Uma revista que foi um emblema da década de 90. Surgiu em 1991 e durou uns bons 20 anos (última edição em 2011), mas para falar dela temos o Hugo Silva!
Wizard Magazine
É impossível falar nos comics dos anos 90, sem falar na revista que nos dava as principais notícias e reportagens desse mundo, a revista Wizard. Num mundo ainda sem Internet, ou com a mesma a velocidade de caracol, esta revista proporcionava-nos um bom momento a ler sobre tudo aquilo relacionado com aquilo que mais gostávamos, a banda desenhada.

Não era complicado encontrar a Wizard cá por Portugal, havia sempre uma ou outra papelaria que tinham a mesma junto de outras publicações importadas (por vezes até um ou outro comic solto) e muitas vezes dentro de um plástico protector devido a trazer algum brinde ou apenas somente para protecção da revista. Era um pouco cara, mais de Mil escudos pelo que me recordo, mas “compensava” bem, ficávamos assim a conhecer melhor algumas nuances do mercado dos comics e não só, já que ela também trazia artigos e reportagens sobre filmes e televisão.
A revista foi lançada em Julho de 1991, criação de Gareb Shamus que tinha acabado de sair da Faculdade e achou que uma publicação do género poderia atingir o sucesso. Algo que acabou mesmo por acontecer, a revista começou a ter alguma importância no meio devido a divulgar novos projectos e publicitar assim novos títulos, a sua lista de preços de revistas foi bastante importante e chegou a ajudar a criar outras revistas como a Toyfare, mais dedicada aos action figures e afins.
Mais tarde chegou a publicar comics, com artistas de renome como Garth Ennis ou Mark Waid, e até a ter uma mega convenção com o seu nome e à entrega anual de prémios aos nomes mais importantes da indústria. Tudo isto num estilo leve e descontraído, com muito humor à mistura, arte bonita (ou não), fotos e reportagens a fundo que nos davam a conhecer um pouco mais sobre um mundo do qual não tínhamos assim muita informação.
Comprei a minha primeira Wizard numa papelaria em Cascais, apenas para matar o tempo enquanto ia para a praia, mas fiquei completamente viciado. O estilo simples e divertido agarrou-me, aquilo tinha um Wolverine na capa e vinha com algo como um guia das melhores histórias do herói para além de reportagens engraçadas como os piores uniformes que já tinham sido criados ou uma lista qualquer de algo que nunca me passaria pela cabeça como as compras de supermercado do Batman.
Mais tarde comecei a comprar regularmente nas lojas de BD da nossa grande Lisboa, e confesso que era mesmo fã da revista, gostava quando vinha grandes entrevistas com autores como o John Byrne ou aqueles cursos que vinham de desenho e afins. Gostava também de quando tentavam imaginar um elenco para um filme de super heróis, das sugestões de leitura ou dos dossiers do género “Os piores Vingadores”.
A revista tinha sempre grandes capas, muitas vezes o mesmo número tinha mais que uma capa, e feitas pelos artistas na berra do momento. A Wizard tinha uma forte ligação com a Image, apoiava bastante a editora e publicitava muito os seus produtos, daí os títulos, artistas e pessoas relacionadas com a Image eram presença constante nas suas páginas.

Tinha amigos que adoravam ver os cursos de desenho que vinham na revista, chegou a vir um mais relacionado com Manga e outro do Greg Capullo que fizeram muito sucesso e ajudaram alguns jovens artistas a melhorar o seu traço. Era o lado útil da Wizard ao vir ao de cima, a provar que não era uma revista descartável e que podia sempre ser relida.
Aliás confesso que ainda tenho as minhas edições todas, e que por vezes no WC são uma óptima companhia , assim como a sua versão Brasileira, que conseguiu captar o mesmo espírito e humor da versão norte-americana.
Essa versão foi editada pela Globo começando a ser publicada em 1996, chegando a Portugal pouco depois (juntamente com as revistas da Image que a editora publicava), e tinha entre artigos, reportagens e entrevistas traduzidas da versão original, alguns artigos originais e colunas bem interessantes como a do conhecido colaborador da Abril, Jotapê. Na sua coluna, Jota chegou a abordar a polémica questão de cortes nas páginas da Editora Abril, entre outros assuntos onde não tinha receio de emitir a sua opinião.

A revista tinha mais humor do que a versão original, típico do à vontade do povo brasileiro e do seu bom humor, e era tão ou mais interessante que a Wizard Americana. Tenho todas as edições e já as reli mais que uma vez.
A revista americana foi sofrendo diversas alterações, o Cinema e a TV começaram a ganhar um maior destaque, a lista de preços e action figures foi diminuindo e a dada altura até o humor começou a desaparecer daquelas páginas. Também já nos era um pouco indiferente, nessa altura já havia a Internet em força e a revista já não produzia o mesmo impacto que tinha quando divulgava spoilers ou dava a entender os rumos que um título ia ter no futuro.
Aliás eu comecei a ler algumas revistas com os #0 que a Wizard oferecia, como o #0 dos Thunderbolts ou os ½ comics que vinham também de oferta em alguns números. Foi uma publicação polémica e tudo a ver com a década onde foi publicada, chegou a ter alguns inimigos como o autor Frank Miller, que chegou a rasgar uma revista ao meio numa cerimónia de prémios e a chamá-la de “bíblia de Satanás” e um dos motivos pelo qual a indústria atravessava um mau bocado.
Por outro lado a revista ajudou alguns artistas a ficarem ainda mais conhecidos, como foi o caso de Alex Ross que colaborou constantemente com a revista com diversas capas, posteres e outro tipo de brindes de oferta. Mas sobre esse autor virá outro post nesta série de artigos dos anos
Texto: Hugo Silva
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