
A série Yoko Tsuno veio ocupar um espaço quase virgem, na BD francófona, em que os heróis principais eram sempre do género masculino. Na sua génese seria uma personagem secundária, os heróis principais seriam Vic e Pol seus companheiros de aventura. Mas na Dupuis, editora que detém os direitos da série desde 1972, decidiu-se após algumas pequenas aventuras em que Yoko não seria a personagem principal, entregar a Roger Leloup um álbum completo, mas com o Yoko no centro, sendo Vic Video e Pol Pitron os seus acompanhantes.
Isto aconteceu também pelo espaço criado pela heroína Natasha ao ser a primeira personagem principal feminina na Banda Desenhada Franco-Belga. Assim Yoko Tsuno passou a ser a segunda, e com sucesso, como provam os seus 25 álbuns editados desde 1972 até 2010. Para além disso esta série é referenciada por alguns críticos como uma série de leitura que visa o género feminino, com o qual eu não estou de acordo. Por ter muitas personagens femininas não quer dizer que seja apenas para elas! Eu penso que é para todos! Eu li, e leio, Yoko Tsuno com prazer e não sinto que seja assim… se eu pegar num Manga Shoujo (para raparigas) aquilo chateia-me um bocado na leitura, pois é mesmo vocacionado para elas. Yoko Tsuno considero uma série para todos, como é apanágio das BDs Francófonas.A sua primeira aparição traduzida para português aconteceu na 2ª série da revista Spirou, sendo depois disso editados quatro álbuns, o primeiro pela Assírio e Alvim, os restantes pela Difusão Verbo. Infelizmente a Verbo ficou por aqui… Os títulos editados em português são:
1- O Trio do Estranho - Assírio e Alvim 1982, Bertrand (Revista Spirou) 1979
2- O Órgão do Diabo – Verbo 1986
3- A Forja de Vulcano – Verbo 1986
5- Mensagem para a Eternidade - Bertrand (Revista Spirou) 1979
6- Os 3 Sois de Vinea – Verbo 1987
Para ficar tudo seguido apenas falhou as “Aventures Électroniques”, o nº 4 da colecção…
As aventuras de Yoko Tsuno inserem-se no género aventura, fantástico e ficção-científica. Como podem ver as aventuras da jovem oriental são muito abrangentes ao nível da narrativa! E esta é muito fluída e sem paragens como convém a uma série de aventuras. Roger Leloup é o autor tanto dos textos como da parte artística. Este belga, pode-se dizer que fez de Yoko Tsuno a série da sua vida, pois não tem praticamente mais nada editado na sua carreir
a artística! Mas é na arte que eu acho que ele se destaca. Super pormenorizado, sobretudo nas imagens de fundo, em que por vezes retrata paisagens reais e estas estão com um rigor exemplar, sendo que por vezes não são nada fáceis de retratar em BD. Para além disso é tão fiel a desenhar um avião tipo Boing 747, como um Peugeot 403. É um grande artista! As sua personagens estão impregnadas de grande dinamismo, sendo que a parte psicológica destas foi logo definida nos dois primeiros volumes. A partir daí não variam muito, apenas as situações inverosímeis em se encontram muitas vezes vão variando, varrendo o planeta! Alemanha, China, Caraíbas, Desertos, planetas extraterrestres, Afeganistão, Plataformas petrolíferas… enfim, Leloup não tem nenhum problema em desenhar o que quer que seja com grande à vontade e pormenor.Yoko Tsuno é uma engenheira electrónica criada no Japão, vivendo agora na Bélgica. Faz facilmente amigos, sendo muito fiel a estes, tendo uma grande noção de honra! Tem um grande e vasto conhecimento sobre muitas actividades, como mergulho, artes marciais (cinturão negro em Aikido), sabe pilotar aviões e helicópteros! Tudo isto concentrado numa mulher quase sem defeitos na sua maneira de agir com os outros, digamos que é uma mulher muito competente.
É acompanhada por Vic, o seu melhor amigo, e Pol, o cómico do grupo…
Convido-vos a conhecer a excelente arte de Leloup, pelo menos nos álbuns que estão editados em português! Quem quiser ler mais livros desta heroína e não souber falar francês, a Cinebook editou em inglês seis álbuns desta série. Infelizmente, e não sei porquê, não editaram nenhum em que aparecem os habitantes do planeta Vinea, tornando a série muito mais pobre…
Boas leituras!
Hardcover/Softcover
Criado por Roger Leloup
Editado entre 1979 e 1986 pela Bertrand, Verbo e Assírio e Alvim
Nota : 8 em 10