Mas um dia, há já muitos anos, um Deus desconhecido saiu do mar...Tinha a barba e os cabelos de cobre.
O olhar era gélido como a turquesa...
E, além dos seu elmo mágico, nenhuma roupagem cobria a sua pele branca.
Este blogue já publicou matérias sobre os ciclos iniciais, e
podem clicar nos links abaixo para não se perderem:
Thorgal
Lançamento
ASA / Público: Thorgal
Thorgal
Vol.1 - A Feiticeira Traída
Thorgal
Vol.2: A Ilha dos Mares Gelados
Thorgal
Vol.3: Os Três Velhos do País de Aran
Thorgal – Ciclo de Brek-Zarith
Thorgal:
Aarícia
Este é mais um Ciclo de histórias de Thorgal maltratado pelas
editoras portuguesas. São cinco livros neste ciclo, e acabo por ter os dois
primeiros publicados pela ASA em capa dura, e os outros três em capa mole (e
formato pequeno) publicados pela Cinebook em inglês, visto que não sei francês
(obrigado Cinebook).
Ainda mais não se compreende, que uma editora que se prestou
a publicar uma enorme quantidade de títulos (16 num lançamento ASA/Público),
tenha deixado ficar uma lacuna de três livros, entre o que já tinha publicado,
e o que iria publicar em conjunto com o jornal Público.
Sempre esperei que a ASA publicasse os três livros dessa lacuna, mas tal nunca aconteceu.
E sinceramente… este é um ciclo chave desta série. Tudo o que respeita às origens extraterrestres de Thorgal é explicado nestes livros, basicamente é um enorme trampolim para o resto da série. E ficamos com a lacuna em português para todo o sempre…A arte de Rosinski explode literalmente neste país de Qâ.
Este artista tem neste ciclo cenários incríveis e de uma variedade espacial enorme . Desde combates
espaciais, viagens aéreas, caminhadas em selva tropical, deserto, viagens
marítimas, e aventuras em cidades baseadas na civilização pré-Colombiana sul-americana.
Neste ciclo Van Hamme funde mais uma vez ficção-científica
com a mitologia Viking, e desta vez com muita fantasia baseada na cultura ameríndia
(como falei atrás). Van Hamme foi muito
bem nestes livros todos, excepto na “A Cidade dos Deus Perdido”, que deveria
ser o livro mais forte da saga, e acaba por ter alguns buracos de argumento que
de alguma maneira ofuscam o brilhantismo desta saga.
O livro “Os Arqueiros” serve como um prelúdio à saga de Qâ.
E que prelúdio. Temos Rosinski e Van Hamme no seu melhor. Uma história com uma
velocidade incrível, coerente da 1ª página até à última, e sobretudo o mais
importante, o maior vilão de Thorgal é introduzido aqui (neste caso uma vilã): Kriss
de Valnor.
Muitas vezes meço as histórias pela qualidade do vilão,
porque sem um bom vilão não há um bom herói. É o vilão que faz chocalhar as
emoções do leitor, e que o prende na narrativa. Kriss de Valnor é isso e muito
mais. E esta saga vive muito em cima desta personagem.
Todas as personagens estão muito bem construídas, e vamos
salientar neste caso Tjall e Argun que vão acompanhar esta saga até ao final.
Jolan é raptado e “O País de Qâ” inicia-se com uma viagem aérea,
e outra marítima, em direcção à América do Sul, muitos séculos antes de Pedro
Ávares Cabral em 1500 ter descoberto este continente.
E aqui, ao chegar ao continente, é contada a história das duas cidades
rivais de Deuses vivos e inimigos: Ogotai e Tanatloc
Uma parte do véu do passado o “filho das estrelas” começa a ser levantado aqui.
Jolan e Ergun chegam a terra por mar, como caução que Thorgal irá cumprir a sua
parte no acordo com Kriss.
Após uma incrível batalha aérea o pequeno grupo de guerreiros inicia a sua viagem até Maiaxatl, a cidade do povo Chaam governada por Ogotai. Objectivo? Roubar a fonte de poder de Ogotai: o seu elmo.
Em “Os Olhos de Tanatloc” Van Hamme ata muitas pontas do
passado de Thorgal. A sua origem extraterrestre é explicada, assim como os
poderes latentes de Jolan. Neste excelente livro, os actores posicionam-se nos
lugares certos, na altura certa, prontos a fazer correr os seus papéis nesta
saga. As emoções jogam-se bastante forte aqui sejam de amor, sejam de ódio.
É a preparação para um desenlace épico que deveria ser perfeito…
… em “A Cidade dos Deus Perdido”. Só que acho que Van Hamme vacilou
aqui. Não deixa de ser épico, mas quanto ao perfeito nem por isso.
Muito buracos absurdos no argumento, e não vou enumerar, por que deve ser o
leitor a descobrir, mas sinceramente Van Hamme espalhou-se um bom bocado por
aqui. Depois de uma narrativa exemplar, que apesar de alguma complexidade
sempre apresentou coerência, o escritor serve-se de situações fáceis e nunca
explicadas, para desemburrar o novelo. Não sei se foi pressionado por prazos
relativamente a este capítulo, o que é certo é que falhou por aqui para obter
um desenlace “fácil”. O final deste livro não é mau, mas pronto…
O livro que conclui a saga é “Entre Terra e Luz”. É uma
conclusão bastante decente, depois dos buracos do anterior. Embora Van Hamme
volte a servir-se de artifícios fáceis para resolver problemas na trama, acabam
por não ser incoerentes como no livro anterior. Fáceis sim, mas não
impossíveis.
Mas acaba por ser um bom livro e uma conclusão, como disse atrás, bastante
decente para um final de saga de cinco livros. É normal para quase
250 páginas de história que não haja os altos e baixos no enredo, mas o artista Grzegorz
Rosinski conseguiu que a maioria dos leitores até deixasse passar esses
buracos, porque na realidade a qualidade deste desenhador/pintor é duma
excelência que não está ao alcance da maioria dos seus pares.
Pronto, Ciclo de Qâ apresentado. No todo considero-o excelente,
mas não perfeito, pelas razões atrás expostas. No universo de Thorgal é um
ciclo, ou saga, imprescindível, mas que em Portugal foi desconsiderado
editorialmente.
Eu sou fã de Thorgal, é um universo único, original e sem
nada parecido que eu conheça. Estão publicados em português 24 dos primeiros 29
livros da série. Experimentem.
Brevemente mais Thorgal, quero passar esta série toda aqui
no blogue, até chegar aos dois últimos livros publicados pela editora A Seita.
E o Leituras de BD recomenda vivamente esta série.
Boas leituras






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