quarta-feira, 8 de abril de 2015

Lançamento Levoir: Colecção Novela Gráfica - O Livro do Mr. Natural



Eu admiro Robert Crumb. Daí este ser um dos livros que eu mais quero desta colecção!
Embora eu ache que este livro não é um romance gráfico, ou novela gráfica, achei importante que o tivessem incluído nesta colecção.

Fiquem com toda a informação da Levoir, e muitas páginas:




O LIVRO DO MR. NATURAL
Robert Crumb



Robert Crumb é um dos maiores nomes da banda desenhada americana, e um pioneiro do movimento dos comics alternativos e "underground". Alternativos por serem diferentes das revistas das editoras que dominavam o panorama dos comics de então, quase exclusivamente dedicadas aos super-heróis, e muitas vezes mesmo por serem auto-publicados. E "underground" pela escolha dos seus temas, muitas vezes subversivos e chocantes para a América da época, frequentemente criados sob a influência do LSD, e que obrigavam a que estas revistas fossem distribuídas por vezes de modo clandestino. Criador de personagens tão icónicas como Fritz the Cat ou Mr. Natural, Robert Crumb foi distinguido em 1999 com o Grande Prémio do Festival de Angoulême, e continua a ser um dos artistas de banda desenhada mais controversos da actualidade.

Nascido em 1943, Robert Crumb, para além de autor de banda desenhada, é também um talentoso músico, com uma predilecção particular pelo jazz e folk. O seu trabalho foi inicialmente publicado em várias revistas da época, a Help! (publicada pelo célebre Harvey Kurzman, que deu o seu nome aos famosos prémios profissionais de BD nos EUA, os Harveys), na Cavalier, em cujas páginas se estreou em 1967 a sua mais célebre criação, Fritz the Cat, e na revista Yarrowstalk, onde se estreou o Mr. Natural. Em 1968 lança a Zap Comix - cujos primeiros números foram impressos pelo célebre Charles Plymmell, poeta, escritor e artista gráfica da geração beat, que viveu na mesma casa com Allan Ginsberg, e que conviveu com alguns dos grandes desse movimento, como William Burroughs e Clay Wilson - publicada por Don Donahue, um editor (Apex Novelties) que foi praticamente o fundador do movimento underground comix. Muitas das mais icónicas personagens de Crumb foram criadas sob o efeito de LSD, que tomou regularmente durante os últimos anos da década de 1960.

O primeiro número da Zap foi vendido pelas ruas de São Francisco pelo próprio Crumb, e pela sua mulher Dana, com o stock empilhado dentro do carrinho de bebé desta última!  A revista viria mais tarde a acolher muitos outros artistas da cena underground, como Spain Rodriguez, Rick Griffin ou Gilbert Shelton, para citar apenas alguns. A revista trazia na capa do primeiro número a menção "Fair Warning: For Adult Intellectuals Only", uma etiqueta que se poderia aplicar a muito do trabalho de Crumb ao longo dos anos. Como curiosidade, podemos também referir que os dezasseis números da revista, editados ao longo de muitos anos (a sua periodicidade era notoriamente irregular...), venderam muitos milhões de exemplares no total.

Depois da fase dos underground comix, Crumb evoluiu para comics mais auto-biográficos - mas nem por isso menos controversos, e que lhe valeram inúmeras acusações, de misógino e pervertido sexual, até racista, por causa da maneira como muitas vezes representava as mulheres e os afro-americanos nas suas histórias  geralmente publicadas numa revista nova que lançou em 1981, e que durou até 1993, chamada Weirdo. A evolução de Crumb era visível, esta revista foi fundada após uma sessão intensa de meditação (e não de LSD!), inspirada por uma tendência mais punk, mas nunca atingiu a popularidade que a Zap tinha atingido.

Ao longo dos anos, Crumb notabilizou-se por muitos outros trabalhos e controvérsias. Ilustrou muitos dos números de American Splendor, de Harvey Pekar, foi objecto de um documentário em 1994, realizado por Terry Zwigoff (um documentário que ganhou o Festival de Sundance, foi aclamado universalmente como um dos melhores documentários daquele ano, e que fez com que a Academia redefinisse o processo de nomeação de documentários, tal foi a indignação por Crumb não ter ganho o Oscar). Crumb instalou-se desde 1991 numa pequena aldeia do Sul de França, onde vive desde então quase como um eremita. Criou uma versão do Livro do Génesis em banda desenhada em 2009, e mais recentemente voltou a surgir no centro das atenções com o cartoon que ilustrou por ocasião dos atentados do Charlie Hébdo em Paris.

Robert Crumb ganhou inúmeros prémios ao longo da vida: em 1991 entrou para Will Eisner Comic Book Hall of Fame, e em 1999 ganhou o Grande Prémio do Festival de Angoulême. 

O Mr. Natural foi uma das primeiras personagens recorrentes que Crumb criou, e uma das mais... "mistificantes"! Mas quem é o Mr. Natural? Guru místico que renunciou ao mundo moderno e artificial, charlatão que explora a ingenuidade dos seus seguidores, ou sábio com poderes paranormais, uma honestidade desarmante e... uma paixão pela mulheres? Com esta personagem, Crumb vai satirizar de modo feroz, quer a contra-cultura dos anos 1960, quer a modernidade consumista e superficial.



























Nesta antologia do célebre guru, os leitores portugueses poderão descobrir algumas das mais icónicas histórias da personagem, publicadas em várias épocas. Entre elas, podemos assinalar algumas que são particularmente relevantes. Assim, "Mr. Natural encontra-se com Deus" (e a sua segunda parte, "Mr. Natural leva um pontapé no cu"!), em que é expulso do Céu (e perseguido por Deus depois) por dizer que "o Céu é piroso" é uma das mais conhecidas e divertidas histórias do místico maluco. Poderemos também ler a "Origem do Mr. Natural", perdão, de Fred Natural, uma divertida biografia que Crumb escreveu para o número 1 da revista Mr. Natural. Chamamos a atenção também para uma das mais escandalosas (e controversas) histórias que Crumb escreveu, a que envolve Mr. Natural com a famosa Big Baby, a Bebé Grande, que prova que mesmo os gurus mais adoráveis podem ser ambíguos e complexos, sobretudo quando expressam as divagações e repressões do seu autor.




























Para retomar as palavras do crítico Craig Hill, "Mr. Natural representa o superego, o melhor da natureza humana - independência e autoconfiança, compaixão, um sentido do eterno  e da universalidade. No entanto, os acontecimentos desta história ["Mr. Natural em A Vadiar... de Novo!"], mostram que é óbvio que ele é tão vulnerável aos excessos do id como qualquer outra pessoa. Como personagem notável e complexa de banda desenhada, Mr. Natural fará com que os leitores se sintam divertidos ou envergonhados - ou ambos ao mesmo tempo - durante gerações." E a própria capa deste comic, que é reproduzida neste volume, endereça essas preocupações do autor com a ilustração de Mr. Natural e da Bebé Grande a dançar, enquanto a legenda proclama, "Não se preocupem! Acreditem ou não, ela tem mais de dezoito anos!", numa história que na altura deixou muitos dos leitores de Crumb espantados e chocados.



E finalmente, o leitor poderá ler uma das mais longas e "sérias" histórias de Mr. Natural, em que o próprio autor aparece para justificar o facto de a sua personagem ser exilada para um hospício (mandada internar por um dos seus mais antigos seguidores, Flakey Foont, que representa também em certa medida o próprio Robert Crumb), num verdadeiro discurso fúnebre que marca também a evolução do próprio autor. Saindo da sua fase psicadélica, Crumb enveredaria por outros caminhos na BD, e parece ter querido "enterrar" esta sua criação de uma maneira óbvia. Nunca o fez definitivamente, Mr. Natural ressurgiria em histórias posteriores (incluindo no célebre ciclo da Devil Girl, cujos materiais não estavam disponíveis para integrar esta antologia), mas ficou algum desencantamento de Crumb pela via pela qual o mundo moderno parecia estar a enveredar, pela desaparição dos espaços naturais, dos pequenos negócios e bandas de música locais. Mr. Natural sempre representou um ideal muito individualista e de auto-suficiência, mas não do tipo que identifica o sucesso com a acumulação de riquezas, poder, status, bens materiais e destruição da Natureza.



























Por mera curiosidade, podemos referir que existe um Mr. Natural REAL! Este indivíduo, ele próprio um membro proeminente da contra-cultura dos anos 60, afirma ter sido uma das inspirações para a personagem, e mudou legalmente o seu nome para Mr. Natural, com autorização do próprio Crumb. Ainda hoje vive em São Francisco, onde ensina música (www.mrnatural.net). E que guru místico não se viu envolvido num escândalo de pornografia? Pois fiquem a saber que Mr. Natural foi estrela de um filmo porno (não-autorizado!) chamado Up in Flames, onde contracenou com os Fabulous Furry Freak Brothers (estes últimos também personagens de BD famosos criados por Gilbert Shelton).
Poderão ver aqui uma série de podcasts com Robert Crumb, pesquisando por este título: 
John's Old Time Radio Show with Robert Crumb

E uma série de ilustrações da sua mais recente obra, O Livro do Génesis: 
http://www.nytimes.com/slideshow/2009/10/18/arts/20091018-SALK_index.html 

E o Mr. Natural foi para o museu, como tema, não como visitante, como poderão ver neste artigo do New York Times: 
Mr. Natural Goes to the Museum

http://www.nytimes.com/2008/09/05/arts/design/05crum 

O Livro do Mr. Natural 
Formato: 21 x 27cm, capa dura, 128 pgs, preto e branco.

Boas leituras

terça-feira, 7 de abril de 2015

Anicomics 2015 - Lançamento Kingpin Books: Casulo (Entrevista a André Oliveira)


O esperado livro que colecta várias histórias curtas de André Oliveira vai ser lançado durante o 6º Anicomics, já no próximo dia 11 de Abril.

Conta com a participação de muitos autores portugueses conhecidos e consagrados, assim como de outros menos conhecidos.
Fiquem com a informação da editora, algumas páginas e logo a seguir uma entrevista que fiz ao André Oliveira no âmbito do lançamento deste livro no Anicomics.

CASULO
Curtas de BD de André Oliveira com Vários Artistas

Um casulo é um espaço de transformação e experiência, uma espécie de tubo de ensaio que antevê resultados surpreendentes. Este não é excepção. Uma antologia de histórias curtas em banda desenhada, escritas pelo argumentista André Oliveira (Hawk, Tiras do Baralho!, Living Will) e ilustradas por 26 autores nacionais, publicadas mensalmente na revista CAIS e no site de BD aCalopsia.

Casulo sugere uma viagem por diversos temas e estilos literários e artísticos, dos universos mais pessoais e poéticos aos humorísticos. Uma edição Kingpin Books, com prefácio de Mário Freitas e arte de: Pedro Brito, Carlos Páscoa, Ricardo Venâncio, Ricardo Cabral, Pedro Cruz, Paula Almeida, Jorge Coelho, Ricardo Reis, Marta Teives, Ricardo Drumond, André Caetano, Susana Carvalhinhos, Inês Galo, Xico Santos, Pepedelrey, Sónia Oliveira, Joana Afonso, Pedro Potier, Sérgio Marques, Osvaldo Medina, António Silva, Ana Oliveira, Pedro Carvalho, Pedro Ribeiro Ferreira, Carla Rodrigues e Nuno Lourenço Rodrigues.

Lançamento este sábado, 11 de Abril, às 14h30, no auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras, durante a 6ª edição do AniComics Lisboa.

Nota: O livro será publicado em capa dura, 64 páginas e custará 16,50 € (preço de lançamento 14,99 €).

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Entrevista a André Oliveira



Olá André!
Olá Nuno. ;)

Como surgiu este projecto “Casulo” na tua mente?

O nome Casulo já tinha sido antes utilizado por mim, tanto num blog que acabou por ser descontinuado como na “rubrica” que estas curtas de BD ocupam no site aCalopsia. Foi um nome que sempre associei a este projecto, talvez porque é um espaço que me permite testar e amadurecer ideias e colaborações, um ensaio de transformação e trabalho essencialmente. À medida que ia escrevendo e o conjunto de bandas desenhadas ia ganhando forma, fui-me apercebendo que podia ser algo mais do que uma sequência de peças singulares. De certa forma, acaba por ser uma representação interessante da minha forma de pensar e de um percurso que fui desenvolvendo ao longo dos últimos anos.

Quando se formou este projecto estavas a pensar que um dia iria ser publicado um livro colectando todas estas histórias?

Lembro-me que foi o Jorge Coelho a incentivar-me a criar um blog para ir colocando as bandas desenhadas que ia fazendo para a CAIS (isto além de as publicar na minha página pessoal). Julgo que isso foi determinante para começar a sentir o projecto como algo consistente e uniforme, que não tinha necessariamente de acabar com a revista. Depois, dada a minha relação próxima com editores, foi aparecendo algum interesse na publicação do livro e a ideia foi ganhando forma na minha cabeça. A dada altura, já a coisa só fazia sentido com este desfecho.

Visto teres trabalhado com 26 artistas diferentes para ilustrar as tuas histórias, como os escolheste? Já tinhas pensado qual era o desenhador exacto para cada história, ou simplesmente foste convidando até teres um desenhador para cada história numa escolha aleatória?

Eu faço sempre os convites mês a mês e só escrevo quando tenho o ilustrador confirmado. Gosto de criar com o estilo do autor em mente, porque isso também me permite estimular a minha criatividade num certo sentido e abordar um ou outro tema específico. Os convites variam, às vezes pessoas que estão muito próximas de mim e a quem posso chamar amigos, outras vezes autores que conheço menos bem mas que aprecio o trabalho. Posso dizer que os dois únicos factores de selecção são o meu gosto pessoal e se o ilustrador é ou não cumpridor (nunca falhei com o prazo de entrega, quem me conhece sabe que detesto fazê-lo e por isso só consigo contar com quem acredito que não vá falhar).

Como surgiu esta parceria com a revista Cais? (Para quem não sabe, a revista Cais é inspirada na revista inglesa The Big Issue, de intervenção social onde participam pessoas em situação de carência económica e social, como os denominados “sem abrigo”. Tem um custo de 2€ dos qual reverte 70% para o vendedor.)

A minha colaboração com a CAIS remonta à Trienal Movimento Desenho 2012 e à minha participação como comissário. Nessa altura, organizei o evento BD ao Forte, co-editei a Zona Desenha (foi a minha última) e passei a escrever mensalmente para a revista, assumindo o compromisso de editar um ilustrador diferente todos os meses (com algumas excepções dado que havia histórias que começavam num número e acabavam no seguinte, coisa que já não vou poder fazer por questões editoriais). A única iniciativa que continua desde essa fase é precisamente a colaboração com a CAIS, dado que entretanto deixei a Zona e desisti de fazer mais edições do BD ao Forte. É algo que faço com muitíssimo gosto, não só porque me permite contribuir para um projecto social que admiro e respeito, como não me deixa cair no marasmo como argumentista e criador.

Foi fácil trabalhar com tantos artistas diferentes, sabendo que cada um deles tem a sua personalidade e o seu estilo gráfico?

Fácil nunca é nem poderia ser. Mas, para o bem e para o mal, não faz parte da minha personalidade procurar o fácil em ocasião alguma. A minha cabeça, tal como a de todos, não pensa sempre da mesma maneira, não está sempre no mesmo comprimento de onda. Pela mesma ordem de ideias, as histórias que quero contar são todas diferentes e têm representações gráficas distintas. É também por isto que me recuso a desenhar os meus próprios argumentos (além de ser extraordinariamente incompetente, apesar de haver quem diga que não)... Sou muitíssimo limitado a desenhar e a imaginação não tem limites. Preciso de criar sempre de maneira diferente, com imagens, cores e formas variadas, mas isso leva-me a repensar-me e a reconstruir-me constantemente (isto embora haja um cunho próprio transversal).

Não conheço nenhuma história do livro, portanto esta pergunta pode ser a de outros. As histórias seguem uma linha coerente, ou são simplesmente histórias curtas sem ligação nenhuma entre elas?

Acho difícil que não conheças de todo, provavelmente já passaste os olhos por uma ou outra mas não tens presente. Digo isto porque tenho publicado as curtas online e muitos blogs e sites já partilharam algumas delas. No entanto, e para responder à tua pergunta, não existe nenhuma ligação. O único fio condutor, por assim dizer, sou mesmo eu e a minha criatividade (por isso aceitei que o meu nome e cara, embora distorcida, estivessem na capa do livro).
(Nota: Provavelmente conheço algumas histórias, mas não sei exactamente o que englobaste no livro... :D )

E a capa, quem desenhou a capa deste livro?

A autora da capa foi a Marta Teives (com quem fiz uma das curtas, dedicada ao meu avô) com edição do Mário Freitas. Aliás a ideia foi essencialmente do Mário e ambos acompanhámos o processo.

Já li que querias que este fosse o primeiro de vários “Casulo”, e que a tua intenção era de que fosse sempre com artistas diferentes. Não achas rapidamente vais esgotar o leque de desenhadores possíveis, visto que neste primeiro “Casulo” já estão 26. Para além disso não achas que haverá uma altura em que a qualidade poderá baixar devido a ficares futuramente sem escolhas?

Recentemente fiz uma lista de autores que ainda gostaria de convidar e posso dizer que nesse âmbito estou tranquilo. Há ainda muitas opções e a tendência é para que a lista aumente porque há sempre novos ilustradores a aparecer. Não tenho nem nunca tive problemas em trabalhar com autores mais novos, por isso julgo que ainda faltará muito tempo até ficar sem colaborações. De resto, eu tenho feito uma gestão nos convites, tenho falado com autores mais conhecidos e também com os emergentes. Só neste livro temos o Pedro Brito, a Joana Afonso, o Ricardo Cabral e o Jorge Coelho mas também temos o Nuno Lourenço Rodrigues, o Sérgio Marques, a Inês Galo e o António Silva. Enfim, essa gestão vai continuar e de qualquer maneira, como já disse, só consigo convidar quem considero talentoso. É sempre uma opinião pessoal mas é um critério, portanto se me deixarem continuar a fazer isto podemos contar com uma colecção consistente desde o primeiro volume.

Projectos para o futuro, já os tens a fermentar dentro da tua cabeça?

Mais do que fermentar na cabeça, está tudo à vista (ou pelo menos vai estar muito em breve). Não me vou alongar muito porque nem tudo está nas minhas mãos e às vezes dá asneira... Além disso há editoras envolvidas e não convém estar a falar antes de tempo, mas para já posso confirmar o Living Will 4 (desta fez com arte do Pedro Serpa que fará também o 6, a Joana fará o 5 e o 7), o Gentleman 1 (arte do Ricardo Reis), ambos da Ave Rara, para Beja. E o VIL – Fado do Assassino (arte do Xico Santos) pela Kingpin para a Amadora. Há mais, muito mais, mas vou falando aos poucos.

Como este teu livro vai ser lançado durante o 6ª Anicomics, pergunto… como sentes este evento?

É um evento pelo qual tenho carinho não só porque é organizado por gente trabalhadora, dedicada e amiga mas também porque é um sítio onde sempre fui bem tratado. A gratidão, na minha ideia é uma qualidade importante, e por isso estou sempre disponível para colaborar tanto com o Anicomics como com o Mário. No entanto, não sou propriamente o público-alvo e quanto mais o tempo passa, esse gap torna-se cada vez mais evidente. Mas é com gosto que tenho visto o festival crescer, ganhar protagonismo e entusiasmo, e só espero que isso continue. É cada vez mais um evento importante, de visita obrigatória.

Queres deixar alguma mensagem aos leitores do LBD?

Um abraço a todos e vemo-nos no Anicomics!


Obrigado André!
Obrigado eu. ;)




O Leituras de BD apoia e recomenda o Anicomics


Boas leituras

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Capas Imaginárias: ...e se a DC criasse capas com heróis Marvel nos anos 60? (Ilustrações por Kerry Callen)



Kerry Callen é um conhecido cartunista que adora brincar com os super-heróis da Golden Age, especialmente os da DC Comics. Alguns dos seus cartoons tornaram-se virais na internet  como aquele do " This a job for... (Crap! I´not wearing my costume)" com a Wonder Woman.






















Convido-vos a divertirem-se com o sentido de humor deste cartunista, desde capas imaginárias, a simples páginas em que ele próprio se diverte com os super-heróis da Golden Age.
No seu blogue podem ver muito mais:
http://kerrycallen.blogspot.pt/













































































Boas leituras

Animação: Jinxy Jenkins, Lucky Lou


Uma deliciosa curta metragem!

Este foi o trabalho de Michelle Kwon e Michael Bidinger para a sua graduação final no Ringling College of Art and Design. Não sabendo disto é difícil acreditar que esta animação foi feita por dois estudantes!

São quase 4 minutos de "comédia romântica" em que o sempre azarado Jenkins encontra a monotonamente sortuda Lou, fazendo uma incrível viagem num carrinho de gelados.
Os pólos contrários atraem-se, certo?
:D





Vejam o filme em modo full screen, a qualidade do vídeo dá aumentar :)

Boas leituras

sábado, 4 de abril de 2015

Ilustração: Asterix por Tom Fowler



Uma das recriações de Astérix e Obélix mais brutais na minha opinião!
Sem dúvida com um ar bem mais sombrio e agressivo que as personagens originais de Uderzo!

Para quem não sabe, no dia 22 de Outubro deste ano vai sai sair em edição mundial mais um livro desta mítica série: O Papiro de César

A história e o desenho da nova história são de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, novamente. Já tinham sido estes a desenhar e escrever o número anterior “Astérix entre os Pictos“.




Boas leituras

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Lançamento Goody: Disney em Abril



Mais um mês de Disney nas bancas. Confiram todas as publicações da Goody referentes ao universo Disney em Portugal! Publicações, preços, datas e nº de páginas, está aí tudo em baixo :)

Em abril… Bandas desenhadas mil! É esse o lema que podes seguir neste mês recheado de boa banda desenhada Disney. Começamos no dia das mentiras, passamos pela Páscoa e acabamos em grande com a BIG! Podes acreditar… Este mês tem BD divertida, garantidamente!

COMIX
O cabaz de boas histórias começa com a Comix #122! Em plena Páscoa, o Donald e o Tio Patinhas trazem-te uma edição super!!! Isto porque o Superpato e o Superpateta estão presentes com dois episódios extraordinários! Presencia a aventura em que o Superpato tentará correr contra o tempo para conseguir preservar a sua identidade em Superpato e a corrida contra o tempo e saboreia a história onde o Superpateta fica a cargo de um estranho objeto caído do céu, que é muito parecido a um ovo de chocolate da Páscoa… Falamos de Superpateta e a surpresa A/P!

A seguir chega a Comix #123, com o Mickey a dar banho à foca, para espanto do cão! O Pluto bem parece querer avisar o Mickey para a presença deste novo amigo, mas o teu rato preferido parece estar completamente alheado disso! Mickey e a foca é mesmo muito divertido! E como os filmes 3D estão cada vez mais em voga, o Donald decidiu aderir à moda e protagonizar uma história de relevo! Donald e o tridimensional sensacional vai sobressair!

Com a Comix #124 vai regressar um dos personagens preferidos dos fãs de BD Disney. O seu nome é Duck… Doubleduck! É verdade, o agente secreto de Patópolis regressa com Unknown! Já sabes que estão garantidos os “twists”, a emoção e a imprevisibilidade! Mas nem só de missões incríveis se faz esta edição! Também vai haver espaço para a aprendizagem! A história de arte é vasta e muito interessante e o Mickey vai ser o professor ideal, mesmo que alguns factos sejam (ligeiramente) alterados! A história de arte do Mickey – Pateta della Francesca e o retrato da conspiração vai ser de artista!

Como estamos na senda das personagens que os fãs mais adoram, a Comix #125 vai destacar o… Pateta Repórter! O jornalista dos anos 30 embarca numa aventura exótica, na procura de um artefacto raro! Fica a saber tudo em Pateta Repórter – A pluma de ouro! E quem diria que o Donald é especialista em flores?! É verdade! Chega mesmo ao ponto de as conseguir hipnotizar com os seus dons transcendentes! Não acreditas??? Isso é porque ainda não leste Donald – Maestro floral, presente também na edição nº125. 

Para acabar o mês em grande, na Comix #126, o Tio Patinhas parte em mais uma aventura em busca de um bom negócio, sendo que, desta vez, terá o auxílio não do sobrinho preguiçoso mas da… Margarida!!! A pata destemida aposta no mundo da blogosfera e procura episódios interessantes para partilhar em Margarida e Tio Patinhas – Viajantes sem rede! Quem tem umas férias merecidas em Itália é o Mickey! Tudo parece estar a correr bem, na companhia da Minnie, mas quando surge um caso misterioso, o teu herói não vai resistir e faz-se à aventura em Mickey e a promessa do Gato!

Comix é mesmo a BD que todos querem ler!!!

HIPER #29
Esta Hiper vale uma fortuna! O Tio Patinhas nem parece estar incomodado com a presença dos Metralha, tal é a qualidade desta edição! E é justamente com o tio mais avarento de Patópolis que começamos esta viagem épica pelos quadradinhos mais divertidos de Portugal! O Tio Patinhas parece estar lançado para mais um negócio espetacular, mas acaba por ser vítima de uma grande trapaça! Ou será que a história não acaba por aí??? Bem, o melhor é leres Tio Patinhas e o colossal embuste para saberes mais!

E em Anderville o ambiente continua pesado… O Mickey prossegue a sua senda na investigação e deslinda os mais difíceis casos, mas os obstáculos são mais que muitos. Desta feita, é montada uma… Ratoeira!!! Não percas Mousetrap, que te vai deixar agarrado até à última página! Mas não é só o rato detetive que está em perigo… Há um certo pato com várias identidades que vai defrontar um difícil adversário. Falamos do Superpato, claro! O Donald enfrenta um novo némesis, que tem a peculiaridade de se deslocar no tempo… Avizinha-se uma missão muito difícil para o nosso herói, em Quando sopra o vento do tempo. Força, Superpato!!!

Para os mais saudosistas temos um novo episódio do Mickey com o incrível Atomino Bip Bip! Desta feita, o pequenino companheiro do Mickey inventa uma máquina incrível que consegue suspender a gravidade de qualquer objeto. O problema é que essa genial invenção pode cair nas mãos erradas… É preciso muito cuidado em Mickey e o Bip Bip-15!

Estas e muitas outras histórias na tua Hiper! Porque com a Hiper, a banda desenhada é ao quadrado!

BIG #8
Será que consegues descobrir o que está para lá da capa da BIG #8? Nós ajudamos-te! O Mickey já pegou numa lanterna, mas parece algo baralhado! É que há um eterno inimigo mesmo atrás de si e ele parece não perceber isso… É justamente à batalha eterna entre Mickey e o pérfido Mancha Negra que dedicamos este primeiro capítulo! Mickey Vs. Mancha Negra vai conter algumas das batalhas mais imperdíveis, como é o caso daquela que ocorre em Mickey e o protótipo futurista, escrita por Carlo Panaro e desenhada por Giuseppe Dalla Santa! 

Há um ditado que resume na perfeição a temática do 2º capítulo: Amigos, amigos… Negócios à parte! Se há coisa que sempre afetou os humores do Tio Patinhas e do Donald, são os negócios do primeiro… É que, invariavelmente, para que o Tio Patinhas faça um bom negócio, o Donald é sempre enviado para sítios inóspitos que lhe trazem, normalmente, algumas dificuldades… Será esse o caso em Donald e as lentilhas da Babilónia? Muito provavelmente. 

E por falar em Donald… Sabias que um dos primeiros empregos do Donald foi o de jornalista? É isso que te mostramos em Patos jornalistas, na clássica história Donald – Enviado especial! São reportagens fantásticas a não perder!

Depois partimos para outros mundos e para outras histórias. Certamente tens acompanhado aquilo que se tem passado com o Mickey no fictício mundo de Anderville, nas últimas Hiper. Pois bem, aqui tens o início de tudo. Anderville vai situar-te neste novo mundo e é um ótimo ponto de partida para as outras histórias deste universo, se ainda não as começaste a ler. Não é por acaso que este capítulo recebe o nome De outros mundos. Donald há só um! 

Mas ele próprio tem muitas facetas. No último capítulo deste volume vais perceber isso mesmo. Numa das histórias aos quadradinhos, será um super-herói o protagonista! Superpato e a Bela Adormecida é só para os bravos!

BIG é muuuita banda desenhada!

E AINDA…
Carros #59 nas bancas!!! A lei e a ordem têm grande destaque na capa! Conhece os melhores amigos: o Xerife e o Red! Não percas as inúmeras histórias de BD, jogos e atividades e os carrinhos de oferta! Acelera já para as bancas! VRRRUUUUM!

INFO

CARROS #59
36 páginas
JÁ NAS BANCAS
€4,90

COMIX #122
130 páginas
01/04/2015
€1,90

COMIX #123
130 páginas
08/04/2015
€1,90

COMIX #124
130 páginas
15/04/2015
€1,90

COMIX #125
130 páginas
22/04/2015
€1,90

HIPER #29
320 páginas
24/04/2015
€3,90

BIG #8
512 páginas
28/04/2015
€4,90

COMIX #126
130 páginas
29/04/2015
€1,90







Boas leituras

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Lançamento Levoir: Colecção Novela Gráfica - A Arte de Voar



Saiu hoje o 6º livro desta colecção da Levoir, distribuida com o jornal Público. Uma obra muito premiada e conceituada de Antonio Altarriba e Kim (Joaquim Puigarnau) feita já aqui ao lado em Espanha.

Fiquem com a informação da editora e algumas páginas deste livro:

A ARTE DE VOAR


Nascido em 1910 em Espanha, António Altarriba, pai, atravessará o século XX e as suas horas mais negras, para se suicidar finalmente em 2001. António Altarriba, filho e argumentista deste livro, irá em busca da história dele, para poder contá-la e talvez conseguir perceber as razões do suicídio deste homem de 91 anos que tinha sobrevivido a duas guerras mundiais e a uma guerra civil. Mas mais do que simplesmente biografia gráfica, A Arte de Voar é um panorama brilhante do século 20 espanhol, desde os seus princípios rurais e quase feudais, até à modernidade cinzenta do pós-franquismo.

Na colecção Novelas Gráficas, este livro ocupa um espaço de relevo, por ser uma das grandes revelações mais recentes da banda desenhada do nosso país irmão, mas também por ser o primeiro representante de um género que tem vindo a tornar-se quase sinónimo com a novela gráfica, a novela gráfica biográfica. Mas foi também um dos livros que mais êxito granjeou no país vizinho, e que caiu como uma bomba numa Espanha que ainda hoje tenta fazer as pazes entre todas aquelas facções que a dilaceraram ao longo do século 20.

Antonio Altarriba Pai suicidou-se aos 91 anos, um acto que deixou Antonio Altarriba Filho em choque, e perplexo, e que o levou a procurar as razões deste suicídio aparentemente irracional e sem sentido. Descobriu cartas e textos escritos pelo seu pai, e aos poucos foi reconstruindo esta biografia, que se tornou também, de algum modo, autobiografia da sua busca dessa história da Espanha, e de uma ligação ao seu pai.

Antonio Altarriba, o argumentista deste livro, é um estudioso do comic - em Espanha, usa-se frequentemente o termo americano para designar a banda desenhada - romancista, ensaísta e argumentista de BD, com uma obra vasta, entre a qual destacaremos Tintin y el Loto Rosa, um "romance" com Tintin como personagem, e que lhe custou dissabores com os detentores dos direitos de Hergé, bem como alguns livros em colaboração com Luis Royo, nos anos 1980.

É secundado neste volume pelo desenhador Kim, pseudónimo artístico do catalão Joaquim Puigarnau, um dos grandes cartunistas e desenhadores da geração de ouro do comic espanhol adulto, e membro fundador da revista El Jueves uma das principais revistas satíricas espanholas - talvez a revista mais próxima ideológica e estilisticamente com a Charlie Hebdo francesa - com quem colabora desde 1977 (colaborou também com inúmeras outras revistas, desde as mais underground às mais mainstream, como Mata Ratos, Makoki, Rambla ou El Víbora). É particularmente conhecido pela sua série humorística, Martinez el Facha, de que a El Jueves já editou vinte colectâneas, e A Arte de Voar foi a sua primeira novela gráfica. Para se documentar e preparar os desenhos que representaram as diversas épocas, Kim não hesitou em comprar uma colecção de fotografias de Robert Cappa e... o seu primeiro computador!

"Uma história que se dirige, deliberada e definitivamente, de modo exclusivo, a um público mentalmente adulto, a leitores que não lêem apenas por diversão, uma história com a dimensão e textura de um grande romance"
- António Martín Martinez

Prémio Calamo 2009, Prémio Nacional da Catalunha (Comic), Melhor Obra, Melhor Argumento e Melhor Desenho de autor espanhol do Salão do Comic de Barcelona (2010), Prémio Nacional do Comic em 2010, Prémio Diário de Avisos, Prémio da Crítica nas Jornadas de Avilés nas categorias de melhor argumentista nacional e melhor obra nacional... é difícil exagerar o impacto que este romance gráfico causou em Espanha desde 2009, ano em que foi publicado.

Comparado e com justiça - quer no género, quer de certo modo em estilo, com obras como Maus de Art Spiegelmann, ou O Diário do meu Pai, de Jiro Taniguchi (que teremos ocasião de ler nesta colecção) - este verdadeiro romance chegou a ser pensado como novela não-gráfica, mas o seu editor de BD convenceu Antonio Altarriba a transformá-lo em novela gráfica, usando as cerca de 250 páginas que o seu pai tinha escrito para combater a depressão que se tinha apoderado dele no lar em que vivia. A Arte de Voar levou cerca de três anos a completar. Foi lançada em 2009, e como diz o autor Felipe Hernández Cava, surgiu "em plena efervescência desse oximóron a que se convencionou chamar memória histórica, como se a memória e a história não fossem contraditórias na sua arquitectura e filosofia, e no meio do auge da banda desenhada autobiográfica, praticamente convertida num subgénero".



























O júri do Prémio Cálamo não hesitou em dizer "A Arte de Voar rompe com moldes estabelecidos e géneros. Pela sua temática e enorme qualidade literária e gráfica, não hesitamos em afirmar que nos encontramos frente a um dos livros mais importantes publicados na última década".

O jornal El Pais publicou um extenso artigo sobre o livro, basta procurar por:
'El arte de volar', crónica del choque de utopía y realidad en la España del siglo XX


Tal como o El Mundo:
'El arte de volar', la memoria de la España triste hecha cómic

Uma pequena entrevista a Altarriba, no El Cultural:
Antonio Altarriba "Un comiquero es más voraz que un zombie"

E claro, uma de Kim, no mesmo jornal:
Kim "Es un privilegio que premien un trabajo tan vocacional"

A Arte de Voar
Formato: 17 x 24
Capa dura
208 páginas a preto e branco





Boas leituras

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Máquina do Tempo: JLI, sai a comédia entra a acção


Vou terminar aqui a minha viagem pela JLI, relembrando a parte final desta fantástica viagem de Giffen/DeMatteis, que deu uma outra alma aos comics e nos fez olhar de forma diferente para a banda desenhada com humor.

A divisão entre a Liga da Justiça América e a Europa continuava a acentuar-se, no número #36 da LJA tínhamos o G'nort em destaque, em conjunto com o "terrível" Mister Nebula que era uma espécie de Galactus designer, que gostava de remodelar os planetas mas de uma forma muito peculiar e demasiado colorida. Uma história com um humor muito mais ao género do DeMatteis, mas nem por isso pouco interessante, mas longe da qualidade que estávamos habituados. Na Europa, apelava-se um pouco ao dramatismo, com a aparição do filho de Metamorfo e a confusão toda que se gerou em torno disso, Os apontamentos de comédia estavam lá, mas não eram tão exagerados como o começo da JLI, o que até era uma coisa boa, assim não parecia uma cópia e a fórmula não cansava o leitor.

Depois de um crossover disparatado entre as duas equipas, por causa de um terrível gato que acaba adoptado pela Poderosa, vemos a saída do Gladiador Dourado (que forma uma equipa patrocinada pelas companhias chamada conglomerado) e tanto a LJA como a LJE começam a ter muito mais acção nas suas páginas, de forma bastante dramática e com bastante menos comédia.

Volta um grande vilão da antiga Liga, o Despero, que começa um rastro de destruição que dizima quase a equipa toda, destruindo J'onn com um ataque mental e mostrando respeito pelo Besouro Azul dizendo que tem das maiores mentes da equipa (algo que nunca se devia duvidar, mas que a comédia que ele se envolvia fazia outros pensarem o contrário), até que um Guy Gardner enfurecido e preocupado com os seus colegas, dá o troco e surpreende o vilão.

Do outro lado, a divisão europeia enfrenta uma perigosa equipa de super vilões de outra dimensão, chamada Extremistas, que apresenta uma crueldade que quem seguia as duas equipas não estava nada à espera.


A arte ajudava a esta mudança toda, Sears era muito competente e Hughes tinha uma forma de retratar as coisas que tornou tudo aquilo uma grande saga, algo que sinceramente era necessário para abanar o status quo da equipa. A aparente morte do Sr Milagre deu um impacto maior à coisa, com todos a realçarem que a equipa precisava de mais músculos, senão iriam continuar a acontecer tragédias destas.

Na Liga Europa a coisa não andava melhor, a ameaça nuclear que os extremistas lançaram sobre a terra foi uma ameaça credível e que fez com que a equipa se unisse e enfrentasse uma das suas maiores batalhas. Quando essa saga chegou ao fim, voltou a velha questão de não haver heróis europeus no grupo, dando azo a algumas situações ridículas como quando um empregado de uma das embaixadas decide tentar entrar para a equipa.

Guy Gardner e Gelo continuavam a alimentar uma possível relação, e Guy mostrava um lado mais humano, tendo direito até a ter um dos seus heróis, o exageradamente bonzinho General Glória. O humor ia aparecendo a espaços, mas cada vez mais havia mais acção e drama nas suas histórias, e o começo do fim aproxima-se quando Max é baleado e fica à beira da morte.

Por esta altura as duas revistas estavam quase interligadas, por isso havia uma grande comunicação entre os dois grupos e ambos sentiram muito este acontecimento. Pelo meio tivemos ainda a junção da antiga Liga da Injustiça, como a malfadada Liga da Justiça da Antártica, que no Brasil saiu num Superpowers bem divertido. Talvez as últimas grandes histórias de humor desta equipa criativa.

O fim da linha tinha chegado, ambas as equipas acabaram e voltaram algum tempo depois mas sem a mesma chama e sem o mesmo sucesso, entrando nos terríveis anos 90 e com a parte má que isso trouxe aos comics. Em todo o caso, todos deviam ler os primeiros anos da LJI, foi uma lufada de ar fresco e algo que continua ainda a fazer falta nos comics de hoje, nem tudo tem que ser sombrio e dramático.












































Podem ler os anteriores dois artigos sobre a JLI nos links em baixo:

Máquina do Tempo: JLI, os primeiros ano
Máquina do Tempo: JLI, o Espaço e a Europa nunca mais foram os mesmos

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