quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Supergirl - Woman of Tomorrow


"It is true. She was many things to many people.
But she was never soft."


De vez em quando na vertente do género super-heróis escorregam para a prateleira grandes livros.
Este é um deles.

Senti um fascínio ao ler esta obra igual ao que senti ao ler a saga Annihilation da Marvel, ou não fosse eu um super fã de Sci Fi, e sim este conto épico passa-se todo no espaço, ninguém coloca os pés na Terra.

Esta história também me diz que eu me afastei demasiado dos comics, uma mini-série deste calibre saiu entre 2021 e 2022 e passou-me completamente ao lado, mas a culpa disto não é minha na realidade, a DC e a Marvel desde há muito tempo que só publicavam histórias medíocres, e enganavam os leitores ao mudar de autores a meio de um arco de histórias, por exemplo. Eu odiava isso… e abandonei quase completamente este tipo de leitura há 10 anos.

E devido a esse afastamento o meu desconhecimento da existência da brasileira Bilquis Evely era total! Descobri a genialidade dela neste livro, sabendo agora que ela já trabalhou em Wonder Woman e The Dreaming.

O meu único conhecido aqui é mesmo o escritor, Tom King, com muitas provas dadas em séries como Batman ou Miracle Man, isto porque o colorista de seu nome Matheus Lopes era outro desconhecido para mim. Aqui neste Supergirl – Woman of Tomorrow ele faz correr um caleidoscópio de cor em cima das linhas de Evely perfeitamente fenomenal. Desculpem-me os adjectivos para estes autores, mas acho que são merecidos.

O livro que comprei é a Deluxe Edition de 2024, e como livro vale todos os cêntimos gastos nele. Uma espinha resistente, um papel bem adaptado à coloração, e muitos extras. Bons extras. Todas as capas variantes, sketchs, e os thumbnails de Bilquis de todas as páginas da obra.
Penso que a sobrecapa poderia ser mais apelativa, comparando com toda a arte que este livro possui no seu interior. Assim decidi colocar na imagem de topo deste meu artigo de opinião a capa dura interior, que na minha opinião é muito superior à sobrecapa.


Falando da história… este é um tema dos mais antigos de livros ou filmes: vingança.
Mas esta é uma história de vingança cósmica, em que a saga de Kara Zor-El é contada através dos olhos de Ruthye Marye Knoll. Esta jovem faz a narração de toda a história, mas atenção, o leitor tem de estar desperto para algumas dessincronizações entre a narração e o que se passa nas imagens, pois Ruthye está a escrever um livro e por vezes o que escreve não é exactamente aquilo que se passou.

É com Ruthye que tudo começa. A sua demanda de vingança pelo assassinato do seu amado pai por Krem of the Yellow Hills .
As circunstâncias levam-na a cruzar-se com uma embriagada Supergirl, que estava a festejar os seus 21 anos de idade ao abrigo de um Sol vermelho, o que lhe tolda os poderes.


Embora Kara não quisesse acompanhar a sede de vingança da pequena Ruthye, acaba por o fazer, aparentemente porque Krem dispara duas flechas no seu cão Kripto deixando-o às portas da morte.

E assim começa esta saga, que nos vai fazer passar por viagens espaciais e inúmeros planetas, muitos horrores praticados por seres sencientes, e em que Ruthye vai aprendendo e calejando a sua personalidade simples, com doses de emoções muito fortes, eventos de coragem extrema, e por vezes muita tristeza.

Tom King apresenta-nos uma Kara Zor-El com danos e traumas porque passou por algo que o seu primo não passou. O Superman Kal-El saiu de Kripton bebé e não assistiu à destruição lenta do planeta e dos seus habitantes, uma morte lenta da qual Kara tem uma imagem bem vívida. Mas a sua resolução, coragem, valentia e empatia são as mesmas do primo, o sangue de El corre na família. Mas sim, ela luta pela verdade e pela justiça, mas à maneira dela, e o leitor apercebe-se de toda esta luta pelos olhos de Ruthye, o que não deixa de ser algo diferente neste tipo de história. Na realidade esta é a história de Ruthye, os factos, assim como o seu livro.


No meio de toda esta violência física e emocional aprendemos que esta é uma grande lição da Supergirl para a jovem Ruthye, em que podemos escolher no final que tipo de fim queremos dar à nossa história: vingança pura e dura ou podemos escolher a opção de não perdoar (mas poupar).

Já agora um dado curioso…  a quantidade de inimigos do Superman com que Kara se cruza 😅, até um planeta com um Sol verde alguém criou apenas com o objectivo de matar o Superman.

A conclusão da história é muito satisfatória na melhor história da Supergirl que já li. Tom King leva-nos por caminhos difíceis, com um inglês que exige bastante de um leitor não nativo, em que ele redefine a personagem Kara Zor-El, dando-lhe um “corpo” que ela não tinha. E isto é importante para tornar a personagem apelativa para as novas gerações de leitores.
E King foi muito bem servido por Evely e Lopes que conseguiram com a sua arte dar uma vertigem cósmica e exótica, que assentou que nem uma luva na escrita deste épico


Por vezes este género estagna (daí eu me ter afastado) e é preciso fazer algo de qualidade para que novos leitores adiram, assim como os antigos leitores de cabeça mais aberta se motivem a continuar a ler.

Isso foi conseguido neste livro!

Espero que o filme Supergirl, que vai sair no meu dia de aniversário, seja do mesmo calibre que o livro, visto que se vai basear nele.
Como curiosidade, já toda a gente viu que o Lobo vai entrar no filme, e embora não apareça no livro apresentado ao público, na ideia inicial de Tom King havia um team-up Supergirl/Lobo. No filme penso que se irá materializar.

O Leituras de BD recomenda a leitura deste livro

 

Boas leituras


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Capas: Amazing Spider-Man #315



 

Capa de Todd McFarlane para o #315 do Amazing Spider-Man, e saiu em Maio de 1989.


A composição desta capa de McFarlane é magnífica colocando um Hydro-Man com um sorriso maquiavélico com superioridade em relação um Aranha em situação de afogamento, e como sabem, as aranhas não são à prova d'água... 

Este número traz três histórias, sendo que uma delas é o segundo aparecimento do Venom, e é precisamente aqui que ele se escapa de uma prisão de alta segurança, dando início ao primeiro arco de história com este simbionte.
Um número importante na cronologia do Aranha 🤷🏻‍♂️





Boas leituras

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Alice in Borderland Vol.1 & Vol.2

 


Definitivamente esta era uma série de que queria ler o Manga há muito tempo, assim como há muito tempo vi alguns episódios da série da Netflix, que sinceramente já não me lembrava de nada.
Mas a como leitura tem outra substância que as séries teimam em perder (desnecessariamente) quando passam das páginas para o ecrã. Assim vamos iniciar esta run e levá-la até ao fim. Li os dois primeiros volumes, de nove que completam a série principal, e são estes dois de que eu vou falar neste post. Depois farei mais um, ou dois, posts com o resto dos volumes.


Alice in Borderland (今際の国のアリス, Imawa no Kuni no Arisu) é um Manga escrito e desenhado por Haro Aso. Saíram 18 tankōbon entre 2010 e 1016, a norte-americana Viz Media colectou entre 2022 e 2024 estes 18 volumes em 9 volumes duplos, e é esta a versão que apresento aqui no blogue, portanto estes Vol.1 & Vol.2 são na realidade os primeiros 4 da série original.

Esta série teve uma boa recepção por parte dos leitores, e o conceito de sobrevivência extremo agradou aos produtores da Netflix que a adaptaram para o pequeno ecrã em 2020. Este Manga acabou por influenciar a criação de outras séries dentro deste género, como o também famoso Squid Game.
Mas o autor ele próprio teve influências para esta criação e assim de repente Metro Survive veio-me à cabeça, porque eu já falei desse excelente Manga aqui no blogue, é só clicar no link.

A histórias de Haro Aso parte lenta de início e só não chateia porque a narrativa é boa e cuidada, caracterizando os para já três principais personagens: Arisu, Chota e Karube
Jovens a precisar de evasão das suas vidas reais, sobretudo Arisu, um jovem viciado em jogos com grande poder observação e análise. Arisu é quase um filho não pretendido, porque o seu irmão simboliza a perfeição que um pai procura num filho. Basicamente é aquele tipo de adolescente sem aspirações, sem saber o que fazer da vida e em que esta passa apenas para lhe dar encontrões.

Chota é apenas um jovem muito imaturo com as hormonas aos saltos e Karube é um pouco mais responsável e o músculo do grupo para quando surgem problemas.

A vida para estes três jovens muda quando uma noite ao observar um super fogo de artifício são transportados para uma cidade de Tóquio aparentemente deserta e aparentemente no Futuro.
Bem-vindos a Borderland!

Nestes momentos iniciais de descoberta conhecem a primeira pessoa neste cenário de aparente abandono: Shibuki
Esta jovem é quem lhes explica algumas das regras brutais do mundo onde agora estão inseridos.

Rapidamente são inseridos no primeiro jogo com a primeira carta: 3 de Paus
- Aqui ficam a saber quem não joga morre
- Quem joga mal morre
Todos têm de jogar, as cartas que ganham dão-lhes os dias de folga entre jogos (3 de Paus é igual a 3 dias sem precisar de jogar), o naipe da carta diz o tipo de jogo em participam
- Paus é mais mental
- Espadas é mais físico
- Ouros um misto de Espadas e Paus
- Copas… é aquele que ninguém quer, é psicológico

O número da carta, para alem de dar o número dos “dias de férias”, ou “visto”, também informa da dificuldade do jogo. Quanto maior o valor da carta mais difícil é o jogo.


E é com o 3 de Paus que tudo começa…

O primeiro jogo é resolvido por Arisu, mas Chota fica mal. Depois de descansarem resolvem que apenas Karube e Arisu irão fazer um segundo jogo enquanto Shibuki fica a tomar conta de Chota


6 de Espadas

Jogo físico e tenso onde Arisu mais uma vez brilha e onde ficamos a conhecer a segunda personagem principal: Usagi.
É esta jovem que finaliza o jogo com Arisu.
Aqui vamos conhecer mais personagens de interesse futuro como Chishiya um jovem manipulador e o seu par, Kuina.
Ficamos a saber também da Praia. Chishiya confidência a Karube sobre esse ponto de encontro de Borderlands

 

7 de Copas
Aqui a coisa azeda…  muito. Ponto de viragem na história de modo brutal, e não digo para evitar spoiler do tamanho de um comboio


A Praia
Aqui sim começamos a conhecer o lado mais selvagem de Borderland. Os jogos podem ser brutais, infantis na sua concepção, mas mortais na sua conclusão. Mas nada se compara ao animal Humano em selvajaria e uso do próximo para os seus fins.
Este volume acaba num cliffhanger horroroso. Ainda não peguei no próximo livro, queria fazer este post primeiro.


A escrita desta série, assim como a parte gráfica, melhora a olhos vistos com o passar dos capítulos. Tudo muito mais fluido, e a arte então não tem comparação entre as primeiras páginas do Vol.1, muito simples, muito cartunescas por vezes, com o final do Vol.2, cheio de trabalho e detalhe.
Agora vou passar para o 3º volume porque não dá para esperar mais!

 

O Leituras de BD recomenda Alice in Borderland!

 

Boas leituras


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Marvel Must-Have Nº1: Homem-Aranha: Universo Homem-Aranha

 


- Vai-te a ele, Pete!
- Qual? Os dois são Pete. Raios, a maioria somos Petes.
- Dez libras no vermelho e azul
.

Aranhas…  Aranhas por todo o lado! É assim este "Aranhaverso". 😎

E assim começa mais uma colecção Marvel nas bancas. Apenas tenho dificuldade em saber quem é o responsável pela publicação da série... é o jornal Record, o Correio da Manhã, a LUPPA Solutions ou a Atlântico Press? Ou são todos juntos?

A colecção chama-se MARVEL MUST - HAVE  e inicia-se com um inédito em Língua Portuguesa com este Homem-Aranha: Universo Homem-Aranha. Têm aí o link da colecção no site oficial, para se quiserem ver todos os títulos que vão sair. De notar que o preço deste 1º livro da colecção é de apenas 1,95€, sendo os restantes de 11,95€. No total são 60 livros.

A colecção é em capa mole (TPB), o papel é bastante aceitável com uma impressão sem brilhos (o que é excelente) e a lombada bem colada. O livro como objecto parece-me ser bastante bom.
A colecção tem a vantagem de estar a sair em bancas e tabacarias, assim como irá estar acessível em livrarias. Quem quiser assinar a colecção, terá alguns brindes a mais.

A colecção em si tem muito poucos inéditos, este é um deles, talvez uma dezena de inéditos (não estive a contar nem estou para isso). É claramente uma colecção voltada para a captação de novos leitores, e se foi esse o objectivo de quem idealizou a colectânea apresentada neste Must Have, está tudo correcto. Os livros são arcos fechados e varrem o Universo Marvel tanto no tempo como na qualidade dos temas e personagens apresentadas. 
Se o objectivo era outro...  nesse hipotético caso, falharam redondamente.



Esta arco de Dan Slott, Olivier Coipel e Giuseppe Camuncoli encontra-se em Amazing Spider-Man Vol.3 do #9 ao #15. Penso que Dan Slott se divertiu imenso com este arco, a narrativa está excelente, cheia de velocidade, algumas cenas inesperadas e por vezes com alguma carga emocional bem doseada. 

Basicamente Slott foi buscar o vilão Morlun, deu-lhe alguns esteróides e deu-lhe sobretudo uma família cheia de gente ainda pior que o próprio Morlun. Todos eles se alimentam especialmente de totens aranha, então perseguem-nas por todo o multiverso, ou seja, todos os "Aranha" estão na mira deles, sejam porcos, mulheres, crianças ou clones.

Como os Aranhas deste multiverso Marvel podem contrariar tão poderosos seres? Bem, essa é a vossa parte... compram o livro que é baratinho e lêem 😱

Sempre gostem muito da arte de Coipel desde o seu famoso Thor. A sua energia e dinamismo, tanto no traço como na concepção das pranchas deste "Aranhaverso" deram-lhe a qualidade gráfica que qualquer boa obra necessita. Camuncoli interveio nos intervalos em que Coipel não teve o tempo necessário para desenhar com qualidade esta história de Slott, devido a outros trabalhos. É um artista de qualidade habituado ao universo do Spider-Man, tendo trabalhado também em Hellblazer da DC Comics.

Gostei e recomendo esta história do Homem-Aranha, é divertida de se ler, com montes de Aranhas a interagir entre si, umas vezes melhor, outras pior, ou seja, um excelente inédito para a minha prateleira.





Desculpem a qualidade do scan daquelas duas páginas, mas o meu scanner deixou alguns pixels na loja quando o comprei 🙄

Boas leituras

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Bob Layton na Kingpin Books

 


Bob Layton escolheu a Kingpin Books para a sua paragem em Portugal nesta sua digressão europeia, que celebra os seus 50 de trabalho em Comics. Anteriormente este na MegaCon Live em Londres e na Comic Shop de Copenhaga, a Fantask Books. O seu paragem seguinte vai ser na Barcelona Comics.

Layton foi um importante protagonista nos anos 80/90 na indústria de Comic US, como desenhador e como arte-finalista. Os seus trabalhos em Iron Man e Secret Wars são dos mais conhecidos. Foi também um dos fundadores da conhecida editora Valiant Comics com os conhecidos Jim Shooter e Barry Windsor-Smith.

Este senhor de 72 anos demonstrou muita vitalidade e espalhou simpatia por toda a loja da Kingpin Books.

O espaço estava muito composto, ou seja, a loja estava cheia, o que sinceramente me agradou. Sempre gostei muito deste espaço e é um prazer verificar que muita gente aderiu a este evento com um autor de Comics, assim como muita gente estava na loja simplesmente porque foi comprar algo acabando por "cair" dentro deste evento.

Para além dos prints (dois tamanhos), Bob Layton levou bastante originais para vender, para quem tivesse mais alguns Euros para gastar em boa arte.

Da minha parte foi um print do Iron Man e assinou a sua participação na grande run do John Carter of Mars publicada originalmente pela Marvel em 1978, ou seja, um dos seus primeiros trabalhos, e neste caso foi como arte-finalista.

Parabéns à Kingpin Books pela iniciativa








Boa leituras

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

DC All In Special #1

 


Na sequência do final de Absolute Power a DC faz a “activação” do seu universo Absolute com este All In Special, um flip comic cheio de conteúdo. Foi em Outubro de 2024.

Um pouco de história passada para se entender os passos que levaram à criação do Absolute Universe

Quando os Celestiais restauraram o Divine Continuum da DC, são criadas duas novas realidades no Multiverso primário da DC: Earth 0 e Elseworld

Os Heróis da Terra 0 (Earth 0) nunca conseguiram obter informações daquela nova realidade, embora soubessem que existia. Este Elseworld é na realidade um Alpha World ainda não desenvolvido, ou seja, com todas as possibilidades ainda em aberto.

Depois do falhanço da blitzkrieg contra meta-humanos perpetrada por Amanda Waller em Absolute Power, e do Flash ter cortado os laços desta Terra com o restante Multiverso, Darkseid aproveita com um plot bem urdido para se elevar a um todo poderoso Deus. Onde? Na realidade Elseworld, agora denominado Absolute Universe

Esta modificação de paradigma na DC é delineada neste pequeno Flip Comic, e na realidade a DC consegue colocar dois grandes eventos em 5 revistas no total, e sabem que mais? São muito bons, parece que a DC reaprendeu a contar boas histórias em poucas páginas.

DC All In é dividido em duas partes, Alpha e Omega. Quando a parte Alpha acaba no meio, viram a revista ao contrário e começam a ler Omega.
Alpha inicia-se cheia de luz e cor com a inauguração da Watchtower da nova Justice League Unlimited. Mas a festa acaba cedo com a entrada de rompante de Darkseid, unido a um contrariado Spectre.

Darkseid chega lá com o melhor plano de sempre arquitectado por ele, e a corrente de eventos que o levou até lá é explicada quando viramos a revista para o lado Omega, o lado obscuro do evento


Vou passar para o final. Temos um Darkseid muito clássico, mas um pouco mais esperto. Sabendo que o seu poder era constantemente contrariado na Terra 0, ele realiza um estratagema de morrer nesta realidade e renascer na outra realidade ainda muito jovem e em formação, portanto fácil de moldar, através de um rasgão no espaço-tempo.

E assim se forma o Universo Absolute, onde o desespero substitui a esperança, onde ele é um Deus supremo e onde a sua energia e aura contaminam todo o Universo.

Tudo isto permite a que neste novo Universo da DC se consigam fazer novas histórias, novas origens, diferentes personalidades heróicas e criar novos cânones se tudo for bem feito.
E acho que está a ser bem feito porque está a ter sucesso, até eu fui contaminado!


O sript de Scott Snyder e Joshua Williamson é excelente. A narrativa flui rapidamente, sempre com as várias cenas de acção a correrem de modo a deixar o leitor a suar, no acompanhamento da escrita veloz e bem encadeada destes dois homens. Muito bom, muito concentrado!

A arte da parte Alpha é realizada por Daniel Sampere. Não conhecia, tem um desenho limpo, boas páginas, bom dinamismo nas cenas de acção, enfim, fez um trabalho que eu gostei dentro de um estilo mais clássico de arte.

Quanto à parte Omega é desenhada por Wes Craig. Um desenho dinâmico com um traço muito sujo. Eu não me importo de o traço ser sujo, existem muitos desenhadores com esse tipo de arte, por exemplo MikeMignola, e eu gosto. Quando é bom. Não acho o desenho de Wes Craig bom. É desleixado, e é mal executado. Isto na minha opinião não profissional.
Sinceramente não gostei, achei perfeitamente vulgar dentro do estilo, e embora muita gente goste daquilo pelo que vi na internet , aqui este vosso amigo achou perfeitamente mediocre a sua participação. 

Os dois coloristas Alejandro Sánchez e Mike Spicer fizeram um trabalho sem grandes reparos, dando aos vários ambientes a palete de cor necessária para criar a emoção correcta no leitor.



Agora a minha pergunta é:
O que aconteceu ao Booster Gold!? 😱

E a partir daqui entramos no universo Absolute. Estou a ler Superman, Wonder Woman, Batman e Green Lantern. Em breve a minha opinião sobre estes títulos.

 


 

Boas leituras

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Absolute Power

 


Absolute Power

“- I made a massive miscalculation, all this time I thought Waller is playing chess!”
“- But she’s not playing chess! She’s
rolling tanks!”

                                                                                        - Batman

 Há muito tempo que não pegava em nada de novo no género comics US, e quando falo novo falo em muitos anos… mas pronto, um amigo convenceu-me a dar uma oportunidade ao novo universo da DC, o Universo Absolute.

Ofereceu-me o Absolute Batman #1, e sinceramente agradou-me. Não vou falar mais nada deste Batman, por que estou a pensar fazer um post da compilação em HC, Absolute Batman: Zoo.

Depois deste comic do Batman reparei que o Absolute Wonder Woman tinha excelentes críticas então comprei o primeiro HC da série, The Last Amazon, que também gostei mesmo mesmo muito.

Então aqui o Nuno Amado resolveu dar uma hipótese a este universo Absolute e quis começar pelo princípio, o evento Absolute Power da DC de 2024. Só que não… não me parece que seja o início que eu queria, pois é um início bem lá para trás, e penso que me falta o evento DC All In para que a pegada histórica fique completa.
Bem, mas pelo que percebi acaba por ser bom de se ter este evento, para ficar com tudo arrumadinho.

Assim, vamos começar por aqui, seguido por DC All In, e então depois dessa leitura mergulhamos a sério no universo Absolute. Os títulos que vou acompanhar serão Wonder Woman, Batman, Superman e claro está, nunca poderia falta o meu herói de eleição, o Green Lantern.

Pelo que percebi este crossover serve como conclusão a um outro evento da DC, Dawn of DC, mas que se aguenta perfeitamente sozinho sem necessidade de se saber o que se passa para trás, nem com o que se passa em todos os tie-ins costumeiros dos diversos heróis que se apresentam na história principal.
E isto meus amigos… é de louvar!
Estava com medo de ter de andar a ter que ler isto e aquilo para perceber tudo o que se passa no livro, mas não. Claro que se percebe que há coisas para trás, mas não são fonte de incompreensão para este Absolute Power.


Este evento foi escrito por Mark Waid, acompanhado na arte por Dan Mora. Se Mark Waid eu conheço bem (Kingdom Come, Babel Tower…) , Dan Mora para mim era um completo desconhecido.
E sinceramente a meio da minha leitura de Absolute Power deu-me um pouco o click da Babel Tower (publicada em português pela Devir), ou não fosse escrita também por Waid. Mas aparte da tentativa de tirar os poderes dos super-heróis, não há mais nada em comum.

Considero que é uma história sólida e bem escrita, sempre com uma constante de premência presente que obriga a ler a página seguinte, e com um jogo tão bem feito pelo vilão (Amanda Waller), que o leitor nunca consegue perceber de que maneira, ou como, os heróis se vão conseguir levantar e dar a volta por cima do plano orquestrado por Waller.

Nos vilões gostei muito do desenvolvimento do Failsafe, que na sua origem sempre me pareceu uma personagem “méh”, aqui acaba por ser um actor convincente, e também da Brainiac Queen, com um ar bem sinistro na sua ingenuidade, só superada pela Waller, que “sinistro” é o nome do meio dela…

Relativamente ao para mim desconhecido Dan Mora, achei que ele agarrou perfeitamente o cenário negro desta história, refreando-se nas partes mais caóticas de modo a não perdermos a compreensão da narrativa com pormenores em demasia. Tem painéis muito dinâmicos com algumas splash pages brutais. Energia a rodos nas páginas de Dan Mora!
De notar a expressão das personagens, Mora imprime humanidade nos sorrisos, nos olhares, enfim, naquilo que transmite emoção do desenho para o leitor, trazendo o leitor para junto da personagem.


Foi uma excelente surpresa para mim. A página do Superman a cair depois de abatido a tiro é brutal, tanto no desenho em si como na expressão do próprio Superman, e aqui faço a ponte para Alejandro Sanchez que coloriu este crossover.

A cor está excelente, acompanhando as mudanças bruscas de ambiente, ou acentuando o conteúdo emocional da narrativa com a paleta de cor certa para o momento. E a página que referi atrás tem um trabalho deste colorista que me encheu as medidas. Muito bom!

Achei o final muito satisfatório, acabando em grande com a ponte para a Justice League Unlimited, escrita também por Mark Waid.

Único senão deste evento: curto! Foram apenas 4 revistas produzidas e aqui e acolá o desenvolvimento da história ressente-se disso. Mas no geral é assim que um crossover deve ser, ou seja, para a compreensão dele só precisamos do livro que temos na mão, e não de ler 1365 livros e revistas, como as peças de um puzzle necessárias para perceber o chamado evento principal. Waid de parabéns, na minha modesta opinião.

 Obrigado ao Hugo Silva por me ter oferecido a revista do Absolute Batman #1 😎




Boas leituras


quinta-feira, 10 de julho de 2025

Espero Chegar em Breve

 


No mês de Junho por norma recebo sempre alguns livros de oferta, ou não fosse mês de aniversário 😎

Este foi o presente da filhota, a adaptação do artista Nunsky do conto de Philip K. Dick, I Hope I Shall Arrive Soon.

Este livro foi publicado pela editora Chili com Carne em 2016. Este autor já tinha colaborado com esta editora no fanzine Mesinha de Cabeceira, assim como nos livros Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno e Erzsébet.

Com a tradução do título para Espero Chegar em Breve, Nunsky adapta fielmente este conto de 1980, que foi escrito ao mesmo tempo que o segundo volume da trilogia VALIS deste autor norte americano.
Philip K. Dick sempre se serviu da plataforma da ficção científica para nos entregar alguns tratados sobre a natureza Humana em situações radicais, explorando comportamentos psicológicos oriundos de falhas da personalidade, provocadas por essas situações anormais.

Neste caso o protagonista está em sono criogénico, mas infelizmente o sistema avaria, e Victor Kemmings acaba por ficar acordado, mas sem se poder mover, numa viagem de 10 anos para uma colónia planetária terrestre.
Basicamente este livro de BD começa com a IA da nave informando “Você está levemente desperto” …

Então inicia-se aqui a luta da IA para manter Kemmings são mentalmente, porque 10 anos acordado num corpo dormente levará qualquer humano à loucura.

A IA tenta manter a mente de Kemmings activa usando memórias agradáveis, outras nem tanto, mas a mente de Kemmings sabota as tentativas da IA, demonstrando umas vezes ser uma mente neurótica, outras vezes uma mente paranóica.

Quando finalmente chega ao destino com certeza haverá problemas…

Artisticamente Nunsky faz um bom trabalho, com um estilo chegado ao de um autor que eu adoro: Charles Burns
Um estilo a preto e branco, mas com uma maior predominância nos negros, e muito detalhado. Para esse detalhe contribui a técnica de linhas com um aspecto bastante retro, mas de muito bom gosto.

A sequência narrativa flui bastante bem, conta a história não escrita, gostaria apenas de um pouco mais de detalhe nalgumas páginas, mas pronto. Foi bom Nunsky ter-se colado bem a este conto curto sem invenções narrativas (pelo menos do que eu me lembro do que li há bastantes anos 😅).
Gostei do livro.


Boas leituras

terça-feira, 8 de julho de 2025

Super Antics #20

 


Kerry Callen é um cartunista contribuidor da revista MAD vai para alguns anos. Ele tem bastantes destes "Super Antics" , e este especificamente #20 foi rejeitado pela revista. 😅

Podem ver mais dos seus trabalhos nesta área no seu blog:

Kerry Callen Blog


Fiquem também com uma capa sua para a revista MAD




Boas leituras

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Brigantus Vol.1- Banido

 


- Lá, estará uma jovem de olhos claros à minha espera. Ela aquecer-me-á o coração com o seu sorriso.

 Mais um livro de Hermann, mais uma série de Hermann, e novamente escrito pelo seu filho Yves H.

Não vale a pena falar de Hermann, de como ele influenciou o meu gosto pela BD desde pequeno, com a série Jugurtha (o que eu adorava essa série), e depois de outras como Comanche, Bernard Prince ou Jeremiah que eu tenho no coração.

Muitos outros livros ele desenhou e pintou, uns melhores que outros, mas houve características que se foram ganhando e outras perdendo. A sua capacidade para grandes cenários com excelentes ambiências foi-se tornando mais rica com a idade, na minha opinião, em contrapartida a figura humana foi ficando mais feia, sendo que neste livro as faces das personagens por vezes roçam o grotesco. Esta também é a minha opinião.

Neste Brigantus, publicado em Portugal pela Arte de Autor, e analisando a sua arte, acho que é isso que acontece. Os cenários enevoados e pantanosos estão maravilhosos, mas alguns legionários romanos e habitantes Pictos poderiam fazer parte da minha colecção de personagens de pesadelos. Para dar um pouco de cor a estes soturnos cenários escoceses usa o sangue, e a cor dos uniformes romanos para contrastar com os mortiços  cinzentos.

E dito isto, não tenho nada a apontar à sequência gráfica aplicada à narrativa. É fluida e bem executada por um mestre extraordinariamente experiente neste mister.

Quem se lembra da última personagem (masculina ou feminina) bonita que Hermann desenhou? 😏  Não é que seja obrigatório haver “gente gira” a salpicar toda e qualquer história, mas é muita gente feia junta nos últimos livros Hermann.

Pronto, ele queria mostrar fealdade humana nesta série, em que pela primeira vez Hermann e Yves H. se cruzam com o mundo Romano, digamos que conseguiu… tanto na fealdade física, como a fealdade da alma.

Quanto à história propriamente dita é apenas uma apresentação simples do legionário Brigantus, denominado pelos seus “companheiros” como O Picto. Neste aspecto está mesmo um pouco básico.

Yves H. nunca escreveu histórias de renome ou excelência que me lembre, na minha opinião é competente e acompanha o seu pai Hermann já há muito tempo, o que lhe dá visibilidade no mundo da BD. Neste Brigantus faz apenas uma apresentação, uma bastante violenta por sinal, da principal personagem, a única que é minimamente trabalhada é Brigantus, sendo as outras meramente coadjuvantes para esse efeito.

O cenário geral é a tentativa de Roma conquistar toda a ilha Britânica, o que nunca conseguiu, e neste caso a Centúria de Brigantus estava a caminho dos fortes romanos mais a norte, já na Caledónia (Escócia), para os reforçar.



Mas não é fácil… existe o tempo adverso, a paisagem pantanosa, com a sua névoa típica e existem…  os Pictos que são uns chatos! 😋

Há muito a fazer pela história ainda, e o Leituras de BD espera que o segundo volume seja mais trabalhado por Yves H., porque na realidade um cartão de visita de 54 páginas sabe a pouco como apresentação.

 

Autores: Hermann & Yves H.
Edição: Cartonada
Número de páginas: 56 a cores
Impressão: a cores
Data de Edição: Março 2024
ISBN: 978-989-9094-43-7
 PVP: 18,50€
Editora: Arte de Autor

 

Desde já as minhas desculpas pela qualidade das digitalizações. Infelizmente não consegui fazer melhor, não fazem justiça às páginas de onde saíram.


Boas leituras

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