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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A Palavra dos Outros: Billy the Cat - Vida de Bichano por Aida Teixeira


A Aida Teixeira leu mais um livro, e decidiu fazer um pequeno texto.
É a sua 4ª entrada nesta rubrica "A Palavra dos Outros"!


Billy the Cat: Vida de Bichano

E se de repente acordássemos dentro de um animal? Humano por dentro, bicho por fora, como seria??

Já sei, já sei, a ideia não é nada original, já foram feitos filmes de troca de personalidades e tal… mas como seria se acontecesse mesmo?

Comprei um livro de BD para a diabita-minorca “Billy the Cat – vida de um bichano”.

Há um parvo de um miúdo (igual a muitos que conhecemos) que se diverte muito a pregar partidas, que estuda pouco (vá, não estuda nada), não se coíbe de torturar animais se isso o divertir, mesmo que isso signifique dar grandes desgostos à irmã (por norma são os animais de estimação dela que estão na berlinda). Um dia, tropeça e… quando dá de novo por si é um gato.

Um gato de rua, que a todos tenta convencer que é um menino, mas é claro, os humanos não percebem miuauês, e os outros gatos não acreditam nele.

O problema é que o menino continua a existir, a babar-se quando vê um anúncio com uma miúda (humana) gira, e vale-se da sua estatura de gato para poder olhar para debaixo das saias das meninas.

Mas no fundo, começa a tornar-se “um bom rapaz”, o problema é que não deixa de ser gato, e o seu protector acha-o um bocadinho… hummm maluco, e engendra um plano para que ele aceite que, na realidade, é um gato.

Se o plano funciona??

Funciona um bocadinho…


Nota: A diabbita-minorca, na inocência dos seus 8 anos, não se deu conta do “picantezinho” que há na história, mas há. É uma leitura recomendada (no meu ponto de vista) para pré-aborrescentes a partir dos 12 anos.

Texto: Aida Teixeira

Acho que foi o único livro desta série editado em português (pela ASA), o que é uma pena. O livro é bastante engraçado para a faixa etária a que se propõe atingir!

As páginas foram escolhidas pela Aida Teixeira.
Para verem as outras entradas desta colaboradora é só clicar no nome dela aqui em baixo:

Aida Teixeira

Boas leituras
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

As Águias de Roma - Livro III


Arte sumptuosa.
É o primeiro impacto que o folhear deste livro nos traz.
Marini continua a sua progressão artística, e a continuar assim vai ser um caso muito sério de qualidade em terras europeias.
As Águias de Roma é um projecto particular deste italiano, em que se apresenta como autor dos textos, desenho e cor!
Está a alternar a cadência produtiva entre esta série e outra de sucesso, o Escorpião. Presumo que o próximo a editar pela ASA seja mesmo um livro do Escorpião, visto que de Águias de Roma estão todos publicados em português!
Neste Livro III descobrimos um Marini mais à vontade na narrativa, está a melhorar bastante neste aspecto, lançando a acção para as fronteiras entre Roma e a Germania.
O ambiente é bastante mais duro e menos opulento, a magnificência de Roma está longe…
Aqui joga-se a política, sobretudo entre os Germânicos. Rudes e selvagens, mas grandes amantes da sua liberdade e tradições, os Germanos dividem-se em inúmeras tribos e por isso sempre mais fracos que o disciplinado exército Romano.
É aqui que Armínio começa a jogar a sua cartada, com base numa profecia! Minando a hierarquia romana por dentro e mostrando aos seus conterrâneos que ele é o escolhido para unir as tribos e libertar as tribos Germanas do jugo Romano.
Mas Marco está lá para lhe estragar os planos… e encontrar a mulher que lhe foi roubada em Roma. Ainda encontrou mais alguém (spoiler spoiler spoiler). Bah… não digo quem.
:D
E já agora… a acção afastou-se de Roma, e as cenas de sexo diminuíram também! Até neste pequeno pormenor se vê que o autor está atento. Num cenário de guerra era suposto isto acontecer, e aconteceu. Assim se calam os críticos que diziam que Marini colocava muitas cenas de sexo sem nexo, apenas para vender livros.
Esses críticos esquecem-se que o sexo para os romanos era um brinquedo de adultos, e o corpo humano um parque de diversões!
Aqui na Germania temos sangue e não sexo, e o jogo está duro nesta série!
Para finalizar vou falar mais uma vez da arte maravilhosa de Marini. Pode-se dizer que se libertou de vez da prisão facial em que andava a encarcerar as suas personagens, que eram todas muito parecidas umas com as outras no rosto. Temos um leque muito variado de personagens principais e secundárias, todas elas com muita personalidade, e todas elas bem diferentes na fisionomia.
Juntamos a isso o rigor dos trajes e da cultura da época, e temos páginas que nos levam directamente para o ano 8. E até aqui a representação histórica é bem pormenorizada, Marini incorpora a contagem do tempo romano: ano 761 Ab Urbe Condita!
Depois temos as cenas de acção onde Marini sempre foi forte. A sua mescla de BD Franco-Belga com pormenores oriundos do Manga provocam cenas de acção magistrais!
Já agora podemos falar da cor. A paleta de cores usadas variou bastante com o espaço da acção, sendo agora mais sombria e menos quente. Mais uma vez vou elogiar Marini pela sua classe a aplicar cor directa.
A minha série preferida situada neste período temporal é Murena. Neste momento tenho duas!
O Leituras de BD aconselha esta série!
Podem ler as criticas aos dois primeiros livros nos links em baixo:

As Águias de Roma - Livro I
As Águias de Roma - Livro II


Boas leituras

Hardcover
Criado por Enrico Marini
Editado em 2011 pela ASA
Nota: 10 em 10
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terça-feira, 31 de julho de 2012

Spirou e Fantásio Vol.50: Nas Origens do Z


Álbum polémico para os fãs do Spirou. A ASA tinha saltado este livro devido às reacções negativas dos fãs desta popular personagem, mas este ano o buraco na numeração foi tapado!
Os autores são Jean-David Morvan e Yann nos textos, José-Luis Munuera no desenho e Christian Lerolle na cor.
Esta equipa criativa não resistiu às críticas negativas… digamos que no álbum seguinte, A Invasão dos Zorcons, já não participou!
Este livro pode ser lido de três maneiras. Uma como um livro solto e não fazendo parte de uma série com muita história (o que é complicado), outra como um livro da série Spirou e finalmente como o último livro da série.
Começando pela 3ª hipótese… é impossível este livro ser o término de uma série que ainda tem muito para dar. Ponho de lado esta hipótese.
A 1ª hipótese seria a mais simpática, seria uma espécie de “What If…” e de algum modo não estaria mal se o livro entrasse nesta categoria. Apenas um livro fora de série. Sendo assim seria um livro bastante razoável com uma estória que revisita espaços históricos da cronologia Spirou, com um bom ritmo de acção e um final inesperado.
O problema é mesmo a 2ª hipótese… este livro dentro de uma série é destruidor sem necessidade! Comparo-o ao “Brand New Day/One More Day” do Homem-Aranha, ou seja, tudo o que é passado foi pagado, deixou de existir! O legado de Franquim não existirá mais, e até o trabalho de Tome e Janry seria apagado do passado destes heróis. Estamos a falar de uma série com uma larga aceitação europeia e uma enorme legião de fãs. Pessoalmente não gosto deste tipo de golpe de rins…
O mais assustador é a Dupuis ter embarcado nisto, visto que esta série é um dos títulos nobres desta editora!
Vale a pena falar da arte. Não desgosto do estilo de Munuera, embora ache que não é o melhor registo para Spirou e Fantásio. De qualquer modo as cenas de acção têm bastante ritmo e dinamismo. É talvez o melhor deste livro.
A estória assenta no triângulo amoroso Zorglub, Pacómio e Miss Flanner. Esta é o amor de juventude destes dois cientistas, que competem pelos seus favores!
Esta cientista está doente terminalmente devido a uma experiência que estes três cientistas levaram avante no passado.
Zorglub convence Spirou a viajar no tempo, e este contrariado faz uma viagem por várias épocas da história das suas aventuras até chegar ao tempo preciso da malfada experiência. Aqui tem a ajuda de Fantásio e Spip que entretanto também se lhe juntaram nesta viagem temporal.
Eles modificam o Tempo, modificando no presente tudo o que é certo para os leitores de Spirou. Não vos vou dizer o que foi modificado, o livro está aí! Tenham e transmitam a vossa opinião completando, concordando ou discordando da minha.
A nota que vou dar no final é considerando este livro apenas como um livro fora de série. A minha nota como livro cronológico na série seria 5. Como livro solto fica um pouco melhor!

Boas leituras

Hardcover
Criado por Jean-David Morvan, Yann e José-Luis Munuera
Editado em 2012 pela ASA
Nota: 6,5 em 10
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Lançamento ASA: Murena Vol.6 e Vol.7 - O Sangue das Feras / Vida dos Fogos


Vistos estarem tristes porque Portugal não vai à final (perder nos penaltis é lixado) e eu estou aqui para dar mais uma boa notícia!


Alegrem-se, para o mês (Julho) mais um álbum duplo da ASA: Murena.

Esta série está ao rubro e este livro continua o 2º ciclo: o Ciclo da Mulher! Falta apenas o Vol.8 Revanche des Cendres para terminar este ciclo, e a série ficar a par da francesa em número de edições.

Esta série passada no Império Romano, reinado de Nero, tem como protagonista o jovem Murena. Traições, sangue e sexo! Era o Império Romano.

Murena continua em busca por Acté, e tem aliados... será que vai conseguir resgatar a linda escrava?
Para saber... leiam o livro!



Para quem não conhece a série:
Murena
Murena: Vol.3 - A Melhor das Mães 
Murena: Vol.4 - Os que Vão morrer...
Murena Vol.5: A Deusa Negra

Este livro tem a particularidade de ter uma galeria de ilustrações como extra!


Boas leituras

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Lançamento ASA: Spirou e Fantásio Vol.50 - Nas Origens do Z


Vocês pediram, esbracejaram, gritaram por este livro.
Ei-lo!




Considerado por muitos como o pior livro desta série, a ASA tinha-o saltado na cronologia por causa do clamor francês a vociferar contra ele; e porque o público português se mostrou interessado em conhecer o livro e clamou pela sua publicação... aqui está!

Provavelmente não será mau, ainda não li, mas com certeza que não será a melhor das aventuras desta dupla. Aponto para um livro mediano destes heróis, mas que não agradou aos fãs franceses.
Só há uma maneira de descobrir a qualidade desta edição: ler o livro!

Será distribuído em Julho, portanto... leitura para férias!




Boas leituras
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Lançamento 12bis: Cycle de Cyann Vol.5 - Les couloirs de l'entretemps


Finalmente!
Bourgeon vai fazer mexer o Ciclo de Cyan! Excelente notícia!
Este volume, o quinto da série vai sair em Setembro deste ano. Este livro seria para fechar a série com 110 pranchas, mas Bourgeon alargou-se... assim este livro terá apenas 64, e a finalização da série (já em curso) ficará para um sexto livro já em execução!





Os livros já editados em Portugal são:

  1. A Fonte e a Sonda - Meribérica
  2. Seis Estações em Ilo - Meribérica
  3. Aieia de Aldaal - ASA
  4. As Cores de Marcade - ASA

Esta é uma grande notícia para quem gosta do grande mestre Bourgeon!
Apresento também duas páginas deste livro.








Boas leituras
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sexta-feira, 22 de junho de 2012

A Palavra dos Outros: O Imortal por Aida Teixeira

A Aida Teixeira, depois de ter colaborado na rubrica Lugar aos Novos , veio fazer uma segunda crítica para o Leituras de BD. A primeira foi Armazém Central, esta última sobre um díptico editado pela Booktree uns anos atrás (2002): O Imortal

O Imortal

Quais de nós, reles mortais, nunca pensou que a imortalidade era algo que gostávamos de alcançar?
Quanto aprenderíamos? Quantas pessoas interessantes conheceríamos? Se calhar a lenda dos vampiros imortais vem daí, do nosso desejo de imortalidade (ok, ok há o problema da estaca, dos alhos, e das balas de prata, mas isso são pormenores), por outro lado… que imensa solidão sofreríamos.
Se me dessem a escolher um superpoder a “imortalidade” não seria o poder eleito, definitivamente não.
Leio pouca BD, não porque me faltem livros destes na caverna, mas pronto, não sou calhada para isto, sou mais de ler a metro calhamaços com 500 páginas, e os desenhos faço-os eu na minha cabeça. O diabbo-marido aka Nuno Amado recomendou-me a leitura de “O Imortal”, e eu, mulher submissa (ou então não, então não, ]:-) hihihihihi) leio.
Ora bem, esta história passa-se no séc. XIII (e se quiserem saber como é que cheguei a esta conclusão terão de ler o livro e procurar pistas), idade média portanto, onde tudo o que fugisse à sacro-santa-igreja era certinho que fosse parar à fogueira, não sem antes levar uns apertos pouco amistosos de gente parecida com o primo Torquemada.
Tudo gira em volta de um tesouro (chamemos-lhe assim) que concedia a imortalidade, nem que para o conseguir tivesse de se matar meio mundo, e por em guerra o outro meio.
A história é engraçada, não é nada surpreendente, e tem coisas que me deixaram um bocadinho… hummm como direi? A pensar “quem escreveu isto é parvo, ou faz-se?”
Logo na prancha 2 do 1º Volume (são 2 volumes), um chinês quase parte um braço a um europeu que está com ele dizendo esta pérola “não lhe peço que pronuncie bem o meu nome, mas proíbo-o de colocar a sua mão sobre mim. Não sou um “latino”. Parei logo aqui… por a mão, latino, querem lá ver que os latinos são gajos para andar a colocar as mãos uns nos outros coisa assim tipo bichice pegada?? Terá sido isto que quem escreveu isto quis dizer?
Depois há o uso de palavras e termos que, duvido muito, mesmo muito, fossem usados na idade média “abram os olhos irmãozinhos”, “campónios”; “retocar-lhe a fachada” (em português actual é igual a “partir-lhe a fronha toda”, mas “retocar-lhe a fachada” é mais chique, é verdade, mas… pode igualmente ser usado agora. Séx XXI).
Mas, quem escreveu quis dar ar que sim, que fez investigação, e na prancha 14, também do 1º volume, na última vinheta é usada a palavra “pai” seguida de um asterisco * ( pai*) asterisco esse que faz a chamada para o rodapé, onde esclarece: “forma literária da época, particularmente insultuosa”. Estão a gozar?? Forma “literária” usada por dois “grunhos” (vá um deles não era, mas parecia, mas quem usou a expressão era grunho) ?
Na prancha 28 (1º vol), última vinheta, há uma frase inacabada, fiquei sem saber a opinião do senhor que a proferiu, disse ele: “aha! Sob o ar de velho caduco, ele parece-me ainda muito” , muito quê? Fresquinho? Viçoso? Vigilante? Inteligente? Espertalhaço? Grunffff
E a balonagem??? Mário Miguel de Freitas eu acho que eras gajo para te espumares um bocadito. Eu não percebo um corno de balonagem, mas este livro é a prova em como a balonagem consegue estragar a arte (da qual até gostei bastante), balões redondos, enormes, muito brancos (o livro não é nada de cores claras), balões e mais balões a taparem meias vinhetas, que, no original devem ser lindas, tendo em conta os pormenores.
Mas a arte é bonita – a que se consegue ver, e escapou à sanha do balonador – (no meu ponto de vista, claro), a história é aceitável (já disse que é previsível?), lê-se bem, mas não é uma obra-prima, quando muito será uma obra-sobrinha, ou até uma obra-tia-afastada, mas isto sou eu, que gosto de viajar nos livros, sentir-me dentro da época que eles pretendem retratar, e não gosto de tropeçar no “papá”, e “mamã” de um marmanjo barbado, independente, lutador, que sabe o que quer, mas que a única coisa que não sabia era que lhe iam atribuir falas bacocas.
E pronto é assim. Não é a crítica tradicional a que estão habituados, é a minha, uma pessoa que vê a BD do lado de fora
Não vou dar pontuação, daria se não tivesse aqueles balões todos a tapar os desenhos, assim não dou.


A Aida tem razão! A balonagem é horrível, e cheira-me que a tradução e respectiva adaptação do original também não é boa. Apesar da arte ser boa na sua generalidade tem alguns problemas de anatomia e estruração de movimentos. Em relação ao posicionamento temporal houve pesquisa aturada da Aida Teixeira, que é uma pessoa que liga bastante a pequenos pormenores, e devido a um Ducado de Ouro Veneziano colocou a estória no século XIII, embora a sinopse diga que é século XVI... é que estes Ducados só existiram no século XIII! De quem é o erro? Do autor Eric Puech? Do tradutor/adaptador?
Não sei... realmente os edifícios, roupas e personagens são posteriores ao século XV, mas aquele Ducado logo no início põe tudo no século XIII.

Boas leituras
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quinta-feira, 14 de junho de 2012

A Palavra dos Outros: Michel Vaillant por Paulo Costa

Michel Vaillante era dos meus heróis de eleição quando eu era mais novo. Deslocava-me à Biblioteca Municipal quase todos os dias para ler lá livros de BD (não havia dinheiro para comprar), e Michel Vaillant era quem me fazia não me importar com os 20 minutos que eu demorava da Biblioteca até casa. Infelizmente perdi contacto com a série, mas ficou sempre uma boa memória dela e por isso mesmo nunca mais voltei a reler, com medo de agora ficar desiludido.
Paulo Costa tem dois amores, automóveis e BD, e para uma série destas é o homem indicado!
Fiquem com as palavras do Paulo!

Campeão da BD

Para mim, a intersecção entre os meus dois hobbies favoritos faz-se em Michel Vaillant. Não é a única BD do mundo ligada ao automobilismo, mas é talvez a mais conhecida. Comecei a gostar de automóveis antes de me tornar fã de BD, e assim que vi Michel Vaillant pela primeira vez, não podia ignorar um mundo alternativo onde este jovem francês era campeão do mundo de F1 e de muitas outras modalidades.
Tenho quase a certeza que o primeiro livro da série que li foi “O Segredo de Steve Warson”. Não o sabia na altura, mas este livro representou uma revolução na série que se fez sentir durante os anos seguintes. Neste livro, que se passa nas 500 Milhas de Indianápolis, o Leader, velho inimigo da equipa Vaillante, envelhecido prematuramente, revela a Steve Warson, colega de equipa de Michel Vaillant, que vai parar todos os seus esquemas e que é o verdadeiro pai de Ruth Ranson, namorada do piloto americano.
Durante vários números, esta revelação vai ter consequências, como a descoberta da sua verdadeira identidade por Ruth e a saída intempestiva de Warson da equipa, que depois lhes custará um título mundial. Enquanto Michel Vaillant faz as pazes com o seu amigo numa prova de ralis, o seu irmão Jean-Pierre não o perdoa e demora algum tempo a recontratá-lo. Quanto a Ruth, regressou várias vezes para atormentar a família Vaillant, uma nova rivalidade alimentada por uma tremenda carga emocional resultante da sua ligação anterior à equipa.
Os fãs portugueses têm dois motivos para quererem ler esta série: os álbuns “Raparigas e Motores” e “O Homem de Lisboa” passam-se ambos no Rali de Portugal. Este último tem algum interesse especial por ter uma história paralela de espionagem industrial. Eu, por outro lado, tenho um apreço especial por “A Vingança de Um Piloto”. A história não é transcendental: Yves Douléac, piloto da Vaillant nas provas de endurance e carros de turismo, resolve fazer finca-pé face a algumas exigências familiares (o seu patrocinador pertence ao futuro sogro, um aristocrata que nunca viu com bons olhos a ligação de um jovem de origens humildes à sua filha, ela própria também exímia ao volante), o que quase leva à sua saída da equipa. Mas a história passa-se no antigo Mundial de Marcas, onde corriam os meus carros favoritos de todos os tempos, os fabulosos carros de Grupo 5 das marcas Porsche, Lancia, BMW e Ford, fielmente retratados por Jean Graton. O título original, “La Silhouette en Colère”, é um trocadilho que só os fãs de desporto automóvel percebem.
A grande vantagem das histórias de Graton reside na sua ligação ao mundo real. Muitos pilotos de várias décadas foram colegas e adversários de Michel Vaillant, sendo que Pierre Dieudonné, piloto belga que fez carreira nas provas de endurance, era presença recorrente nas actividades paralelas da equipa. O autor homenageou Gilles Villeneuve, que morreu nos treinos para o GP da Bélgica de 1982 antes de tornar campeão, com um título no mundo ficcional de Michel Vaillant. Jean-Denis Délétraz, na altura um jovem a caminho da F1, foi a estrela principal do álbum “F3000”. E até Jorge Ortigão, conceituado piloto dos ralis e das pistas nacionais, foi piloto oficial da Vaillant, em “O Homem de Lisboa”.
A atenção ao detalhe também passa pelos automóveis, reproduções fidelíssimas das linhas reais dos veículos e, após a introdução de patrocínios, das decorações dos mesmos. E os modelos da marca Vaillant podiam muito bem ter sido construídos sem grandes alterações. Os efeitos sonoros que Graton colocava como parte da arte também ajudavam a avivar a imaginação. Para mim, o VRRROOOAAARRR de Graton é tão emocionante como o KRAAKKKAAAADOOOOM de Walt Simonson.


O último número de Michel Vaillant, o 70º, foi publicado em 2007, 50 anos depois do primeiro. Nessa altura já a série tinha parado em Portugal, devido ao fecho da editora Meribérica. Philippe Graton, filho de Jean, já prometeu uma nova série, tentativamente conhecida como Michel Vaillant – 2ª Temporada. Entretanto, a Editora Dupuis tem reimpresso as histórias antigas em formato Intégrale, que já vai no 16º volume e chega ao 53º álbum.

Texto: Paulo Costa

O VRRROOOAAARRR era uma grande imagem de marca...
:)










Paulo Costa vai assinar uma grande reportagem sobre o Michel Vaillant na edição de Julho da revista Autosport, à venda na primeira quinta-feira do próximo mês.

Vamos esperar para ver se Philippe Graton continua o trabalho do pai e ....

Boas leituras
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terça-feira, 12 de junho de 2012

Gipsy

Com o tempo tornei-me um grande fã de Enrico Marini. Daí esta crítica possa não muito objectiva!
Esta série de Marini foi a sua primeira de sucesso, antes ele tinha criado Les Dossiers de’Olivier Varèse, que eu não conheço, entre 1990 e 1993 com argumentos de vários autores, e entre eles Smolderen que foi também o argumentista de Gipsy.
Este Gipsy foi uma série de seis livros publicada em França entre 1993 e 2002 que conquistou o público, lançando Marini como uma grande promessa da BD franco-belga. Neste momento Marini já não é uma promessa, mas sim uma grande certeza tendo as suas últimas séries conquistado o público. A Estrela do Deserto, Rapaces, O Escorpião e As Águias de Roma falam por si, e sempre com uma grande mais-valia: Marini está sempre melhor a cada livro que passa!
Nesta série Marini Começa a aprimorar o seu estilo, mesclando a escola franco-belga com técnicas oriundas do Manga, imprimindo desta maneira grande velocidade de acção à narrativa. Com esta amálgama os livros desenhados por este artista são tudo menos monótonos. Nesta fase nasceram alguns dos problemas de Marini, de que ele tem tentado fugir (com sucesso nas Águias de Roma), ou seja, algumas fisionomias base desta série acompanharam-no nas séries seguintes… isto nesta série ainda não é defeito mas sim feitio, nas seguintes já se podem chamar de defeito.
O ambiente criado para esta série corre num registo que mistura a acção com ficção de antecipação. Um mundo onde não há aviões devido a uma frágil camada de ozono, civilização decadente nalgumas áreas do planeta, mas ao mesmo tempo apresentando gadgets de alta tecnologia. Visto não haver aviões (apenas aeróstatos) a circulação de pessoas e bens faz-se através de camiões que se servem de uma autoestrada planetária, a C3C.
Como devem calcular, Tsagoi como bom cigano que é posiciona as suas aventuras em vários e bem distintos locais do planeta, iniciando as aventuras ao redor do Ártico e acabando na América Latina, passando por França, Alemanha e Médio Oriente. Para quem decidir obter esta série eu chamo à atenção dos magníficos cenários criados por Marini.
Ainda não falei de Smolderen, o autor do argumento. Todos os cenários de acção são bem sólidos, a narrativa corre rápida e com alguma violência (tanto física como psicológica), mas sem nunca se deixar cair na tentação fácil do gratuito, embora a personalidade do protagonista se preste a isso. O Suíço Thierry Smolderen é professor em Angoulême, e esta será talvez a sua obra mais importante, embora tenha tido créditos em Marshal Blueberry.
A obra inicia-se na juventude de Tsagoi, onde o seu fogo cigano faz ferver o seu sangue para além do razoável. Comete um crime no orfanato e foge para seguir o seu sonho de conduzir um grande camião! Deixa a sua pequena irmã Oblivia no orfanato com a promessa que iria tomar conta dela à distância, e cumpre! Assim Oblivia é transferida para um colégio na Suiça onde tem direito à melhor educação possível. Mas as coisas não correm bem a Tsagoi (já homem) e Oblivia vai à sua procura para saber o porquê do dinheiro ter deixado de aparecer, com a consequência da interrupção dos estudos. Encontra um Tsagoi no seu melhor, ou seja metido numa grande e violenta rixa com motoristas de camião da empresa monopolista Selmer. A partir daqui tudo se precipita para uma grande e aventurosa viagem que passa pelo Canadá e “acaba” na Sibéria. Nesta viagem dá-se o seu primeiro encontro com uma misteriosa e traiçoeira personagem, Sissiah mais conhecida como “A Feiticeira”. Esta Feiticeira pertence a uma organização que visa o poder absoluto: a Asa Branca. Aliás, esta organização pela figura de Sissiah faz o elo de ligação entre todos os livros editados em português desta série, sendo que as aventuras dos dois irmãos são pautadas pelas maquinações da Asa Branca!
Esta série não tem qualquer espécie de censura ao corpo humano, portanto, e para quem tiver mais pudor, não a considero aconselhável embora não haja sexo explícito.
A série é composta por seis volumes, estando editados em português cinco. O primeiro foi editado pela Meribérica (encontra-se facilmente nas grandes livrarias e leilões), os seguintes pela ASA.

A saber:
  1. A Estrela do Cigano (Meribérica 2001)
  2. As Chamas da Sibéria (ASA 2002)
  3. O Dia do Czar (ASA 2003)
  4. Olhos Negros (ASA 2003)
  5. Asa Branca (ASA 2004)
  6. Le Rire Aztèque (2002 Dargaud)
Existe uma boa possibilidade de o último álbum da série ser publicado na nossa língua para o ano, por intermédio da ASA, claro…
Boa série, para quem gosta de aventura, traição, violência, sexo e muito movimento!

Boas leituras

Hardcover
Criado por: Smolderen e Marini
Editado em português entre 2001 e 2004 pela Meribérica (vol.1) e ASA
Nota: 9 em 10
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

XIII



XIII é uma série de espionagem e teoria da conspiração que costuma agarrar quem a lê.
Quem já leu o livro de Robert Ludlum, The Bourne Identity, de certeza que fica logo um pouco familiarizado com o tipo de enredo “thriller” ficcional. Mas apenas o começo é parecido com o livro em questão. Depois partimos para uma
estória de teoria da conspiração gigantesca que mete inclusivamente um Presidente dos EUA no centro da trama.
A dupla de autores de XIII é o incontornável Van Hamme e o artista William Vance. Ambos estão em alto nível na série. Van Hamme está por todo o lado onde exista BD de qualidade! É impressionante a versatilidade deste autor que faz estórias tipo Thorgal (fantasia medieval, com FC à mistura), até este drama de espionagem, XIII! E o que impressiona mais é que consegue colocar um patamar de qualidade enorme em todos os seus argumentos. Não conheço na Europa um argumentista tão versátil!
William Van Cutsen nasceu na Bélgica e adoptou como nome artístico Vance (Van C.), possui um estilo realista muito próprio e facilmente identificável na BD tendo algumas séries bem cotadas no mercado europeu, como Bruno Brazil e Bob Morane. Quando não está a fazer banda desenhada dedica-se à pintura!
XIII começou a ser publicado na revista Spirou em 1984 e rapidamente atingiu um elevado grau de sucesso. Estão neste momento publicados 20 álbuns nesta série, dos quais os primeiros 10 estão editados em português Os primeiros nove pela Meribérica e o nº 10 pela ASA. A lista de livros é esta:
  1. O Dia do Sol Negro
  2. Para onde vai o Índio
  3. Todas as Lágrimas do Inferno
  4. SPADS
  5. Alerta Vermelho
  6. Dossier Jason Fly
  7. Noite de 3 de Agosto
  8. Treze Contra Um
  9. Pour Maria
  10. El Cascador
  11. Trois Montres d'Argent
  12. Le Jugement
  13. The XIII mystery - L'enquête
  14. Secret Défense
  15. Lachez les Chiens!
  16. Opération Montecristo
  17. L'or de Maximilien
  18. La Version Irlandaise
  19. Le Dernier Round
  20. Le Jour du Mayflower
A esta lista ainda se poderia acrescentar os livros da série “spin-off” XIII Mystery que conta com duas estórias editadas em português na série “Os Incontornáveis da BD”: Mangusto e Irina.
A estória iniciou-se de um modo bastante lento, com um homem a dar à praia ferido na cabeça e amnésico. A partir de determinada altura a acção sobe de velocidade, e este amnésico na tentativa de descobrir o que significava a tatuagem XIII que se encontrava gravada no seu corpo, posiciona-se no centro de uma conspiração ao mais alto nível. Van Hamme nunca mais deixa a acção cair e esta torna-se vertiginosa, sempre aliada a twists bem feitos que não deixam o leitor cair na ratoeira de saber o que se vai passar! Digamos que para fazer isto uma série de vezes, ou seja, baralhar o leitor de modo a que ele não saiba como tudo se vai deslindar, não é para todos! Não é por acaso que Van Hamme criou fama enquanto criador de estórias! A construção das personagens “secundárias” também é muito boa, são bem estruturadas e com mais densidade psicológica do que é normal para este tipo de estória. Isso enriquece mais ainda toda a obra.
O primeiro ciclo de XIII é terminado no quinto volume e diz respeito à primeira grande conspiração, mas deixa a porta aberta para o que se seguir!
O segundo ciclo é composto pelos livros seis, sete e oito e é muito focado na procura de XIII pelo seu passado e raízes. XIII tenta desesperadamente saber quem é e qual o percurso que seguiu até ficar na situação em que se encontra de momento.
O terceiro ciclo, incompleto em português, é constituído pelos livros do 9 ao 12. XIII parte para um país ficcional na América Central chamado Costa Verde atrás de mais algumas pontas soltas no seu passado. Cada vez mais XIII descobre coisas que preferia não saber!
Os restantes volumes são completamente desconhecidos para mim, infelizmente, mas também já ouvi dizer que a estória se perde um pouco por ter sido tão esticada. XIII devia ter acabado no 13º Volume! Pelo menos é o que dizem muitos fãs da série.
É mais uma série recomendada pelo Leituras de BD, e é mais uma grande série europeia que teve direito a séries bastante fracas de televisão, uma delas está a correr neste momento (muito fraquinha), e para além disso não poderia faltar um jogo para computador!
Grandes séries aqui no Leituras de BD!!!!
:D

Boas leituras

Hardcover/Softcover
Criado por: Jean Van Hamme e William Vance
Editado em português entre 1988 e 2006
Nota: 9 em 12
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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bouncer



Normalmente não me sinto atraído por estórias baseadas no Oeste norte-americano, mas há excepções!
Iniciei-me com o maravilhoso Comanche, depois veio Blueberry e mais recentemente Bouncer.
Bouncer é único. Só Jodorowsky conseguiria imaginar uma tragédia Shakespeariana deste calibre no Oeste selvagem! Como Jodorowsky disse numa entrevista:
“Quis criar um Western Shakespeariano, com um toque de Tragédia Antiga”.
Os ingredientes são inúmeros… Segredos familiares, vingança, traição, violência, armas, droga, mutilações, duelos, deformações e aquilo que não pode faltar nunca num livro de BD: surpreender o leitor!
Jodorowsky contem a sua “loucura” nesta série, talvez porque é um Western e também porque Boucq, o artista de serviço, o deve ter refreado um pouco nos temas religiosos e nas mutilações e respectivas próteses. Assim temos um Western ao natural, “só” com sangue e balas!
Lista de títulos:
Diamante para o Além
A Misericórdia dos Algozes
A Justiça das Serpentes
A Vingança do Carrasco
O Fascínio das Lobas
A Viúva Negra
Coração Dividido
Nesta sua visão brutal sobre o Oeste Americano, as personagens são quase todos verosímeis (expecto uma) e Jodorowsky apresenta-nos Bouncer, um pistoleiro a quem foi amputado o braço direito. Bouncer deve o seu nome devido ao seu trabalho num “saloon”, onde era o homem que resolvia problemas… mas o passado acaba por o atingir na pessoa do seu sobrinho Seth. Bouncer consegue-nos absorver nos seus movimentos dando-nos uma maravilhosa vingança, e por outro lado as duas facetas da vida na relação professor/aluno.
Eu não queria alongar-me nem falar sobre a narrativa e estória da série. Isto iria estragar completamente a leitura de quem se decida a comprar esta bela série… posso dizer que os livros editados pela ASA têm os ciclos completos, todos eles. Ou seja ninguém vai ficar pendurado, e inclusivamente este último livro editado pela ASA, um álbum duplo, tem o ciclo completo também (aparentemente). A ASA com a edição do último livro pôs-se ao lado das edições francesas, isto é, os portugueses não estão atrasados na série!
Boucq tem aqui o seu melhor trabalho, na minha opinião, de sempre. A sua visão cinematográfica nos grandes planos paisagísticos, nas sequências rápidas de duelos, lutas, perseguições, estendendo as vinhetas por vezes por duas páginas ao comprido… é de uma beleza ímpar! Os homens são homens, e não são bonitos garantidamente, são apenas homens duros do Oeste selvagem, as mulheres são mulheres absolutamente normais, não há pin-ups para dar um toque especial, os animais estão muito bem retratados nas suas posturas e movimentos. E as cores… as cores são lindas! Aquelas paisagens retratando o Canyon e a pradaria estão mesmo de babar, Boucq captou toda a essência do Oeste selvagem.
Série recomendadíssima, foi do melhor que li ultimamente, mas recomendo a leitura seguida. Os ciclos estão completos, mas há sempre referências a actos passados.


Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky e Boucq
Editado entre 2002 e 2012 pela ASA
Nota : 10 em 12

Boas leituras
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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lançamento ASA: Philip & Francis - A Armadilha Maquiavélica


A ASA continua a "bombar" para o mês de Junho.
Agora apresento Philip & Francis.
Série de humor baseada nas personagens criadas por E.P. Jacobs que mostra dois heróis completamente desajeitados...
Série esta que me deixa bastante expectante, para além disso o Verão está aí e para passar o tempo calorento, umas leituras leves são do melhor!
Nota de imprensa da ASA:


Philip & Francis - A Armadilha Maquiavélica

O professor Philip e o capitão Francis são os faróis da civilização ocidental, os pilares da sabedoria britânica. Mas o que teria acontecido se Philip tivesse interrompido os seus estudos, e se Francis nunca tivesse feito parte do exército? O mundo seria outro? Os nossos atrapalhados heróis foram parar a um mundo paralelo. Estão em Londres onde tudo está literalmente virado de pernas para o ar! Aqui, o típico autocarro de 2 andares possui 3, enquanto os táxis da cidade são conduzidos por cegos, já para não falar no nome das ruas que aparecem todos trocados…






Colecção: As Aventuras de Philip & Francis
Nº de págs: 56
Autores: Veys/ Barral
Edição: capa dura
ISBN:  978-989-23-1973-5
Nova série no catálogo ASA

A ASA vai também re-editar  da série "oficial" Blake & Mortimer o livro "O Santuário de Gondwana". Este livro vai para a sua terceira tiragem!
Fica a capa!



Boas leituras
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terça-feira, 29 de maio de 2012

Lançamento ASA: Bouncer Vol.6 Viúva Negra - Vol.7 Coração Dividido


A ASA vai-nos brindar com um álbum duplo da série excelente Bouncer. Os volumes que compõem este álbum são "Viúva Negra" e "Coração Dividido". Para os que diziam que esta série era mais uma para ficar pelo caminho, pode-se dizer que em Junho a série Bouncer estará em Portugal com o mesmo número de publicações que França. Acho que não é necessário dizer mais nada.
Segue a nota de imprensa sem mais delongas:





BOUNCER tomo 6 - A Viúva Negra

Neste western, repleto de massacres e bandidos, Bouncer preparar-se para entrar em confronto com uma temível personagem: A Viúva Negra. Esta última está determinada a apropriar-se da principal riqueza da região, ou seja, um rio
subterrâneo.
Entretanto, Bouncer é também alvo das tentativas de sedução da professora primária…
















BOUNCER tomo 7 – Coração Dividido

Os segredos da bela “Viúva Negra” vão ser revelados neste álbum.
Bouncer vai descobrir toda a verdade que esta misteriosa e manipuladora mulher esconde e o confronto entre os dois é inevitável, especialmente quando a professora primária também se envolve nesta guerra…





Colecção: Bouncer
Nº de págs: 128
Autores: Jodorowsky/Boucq
Edição: capa dura
ISBN:  978-989-23-1950-6

Álbum duplo
Com este tomo, temos no catálogo da ASA todos os livros desta série publicados em França.

Portanto leitores de BD... usufruam!
A série é excelente e a edição é óptima.

Boas leituras
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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Capas: Croisade - Coffret Vol.5 e Vol.6


Capa da compilação do segundo ciclo da série Croisade (Nomade) que compila os volumes cinco e seis da série.
Capa sóbria de Philippe Xavier para esta compilação, com uma mescla de motivos árabes e ocidentais. O guerreiro cruzado é envolvido por ornamentos típicos do oriente criando um ambiente equilibrado e muito interessante.Acho a capa lindíssima, apesar de sóbria!
Esta série de sucesso tem como autores Jean Dufaux (estória) e o já referido Philippe Xavier e pode englobar-se num dos géneros mais queridos da BD europeia: Fantasia Heróica! O colorista da série tem o nome de Jean-Jacques Chagnaud!
É mais uma boa série para quem sabe francês, para quem sabe inglês a Cinebook tem estado a editar a série em formato grande, mas de capa mole.
Em baixo têm a capa do último volume do primeiro ciclo (4º livro da série).



Boas leituras
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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sang Royal Vol.1: Noces Sacrilèges


A minha primeira crítica a um livro em francês: Sang Royal Vol.1: Noces Sacrilèges!
Desenganem-se os que pensam que já fui aprender francês, não isso não é verdade…
:)
Quando fui ao grande festival de Angoulême o ano passado comprei um livro (compro sempre livros em festivais de BD) e a escolha na altura recaiu neste título. A arte cativou-se e o autor da estória era nada mais que o grande Jodorowsky. O livro ficou na prateleira para futura leitura, para quando aprendesse francês. Mas… mas existe um site brasileiro ..:: Ndrangheta & DecK'Arte ::. que faz boas “scanlations” para português e eu não tive hesitações, fiz o download e li no computador com o livro ao meu lado!
Assim li o primeiro livro em francês (essa língua maricas)!
Os autores são o já referido Jodorowsky nos textos, e o incrível Dongzi Liu na parte artística. Assim um artista chinês de Manhua (BD chinesa) aliou-se a um roteirista chileno para uma saga que promete chocar quem a ler.
Jodorowsky é mais do que conhecido pelo seu trabalho em títulos como Incal, Casta dos Metabarões, Depois do Incal, Tecnopapas, Antes do Incal, Incal Final, Castaka, O Lama Branco, Juan Solo, Bórgia , Face de Lua, Megalex, Armas do Metabarão e Bouncer (quase tudo títulos editados em português na sua maioria total ou parcialmente). Não há grande coisa a dizer deste grande nome.
Para Dongzi Liu este foi o primeiro trabalho de nomeada, portanto um autor a descobrir!
Sang Royal tem como cenário uma época Medieval violenta e uma família Real destruída por traições e laços amorosos.
Jodorowsky gosta de chocar, é um facto. Gosta de abanar as nossas mentes pondo tabus cruamente a descoberto, e se em Bórgia tratou de um caso de incesto sobejamente conhecido historicamente, em Sang Royal o incesto é levado ficcionalmente ao extremo. Não sei se Jodorowsky tem um problema mal resolvido com incesto, ou simplesmente se gosta de chocar e descobriu que a ligação incestuosa era das menos aceites socialmente no mundo e cultura ocidental. Qualquer que seja a razão este tema surge como centro de toda esta estória. Como estória de um primeiro volume está excelente, Jodorowsky também é cineasta e sabe como fazer uma planificação de guião irrepreensível. A estória flui sempre muita homogenia, mesmo quando a acção muda de cenário ou temporalmente. Não há quebras, o livro não deixa o leitor parar de ler até ao final, e quando se chega ao final chora-se pelo volume seguinte! É isto que se espera de um primeiro volume: forte!
Mas nada disto seria a mesma coisa sem Dongzi Liu… a arte deste chinês é fantástica, de uma beleza que não está ao alcance de todos. Utilizando uma paleta de cores sóbrias, em que usa muitas cores neutras consegue um ambiente muito belo, mas ao mesmo tempo choca e agride quando assim a estória o exige. As figuras humanas são retratadas muitas vezes num registo um pouco sujo, fazendo contraponto com outras (sobretudo a figura feminina) se quer que sejam belas, angélicas mesmo.
Esta estória choque tem como base uma traição, e como final uma vingança cruel.
A traição vem do primo do Rei Alvar, este Rei era um grande guerreiro e bastava a sua presença para fazer com que meia batalha já estivesse ganha. Mas numa batalha é atingido por uma flecha provocando uma ferida muito grave… afasta-se da batalha com o seu primo e pede a este (muito parecido fisicamente) para vestir a sua armadura e voltar à batalha para fazer crer aos seus guerreiros que o Rei estava bem e ia conduzi-los à vitória. O primo assim faz, mas faz muito mais que isso… infecta-lhe a ferida propositadamente e rouba-lhe o título, o nome, o lugar e a família. Alvar é encontrado por uma mulher feia, corcunda entre outras enfermidades, que o recolhe e trata. Mas Alvar ficou louco! Os acontecimentos recentes retiraram-lhe a razão e acaba por pensar que esta mulher que vive longe dos homens na floresta é a sua mulher. Acabam por ter uma filha. Alvar recobra a razão passados 10 longos anos e parte deixando o anel Real com a mulher deformada. Não vou spoilar a partir daqui, apenas digo que passados uns anos volta reencontrar a filha, e o encontro foi escaldante…
Livro que eu recomendo a quem saiba ler francês.
E também para quem sabe francês, saiu o ano passado em Junho o segundo volume da série: Crime et Châtiment. Com este segundo volume a série fica completa.

Boas leituras

Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky e Dongzi Liu
Editado em 2010 pela Glénat
Nota : 9,5 em 10
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