"Clarenettista dilettante, modellinista amatoriale...
Decidi-me por um título da editora mais famosa dos fumetti, a Bonelli, talvez o que eu gostei mais de ler em publicações portuguesas: Dylan Dog
Capa brutalíssima do Absolute Batman Annual!
Capa de Warren Johnson e Mike Spicer para a revista #1 deste volume, de Dezembro de 2025.
A composição da capa está perfeita, temos uma mas de supremacistas brancos, não trazem o fatinho KKK, mas possuem uma máscara branca e os archotes da ordem.
E penso que o segredo da capa está, para além da composição com o Batman esperando calmamente pela multidão em fúria, na cor aplicada, que transmite todas as emoções daquele momento.
As cores quentes dos archotes fazem sobressair a fúria e a violência daquela horda, e com muita calma num ambiente azulado temos um gigantesco morcego com um tira-teimas gigante na mão.
Esta capa chamou-me a atenção por tudo isto, e pela antecipação da violência gratuita que de certeza se irá desenrolar a seguir! 😁
Em baixo têm a versão da capa sem lettering, selos e símbolos, e aqui ao lado uma página que faz jus à capa 😉
Este blogue já publicou matérias sobre os ciclos iniciais, e
podem clicar nos links abaixo para não se perderem:
Thorgal
Lançamento
ASA / Público: Thorgal
Thorgal
Vol.1 - A Feiticeira Traída
Thorgal
Vol.2: A Ilha dos Mares Gelados
Thorgal
Vol.3: Os Três Velhos do País de Aran
Thorgal – Ciclo de Brek-Zarith
Thorgal:
Aarícia
Este é mais um Ciclo de histórias de Thorgal maltratado pelas
editoras portuguesas. São cinco livros neste ciclo, e acabo por ter os dois
primeiros publicados pela ASA em capa dura, e os outros três em capa mole (e
formato pequeno) publicados pela Cinebook em inglês, visto que não sei francês
(obrigado Cinebook).
Ainda mais não se compreende, que uma editora que se prestou
a publicar uma enorme quantidade de títulos (16 num lançamento ASA/Público),
tenha deixado ficar uma lacuna de três livros, entre o que já tinha publicado,
e o que iria publicar em conjunto com o jornal Público.
Sempre esperei que a ASA publicasse os três livros dessa lacuna, mas tal nunca aconteceu.
E sinceramente… este é um ciclo chave desta série. Tudo o que respeita às origens extraterrestres de Thorgal é explicado nestes livros, basicamente é um enorme trampolim para o resto da série. E ficamos com a lacuna em português para todo o sempre…A arte de Rosinski explode literalmente neste país de Qâ.
Este artista tem neste ciclo cenários incríveis e de uma variedade espacial enorme . Desde combates
espaciais, viagens aéreas, caminhadas em selva tropical, deserto, viagens
marítimas, e aventuras em cidades baseadas na civilização pré-Colombiana sul-americana.
Neste ciclo Van Hamme funde mais uma vez ficção-científica
com a mitologia Viking, e desta vez com muita fantasia baseada na cultura ameríndia
(como falei atrás). Van Hamme foi muito
bem nestes livros todos, excepto na “A Cidade dos Deus Perdido”, que deveria
ser o livro mais forte da saga, e acaba por ter alguns buracos de argumento que
de alguma maneira ofuscam o brilhantismo desta saga.
O livro “Os Arqueiros” serve como um prelúdio à saga de Qâ.
E que prelúdio. Temos Rosinski e Van Hamme no seu melhor. Uma história com uma
velocidade incrível, coerente da 1ª página até à última, e sobretudo o mais
importante, o maior vilão de Thorgal é introduzido aqui (neste caso uma vilã): Kriss
de Valnor.
Muitas vezes meço as histórias pela qualidade do vilão,
porque sem um bom vilão não há um bom herói. É o vilão que faz chocalhar as
emoções do leitor, e que o prende na narrativa. Kriss de Valnor é isso e muito
mais. E esta saga vive muito em cima desta personagem.
Todas as personagens estão muito bem construídas, e vamos
salientar neste caso Tjall e Argun que vão acompanhar esta saga até ao final.
Jolan é raptado e “O País de Qâ” inicia-se com uma viagem aérea,
e outra marítima, em direcção à América do Sul, muitos séculos antes de Pedro
Ávares Cabral em 1500 ter descoberto este continente.
E aqui, ao chegar ao continente, é contada a história das duas cidades
rivais de Deuses vivos e inimigos: Ogotai e Tanatloc
Uma parte do véu do passado o “filho das estrelas” começa a ser levantado aqui.
Jolan e Ergun chegam a terra por mar, como caução que Thorgal irá cumprir a sua
parte no acordo com Kriss.
Após uma incrível batalha aérea o pequeno grupo de guerreiros inicia a sua viagem até Maiaxatl, a cidade do povo Chaam governada por Ogotai. Objectivo? Roubar a fonte de poder de Ogotai: o seu elmo.
Em “Os Olhos de Tanatloc” Van Hamme ata muitas pontas do
passado de Thorgal. A sua origem extraterrestre é explicada, assim como os
poderes latentes de Jolan. Neste excelente livro, os actores posicionam-se nos
lugares certos, na altura certa, prontos a fazer correr os seus papéis nesta
saga. As emoções jogam-se bastante forte aqui sejam de amor, sejam de ódio.
É a preparação para um desenlace épico que deveria ser perfeito…
… em “A Cidade dos Deus Perdido”. Só que acho que Van Hamme vacilou
aqui. Não deixa de ser épico, mas quanto ao perfeito nem por isso.
Muito buracos absurdos no argumento, e não vou enumerar, por que deve ser o
leitor a descobrir, mas sinceramente Van Hamme espalhou-se um bom bocado por
aqui. Depois de uma narrativa exemplar, que apesar de alguma complexidade
sempre apresentou coerência, o escritor serve-se de situações fáceis e nunca
explicadas, para desemburrar o novelo. Não sei se foi pressionado por prazos
relativamente a este capítulo, o que é certo é que falhou por aqui para obter
um desenlace “fácil”. O final deste livro não é mau, mas pronto…
O livro que conclui a saga é “Entre Terra e Luz”. É uma
conclusão bastante decente, depois dos buracos do anterior. Embora Van Hamme
volte a servir-se de artifícios fáceis para resolver problemas na trama, acabam
por não ser incoerentes como no livro anterior. Fáceis sim, mas não
impossíveis.
Mas acaba por ser um bom livro e uma conclusão, como disse atrás, bastante
decente para um final de saga de cinco livros. É normal para quase
250 páginas de história que não haja os altos e baixos no enredo, mas o artista Grzegorz
Rosinski conseguiu que a maioria dos leitores até deixasse passar esses
buracos, porque na realidade a qualidade deste desenhador/pintor é duma
excelência que não está ao alcance da maioria dos seus pares.
Pronto, Ciclo de Qâ apresentado. No todo considero-o excelente,
mas não perfeito, pelas razões atrás expostas. No universo de Thorgal é um
ciclo, ou saga, imprescindível, mas que em Portugal foi desconsiderado
editorialmente.
Eu sou fã de Thorgal, é um universo único, original e sem
nada parecido que eu conheça. Estão publicados em português 24 dos primeiros 29
livros da série. Experimentem.
Brevemente mais Thorgal, quero passar esta série toda aqui
no blogue, até chegar aos dois últimos livros publicados pela editora A Seita.
E o Leituras de BD recomenda vivamente esta série.
Boas leituras

“Once
upon a time there was a princess.
And the princess had all the gifts any princess could hope to have
Beauty
Grace
Compassion
Wisdom
Things every princess need…
…when she was raised in HELL.”
Estava à espera de um modo geral de um “What if…”
decente, e com uma qualidade média aceitável, visto que de comics de
super-heróis pouco ou nada tem havido minimamente aceitável para ser lido com
prazer.
E não é que me enganei?
Todo o mito da Wonder Woman é virado ao contrário
neste Absolute Universe, como não podia deixar, ou não estivesse impregnado
com a energia negativa de Darkseid conforme explicado em Absolut Power.
Mas embora tudo mude “na paisagem” e nas personagens que rodeiam a sua infância e crescimento desta guerreira, houve uma coisa que não mudou: a sua personalidade. A sua dualidade de feroz guerreira e heroicidade, ao mesmo tempo nunca largando uma doçura e Humanidade que sempre lhe foram intrínsecas, tornam Diana numa das personagens dos comics que eu mais gosto de ler, quando bem escrita.
Esta tomada, e transfiguração do mito da Mulher Maravilha, é excitante e muito fresco. A sua infância passa da paradisíaca ilha de Themyscira, onde no universo canónico da DC ela foi criada como uma verdadeira princesa, para uma ilha no submundo de Hades, tendo como “mãe” a feiticeira Circe. Logo aqui prevemos que a magia esteja muito ligada a esta Diana.
Esta reinterpretação do mito chega muitas vezes a
entusiasmar o leitor, a força e o carisma desta WW é enorme. A história
inicia-se em Gateway City onde uma ameaça monstruosa faz a sua aparição e a WW chega para a travar. Usa a Lamina de Atena, o Laço Némesis e o seu cavalo Pegasus para resolver este
ataque. Durante o combate vamos ter muitos flashbacks, desde o início da sua
infância na ilha Selvagem, no Inferno de Hades, onde a pequena Diana é entregue
a Circe, que num primeiro momento não a rejeita, mas também não a adopta.
Todo este alternar é feito de com extrema fluidez. Diana na
actualidade, durante o intervalo da batalha, encontra Steve Trevor que a
ajuda a resolver alguns problemas físicos. Na ilha a pequena Diana transforma a alma todos os seres em que toca (ou quase todos), a própria Circe passa a amá-la
como se fosse sua filha.
No final é confrontada com Hades, mas alguns Deuses estão
com ela, e Diana consegue a sua permissão definitiva para sair do Inferno, com
algumas condições.
Esta história de Kelly Thompson está muito boa. É
assim que se escrevem comics, toda a sequência narrativa deste livro é muito
criativa, uma história nova de uma personagem velha que prega o leitor na
cadeira. Mas para ajudar a que o leitor fique pregado na cadeira precisamos
também de Hayden Sherman (desenho) e Jordie Bellaire (cor).
É cativante o trabalho de Sherman, sobretudo na
maneira como casa com a narrativa de Thompson. A Mulher Maravilha deste
desenhador vive da sua postura forte, sem ser desafiante, os seus olhos
transmitem toda a emoção que o leitor necessita, e sobretudo, Diana é de uma
intensidade avassaladora que agarra e entusiasma o leitor.
Sherman colocou um visual bem diferente do normal nesta heroína, mas na sua alma
reconhecemos sempre a Mulher Maravilha.
Bellaire coloca toda a arte de Sherman a palpitar na
página, dependendo do espaço, muda o tom da história, coloca muito bem a cor
nas cenas de magia, os layouts de acção por vezes são autênticas explosões de
cor, e de repente entramos na zona do espectro mais avermelhado quando colocado
no submundo, sempre fazendo sobressair o trabalho do desenhador.
As fundações do mito foram reinventadas, e em cima disso foi colocada uma história de qualidade pela norte-americana Kelly
Thompson. Tenho o segundo volume a rir-se para mim na prateleira. Falaremos
dele depois, para verificar se esta alta fasquia se mantêm.
O Leituras de BD recomenda este livro
Boas leituras
- Todos os infractores serão rejeitados!
Caryl Férey
e Corentin Rouge… dois completos desconhecidos
para mim. O primeiro no texto, o segundo no desenho, e também na cor com Céline
Labriet. Foi algo inesperado, sobretudo a qualidade gráfica que por vezes roça
a excelência.
Livro publicado pela editora Arte de Autor em 2025, que eu
comprei por engano, queria comprar o Elric, e não sei o que se passou neste
cérebro já fora do prazo de validade. Associei Islander à saga de Elric.
Não faz mal, o Elric comprarei depois 😁
Também percebi que no catálogo da Arte de Autor, este não é
o primeiro trabalho desta dupla de autores publicado em português. Esta
editora publicou deles o livro Sangoma também.
Costumo começar pelo autor dos textos/narrativa, mas hoje
vou trocar a ordem.
Corentin Rouge impressionou-me pelo estilo realista, sem ser fotográfico (de
que eu não sou fã), um traço fino bem preciso e detalhado, e sobretudo pelos grandes
painéis, tanto no mar como nas montanhas Islandesas, são belíssimos. Nota-se o trabalho de casa
na investigação daquela grande ilha, das suas aldeias, das suas paisagens. E
que paisagens… 😳
O planeamento dos cenários e das cenas de acção é
extremamente fluido, melhorando muito a narrativa de Caryl Férey.
E relativamente ao trabalho de Férey… acho a ideia boa, sempre gostei de histórias apocalípticas, mas acho que caiu um pouco na esparrela do preto e branco, do bom e do mau. Tem muita política actual espalhada pelo livro, não que ache isso mau, mas da maneira como são apresentadas as ideias não dá espaço ao leitor para ter a sua opinião, não tem muitas sombras por ali.
Temos no final deste primeiro volume muitas histórias por contar e desenlaçar. A de Liam, que penso que será a chave para toda esta história, e do quem não sabemos absolutamente nada ainda, a do Professor Zizek, que apenas sabemos que possivelmente teria a chave para resolver o problema climático e agrícola, mas que também não sabemos muito, sabemos que se chama Projecto Islander, mas não no que consiste. Por último temos uma personagem abandonada no cais logo nas primeiras páginas: Lívia! Não acredito que não vá acrescentar nada à história no futuro.
Penso que isto tudo são situações a ser exploradas no resto
da série.
Posto isto, penso que o cenário tem algo de um possível futuro sombrio da
Humanidade, as alterações climáticas poderão levar à fome muitas zonas do
globo, e à sua inabitabilidade pela espécie Humana. Seja Europa, seja
Austrália, o clima é de todos, e quando ficar “estragado”, vai ser para todos
também.
A minha queixa sobre o argumento é mesmo ser muito simplista
em determinadas ideias, e que por sua vez leva a que o desenhador caia também
nesse simplismo: os maus são feios, os bons são bonitos.
A base do cenário é o fluxo migratório dos habitantes
europeus para norte, as zonas ainda minimamente habitáveis são a Escócia e a
Islândia.
As personagens principais vêm em dois grupos. O Professor mais as duas jovens
que o acompanham e um guia pago para os levar para a Islândia saem do Cais do
Havre para essa ilha, mas precisam de desviar o barco, pois o destino seria a
Escócia.
O outro grupo está na Islândia. Uma ilha separa por secessionistas
no norte, e lealistas no sul. Ambos as partes a extremar a política anti
migratória, dividindo a família de Erika politicamente e geograficamente.
E claro, temos o joker desta história que é Liam, que é o único que nas suas fugas consegue conhecer todos os protagonistas deste livro.
Na realidade gostei muito do livro, sobretudo pela arte de
Corentin, são 160 páginas que ninguém se vai arrepender de ler. Agora temos de
esperar pelo próximo, nesta série apresentada para três tomos.
A edição da Arte de Autor está imaculadamente boa. Capa dura, papel muito bom e a impressão é excelente e de acordo com a qualidade do papel.
Argumento: Caryl Férey
Desenho: Corentin Rouge
Edição: Cartonada
Número de páginas: 160
Impressão: Cores
Formato: 232 × 310
PVP: 33€
Editor: Arte de Autor
Boas Leituras
Existe um livro que eu nunca comprei no original (inglês) porque sempre tive a esperança de que fosse publicado em Portugal, numa das inúmeras colecções de “novelas gráficas” da Devir, mas nunca tal aconteceu, embora tivesse TUDO para figurar numa delas. Infelizmente o autor não é espanhol (sarcasmo), portanto logo aí perde muitas chances de fazer parte numa desses colecções. Estou a falar de Black Hole de Charles Burns.
A arte desse livro sempre me fascinou, e a história tem uma
premissa noir que eu adoro. Mas enfim, um dia destes tenho mesmo de o
comprar no original, porque há muito tempo (tempo demais) que tem lugar reservado
nas minhas estantes.
Então li a notícia da publicação de Final Cut pela
ASA e fiquei com meia dose de felicidade, visto que sempre pensei que Black Hole
fosse o livro introdutório por excelência de Charles Burns.
Mas não aconteceu assim. A ASA publicou em Fevereiro deste
ano esta obra de Burns, que remonta a 2024 no seu original. Esta edição da ASA,
Final Cut, é a compilação dos três livros da série que saiu com o título Dédales
(1, 2 e 3). Começou a ser publicada pela Cornélius (França) em 2019 e conclui
em 2023 com o 3º volume.
Voltando ao autor. Tem um estilo gráfico e uma qualidade que
me fascina, sobretudo no preto e branco. Daí esta minha fixação com a obra
Black Hole.
Burns é um autor já com alguma idade, vai fazer 71 anos este
ano, e o incrível é ele conseguir contar histórias sobre jovens que procuram
uma direcção na vida, mas colocando-se com uma visão bastante precisa dos anseios,
desejos e problemas próprios da idade, como se ele próprio fizesse parte do
grupo, e não como um adulto experiente contando histórias sobre esta etapa pós-adolescente.
Em Final Cut conta-se uma história com duas narrações, a de
Brian e a de Laurie.
Brian é um rapaz brilhante, mas extremamente inseguro, mostrando alguma
percentagem de autismo, ou simplesmente estados depressivos, e embora nunca
fosse dito qual era o seu problema, sabemos que não está a tomar a “medicação”
e que se alheia do mundo com muita frequência.
É um mundo complicado o de Brian, vive e cuida de uma mãe com problemas de
adição e comportamentos de insanidade mental.
A sua vertente artística é muito acentuada pela fraca delimitação entre o real e a fantasia, e os seus desenhos e edição de filmes são a prova disso. Brian respira filmes de terror “série B” por todo o lado, todos os filmes que faz com o seu amigo Jimmy são muito baseados em filmes deste género, e um deles (Invasion of the Body Snatchers) vai servir de fundo à sua última criação.
Laurie é uma bonita jovem, com o cabelo de um ruivo
deslumbrante, embora não faça ostentação da sua beleza. Tem muitas dúvidas iniciais sobre
o rumo da sua vida e sente-se muito intrigada por Brian. Os seus desenhos, a
sua “loucura”, as suas mudanças de humor fazem-na aproximar dele.
Irá ser a estrela do filme de Brian e Jimmy, embora aquele seja um projecto de
que ela não se sente segura de que irá realmente gostar, mas a jovialidade de
Jimmy, a estranheza de Brian e as loucuras da amiga Tina fazem-na aceitar.
No fim esta é uma história tão antiga como a Humanidade. Brian
ama Laurie e não lho consegue transmitir. Laurie não ama Brian e descobre
caminhos diferentes para percorrer na estrada da vida.
Mas no fim, é Brian que decide o final da relação, ou não fosse ele o editor…
Final Cut é o título certo.
Tudo isto assenta num trabalho artístico de alta qualidade! Tudo é bom no traço de Burns, os enquadramentos são maravilhosos, enfim… só
pegando no livro e olhando é que irão perceber do que eu estou a falar. Tenho a
certeza que qualquer pessoa que passe numa livraria, e abra este livro, se vai
sentir extremamente tentada a comprá-lo apenas vendo a arte de Charles Burns.
Já agora o final do livro não é daqueles que eu gosto. Ok, é um final. Mas é um final que sabe a pouco e bastante abrupto. Nas páginas finais andei folha para trás, folha para a frente, à procura de algo porque senti que falta ali qualquer coisa que “acabe” mesmo o livro. Não encontrei 🤷🏻♂️
Esta edição em capa dura da ASA é muito cuidada. A gramagem
e o tipo de papel são completamente adequados à cor e desenho de Burns. Não
achei nenhuma falha nesta edição, inclusivamente as guardas deste livro estão
maravilhosas.
O pecado do livro está na má tradução de títulos de filmes existentes no mercado, que é uma coisa que não faz sentido tipo "Os Invasores de Corpos" (Invasion of the Body Snatchers) “A
Última Sessão de Cinema” (título brasileiro) em vez de “A Última Sessão” (The Last Picture Show) relativos a filmes que são importantes para todo o cenário e enquadramento desta obra.
Deixo aqui o trailer do filme de 1978, Invasion of the Body Snatchers:
Quem ler o livro irá perceber porque coloquei este trailer 😉
O Leituras de BD recomenda este livro
Boas leituras
“-… if I
don’t know the rules, I don’t have to stick to them.”
E ao mesmo tempo que eram um corpo espacial, uma equipa, a
forte individualidade de cada um estava sempre presente, os próprios anéis dos Lanternas,
fossem de que cor fossem do espectro da luz, eram todos diferentes pois
reflectiam a personalidade do possuidor.
Então, depois da grande saga de Geoff Johns nesta franquia, em que
colocou a fasquia num nível muito alto, tem sido difícil para mim pegar nestes
heróis da DC.
Quando comecei a ler a este livro fui logo resmungando e
remoendo entre dentes “- Áhh não…”, ou “- Really!?”, isto para não
relatar aqui alguns impropérios dignos de uma peixeira na tropa.
Então desisti do livro a meio.
Isto é muito fora da caixa para um fã do arquétipo clássico do Lanterna Verde 🤷🏻♂️
Deixei o livro em pousio agrícola durante dois meses e lá
voltei a pegar nele com a mente bastante mais aberta a mudanças (radicais)
nesta série, em relação à franquia clássica. Se o Universo Absolute é para ser
diferente, escuro e daninho então tive de sair da caixa.
E pronto, este texto vai ser referente à minha segunda leitura do livro.
O que se passa aqui logo de caras é uma reinvenção do mito
do Lanterna Verde.
Todos as personagens clássicas estão presentes, mas acabando por ter um papel
inicial nesta história muito diferente. É uma mudança radical de todos os
fundamentos em que o mundo clássico se apoia.
Relativamente à narrativa de Al Ewing vou separá-la
em duas partes neste primeiro volume.
Ele escolheu Hal Jordan para incorporar algo como o Black Hand.
Ou seja, o desgraçado no universo clássico já teve aquela fase do Parallax,
e aqui acaba por incorporar também algo não muito bom, embora o conceito me
pareça algo diferente.
Ewing junta vários Lanternas clássicos numa pequena
vila do interior, são residentes neste local Hal Jordan, Guy Gardner, John
Stewart e Jo Mullein. E aqui nesta 1ª fase conhece-se um pouco das
personalidades destas personagens, que não são exactamente as mesmas que conhecemos,
e aqui nesta vila dá-se um experimento alienígena.
Surge uma gigantesca Lanterna Verde pairando acima da vila,
e um campo de forças é colocado de modo a impedir entrada ou saída de pessoas.
E aqui surge uma figura algo assustadora: The Abin Sur.
Sim, não o nosso Abin Sur, mas sim The Abin Sur, ou seja, não é um nome, mas um
título. É um chato que quer julgar toda a gente com o moto be without
fear, que, diga-se de passagem, foi algo que nunca percebi muito bem neste
livro.
Quanto à descrição física desta personagem omnipresente em quase todo este
livro, vamos falar depois, na parte do desenhador.
Basicamente temos o início de um horror space comic,
e boa parte disto surge da mão esquerda de Hal Jordan colocando-o numa
posição a beirar o vilão. Quanto a Jo Mullein, torna-se inadvertidamente
uma poderosa Lanterna Verde (não vou dizer como), e deixa-me a pensar que a
nível de artefactos de poder, neste caso os famosos Anéis de Lanterna, estão
algo ausentes da história sendo substituídos, pelo menos no caso da Jo
pelo seu anel de casamento.
Pronto, apesar dos saltos da narrativa esta primeira parte acabei por gostar bastante, toda a luta e perseguição entre Jo e Hal foi bastante boa, as interacções também estiverem bem.
Mas quando entram para dentro do monólito verde, que acaba
por cair em cima da vila, torna-se tudo um pouco confuso. Personagens de mais,
as cores não consegui entendê-las, e uma filosofia de Lanternas protagonizada
por John e Guy que não achei fluida, achei como disse atrás,
confusa.
Acho que Ewing poderia ter feito bem melhor naquela
fase fulcral da designação das cores, e do que representam, acabando tudo por
ser muito etéreo, tipo a roçar malta a dar em psicotrópicos.
Faltou-me falar do vilão de serviço aqui: Hector Hammond. Sinceramente achei-o muito genérico, muito estilo executivo, muito igual a muitos outros do género. Poderiam ter feito bem melhor por aqui. Gosto dele bem mais cabeçudo 😏
Quanto a Jahnoy Lindsay ao nível da qualidade do seu
trabalho, vale exactamente o mesmo que para Ewing. Na primeira parte do
livro gostei bastante, na segunda parte acho que ficou confuso e pouco legível
por vezes. Não é o tipo de arte que me enche o olho, mas no cômputo geral era o
estilo de arte que melhor se adaptava a este tipo história de horror espacial.
Quanto ao The
Abin Sur… really? Uma mistura
de Majin Boo “do mal” com aquela personagem de quatro braços do Mortal
Kombat, o Goro. Sinceramente, não gostei, achei falta de imaginação.
Vou comprar o 2º volume? Vou!
Houve bastantes coisas que me agradaram, e pelo final, pode ser que venham aí
coisas que me agradam ainda mais 😎.
(O amarelo voltou a ditar regras na franquia, pelo que vi neste volume...)
Boas leituras
Este escritor de comics norte-americano é conhecido por ter criado dois heróis, um na Marvel (Punisher) e outro na DC (Firestorm), e por ter escrito um dos momentos mais marcantes dos comics em Spider-Man: The Death of Gwen Stacy! Para além disso o primeiro crossover entre a Marvel e a DC: Superman vs The Amazing Spider-Man. De resto escreveu para estas duas editoras em quase todos os seus grandes símbolos.
Ficam as palavras de Hugo Silva:
Esta foi a homenagem do LBD a este grande Herói dos comics Norte-Americanos
Boas leituras
“… why are you alive?”
No primeiro post que fiz sobre esta série coloquei
muitas generalidades e explicações, portanto leitores que venham até aqui pela
primeira vez, cliquem por favor no link seguinte para que tudo faça mais
sentido:
Alice in
Borderland Vol.1 & Vol.2
Não vou enumerar todos os jogos que aconteceram nestes sete
volumes, acho um pouco irrelevante, basicamente são testes de força,
inteligência e superação psicológica, mas no final o ingrediente principal é a
vontade de viver de cada um, é com essa vontade que se define o resultado de
muitos jogos mortais.
No post anterior ficamos no volume 2, onde Arisu e Usagi
encontram “a praia”. Local onde muitos jogadores se encontravam e coleccionavam
cartas para os jogadores mais antigos e mais fortes.
Este refúgio era um local de prazer para todos os jogadores que lá se
encontravam, desde que cumprissem as regras. Tudo mudou quando os se sabe que
existem Dealers do jogo misturados, e se abre um jogo neste local. O
jogo era o 10 de Copas, com o nome Witch Hunt.
Claro… jogo de Copas
implica intensa mortandade e guerra psicológica, assim no final do jogo “A
Praia” está completamente destruída.
Criam-se grupos, criam-se ligações entre sobreviventes, Arisu
e Usagi ensaiam um romance
Arisu pensa muito, pensa demais e entra num estado depressivo de que é
salvo por Usagi, conseguindo atingir alguns dias de felicidade finalmente.
Os jogos entram numa segunda, e final etapa, e são grandes e
terríveis jogos de vários naipes, alguns deles muito interessantes e retorcidos
moralmente.
Esta segunda fase traz os Gamemasters ou Citizens para a arena.
São eles que mandam em Borderland, sabendo-se depois em side stories que
eles são sobreviventes do jogo que preferiram ficar, portanto, personagens
poderosos.
Estes jogadores especiais vão arriscar a sua vida em jogos
contra Arisu e os seus amigos. Os locais são identificados com as
figuras de cada naipe. Sempre que um era eliminado a imagem da figura do naipe
era destruída.
Os jogos na sua maioria são bastante bons, mas também tem alguns bastante chatos. Arisu ganha o primeiro jogo, mas fica afectado psicologicamente decidindo não jogar mais até o seu visto de permanência caducar, ou seja, entra em depressão novamente. Mas é algo que muda depois de ver uma filmagem de um jornalista, que lhe vai abrir a mente.
Entra no último jogo com Usagi contra a Rainha de
Copas. O jogo é simples, mas é de Copas.
E foco-me por aqui no que respeita à história. Se quiserem saber tudo é fácil,
é só comprar estes 9 volumes.
Adorei a progressão da arte de Haro Aso, sempre a
melhorar até ao final. A narrativa gráfica sempre muito boa, e as personagens
sempre muito bem tratadas nas expressões, sobretudo quando entra o desespero e
o medo em equação.
O ambiente gráfico é muitas vezes sufocante sentindo-se toda a tensão da narrativa
cravada na parte da gráfica.
Falando da narrativa, as personagens são muito bem tratadas
psicologicamente. Não é uma nem duas personagens, são muitas, todas elas bem
diferentes umas das outras e completamente tridimensionais.
O fio da narrativa perde-se um pouco com as side stories que vão acontecendo, para contar a história de alguma personagem, ou para colocar em evidência alguma situação pontual. Mas acabam por ser bastantes, e numa narrativa tão asfixiante, complexa e psicológica, o leitor acaba por criar uma ligação com o grupo principal, e quer saber o que se passa a seguir. Estas sides stories acabam por ser anti-orgâsmicas porque quebram a cadência do leitor. Nem todas, claro, algumas são importantes e cativantes.
Acabo este post com a pergunta inicial: porque estás
vivo?
Qual a importância da tua vida? Ou quanto vale a tua vida?
Este é o ponto central de toda esta história. No jogo de Chishiya
contra o Rei de Ouros isto é posto na balança de um modo brutal.
No final aparece uma carta diferente… o Joker. É um final excelente para toda
esta obra tudo o que acontece a seguir ao Joker.
No fim disto tudo, o Leituras de BD recomenda
vivamente esta obra.
Uma obra para se ler lentamente, a pressa estraga os pormenores narrativos.
Boas leituras