"- I hate this @#$% town."
- Alfred
A DC tentou nos últimos anos modernizar o seu universo, para alavancar a criação de novos leitores, várias vezes. Saliento as duas imprints que por mim poderiam ter seguido, porque tiveram qualidade para isso, a All Star e a Earth One.
Infelizmente é difícil colocar no mercado um produto novo com um nome antigo
que consiga agradar ao core dos leitores mais antigos e “canonizados”
naquele herói, e ao mesmo tempo atrair novos leitores de geração mais recente.
Parece que o Universo Absolute está a conseguir isso,
e espero que a DC não estrague tudo com as parvoíces editoriais do costume. É necessária
coesão e não acabar por entrar naquelas loucuras de que a única maneira de sair
delas é fazer o famosíssimo reboot, que como sabemos vai acabando com a
confiança dos leitores, e por arrasto colocar as vendas em baixo.
Batman é escrito por um dos arquitectos deste universo Absolute,
Scott Snyder, e é-nos apresentado de uma maneira grandiosa e apaixonada
em todos os aspectos, um gigantesco guerreiro underdog que cresceu no
seio da classe média, e não na elite da alta sociedade com recursos
aparentemente ilimitados para as suas actividades como vigilante.
E porque é que este Bruce Wayne de classe média me atrai
tanto? Talvez porque não foi criado em berço de ouro, e para fazer o que faz
tem de se servir e reunir com muita inteligência os recursos limitados que
possui. Não existe Mansão Wayne, não existe Batcave. Nada foi servido de
mão beijada a este Batman. Ele tem de ser mais hábil e genuíno enquanto pessoa,
para conseguir os mesmos objectivos: o amor pelos pais e a vontade de os deixar
orgulhosos, e a vontade de lutar contra o crime e nunca negociar com
criminosos. E brutal. Batman tem de ser brutal em qualquer universo.
Este Batman de Snyder traz novos desafios e uma
perspectiva diferente, e fez jus às expectativas que eu tinha para ele.
Como grandes diferenças do universo regular da DC temos a
origem em si do próprio Batman, como referi atrás, ele teve de construir todo
um mundo de ligações na cidade, e para isso trabalhou em todas as áreas vitais
de Gotham. Um estudante genial abalado com o assassinato do pai, que
entrou na melhor universidade do país, aí estudou química, mecânica aplicada,
teoria militar e psicologia criminal.
Depois em Gotham trabalhou na rede eléctrica, nas águas, no saneamento,
enfim, ficou a conhecer a cidade por dentro e por fora. Agora é engenheiro de
obras, o que é muito importante para as suas actividades como Batman… não tem Batcave,
mas conhece muitos prédios onde pode fazer pequenas bases para as suas
actividades.
Outras diferenças importantes, a sua mãe está viva, Gordon
é Presidente de Câmara, e o seu grupo de amigos de infância contempla vários
vilões do mundo de Batman, com os quais ainda convive enquanto adulto. Está um
(uma) em falta… Selina! Está a ser guardada com certeza, pois já saiu a
notícia de que vai possuir uma publicação própria neste universo Absolute.
Alfred… pois Alfred aqui é tudo menos um mordomo. Alfred é
um agente que trabalha para o MI6.
Então, é o que não gostei lá muito nestas diferenças? Épáh… o Batmobile… 😞
O vilão deste primeiro arco é o Black Mask (Roman
Sionis) com a sua “tropa”, os Party Animals. Este vilão é apenas um appetizer,
mas no epílogo já temos um vilão pesado da galeria do Batman a impor a sua
presença com a frase “- It’s Time. Get Bane”.
Portanto para o próximo livro já sabemos quem vai sair na capa 😬
Absolute Batman foi a série que deu o pontapé de
saída neste universo, iniciou a sua publicação em Outubro de 2024, e este
primeiro volume compila as primeiras seis revistas da série.
Estas novas dinâmicas propostas por Snyder para o
mundo de Batman, foram materializadas no papel pôr Nick Dragotta, a quem
foi dado este morcego para ser desenhado, e como o desenhou! É um Batman
brutalíssimo em todos os sentidos. Dragotta fez um trabalho maravilhoso,
os seus painéis de alta energia já os conhecia de East of West, a sua narrativa
gráfica estimula bem o leitor, e sinceramente esta dupla Snyder/Dragotta
foi uma dupla vencedora neste “ZOO”. Para além do desenho, Dragotta
fez a arte final também.
Mas para o trabalho de Dragotta brilhar tão alto, alguém reforçou a sua
arte e definiu o tom cru e visceral que esta série possui.
Frank Martin fez um excelente trabalho na aplicação da cor, destacando
exactamente aquilo que é preciso destacar numa página, e atraindo o olhar do
leitor para o ponto correcto das sequências narrativas e /ou gráficas de Snyder
e Dragotta.
Agora temos a notícia que a Devir vai publicar este volume
em português. Poderia ser uma boa notícia? Poderia e deveria. Mas o problema é
que não garantiram nada deste Batman como continuação deste 1º volume,
nem sabem muito bem pelos vistos o que podem, ou devem, publicar (talvez) de
outros títulos do universo Absolute… talvez o Super-Homem… talvez 🤷🏻♂️ Só que isso é complicado para os leitores,
os “talvez”.
Outra coisa assim tipo do demónio, Scott Snyder vem a Portugal para a Comic-Con,
só que o livro vai sair depois disso. Não vale a pena dizer mais nada, pois
não?
O Leituras de BD recomenda este Batman, faz bem à saúde ler
bons livros!
Boas leituras



















































