"It
is true. She was many things to many people.
But she was never soft."
De vez em quando na vertente do género super-heróis escorregam
para a prateleira grandes livros.
Este é um deles.
Senti um fascínio ao ler esta obra igual ao que senti ao ler
a saga Annihilation da Marvel, ou não fosse eu um super fã de Sci
Fi, e sim este conto épico passa-se todo no espaço, ninguém coloca os
pés na Terra.
Esta história também me diz que eu me afastei demasiado dos comics,
uma mini-série deste calibre saiu entre 2021 e 2022 e passou-me completamente
ao lado, mas a culpa disto não é minha na realidade, a DC e a Marvel
desde há muito tempo que só publicavam histórias medíocres, e enganavam os leitores
ao mudar de autores a meio de um arco de histórias, por exemplo. Eu odiava isso…
e abandonei quase completamente este tipo de leitura há 10 anos.
E devido a esse afastamento o meu desconhecimento da existência
da brasileira Bilquis Evely era total! Descobri a genialidade dela neste
livro, sabendo agora que ela já trabalhou em Wonder Woman e The
Dreaming.
O meu único conhecido aqui é mesmo o escritor, Tom King,
com muitas provas dadas em séries como Batman ou Miracle Man, isto
porque o colorista de seu nome Matheus Lopes era outro desconhecido para
mim. Aqui neste Supergirl – Woman of Tomorrow ele faz correr um caleidoscópio
de cor em cima das linhas de Evely perfeitamente fenomenal. Desculpem-me
os adjectivos para estes autores, mas acho que são merecidos.
O livro que comprei é a Deluxe Edition de 2024, e
como livro vale todos os cêntimos gastos nele. Uma espinha resistente, um papel
bem adaptado à coloração, e muitos extras. Bons extras. Todas as capas
variantes, sketchs, e os thumbnails de Bilquis de todas as
páginas da obra.
Penso que a sobrecapa poderia ser mais apelativa, comparando com toda a arte
que este livro possui no seu interior. Assim decidi colocar na imagem de topo deste
meu artigo de opinião a capa dura interior, que na minha opinião é muito
superior à sobrecapa.
Falando da história… este é um tema dos mais antigos de
livros ou filmes: vingança.
Mas esta é uma história de vingança cósmica, em que a saga de Kara Zor-El
é contada através dos olhos de Ruthye Marye Knoll. Esta jovem faz a
narração de toda a história, mas atenção, o leitor tem de estar desperto para
algumas dessincronizações entre a narração e o que se passa nas imagens, pois Ruthye
está a escrever um livro e por vezes o que escreve não é exactamente aquilo que
se passou.
É com Ruthye que tudo começa. A sua demanda de
vingança pelo assassinato do seu amado pai por Krem of the Yellow Hills .
As circunstâncias levam-na a cruzar-se com uma embriagada Supergirl, que
estava a festejar os seus 21 anos de idade ao abrigo de um Sol vermelho, o que
lhe tolda os poderes.
Embora Kara não quisesse acompanhar a sede de vingança da pequena Ruthye, acaba por o fazer, aparentemente porque Krem dispara duas flechas no seu cão Kripto deixando-o às portas da morte.
E assim começa esta saga, que nos vai fazer passar por
viagens espaciais e inúmeros planetas, muitos horrores praticados por seres
sencientes, e em que Ruthye vai aprendendo e calejando a sua personalidade
simples, com doses de emoções muito fortes, eventos de coragem extrema, e por
vezes muita tristeza.
Tom King apresenta-nos uma Kara Zor-El com
danos e traumas porque passou por algo que o seu primo não passou. O Superman
Kal-El saiu de Kripton bebé e não assistiu à destruição lenta do
planeta e dos seus habitantes, uma morte lenta da qual Kara tem uma
imagem bem vívida. Mas a sua resolução, coragem, valentia e empatia são as mesmas
do primo, o sangue de El corre na família. Mas sim, ela luta pela
verdade e pela justiça, mas à maneira dela, e o leitor apercebe-se de toda esta
luta pelos olhos de Ruthye, o que não deixa de ser algo diferente neste
tipo de história. Na realidade esta é a história de Ruthye, os factos, assim como
o seu livro.
No meio de toda esta violência física e emocional aprendemos que esta é uma grande lição da Supergirl para a jovem Ruthye, em que podemos escolher no final que tipo de fim queremos dar à nossa história: vingança pura e dura ou podemos escolher a opção de não perdoar (mas poupar).
Já agora um dado curioso…
a quantidade de inimigos do Superman com que Kara se cruza 😅,
até um planeta com um Sol verde alguém criou apenas com o objectivo de matar o
Superman.
A conclusão da história é muito satisfatória na melhor história
da Supergirl que já li. Tom King leva-nos por caminhos difíceis, com um
inglês que exige bastante de um leitor não nativo, em que ele redefine a
personagem Kara Zor-El, dando-lhe um “corpo” que ela não tinha. E isto é
importante para tornar a personagem apelativa para as novas gerações de
leitores.
E King foi muito bem servido por Evely e Lopes que
conseguiram com a sua arte dar uma vertigem cósmica e exótica, que assentou que
nem uma luva na escrita deste épico
Por vezes este género estagna (daí eu me ter afastado) e é preciso fazer algo de qualidade para que novos leitores adiram, assim como os antigos leitores de cabeça mais aberta se motivem a continuar a ler.
Isso foi conseguido neste livro!
Espero que o filme Supergirl, que vai sair no meu dia de
aniversário, seja do mesmo calibre que o livro, visto que se vai basear nele.
Como curiosidade, já toda a gente viu que o Lobo vai entrar no filme, e
embora não apareça no livro apresentado ao público, na ideia inicial de Tom King
havia um team-up Supergirl/Lobo. No filme penso que se irá materializar.
O Leituras de BD recomenda a leitura deste livro
Boas leituras


















































