Mostrar mensagens com a etiqueta Frank Miller. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Frank Miller. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de maio de 2015

Vertigo: Pré-Vertigo Parte 1
A história que antecede o selo: 1982-1985


Hoje começamos com uma série de artigos que propõe recordar o percurso editorial que levou a DC Comics a criar a Vertigo, tendo em conta as origens e a história do selo de material adulto, que começaram em 1982, quando o mercado directo permitiu às editoras lançar material sem o selo da Comics Code Authority.


Tanto a Marvel como a DC Comics tinham linhas de títulos bastante diversificadas nos anos 70, incluindo humor, fantasia, guerra e terror além dos super-heróis. No entanto, aqueles géneros eram também os mais vulneráveis a flutuações de um mercado onde a BD ficou bastante vulnerável à guerra das distribuidoras nas bancas, contribuindo para a criação do mercado directo. E foi quando surgiu este espaço que as editoras começaram a tornar-se mais criativas, reforçando a sua imagem de editoras de super-heróis ao mesmo tempo que tentavam melhorar a qualidade das histórias de outros géneros, atraindo novos talentos ou dando mais liberdade criativa a certos artistas consagrados para sair dos padrões formulistas dos anos 70.

Em 1982, a Marvel lançou uma linha inteira de revistas como um spin-off da revista Epic Illustrated (tentativa de emular a Métal Hurlant e a sua variante americana, a Heavy Metal), a Epic Comics, onde, regra geral, o material produzido era propriedade intelectual dos seus criadores. A DC, por seu lado, preferiu lançar séries novas com a marca da DC, mas sem o selo da Comics Code Authority e papel de melhor qualidade. Nesse ano, a subsidiária da Warner Communications deu os primeiros passos na criação de uma linha editorial que mais tarde daria origem à sub-editora Vertigo.

Vários títulos no activo integrariam a Vertigo no futuro. Entre eles estavam Saga of the Swamp Thing (a primeira revista solo do Monstro do Pântano) e Unknown Soldier (O Soldado Desconhecido), bem como as antologias House of Mystery e Weird War Tales. Outras revistas tinham material que andava nas fronteiras entre a DC e o futuro selo, como a revista do herói aviador Blackhawk, o grupo de investigação oculta Night Force, os títulos de fantasia Arion, Lord of Atlantis e Arak, Son of Thunder e a revista de ficção científica (género 'sword and planet') Warlord.




O primeiro título da DC criado especificamente para o mercado directo foi a mini-série Camelot 3000 (teoricamente, a primeira revista deste género foi o one-shot de Madame Xanadu de 1981), de Mike Barr e Brian Bolland, cujo número 1 chegou às bancas em Dezembro de 1982. A história cola elementos de ficção científica (cenário no futuro da Terra, invasão alienígena) com o mito do Rei Artur, e a sua distribuição limitada permitiu a Barr explorar temas como romances homossexuais e transsexuais, relações inter-raciais e comparações entre o mito arturiano e cultura extra-europeia. Bolland teve vários atrasos e a mini-série de 12 números terminou apenas em 1985, mas esta história demonstrou a viabilidade de projectos fechados e de séries fora da continuidade e com um pouco mais de sofisticação.

Camelot 3000 também foi uma das primeiras séries da DC a ficar disponível como uma graphic novel em formato TPB, a partir de 1988. Nunca foi integrada na linha Vertigo, apesar de ter uma temática apropriada para o que a linha se tornou, mas não o que era no seu lançamento.





Em 1983, a revista ganhou companhia entre os títulos com temáticas adultas. Novembro viu o lançamento da série Thriller. Concebida como um título mensal, começou com argumento de Robert Loren Fleming e arte de Trevor Van Eeden e terminou no 12º número, na fase final já com argumento de Bill Dubay e arte de Alex Niño. A história era essencialmente de ficção científica, com um grupo paramilitar que se encarregava de derrotar ameaças terroristas e quase sobrenaturais. Nunca foi reimpresso e hoje é pouco conhecido, ao contrário da revista Ronin, lançada em Julho.





Com argumento e arte do mais conhecido Frank Miller, na altura um ídolo das multidões pelo seu trabalho nas histórias do herói Demolidor, da Marvel, Ronin devia ter sido lançada como parte da linha inicial da Epic Comics. No entanto, num almoço com a presidente da DC, Jenette Kahn, foi persuadido a mudar de camisola. Kahn prometeu-lhe a manutenção dos direitos de autor, se bem que na prática a DC controla a publicação de material da propriedade. Miller criou uma história sobre um samurai ressuscitado num futuro distópico nos Estados Unidos, para enfrentar o seu némesis, fazendo equipa com uma agente de segurança. Cada uma das seis partes da história tinha 48 páginas e Miller não se coibiu de copiar directamente painéis desenhados por Goseki Kojima na série japonesa Lone Wolf & Cub, da qual o autor americano era grande fã.




Um escritor britânico ainda pouco conhecido, chamado Alan Moore, foi encarregado de começar a escrever Saga of the Swamp Thing, a revista do Monstro do Pântano, e a primeira coisa que fez foi matar o personagem principal, no nº 20, publicado em Janeiro de 1984. Isto libertou Moore do personagem unidemensional e permitiu-lhe explorar elementos como a relação dos seres humanos com o planeta, sexo inter-espécies ou a Teoria de Gaia e também serviu para criar o tipo de ambiente que seria a componente central da Vertigo em 1993. Moore continuou a escrever o Monstro do Pântano até ao nº 64, em 1988. A nova direcção nunca foi um grande sucesso de vendas, mas foi bastante apreciada pela crítica e cimentou a popularidade de Moore junto de um público mais sofisticado.





Durante o período de 1984 a 1985, a DC também lançou mais alguns títulos noutros géneros, que estariam próximos da temática Vertigo. O primeiro foi Nathaniel Dusk, a história de um detective privado nos anos 30, durante a Grande Depressão, um tema supostamente gasto mesmo nos anos 80, mas soberbamente executado pela dupla Don McGregor/Gene Colan, que trabalharam juntos muitas vezes. A mini-série de quatro números em formato de luxo, lançada em Fevereiro, centrou-se essencialmente nas experiências individuais dos personagens e teve direito a uma sequela em Outubro de 1985. Ainda em 1985, em Setembro, a DC fez uma modificação total ao personagem western Jonah Hex, transformando o ex-soldado da Confederação num motoqueiro num mundo pós-apocalíptico do futuro. A revista, baptizada simplesmente Hex, durou 18 números, mas quando Jonah Hex voltou integrado na Vertigo, foi de volta ao seu ambiente normal.







A DC experimentou também com ficção científica mais clássica, com as mini-séries Spanner's Galaxy e Sun Devils. A primeira, lançada em seis números a partir de Dezembro de 1984, era uma space opera criada por Nick Cuti e Tom Mandrake, e a segunda, lançada em 1984 e durando doze números, era uma história de invasão alienígena feita por Gerry Conway e Dan Jurgens, passada num ambiente militar. Sun Devils não teve o selo da Comics Code Authority, o que a poderia tornar interessante para ser republicada na Vertigo.






Durante 1985, passaram ainda pelas bancas revistas do Deadman e do Dr. Fate, republicando histórias passadas. Ambos os personagens permaneceram paralelos à Vertigo, mas nunca foram formalmente absorvidos. A história do Manhunter de Archie Goodwin e de Walt Simonson, retirada das últimas páginas de Detective Comics, também foi republicada numa edição especial. Começando em 1984, a DC também editou uma antologia para novos talentos, New Talent Showcase, englobando vários temas, desde os super-heróis ao terror, passando pela fantasia e pela ficção científica, mas não deu origem a novos personagens e a revista foi sempre obscura.

Continua na próxima semana com o período referente a 1986 e 1987.










Deixa o teu comentário

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ilustração: Nancy Callahan (Frank Miller)


Sin City contém imagens de um maravilhoso Preto & Branco, por vezes polvilhados com algumas cores contrastantes, como o vermelho, amarelo e azul.
Esta imagem é representativa do estilo que Frank Miller adoptou para esta série de culto. Nancy, uma das personagens mais misteriosas da série...

Em baixo um exemplo dos "toques" de cor que Frank Miller usa para dar mais impacto ao P&B.



Boas leituras
Deixa o teu comentário

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Heróis Marvel Vol.1: Homem-Aranha – Integral Frank Miller e uma Entrevista a Sílvia Reig (Responsável pela Levoir)


Estas não são as estórias que fizeram de Frank Miller um autor famoso no mundo dos Comics, mas sim uma visita ao passado e aos primeiros passos deste autor, ainda antes do seu estilo estar completamente formado. O seu estilo aqui ainda é um pouco o convencional dos Comics da altura, mas temos a mais valia de ter todo os seu trabalho na personagem Spider-Man compilado num único volume.

De facto, neste livro ele apenas é autor do argumento de uma das estórias, e mesmo na vertente argumentista ele ainda não está ao nível do expectável no seu estilo enérgico e realista a que nos habituou noutras obras mais recentes que estas.

É um bom exercício de evolução aquele que nós podemos fazer, iniciando aqui e depois passando para obras como Batman: Year One, Sin City, Dark Knight Returns, ou “300”!
As estórias são clássicos de entretenimento agradável, com argumentos de Chris Claremont, Bill Mantlo e Denny O'Neill. A estória escrita por Miller foi desenhada por Herb Trimpe…
Ou seja… não temos aquela maravilhosa diálise Frank Miller argumentista/artista juntos em nenhuma estória, o que é uma grande pena!

Como disse atrás, é um bom livro de entretenimento clássico e ao mesmo tempo histórico, pois está aqui a génese daquele que iria ser um dos maiores protagonistas no mundo dos Comics. Para além disso temos uma galeria de personagens bastante boas, como Moon Knight, Power Man & Iron Fist, Daredevil, The Punisher e o Doctor Strange entre outros… os vilões estão presentes, claro, sendo o Kingpin e o Dr Octopus os meus preferidos! Garantidamente não são estórias maçadoras!
Estórias inclusas neste HC:
  • Amazing Spider-Man Anual 14
  • Marvel Team-Up 100
  • Marvel Team-Up Anual 4
  • Amazing Spider-Man Anual 15
  • Spectacular Spider-Man 27
  • Spectacular Spider-Man 28

Foi um bom começo para a série!
Tenho tido o prazer de verificar que tem sido feita bastante publicidade nos “mupis” em Lisboa e Oeiras (nos outros lados não sei), e também vi alguma publicidade na televisão!




Achei interessante fazer uma entrevista à Sílvia Reig, a responsável da Levoir , e ela acedeu a fazer uma mini-entrevista que eu publico já aqui em baixo!

________________________________________________________________________________

Entrevista a Sílvia Reig, responsável pela Levoir

Olá Sílvia, podias dar-nos uma pequena mini-bio da tua vida profissional?

Estudei na ESADE em Barcelona e na HEC em Jouy-en-Josas,Paris, acabei o curso de Gestão de Empresas em 1991.
Comecei a minha vida profissional em Paris no Grupo Danone. Mais tarde entrei para os quadros da Unilever onde trabalhei durante 7 anos na área de marketing em Espanha, França e Portugal.
Em 1995 instalei-me em Portugal e trabalhei na Jerónimo Martins e na Sonae.
De 2000 a 2005 fui Directora de Marketing e Vendas do jornal Público.
Voltei para Espanha, como Directora Geral da Prisa Innova, com responsabilidade na estratégia de extensão de marca do jornal El Pais e do jornal francês Le Monde.

Em 2010 regresso a Portugal e fundei a LEVOIR. Somos uma empresa portuguesa que trabalha nos mercados português, espanhol, sueco, belga, brasileiro, peruano e chileno. Desenvolvemos projectos nas áreas de literatura, cinema e música. Os nossos principais clientes são os grandes jornais de referência como: Público, Expresso, La Vanguardia, Le Soir, Dagens Nyether, Folha de São Paulo, etc.

O que vos levou a entrarem no mundo da Banda desenhada?

Faz todo o sentido para a LEVOIR estar no mundo da Banda desenhada por ser um género muito apreciado pelos nossos clientes.
Na altura em que trabalhei no Público, lancei a primeira colecção de BD num jornal português, foi o Tintin, com grande sucesso. A seguir lançamos o mítico Corto Maltese. Desde essa data que o Público está na vanguarda dos lançamentos de BD franco-belga.
A Levoir fechou um acordo com a Marvel para a edição dos Super Heróis em português de Portugal para todos os canais de distribuição. Achamos que fazia sentido lançar em primeiro lugar com o Público para mais tarde continuar quiçá nas livrarias.

Porquê a escolha desta colecção especificamente?

Achamos que fazia sentido publicar histórias inéditas. Por outro lado achamos que os lançamentos cinematográficos de 2012 dos Heróis Marvel constituíam o “momentum” ideal para esta aventura.
A selecção dos títulos foi feita em conjunto pela Levoir e pela equipa editorial do Público.

Como funcionou a escolha do grupo de profissionais que fizeram a tradução, adaptação, legendagem e balonagem?

Trabalhamos com uma equipa liderada pelo José Freitas que tem toda a experiência e know how com BD americana e que nos foi inclusivamente recomendado pela Marvel.

Se esta colecção tiver sucesso pensarão em fazer algo mais com Banda Desenhada?

Todas as hipóteses estão em aberto, o leitor é quem nos ajudará a decidir qual o futuro.

Vamos pensar positivo e assumir que a colecção vai ter sucesso. Se fizerem algo mais na Banda Desenhada continuarão a enveredar pelos Comics norte-americanos ou equacionarão algo europeu?

Poderemos continuar com os americanos.

Qual a tua Banda desenhada favorita, ou preferida?

É o meu caro amigo Corto Maltese.

Obrigado, haverá algo mais que queiras dizer aos leitores de banda Desenhada portugueses?

Esperamos que gostem da selecção que apresentamos e que nos mandem sugestões de outros títulos que gostavam de ver publicados.

O meu obrigado à Sílvia Reig pela simpatia em ter respondido a esta mini-entrevista.
Espero que vos tenha agradado!

Boas leituras

Harcover
Criado por Frank Miller, Bill Mantlo, Denny O'Neill, Chris Claremont e Herb Trimp
Editado em 2012 pela parceria Levoir/Público
Nota: 8,5 em 10
Deixa o teu comentário

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Elektra: O Regresso


Uma das maiores criações de Frank Millar para o universo Marvel foi sem dúvida a personagem Elektra Natchios. Aconteceu durante a sua fase no herói DareDevil (Demolidor), em que conseguiu revitalizar este personagem, que andava um bocado "por baixo". Para isto contribuiu de maneira marcante Elektra, amante e inimiga do Demolidor. A tragédia (grega) da morte do pai de Elektra às mãos de Bullseye, lançou esta para um caminho de vingança e crime.
Frank Miller é bem conhecido pelos seus seus livros "Batman: The Dark Knight Returns" (com edição portuguesa pela Devir), "Batman: Year One"(com edição portuguesa pela Devir), "Sin City"(com edição portuguesa pela Devir), "300" e " All Star Batman & Robin, the Boy Wonder ". Passou também por outros heróis da BD norte-americana, como Spiderman, Wolverine e Vampirella. Em relação ao último filme de Miller, "Spirit"... DETESTEI! Elektra também teve direito a filme, que não foi nada de excepcional, um filme "just for fun" que dá para comer umas pipocas :)
O livro na sua edição original, Elektra Lives Again, foi editado em 1990 e reeditado em 2002. A versão portuguesa diz respeito a esta reedição, com um tamanho bem maior que o normal da Marvel e capa dura, ou seja formato europeu.
O que está para trás da estória deste livro é a formação de Elektra como assassina da organização do sub-mundo criminoso, "The Hand". Depois de ter aprendido com essa organização tudo o que podia, abandona-os. "The Hand" não gostou e contratou Bullseye para a assassinar, acabando por morrer nos braços do DareDevil. Depois disto, "The Hand" decide ressuscitar Elektra para ela os servir novamente como assassina de elite, mas esta desaparece imediatamente a seguir ao ritual.
Neste livro Elektra regressa durante os pesadelos de Matt Murdock (DareDevil), levando este quase à loucura. Ao fim ao cabo, este livro conta como Matt Murdock aprende (ou não) a lidar com a morte da sua amada, mas com todos aqueles pesadelos não é tarefa fácil... Daredevil acaba por chegar à conclusão de que Elektra está viva novamente, e de que vários acontecimentos importantes estão para acontecer, envolvendo a organização "The Hand", Elektra e Bullseye.
O desfecho deste livro fica para vocês lerem. A arte de Miller é magnífica, talvez o seu melhor trabalho, e é colorida pela sua companheira, Lynn Varley. Felizmente não está censurado, existem corpos nús, o que é de estranhar na BD norte-americana, talvez porque o livro não foi editado pela Marvel, mas sim pela pela Rutgers Univ@press. Quanto à estória, é mais um conto do herói caído que tenta redimir-se voltando para aquela linha ténue entre o mal e o bem, mas muito bem estruturada, e sobretudo deixa as imagens falar por si, ou seja, só existem os balões estritamente necessários, o resto "lê-se" nas imagens sequênciais.
Boas leituras!

Hardcover
Criado por: Frank Millar e Lynn Varley
Editado em Outubro de 2007 pela BDMania
Comprado na livraria Bulhosa
Nota : 9,5 em 10
Deixa o teu comentário