terça-feira, 17 de março de 2026

Absolute Batman Vol.1: Zoo

 


"- I hate this @#$% town."

                                   - Alfred

A DC tentou nos últimos anos modernizar o seu universo, para alavancar a criação de novos leitores, várias vezes. Saliento as duas imprints que por mim poderiam ter seguido, porque tiveram qualidade para isso, a All Star e a Earth One.

Infelizmente é difícil colocar no mercado um produto novo com um nome antigo que consiga agradar ao core dos leitores mais antigos e “canonizados” naquele herói, e ao mesmo tempo atrair novos leitores de geração mais recente.

Parece que o Universo Absolute está a conseguir isso, e espero que a DC não estrague tudo com as parvoíces editoriais do costume. É necessária coesão e não acabar por entrar naquelas loucuras de que a única maneira de sair delas é fazer o famosíssimo reboot, que como sabemos vai acabando com a confiança dos leitores, e por arrasto colocar as vendas em baixo.

Batman é escrito por um dos arquitectos deste universo Absolute, Scott Snyder, e é-nos apresentado de uma maneira grandiosa e apaixonada em todos os aspectos, um gigantesco guerreiro underdog que cresceu no seio da classe média, e não na elite da alta sociedade com recursos aparentemente ilimitados para as suas actividades como vigilante.

E porque é que este Bruce Wayne de classe média me atrai tanto? Talvez porque não foi criado em berço de ouro, e para fazer o que faz tem de se servir e reunir com muita inteligência os recursos limitados que possui. Não existe Mansão Wayne, não existe Batcave. Nada foi servido de mão beijada a este Batman. Ele tem de ser mais hábil e genuíno enquanto pessoa, para conseguir os mesmos objectivos: o amor pelos pais e a vontade de os deixar orgulhosos, e a vontade de lutar contra o crime e nunca negociar com criminosos. E brutal. Batman tem de ser brutal em qualquer universo.

Este Batman de Snyder traz novos desafios e uma perspectiva diferente, e fez jus às expectativas que eu tinha para ele.

Como grandes diferenças do universo regular da DC temos a origem em si do próprio Batman, como referi atrás, ele teve de construir todo um mundo de ligações na cidade, e para isso trabalhou em todas as áreas vitais de Gotham. Um estudante genial abalado com o assassinato do pai, que entrou na melhor universidade do país, aí estudou química, mecânica aplicada, teoria militar e psicologia criminal.
Depois em Gotham trabalhou na rede eléctrica, nas águas, no saneamento, enfim, ficou a conhecer a cidade por dentro e por fora. Agora é engenheiro de obras, o que é muito importante para as suas actividades como Batman… não tem Batcave, mas conhece muitos prédios onde pode fazer pequenas bases para as suas actividades.


Outras diferenças importantes, a sua mãe está viva, Gordon é Presidente de Câmara, e o seu grupo de amigos de infância contempla vários vilões do mundo de Batman, com os quais ainda convive enquanto adulto. Está um (uma) em falta… Selina! Está a ser guardada com certeza, pois já saiu a notícia de que vai possuir uma publicação própria neste universo Absolute.
Alfred… pois Alfred aqui é tudo menos um mordomo. Alfred é um agente que trabalha para o MI6.

Então, é o que não gostei lá muito nestas diferenças? Épáh…  o Batmobile😞

O vilão deste primeiro arco é o Black Mask (Roman Sionis) com a sua “tropa”, os Party Animals. Este vilão é apenas um appetizer, mas no epílogo já temos um vilão pesado da galeria do Batman a impor a sua presença com a frase “- It’s Time. Get Bane”.
Portanto para o próximo livro já sabemos quem vai sair na capa 😬

Absolute Batman foi a série que deu o pontapé de saída neste universo, iniciou a sua publicação em Outubro de 2024, e este primeiro volume compila as primeiras seis revistas da série.

Estas novas dinâmicas propostas por Snyder para o mundo de Batman, foram materializadas no papel pôr Nick Dragotta, a quem foi dado este morcego para ser desenhado, e como o desenhou! É um Batman brutalíssimo em todos os sentidos. Dragotta fez um trabalho maravilhoso, os seus painéis de alta energia já os conhecia de East of West, a sua narrativa gráfica estimula bem o leitor, e sinceramente esta dupla Snyder/Dragotta foi uma dupla vencedora neste “ZOO”. Para além do desenho, Dragotta fez a arte final também.


Mas para o trabalho de Dragotta brilhar tão alto, alguém reforçou a sua arte e definiu o tom cru e visceral que esta série possui.
Frank Martin fez um excelente trabalho na aplicação da cor, destacando exactamente aquilo que é preciso destacar numa página, e atraindo o olhar do leitor para o ponto correcto das sequências narrativas e /ou gráficas de Snyder e Dragotta.

Agora temos a notícia que a Devir vai publicar este volume em português. Poderia ser uma boa notícia? Poderia e deveria. Mas o problema é que não garantiram nada deste Batman como continuação deste 1º volume, nem sabem muito bem pelos vistos o que podem, ou devem, publicar (talvez) de outros títulos do universo Absolute… talvez o Super-Homem… talvez 🤷🏻‍♂️ Só que isso é complicado para os leitores, os “talvez”.

Outra coisa assim tipo do demónio, Scott Snyder vem a Portugal para a Comic-Con, só que o livro vai sair depois disso. Não vale a pena dizer mais nada, pois não?

 

O Leituras de BD recomenda este Batman, faz bem à saúde ler bons livros!

 

Boas leituras



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