terça-feira, 28 de abril de 2026

Absolute Green Lantern Vol.1: Without Fear


 


“-… if I don’t know the rules, I don’t have to stick to them.”

Este era um título do qual iria ser difícil para mim escrever o que quer que fosse.

Quem me conhece do mundo Banda Desenhada sabe que o Universo dos Lanternas Verdes é o meu preferido nos comics norte-americanos. É o poder mais perfeito de todos na minha óptica… a força de vontade aliada à imaginação e inteligência, tudo unido a uma ferramenta: um anel esmeralda. E depois tem a parte sci fi de todo este mundo, são polícias intergalácticos!
Irresistível para mim! 😱

E ao mesmo tempo que eram um corpo espacial, uma equipa, a forte individualidade de cada um estava sempre presente, os próprios anéis dos Lanternas, fossem de que cor fossem do espectro da luz, eram todos diferentes pois reflectiam a personalidade do possuidor.
Então, depois da grande saga de Geoff Johns nesta franquia, em que colocou a fasquia num nível muito alto, tem sido difícil para mim pegar nestes heróis da DC.

Quando comecei a ler a este livro fui logo resmungando e remoendo entre dentes “- Áhh não…”, ou “- Really!?”, isto para não relatar aqui alguns impropérios dignos de uma peixeira na tropa.

Então desisti do livro a meio.
Isto é muito fora da caixa para um fã do arquétipo clássico do Lanterna Verde 🤷🏻

Deixei o livro em pousio agrícola durante dois meses e lá voltei a pegar nele com a mente bastante mais aberta a mudanças (radicais) nesta série, em relação à franquia clássica. Se o Universo Absolute é para ser diferente, escuro e daninho então tive de sair da caixa.
E pronto, este texto vai ser referente à minha segunda leitura do livro.

O que se passa aqui logo de caras é uma reinvenção do mito do Lanterna Verde.
Todos as personagens clássicas estão presentes, mas acabando por ter um papel inicial nesta história muito diferente. É uma mudança radical de todos os fundamentos em que o mundo clássico se apoia.

Relativamente à narrativa de Al Ewing vou separá-la em duas partes neste primeiro volume.
Ele escolheu Hal Jordan para incorporar algo como o Black Hand. Ou seja, o desgraçado no universo clássico já teve aquela fase do Parallax, e aqui acaba por incorporar também algo não muito bom, embora o conceito me pareça algo diferente.

Ewing junta vários Lanternas clássicos numa pequena vila do interior, são residentes neste local Hal Jordan, Guy Gardner, John Stewart e Jo Mullein. E aqui nesta 1ª fase conhece-se um pouco das personalidades destas personagens, que não são exactamente as mesmas que conhecemos, e aqui nesta vila dá-se um experimento alienígena.

Surge uma gigantesca Lanterna Verde pairando acima da vila, e um campo de forças é colocado de modo a impedir entrada ou saída de pessoas.

E aqui surge uma figura algo assustadora: The Abin Sur.
Sim, não o nosso Abin Sur, mas sim The Abin Sur, ou seja, não é um nome, mas um título. É um chato que quer julgar toda a gente com o moto be without fear, que, diga-se de passagem, foi algo que nunca percebi muito bem neste livro.
Quanto à descrição física desta personagem omnipresente em quase todo este livro, vamos falar depois, na parte do desenhador.

Basicamente temos o início de um horror space comic, e boa parte disto surge da mão esquerda de Hal Jordan colocando-o numa posição a beirar o vilão. Quanto a Jo Mullein, torna-se inadvertidamente uma poderosa Lanterna Verde (não vou dizer como), e deixa-me a pensar que a nível de artefactos de poder, neste caso os famosos Anéis de Lanterna, estão algo ausentes da história sendo substituídos, pelo menos no caso da Jo pelo seu anel de casamento.

Pronto, apesar dos saltos da narrativa esta primeira parte acabei por gostar bastante, toda a luta e perseguição entre Jo e Hal foi bastante boa, as interacções também estiverem bem.

Mas quando entram para dentro do monólito verde, que acaba por cair em cima da vila, torna-se tudo um pouco confuso. Personagens de mais, as cores não consegui entendê-las, e uma filosofia de Lanternas protagonizada por John e Guy que não achei fluida, achei como disse atrás, confusa.

Acho que Ewing poderia ter feito bem melhor naquela fase fulcral da designação das cores, e do que representam, acabando tudo por ser muito etéreo, tipo a roçar malta a dar em psicotrópicos.

Faltou-me falar do vilão de serviço aqui: Hector Hammond. Sinceramente achei-o muito genérico, muito estilo executivo, muito igual a muitos outros do género. Poderiam ter feito bem melhor por aqui. Gosto dele bem mais cabeçudo 😏

Quanto a Jahnoy Lindsay ao nível da qualidade do seu trabalho, vale exactamente o mesmo que para Ewing. Na primeira parte do livro gostei bastante, na segunda parte acho que ficou confuso e pouco legível por vezes. Não é o tipo de arte que me enche o olho, mas no cômputo geral era o estilo de arte que melhor se adaptava a este tipo história de horror espacial.

Quanto ao The Abin Sur  really? Uma mistura de Majin Boo “do mal” com aquela personagem de quatro braços do Mortal Kombat, o Goro. Sinceramente, não gostei, achei falta de imaginação.

Vou comprar o 2º volume? Vou!
Houve bastantes coisas que me agradaram, e pelo final, pode ser que venham aí coisas que me agradam ainda mais 😎.

 P.S.: Podiam ter escolhido uma capa melhor... capa sem sal esta que escolheram 🤷🏻‍♂️

(O amarelo voltou a ditar regras na franquia, pelo que vi neste volume...)


Boas leituras


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Autores: Gerry Conway
(Setembro 1952 – Abril 2026)

 


Gerry Conway faleceu hoje.
Ficará sempre nas nossas memórias como um dos grandes autores de comics de sempre. Vou recuperar um texto sobre ele do  neste blogue, em sua homenagem.

Este escritor de comics norte-americano é conhecido por ter criado dois heróis, um na Marvel (Punisher) e outro na DC (Firestorm), e por ter escrito um dos momentos mais marcantes dos comics em Spider-Man: The Death of Gwen Stacy! Para além disso o primeiro crossover entre a Marvel e a DC: Superman vs The Amazing Spider-Man. De resto escreveu para estas duas editoras em quase todos os seus grandes símbolos.


Ficam as palavras de Hugo Silva:

Gerry Conway faz falta

Gerry Conway é um dos maiores nomes da indústria de comics Norte-Americana, o seu trabalho nas duas grandes editoras faz com que seja um nome reconhecido e respeitado devido à sua escrita em títulos como Homem-Aranha ou Liga da Justiça entre outros.

Ele foi o primeiro a escrever um grande crossover entre as duas companhias, que colocava nas mesmas páginas os maiores símbolos da DC e da Marvel: Superman e Spider-Man. O seu tempo em Amazing Spider-Man é lendário, já que todos recordam a storyline que levou à morte da Gwen Stacy. Muitos relembram também as suas criações, nomeadamente Punisher para a Marvel e Firestorm para a DC.

Conway começou a escrever ainda nos seus 16 anos, para as revistas de horror da DC, até que conseguiu um lugar na Marvel pela mão do escritor e editor Roy Thomas. Foi no início da década de 70 que se deu a estreia em grande deste jovem numa breve passagem por títulos de segunda linha como Ka-zar, Inhumans e Black Widow. Apesar da sua idade ele passou ainda por alguns com mais importância da Marvel, como o Iron Man, Daredevil e Hulk, para além de criar personagens que seriam no futuro importantes para a mesma. Werewolf by Night, Tomb of Dracula e Man-Thing são algumas personagens que conheceram a luz do dia pela mente do jovem escritor.

Os tempos eram outros e só assim um jovem com 19 anos teria a oportunidade de escrever os 2 títulos que davam basicamente nome à companhia, Amazing Spider-man e Fantastic Four. O talento dele sobressaiu e este esteve à altura dos mesmos, levando a duas runs memoráveis em especial no cabeça de teia. No Aranha os personagens de apoio eram sempre bem retratados e ganhavam uma vida e importância tal que gostávamos tanto deles como do herói principal. Foi aproveitando esse destaque que ele escreveu logo no começo da sua run, a morte de uma das mais importantes personagens secundárias, a namorada de Peter Parker, Gwen Stacy.

Outro marco nos seus 3 anos em frente dos destinos do Aracnídeo foi a co-criação com Ross Andru de uma personagem que seria antagonista do nosso herói, mas que seria mais tarde uma das personagens mais importantes da editora, o Punisher, para além de alguns dos combates mais memoráveis com os vilões Tarântula, Escorpião, Mysterio, e ainda a primeira Saga do Clone.

No Quarteto, ele faz o Namor aparecer outra vez no caminho dos heróis e usa da melhor forma um dos melhores rivais da equipa, o Mago e o seu Quarteto Terrível.

Em 1975 o jovem escritor cometia o feito de voltar à DC e assim escrever para ambas as companhias, isto numa altura em que isso não era muito comum. Talvez por isso ele acabou por ser o escolhido para escrever aquela que seria uma revista marcante na história dos comics Norte-Americanos, o crossover que envolvia Superman e Spider-Man. Na casa das ideias, ele fez parte do rodopio de Editores-Chefe no final dos anos 70 tomando esse cargo durante pouco menos de um ano sucedendo a Marv Wolfman e deixando o lugar para Archie Goodwin.

Em Janeiro de 1977, o nome de Conway era já tão importante saíram 9 títulos para as bancas com o seu nome nos créditos. Avengers, Defenders, Spectacular Spider-man, Iron Man e as estreias de Ms.Marvel e Logan's Run para a Marvel enquanto que na DC seriam os títulos Superman e Action Comics a trazerem o seu nome, Foi aliás esta companhia que marcaria a sua carreira na década de 80.

Conway foi dos poucos a ter direito a duas runs diferentes com a Liga da Justiça, a primeira no final dos anos 70 com a Liga do Satélite e esteve envolvido nas histórias que trouxeram de volta a tradição anual dos encontros entre as duas equipas da DC, a JLA e a JSA. Ele também escreveu outros títulos grandes como Superman ou Batman sendo que no morcego realça-se a sua história que envolve o perigoso Hugo Strange.

Em 1986 voltou em grande à co-criação de personagens, e uma que rapidamente se tornou uma das favoritas dos fãs de Comics, o herói da DC, Firestorm. Conway escreveu mais de metade dos números da revista em que retratava um jovem, Ronnie Raymond e as suas aventuras como o herói nuclear ou apenas como o adolescente na faculdade. Sem sombra de dúvida que a influência Peter Parker via-se no mesmo, e isso que ajudava ao sucesso dele já que também aqui Conway dava importância ao elenco de apoio. Mais tarde a personagem fez parte inclusive da Liga da Justiça.

Antes de se concentrar nos seus trabalhos para TV e Cinema (que incluíam coisas como Conan, the Destroyer, Hercules, Law & Order e Perry Mason entre outros), Gerry teve ainda tempo de voltar ao cabeça de teia para escrever no final dos anos 80 as revistas Spectacular Spider-Man e Web of Spider-man.

Mais uma vez Conway mostrou como gosta de dar atenção ao elenco de apoio e personagens como Nick Katzenberg, Gloria Grant, Aunt May, Nathan Lubensky, Joe Robertson, ou Randy Robertson todos tinham algum destaque na vida da personagem. Também era dado destaque a personagens com poderes como por exemplo, Puma, Rocket Racer, Will-O'-The-Wisp, Prowler, Sandman, Silver Sable, Molten Man, Green Goblin e Chamelon a darem que fazer ao nosso herói, ficando esses personagens pela revista Web of Spider-Man.

Em Spectacular era o bom e velho JJJ, Ben Urich, Mary Jane, a volta do clone da Gwen Stacy e vilões como Tombstone, Kingpin e Duende Macabro a complicarem a vida do aracnídeo. Até a sua co-criação Punisher deu o ar da sua graça nesta última run do escritor antes de decidir concentrar-se na TV.

Deixa saudades porque é daqueles poucos autores que conseguiu mais que uma run memorável, ou agradável, com alguns dos maiores heróis de ambas as companhias.



Esta foi a homenagem do LBD a este grande Herói dos comics Norte-Americanos 


Boas leituras

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Alice in Borderland Vols. 3 - 9

 


“… why are you alive?”


Pergunta muito complexa na sua simplicidade. E é basicamente esta pergunta feita no final do 9º volume, que ata toda esta história brutal (mas honesta) nas emoções em que revolve.

No primeiro post que fiz sobre esta série coloquei muitas generalidades e explicações, portanto leitores que venham até aqui pela primeira vez, cliquem por favor no link seguinte para que tudo faça mais sentido:

Alice in Borderland Vol.1 & Vol.2

Não vou enumerar todos os jogos que aconteceram nestes sete volumes, acho um pouco irrelevante, basicamente são testes de força, inteligência e superação psicológica, mas no final o ingrediente principal é a vontade de viver de cada um, é com essa vontade que se define o resultado de muitos jogos mortais.

No post anterior ficamos no volume 2, onde Arisu e Usagi encontram “a praia”. Local onde muitos jogadores se encontravam e coleccionavam cartas para os jogadores mais antigos e mais fortes.
Este refúgio era um local de prazer para todos os jogadores que lá se encontravam, desde que cumprissem as regras. Tudo mudou quando os se sabe que existem Dealers do jogo misturados, e se abre um jogo neste local. O jogo era o 10 de Copas, com o nome Witch Hunt.

Claro…  jogo de Copas implica intensa mortandade e guerra psicológica, assim no final do jogo “A Praia” está completamente destruída.

Criam-se grupos, criam-se ligações entre sobreviventes, Arisu e Usagi ensaiam um romance
Arisu pensa muito, pensa demais e entra num estado depressivo de que é salvo por Usagi, conseguindo atingir alguns dias de felicidade finalmente.

Os jogos entram numa segunda, e final etapa, e são grandes e terríveis jogos de vários naipes, alguns deles muito interessantes e retorcidos moralmente.
Esta segunda fase traz os Gamemasters ou Citizens para a arena. São eles que mandam em Borderland, sabendo-se depois em side stories que eles são sobreviventes do jogo que preferiram ficar, portanto, personagens poderosos.

Estes jogadores especiais vão arriscar a sua vida em jogos contra Arisu e os seus amigos. Os locais são identificados com as figuras de cada naipe. Sempre que um era eliminado a imagem da figura do naipe era destruída.

Os jogos na sua maioria são bastante bons, mas também tem alguns bastante chatos. Arisu ganha o primeiro jogo, mas fica afectado psicologicamente decidindo não jogar mais até o seu visto de permanência caducar, ou seja, entra em depressão novamente. Mas é algo que muda depois de ver uma filmagem de um jornalista, que lhe vai abrir a mente.

Entra no último jogo com Usagi contra a Rainha de Copas. O jogo é simples, mas é de Copas.
E foco-me por aqui no que respeita à história. Se quiserem saber tudo é fácil, é só comprar estes 9 volumes.

Adorei a progressão da arte de Haro Aso, sempre a melhorar até ao final. A narrativa gráfica sempre muito boa, e as personagens sempre muito bem tratadas nas expressões, sobretudo quando entra o desespero e o medo em equação.
O ambiente gráfico é muitas vezes sufocante sentindo-se toda a tensão da narrativa cravada na parte da gráfica.

Falando da narrativa, as personagens são muito bem tratadas psicologicamente. Não é uma nem duas personagens, são muitas, todas elas bem diferentes umas das outras e completamente tridimensionais.

O fio da narrativa perde-se um pouco com as side stories que vão acontecendo, para contar a história de alguma personagem, ou para colocar em evidência alguma situação pontual. Mas acabam por ser bastantes, e numa narrativa tão asfixiante, complexa e psicológica, o leitor acaba por criar uma ligação com o grupo principal, e quer saber o que se passa a seguir. Estas sides stories acabam por ser anti-orgâsmicas porque quebram a cadência do leitor. Nem todas, claro, algumas são importantes e cativantes.

Acabo este post com a pergunta inicial: porque estás vivo?

Qual a importância da tua vida? Ou quanto vale a tua vida?
Este é o ponto central de toda esta história. No jogo de Chishiya contra o Rei de Ouros isto é posto na balança de um modo brutal.

No final aparece uma carta diferente… o Joker. É um final excelente para toda esta obra tudo o que acontece a seguir ao Joker.

No fim disto tudo, o Leituras de BD recomenda vivamente esta obra.
Uma obra para se ler lentamente, a pressa estraga os pormenores narrativos.

Boas leituras


Disqus Shortname

sigma-2

Comments system

[blogger][disqus][facebook]