quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Palavra dos Outros: Uma breve história da identidade secreta – Parte III por Paulo Costa


A história das identidades secretas escrita por Paulo Costa chega a meio caminho com esta terceira parte!
Continua o excelente artigo sobre este tema, e só para vocês!
:D


Uma breve história da identidade secreta – Parte III

No final dos anos 50, a DC voltou a criar novos super-heróis, com nomes antigos. Máscaras e identidades secretas abundavam. Mesmo quando a DC lançou a Liga da Justiça, juntando os melhores heróis da editora, os encontros mais pareciam um clube de cavalheiros fetichistas. Apesar do trato amigável, todos se referiam aos outros pela identidade heróica e não pelos nomes reais. O visual e design associado aos super-heróis foi também usado nas tiras de aventuras e ficção científica, incluindo os Desafiadores do Desconhecido, Cave Carson, Rip Hunter e Adam Strange. Destes, Adam Strange é o que mais se parece com um super-herói.

A ressurreição do super-herói nos anos 60, geralmente com fraquezas humanas, começou também a tornar o conceito de identidade secreta obsoleto dentro do género. O Anjo, na Marvel, e a sua contraparte na DC, Mr. America (Tex Thompson), tinha sido um herói com identidade publicamente conhecida, mas, tal como Adam Strange, não tinha superpoderes reais, e não era um super-herói no sentido mais restrito. O Príncipe Submarino e o Tocha Humana não tinham identidades secretas reais, mas uma vez que o primeiro vinha de uma sociedade diferente da humana e o segundo era um homem artificial, a ideia não era aplicável. Desta forma, foi em 1961 que surgiram os primeiros verdadeiros super-heróis com identidades publicamente conhecidas: o Quarteto Fantástico.


Logo no início, o Quarteto Fantástico fez tudo ao contrário dos outros super-heróis. Em vez de um quartel-general secreto, o grupo trabalhava num arranha-céus à vista de todos. Os seus uniformes não possuíam máscaras, e um dos membros não poderia esconder-se mesmo que quisesse: o Coisa estava preso na sua forma monstruosa. Apesar de terem nomes de código, a dinâmica familiar fez com que se tratassem regularmente pelos nomes reais ou alcunhas nascidas de relações próximas. O Quarteto Fantástico acabou por tornar-se uma influência em futuras publicações da Marvel, especialmente envolvendo equipas. Enquanto a Liga da Justiça continuava a ver os seus membros tratarem-se pelos pseudónimos, o Quarteto e os X-Men comportavam-se como famílias.

Os Vingadores passariam a funcionar do mesmo modo a partir do nº 16, em que os membros originais deram lugar à equipa disfuncional de ex-criminosos liderados pelo Capitão América, já que quase todos se tratavam pelo nome próprio (o Gavião Arqueiro continuou a ser uma excepção por mais alguns anos). Se antes não eram uma família, pelo menos tratavam-se como verdadeiros colegas de trabalho, com uma dinâmica própria e até com alcunhas engraçadas, como o tratamento shellhead para o Homem de Ferro e high pockets para o Gigante. Foi no nº 28 que foi tomada uma decisão que abriu o caminho para tornar os Vingadores um grupo mais coeso, independentemente da formação da equipa. Nessa história, o Gigante recrutou os Vingadores para o ajudarem a salvar a Vespa, que tinha sido sequestrada, e no processo revelou as identidades dos dois como Henry Pym e Janet Van Dyne. Hank continuou a usar máscaras, mas Janet não. Não foi mostrada uma revelação pública dos seus nomes verdadeiros, mas como o casamento com Pym, em “Avengers” nº 59, já como Jaqueta Amarela, foi feito em público e Janet já era famosa como estilista de moda, era bem claro que o par já não tinha identidades secretas.

Enquanto na Marvel vários heróis optavam por abandonar as identidades secretas, na DC eram raros os casos onde o mesmo acontecia. Membros dos Vingadores como o Magnum (Simon Williams) e o Fera (Henry McCoy), ou a cantora mutante Cristal (Alison Blaire) revelaram publicamente as suas identidades, ainda que Blaire ocultasse a natureza dos seus poderes. O Hulk e Luke Cage, por seu lado, viram-se forçados a revelar as respectivas identidades. No campo sobrenatural, o Dr. Estranho e Daimon Hellstrom nem se preocupavam com isso. Mas na DC, durante os anos 60 e 70, o único caso de renome é o do Homem-Elástico, Ralph Dibny. Ao fim de três histórias como coadjuvante do Flash, e mesmo continuando a usar uma mascarilha, Dibny passou a usar o seu verdadeiro nome em público, tendo revelado a sua identidade ‘fora do ar’, aparecendo repentinamente como “Ralph Dibny, o Famoso Homem-Elástico”. Depois de casar com a debutante Sue Dearborn, o par tornou-se famoso nas revistas do social do Universo DC, especialmente depois de se juntarem à Liga da Justiça, onde eram os únicos que não escondiam a sua identidade. Existiam ainda algumas excepções inaplicáveis, como Aquaman e o Tornado Vermelho, que seguiam os exemplos dos antecessores Namor e Tocha Humana.

Apesar destas situações excepcionais, a protecção da identidade secreta continuou a ser usada como tema recorrente em muitas histórias tanto na Marvel como na DC. A grande maioria dos super-heróis insistia em trabalhar sozinha, como vigilantes não autorizados, e as lutas nascidas de desentendimentos entre personagens, que raramente se encontravam e que não confiavam uns nos outros, eram obrigatórias. Foi só na década de 80 que o mega-crossover mudou tudo.



























Texto: Paulo Costa

E agora quero a 4ª parte! Ora...
lol
:D

Para verem os capítulos anteriores (assim como todos os outros textos deste amigo) é só clicarem no nome do Paulo Costa, ou então nos seguintes links:

Uma breve história da identidade secreta – Parte I

Uma breve história da identidade secreta – Parte II


Boas leituras

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Arte Cartum de Mike Deodato Jr


Existem livros que nos ficam no coração, por serem um pedaço de alguém que conhecemos, gostamos e não sabemos se voltamos a ver.
Eu e a Diabba tivemos o prazer de privar com o Mike Deodato e sua mulher Paula, passamos um curto mas bom tempo juntos (não deu para mais) e posso garantir que ele para além de um grande artista é uma pessoa muito fixe (esta foi uma expressão que o Mike achou curiosa…). Muito “boa onda”, sem estrelismos e coisas afins!


Como recordação deixou-me este pequeno livro de tiras (cartoon), que eu prezo bastante pois foi dado com coração, aliás, nem tem sketch do artista mas sim uma dedicatória manuscrita, pois o que conta nestas ofertas são mesmo as palavras. Obrigado Mike!

Mike Deodato mostra os seus dotes na área do cartoon neste livro usando para isso a sua família: Paula (mulher) e filha (Priscilla).
É preciso coragem para mostrar ao mundo os seus sentimentos, e ele fá-lo aqui neste pequeno livro! O seu amor pela sua mulher é constantemente retratado em situações diversas, algumas com bastante humor!


Acho que não há muito para dizer. Quem tiver a oportunidade para ler este livro fica a conhecer um pedaço íntimo do Mike Deodato.
Já agora, o excelente prefácio é do Maurício de Souza!

Parabéns à Paula e à Priscilla por terem laços tão fortes com o Mike Deodato!

Este é um livro ao qual eu não vou dar nota.
;)

Obrigado Mike!

Boas leituras

Softcover
Criado por: Mike Deodato
Editado em 2012 pela Kalaco

Neonomicon e as Bibliotecas da Carolina do Sul


Este é um dos mais controversos livros de Alan Moore. Já tínhamos falado de um outro, Lost Girls...
Alan Moore gosta de provocar sentimentos contraditórios nas pessoas e garantidamente Neonomicon deve ser o mais contraditório de todos!
Este livro é a sequela de The Courtyard, e ultrapassa todos os limites em matéria de terror visual, violência sem limites, sexo e violações, enfim... não é para qualquer leitor!

Em Junho do ano passado (2012) uma criança de 14 anos entrou numa biblioteca do Estado da Carolina do Sul, e usando o cartão da mãe levantou este livro.
Já estão a ver o que se passou num dos estados mais conservadores do EUA, certo?
A bibliotecária retirou o livro da biblioteca, como se a culpa fosse do livro e não da mãe e da propria bibliotecária!
Os elementos da direcção da biblioteca leram o livro e decidiram pela sua inclusão das prateleiras!

O livro foi retirado (censurado) desta e de outras bibliotecas deste Estado e começou a "caça às bruxas" relativamente ao livro, apesar desta decisão superior!
Claro que o livro é para adultos e nunca deveria ser permitido uma criança sequer pegar num livro de extrema violência a muitos níveis, mas... de quem é a culpa?
É fácil, da mãe e do bibliotecário(a) que atendeu esta criança deixando-a levar o livro!

Bom, o caso ficou-se por ali até agora.
A bibliotecária contrariou a decisão da reunião que decidiu que o Neonomicon de Alan Moore voltasse a fazer parte do acervo da biblioteca.
As palavras da bibliotecária que justificaram a sua decisão da retirada do livro numa entrevista a um jornal local:

“It was disgusting,” she said, declining to label it obscene or pornographic.

She acknowledged the library has many books that deal in such detail with the very same subject matter — racism, rape, murder, sex — but for her, the pictures gave her pause.

Her decision to pull the book was the first time she had overruled her staff’s recommendation and the fifth time she had removed material from the library after a complaint.

“I call it de-selection,” she said.

Não, isto chama-se censura!






























































Boas leituras

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Superior Spider-Man: O último Asco da Marvel


Todo este post vai apenas reflectir a minha opinião sobre o que tem acontecido ao Aranha. Pode estar errada, sujeita a erros de interpretação de acontecimentos ou por e simplesmente não estar a ver a “big Picture”…

A minha primeira afirmação é: Spider-Man é o super-herói mais maltratado de sempre pela Marvel!
Depois de enormes sucessos no passado, uma extensíssima base fãs e milhões de dólares que fez ganhar a Marvel, isto começa a tornar-se incompreensível!

Tempos atrás as histórias do Aranha estavam a cair de qualidade e entrar no mundo da confusão, como o demonstrou a “Saga do Clone”. Mas a Marvel não discorreu que o problema não era o Aranha em si, mas a maneira como estava a ser escrito! Autores passavam pelo título como eu mudo de T-Shirt, fizeram com que muita da cronologia ficasse inconsequente… a cura para este mal era simplesmente apostar num bom criador de histórias que conhecesse bem o passado da personagem.

Mas não, o Sr. Quesada achou que o mal estava nesse herói e na sua vida nos quadrinhos!
Então vai daí e destrói completamente o passado do Aranha com os títulos “Brand New Day” e “One More Day”, fazendo com que todo o passado fosse mentira e desaparecesse num passe de mágica! Até o casamento com a Mary Jane Watson deixou de existir.
Isto já não para não falar na completa parvoíce que foi a revelação pública da sua identidade no evento “Guerra Civil! Isto porquê? Porque sempre fez parte da personalidade deste herói o cuidado extremo que ele teve com a sua identidade, e de repente aparece na televisão a tirar a máscara…

Depois veio a palhaçada dos “One More Day” e “Brande New Day”. Podem-me dizer que depois disso fizeram algumas boas histórias do Aranha, e eu acredito! Mas já não era o meu Aranha! Para mim o Aranha como eu o conhecia morreu ali (assim como para muita gente).

Agora vem a palhaçada final com esta revista #700… um dos seus grandes inimigos, o Dr. Octopus está para morrer mas consegue trocar a mente com o Homem-Aranha, e fica o Dr. Octopus no corpo do Aranha e este morre com a morte do corpo do Octopus???
Isto é feio! Se queriam matar o Aranha arranjavam-lhe uma morte épica do grande campeão da justiça! Mas não… é uma morte sem história, pequena e completamente insonsa…
Isto foi a maior falta de respeito que eu já vi num herói com 50 anos de história, de grandes sucessos e muitos e milhões de fãs pelo mundo inteiro!
O Spidey desde que foi criado pelo grande Stan Lee cresceu, tornou-se um homem cada vez melhor, com grandes reveses na sua vida que o fortaleceram mais, e todos nós acompanhamos isso. Peter Parker cresceu connosco, com todos os seus problemas, mortes em família e de amigos queridos, guiado sempre pelo objectivo de ser cada vez melhor.
A Marvel DESTRUIU isto tudo em dias!
Morrer num corpo canceroso de um dos seus inimigos?? Isto é uma falta de respeito sem precedentes, sobretudo conhecendo a personalidade e heroísmo do Aranha/Peter Parker! Esta foi uma morte tudo menos nobre!

Para “celebrar” os 50 anos Peter vê-se numa luta com um dos seus maiores inimigos de sempre (o Octopus). Mas porque Peter é incapaz de matar Octopus, este consegue trocar de corpo indo parar o Parker ao corpo moribundo do vilão!
Ao menos no Universo Ultimate quando o Homem-Aranha morre, é uma morte nobre! De um verdadeiro herói! Morreu por receber uma bala que era dirigida ao Capitão América, salva a Tia May, e mesmo a esvair-se em sangue luta com vários vilões até morrer nos braços da Mary Jane. Isto é uma morte respeitável!

E assim nasce o Superior Spider-Man! Um Octopus que fica com as memórias do Aranha e até resolve tentar fazer o bem, à maneira dele, claro… Octopus quer ser um Aranha melhor! Tem as suas memórias e quer honrá-las à maneira dele…(lol).
Depois e pensando no passado destas personagens, não esquecer que o Dr. Octopus já se “enrolou” implicitamente sexualmente com a Tia May no passado, casando com ela em Amazing Spider-Man #131. Agora prepara-se para se enrolar com a Mary Jane?? Vejam a capa do Superior Spider-Man aqui ao lado! Isto é detestável a todos os níveis!!!

A Marvel não sabe o que há-de fazer… perdeu completamente o norte tempos atrás e faz barbaridades atrás de barbaridades. Embora eu presuma que nestas telenovelas os mortos costumam voltar (sabe-se lá se o Mephisto não faz das suas outra vez), esta reviravolta parece-me ser para durar porque a numeração foi interrompida na revista #700 e agora irá sair o #1 do Superior Spider-Man! Que é que vão fazer?
No caso da Jean Grey que esteve morta estes anos todos sem ser ressuscitada (amazing) tornearam com a recuperação dos X-Men originais transportados para o presente (lol), e aí lá está… a Jean Grey! Mas não foi ressuscitada!
Acho que muito dificilmente verão o Peter Parker nos próximos anos… a não ser que a revista comece a decair abruptamente nas vendas!

Conclusão:
A MARVEL CADA VEZ MAIS “SUCKS”!
O Leituras de BD não recomenda este Spider-Man.
‘nuff said!

Boas leituras

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Os mais vendidos de 2012 nos EUA

Walking Dead #100
Pode-se chegar à conclusão que a nivel de vendas e quota de mercado a Marvel e a DC estão praticamente empatadas com ligeiro avanço para a Marvel. Para isto contribuiram decididamente os filmes da Marvel (Spider-Man, Avengers e salvo erro X-Men). Para além disso juntam-se os mega eventos Avengers vs X-men e o Marvel Now (yuckk) e a Marvel consegue contrariar o atraso que tinha da DC desde os New 52. Esta editora (DC Comics) apenas teve um filme (Batman) e foi precisamente o título que mais vendeu durante o ano...
Quanto à pequenas editoras salienta-se a Image. Para além de aumentar a quota de mercado em 2% teve a revista mais vendida do ano: Walking Dead #100!
Quantos às outras... assinala-se a "ultrapassagem" que a IDW fez à Dark Horse...

Ficam aqui alguns números:

TOP COMIC BOOK PUBLISHERS
RETAIL MARKET SHARE
PUBLISHER SHARE
MARVEL COMICS 34.06%
DC ENTERTAINMENT 31.94%
IMAGE COMICS 7.31%
IDW PUBLISHING 5.57%
DARK HORSE COMICS 4.81%
DYNAMITE ENTERTAINMENT 3.11%
BOOM! STUDIOS 1.53%
EAGLEMOSS PUBLICATIONS LTD 1.15%
VIZ MEDIA 0.93%
AVATAR PRESS INC 0.89%
OTHER NON-TOP 10 8.70%

UNIT MARKET SHARE
PUBLISHER SHARE
MARVEL COMICS 37.59%
DC ENTERTAINMENT 36.75%
IMAGE COMICS 6.60%
IDW PUBLISHING 4.36%
DARK HORSE COMICS 3.80%
DYNAMITE ENTERTAINMENT 3.00%
BOOM! STUDIOS 1.53%
ZENESCOPE ENTERTAINMENT INC 0.74%
AVATAR PRESS INC 0.73%
ARCHIE COMIC PUBLICATIONS 0.69%
OTHER NON-TOP 10


COMPARATIVE SALES STATISTICS
DOLLARS UNITS
YEAR 2012 VS. YEAR 2011
COMICS 14.94% 11.41%
GRAPHIC NOVELS 14.26% 13.66%
TOTAL COMICS/GN 14.72% 11.58%


TOP 10 COMICS
RANK DESCRIPTION PRICE ITEM CODE VENDOR
1 WALKING DEAD #100 (MR) $3.99 JUN128066-M IMA
2 UNCANNY AVENGERS #1 $3.99 AUG120550-M MAR
3 AVENGERS VS X-MEN #1 $3.99 JAN120629-M MAR
4 AMAZING SPIDER-MAN #700 $7.99 OCT120626-M MAR
5 AVENGERS VS X-MEN #2 $3.99 JAN128269-M MAR
6 AVENGERS VS X-MEN #6 $3.99 APR120579-M MAR
7 AVENGERS VS X-MEN #5 $3.99 APR120572-M MAR
8 AVENGERS VS X-MEN #3 $3.99 JAN128271-M MAR
9 AVENGERS VS X-MEN #4 $3.99 JAN128273-M MAR
10 AVENGERS #1 $3.99 SEP120526-M MAR


TOP 10 GRAPHIC NOVELS
RANK DESCRIPTION PRICE ITEM CODE VENDOR
1 WALKING DEAD TP VOL 01 DAYS GONE BYE $9.99 JUL068351 IMA
2 WALKING DEAD TP VOL 02 MILES BEHIND US (MR) $14.99 SEP088204-M IMA
3 BATMAN EARTH ONE HC $22.99 MAR120234 DC
4 WALKING DEAD TP VOL 16 A LARGER WORLD (MR) $14.99 APR120487 IMA
5 WALKING DEAD TP VOL 03 SAFETY BEHIND BARS $14.99 NOV082245 IMA
6 WALKING DEAD TP VOL 17 SOMETHING TO FEAR (MR) $14.99 SEP120449 IMA
7 WALKING DEAD TP VOL 04 HEARTS DESIRE $14.99 SEP088205-M IMA
8 BATMAN HC VOL 01 THE COURT OF OWLS (N52) $24.99 JAN120300 DC
9 WALKING DEAD TP VOL 15 WE FIND OURSELVES (MR) $14.99 OCT110502 IMA
10 LOEG III CENTURY #3 2009 (MR) $9.95 APR121232 TOP


Este foi o resultado de 2012 para o mercado dos EUA (USA) respeitante aos comics, dados pela Diamond!

Gostava que em Portugal se pudessem saber números...

Boas leituras!

Concurso Blogues do Ano 2012


Como foi publicitado o mês passado iniciou-se agora o 2º Concurso Nacional de Blogues organizado pelo Aventar.

O objectivo principal foi atingido com a abertura da categoria sempre esquecida da BD / HQ com 26 blogues inscritos! Obrigado a todos por terem tirado a BD do anonimato e por fazerem com que a BD tenha uma das categorias com mais blogues listados!

Hoje inicia-se a 1ª fase da votação. Quem achar que este blogue merece ser votado basta ir à lista e colocar lá o seu voto! Concorro em duas categorias:
Banda Desenhada (a mais importante)
Artes Visuais
O link está aqui em em baixo! É só procurar por Leituras de BD!
:)
http://aventar.eu/blogs-do-ano-2012/blogs-do-ano-2012-votacoes-1a-fase-14/

Também concorro para "Blogger do Ano". O link é este:
:P
http://aventar.eu/blogs-do-ano-2012/blogs-do-ano-2012-votacoes-1a-fase-44/





Boas leituras

domingo, 6 de janeiro de 2013

Fun Home: Uma Tragicomédia Familiar


Fun Home surpreendeu-me. Não há dúvida que grandes autobiografias estão a ser publicadas em português no formato “Graphic Novel”! Blankets, Persepolis e Fun Home.
Será inevitável comparações entre estes três livros, visto que a base é a mesma, mas penso que nenhum deles é comparável. As três vidas contadas não têm grande coisa em comum… a única coisa que podemos comparar é o trabalho artístico, e mesmo assim todos são a preto & branco. O trabalho de desenho, bem, cada um deles tem o seu estilo e todos eles funcionam bem para o que se pretende. Mais estilizado em Persepolis, mais trabalhado em Blankets. Fun Home fica a no meio…

O que eu acho verdadeiramente impressionante em livros deste género é a abertura de coração e alma dos escritores/desenhadores, sim, porque nestes três casos apenas existe uma pessoa a trabalhar a escrita e a estendê-la e liga-la aos seus desenhos.
Alison Bechdel abre a sua vida a toda a gente. Uma vida familiar falsa, aliás, uma família completamente destruturada. Mas os protagonistas são mesmo Alison e o seu pai Bruce Bechdel.
Esta é a base deste livro. A relação entre um homem que nunca saiu “saiu do armário” e uma rapariga que muito cedo assumiu publicamente a sua homossexualidade.
A acção é lenta, cheia de pormenores emocionais que se vão espalhando pelas vinhetas até ao culminar da morte do pai. Mesmo aí, depois da morte do pai, Alison volta constantemente atrás consoante a sua visão deste vai mudando conforme ela vai crescendo. É uma história que vai andando em círculos até à sua página final. Esta página final culmina e ata tudo o que se vai contando durante todo o livro. Esta última página emocionalmente é magistral, na minha opinião!

Bechdel vai contando a sua infância e início de adolescência, sempre relacionando o seu pai com todas as suas transformações inerentes ao seu crescimento como mulher. Mesmo no relacionamento com a sua mãe e irmãos, a figura central é o pai! Tudo isto contado muitas vezes com um humor bastante negro…

Outra coisa muito interessante é a maneira de como ela vai descobrindo o seu pai através dos livros que ele lhe dá para ler, ao mesmo tempo que ela própria no despontar do seu lesbianismo inicia a leitura de outros que têm a ver mais com a sua inclinação sexual…
Temos páginas de acção em que estas seguem o seu rumo narrativo normal, com as respectivas falas quase normais, mas em pensamento estão as comparações entre as acções do pai e os livros que ele lhe deu para ler. Saliento neste caso os autores Proust e, Kate Millet, James Joyce, Gabrielle Collet e o incontornável Oscar Wild que acompanham estas duas personagens um pouco por todo o livro.
Passagens de livros destes autores dão bastante volume aos pensamentos e interacções entre pai e filha!

Algumas frases…
“Pensava que eu pensava que ele era paneleiro, ao passo que ele sabia que eu sabia que ele era.”

“Se houve alguém mais maricas que o meu pai, foi Marcel Proust.”
A BD tende por vezes a ser “narrada” pesadamente retirando muito do valor narrativo dos desenhos. Bechdel consegue articular muito bem este peso, evitando redundâncias nas suas vinhetas ou páginas e tornando-as mais ricas com estes “apêndices narrativos”. Eles não estão ali por acaso, estão ali para explicar algo de uma maneira diferente. É uma autobiografia, como tal é suposto ter-mos muitos pensamentos não ”ditos”, ou escondidos. É aí que entra o narrador (na 1ª pessoa) e é aí que Alison mostra o seu valor narrativo equilibrando Alison narradora, com a Alison desenhada em discurso directo. Textos muito bem escritos, desenhos extremamente eficazes… não são feios, não são bonitos. São apenas úteis nesta autobiografia e transmitem a carga emocional precisa para prender o leitor.

Tenho de fazer uma pequena referência às fotos desenhadas. Estas fotos dão uma grande força gráfica à narrativa. São usadas quanto baste, e num estilo bastante mais realista que o resto! Pormenores! E estes livros são feitos de pormenores…


No fim este livro resume-se à tentativa de compreensão do pai pela autora. Unidos por um laço, o laço da homossexualidade, mas nunca se abrindo directamente um com o outro, excepto numa página. É um laço surdo, mudo e por vezes cego.

É um livro bastante aconselhável! E se neste livro de memórias, sim, considero este livro mais de memórias do que autobiografia o foco é a relação entre pai e filha, espero que a Contraponto publique também “Are You My Mother? – A Comic Drama” em que a relação entre Alison e a sua mãe irá ser dissecada. A mãe de Alison é uma mulher amante das artes: leitora compulsiva, amante de música e actriz amadora.

Por falar em compulsão… este livro está repleto de acções obsessivo-compulsivas nos seus actores principais (extremamente bem retratados): Alison e Bruce!

Já agora, Alison Bechdel era conhecida como autora antes deste livro com "The Essential Dykes to Watch Out For" e também posso dizer que este Fun Home demorou quase sete anos de pesquisa!

O Leituras de BD recomenda este livro.

TPB
Criado por: Alison Bechdel
Editado em 2012 pela Contraponto
Nota: 8,5 em 10

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ilustração: Batmen, Batwomen e Robins por Nate Snareser


Descobri esta ilustração no Bleeding Cool e pareceu-me bastante interessante!
Os vários Morcegos, Morcegas e Piscos! Ok... os vários Batman, Batwoman/Batgirl e Robins.

Batman da esquerda para a direita:
Batman (DC One Million crossover), Terry McGinnis (Batman Beyond), Jean-Paul Valley (Azrael), Batman Junior (um possível filho de Bruce Wayne), Bruce Wayne, Brane Taylor (Batman do Século XXXI), Sir William the Bat Knight ( DC’s Tangent comics events), Batsman (Batman do Século XLVI) e Damian Wayne.

Robin da esquerda para a direita:
Helena Wayne, Jason Todd, Dick Grayson, Tom Wayne (Robin 3000), Stephanie Brown, Tim Drake, Carrie Kelly (Dark Knight Returns), Damian Wayne, e Robin (DC One Million).

Batwoman e Batgirls da esquerda para a direita:
Bat-Girl (Bette Kane), Kingdom Come Batwoman, Misfit, Batgirl (Barbara Gordon), Batgirl (Stephanie Brown), Batgirl (Cassandra Cain), Batwoman (Kate Kane), Batwoman (Kathy Kane) and Huntress (Helena Bertinelli).

Para ver maior cliquem na imagem, e de seguida com o botão direito do rato escolher a opção "Ver Imagem", e depois clicar novamente com o botão esquerdo!

Boas leituras

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Este Mês na Bedeteca de Beja: Janeiro


Esta Bedeteca explode em trabalho!
Tenho de tirar o chapéu a toda a equipa liderada pelo Paulo Monteiro.
Acho que a Bedeteca de Beja é mesmo a maior! Pode não ter tantos livros e condições XPTO que outras têm, mas tem uma coisa que eu não encontro em mais nenhum "altar" da BD: trabalho, mais trabalho e consistência no trabalho.
Os meus parabéns e agradecimentos a esta incansável equipa que trabalha MESMO em prol da BD.
São mesmo "amazing"! E devem ser acarinhados por todos os que gostam de BD neste país, pois lutar por isto durante o ano inteiro, todos os anos, numa cidade pequena do interior... é obra!

Depois deste louvor passo a apresentar o programa deste mês, Janeiro.

ESTE MÊS NA BEDETECA JANEIRO 2013

EXPOSIÇÕES





De 12 de janeiro a 28 de fevereiro
O MORRO DA FAVELA E OUTRAS HISTÓRIAS
Exposição de Banda Desenhada de André Diniz.
Local: 1º andar.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / André Diniz.
Nota: a exposição inaugura dia 12 de janeiro, sábado, às 17h30, com a presença do autor.











De 12 de janeiro a 28 de fevereiro
AVENIDA MARGINAL
Exposição coletiva de Banda Desenhada com Afonso Ferreira, André Valente, Catarina Gil, Daniela Viçoso, Diogo Campos, Fábio Araújo, Fernando Madeira, Filipe Cardoso, Lucas Marques, Luís Nogueira, Luís Silva, Pedro Horta e Silvestre Francisco (Véte), entre muitos outros.
Local: rés-do-chão, ala esquerda.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Laboratório de Arte e Comunicação Multimédia do Instituto Politécnico de Beja / Flávia Carvalho / Marco Silva / Paulo Fino.
Nota: a exposição inaugura dia 12, às 17h30, com a presença de vários autores.








De 12 de janeiro a 28 de fevereiro
ARTISTAS DO METAL
Exposição de Ilustração para capas de discos de vinil da coleção particular de Nuno Fonseca, com trabalhos de Derek Riggs (Iron Maiden), Steve Huston (Dio), Ken Kelly (Manowar), John Blanche (Sabbat) Jean Delville (Morbide Angel), Sean Rodgers (Nuclear Assault), David Heffernan (Anthrax), Joe Petagno (Motorhead), Phil Lawvere (Kreator), Edward J. Repka (Megadeth), Kev Walker (Toranaga), Paul R. Alexander (Assassin), Eric Phillipe (Thanatos), Michael R. Whelan (Sepultura), Sebastian Krüger (Tankard), William Benson (Testament), Thomas Holm & Thorbjorn Jorgenson (King Diamond), John Martin (Angel Witch), Greg Hildebrandt (Black Sabbath) e Thomas Holm (Mercyful Fate).
Local: hall de entrada.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Nuno Fonseca.
Nota: a exposição inaugura dia 12, às 17h30.







De 12 de janeiro a 28 de fevereiro
CAVALEIRO ANDANTE
Exposição Bibliográfica da revista Cavaleiro Andante (1952 / 1962).
Local: cafetaria.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).










CONVERSAS



Dia 12, sábado, das 18h15 às 18h45
DOIS DEDOS DE CONVERSA COM ANDRÉ DINIZ
A caminho de Angoulême, André Diniz estará na Bedeteca de Beja para nos falar do seu trabalho.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).


LIVROS DO MÊS NA BEDETECA


7 VIDAS / FAWCETT /A CACHOEIRA DE PAULO AFONSO/ O QUILOMBO ORUM AIÊ / MORRO DA FAVELA
Este mês é inteiramente dedicado a André Diniz, um dos mais talentosos autores brasileiros da sua geração, quer como argumentista, quer como desenhador. Uma ocasião rara para conhecer o autor em todas as suas facetas…


CINEMA E BANDA DESENHADA
Na terceira quinta-feira de cada mês…


Dia 17, quinta-feira, às 21h30
NOITE DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Conversa sobre o autor de banda desenhada LOWELL CUNNINGHAM e exibição do filme HOMENS DE NEGRO (1997), de Barry Sonnenfeld, que adaptou a banda desenhada ao cinema.
Um filme divertido que constitui também uma bela oportunidade para ver os fantásticos efeitos especiais de Rick Baker.
Apresentação de Paulo Monteiro.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).
Entrada livre.


CLUBES



LEMON STUDIO – CLUBE DE MANGÁ
Horário: sextas-feiras, das 16h00 às 18h30.
Frequência livre.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda)
Organização: Lemon Studio.
Apoio: CMB (Bedeteca de Beja).







ATELIÊS


De 2 de outubro a 25 de junho
ATELIÊ DE BANDA DESENHADA
OURIÇO-DE-MAR (dos 8 aos 12 anos)
Com Paulo Monteiro.
Horário: terças-feiras, das 18h30 às 20h00.
Frequência livre.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).











De 4 de outubro a 27 de junho
ATELIÊ DE BANDA DESENHADA
TOUPEIRA (a partir dos 13 anos).
Com Paulo Monteiro.
Horário: quintas-feiras, das 18h30 às 20h00.
Frequência livre.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).








 Até 26 de junho
ATELIÊ DE DESENHO E PINTURA
Com Ana Lopes.
Horário: segundas e quartas-feiras, das 19h30 às 21h15.
Número limite de inscrições: 10.
Mensalidade: 20 euros.
Inscrição: 5 euros.
Local: Sala de Desenho.
Organização: Associação Pegada no Futuro.
Parceria: CMB (Casa da Cultura).




Goliathus regius por Joana Afonso



Até 27 de junho
ATELIÊ DE ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA I E II
Com Ana Lopes.
Horário: terças e quintas-feiras, das 19h30 às 21h15.
Número limite de inscrições: 10.
Mensalidade: 20 euros.
Inscrição: 5 euros.
Local: Sala de Desenho.
Organização: Associação Pegada no Futuro.
Parceria: CMB (Casa da Cultura).










Até 26 de junho
ATELIÊ DE ILUSTRAÇÃO (EDITORIAL / INFANTIL)
Com Ana Lopes.
Horário: segundas e quartas-feiras, das 21h30 às 23h15.
Número limite de inscrições: 10.
Mensalidade: 20 euros.
Inscrição: 5 euros.
Local: Sala de Desenho.
Organização: Associação Pegada no Futuro.
Parceria: CMB (Casa da Cultura).




OUTROS SERVIÇOS

CEDÊNCIA DE ESPAÇOS PARA ATIVIDADES
Apoio e cedência de espaços, a escolas e outras instituições, para a realização de reuniões e eventos na área da banda desenhada ou da ilustração.

APOIO A ALUNOS E PROFESSORES
Apoio a alunos e professores para a realização de exposições ou outros projectos específicos na área da banda desenhada e ilustração.


CONTATOS E HORÁRIOS

BEDETECA DE BEJA
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800 – 508 Beja
Telefone: 284 313 318
Telemóvel: 969 660 234
E-mail: bedetecadebeja@cm-beja.pt
Horário: de terça a sexta-feira, das 14h00 às 23h00. Sábados das 14h00 às 20h00.


PARCEIROS

APOIOS E PARCEIROS PARA A PROGRAMAÇÃO
Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja / Associação Pegada no Futuro / Lemon Studio / Museu Regional de Beja

PARCEIROS PARA A DIVULGAÇÃO NA NET
AS LEITURAS DO PEDRO / CENTRAL COMICS / DRMAKETE / KUENTRO / LEITURAS DE BD / NOTAS BEDÉFILAS 



E só posso dizer... que grande programa!! Beja vale uma visita, sobretudo no dia 12.
;)

Boas leituras

Corto Maltese: As Etiópicas


É difícil escrever algo sobre Corte Maltese… acho que já tudo foi dito sobre esta personagem.
“As Etiópicas” era o único livro que eu nunca tinha lido deste herói, ou anti-herói (como preferirem), por isso achei por bem escrever algumas linhas sobre esta aventura africana.

Corto Maltese é a grande criação de Hugo Pratt. Este marinheiro correu o planeta em aventuras estranhas, sempre acompanhado pela magia e pelo mistério de grandes enigmas da humanidade, misturando factos reais com uma vertente fantástica enorme. É muito natural encontrar Corto sobre a influência de cogumelos, viajando no mundo dos sonhos, tocando por vezes no mundo real, assim como a sua influência (hipotética, claro) em situações históricas que toda a gente conhece.

As Etiópicas são um conjunto de quatro histórias passadas essencialmente na zona onde se situa a Etiópia, e embora a última história se situe na África Oriental penso que não será exactamente neste país. As histórias são:
  • Em nome de Alá, O Misericordioso
  • O golpe de Misericórdia
  • …os outros Romeus e Julietas
  • Os Homens-Leopardos do Rufiji
O livro contem ainda um prefácio bastante elaborado assinado por Marco Steiner, com fotografias de Marco D’Anna. Como publicação este livro é excelente, como todos os que já saíram nesta colecção da ASA, e assim como todos os outros, este conjunto de histórias é a cores. De notar a grande qualidade do papel e impressão deste livro! Já agora vale a pena dizer que esta colecção tem duas versões do mesmo livro, uma limitada e de capa dura, outra de capa mole um pouco mais barata.

Como é dito no prefácio, as aventuras de Corto assentam num tríptico de pedra: cultura, natureza e aventura… tudo o resto é magia! Acho que isto resume bem a base das aventuras deste marinheiro!

Esta aventura decorre no final da 1ª Grande Guerra em que os ingleses tentam acabar com a influência Alemã em África. Corto acompanha Cush, um guerreiro negro da tribo Danakil, no resgate do pequeno Príncipe Real Saode, mantido cativo pelo seu tio Abdul.

Este livro assenta na relação que se vai construindo entre Corto e Cush. Corto é um homem de grandes horizontes e completamente livre de pensamento, Cush é um fervoroso seguidor de Alá embora possa infringir algumas regras do Corão apenas para chatear quem quer mandar nele…
De notar as referências a individualidades reais, e a quebra brutal de narrativa na passagem da África desértica para uma Irlanda verde e chuvosa… apenas para contar uma história de cobardia, cobardia essa que se reflecte nos actos do Comandante Bradt… pequenos e deliciosos arcos dentro da história principal!
A aventura e a libertação do pequeno Príncipe servem apenas de pretexto para Hugo Pratt “brincar” na relação do “cão infiel” com o teimoso muçulmano Cush, que também só gosta de fazer o que lhe apetece. Aprendem a conviver, debater ideias e claro… têm de mergulhar juntos no reino da magia pela mão do feiticeiro sem idade Shamael. Os seus destinos cruzam-se sem cessar nas três primeiras histórias, a quarta e última história já sai fora deste registo desértico da Eritreia. Aqui estamos na selva e vemos personagens de outros livros de Hugo Pratt, neste caso saídos de “Anna na Selva”, a conviver com Corto Maltese… e embora continue como fundo o final da 1ª Grande Guerra, temos mais uma vez o tríptico atrás referido rodeado de muita magia: os Homens-Leopardo, a polícia secreta africana…!

É uma aventura de Corto Maltese. Tem todos os ingredientes que tornaram esta personagem famosa! Por isso recomendo este livro, e esta edição. Infelizmente o preço não é agradável, mas vale bem a pena e muita gente tem aderido a esta colecção de luxo, sobretudo aos livros de capa dura que esgotam passado pouco tempo.

Boas leituras

Hardcover
Criado por: Hugo Pratt
Editado em 2012 pela ASA
Nota: 9 em 10

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Concurso Leituras de BD / Planeta DeAgostini: Star Wars - Vencedores


Obrigado a todos os participantes!

A resposta certa era Ki-Adi-Mundi, a personagem central destas ilustrações!


Muitos acertaram na resposta correcta, mas só tenho dois livros para oferecer em nome da Planeta DeAgostini.

Os vencedores foram:
  • Secundino O Mítico
  • Diogo Martins
Estes dois leitores devem-me enviar para o mail  nuno.amado@clix.pt a respectiva morada, para poder ser enviado o livro!

Em resposta ao Rui Esteves, acho que vou fazer de vez em quando uns concursos destes, visto que o pessoal gosta.
;)

Boas leituras

Concurso Leituras de BD / Planeta DeAgostini: Star Wars


O Leituras de BD em conjunto com a editora Planeta DeAgostini inicia agora um concurso sobre o Universo Expandido Star Wars.

O prémio para os dois primeiros a responder acertadamente será o volume nº1 da colecção Star Wars que foi anunciada em Lançamento Planeta DeAgostini: Star Wars.

Regras:
  1. O Concurso é apenas para residentes em Portugal Continental e Ilhas (Açores e Madeira).
  2. Deverão enviar a resposta para o e_mail nuno.amado@clix.pt e, ao mesmo tempo, deixarem comentário aqui no blogue a dizendo que enviaram mail (servindo como dupla verificação).
  3. A diferença entre a hora do comentário e a recepção do mail não deve exceder 10 minutos. A razão deste procedimento serve para todos saberem quem concorreu, e quando.
  4. Qualquer comentário feito com qualquer resposta (certa ou errada) será imediatamente apagado e o concorrente desqualificado.
  5. As 2 primeiras respostas correctas, recebidas no e_mail, serão as vencedoras.

Procurei uma pergunta que não fosse respondida pela Wikipédia, por isso vai ser preciso serem grandes nerds, ou então pesquisarem muito bem...

Qual foi o único membro da Ordem Jedi autorizado a casar pelo Concelho Jedi?

O livro será mandado para a morada que os vencedores escolherem!

Boas leituras


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A Palavra dos Outros: Uma breve história da identidade secreta – Parte II por Paulo Costa


A aguardada segunda, de seis partes "Breve história da identidade secreta" por Paulo Costa:

Uma breve história da identidade secreta – Parte II


Foi preciso esperar pelo século XX para o surgimento de um herói que usasse uma máscara para criar uma identidade pública que defendesse os ideais da justiça. Esse herói foi o Pimpinela Escarlate, criado em 1903 pela baronesa Emma Orczy na peça de teatro “The Scarlet Pimpernel”, passada para prosa dois anos depois. O Pimpinela Escarlate é Percy Blakeney, um baronete inglês que salva nobres franceses da guilhotina durante a época do Reino de Terror da Revolução Francesa. Na sua vida normal, Blakeney finge ser um dândi, interessado numa vida idílica, sem dificuldades nem objectivos. A sua fortuna e as suas habilidades são usadas, secretamente, na sua missão heróica.

Em 1919, Johnston McCauley usou corte e cola, aproveitando vários elementos de Blakeney numa história sua, como as origens nobres, a personalidade falsa e a missão heróica contra um estabelecimento corrupto. A história chamava-se “The Curse of Capistrano”, foi publicada no pulp “All-Story Weekly” e o nome do herói era Diego de la Vega, mais conhecido como Zorro. Estas influências culminaram na história “The Living Shadow”, que introduz o Sombra, publicada no pulp “Detective Story Magazine” em 1931 (com base na personagem que fazia os anúncios de uma radionovela de detectives). O Sombra tem várias identidades, uma das quais é um ricaço que frequenta os principais eventos sociais, Lamont Cranston. Em 1937, no programa de rádio, ganha também superpoderes místicos de origem oriental.

O Sombra tinha uma identidade secreta e uma aparência facilmente identificável, incluindo um chapéu de aba larga e um cachecol que cobria a sua face, mas mesmos com as suas habilidades hipnóticas, faltam alguns ingredientes. O mesmo se passava com o Dr. Oculto, herói criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1935, publicado numa edição da revista “New Fun Comics” da editora National (actual DC Comics), mas era um detective com habilidades sobrenaturais (anteriores, aliás, aos poderes do Sombra), e também não tinha roupa colante nem máscara. Em 1936, o cartunista Lee Falk introduziu nas tiras de jornal da King Features o Fantasma, o primeiro herói vestido com roupa colante e uma máscara que lhe cobre a cabeça e os olhos mas deixa a boca destapada. O Fantasma é geralmente considerado o primeiro super-herói da banda desenhada, mas nunca teve superpoderes.

O surgimento do Superhomem em 1938 e do Batman em 1939 ajudaram a popularizar o conceito de heróis mascarados, com um alter ego que finge ser um idiota, mas que usa a sua identidade civil ao serviço da sua carreira como combatente do crime. O Superhomem tem poderes mas tem a cara a descoberto, enquanto o Batman é, como o Fantasma, um homem normal com treino especial, que se mascara. O Superhomem, em particular, tem na sua forma heróica a sua verdadeira identidade, enquanto o homem Clark Kent é um disfarce. Em breve, os super-heróis mascarados, com ou sem poderes, iriam multiplicar-se às centenas, com as várias editoras ansiosas por duplicar estes dois sucessos, e a própria National a tentar repetir os primeiros êxitos.

A solidez do conceito de dupla identidade começou a esboroar-se logo no princípio. O design de personagens incluía vários tipos de máscara, algumas delas pouco apropriadas para esconder uma identidade. A mascarilha, ou máscara de dominó, era popular, usada no design do Spirit, do Lanterna Verde e da maioria dos sidekicks em todas as editoras, desde Bucky a Robin, mas nunca poderia ser convincente. O chapéu do Flash e o capuz do Starman, que deixava a cara completamente destapada, eram também pouco eficazes a esconder identidades. Deste modo, não seria estranho se começassem a aparecer heróis sem identidade secreta.

Essas personagens apareceram na Timely, a editora que depois passou a chamar-se Marvel. A primeira revista da Timely, “Marvel Comics” n.º 1, publicada em 1939, tinha três heróis sem dupla identidade: o Príncipe Submarino, o Tocha Humana e o Anjo. Namor não precisava de dupla identidade, pois não era um americano com vida civil e vinha de outra sociedade onde fazia parte da família real, enquanto o Tocha Humana era um humano artificial, pois embora viesse a adoptar o nome Jim Hammond, a sua criação e primeira aparição pública eram bastante conhecidos. O Anjo era diferente. Um herói sem superpoderes, Thomas Holloway não usava máscara nem escondia a sua identidade, embora fosse mais conhecido pelo seu pseudónimo que pelo verdadeiro nome. Mas ele era a excepção e não a regra.

Com o final da Segunda Guerra Mundial, a popularidade dos super-heróis decaiu rapidamente. Surgidos no final dos anos 30, eram um produto da era da Lei Seca e das organizações criminosas lideradas por gângsteres. Em 1945, já se tinham passado 12 anos desde que a Lei Seca tinha sido repelida nos Estados Unidos, pelo que a sociedade que os gerou cada vez mais fazia parte de um passado distante. A vitória dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial também restituiu a confiança do público no Governo, acabando com a necessidade de vigilantes face à ineficácia policial das décadas anteriores. Finalmente, o início da Guerra Fria e a rivalidade com a União Soviética criaram um novo estado de paranóia num público que ficou com medo de agentes escondidos. Usar máscara era uma forma de esconder a verdade. Deste modo o super-herói não pôde sobreviver e os vários personagens desapareceram progressivamente até 1950. Apenas uma mão cheia sobreviveu, na DC Comics.

Texto: Paulo Costa

Estes artigos "Uma breve história da identidade secreta" são excelentes!
Obrigado ao Paulo Costa pela parte que me toca.





























Para lerem a primeira parte deste artigo cliquem no link:

Uma breve história da identidade secreta – Parte I

Fico à espera da 3ª parte!
:D
Aproveito para desejar a todos os leitores do Leituras de BD um excelente ano de 2013!
:)

Boas leituras

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