domingo, 28 de junho de 2026

Capas: Absolute Batman 2025 Annual #1



 

Capa brutalíssima do Absolute Batman Annual!


Capa de Warren Johnson e Mike Spicer para a revista #1 deste volume, de Dezembro de 2025. 

A composição da capa está perfeita, temos uma mas de supremacistas brancos, não trazem o fatinho KKK, mas possuem uma máscara branca e os archotes da ordem. 

E penso que o segredo da capa está, para além da composição com o Batman esperando calmamente pela multidão em fúria, na cor aplicada, que transmite todas as emoções daquele momento.

As cores quentes dos archotes fazem sobressair a fúria e a violência daquela horda, e com muita calma num ambiente azulado temos um gigantesco morcego com um tira-teimas gigante na mão.

Esta capa chamou-me a atenção por tudo isto, e pela antecipação da violência gratuita que de certeza se irá desenrolar a seguir! 😁

Em baixo têm a versão da capa sem lettering, selos e símbolos, e aqui ao lado uma página que faz jus à capa 😉





Boas leituras

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Thorgal - Ciclo de Qâ:
- Os Arqueiros
- O País de Qâ
- Os Olhos de Thanatloc
- A Cidade do Deus Perdido
- Entre Terra e Luz


Mas um dia, há já muitos anos, um Deus desconhecido saiu do mar...
Tinha a barba e os cabelos de cobre.
O olhar era gélido como a turquesa...
E, além dos seu elmo mágico, nenhuma roupagem cobria a sua pele branca.


Está mais que na hora de revisitar um dos maiores e melhores heróis da Banda Desenhada: Thorgal

Este blogue já publicou matérias sobre os ciclos iniciais, e podem clicar nos links abaixo para não se perderem:
Thorgal
Lançamento ASA / Público: Thorgal
Thorgal Vol.1 - A Feiticeira Traída
Thorgal Vol.2: A Ilha dos Mares Gelados
Thorgal Vol.3: Os Três Velhos do País de Aran
Thorgal – Ciclo de Brek-Zarith
Thorgal: Aarícia

Este é mais um Ciclo de histórias de Thorgal maltratado pelas editoras portuguesas. São cinco livros neste ciclo, e acabo por ter os dois primeiros publicados pela ASA em capa dura, e os outros três em capa mole (e formato pequeno) publicados pela Cinebook em inglês, visto que não sei francês (obrigado Cinebook).

Ainda mais não se compreende, que uma editora que se prestou a publicar uma enorme quantidade de títulos (16 num lançamento ASA/Público), tenha deixado ficar uma lacuna de três livros, entre o que já tinha publicado, e o que iria publicar em conjunto com o jornal Público.

Sempre esperei que a ASA publicasse os três livros dessa lacuna, mas tal nunca aconteceu.

E sinceramente… este é um ciclo chave desta série. Tudo o que respeita às origens extraterrestres de Thorgal é explicado nestes livros, basicamente é um enorme trampolim para o resto da série. E ficamos com a lacuna em português para todo o sempre…

A arte de Rosinski explode literalmente neste país de . Este artista tem neste ciclo cenários incríveis e de uma variedade espacial enorme . Desde combates espaciais, viagens aéreas, caminhadas em selva tropical, deserto, viagens marítimas, e aventuras em cidades baseadas na civilização pré-Colombiana sul-americana.

Neste ciclo Van Hamme funde mais uma vez ficção-científica com a mitologia Viking, e desta vez com muita fantasia baseada na cultura ameríndia (como falei atrás).  Van Hamme foi muito bem nestes livros todos, excepto na “A Cidade dos Deus Perdido”, que deveria ser o livro mais forte da saga, e acaba por ter alguns buracos de argumento que de alguma maneira ofuscam o brilhantismo desta saga.

O livro “Os Arqueiros” serve como um prelúdio à saga de . E que prelúdio. Temos Rosinski e Van Hamme no seu melhor. Uma história com uma velocidade incrível, coerente da 1ª página até à última, e sobretudo o mais importante, o maior vilão de Thorgal é introduzido aqui (neste caso uma vilã): Kriss de Valnor.

Muitas vezes meço as histórias pela qualidade do vilão, porque sem um bom vilão não há um bom herói. É o vilão que faz chocalhar as emoções do leitor, e que o prende na narrativa. Kriss de Valnor é isso e muito mais. E esta saga vive muito em cima desta personagem.

Todas as personagens estão muito bem construídas, e vamos salientar neste caso Tjall e Argun que vão acompanhar esta saga até ao final.

Jolan é raptado e “O País de ” inicia-se com uma viagem aérea, e outra marítima, em direcção à América do Sul, muitos séculos antes de Pedro Ávares Cabral em 1500 ter descoberto este continente.
E aqui, ao chegar ao continente, é contada a história das duas cidades rivais de Deuses vivos e inimigos: Ogotai e Tanatloc
Uma parte do véu do passado o “filho das estrelas” começa a ser levantado aqui. Jolan e Ergun chegam a terra por mar, como caução que Thorgal irá cumprir a sua parte no acordo com Kriss.

Após uma incrível batalha aérea o pequeno grupo de guerreiros inicia a sua viagem até Maiaxatl, a cidade do povo Chaam governada por Ogotai. Objectivo? Roubar a fonte de poder de Ogotai: o seu elmo.

Em “Os Olhos de Tanatloc” Van Hamme ata muitas pontas do passado de Thorgal. A sua origem extraterrestre é explicada, assim como os poderes latentes de Jolan. Neste excelente livro, os actores posicionam-se nos lugares certos, na altura certa, prontos a fazer correr os seus papéis nesta saga. As emoções jogam-se bastante forte aqui sejam de amor, sejam de ódio.
É a preparação para um desenlace épico que deveria ser perfeito…

… em “A Cidade dos Deus Perdido”. Só que acho que Van Hamme vacilou aqui. Não deixa de ser épico, mas quanto ao perfeito nem por isso.
Muito buracos absurdos no argumento, e não vou enumerar, por que deve ser o leitor a descobrir, mas sinceramente Van Hamme espalhou-se um bom bocado por aqui. Depois de uma narrativa exemplar, que apesar de alguma complexidade sempre apresentou coerência, o escritor serve-se de situações fáceis e nunca explicadas, para desemburrar o novelo. Não sei se foi pressionado por prazos relativamente a este capítulo, o que é certo é que falhou por aqui para obter um desenlace “fácil”. O final deste livro não é mau, mas pronto…

O livro que conclui a saga é “Entre Terra e Luz”. É uma conclusão bastante decente, depois dos buracos do anterior. Embora Van Hamme volte a servir-se de artifícios fáceis para resolver problemas na trama, acabam por não ser incoerentes como no livro anterior. Fáceis sim, mas não impossíveis.
Mas acaba por ser um bom livro e uma conclusão, como disse atrás, bastante decente para um final de saga de cinco livros. É normal para quase 250 páginas de história que não haja os altos e baixos no enredo, mas o artista Grzegorz Rosinski conseguiu que a maioria dos leitores até deixasse passar esses buracos, porque na realidade a qualidade deste desenhador/pintor é duma excelência que não está ao alcance da maioria dos seus pares.

Pronto, Ciclo de apresentado. No todo considero-o excelente, mas não perfeito, pelas razões atrás expostas. No universo de Thorgal é um ciclo, ou saga, imprescindível, mas que em Portugal foi desconsiderado editorialmente.

Eu sou fã de Thorgal, é um universo único, original e sem nada parecido que eu conheça. Estão publicados em português 24 dos primeiros 29 livros da série. Experimentem.

Brevemente mais Thorgal, quero passar esta série toda aqui no blogue, até chegar aos dois últimos livros publicados pela editora A Seita.

E o Leituras de BD recomenda vivamente esta série.

 

Boas leituras

domingo, 21 de junho de 2026

Absolute Wonder Woman Vol.1: The Last Amazon

 


“Once upon a time there was a princess.
And the princess had all the gifts any princess could hope to have
Beauty
Grace
Compassion
Wisdom
Things every princess need…
…when she was raised in HELL.”

 Este foi o primeiro livro do universo Absolute que li. Foi este The Last Amazon que me cativou para mergulhar neste magnífico universo, conceptualizado pela DC, e que tem trazido tantos novos fãs para os comics norte-americanos.

Estava à espera de um modo geral de um “What if…” decente, e com uma qualidade média aceitável, visto que de comics de super-heróis pouco ou nada tem havido minimamente aceitável para ser lido com prazer.

E não é que me enganei?

Todo o mito da Wonder Woman é virado ao contrário neste Absolute Universe, como não podia deixar, ou não estivesse impregnado com a energia negativa de Darkseid conforme explicado em Absolut Power.

Mas embora tudo mude “na paisagem” e nas personagens que rodeiam a sua infância e crescimento desta guerreira, houve uma coisa que não mudou: a sua personalidade. A sua dualidade de feroz guerreira e heroicidade, ao mesmo tempo nunca largando uma doçura e Humanidade que sempre lhe foram intrínsecas, tornam Diana numa das personagens dos comics que eu mais gosto de ler, quando bem escrita.

Esta tomada, e transfiguração do mito da Mulher Maravilha, é excitante e muito fresco. A sua infância passa da paradisíaca ilha de Themyscira, onde no universo canónico da DC ela foi criada como uma verdadeira princesa, para uma ilha no submundo de Hades, tendo como “mãe” a feiticeira Circe. Logo aqui prevemos que a magia esteja muito ligada a esta Diana.

Esta reinterpretação do mito chega muitas vezes a entusiasmar o leitor, a força e o carisma desta WW é enorme. A história inicia-se em Gateway City onde uma ameaça monstruosa faz a sua aparição e a WW chega para a travar. Usa a Lamina de Atena, o Laço Némesis e o seu cavalo Pegasus para resolver este ataque. Durante o combate vamos ter muitos flashbacks, desde o início da sua infância na ilha Selvagem, no Inferno de Hades, onde a pequena Diana é entregue a Circe, que num primeiro momento não a rejeita, mas também não a adopta.

Todo este alternar é feito de com extrema fluidez. Diana na actualidade, durante o intervalo da batalha, encontra Steve Trevor que a ajuda a resolver alguns problemas físicos. Na ilha a pequena Diana transforma a alma todos os seres em que toca (ou quase todos), a própria Circe passa a amá-la como se fosse sua filha.

No final é confrontada com Hades, mas alguns Deuses estão com ela, e Diana consegue a sua permissão definitiva para sair do Inferno, com algumas condições.

Esta história de Kelly Thompson está muito boa. É assim que se escrevem comics, toda a sequência narrativa deste livro é muito criativa, uma história nova de uma personagem velha que prega o leitor na cadeira. Mas para ajudar a que o leitor fique pregado na cadeira precisamos também de Hayden Sherman (desenho) e Jordie Bellaire (cor).

É cativante o trabalho de Sherman, sobretudo na maneira como casa com a narrativa de Thompson. A Mulher Maravilha deste desenhador vive da sua postura forte, sem ser desafiante, os seus olhos transmitem toda a emoção que o leitor necessita, e sobretudo, Diana é de uma intensidade avassaladora que agarra e entusiasma o leitor.
Sherman colocou um visual bem diferente do normal nesta heroína, mas na sua alma reconhecemos sempre a Mulher Maravilha.

Bellaire coloca toda a arte de Sherman a palpitar na página, dependendo do espaço, muda o tom da história, coloca muito bem a cor nas cenas de magia, os layouts de acção por vezes são autênticas explosões de cor, e de repente entramos na zona do espectro mais avermelhado quando colocado no submundo, sempre fazendo sobressair o trabalho do desenhador.

As fundações do mito foram reinventadas, e em cima disso foi colocada uma história de qualidade pela norte-americana Kelly Thompson. Tenho o segundo volume a rir-se para mim na prateleira. Falaremos dele depois, para verificar se esta alta fasquia se mantêm.

O Leituras de BD recomenda este livro

 


Boas leituras


terça-feira, 16 de junho de 2026

Islander Vol.1: O Exílio


- Apenas as pessoas munidas de passe estão autorizadas a aceder ao cais!

- Todos os infractores serão rejeitados!

 

Caryl Férey e Corentin Rouge  dois completos desconhecidos para mim. O primeiro no texto, o segundo no desenho, e também na cor com Céline Labriet. Foi algo inesperado, sobretudo a qualidade gráfica que por vezes roça a excelência.

Livro publicado pela editora Arte de Autor em 2025, que eu comprei por engano, queria comprar o Elric, e não sei o que se passou neste cérebro já fora do prazo de validade. Associei Islander à saga de Elric.
Não faz mal, o Elric comprarei depois 😁

Também percebi que no catálogo da Arte de Autor, este não é o primeiro trabalho desta dupla de autores publicado em português. Esta editora publicou deles o livro Sangoma também.

Costumo começar pelo autor dos textos/narrativa, mas hoje vou trocar a ordem.
Corentin Rouge impressionou-me pelo estilo realista, sem ser fotográfico (de que eu não sou fã), um traço fino bem preciso e detalhado, e sobretudo pelos grandes painéis, tanto no mar como nas montanhas Islandesas, são belíssimos. Nota-se o trabalho de casa na investigação daquela grande ilha, das suas aldeias, das suas paisagens. E que paisagens… 😳

O planeamento dos cenários e das cenas de acção é extremamente fluido, melhorando muito a narrativa de Caryl Férey.

E relativamente ao trabalho de Férey… acho a ideia boa, sempre gostei de histórias apocalípticas, mas acho que caiu um pouco na esparrela do preto e branco, do bom e do mau. Tem muita política actual espalhada pelo livro, não que ache isso mau, mas da maneira como são apresentadas as ideias não dá espaço ao leitor para ter a sua opinião, não tem muitas sombras por ali.

Temos no final deste primeiro volume muitas histórias por contar e desenlaçar. A de Liam, que penso que será a chave para toda esta história, e do quem não sabemos absolutamente nada ainda, a do Professor Zizek, que apenas sabemos que possivelmente teria a chave para resolver o problema climático e agrícola, mas que também não sabemos muito, sabemos que se chama Projecto Islander, mas não no que consiste. Por último temos uma personagem abandonada no cais logo nas primeiras páginas: Lívia! Não acredito que não vá acrescentar nada à história no futuro.

Penso que isto tudo são situações a ser exploradas no resto da série.
Posto isto, penso que o cenário tem algo de um possível futuro sombrio da Humanidade, as alterações climáticas poderão levar à fome muitas zonas do globo, e à sua inabitabilidade pela espécie Humana. Seja Europa, seja Austrália, o clima é de todos, e quando ficar “estragado”, vai ser para todos também.

A minha queixa sobre o argumento é mesmo ser muito simplista em determinadas ideias, e que por sua vez leva a que o desenhador caia também nesse simplismo: os maus são feios, os bons são bonitos.

A base do cenário é o fluxo migratório dos habitantes europeus para norte, as zonas ainda minimamente habitáveis são a Escócia e a Islândia.
As personagens principais vêm em dois grupos. O Professor mais as duas jovens que o acompanham e um guia pago para os levar para a Islândia saem do Cais do Havre para essa ilha, mas precisam de desviar o barco, pois o destino seria a Escócia.

O outro grupo está na Islândia. Uma ilha separa por secessionistas no norte, e lealistas no sul. Ambos as partes a extremar a política anti migratória, dividindo a família de Erika politicamente e geograficamente.

E claro, temos o joker desta história que é Liam, que é o único que nas suas fugas consegue conhecer todos os protagonistas deste livro.

Na realidade gostei muito do livro, sobretudo pela arte de Corentin, são 160 páginas que ninguém se vai arrepender de ler. Agora temos de esperar pelo próximo, nesta série apresentada para três tomos.

A edição da Arte de Autor está imaculadamente boa. Capa dura, papel muito bom e a impressão é excelente e de acordo com a qualidade do papel. 


 





Argumento: Caryl Férey
Desenho: Corentin Rouge
Edição: Cartonada
Número de páginas
: 160
Impressão: Cores
Formato: 232 × 310
PVP: 33€
Editor: Arte de Autor

 









Boas Leituras

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Final Cut

 



"Apetece-me ficar a olhar para a torradeira cromada e perder-me para sempre"
                                                                                                                          - Brian

Existe um livro que eu nunca comprei no original (inglês) porque sempre tive a esperança de que fosse publicado em Portugal, numa das inúmeras colecções de “novelas gráficas” da Devir, mas nunca tal aconteceu, embora tivesse TUDO para figurar numa delas. Infelizmente o autor não é espanhol (sarcasmo), portanto logo aí perde muitas chances de fazer parte numa desses colecções. Estou a falar de Black Hole de Charles Burns.

A arte desse livro sempre me fascinou, e a história tem uma premissa noir que eu adoro. Mas enfim, um dia destes tenho mesmo de o comprar no original, porque há muito tempo (tempo demais) que tem lugar reservado nas minhas estantes.

Então li a notícia da publicação de Final Cut pela ASA e fiquei com meia dose de felicidade, visto que sempre pensei que Black Hole fosse o livro introdutório por excelência de Charles Burns.

Mas não aconteceu assim. A ASA publicou em Fevereiro deste ano esta obra de Burns, que remonta a 2024 no seu original. Esta edição da ASA, Final Cut, é a compilação dos três livros da série que saiu com o título Dédales (1, 2 e 3). Começou a ser publicada pela Cornélius (França) em 2019 e conclui em 2023 com o 3º volume.

Voltando ao autor. Tem um estilo gráfico e uma qualidade que me fascina, sobretudo no preto e branco. Daí esta minha fixação com a obra Black Hole.

Burns é um autor já com alguma idade, vai fazer 71 anos este ano, e o incrível é ele conseguir contar histórias sobre jovens que procuram uma direcção na vida, mas colocando-se com uma visão bastante precisa dos anseios, desejos e problemas próprios da idade, como se ele próprio fizesse parte do grupo, e não como um adulto experiente contando histórias sobre esta etapa pós-adolescente.

Em Final Cut conta-se uma história com duas narrações, a de Brian e a de Laurie.
Brian é um rapaz brilhante, mas extremamente inseguro, mostrando alguma percentagem de autismo, ou simplesmente estados depressivos, e embora nunca fosse dito qual era o seu problema, sabemos que não está a tomar a “medicação” e que se alheia do mundo com muita frequência.
É um mundo complicado o de Brian, vive e cuida de uma mãe com problemas de adição e comportamentos de insanidade mental.

A sua vertente artística é muito acentuada pela fraca delimitação entre o real e a fantasia, e os seus desenhos e edição de filmes são a prova disso. Brian respira filmes de terror “série B” por todo o lado, todos os filmes que faz com o seu amigo Jimmy são muito baseados em filmes deste género, e um deles (Invasion of the Body Snatchers) vai servir de fundo à sua última criação.

Laurie é uma bonita jovem, com o cabelo de um ruivo deslumbrante, embora não faça ostentação da sua beleza. Tem muitas dúvidas iniciais sobre o rumo da sua vida e sente-se muito intrigada por Brian. Os seus desenhos, a sua “loucura”, as suas mudanças de humor fazem-na aproximar dele.
Irá ser a estrela do filme de Brian e Jimmy, embora aquele seja um projecto de que ela não se sente segura de que irá realmente gostar, mas a jovialidade de Jimmy, a estranheza de Brian e as loucuras da amiga Tina fazem-na aceitar.

No fim esta é uma história tão antiga como a Humanidade. Brian ama Laurie e não lho consegue transmitir. Laurie não ama Brian e descobre caminhos diferentes para percorrer na estrada da vida.
Mas no fim, é Brian que decide o final da relação, ou não fosse ele o editor… Final Cut é o título certo.

Claro que isto foi simplista, o livro é grande, denso e cheio de nuances psicológicas onde dançamos grande parte das vezes na fronteira entre o real e o irreal da psique de Brian e Laurie.

Tudo isto assenta num trabalho artístico de alta qualidade! Tudo é bom no traço de Burns, os enquadramentos são maravilhosos, enfim… só pegando no livro e olhando é que irão perceber do que eu estou a falar. Tenho a certeza que qualquer pessoa que passe numa livraria, e abra este livro, se vai sentir extremamente tentada a comprá-lo apenas vendo a arte de Charles Burns.

Já agora o final do livro não é daqueles que eu gosto. Ok, é um final. Mas é um final que sabe a pouco e bastante abrupto. Nas páginas finais andei folha para trás, folha para a frente, à procura de algo porque senti que falta ali qualquer coisa que “acabe” mesmo o livro. Não encontrei 🤷🏻

Esta edição em capa dura da ASA é muito cuidada. A gramagem e o tipo de papel são completamente adequados à cor e desenho de Burns. Não achei nenhuma falha nesta edição, inclusivamente as guardas deste livro estão maravilhosas.
O pecado do livro está na má tradução de títulos de filmes existentes no mercado, que é uma coisa que não faz sentido tipo "Os Invasores de Corpos" (Invasion of the Body Snatchers) “A Última Sessão de Cinema” (título brasileiro) em vez de “A Última Sessão” (The Last Picture Showrelativos a filmes que são importantes para todo o cenário e enquadramento desta obra.

Deixo aqui o trailer do filme de 1978, Invasion of the Body Snatchers:



Quem ler o livro irá perceber porque coloquei este trailer 😉

O Leituras de BD recomenda este livro

 

Boas leituras


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