Este livro, desde que vi algumas páginas há seis anos na internet, tornou-se desejado por mim.
Pedi a vários brasileiros(as) para ver se me arranjavam este livro, e atá à semana passada… nada. Nem o próprio autor me respondeu…
Obrigado Tiago Rocha!
Esta Graphic Novel brasileira surgiu no seguimento de uma lei de ajuda à cultura promulgada pelo respectivo Ministério. O Estúdio Casa Velha e seus artistas aproveitaram e fizeram este livro lindíssimo!
Este estúdio Paraense já tinha feito outra obra (que eu gostaria de ter…) chamada Belém Imaginária, este novo (velho agora) livro veio confirmar a qualidade dos artistas envolvidos!
Penso que o grande motor do projecto foi Otoniel Oliveira, que pegou no folclore Ameríndio e transformou esta lenda numa bela BD. Infelizmente o Brasil enferma também do mesmo mal que Portugal… o público que consome BD (HQ) na generalidade está a borrifar-se para os seus artistas excepto se desenharem super-heróis. Ou seja, o livro teve uma pequena edição, que esgotou, e simplesmente desapareceu sem novas reedições… exactamente como aqui em Portugal!
A Lenda da Noite é contada de uma maneira leve, sem grandes pretensões a profundidade de ideias, e é assim que tinha de ser! A lenda é contada e não se torna chata para o leitor. Tudo é muito corrido e não existem acções paralelas. Há sim um excelente “storytelling” , vivo, as várias personagens principais (os três Índios) estão bem retratados no seu perfil psicológico, e as secundárias penso que foram as que mais gozo deram aos autores… são lindas e originaram páginas espectaculares de grande movimento e cor!
Esta história é contada aos mais pequenos habitantes de uma tribo pelo “Velho das histórias”. Ele conta como o grande Deus Tupã resolve libertar um pouco da “Grande Escuridão”, num mundo onde não existia a noite!
Para isso se serve de três jovens guerreiros de três tribos diferentes!
Diatã era um guerreiro fortíssimo, Ubirajara era extremamente hábil e Kuandu o inteligente e arguto. Estes foram os escolhidos para ir onde mais ninguém tinha ido. Procurar o vaso onde estava encerrada a “Grande Escuridão”.
Cruzam-se com vários seres do folclore Ameríndio como Iara, Honorato, Curupira e Jaguaressa. Passam grandes aventuras, o livro tem uma cadência bastante rápida, e por fim para alcançarem o seu objectivo dois deles sacrificam-se para o terceiro conseguir finalmente cumprir a tarefa do grande Deus Tupã!
Mas será que eles se vão portar bem com as ordens de Tupã no seu regresso? Curipira instigou-os, qual serpente do Paraíso, a fazer algo que não deviam…
Aos felizardos que conseguiram obter este livro eu só posso dizer para o mimarem, pois o livro é muito belo, e raro! Graficamente funciona muito bem, tanto no desenho como na cor. Quanto à legendagem… bem, é um pouco arrojada nas caixas de texto que seguem o narrador (o Velho das Histórias), mas não ficou mal!
Neste livro, que soube a pouco (eu queria mais umas páginas…), tivemos na edição Volney Nazareno, no Argumento Julião Cristo, guião de Otoniel Oliveira e Volney Nazareno, Desenhos de Otoniel Oliveira, Arte-Final de Fernando Carvalho, cor por Fernando Carvalho e Otoniel Oliveira, legendagem de Aline Coelho e finalmente a capa por João Silveira e Otoniel Oliveira. É, ou era, o Estúdio Casa Velha.
Nós também temos um folclore bastante rico aqui em Portugal. Embora haja histórias e lendas portuguesas que foram contadas em BD, gostaria que fossem aproveitadas e contadas com esta beleza.
Gostei muito.
:)
Boas leituras
Softcover
Criado por: Estúdio Casa Velha
Editado em Novembro de 2005 pelo Estúdio Casa Velha (Ed. De autor)
Nota: 8,5 em 10


