, sendo publicada pela primeira vez no Brasil em 1973. É de longe uma das minhas preferidas.

Minnie - A companheira do Mickey nunca teve muito impacto nas histórias em quadradinhos, ficando muitas vezes apenas como uma peça na disputa entre Mickey e Ranulfo. Foi criada por Walt Disney e Ub Iwerks em 1928 (com o nome Minnie Mouse), aparecendo nas revistas dois anos depois, e estreando-se no Brasil em 1972.

Enfurecia-se mais vezes do que o Mickey, e estava sempre a pedir-lhe para fazer coisas que este não pretendia, é o que me lembro mais das suas aparições.

Glória - Tem a particularidade de ter sido criada no Brasil, pelo grande Ivan Saidenberg em 1972, como a namorada Hippie do Peninha. Mais inteligente e calma que o seu parceiro, funciona como o contraponto sério, até quando veste o fato de heroína Borboleta Púrpura, ajudando muitas vezes o Morcego Vermelho. Apareceu em diversas histórias "imaginárias" dos alter egos do Peninha, como namorada, ou como uma simples personagem na história.

Rosinha - A namorada do Zé Carioca (que por vezes tem concorrência do Zé Galo) apareceu nas tiras de jornais em 1942 (não se sabe o criador), e apesar de não ter sido usada nos EUA, no Brasil era uma presença regular. Filha do milionário Rocha Vaz, Rosinha sofre com as atitudes do seu namorado, mas demonstra grande inteligência, conseguindo-o enganar em muitas ocasiões.


Na parte das vilãs tínhamos as seguintes personagens:

Madame Min - Uma bruxa simpática e poderosa, aparecendo primeiro no cinema e só muito depois nas bd's, onde apareceu um pouco por todo o lado, enfrentando o Professor Pardal, vítima de assédio dos vilões que queriam a sua ajuda, tentando-a enganar (como os Metralhas ou o Bafo de Onça), ou indo atrás da sua paixão, o Mancha Negra.

Tinha um aspecto típico de bruxa, mas raramente era malvada, ou apresentada dessa forma, com muitas das suas histórias passadas a tentar ajudar os outros, especialmente nas histórias do Brasil. Tinha a companhia do gato Mefistófeles, e acompanhava a sua amiga Patalojika, mesmo contra a sua vontade. Teve algum sucesso no Brasil, estrelando em alguns almanaques e num dos míticos Manuais Disney. Foi uma presença regular entre as décadas de 60 e 80. Uma das minhas personagens favoritas.

Maga Patalójika - Criada pelo génio Carl Barks, em 1961, Maga tornou-se uma das maiores vilãs do Tio Patinhas, tentando sempre roubar o seu bem mais precioso, a Moedinha nº1. Inspirado pela actriz Sophia Loren, Barks desenhou-a fora do estereótipo das bruxas, dando-lhe um visual mais jovial, feminino e até sexy. Muito temperamental, perde a cabeça muito depressa, o que a impede de conseguir os seus objectivos. Tem a companhia do seu corvo Laércio, na casa que tem perto do vulcão Vesúvio.

Bruxa Vanda - Mais uma bruxa, esta daquelas à moda antiga, acompanhada pela sua fiel vassoura Jezebel, e o seu físico não engana ninguém. Criada por Barks em 1961, assim como Min, muitas vezes não era malvada, e perdia mais a cabeça com o Professor Ludovico, e a sua insistência em provar que a ciência é melhor do que a magia, ou então com o Pateta, que teimava em dizer que bruxas não existem. Gostava das suas aparições.


E agora um olhar sobre as outras mulheres das revistas Disney:

Vovó Donalda - Criada em 1943 nas tiras de jornais, por Al Taliaferro, Grandma Duck é a avó do Donald, Peninha e Gastão, uma mulher muito trabalhadora, que vivia num sítio nos arredores de Patapólis. Com a ajuda de Gansolino, Vovó vive a sua vida pacatamente, tentando-se manter fora das confusões na cidade, e não tendo problemas em chamar a atenção tanto o Patinhas como o Donald. Teve um manual em seu nome também, com receitas culinárias e outras informações.

Clara de Ovos e Clarabela - Duas personagens secundárias, amigas da Minnie, que apesar de aparecerem muito esporadicamente, são bem conhecidas por todos. Clara (Clara Cluck no original) foi criada por Walt Disney em 1934, e é uma galinha antropomórfica que é conhecida por ser uma grande cantora, aparecendo um pouco por todo o universo Disney.

Já Clarabela apareceu em 1930, por Floyd Gottfredson, e é a namorada de Horácio e também uma grande amiga do Pateta. Nunca foi muito clara a sua personalidade, muitas vezes aparecia apenas como uma dama em apuros, mas lembro-me de histórias dela como repórter.

Pata Hari - Parceira do espião 00-Zéro, foi criada por Al Hubbard e Dick Kinney em 1956, com o nome Mata Harrier, numa paródia óbvia a Mata Hari. Não era tão desastrada como o seu parceiro, mas nem por isso era muito melhor. Ganhou mais destaque nas histórias criadas no Brasil, por Saidenberg, e eu era muito fã das histórias desta dupla de espiões.

Pata Lee - Uma pata hippie, neta de Dora Cintilante (namorada do jovem Patinhas), foi criada por Romano Scarpa em 1966, e conhecida então no Brasil como Pata Ié-Ié, algo que mudou quando esta ganhou um grupo de amigos, passando-se a chamar de Pata Lee. Essa turma foi criada no Brasil, por Arthur Fariá jr e Luiz Podavin, um grupo de adolescentes liderados por Lee, que se metiam em algumas confusões típicas para a idade deles.

Existiram também sobrinhas, como as da Margarida, de nome Lalá, Lelé e Lili, que eram somente contrapartes dos originais masculinos. As personagens aqui abordadas iam um pouco além disso, muitas delas com personalidades próprias e mais sucesso que muitas personagens masculinas.


















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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Máquina do Tempo: Pelezinho


Pelezinho foi uma das personagens mais interessantes do Maurício de Sousa. Baseado no grande jogador Pelé, as histórias mostravam um grupo de crianças bem divertido e interessante, e com aventuras diferentes do resto do núcleo do autor Brasileiro. Em Portugal tivemos direito a ver essas revistas, trazidas até nós pela editora Abril.

Foi em 1976 que o criador de BD Maurício de Sousa reúne-se com o astro do futebol Pelé, e ambos acham que seria uma boa ideia lançar uma revista com o futebol em destaque e com o jogador como protagonista. Começa então a sair em tiras de jornal as aventuras do Pelezinho, mostrando a infância do craque e em 1977 sai então a primeira revista pela Editora Abril, mantendo-se nas bancas até 1986.

Mas o processo criativo não foi fácil, Pelé pensava num personagem à sua semelhança, quando ele ainda jogava e estava no Cosmos de Nova York, contra a ideia de Maurício que achava que uma personagem criança atingiria uma faixa de público importante para a perpetuação de sua marca-imagem. O autor pensava nas possibilidades de fabulações e mensagens bem humoradas e positivas que os quadrinhos infantis permitem, mas esbarrava sempre na intransigência do futebolista e que levava a viagens constantes em Nova Iorque, onde só conseguiu o que queria quando ele rabiscou o Pelezinho, e pediu ao Rei para mostrar aos seus filhos.

Eles adoraram e foi um sucesso, com Pelé a render-se às evidências e passando a reunir-se mais vezes, contando histórias da sua infância e dos seus amigos da altura para o Maurício criar a turminha. A sua primeira namoradinha, Neuzinha Saka, o frangueiro Frangão, a Samira, dos quibes, a Bonga namoradeira, o perna de pau Cana Braba Ou seu fiel cãozinho Rex, que ajudava até a cavar o buraco para as traves. até exista uma turma rival com um invejoso do talento de Pelé.

Fora do núcleo duro das personagens de Maurício, foi o primeiro a ter assim revista própria e a sua turminha de apoio foi muito bem aceite por todos. Além da revista mensal, a editora lançava também almanaques, algo que chegou ao fim quando as criações de Maurício passaram para a Editora Globo, que descontinuou a mensal e publicou apenas alguns almanaques.

Já com a editora Panini passou a ser lançado uma revista com a compilação das melhores histórias da personagem, que causou alguma polémica pelo facto de as figuras serem redesenhadas e perderem alguns dos seus traços visuais. Foi lançada também uma colecção histórica, e essa sim mantinha tudo como antigamente.

















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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Disney Ouro: O Superpateta


Vamos voltar ao Universo Disney e a um dos seus maiores super-heróis, o mítico Superpateta. Mais uma daquelas personagens que teve muito sucesso devido a ter histórias produzidas no Brasil, por autores que compreendiam a essência do herói e nos davam aventuras muito divertidas.

Super Goof foi criado em 1965 por Paul Murry e Del Curry, tendo tido direito a revista própria, algo que não aconteceu no Brasil, apesar de ter tido direito a diversas edições Extras e a Almanaques, com muitas aventuras a terem a assinatura de Ivan Saidenberg. Nos Estados Unidos chegou a ter algumas histórias escritas por Mark Evanier, autor conhecido pelo seu humor em trabalhos como o na revista do Groo, o errante.

O conceito era simples, Pateta descobria no seu jardim uns arbustos com amendoins, e quando os comia estes davam-lhe alguns poderes como super força, invencibilidade e a possibilidade de voar. O seu uniforme também aparecia miraculosamente, consistindo numas ceroulas vermelhas com uma capa azul, para além do seu chapéu normal que era onde ele guardava os amendoins.


Isto porque os poderes tinham um tempo limitado, e assim ele teria que tomar outro de uma forma rápida e eficaz. A dada altura o seu sobrinho Gilberto começou a ter algumas aventuras ao lado do seu tio, como Supergil, ajudando este com o seu superior intelecto. Não fui muito fã dessas histórias, preferia ver só o herói a solo, especialmente quando nada lhe corria bem.

Mas gostava quando ele enfrentava vilões como o Dr Estigma ou Dr X, lembro-me de gostar muito de uma história onde um destes tinha um lápis com o qual fazia uns rabiscos que ganhavam vida e eram perigosos.

Também abrilhantou algumas aventuras do clube de heróis, onde aparecia ao lado do Vespa Vermelha entre outros, e nestas aparecia um pouco menos burro do que nas suas aventuras a solo.Quem mais era fã deste herói e do seu Tra lá lá?










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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Disney Ouro: Professor Pardal



Todos sabem da minha admiração pelas personagens que acompanharam a minha infância, e as da Disney têm um cantinho especial no meu coração e por isso hoje irei relembrar de uma das minhas favoritas, o Professor Pardal.

O Professor Pardal é daquelas personagens que ganhou uma vida própria que vai muito além das suas aparições nas revistas ou desenhos animados da Disney. Mesmo quem não lia, ou via, regularmente estes produtos da Disney, conhecia a personagem e apelidava alguém de "professor Pardal" quando essa pessoa se punha a inventar, da mesma forma que se apelidava de "Tio Patinhas" quando a pessoa era forreta.

Gyro Gearloose (Professor Pardal) foi uma criação de Carl Barks, que em 1952 o colocou nas histórias dos patos para ser um amigo e personagem a utilizar nas histórias de Tio Patinhas, Donald e os seus sobrinhos. Nas aparições que teve demonstrava ter uma inteligência acima da média, e era muito mais calmo e sereno que os restantes patos, tornando-se uma constante ser uma ajuda para as aventuras que o Tio Patinhas queria ter, apesar de nunca receber um cêntimo com essa ajuda.

No ano seguinte à sua criação recebeu um companheiro, o Lampadinha (Little Helper/Little Bulb), uma espécie de robô que tinha uma lâmpada como cabeça e tornou-se um parceiro essencial nas aventuras a solo deste inventor. Eu gostava bastante das histórias a solo, muitas delas criadas no Brasil, eram bem divertidas e ele não era tão calmo como parecia ser no seu começo. Por vezes entrava mesmo em desespero quando uma invenção não corria bem, e não eram assim tão poucas as histórias em que colocava Patópolis e os seus vizinhos em perigo ou em situações caricatas.


Na sua versão original teve uma revista própria, enquanto que por cá (ou seja no Brasil), foram lançados vários Almanaques, umas vezes só com o nome dele a "titular" e noutras acompanhado pelo seu fiel parceiro.

As revistas tinham grande aceitação e ele chegou a ter um manual (algo que só algumas poucas personagens tiveram direito), para além de ser um dos principais protagonistas em Disney Especiais, a revista que a editora Abril lançava de tempos a tempos com um tema especial.

O seu principal inimigo era o Professor Gavião, um génio do mal que preferia muitas vezes roubar as ideias do Pardal do que pensar por ele mesmo, mas em algumas histórias tinha que se livrar de vilões como os Irmãos Metralha ou o Mancha Negra que queriam ajuda para alguma maldade que queriam fazer.

A aparência física dele fazia com que sobressaísse nas histórias dos patos, Barks confessou ter-se arrependido de o ter criado daquela forma, já que era complicado compor as vinhetas com outras personagens baixas, como era o caso dos patos.

Lembro-me de algumas histórias em que enfrentava a inveja do Professor Ludovico, outro cientista/inventor da família dos patos mas que nunca teve o mesmo sucesso do Pardal. Isto devia-se muito por conta das ideias mirabolantes que davam origem a invenções ainda mais estranhas, e muitas delas originadas depois de ele dar uma marretada na sua própria cabeça para fazer fluir as ideias.

Quando ele estava em baixo e precisava de ajuda para criar algo, usava também o seu chapéu pensador, um chapéu em forma de telhado que tinha uns corvos dentro que o ajudavam a conseguir aquilo que queria. Continuou a sua expansão para o universo Disney ao criar todo o equipamento do herói Morcego Vermelho, isto depois de já ter criado também os acessórios usados pelo Superpato.

A prova da importância deste inventor, foi dada no desenho animado Ducktales, onde ele também apareceu regularmente e criou inclusive um robô gigante que foi muito importante em algumas histórias. Quem mais era fã deste inventor que fazia inveja ao MacGyver?






























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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Máquina do Tempo: Crise nas Infinitas Terras - Hora de salvar as terras


Nesta segunda parte, vamos ver como os heróis tentavam salvar desesperadamente as terras remanescentes, de como passado, presente e futuro se uniam em diversas épocas deixando tudo e todos desesperados e sem saber como reagir. Aqui podem ler a primeira parte, relembrando o porquê da necessidade de existir ma Crise nas Infinitas Terras.

Depois do Monitor explicar aos heróis que foram convocados o problema do multiverso e da ameaça do anti-monitor, eles começam a ser separados em pequenos grupos e a irem tentar proteger as diferentes máquinas que iriam ajudar a salvar as terras. Mas os números e a força dos demónios sombra era demasiado, nem sempre as coisas corriam bem e começaram a aparecer as primeiras baixas e universos e suas terras continuaram a ser eliminados.

A onda de anti matéria fazia com que acontecessem coisas estranhas, um bando de mamutes do passado poderia aparecer no Século XXX e atrapalhar a vida da Legião de Super Heróis por exemplo. Começávamos a ver nas sombras o trabalho do Anti Monitor, que acabou por controlar uma clone da Percrusora e fazer com que ela matasse o seu mentor, mas este já previa isso e fez com que a sua morte despoletasse a energia para as suas máquinas e proteger alguns universos e algumas terras, mas propriamente a Terra 1, 2, S, X e 4.

Essas 5 terras ficaram assim alinhadas muito próximas umas das outras, separadas por pequenas vibrações que quando não corriam bem davam azo a grandes confusões entre os diferentes planetas.

A arte de Pérez foi uma das maiores armas desta saga, a forma como ele conseguia retratar diversos heróis num só painel tornava tudo mais entusiasmante, para além de podermos encontrar heróis de todas as fases da DC, desde os futuristas Legionários aos cowboys do Faroeste, e até um rapaz pré histórico do início de tudo.

No Brasil a editora Abril tentava mostrar a saga da melhor forma possível, os números da série principal eram espalhadas pelas diversas revistas, assim como os crossovers relacionados com isto. Foi um daqueles trabalhos que mostrava como era importante ter a cronologia acertada, coisa um pouco complicada por causa da revista dos Novos Titãs, que ia um pouco mais avançada.

Foram também publicadas algumas histórias de personagens que nem sempre eram editados no Brasil, o que ajudou a que muitos (como eu) que não conheciam bem o universo, ficassem um pouco confusos.

Alguns dos capítulos mais interessantes vinham das páginas da Corporação Infinito, que tinha um certo Todd McFarlane na arte e que na altura apresentava um traço um pouco diferente do actual, mas com um gosto pela experimentação, especialmente no layout dos quadradinhos.

Em Superamigos era a tropa dos Lanternas Verdes que ganhava destaque, ali víamos pormenores sobre as trocas entre lanternas como Stewart, Guy ou Hal (na altura sem anel), para além do destaque de outros lanternas de renome, que morreram ali naquelas páginas como tantos outros morreram na saga principal.

Voltando à saga principal, lida-se com a morte do Monitor e com a mudança do Pirata Psiquíco para o lado do Anti-Monitor, o que complicou muito a vida para os que lutavam pelo bem, já que ele controlava as emoções de tal forma que fazia herói enfrentar herói, muitas vezes quase até à morte.


Os vilões tinham grande destaque nesta saga, Pérez sabia capitalizar isso e mostrava bons planos que nos fazia quase torcer por eles, de tão "cool" que eles pareciam. Brainiac (versão robô) e Luthor (quase super vilão) começavam a aparecer um pouco mais, tentando dominar os outros e aproveitar a confusão de tudo aquilo que se passava ao redor.

Entretanto vimos pela primeira vez o Anti Monitor, naquele que foi um dos momentos de menor climax da série, depois de tanta coisa para encobrir a sua imagem, confesso que fiquei um pouco desiludido com o design final do vilão. Mas pronto, o seu poder e a sua maldade ajudavam a encobrir um pouco aquilo, adoro como ele obriga o Pirata Psíquico a controlar o Flash, o Tornado Vermelho e obrigar eles a fazerem coisas contra a sua própria vontade, mas ao mesmo tempo o coloca para controlar os milhões de pessoas das outras terras, algo que provou ser demasiado para o vilão.

No lado dos heróis, vemos uma mega reunião no Satélite do Monitor, convocados por Harbinger e o Alexander Luthor da Terra 3, aquele que tinha sido salvo em bebé pelo Monitor e que tinha crescido exponencialmente em pouco tempo. A página dupla que mostra todos os heróis (e alguns vilões) juntos é de tirar o fôlego, a atenção dada aos pormenores e o tentarmos acertar quem é quem é mais forte que nós.

A confusão de herói não reconhecer herói dentro desse satélite mostra bem como eram as coisas, e pior era quando esses heróis eram versões diferentes de um só herói. Na revista Infinity Inc,, isso é bem abordado, afinal era a revista que mostrava os netos, filhos e sucessores de outros heróis bem conhecidos e acontece até uma luta muito forte devido ao ressurgimento de um dos heróis que tinha ali uma versão mais nova a continuar o seu legado.

Depois existiam aqueles heróis como os comprados a outra editora, vimos numa terra como viviam em harmonia o Besouro Azul, Pacificador, Judomaster entre outros, assim como existia uma terra para os da Fawcett, onde habitava o Capitão Marvel (Shazam) e toda a sua família.

Há momentos de convívio entre heróis desconhecidos de terras diferentes bem engraçados, como quando os Novos Titãs encontram a Família Marvel. Outro bom momento são os dois Super Homens com a Lois Lane da Terra Um, e aí nota-se como Perez fazia bem as coisas e fazia questão de diferenciar os dois heróis.


Como não conhecia bem o universo da DC, gostei bastante de ver ali alguns heróis que me pareciam bem interessantes. Dos que gostei mais eram os de origem mística, foram muito bem apresentados por Pérez e foram alguns dos mais esforçados para que tudo corresse bem. Todos tinham o seu lugar ao sol, nem que fosse num simples quadrado, mas tudo de uma forma fluida e que não diminuía em nada o ritmo da história.

Com a destruição do satélite do Monitor e o "sacrifício" da Percrusora, os heróis ficam inspirados com isso e é formada uma pequena equipa que viaja até ao universo de anti matéria para levar a batalha a casa do anti monitor. Lady Quark, Super-Homem da Terra Um e o da Terra Dois também, Besouro Azul, Capitao Marvel, Supermoça, Caçador de marte, Tio Sam, Espectro, Deadman, Vingador Fantasma, Nuclear, Mulher Maravilha e mais uns tantos.

Mas será que isso vai ser suficiente? No próximo artigo vamos descobrir, assim como perceber melhor o impacto que esta saga teve devido às mortes importantes que aconteceram nesses últimos números.

Clicar para aumentar e ver em pormenor































Podem ler a primeira parte neste link:
Crise nas Infinitas Terras - No começo eram muitas
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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Máquina do Tempo: JLI, os primeiros anos


Foi um dos títulos que mais prazer me deu ler, a prova disso é ser das poucas revistas da editora Abril que comprei do primeiro ao último número, tal o gozo que me dava acompanhar as aventuras da Liga da Justiça Internacional. A prova que o humor tinha lugar nas revistas de super heróis, sem cair na paródia nem deixar de lado a acção e a aventura.

A DC passava por grandes mudanças na segunda metade da década de 80, depois do mega evento Crise nas Infinitas Terras, muitos dos seus principais personagens passaram por mudanças extremas, alguns deles recebendo novas origens e um recomeço absoluto, como era o caso do Super-Homem de John Byrne. Parecia ser então a altura certa para uma nova Liga da Justiça, que surgiria das páginas da saga Lendas e usaria alguns dos heróis aí presentes. Keith Giffen foi o escolhido para escrever as histórias, e apesar deste querer um regresso às origens e usar os 7 grandes heróis da liga, foi-lhe dito que isso não seria possível e este só conseguiu o Batman (muito devido à pena que o editor Denny O'Neill teve dele) e o Caçador de Marte.

O editor da Liga era Andy Helfer, que era também editor dos Lanternas Verdes e sugeriu a utilização do Guy Gardner, uma personagem recente que tinha tido algum destaque em crise. Giffen recrutou a ajuda de JM DeMatteis, e como ambos estavam a produzir a série do Sr.Destino, decidiram utilizar o mago na Liga também, juntando assim mais uma personagem estabelecida no Universo DC. A Canário Negro era a ligação ao passado da equipa, sendo que o Capitão Marvel seria o peso pesado do grupo que teria ainda a participação (curta) da nova Dra. Luz, do Besouro Azul e do Senhor Milagre, um herói que estava preso no esquecimento.

Giffen achou que poderia ter alguns problemas com esta mistura de novos heróis com outros da velha guarda, afinal foi esse um dos maiores problemas na prévia incarnação da Liga, e lembrou-se então de usar o humor para contrariar aquele tom sério e urbano que assolava as duas grandes editoras de comics. Canário teria apenas uma mudança, viria a assumir um papel de uma ferrenha feminista, Batman e Sr.Destino teriam não seriam diferentes na sua personalidade (a não ser uma enorme paciência), mas tudo o resto iria ser moldado por Giffen e DeMatteis. Besouro seria o palhaço do grupo, dando mesmo assim laivos de grande inteligência, Gardner o machão Rambo, Capitão Marvel era igual à criança ingénua que era na verdade, e o Sr Milagre seria o faz tudo da equipa.


Os primeiros números focavam muito na interacção das personagens, o conceito família com suas discussões e confusões era explorada ao limite e a arte de Kevin Maguire ajudava a dar um carisma a toda a equipa e a ficarmos ainda mais apaixonados a cada página que víamos. A qualidade das suas expressões faciais davam outra dimensão ao humor pretendido, e sem sombra de dúvida contribuiu para o seu sucesso.

Foi preciso a personalidade dominante de Batman para acalmar as discussões e liderar a equipa, tomando as rédeas desta desde o primeiro encontro na caverna da antiga liga e comandando a primeira missão onde eles salvam os membros das nações unidas de um grupo terrorista. Nas edições seguintes vemos como a equipa podia enfrentar grandes desafios, quando vão enfrentar um grupo de 3 heróis que vinha de uma dimensão paralela e ajudavam um ditador iludido (que se viria a tornar um vilão recorrente) de um país chamado Bialya que os convenceu a ir desligar as usinas nucleares da Rússia.

O problema para a Liga surge quando os Sovietes Vermelhos, um grupo criado pela Rússia para responder aos super heróis Americanos, querem tratar eles disso e entram em confronto com os nossos heróis, em especial contra um Rambo com anel verde. As coisas resolvem-se e a equipa tenta então descobrir o que o misterioso Maxwell Lord queria com eles, já que estava por detrás de muita coisa que estava a acontecer e apareceu com um herói chamado Gladiador Dourado e pretendendo que este fosse tornado membro da Liga da Justiça da América.


Gladiador viria a tornar-se o parceiro ideal para o Besouro Azul e ambos viriam a ser protagonistas de alguns dos momentos mais cómicos do grupo, com o famoso "BWA hahaahaha" a entrar em acção. As primeiras edições tinham bons momentos de humor mas também boas cenas de acção, o número em que o Gladiador entra e enfrenta a Gangue das Espadas mostra um confronto bem interessante, assim como a edição mais séria que leva a equipa ao seu primeiro confronto com o sobrenatural enfrentando o Homem Cinza.

Isto tudo após um dos melhores momentos do 1º ano desta equipa criativa, o facto de colocarem o Batman a derrotar o Lanterna com apenas um murro, numa sequência de painéis bastante interessantes e que viriam a criar uma mudança completa na personalidade de Guy. Este fica extremamente dócil e muito mais calmo do que era no início, o que não viria a ser a única mudança na equipa, que viria a perder alguns integrantes e a conseguir outros. com a entrada do Capitão Átomo e do Soviete #7 para acompanhar o apoio das Nações Unidas e formarem assim a nova Liga da Justiça Internacional.

Como não gosta de estar na ribalta, Batman decide deixar a liderança e propor que o Caçador de Marte se tornasse o líder da equipa. A partir da sétima edição há uma mudança no logotipo da revista, incluindo a Brasileira, para assumir mesmo essa particularidade. A revista brasileira seguia com algum sucesso, muito por culpa de um bom mix, juntando na mesma revista a fase bastante interessante do Esquadrão Suicida de Ostrander, que curiosamente viria a ter um encontro com a liga, muito por culpa do Batman.

Pelo meio vinha a primeira participação numa mega saga da DC, Milénio, que viria a revelar que um dos membros do grupo era um Caçador e ainda uns números a mostrar a origem de Maxwell Lord, de como este era um sacana ambicioso mas que na verdade tinha um bom coração e Oberon, o anão que acompanhava o Sr Milagre, ajudava a que ele tivesse outra visão sobre as coisas.

No confronto com o Esquadrão assistimos a grandes momentos, especialmente a luta entre Batman e Rick Flagg, e foi depois deste encontro que o morcego abandona a equipa, juntado-se assim a Sr. Destino e Capitão Marvel que há muito tinham desistido do grupo.

Depois de tantas ameaças mundanas, e com o bom desempenho que os elementos da equipa tinham tido em Milénio, chega a altura do grupo ir para o espaço, mas isso fica para o próximo artigo.

Já sabem que podem sempre visitar o meu blog Ainda Sou do Tempo para mais viagens ao passado.








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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Disney Ouro: Peninha


É uma das minhas personagens preferidas do Universo Disney, e achei a ideal para começar aqui a rubrica Disney Ouro onde irei relembrar aquelas figuras que acompanharam a nossa infância. O Peninha foi mais um (de muitos) que beneficiou dos estúdios Disney do Brasil, que conceberam histórias muito divertidas e lhe deram múltiplos alter egos, cada um mais divertido que o outro.

Fethry Duck foi criado por Dick Kinney e Al Hubbard em 1964, aparecendo numa história do seu primo, o Pato Donald, e mostrando logo a sua natureza descontraída e atrapalhada, tendo estreado no Brasil no ano seguinte onde esta história apareceu na revista do Mickey. Curiosamente também em Portugal a estreia da personagem iria ocorrer numa revista do rato, mas no nosso caso era uma história que trazia também o Tio Patinhas e o Urtigão, datada de 1969 e escrita e desenhada pelos criadores de Peninha.

Não foi amado por Carl Barks, que nunca o utilizou, e também não teve muita sorte com Don Rosa, que mesmo assim ainda deu uso a este simpático pato, chegando inclusive a incluir ele na árvore genealógica que criou retratando a família de patos da Disney.Nos EUA no entanto havia sempre alguma curiosidade em relação ao potencial de Peninha, e este foi sempre aparecendo amiúde nas publicações Disney até começo do Século XXI.

O Brasil soube explorar bem a personagem, muitas vezes era apenas apresentada como quase uma cópia do Pateta, tal a sua atrapalhação e confusão armada sempre que aparecia junto do seu primo Donald, mas ao mesmo tempo com outro tipo de carisma, já que demonstrava ter alguma inteligência e vontade de se safar nos diversos empregos que conseguia. O mais famoso foi sem dúvida o de repórter no jornal A Patada do seu tio Patinhas, onde para além de reportagens escrevia histórias de um dos seus alter ego, o Pena Kid.



O Brasil tinha nos anos 70 e 80 um mercado Disney cada vez mais em expansão, com um estúdio próprio a criar histórias com algumas das personagens mais carismáticas da companhia e que os tornaram ainda mais divertidos aos olhos de todos nós. Autores como Ivan Saidenberg ou Carlos Edgard Herrero ajudaram a criar os alter egos do Peninha, personagens que existiam na sua imaginação, muitos para existir em poucas histórias isoladas mas que acabaram por ganhar outra dimensão, tal o seu carisma e o carinho com que o público os recebeu.

Isso aconteceu não só no Brasil mas também em Itália, país onde Peninha é muito querido, que ficaram contentes e importaram estas histórias com todo o prazer. Tínhamos o Pena Kid, o cowboy (ou caubói) que se acompanhava pelo seu cavalo Azalão (que o safava muitas vezes) e cantava muito mal, mesmo tocando o seu violáo (que também estava sempre presente). Sabíamos que era um produto da imaginação do Peninha, porque muitas das histórias mostravam ele a escrever as aventuras do cowboy para o jornal da Patada, que depois as publicaria.

Mas tínhamos também o Pena das Selvas (imitando o Tarzan), um dos mais divertidos, especialmente por que nenhum animal o respeitava, o Pena Submarino (uma espécie de Aquaman), Pena das Cavernas ou ainda Pena Rubra, um Viking em histórias de aventura. Para além destes alter egos, em 1970 surgia a paródia ao Batman que era o Morcego Vermelho, que se tornou um dos principais heróis do Universo Disney e um dos preferidos de todos.



Tão desastrado como o Peninha, o Morcego Vermelho tinha um carisma extraordinário e para isso muito ajudava às gerigonças que utilizava para combater o crime, muitas da autoria do Professor Pardal, que até a lata de lixo que era usada como quartel general alterou, tornando-a mais do que ela aparentava. Muitas da ssuas histórias envolviam um pobre Coronel Cintra, que tinha que ter uma saudável dose de paciência para suportar as trapalhadas deste herói.

Graças a todos estes alter egos, Peninha esteve presente em mais de 12 edições Extra da editora Abril, algumas dedicadas ao Morcego Vermelho, e uma teve até o nome "Peninha das Mil Faces" reunindo histórias de todos os seus alter egos e mais alguns, como o Pena Vaz de Peninha O sucesso da personagem era tanta, que foi a primeira no Brasil a ganhar um Almanaque, que teve as suas primeiras duas edições entre 1981 e 1982, apresentando assim somente histórias de Peninha, ao contrário das revistas mensais que traziam sempre no mix histórias com outros nomes da Disney.

A segunda edição teve 9 números, entre 1986 e 1993, que a dada altura sofreu uma mudança no seu nome, incorporando também o seu sobrinho Biquinho, que se tornaria também bastante popular. A popularidade de Peninha estava em alta, ele aparecia até em edições Extra dedicadas à Patada, jornal onde trabalhava com o seu primo Donald e onde enfrentavam as constantes ameaças do seu tio Patinhas. Ali surgiram histórias bem engraçadas, que envolviam a cobertura de eventos onde os dois faziam trapalhadas ou então promoções do jornal, que nunca davam bom resultado.


A revista do Peninha teve duas séries, a primeira que durou de 1982 a 1984 e teve 56 edições que tinham a periodicidade quinzenal, e em 2004 apareceu uma mensal que teve 19 edições. Na primeira série era comum ver Peninha a estrelar as suas aventuras sozinho, ou com o seu sobrinho Biquinho, a sua namorada Glória ou ainda o seu cão, que sofria bastante naquela casa. Peninha fez parte também da mítica Série Ouro, onde representou a realidade alternativa onde ele era o Prefeito.

Sempre gostei bastante do Peninha, lembro-me como sofria a tentar educar o seu sobrinho Biquinho (adoro especialmente uma história onde ele tenta que o pequeno deixe de responder não, ou outra em que tenta que escolha a sua profissão no futuro), ou então quando invadia a casa do seu primo Donald porque alguma das suas profissões tinha corrido mal.

Divertia-me muito quando tinha que ir ao sítio do Urtigão, pela Patada ou sozinho, e fui fã de todos os alter egos, em especial o Pena das Selvas e o Pena Submarino.No caso do Morcego Vermelho, apreciava as histórias em que não se levavam a sério, e não as que o tentavam parecer um herói com pouca comédia e trapalhada à mistura. Havia histórias isoladas que me ficaram na memória, como a paródia a Indiana Jones em Caçadores de Penas Perdidas ou então Sancho Pena a acompanhar o Dom Gansote.

Assim como os Irmãos Metralha, também Peninha teve as cores da sua roupa modificadas, passando do vermelho para um amarelo com risca preta na horizontal, mas mantendo o gorro vermelho que o identificava logo. Um pato bem querido e que ficará para sempre na nossa memória.

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Hugo Silva















































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