Este foi o meu primeiro livro “New 52”, de resto só tinha lido alguns comics online. Como “reboot” é um falhanço completo! Apesar de ostentar um “1” na capa e lombada, é tudo menos um recomeço. Posso dizê-lo com propriedade: este título não foi sujeito a “reboot”! Posso entender este livro como uma sequela a “Batwoman: Elegy”, e apenas isso.
Este livro tem J.H. Williams III na arte e nos textos, embora aqui conte com a colaboração de Haden Blackman, mas… sente-se bastante a falta de Greg Rucka! O argumento não chega ao brilho do livro anterior, infelizmente! Não que J.H. Williams III tenha feito um mau trabalho nos textos, mas quem leu “Batwoman: Elegy” vai perceber a diferença.
É minha opinião que J.H. Williams III está a compor o cenário para um “plot” futuro mais firme, pelo menos tenho fé nisso. Existem vários indicadores no livro que me levam a pensar exactamente isso, e a presença de Batman irá ajudar com certeza! De resto as pequenas falhas de argumento são facilmente perdoadas neste livro…
E é assim que começa o livro. Com Batman a fazer trabalho de detective para descobrir a identidade da Batwoman, chegando à conclusão com margem mínima de erro que será Kate Kane (mas isso já nós leitores sabíamos). Batman espia Batwoman para perceber se esta será uma boa contratação para o grupo Batman Inc. analisando a sua capacidade de combate em situações de inferioridade. E Kate acaba por merecer um encontro provocado pelo próprio Batman, com o respectivo convite para as fileiras de Batman, depois de dar uma coça na seita “Religion of Crime”.
Como é sabido dos livros anteriores (ver Batwoman: Elegy e 52), o ambiente onde se move a Batwoman está muito ligado ao oculto, ao submundo sobrenatural e forças místicas. Este livro não escapa disso, e Kate está a mãos com um mito urbano: La Llorona!
É um bom ponto de partida para uma estória deste género, uma bela mulher que afoga os seus filhos para estar com o homem que ama. Quando é rejeitada por este suicida-se mas é-lhe negada a entrada no reino Celeste, e Maria é condenada a vaguear pela Terra, chorando os seus filhos, e afogando no processo filhos de outros…
Batwoman investiga o desaparecimento e afogamento destas crianças, ao mesmo tempo que a namorada: a detective Sawyer.
Este é o primeiro “sub-plot”. Outro dos alvos de investigação desta detective é precisamente saber quem é a versão feminina de Batman, ordens do Comissário Gordon!
Mas existe mais gente interessada nesta vigilante, e não olham a meios para o conseguir: um grupo de “black ops” chamado Department of Extranormal Operations (D.E.O.). Este grupo já tinha perseguido Batman pelas mesmas razões… mas desistiram!
Depois temos a vida pessoal de Kate Kane como “socialite”, graves problemas com o pai (ver Batwoman: Elegy), e por fim afasta a prima de sidekick por conselho de Batman!
Não é fácil a vida de Kate Kane!
O argumento não está mal e tem condições para subir, o problema está no excelente livro de abertura desta heroína a solo! Não sei qual a razão que levou Greg Rucka a sair do projecto, mas paciência… de qualquer modo é visível que J.H. Williams III ama esta SUA personagem.
Guardei para o fim aquilo que não tem palavras. Aquilo que faz um leitor amar esta personagem, e não, não é por ela ser lésbica assumida (“proud lesbian”), é a arte de J.H. Williams III!
Amazing!
Podem mandar-me para a fogueira por dizer isto, mas este artista criou um estilo visual único! Talvez a evolução dos comics de super-heróis passe por esta renovação do “storytelling”. As suas páginas são únicas, dividindo-se em páginas duplas completamente loucas de concepção e acção. A cabeleira ruiva de Kate Kane marca o ritmo visual de toda a acção, seja como Batwoman, ou como Kate Kane, está sempre presente.
J.H. Williams III usa dois registos visuais bem diferentes, um para a Batwoman, outro para Kate Kane. O primeiro é de prender o fôlego, o segundo mais contido e mais claro para podermos respirar antes de novos painéis de delírio visual. Kate Kane neste registo apresenta-se muito branca, fazendo realçar o seu cabelo absolutamente vermelho, com lábios a condizer e os olhos sombreados de cinza escura… não há como evitar não amar esta personagem.
Só por isto este livro é aposta ganha, e a estória só vai melhorar para o futuro. Como se costuma dizer, os dados foram lançados no fim do livro, e a partir daqui penso que a velocidade e interesse do “plot” vai subir!
O Leituras de BD aconselha este livro, mas também aconselha a compra inicial de Batwoman: Elegy!
Boas leituras.
Hardcover
Criado por: J.H. Williams III e Haden Blackman
Editado em Junho de 2012 pela DC Comics
Nota: 9,5 em 10























































