terça-feira, 28 de abril de 2026

Absolute Green Lantern Vol.1: Without Fear


 


“-… if I don’t know the rules, I don’t have to stick to them.”

Este era um título do qual iria ser difícil para mim escrever o que quer que fosse.

Quem me conhece do mundo Banda Desenhada sabe que o Universo dos Lanternas Verdes é o meu preferido nos comics norte-americanos. É o poder mais perfeito de todos na minha óptica… a força de vontade aliada à imaginação e inteligência, tudo unido a uma ferramenta: um anel esmeralda. E depois tem a parte sci fi de todo este mundo, são polícias intergalácticos!
Irresistível para mim! 😱

E ao mesmo tempo que eram um corpo espacial, uma equipa, a forte individualidade de cada um estava sempre presente, os próprios anéis dos Lanternas, fossem de que cor fossem do espectro da luz, eram todos diferentes pois reflectiam a personalidade do possuidor.
Então, depois da grande saga de Geoff Johns nesta franquia, em que colocou a fasquia num nível muito alto, tem sido difícil para mim pegar nestes heróis da DC.

Quando comecei a ler a este livro fui logo resmungando e remoendo entre dentes “- Áhh não…”, ou “- Really!?”, isto para não relatar aqui alguns impropérios dignos de uma peixeira na tropa.

Então desisti do livro a meio.
Isto é muito fora da caixa para um fã do arquétipo clássico do Lanterna Verde 🤷🏻

Deixei o livro em pousio agrícola durante dois meses e lá voltei a pegar nele com a mente bastante mais aberta a mudanças (radicais) nesta série, em relação à franquia clássica. Se o Universo Absolute é para ser diferente, escuro e daninho então tive de sair da caixa.
E pronto, este texto vai ser referente à minha segunda leitura do livro.

O que se passa aqui logo de caras é uma reinvenção do mito do Lanterna Verde.
Todos as personagens clássicas estão presentes, mas acabando por ter um papel inicial nesta história muito diferente. É uma mudança radical de todos os fundamentos em que o mundo clássico se apoia.

Relativamente à narrativa de Al Ewing vou separá-la em duas partes neste primeiro volume.
Ele escolheu Hal Jordan para incorporar algo como o Black Hand. Ou seja, o desgraçado no universo clássico já teve aquela fase do Parallax, e aqui acaba por incorporar também algo não muito bom, embora o conceito me pareça algo diferente.

Ewing junta vários Lanternas clássicos numa pequena vila do interior, são residentes neste local Hal Jordan, Guy Gardner, John Stewart e Jo Mullein. E aqui nesta 1ª fase conhece-se um pouco das personalidades destas personagens, que não são exactamente as mesmas que conhecemos, e aqui nesta vila dá-se um experimento alienígena.

Surge uma gigantesca Lanterna Verde pairando acima da vila, e um campo de forças é colocado de modo a impedir entrada ou saída de pessoas.

E aqui surge uma figura algo assustadora: The Abin Sur.
Sim, não o nosso Abin Sur, mas sim The Abin Sur, ou seja, não é um nome, mas um título. É um chato que quer julgar toda a gente com o moto be without fear, que, diga-se de passagem, foi algo que nunca percebi muito bem neste livro.
Quanto à descrição física desta personagem omnipresente em quase todo este livro, vamos falar depois, na parte do desenhador.

Basicamente temos o início de um horror space comic, e boa parte disto surge da mão esquerda de Hal Jordan colocando-o numa posição a beirar o vilão. Quanto a Jo Mullein, torna-se inadvertidamente uma poderosa Lanterna Verde (não vou dizer como), e deixa-me a pensar que a nível de artefactos de poder, neste caso os famosos Anéis de Lanterna, estão algo ausentes da história sendo substituídos, pelo menos no caso da Jo pelo seu anel de casamento.

Pronto, apesar dos saltos da narrativa esta primeira parte acabei por gostar bastante, toda a luta e perseguição entre Jo e Hal foi bastante boa, as interacções também estiverem bem.

Mas quando entram para dentro do monólito verde, que acaba por cair em cima da vila, torna-se tudo um pouco confuso. Personagens de mais, as cores não consegui entendê-las, e uma filosofia de Lanternas protagonizada por John e Guy que não achei fluida, achei como disse atrás, confusa.

Acho que Ewing poderia ter feito bem melhor naquela fase fulcral da designação das cores, e do que representam, acabando tudo por ser muito etéreo, tipo a roçar malta a dar em psicotrópicos.

Faltou-me falar do vilão de serviço aqui: Hector Hammond. Sinceramente achei-o muito genérico, muito estilo executivo, muito igual a muitos outros do género. Poderiam ter feito bem melhor por aqui. Gosto dele bem mais cabeçudo 😏

Quanto a Jahnoy Lindsay ao nível da qualidade do seu trabalho, vale exactamente o mesmo que para Ewing. Na primeira parte do livro gostei bastante, na segunda parte acho que ficou confuso e pouco legível por vezes. Não é o tipo de arte que me enche o olho, mas no cômputo geral era o estilo de arte que melhor se adaptava a este tipo história de horror espacial.

Quanto ao The Abin Sur  really? Uma mistura de Majin Boo “do mal” com aquela personagem de quatro braços do Mortal Kombat, o Goro. Sinceramente, não gostei, achei falta de imaginação.

Vou comprar o 2º volume? Vou!
Houve bastantes coisas que me agradaram, e pelo final, pode ser que venham aí coisas que me agradam 😎.

 P.S.: Podiam ter escolhido uma capa melhor... capa sem sal esta que escolheram 🤷🏻‍♂️

(O amarelo voltou a ditar regras na franquia, pelo que vi neste volume...)


Boas leituras


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Autores: Gerry Conway
(Setembro 1952 – Abril 2026)

 


Gerry Conway faleceu hoje.
Ficará sempre nas nossas memórias como um dos grandes autores de comics de sempre. Vou recuperar um texto sobre ele do  neste blogue, em sua homenagem.

Este escritor de comics norte-americano é conhecido por ter criado dois heróis, um na Marvel (Punisher) e outro na DC (Firestorm), e por ter escrito um dos momentos mais marcantes dos comics em Spider-Man: The Death of Gwen Stacy! Para além disso o primeiro crossover entre a Marvel e a DC: Superman vs The Amazing Spider-Man. De resto escreveu para estas duas editoras em quase todos os seus grandes símbolos.


Ficam as palavras de Hugo Silva:

Gerry Conway faz falta

Gerry Conway é um dos maiores nomes da indústria de comics Norte-Americana, o seu trabalho nas duas grandes editoras faz com que seja um nome reconhecido e respeitado devido à sua escrita em títulos como Homem-Aranha ou Liga da Justiça entre outros.

Ele foi o primeiro a escrever um grande crossover entre as duas companhias, que colocava nas mesmas páginas os maiores símbolos da DC e da Marvel: Superman e Spider-Man. O seu tempo em Amazing Spider-Man é lendário, já que todos recordam a storyline que levou à morte da Gwen Stacy. Muitos relembram também as suas criações, nomeadamente Punisher para a Marvel e Firestorm para a DC.

Conway começou a escrever ainda nos seus 16 anos, para as revistas de horror da DC, até que conseguiu um lugar na Marvel pela mão do escritor e editor Roy Thomas. Foi no início da década de 70 que se deu a estreia em grande deste jovem numa breve passagem por títulos de segunda linha como Ka-zar, Inhumans e Black Widow. Apesar da sua idade ele passou ainda por alguns com mais importância da Marvel, como o Iron Man, Daredevil e Hulk, para além de criar personagens que seriam no futuro importantes para a mesma. Werewolf by Night, Tomb of Dracula e Man-Thing são algumas personagens que conheceram a luz do dia pela mente do jovem escritor.

Os tempos eram outros e só assim um jovem com 19 anos teria a oportunidade de escrever os 2 títulos que davam basicamente nome à companhia, Amazing Spider-man e Fantastic Four. O talento dele sobressaiu e este esteve à altura dos mesmos, levando a duas runs memoráveis em especial no cabeça de teia. No Aranha os personagens de apoio eram sempre bem retratados e ganhavam uma vida e importância tal que gostávamos tanto deles como do herói principal. Foi aproveitando esse destaque que ele escreveu logo no começo da sua run, a morte de uma das mais importantes personagens secundárias, a namorada de Peter Parker, Gwen Stacy.

Outro marco nos seus 3 anos em frente dos destinos do Aracnídeo foi a co-criação com Ross Andru de uma personagem que seria antagonista do nosso herói, mas que seria mais tarde uma das personagens mais importantes da editora, o Punisher, para além de alguns dos combates mais memoráveis com os vilões Tarântula, Escorpião, Mysterio, e ainda a primeira Saga do Clone.

No Quarteto, ele faz o Namor aparecer outra vez no caminho dos heróis e usa da melhor forma um dos melhores rivais da equipa, o Mago e o seu Quarteto Terrível.

Em 1975 o jovem escritor cometia o feito de voltar à DC e assim escrever para ambas as companhias, isto numa altura em que isso não era muito comum. Talvez por isso ele acabou por ser o escolhido para escrever aquela que seria uma revista marcante na história dos comics Norte-Americanos, o crossover que envolvia Superman e Spider-Man. Na casa das ideias, ele fez parte do rodopio de Editores-Chefe no final dos anos 70 tomando esse cargo durante pouco menos de um ano sucedendo a Marv Wolfman e deixando o lugar para Archie Goodwin.

Em Janeiro de 1977, o nome de Conway era já tão importante saíram 9 títulos para as bancas com o seu nome nos créditos. Avengers, Defenders, Spectacular Spider-man, Iron Man e as estreias de Ms.Marvel e Logan's Run para a Marvel enquanto que na DC seriam os títulos Superman e Action Comics a trazerem o seu nome, Foi aliás esta companhia que marcaria a sua carreira na década de 80.

Conway foi dos poucos a ter direito a duas runs diferentes com a Liga da Justiça, a primeira no final dos anos 70 com a Liga do Satélite e esteve envolvido nas histórias que trouxeram de volta a tradição anual dos encontros entre as duas equipas da DC, a JLA e a JSA. Ele também escreveu outros títulos grandes como Superman ou Batman sendo que no morcego realça-se a sua história que envolve o perigoso Hugo Strange.

Em 1986 voltou em grande à co-criação de personagens, e uma que rapidamente se tornou uma das favoritas dos fãs de Comics, o herói da DC, Firestorm. Conway escreveu mais de metade dos números da revista em que retratava um jovem, Ronnie Raymond e as suas aventuras como o herói nuclear ou apenas como o adolescente na faculdade. Sem sombra de dúvida que a influência Peter Parker via-se no mesmo, e isso que ajudava ao sucesso dele já que também aqui Conway dava importância ao elenco de apoio. Mais tarde a personagem fez parte inclusive da Liga da Justiça.

Antes de se concentrar nos seus trabalhos para TV e Cinema (que incluíam coisas como Conan, the Destroyer, Hercules, Law & Order e Perry Mason entre outros), Gerry teve ainda tempo de voltar ao cabeça de teia para escrever no final dos anos 80 as revistas Spectacular Spider-Man e Web of Spider-man.

Mais uma vez Conway mostrou como gosta de dar atenção ao elenco de apoio e personagens como Nick Katzenberg, Gloria Grant, Aunt May, Nathan Lubensky, Joe Robertson, ou Randy Robertson todos tinham algum destaque na vida da personagem. Também era dado destaque a personagens com poderes como por exemplo, Puma, Rocket Racer, Will-O'-The-Wisp, Prowler, Sandman, Silver Sable, Molten Man, Green Goblin e Chamelon a darem que fazer ao nosso herói, ficando esses personagens pela revista Web of Spider-Man.

Em Spectacular era o bom e velho JJJ, Ben Urich, Mary Jane, a volta do clone da Gwen Stacy e vilões como Tombstone, Kingpin e Duende Macabro a complicarem a vida do aracnídeo. Até a sua co-criação Punisher deu o ar da sua graça nesta última run do escritor antes de decidir concentrar-se na TV.

Deixa saudades porque é daqueles poucos autores que conseguiu mais que uma run memorável, ou agradável, com alguns dos maiores heróis de ambas as companhias.



Esta foi a homenagem do LBD a este grande Herói dos comics Norte-Americanos 


Boas leituras

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Alice in Borderland Vols. 3 - 9

 


“… why are you alive?”


Pergunta muito complexa na sua simplicidade. E é basicamente esta pergunta feita no final do 9º volume, que ata toda esta história brutal (mas honesta) nas emoções em que revolve.

No primeiro post que fiz sobre esta série coloquei muitas generalidades e explicações, portanto leitores que venham até aqui pela primeira vez, cliquem por favor no link seguinte para que tudo faça mais sentido:

Alice in Borderland Vol.1 & Vol.2

Não vou enumerar todos os jogos que aconteceram nestes sete volumes, acho um pouco irrelevante, basicamente são testes de força, inteligência e superação psicológica, mas no final o ingrediente principal é a vontade de viver de cada um, é com essa vontade que se define o resultado de muitos jogos mortais.

No post anterior ficamos no volume 2, onde Arisu e Usagi encontram “a praia”. Local onde muitos jogadores se encontravam e coleccionavam cartas para os jogadores mais antigos e mais fortes.
Este refúgio era um local de prazer para todos os jogadores que lá se encontravam, desde que cumprissem as regras. Tudo mudou quando os se sabe que existem Dealers do jogo misturados, e se abre um jogo neste local. O jogo era o 10 de Copas, com o nome Witch Hunt.

Claro…  jogo de Copas implica intensa mortandade e guerra psicológica, assim no final do jogo “A Praia” está completamente destruída.

Criam-se grupos, criam-se ligações entre sobreviventes, Arisu e Usagi ensaiam um romance
Arisu pensa muito, pensa demais e entra num estado depressivo de que é salvo por Usagi, conseguindo atingir alguns dias de felicidade finalmente.

Os jogos entram numa segunda, e final etapa, e são grandes e terríveis jogos de vários naipes, alguns deles muito interessantes e retorcidos moralmente.
Esta segunda fase traz os Gamemasters ou Citizens para a arena. São eles que mandam em Borderland, sabendo-se depois em side stories que eles são sobreviventes do jogo que preferiram ficar, portanto, personagens poderosos.

Estes jogadores especiais vão arriscar a sua vida em jogos contra Arisu e os seus amigos. Os locais são identificados com as figuras de cada naipe. Sempre que um era eliminado a imagem da figura do naipe era destruída.

Os jogos na sua maioria são bastante bons, mas também tem alguns bastante chatos. Arisu ganha o primeiro jogo, mas fica afectado psicologicamente decidindo não jogar mais até o seu visto de permanência caducar, ou seja, entra em depressão novamente. Mas é algo que muda depois de ver uma filmagem de um jornalista, que lhe vai abrir a mente.

Entra no último jogo com Usagi contra a Rainha de Copas. O jogo é simples, mas é de Copas.
E foco-me por aqui no que respeita à história. Se quiserem saber tudo é fácil, é só comprar estes 9 volumes.

Adorei a progressão da arte de Haro Aso, sempre a melhorar até ao final. A narrativa gráfica sempre muito boa, e as personagens sempre muito bem tratadas nas expressões, sobretudo quando entra o desespero e o medo em equação.
O ambiente gráfico é muitas vezes sufocante sentindo-se toda a tensão da narrativa cravada na parte da gráfica.

Falando da narrativa, as personagens são muito bem tratadas psicologicamente. Não é uma nem duas personagens, são muitas, todas elas bem diferentes umas das outras e completamente tridimensionais.

O fio da narrativa perde-se um pouco com as side stories que vão acontecendo, para contar a história de alguma personagem, ou para colocar em evidência alguma situação pontual. Mas acabam por ser bastantes, e numa narrativa tão asfixiante, complexa e psicológica, o leitor acaba por criar uma ligação com o grupo principal, e quer saber o que se passa a seguir. Estas sides stories acabam por ser anti-orgâsmicas porque quebram a cadência do leitor. Nem todas, claro, algumas são importantes e cativantes.

Acabo este post com a pergunta inicial: porque estás vivo?

Qual a importância da tua vida? Ou quanto vale a tua vida?
Este é o ponto central de toda esta história. No jogo de Chishiya contra o Rei de Ouros isto é posto na balança de um modo brutal.

No final aparece uma carta diferente… o Joker. É um final excelente para toda esta obra tudo o que acontece a seguir ao Joker.

No fim disto tudo, o Leituras de BD recomenda vivamente esta obra.
Uma obra para se ler lentamente, a pressa estraga os pormenores narrativos.

Boas leituras


terça-feira, 24 de março de 2026

Dan Da Dan Vol.1

 


Quando um rapaz viciado em OVNIs colide com uma miúda que adora fantasmas, o Universo nunca mais será o mesmo!

Em Fevereiro deste ano de 2026, a Devir iniciou a publicação de Dan Da Dan (ou Dandadan      ダンダダン), Manga da autoria de Yukinobu Tatsu, cuja publicação se iniciou originalmente em 2021 como um webmanga publicado na aplicação Shōnen Jump+ da Shueisha.
Estão publicados 22 volumes no original, o mais recente saiu em Janeiro deste ano

A Devir está muito forte no Manga, com muitos títulos desde clássicos como Monster de Naoki Urasawa ou títulos bastante recentes como Kaiju n.º8 de Naoya Matsumoto.
Este Dan Da Dan vinha com bastante hype, então decidi comprar, visto que o tema se adequava ao meu gosto, e é um Shounen, e eu gosto de Shounens (Mangas direccionados para jovens adolescentes do sexo masculino).

E sim, sobrenatural e extraterrestres, tudo na mesma trama para mim é irresistível… 😆
Quanto eu hype não há problema, consigo perfeitamente pôr de lado o exagero do sensacionalismo criado nas plataformas de divulgação por leitores, ou editoras.

Então, temos uma jovem com inseguranças amorosas e um rapaz sujeito a bulling escolar, que juntos vão enfrentar o mundo, sejam ETs ou seres sobrenaturais.
Neste primeiro livro desafiam-se a provar um ao outro que cada um deles tem razão, Momo acredita em fantasmas, e Okarun em extraterrestres. Assim uma noite cada uma vai para locais propícios a provar que o outro estaria errado, o problema é que estão os dois certos.

E aqui começa uma enorme dose de caos louco, diversão, muita velocidade e cenas WTF. Qual será a droga do Yukinobu?? 😏😅

- Eu deixo-te chupar as minhas mamas, por isso…
- …deixa-me chupar-te a salsicha. 

                                                               😂😂😂😂


Achei algumas partes cómicas hilariantes, os extraterrestres então eram o máximo, e pronto, como contraponto o enredo também nos indicia um início romântico entre os dois protagonistas. A acção é extremamente dinâmica sem tornar as páginas confusas, mas bolas… que avó é essa Momo?? 😅

Ao nível do enredo, achei-o bastante forte para um 1º volume, gostei mesmo bastante, e a arte, bem a arte é excelente, excepto…

… excepto quando começam aquelas tretas das caricaturas que os japoneses colocam nos shounen e shoujo para demonstrar emoção naquela particular vinheta.
Esta parte chateou-me um bocado. Estou habituado a esta ferramenta dos mangakas neste tipo de registo, não costuma ser um problema para mim, embora não goste. Neste livro foi um perfeito exagero, e isso fez-me torcer o nariz.


O 2º volume supostamente já saiu, estava indicado como lançamento para este mês no site da editora. Vou continuar, mas se aquilo bonequinhos enervantes com veias na cabeça e olhos manhosos continuarem a sobrelotar o livro, acho que me fico por ali. Não tenho paciência para aquilo, supostamente este tipo de leitura também não á para a minha faixa etária segundo a classificação japonesa, só que eu não sou japonês e gosto de ler de tudo…
E é uma pena porque fora isso a arte é muito boa.


Editora: Devir

Páginas: 212 páginas a preto, capa mole

Formato: 12,6 x 19 cm

ISBN: 978-989-559-788-8

DANDADAN ©2021 by Yukinovu Tatsu/SHUEISHA Inc.


Boas leituras

terça-feira, 17 de março de 2026

Absolute Batman Vol.1: Zoo

 


"- I hate this @#$% town."

                                   - Alfred

A DC tentou nos últimos anos modernizar o seu universo, para alavancar a criação de novos leitores, várias vezes. Saliento as duas imprints que por mim poderiam ter seguido, porque tiveram qualidade para isso, a All Star e a Earth One.

Infelizmente é difícil colocar no mercado um produto novo com um nome antigo que consiga agradar ao core dos leitores mais antigos e “canonizados” naquele herói, e ao mesmo tempo atrair novos leitores de geração mais recente.

Parece que o Universo Absolute está a conseguir isso, e espero que a DC não estrague tudo com as parvoíces editoriais do costume. É necessária coesão e não acabar por entrar naquelas loucuras de que a única maneira de sair delas é fazer o famosíssimo reboot, que como sabemos vai acabando com a confiança dos leitores, e por arrasto colocar as vendas em baixo.

Batman é escrito por um dos arquitectos deste universo Absolute, Scott Snyder, e é-nos apresentado de uma maneira grandiosa e apaixonada em todos os aspectos, um gigantesco guerreiro underdog que cresceu no seio da classe média, e não na elite da alta sociedade com recursos aparentemente ilimitados para as suas actividades como vigilante.

E porque é que este Bruce Wayne de classe média me atrai tanto? Talvez porque não foi criado em berço de ouro, e para fazer o que faz tem de se servir e reunir com muita inteligência os recursos limitados que possui. Não existe Mansão Wayne, não existe Batcave. Nada foi servido de mão beijada a este Batman. Ele tem de ser mais hábil e genuíno enquanto pessoa, para conseguir os mesmos objectivos: o amor pelos pais e a vontade de os deixar orgulhosos, e a vontade de lutar contra o crime e nunca negociar com criminosos. E brutal. Batman tem de ser brutal em qualquer universo.

Este Batman de Snyder traz novos desafios e uma perspectiva diferente, e fez jus às expectativas que eu tinha para ele.

Como grandes diferenças do universo regular da DC temos a origem em si do próprio Batman, como referi atrás, ele teve de construir todo um mundo de ligações na cidade, e para isso trabalhou em todas as áreas vitais de Gotham. Um estudante genial abalado com o assassinato do pai, que entrou na melhor universidade do país, aí estudou química, mecânica aplicada, teoria militar e psicologia criminal.
Depois em Gotham trabalhou na rede eléctrica, nas águas, no saneamento, enfim, ficou a conhecer a cidade por dentro e por fora. Agora é engenheiro de obras, o que é muito importante para as suas actividades como Batman… não tem Batcave, mas conhece muitos prédios onde pode fazer pequenas bases para as suas actividades.


Outras diferenças importantes, a sua mãe está viva, Gordon é Presidente de Câmara, e o seu grupo de amigos de infância contempla vários vilões do mundo de Batman, com os quais ainda convive enquanto adulto. Está um (uma) em falta… Selina! Está a ser guardada com certeza, pois já saiu a notícia de que vai possuir uma publicação própria neste universo Absolute.
Alfred… pois Alfred aqui é tudo menos um mordomo. Alfred é um agente que trabalha para o MI6.

Então, é o que não gostei lá muito nestas diferenças? Épáh…  o Batmobile😞

O vilão deste primeiro arco é o Black Mask (Roman Sionis) com a sua “tropa”, os Party Animals. Este vilão é apenas um appetizer, mas no epílogo já temos um vilão pesado da galeria do Batman a impor a sua presença com a frase “- It’s Time. Get Bane”.
Portanto para o próximo livro já sabemos quem vai sair na capa 😬

Absolute Batman foi a série que deu o pontapé de saída neste universo, iniciou a sua publicação em Outubro de 2024, e este primeiro volume compila as primeiras seis revistas da série.

Estas novas dinâmicas propostas por Snyder para o mundo de Batman, foram materializadas no papel pôr Nick Dragotta, a quem foi dado este morcego para ser desenhado, e como o desenhou! É um Batman brutalíssimo em todos os sentidos. Dragotta fez um trabalho maravilhoso, os seus painéis de alta energia já os conhecia de East of West, a sua narrativa gráfica estimula bem o leitor, e sinceramente esta dupla Snyder/Dragotta foi uma dupla vencedora neste “ZOO”. Para além do desenho, Dragotta fez a arte final também.


Mas para o trabalho de Dragotta brilhar tão alto, alguém reforçou a sua arte e definiu o tom cru e visceral que esta série possui.
Frank Martin fez um excelente trabalho na aplicação da cor, destacando exactamente aquilo que é preciso destacar numa página, e atraindo o olhar do leitor para o ponto correcto das sequências narrativas e /ou gráficas de Snyder e Dragotta.

Agora temos a notícia que a Devir vai publicar este volume em português. Poderia ser uma boa notícia? Poderia e deveria. Mas o problema é que não garantiram nada deste Batman como continuação deste 1º volume, nem sabem muito bem pelos vistos o que podem, ou devem, publicar (talvez) de outros títulos do universo Absolute… talvez o Super-Homem… talvez 🤷🏻‍♂️ Só que isso é complicado para os leitores, os “talvez”.

Outra coisa assim tipo do demónio, Scott Snyder vem a Portugal para a Comic-Con, só que o livro vai sair depois disso. Não vale a pena dizer mais nada, pois não?

 

O Leituras de BD recomenda este Batman, faz bem à saúde ler bons livros!

 

Boas leituras



quinta-feira, 5 de março de 2026

Lanterns: 1º Trailer



 "- I trained my entire life for this."

"- You're not ready to get up in front of the class until the ring says you are."

                                                                     ―John Stewart and Hal Jordan


Depois de ter sido anunciada em 2023, saiu há horas o 1º trailer desta série de 8 episódios, que irá para o pequeno ecrã em Agosto deste ano de 2026.

Terei todo o gosto em facultar aqui no LBD o trailer legendado, fica já por baixo deste parágrafo.
Quem me conhece sabe que os meus super-heróis favoritos são os Lanterna Verde, então fico muito feliz com este trailer, que me pareceu dar um bom sinal para a série.
E como disse a um amigo ainda agora, por causa da malta que já anda a dizer mal por ser na Terra, Green Lantern é de temática espacial, mas eles existem também para resolver problemas na Terra, e eu não tenho nada contra uma boa história na Terra 💁🏻‍♂️
Trailer 👇🏻


Lanterns acompanha o recruta novato John Stewart e o maior de todos os Lanternas Verdes: Hal Jordan. 
Eles são polícias intergalácticos e envolvem-se em algo sombrio durante a investigação de um assassinato nos Estados Unidos.

Temos aqui no trailer Kyle Chandler como Hal JordanAaron Pierre como John Stewart. Presumo que Guy Gardner (Nathan Fillion) fará a sua aparição na série também, depois de ter entrado como Green Lantern no filme do Superman.

A DC está on fire!

Boas leituras

segunda-feira, 2 de março de 2026

Manifesto pela Bibliodiversidade na Feira do Livro de Lisboa 2026


 

O Leituras de BD junta-se a este Manifesto, devido à injustiça de dezenas de editoras independentes sob o argumento de "falta de espaço", terem sido afastadas do maior evento cultural livreiro de Lisboa: A Feira do Livro.

Querem espaço? Livrem-se das bancas de fast food ali presentes que ocupam um espaço enorme, e que eu acho (tenho a certeza) que a sua relação com livros é igual à do azeite com a água. A quantidade de livros vendidos como "novos", depois de serem folheados pelas mãos besuntadas de alguém que não os vai comprar, é enorme. 
"- Áhh paizinho, quero um churro!"
"- Vai lá buscar filho..."
"- Paizinho agora vamos agora ali ver a BD" - diz a criança a chupar os dedos da gordura do churro

E pronto, logo a seguir temos um monte de livros "novos" e a brilhar, carimbados para toda a eternidade pelos dedinhos gordinhos e gordurosos desse criancinha, e agora escolham o factor de multiplicação de gente que vai comer e a seguir besuntar livros... e que no final sai dali sem ter comprado um único livro! Foram ali para comer e passear e dizer aos amigos que no fim de semana estiveram num evento cultural, onde deixaram a sua marca.

O link para assinar está aqui por baixo no título do manifesto, é só clicarem lá:

Não permitas que a organização da maior festa do livro em Portugal silencie 30 editoras independentes.

"A cultura não pode ser um condomínio fechado."

Em 2026, a 96.ª Feira do Livro de Lisboa decidiu excluir associados históricos e dezenas de editoras independentes sob o argumento de "falta de espaço".

Entre os excluídos está a DNL Convergência, uma empresa sediada em Ansião, concelho severamente fustigado pelas recentes tempestades. Responsável por assegurar cerca de 10% de toda a programação cultural da Feira do Livro de Lisboa, a DNLC viu o seu contributo e o trabalho das suas editoras serem, arbitrariamente, varridos do mapa do evento.

Ao excluir estas vozes, a APEL está a:

  •  Punir o interior do país: Ignorando quem descentraliza a cultura.
  •  Concentrar o mercado: Favorecendo o gigantismo económico.
  •  Empobrecer o leitor: Retirando diversidade e debate crítico.


Boas leituras e assinem o Manifesto, é só clicar no link.




Capas WTF: ALF #48

 


A 1ª pergunta é como esta capa passou pelo terrível crivo do infame Comics Code Authority, e como passou por toda a censura editorial da Marvel.
Impressionante! 
(Já nem pergunto como é que o ALF conseguiu ter uma série de comics... lol)

Esta revista saiu em Dezembro de 1991, portanto, tecnicamente é um Christmas Comic Edition (😱😅), e o artista da capa foi Dave Manak.

Esta capa foi considerada inadequada para uma publicação infantil e após as queixas, a Marvel terá ordenado que a edição fosse retirada das bancas de jornais e das prateleiras das lojas, tornando-a muito rara. Este recall da Marvel tornou este número ainda mais famoso e objecto raro de coleccionador.

Como curiosidade sobre esta série, ela durou quase 4 anos (1988 a 1992). Foram 50 números e 3 anuais. Este #48 foi o antepenúltimo número da série.

Presumo que o objectivo da capa de Manak não tenha sido aquele em que toda a gente pensou em 1º impacto, mas enfim, saiu e gerou ondas de controvérsia, não sei se foi isto que selou o fim da série nos comics, mas que arrepiou muito boa gente que a comprava para os seus filhos... arrepiou 😂

Segundo parece este número, se estiver em boas condições, vale bastante dinheiro nos dias de hoje, penso que à volta dos $500. Para uma revista que custou apenas $1 foi um bom investimento.

Não descrevo a capa porque não vale a pena... lol


Boas leituras

domingo, 1 de março de 2026

Absolute Superman Vol.1: Last Dust of Krypton

 


Entramos agora no Universo Absolute da DC, e nada melhor para começar que pegar pelo herói mais poderoso de todos: Superman

Como sabemos depois do evento DC All In este universo, anteriormente conhecido por Elseworld, era um Universo jovem ainda em desenvolvimento, e no qual a energia de Darkseid modelou toda a realidade.

Este livro apresenta-nos logo de início a versão de um Absolute Krypton onde reinavam Cidade-Estado, como Kandor, sendo estas grandes centros de ciência avançada, mas onde vigoravam leis muito antigas e rígidas.

Esta sociedade Kryptoniana estava dividida por castas, sendo a casta cientista a dominante com os seus clérigos a comandarem o planeta. Sim, parece algo estranho associar “clérigos” a cientistas, mas na realidade nem por isso, se virmos esta situação pelo prisma dogmático que rege as religiões, aqui ser cientista era fazer parte basicamente de um culto dogmático sem a flexibilidade de colocar em causa verdades pré-estabelecidas, exactamente como uma religião, assim o nome de “clérigos” aos cientistas reinantes das grandes cidades assenta como uma luva (leia-se acima “leis antigas”).

É neste ambiente que são apresentados os pais do nosso herói, assim como funcionavam as castas sociais. Os “El” eram trabalhadores da classe mais baixa de Krypton. Os pais de Kal, Lara e Jor, são dois kryptonianos muito inteligentes e só não fazem parte da classe científica reinante por colocarem em causa dogmas vigentes: Lara era atraída pelo Cosmos e queria ser exploradora interestelar e Jor condenou a imprudência ambiental que estava a destruir o planeta a partir do seu interior. Dois dogmas colocados em causa à elite dos Cientistas que lhes valeram ser incluídos na classe trabalhadora mais baixa.

De seguida viajamos para o momento presente e estamos dentro de um complexo mineiro de diamantes. É o momento do véu se abrir um bocadinho sobre este mundo completamente subjugado pela aura negativa de Darkseid. Somos apresentados à Lazarus Corp, uma empresa dominadora ao nível mundial, exploradora com métodos extra violentos de controle sobre as populações trabalhadoras mais pobres, e a sua espada são os Peacemakers, sabem, aqueles tipo John Cena 🤭.

E então temos mais alguns saltos de narrativa entre Krypton e a Terra.
Assim como grandes diferenças do cânone mais conhecido do Superman, temos a idade de quando sai de Krypton, no universo Absolute ele não é um bebé, mas sim um jovem pré-adolescente, os pais não exercem nenhum alto cargo em Krypton antes pelo contrário, Lois Lane é uma agente da Lazarus (e não gosta de escrever) interessada no Superman, a capa é a nave dele (Sol) em forma integrada e de múltiplas funções, a personalidade deste jovem Kal-El é bastante diferente, e o vilão…  bem, o vilão adivinhem vocês quem é 😁

Jason Aaron escreveu este Superman, e escreveu bem. Já o conhecia de outros trabalhos, e alguns  deles gostei muito: Thor, Southern Bastards, Os Malditos e Wolverine - Arma X
A narrativa é muito fluida, as modificações ao Super-homem que conhecemos estão bem feitas e originais. Nada a dizer, e apenas a esperar pelo próximo: Absolute Superman Vol. 2: Son of the Demon

Os artistas foram Rafa Sandoval e Carmine di Giandomenico, dois ilustres desconhecidos para mim, mas que fizeram um bom trabalho, a construção deste novo Kal-El está muito boa e original, e achei algumas páginas de Krypton muito interessantes mesmo. As partes de acção estão dinâmicas e com algumas imagens bem agarradas pela “capa” vermelha. Gostei.

Enfim, é um Superman fora da caixa com um toque sci-fi, que era o que se pedia para este novo universo.
Para já está a agarrar-me e entusiasmar-me que era uma coisa que já não acontecia há muitos anos com comics.


Próximo “Absolute post”: Absolute Batman Vol.1: Zoo

 

Boas leituras

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Supergirl - Woman of Tomorrow


"It is true. She was many things to many people.
But she was never soft."


De vez em quando na vertente do género super-heróis escorregam para a prateleira grandes livros.
Este é um deles.

Senti um fascínio ao ler esta obra igual ao que senti ao ler a saga Annihilation da Marvel, ou não fosse eu um super fã de Sci Fi, e sim este conto épico passa-se todo no espaço, ninguém coloca os pés na Terra.

Esta história também me diz que eu me afastei demasiado dos comics, uma mini-série deste calibre saiu entre 2021 e 2022 e passou-me completamente ao lado, mas a culpa disto não é minha na realidade, a DC e a Marvel desde há muito tempo que só publicavam histórias medíocres, e enganavam os leitores ao mudar de autores a meio de um arco de histórias, por exemplo. Eu odiava isso… e abandonei quase completamente este tipo de leitura há 10 anos.

E devido a esse afastamento o meu desconhecimento da existência da brasileira Bilquis Evely era total! Descobri a genialidade dela neste livro, sabendo agora que ela já trabalhou em Wonder Woman e The Dreaming.

O meu único conhecido aqui é mesmo o escritor, Tom King, com muitas provas dadas em séries como Batman ou Miracle Man, isto porque o colorista de seu nome Matheus Lopes era outro desconhecido para mim. Aqui neste Supergirl – Woman of Tomorrow ele faz correr um caleidoscópio de cor em cima das linhas de Evely perfeitamente fenomenal. Desculpem-me os adjectivos para estes autores, mas acho que são merecidos.

O livro que comprei é a Deluxe Edition de 2024, e como livro vale todos os cêntimos gastos nele. Uma espinha resistente, um papel bem adaptado à coloração, e muitos extras. Bons extras. Todas as capas variantes, sketchs, e os thumbnails de Bilquis de todas as páginas da obra.
Penso que a sobrecapa poderia ser mais apelativa, comparando com toda a arte que este livro possui no seu interior. Assim decidi colocar na imagem de topo deste meu artigo de opinião a capa dura interior, que na minha opinião é muito superior à sobrecapa.


Falando da história… este é um tema dos mais antigos de livros ou filmes: vingança.
Mas esta é uma história de vingança cósmica, em que a saga de Kara Zor-El é contada através dos olhos de Ruthye Marye Knoll. Esta jovem faz a narração de toda a história, mas atenção, o leitor tem de estar desperto para algumas dessincronizações entre a narração e o que se passa nas imagens, pois Ruthye está a escrever um livro e por vezes o que escreve não é exactamente aquilo que se passou.

É com Ruthye que tudo começa. A sua demanda de vingança pelo assassinato do seu amado pai por Krem of the Yellow Hills .
As circunstâncias levam-na a cruzar-se com uma embriagada Supergirl, que estava a festejar os seus 21 anos de idade ao abrigo de um Sol vermelho, o que lhe tolda os poderes.


Embora Kara não quisesse acompanhar a sede de vingança da pequena Ruthye, acaba por o fazer, aparentemente porque Krem dispara duas flechas no seu cão Kripto deixando-o às portas da morte.

E assim começa esta saga, que nos vai fazer passar por viagens espaciais e inúmeros planetas, muitos horrores praticados por seres sencientes, e em que Ruthye vai aprendendo e calejando a sua personalidade simples, com doses de emoções muito fortes, eventos de coragem extrema, e por vezes muita tristeza.

Tom King apresenta-nos uma Kara Zor-El com danos e traumas porque passou por algo que o seu primo não passou. O Superman Kal-El saiu de Kripton bebé e não assistiu à destruição lenta do planeta e dos seus habitantes, uma morte lenta da qual Kara tem uma imagem bem vívida. Mas a sua resolução, coragem, valentia e empatia são as mesmas do primo, o sangue de El corre na família. Mas sim, ela luta pela verdade e pela justiça, mas à maneira dela, e o leitor apercebe-se de toda esta luta pelos olhos de Ruthye, o que não deixa de ser algo diferente neste tipo de história. Na realidade esta é a história de Ruthye, os factos, assim como o seu livro.


No meio de toda esta violência física e emocional aprendemos que esta é uma grande lição da Supergirl para a jovem Ruthye, em que podemos escolher no final que tipo de fim queremos dar à nossa história: vingança pura e dura ou podemos escolher a opção de não perdoar (mas poupar).

Já agora um dado curioso…  a quantidade de inimigos do Superman com que Kara se cruza 😅, até um planeta com um Sol verde alguém criou apenas com o objectivo de matar o Superman.

A conclusão da história é muito satisfatória na melhor história da Supergirl que já li. Tom King leva-nos por caminhos difíceis, com um inglês que exige bastante de um leitor não nativo, em que ele redefine a personagem Kara Zor-El, dando-lhe um “corpo” que ela não tinha. E isto é importante para tornar a personagem apelativa para as novas gerações de leitores.
E King foi muito bem servido por Evely e Lopes que conseguiram com a sua arte dar uma vertigem cósmica e exótica, que assentou que nem uma luva na escrita deste épico


Por vezes este género estagna (daí eu me ter afastado) e é preciso fazer algo de qualidade para que novos leitores adiram, assim como os antigos leitores de cabeça mais aberta se motivem a continuar a ler.

Isso foi conseguido neste livro!

Espero que o filme Supergirl, que vai sair no meu dia de aniversário, seja do mesmo calibre que o livro, visto que se vai basear nele.
Como curiosidade, já toda a gente viu que o Lobo vai entrar no filme, e embora não apareça no livro apresentado ao público, na ideia inicial de Tom King havia um team-up Supergirl/Lobo. No filme penso que se irá materializar.

O Leituras de BD recomenda a leitura deste livro

 

Boas leituras


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