sexta-feira, 3 de junho de 2022

Séries TV: Doctor Who - Vincent and the Doctor
Temporada 5 - Episódio 10


O problema de escrever sobre estas coisas, sobretudo quando se gosta delas, é saber onde começar, por onde passar e onde acabar.

Hoje revi este episódio do Doctor Who. Recomecei a ver tudo desde a fase do Christopher Ecclestone (o 9º Doutor - 2005) até este episódio de 2010, e achei que poderia escrever algo sobre ele. O problema é… começo pelo princípio em 1963? Conto a história da série desde o 1º Doutor para no final chegar até este episódio? Bah… isto daria para um post gigante ou não fosse a série Sci-Fi mais antiga (e longa – 39 temporadas) de sempre transmitida na televisão.

Assim, farei apenas uma pequena introdução, e depois falarei deste episódio e deste Doutor (o 11º).

Como disse atrás, o primeiro episódio foi para o ar na BBC em 1963, a 23 de Novembro com William Artnell personificando o 1º Doutor. Esta série clássica durou até 1989 com 26 temporadas e episódios de 25 minutos. Durante todo este tempo tornou-se uma série de culto, embora no final a BBC tenha interrompido por baixas audiências. Estávamos com o 7º Doutor – Sylvester McCoy.

Houve uma tentativa de recuperação em 1996 com o 8º Doutor – Paul McGann – mas que não funcionou, então a série entra de novo em hiato.

Em 2005 a série foi recuperada, mas com um formato diferente, mais actual, o número de episódios por temporada foi reduzido e o tempo de cada episódio aumentou para 45 minutos. Isto na generalidade, pois existem os especiais de Natal que são maiores. Cada temporada tem vários episódios “soltos”, por vezes existindo arcos de dois ou três episódios. De qualquer modo existe sempre pequenos eventos que ligam todos os episódios para algo que só se irá resolver no final da temporada. Ou seja, um formato moderno para o Doctor Who.

Neste momento a série vai para o 14º Doutor – Ncuti Gatwa.

Resta-me dizer que o conceito desta série é fascinante, e é incrível que ao longo de tantos anos consiga contar histórias complexas de uma maneira simples em menos de uma hora. Maravilhoso. Aliás, o conceito de regeneração é das coisas mais inteligentes que vi fazer numa série, temos um Doutor novo sempre que necessitamos que nunca é um buraco no argumento porque é uma particularidade que faz parte da personagem. Ponto! Claro… depois há a desvantagem da qualidade dos actores, da empatia do público com um ou com outro, mas já lá vou a esse assunto.

Pronto. Agora sobre o episódio que dá título ao post.


Vou contar spoilers porque o episódio em questão tem 12 anos, quem viu viu, quem não viu paciência. Até porque a razão de eu falar deste episódio particularmente não tem a ver com notícias sobre a série ou histórias em desenvolvimento.

Já vos disse que o conceito desta série é fascinante para mim? 

O Doutor anda a passear a sua acompanhante devido a problemas de consciência pelo desaparecimento e esquecimento da memória de Rory – namorado da acompanhante Amy Pond (Karen Gillen – Guardiões da Galáxia, Nébula), e nestes passeios de “charme” acabam por visitar uma exposição de Van Gogh.

Os olhos do Doutor fixam-se no quadro com uma Igreja, “A Igreja de Auvers”, onde vê um monstro desenhado na janela. E com a frase “I know evil when I see it” resolve voltar ao passado, ao dia anterior em Van Gogh iria pintar esse quadro.


Aqui vou abrir um parêntesis. Penso que o produtor Steven Moffat gosta bastante deste tema da “visão”. Neste episódio vamos ter um Van Gogh perturbado, não reconhecido como pintor, escorraçado pela população. E assim foi na sua vida até se suicidar. Mas neste episódio ele possui uma visão especial, e este é o tema que Moffat gosta. Já tivemos no 1º episódio desta temporada (The Eleventh Hour) alienígenas com filtros de percepção que só podiam ser vistos “pelo canto do olho”, tivemos por duas vezes os “Anjos Chorões” que atacavam quando se fechava os olhos, e tivemos os Vashta Nerada no episódio da biblioteca – Silence in the Library – que se movimentavam apenas nas sombras. Neste episódio é Van Gogh o único a conseguir ver a olho nu o monstro.

Basicamente estou a escrever isto tudo porque este episódio acabou por me emocionar e fazer “suar dos olhos” as duas vezes que o vi. A cena final em que eles resolvem trazer Van Gogh ao presente para ele ver os seus quadros serem admirados por toda a gente é admirável Acho a cena muito bonita e de uma empatia brutal por aquele artista escorraçado no seu tempo. 

E é nisto que esta série é fascinante, todo o conceito! Quem nunca pensou em trazer pessoas do passado, um passado sofrido por não terem sido entendidas na altura, e depois para poderem ver que tudo o que criaram é algo prezado pela Humanidade. São imortais e nunca o souberam. É uma situação que me comove e traz a minha empatia à tona.

E para escrever este pequeno parágrafo tive de escrever tudo o que está acima… :D

E já agora vou escrever mais qualquer coisa. O episódio seguinte foi o último que vi na altura em que a série estava em exibição porque sinceramente não gostei, e não gosto, deste actor como Doctor Who. Na minha opinião não tem nem nunca teve o carisma necessário para o papel, e a minha empatia foi zero. Ainda por cima vem depois do talvez melhor Doutor de sempre, o incrível neste papel David Tennant (10º Doutor). 


Agora estou-me a obrigar a ver a série toda e vou ter de ver este Doutor até ao fim. Porquê? 

Porque esta série é fascinante!

(Já agora… o Doutor desta temporada que eu não gosto é estrelado pelo actor sem sal Matt Smith.)


Boas leituras


quinta-feira, 2 de junho de 2022

Mausart - Edição Integral

 


Mauzarte é uma obra publicada pela editora Arte de Autor no passado mês de Maio, 2022. Originalmente publicado pela Delcourt em dois volumes (2018 e 2019), tem como autores o belga Thierry Joor na escrita e o sérvio Gradimir Smudja na arte. 

Joor sempre esteve mais dedicado à coordenação, publicação e edição de obras, acabando neste momento por ser o editor das Éditions Delcourt. 
Mauzart é o seu primeiro trabalho profissional como argumentista de BD. 

Smudja era um desconhecido para mim, este livro serviu para eu pesquisar sobre a sua obra, e que obra! Não sabia que o seu livro Vincent e Van Gogh tinha sido publicado em português pela Witloof, em 2003, e agora tenho um bicho aqui a mexer para tentar ver se esse livro ainda existe por aí. :D 

Mauzart é um díptico formado pelos livros Mauzart e Mauzart em Veneza, sendo a capa da edição portuguesa a do segundo livro, que é lindíssima devo acrescentar. O livro chamou-me a atenção nas bancas do Festival Internacional de BD de Beja quando o folheei, porque assim à primeira vista a arte pareceu-me muito boa. 

E podemos começar por aí. As personagens do livro são todas antropomorfizadas à semelhança de Blacksad, mas é só isso de semelhança, a antropomorfização, porque o estilo é completamente diferente. O desenho em alguns animais é puxado para o lado do cartunesco sobretudo para aumentar a sua expressão, sendo os gatos um bom exemplo disso. As páginas são ricamente coloridas e ornamentadas por muitas texturas na cor. 

Pelo que li sobre Smudja ele desenha com uma caneta de mangá e faz a colorização com aguarelas. Simplesmente neste livro não consegui perceber se é aguarela, porque tem tantas texturas e pequenos pormenores que com o meu (pequeno) conhecimento do assunto acabo por não perceber qual a técnica. 
Se alguém me quiser informar, agradeço 😊 


Relativamente ao argumento de Joor. É um argumento muito básico, que pega com o trocadilho da palavra alemã maus (rato) e com o nome Mozart. A partir daí temos os ratinhos dentro do piano, e um lobo Salieri como antagonista, e um Mauzart vitorioso perante a Corte Real, tudo isto baseado em cima de algumas pessoas que cruzaram com a vida Mozart, e contado de uma maneira muito livre.

Com isto não estou a dizer que o argumento é mau, não é o caso, mas lá está… penso que o objectivo é uma faixa etária mais infanto-juvenil, aí está perfeito, agora para um adulto, pronto, é um pouco básico. Digamos que é perfeito para os nossos filhotes mais novos. 


Este livro da Arte de Autor vale mesmo pela arte, que achei fabulosa, e tenho a certeza que se o comprarem se irão deleitar com as páginas de Smudja, e a história será excelente para os vossos filhos. 

É a leitura que faço desta boa edição da Arte de Autor, que mais uma vez nos presenteia com uma excelente publicação. A capa, o papel e todo o design deste livro está com o extremo bom gosto a que nos têm habituado. 



Edição: Cartonada 
Formato: 232 x 310 
Número de páginas: 88 
Data de Edição: Maio de 2022 
ISBN: 978-989-9094-08-6 
PVP: 25,00 €


Boas leituras

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Capas: Berserk 41 - CD da Edição de Luxo


 

Em Dezembro do ano passado saiu o livro final (41) da monumental série de fantasia negra medieval, Berserk, no Japão.

A Edição Especial vinha com um CD, e essa capa que vocês vêem aí no topo é a desse mesmo CD. Penso que a edição alemã vai sair com esta capa.

 Aqui mais abaixo têm a capa da edição da Dark Horse que vai sair em Novembro deste ano nos EUA. 

É uma pena que com capas tão boas ao longo desta série escolhessem para a fechar uma tão pobre para o final da série, pelo menos eu acho-a fraca.

Este livro já é publicado depois do falecimento do autor de Berserk, Kentaro Miura depois de 33 anos de publicação e quase 4 milhões de cópias vendidas.

A edição especial de luxo, que eu estou a comprar, acabará para o ano. Quando esta acabar farei uma série de posts sobre esta série lendária (não cabe tudo em um único, certo?), 


Já agora deixo aqui a capa do volume 6 (versão japonesa), para não ficarem tristes :D




Boas leituras


domingo, 29 de maio de 2022

XVII Festival Internacional de BD de Beja




Este fim de semana passou mais um Festival Internacional de BD de Beja, o 17º. Este continua a ser o festival a que eu mais gosto de ir, passar um bom bocado, entre as pessoas, a BD e os petiscos alentejanos. 

Vendo esse Splaft aí em cima (a revista do festival), também me fica um pico de tristeza, pois foi o primeiro desde há muitos, muitos, anos em que eu não colaborei, ou seja, não me foi pedida a colaboração e assim sendo este 17º deixou-me um gosto um pouco amargo na boca. 

Aparte estes estados “emo” do Nuno Amado, gostei muito de estar à conversa com gente dos livros, editores, artistas e fans. É Beja e eu já tinha saudades!

Ao nível cénico, o festival esteve igual a ele próprio, a colocação das exposições está mais do que aperfeiçoada com estes 17 anos de experiência, não vale a pena inventar muito dentro da Casa da Cultura de Beja, este é um layout ganhador. 

Foram apresentados também Prémios neste Festival. Estavam a decorrer em bom ritmo até que chegou a altura dos prémios das publicações portuguesas. Aí a dinâmica quebrou completamente porque entre cada prémio foram mostrados filmes com os ganhadores a falar, o que não se compreende para os que se encontravam na sala, no mínimo foi estranho. Aparte isso, nem toda a gente foi feita para falar à frente de uma câmara de filmar, e aqui o filho da Dona Branca chegou a fechar a pestana durante num destes momentos filmados. 

A tenda de venda dos livros estava muito composta, com novidades, pré-vendas, livros mais antigos, presença de editoras e lojas. A fila para pagar neste local esteve por vezes um pouco demorada, não sei qual a viabilidade, mas um terminal de pagamento iria ajudar bastante. 

Muitos artistas de renome a dar autógrafos abrilhantaram este Sábado, pena a falta de um dos autores de Armazém Central, Jean-Louis Tripp, que ficou retido no aeroporto em França segundo eu percebi. 

Fiquem com algumas fotos! 

















Pedro Alves e Irina Duque


Como infelizmente este ano apenas estive um dia no festival, também as aventuras culinárias foram curtas, mas a espetada de polvo grelhado no restaurante Pulo do Lobo foi uma delícia. Valeu o passeio, para o ano há mais. 




De notar que o festival está presente ao público até 12 de Junho, 2022. No link abaixo podem consultar a programação para as próximas semanas:

Boas leituras e bom festival!








terça-feira, 3 de agosto de 2021

Capas: Moon Knight #24

 


Capa que eu adoro de Bill Sienkiewicz!

Referente à ao arco "Scarlet in Moonlight", também desenhado por ele com as cores maravilhosas de Christie Scheele, em Outubro de 1982.  

Imagens vibrantes de negro e vermelho num ambiente gótico e dramático, é assim que esta dupla dá vida a este arco escrito por Doug Moench.

Para lá da capa no topo, coloco 3 páginas interiores e a ilustração B&W da capa, antes de ser colorida por Scheele






Boas leituras




terça-feira, 27 de julho de 2021

Lançamento A Seita: Drácula de Bram Stoker por Georges Bess


 A editora A Seita publica em Portugal a considerada melhor adaptação à Banda Desenhada da obra máxima de Bram Stocker: Drácula.

Esta obra já foi bastantes vezes adaptada ao cinema, na Banda Desenhada tivemos sempre adaptações livres da personagem principal, o Conde Drácula, mas não da obra. Adaptação da obra está aqui fiel com o grande desenhador Georges Bess (Lama Branco) a emprestar a sua arte a esta obra.

Fiquem com a nota de imprensa da editora A Seita:



DRÁCULA de BRAM STOKER
 
Arte e adaptação do romance original por GEORGES BESS
 
« Seja bem-vindo à minha casa! E rogo-lhe, entre de sua livre vontade. Quando finalmente partir, deixará aqui um pouco da alegria que trouxe consigo. »
- Conde Drácula 

Uma das mais fiéis e brilhantes adaptações gráficas do Drácula de Bram Stoker, pelo desenhador de O Lama Branco e Juan Solo.
 
Drácula, de Bram Stoker, geralmente considerado como um dos maiores romances de terror gótico, conheceu inúmeros adaptações ao cinema, claro, mas também à banda desenhada. Desde os anos 1970, em Tomb of Dracula, por exemplo, onde encontramos um Conde Drácula que se move junto das personagens típicas da Marvel, até ao Drácula de Mike Mignola, que adapta a versão cinematográfica de Francis Ford Coppola, passando pelo bizarro e comédico Don Dracula, de Osamu Tezuka, ou o Drácula ilustrado por John J. Muth, foram muitas as adaptações ou livros que se inspiraram mais ou menos livremente do célebre vampiro de Stoker. A Seita inaugura agora a sua colecção Nona Literatura, dedicada a adaptações de grandes textos literários ou históricos à BD, com aquela que é talvez uma das mais fiéis adaptações do romance original. E talvez uma das mais belas também, pelas mãos de um dos maiores autores de BD franco-belga contemporâneos, Georges Bess.


Desafiado pelo seu editor, Phillipe Hauri, a desenhar esta adaptação usando o seu magnífico traço a preto e branco, Bess acabaria por se apaixonar pelo tema depois de uma visita ao cemitério de Highgate, em Londres, e pela sua atmosfera romântica e gótica. E o resultado é esta magnífica obra, que adapta com fidelidade o romance original, mantendo vivos muitos dos seus sub-entendidos e simbolismos, desde o seu aflorar de sexualidades problemáticas para a era Vitoriana, de sedução e libertinagem, que assombravam a sociedade da época, passando pela sua evocação da ansiedade e medo da doença e da infecção, e das tensões à volta da religião e da vida moderna desses tempos. 

Mas é uma adaptação que mantém viva também a chama da aventura que sempre fascinou os leitores do romance, com as suas paisagens majestosas nos Cárpatos, perseguições, vampiro terrível, confrontos e terrores, aqui retratados num glorioso desenho a preto e branco. A edição d’A Seita inclui também uma versão com capa especial (a capa dourada) disponível como exclusivo via Wook online.


Nascido em França em 1947, Georges Bess iniciou a sua carreira na BD na Suécia, desenhando histórias do Fantasma, de Lee Falk, para os países nórdicos, mas foi o encontro com Alejandro Jodorowsky, no seu regresso a Paris, em 1987, que iria mudar a sua carreira. Com Jodorowsky, Bess vai realizar as séries O Lama Branco, Anibal 5 e Juan Solo, títulos que, a par com as séries que escreveu e desenhou, o ajudaram a afirmar-se como um nome incontornável da BD europeia.
 
208 páginas, 
formato 220 x 285 cm, p/b, 
capa dura 
PVP: 25€ 
ISBN: 978-989-54574-4-1 - Capa normal 
ISBN: 978-989-53150-3-1 - Capa exclusiva WOOK














Boas leituras





segunda-feira, 26 de julho de 2021

Animação: Masters of the Universe - Revelation

 


Hate, hating, haters, bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh bláh

Ó Internet do Demo que dás voz a este pessoal que se cospe todo, simplesmente porque algo não é aquilo que eles, os fanzocas, esperavam!

Toda a gente que me conhece minimamente bem sabe que eu não gosto que alterem as personalidades e atributos físicos de personagem que fizeram história de décadas. É certo e é mesmo assim para mim.

Cada um tem a cor de pele com que nasceu e tem a orientação sexual que escolheu, Não tenho problemas com isso. Mas tenho quando mudam o género, ou cor ou orientação sexual de uma personagem para vender e com intuitos puramente mercantilistas. Tenho, pronto. E têm de levar com a minha opinião, podem não lhe ligar nenhuma, mas pronto, é a minha opinião. E é também minha opinião que deveriam existir mais personagens de todas as cores, locais e credos, mas originais, não modificações de outras. Dou o exemplo da excelente Ms Marvel editada por cá pela G.Floy.

A série da Netflix que trouxe os Masters of Universe de volta há poucos dias atrás, está na mira dos haters com muitos canhões e armas termonucleares, assim mesmo: à bruta.

Depois deste facto, vou voltar atrás um pouco. Que série de merda era a série original! Nunca a vi com assiduidade por ser bastante má, história para criancinhas de chuchar no dedo ainda, e uma animação a roçar o horrível. Lamento ofender alguém com esta minha opinião, mas estou a borrifar-me nisso (hoje toda a gente se ofende, portanto...)

O problema foi que a grande massa fanzoca, que chuchava no dedo quando via a série original, cresceu! Sim, os rapazes e raparigas que viam a série com menos de 10 aninhos nos anos 80 / 90 agora têm 30 / 40 anos e ansiavam por um remake da franquia. Quando souberam da nova série da Netflix entraram em modo orgasmo precoce e depois numa desilusão deprimente e absoluta... porquê? 

Porque agora é aquela tipa da Teela a tirar o protagonismo ao tipo com overdose de esteroides, ela própria também tomou alguns...

Falando mais a sério, a série tem um novo take, os protagonistas são os heróis secundários da série original. Eu não estava à espera, mas vi com agrado, porque foi fresco, não foi uma repetição daquilo que já existia.

E esta nova abordagem não me provocou engulhos nenhuns. Porquê, porque respeita o He-Man, respeita o seu passado de heroísmo, ele é igual a ele próprio sempre que está em cena. O que aconteceu foi um upgrade de todos as outras personagens, fazendo algo de novo de uma coisa velha.


Falando um pouco sobre esta série. Que tremenda escolha de vozes! Casam de uma maneira soberba com as personagens: Sarah Michelle Gellar como Teela, Lena Headey é Evil-Lyn "Lyn", Chris Wood como Príncipe Adam / He-Man, Mark Hamill é Skeletor, e Alicia Silverstone como Queen Marlena

No primeiro episódio Eternia está igual a ela própria, abre com uma grande cerimónia para dar o título de Man-at-Arms a Teela. O Príncipe Adam, Cringer e Orko estão presentes, claro. Entretanto Skeletor e Evil-Lyn estão a fazer o que lhe é normal, ou seja, atacar o Castelo de Grayskull.


Até aqui tudo normal, só que... no final tudo está mudado deixando um vácuo de poder em Eternia. Tudo o que sabes sobre a série já foi! 

Ao longo dos episódios seguintes é visível o respeito de Kevin Smith (o autor) pela mitologia dos Masters of the Universe, temos lá tudo e alguns easter eggs espalhados para dar um pouco de perfume.

Não vou dar spoilers da série, apenas recomendo que a vejam sem preconceitos. São cinco episódios em ritmo de continuação, excelente para ver numa tarde de férias. Termina num momento de suspense e vamos ter de esperar por mais cinco episódios.


Espumem pela boca haters! A série até é bastante decente, contrariamente à original que era fraquinha fraquinha... a animação não é má (podia ser melhor), e temos uma série de cinco episódios de bom entretenimento. Thumbs up!

Boas leituras








segunda-feira, 19 de julho de 2021

Undertaker Vol.2: A Dança dos Abutres



"E Deus disse: aqueles que são suficientemente estúpidos para descer ao Inferno merecem aí permanecer para sempre."
- Carta de Jonas aos Californianos

Este é o segundo volume desta série escrita por  Xavier Dorison e desenhada por Ralph Meyer. A Ala dos Livros publicou esta A Dança dos Abutres no início do ano, e fecha este arco do Undertaker.

Podem ler a minha crítica ao primeiro volume clicando no link Undertaker Vol.1: O Devorador de Ouro

Achei este livro magistral na sua construção. É bom ler uma boa história, mas é excelente ler uma boa história com uma construção minuciosa do ambiente emocional, ambiente esse completamente ligado ao espaço que se vai apertando lentamente, quase claustrofóbico no meio dos desfiladeiros, para se abrir repentinamente nos ocres desérticos dos grandes espaços abertos.

A tensão entre os três protagonistas equilibra-se precariamente, bastando qualquer desequilíbrio para pôr à prova o pacto acordado de levar o corpo morto e malcheiroso de Cusco, até ao local acordado para o sepultar. Todos os três têm uma razão diferente para querer levar este trabalho até ao final com êxito.

A desconstrução emocional e física dos mineiros de Anoki City está excelente. Pessoas normais tornam-se autênticos animais na perseguição da caça. A violência, o calor, a sede, tudo contribui para os desumanizar na busca do ouro que acham que é deles por direito. O rasto de morte que o carro funerário leva agarrado na sua traseira é enorme, a cupidez insidia-se completamente naqueles mineiros.

Eu tinha dito na crítica ao primeiro volume que faltava na história "surpresa" no enredo. Pois bem, agora neste volume temos mais do que uma. O enredo dá algumas boas voltas, por vezes enreda-se para se desenredar, tem velocidade e cria no leitor uma sensação de antecipação de um grande final, que não desilude. 

Uma nota especial para Jed, o abutre. Que bem conseguida foi esta ligação aos abutres. Este personagem, que tinha anteriormente uma função apenas decorativa, e por vezes o confidente de desabafos, um pouco tipo comic relief do coveiro, transforma-se em coadjuvante repentinamente quando nada o fazia prever. Muito bom.

A arte de Ralph Meyer, em conjunto com as cores de Caroline Delabie, continua muito boa. Os seus planos evocam e dão vida ao faroeste, seja em que situação for: chuva, calor, dia, noite, deserto árido, desfiladeiro claustrofóbico... enfim, tudo e tudo. 
Mais, consegue oferecer-nos ainda uma cidade viva de pormenores, em que podemos pensar que era mesmo assim que se vivia numa cidade desterrada, e enterrada, no Oeste profundo.

Adorei esta história e estou mesmo à espera do anunciado 3º livro: O Monstro de Sutter Camp.

O Leituras de BD recomenda está série

Em baixo a nota de imprensa da Ala dos Livros



UNDERTAKER – tomo 2
A DANÇA DOS ABUTRES 

Argumento: Xavier Dorison 
Desenho: Ralph Meyer 
Cor: Caroline Delabie 


Jonas Crow, o cangalheiro, Rose, a governanta inglesa, e Lin, a criada chinesa, dirigem-se à mina de “Red Chance” para aí sepultar um antigo milionário que decidiu ser enterrado com o seu ouro. 

Têm, diante de si, três longos dias de viagem e cinquenta milhas percorridas na carroça fúnebre através dos abrasadores e poeirentos desfiladeiros do deserto. E, atrás de si, há toda uma multidão de mineiros exaltados que os persegue, apostados em não lhes facilitar a vida… 

Assinado por Delabie, Dorison e Mayer, «A Dança dos Abutres» é o segundo tomo da série UNDERTAKER e, tal como o primeiro, conta com um enredo trepidante, servido por um desenho soberbo. Esta série, difundida em 14 países entre os quais se inclui agora Portugal, obteve desde o início da sua publicação em França, em 2015, numerosos prémios e distinções. Salientam-seo Prix Saint Michel 2015 du Meilleur Dessin, o Prix Le Parisien 2015 de la Meilleur BD, o Prix 2015 des rédacteurs de scenario.com e ainda a distinção Album preferé des lecteurs de BD Gest 2015. 

Sobre os autores: 

Argumento: Xavier Dorison (1972) 
Xavier Dorison nasceu em 1972. Depois de três anos numa escola profissional, durante os quais lançou um Festival de BD, começou a escrever o argumento para o primeiro volume de Troisième Testament (Terceiro Testamento) série desenhada por Alex Alice e publicada pela Glénat. Foi um sucesso. 

Seguiu-se o trabalho com Mathieu Lauffray no primeiro volume da série Prophet (Les Humanoides Associés, 2000), e depois com Christophe Bec na série Sanctuaire (Les Humanoïdes Associés, 2001). 


Xavier Dorison estabeleceu, em muito pouco tempo, um estatuto firme no mundo da banda desenhada franco-belga, um estatuto confirmado com W.E.S.T. (Dargaud), que escreveu em parceria com Fabien Nury para um dos maiores nomes actuais do realismo, o desenhador Christian Rossi. Mas Dorison não se limitou ao universo da BD. 

Em 2006, foi lançado o filme Les Brigades du Tigre, uma adaptação da série de TV com o mesmo nome, que Dorison voltou a escrever em parceria com Nury. 

Em 2007, trabalhou uma vez mais com Mathieu Lauffray em Long John Silver, granjeando de novo um enorme sucesso. Em 2008, a Dargaud convidou Xavier Dorison para escrever o argumento do primeiro volume de XIII Mystery, uma sequela da famosa série XIII. O desenho foi confiado a Ralph Meyer, o que deu início a uma outra colaboração prolífica. Foi então que o par criou a épica história viking Asgard (Dargaud). 

E em 2014, com Thomas Allart, Dorison produziu H.S.E. (Dargaud; Europe Comics 2017), um enredo de suspense sobre a possível queda em espiral de uma sociedade ultraliberal. Trabalhador incansável, Dorison dedica-se simultaneamente a várias séries, para além de continuar a escrever argumentos para a TV e o cinema. 

Passando com facilidade do argumento para as séries já mencionadas, e ainda para Le Chant du Cygne (2014, Le Lombard), Red Skin (2014, Glénat) e o seu último e enorme sucesso Undertaker (Dargaud 2015, Europe Comics 2016), Dorison provou a sua habilidade para trabalhar em diferentes géneros, que vão do western ao drama histórico, sem nunca perder a força do argumento e a solidez estrutural que caracteriza o seu trabalho. Não é por isso de admirar que tenha sido chamado a continuar a série Thorgal (Le Lombard), um dos maiores ícones da BD franco-belga de todos os tempos. 

Desenho: Ralph Meyer (1971) 
Nascido em Paris em 1971, Ralph Meyer era muito novo quando começou a cultivar a sua aptidão e interesse pelo desenho e por histórias. Quando chegou a altura de decidir o que fazer da sua vida, pareceu-lhe natural escolher a banda desenhada. Enquanto insaciável jovem leitor, apreciava o humor de Gaston Lagaffe e as aventuras de Blake e Mortimer, bem como os problemas existenciais dos super-heróis vestidos a rigor e que povoam as edições mensais de Strange. 

A sua descoberta do trabalho de Giraud (também Moebius) durante a sua adolescência, terá mais tarde uma grande influência no seu próprio trabalho. Com 20 anos, deixou Paris e mudou-se para a Bélgica para seguir o curso de ilustração no Instituto Saint-Luc, em Liège. 


Após três anos e finalizado o curso, começou a apresentar-se a várias editoras com um número variado de projectos, mas sem sucesso. Em 1996, decidiu apresentar o seu trabalho ao escritor Philippe Tome. Este deu a Meyer, para trabalhar, um argumento particularmente sinistro. Um ano mais tarde, lançam o primeiro volume de «Berceuse Assassine», uma trilogia (1997, Dargaud; 2016, Europe Comics). 

Meyer fundou, entretanto, com alguns outros autores, a "Parfois j'ai dur" workshop. Foi aí que realizou Des Lendemains sans Nuages, (Le Lombard; Cinebook,) série que co-ilustrou com Bruno Gazzotti, sob argumento de Fabien Vehlmann. A seguir, ainda com Vehlmann, iniciou a série de ficção Científica I.A.N (Dargaud; Cinebook), a qual relata as aventuras de um ser de inteligência artificial, completado com pele e nervos humanos. 


Em 2008, com Xavier Dorison lançou o primeiro volume da série XIII-Mystery, uma colecção da Dargaud pela qual recebeu, em Bruxelas, o Prémio St. Michel. O ano de 2010 pareceu representar para Meyer uma reviravolta gráfica, ao efectuar Page Noire, com argumento de Denis Lapière e Frank Giroud. Em 2012, ele e Xavier Dorison voltaram a trabalhar juntos nas paisagens nórdicas do díptico Asgard, seguindo-se posteriormente a terceira colaboração na série Undertaker, a qual continua a conhecer junto dos leitores de vários países um crescente sucesso. 

Cor: Caroline Delabie 
Curiosa por natureza, Caroline Delabie começou, desde tenra idade, a “meter o nariz” na imensa colecção de BD dos pais. É aí que descobre Gaston Lagaffe, Obélix, o Capitão Haddock e Thorgal. Estes, ensinam-na a ler. 

 E em breve muitos outros moradores da biblioteca se juntam a eles, acompanhando Caroline durante a infância. Na adolescência, conhece Jojo (que depressa se tornou o seu melhor amigo), Violette, Brousaille, Gil Jourdan, Julien Boisvert, Pélisse… Aquando do seu último ano de Arquitectura de Interiores, na Escola de Saint Luc, em Liège, e graças a Jean-Claude Hubert, um amigo ilustrador, Caroline conhece Ralph Meyer. 

 Ralph apresentou-lhe Joe e Martha Telenko, os personagens de Berceuse Assassine. Passa na sua companhia alguns serões agradáveis mas prefere, de longe, a companhia de Ralph. E decidem partilhar a maior parte dos seus serões, a ler. 

Terminados os estudos, Caroline dedicou-se à profissão de Arquitecta Decoradora independente, embora a sua curiosidade tenha sido espicaçada pela coloração de BD, já que esse trabalho parece ligar o mundo das cores, que a cativa desde que iniciou os seus estudos, à sua paixão pela BD. Ralph aceita ensinar-lhe os seus segredos. 

Assim, e durante vários anos, Caroline Delabie assume, em paralelo, a profissão de Arquitecta Decoradora e a de Colorista (I.A.N., XIII Mystery, Seuls, Asgard, Page Noire, Undertaker). Até que, por fim, decide tornar-se apenas colorista. Todavia, em 2014, esta curiosa insaciável completa a formação, em seu entender muito curta, de Guia da Natureza. 

56 páginas. Cor. 
Cartonado. 235 x 310 mm 
Fevereiro de 2021. 
Ala dos Livros PVP: 16,65 € 
ISBN: 978-989-54726-7-3






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