Não sei qual é o plano editorial para este ano da BD Mania, mas este livro arrisca-se a ser um dos melhores lançamentos deste ano em Portugal!
Embora digam que é um livro para leitores com uma certa maturidade, pois tem cenas bem violentas, parece-me que os nossos pré-adolescentes não perdiam nada se o lessem, pelo contrário, teriam muito a ganhar. Já que jogam GTA e vêem filmes com litros de sangue, acho que esta fábula lhes mostraria, metaforicamente, outra parte da guerra.

O contexto espacial e temporal desta fábula é Bagdad, Iraque, durante a invasão dos Estados Unidos da América em Março de 2003, já durante da fuga do ditador Saddam Hussein. As bombas rebentam por toda a cidade de Bagdad e acabam por libertar os animais do Jardim Zoológico local. Aqui, quatro leões se põem em fuga pela outrora bela Bagdad, agora completamente devastada pelos bombardeamentos dos EUA.
A cidade é mostrada vazia de personagens humanos, sendo os mortos os únicos que aparecem em algumas vinhetas. O grupo de leões também não foi escolhido à toa... uma fêmea velha e cega de um olho (Safa), uma fêmea nova que anseia, acima de tudo, pela liberdade (Noor), um macho reticente (Zill) e uma pequena e inexperiente cria (Ali).
Esta não é uma história simplista! Conta aquele conturbado período que antecede a invasão por parte dos EUA, mas do ponto de vista dos leões. Estes envolvem-se em muitas discussões sobre o que se vai fazer a seguir, visto que todos eles têm pontos de vista diferentes. Não são só os leões a serem antropomorfizados... outros animais intervenientes são-no também.
A fábula faz-nos sentir bem o preço da liberdade e a perda de entes queridos. O autor consegue ser isento ao longo da história, nunca tomando partido por ninguém, antes, mostrando todos os conflitos morais e necessidades físicas pelas quais o grupo passa. De notar que o título original tem um duplo sentido: Pride of Bagdad! "Pride" tanto pode ser traduzido como "orgulho" ou como "família" ou "grupo" de leões. Não vou contar a fábula, porque esta é para ser lida e assimilada com a excelente arte que possui e faz com que este conto passe para um dos meus livros de eleição.
A história é contada por Brian K. Vaughan, conhecido na 9ª Arte por ser o autor de "Y, the Last Man" e "Ex Machina", e é muito bem conseguida, dura e bela quanto chegue. Nunca demonizou os soldados Norte-Americanos, antes sempre mantendo um discurso neutro, embora com conflitos sempre presentes. É uma excelente fábula contada por animais!A arte, do até agora desconhecido para mim Niko Henrichon, é "fabulástica", e transporta-nos directamente para Bagdad e arredores! Aquela paleta de cores acrescida de um traço muito bonito, dá vida ao conto de Vaughan! Muito bom!
Também é uma bela edição, pois a BD Mania editou a versão capa dura da Vertigo!
Depois disto tudo, só me resta recomendar vivamente este livro para toda a família!
Nota: tenho de referir alguns prémios desta publicação:
- Obra vencedora dos prémios Harvey 2007 para "Melhor Álbum Original"
- Eagle 2007 para "Álbum Favorito"
- Nomeada para o Harvey 2007 na categoria de "Melhor História"
- Eisner 2007 na categoria de "Melhor Desenhador"
- Shuster 2007 para "Melhor Artista Canadiano
Hardcover
Criado por: Brian K. Vaughan e Niko Henrichon
Editado em 2008 por BD Mania
Nota : 10 em 10






































