- Todos os infractores serão rejeitados!
Caryl Férey
e Corentin Rouge… dois completos desconhecidos
para mim. O primeiro no texto, o segundo no desenho, e também na cor com Céline
Labriet. Foi algo inesperado, sobretudo a qualidade gráfica que por vezes roça
a excelência.
Livro publicado pela editora Arte de Autor em 2025, que eu
comprei por engano, queria comprar o Elric, e não sei o que se passou neste
cérebro já fora do prazo de validade. Associei Islander à saga de Elric.
Não faz mal, o Elric comprarei depois 😁
Também percebi que no catálogo da Arte de Autor, este não é
o primeiro trabalho desta dupla de autores publicado em português. Esta
editora publicou deles o livro Sangoma também.
Costumo começar pelo autor dos textos/narrativa, mas hoje
vou trocar a ordem.
Corentin Rouge impressionou-me pelo estilo realista, sem ser fotográfico (de
que eu não sou fã), um traço fino bem preciso e detalhado, e sobretudo pelos grandes
painéis, tanto no mar como nas montanhas Islandesas, são belíssimos. Nota-se o trabalho de casa
na investigação daquela grande ilha, das suas aldeias, das suas paisagens. E
que paisagens… 😳
O planeamento dos cenários e das cenas de acção é
extremamente fluido, melhorando muito a narrativa de Caryl Férey.
E relativamente ao trabalho de Férey… acho a ideia boa, sempre gostei de histórias apocalípticas, mas acho que caiu um pouco na esparrela do preto e branco, do bom e do mau. Tem muita política actual espalhada pelo livro, não que ache isso mau, mas da maneira como são apresentadas as ideias não dá espaço ao leitor para ter a sua opinião, não tem muitas sombras por ali.
Temos no final deste primeiro volume muitas histórias por contar e desenlaçar. A de Liam, que penso que será a chave para toda esta história, e do quem não sabemos absolutamente nada ainda, a do Professor Zizek, que apenas sabemos que possivelmente teria a chave para resolver o problema climático e agrícola, mas que também não sabemos muito, sabemos que se chama Projecto Islander, mas não no que consiste. Por último temos uma personagem abandonada no cais logo nas primeiras páginas: Lívia! Não acredito que não vá acrescentar nada à história no futuro.
Penso que isto tudo são situações a ser exploradas no resto
da série.
Posto isto, penso que o cenário tem algo de um possível futuro sombrio da
Humanidade, as alterações climáticas poderão levar à fome muitas zonas do
globo, e à sua inabitabilidade pela espécie Humana. Seja Europa, seja
Austrália, o clima é de todos, e quando ficar “estragado”, vai ser para todos
também.
A minha queixa sobre o argumento é mesmo ser muito simplista
em determinadas ideias, e que por sua vez leva a que o desenhador caia também
nesse simplismo: os maus são feios, os bons são bonitos.
A base do cenário é o fluxo migratório dos habitantes
europeus para norte, as zonas ainda minimamente habitáveis são a Escócia e a
Islândia.
As personagens principais vêm em dois grupos. O Professor mais as duas jovens
que o acompanham e um guia pago para os levar para a Islândia saem do Cais do
Havre para essa ilha, mas precisam de desviar o barco, pois o destino seria a
Escócia.
O outro grupo está na Islândia. Uma ilha separa por secessionistas
no norte, e lealistas no sul. Ambos as partes a extremar a política anti
migratória, dividindo a família de Erika politicamente e geograficamente.
E claro, temos o joker desta história que é Liam, que é o único que nas suas fugas consegue conhecer todos os protagonistas deste livro.
Na realidade gostei muito do livro, sobretudo pela arte de
Corentin, são 160 páginas que ninguém se vai arrepender de ler. Agora temos de
esperar pelo próximo, nesta série apresentada para três tomos.
A edição da Arte de Autor está imaculadamente boa. Capa dura, papel muito bom e a impressão é excelente e de acordo com a qualidade do papel.
Argumento: Caryl Férey
Desenho: Corentin Rouge
Edição: Cartonada
Número de páginas: 160
Impressão: Cores
Formato: 232 × 310
PVP: 33€
Editor: Arte de Autor
Boas Leituras








