
Metro Survive é um díptico (dois volumes) escrito e desenhado por Yuki Fujisawa. À partida desconfiei do "clichê" filme catástrofe, e foi bem desconfiado pois a obra assenta que nem uma luva nesse tipo de registo.

Mas a obra acaba por não ficar por aí (felizmente)! Yuki Fujisawa consegue transformar este tipo de clichê numa muito boa obra de BD. Como se sabe, o Japão é uma zona assolada por este tipo de fenómenos naturais (sismos), e à volta desta situação Yuki Fujisawa construiu uma estória cheia de tensão e com algumas reviravoltas bem concebidas, bem como também toca nalguns problemas sociais próprios de países altamente industrializados. O seu personagem principal, Mishima, é o típico herói acidental. Trabalhador por conta de outrem, num edifício de alta tecnologia, é praticamente "escravizado" pelo seu patrão. Devido à sua sensatez e conhecimentos técnicos profissionais, depressa é considerado no seu grupo de sobreviventes como o líder. Como é normal neste tipo de registos a acção começa muito lentamente, subindo de ritmo e tensão conforme o enredo vai avançando. O autor consegue fazer desta "normalidade", comum a este tipo de estórias catástrofe, fazê-la subir para patamares muito bons! Agarra bem o leitor ao longo da estória, dando-lhe toques bem pessoais que a diferenciam doutras do género. Em relação à parte artística, é bastante normal, embora haja três ou quatro personagens mais bem tratadas graficamente que as outras.

Tudo começa com mais um dia de trabalho de Mishima, mais um dia de abusos do patrão, que nunca o deixa chegar a casa a horas decentes, sendo que desta vez é mais grave pois é o dia de aniversário do seu filho. Quando já segue para casa de Metro com o presente para o seu filho acontece o desastre. Um sismo grau 7.0 destrói completamente o avançado edifício Exopolis Tower de Tóquio (que afinal não tinha sido bem construído) e provoca uma derrocada no Metro encurralando os passageiros daquele comboio a uma enorme profundidade quase por baixo da Exopolis Tower. Os passageiros encurralados têm de seguir a pé, nervosos e preocupados... a vida deste grupo muito heterogéneo começa a ficar muito difícil! E a primeira dificuldade é mesmo a cooperação entre vários tipos sociais bem distintos: Mishima é um vulgar assalariado, mas temos o condutor do Metro, uma rapariga distante e sem problemas em acabar ali ou noutro sítio, um casal famoso com o seu pequeno filho mas completamente destruturados, dois típicos jovens da rua mas completamente parvos e um casal de velhos. Com a água a subir (e os ratos também) resolvem tentar chegar à estação de Metro da Exopolis Tower. Vão passando por vários problemas, sempre com Mishima a resolvê-los com uma postura bastante calma... e depois de várias vicissitudes encontram outro grupo de sobreviventes, aqueles que estariam ainda na estação. Agora torna-se tudo mais difícil, pois estes possuíam comida e água. Em primeira instância partilharam, mas um casal vindo do submundo nocturno (ainda por cima completamente sádicos) torna-se líder deste grupo mais numeroso e expulsa o pequeno grupo de Mishima novamente para baixo. A tensão sobe mesmo! Sem água, sem comida e sem poder fazer frente a grupo de gente sem escrúpulos, como se saíra o grupo de Mishima? É o jogo da sobrevivência. O segundo volume explode em tensão e violência, tanto física como mental.
Gostei!
Tankōbon (単行本)
Criado por: Yuki Fujisawa
Editados em 2008 por Dr. Master Productions Inc.
Nota : 8,5 em 10