
Os Inumanos têm para mim um grande valor sentimental. Foi em 1972, eu mal sabia ler, que descobri em casa da minha avó uma revista a preto e branco, presumo agora que seria da Ebal, que “li” uma aventura do Quarteto Fantástico em que entravam pela primeira vez (presumo eu) os Inumanos. Estes estavam prisioneiros, se bem me lembro, numa barreira intransponível.
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Eu adorei aquela estória, e aquele grupo de seres tão diferentes, únicos! Lembro-me perfeitamente que adorei o Raio Negro pela postura de um verdadeiro líder de homens, Rei, e de Medusa pela sua beleza e pelos seus cabelos vivos (sei agora que são ruivos…). Passei muitos anos sem ter contacto com este grupo admirável de seres, sempre fugidio e incompreendidos pela raça humana. Vale a pena saber que todos estes seres pertencem a uma família e o seu núcleo duro (a família real) é composta por Black Bolt (Raio Negro), Medusa, Karnak, Gorgon, Triton, Crystal, Lockjaw e Maximus the Mad. A nova geração, que é lançada neste livro, é composta por Tonaja, Alaris, San, Nahrees, Jolen e Dewoz.
Estes admiráveis seres, todos diferentes graças aos “Terrigen Mists”, uma espécie de “vapor” que os altera geneticamente na adolescência, foram criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1965 (eu tinha um ano de idade), e a sua primeira aparição foi na revista nº 45 dos Fantastic Four.
O meu contacto seguinte com eles foi sensivelmente 30 anos (em relação à revista referida no primeiro parágrafo) depois com o livro “Inumanos” lançado entre nós pela Devir!
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Ficaram em “em banho-maria” mais uns tempos até eu decidir fazer aquilo que não gosto, que é comprar um “tie-in” a um mega evento da Marvel, neste caso Secret Invasion. Como estou disposto a comprar “War of Kings”, decidi que devia ter esse tie-in. E não me arrependi, achei um óptimo tie-in, que vai prosseguir com um mega evento, que se pode considerar um “spin-off” de Secret Invasion, o já referido “War of Kings”, que tem contornos cósmicos, e eu adoro sagas cósmicas :)
O excelente livro de que eu vou falar pode ser colocado na prateleira antes do livro editado pela Devir em português. E também acho que mereceria uma magnífica edição em capa dura…
A estória pertence a Paul Jenkins e é brilhante. A maneira como ele estende a trama até a um final quase inesperado, passando pelo desespero de todos os Inumanos, que inclusivamente começam a desconfiar das capacidades do seu líder, Black Bolt (Raio Negro), devido à sua aparente ineficácia para proteger Attilan (a sua cidade) que deveria ser inexpugnável, mas devido a certos eventos está a ser atacada por mercenários portugueses (ehehehe). A força de Black Bolt é também o seu ponto fraco, pois não pode falar… qualquer suspiro por mais baixo que seja tem a força suficiente para terraplanar uma montanha! A única pessoa que o entende verdadeiramente é a sua mulher Medusa, que devido a esse facto é a sua porta-voz. Esta estória é uma estória de amor, sacrifício, traição, loucura, cegueira, manipulação e lealdade a toda a prova. Paul Jenkins está de parabéns! Mas o que falar da arte de Jae Lee? Irrepreensível, o artista acompanha a narrativa e sabe dar-lhe toda a envolvência emocional requerida, basta apreciar as suas vinhetas e metade da estória está contada. Não quero fazer nenhum “spoiler”, embora dê vontade de contar tudo, mas assim não teria piada nenhuma para quem decidir ler esta obra, uma das melhores “graphic novels” que eu já li!
Boas leituras.
TPB
Criado por: Paul Jenkins e Jae Lee
Editado em 2000 por Marvel
Comprado no Book Depository
Nota : 10 em 10

