sábado, 21 de fevereiro de 2009

Chances


Horacio Altuna é originário de Córdoba, Argentina, tendo aí criado alguns dos seus personagens mais populares, como "El loco Chávez" em parceria com Carlos Trillo. Até partir para Espanha em 1982 este foi o seu principal colaborador na Argentina, mas também trabalhou com Héctor Oesterheld na criação de um super-herói argentino, Titan!
Chances foi criado a "solo" em 1986, já em Espanha, e é uma visão quase apocalíptica, sobre a clonagem humana num mundo miserável e superpovoado. É um mundo completamente sórdido aquele em que decorre a acção de "Chances". Quem tem dinheiro cria, em clinicas de clonagem, haplontes (seres criados a partir de uma metade simples de cromossoma) do seu próprio DNA. Isto tudo para quando chegavam a velhos e os órgãos começavam a entrar em falência, serviam-se do seu clone haplonte para lhe retirar os órgãos e tecidos necessários para viver bastante mais tempo. O livro começa com uma fuga! Riff, um haplonte, foge do centro onde vivem, estudam e até têm emprego. Para mal dos pecados dele, o corpo do seu "pai" entra em declínio e necessitam rápidamente de substituir órgãos...
Riff foge para a zona B, zona da classe baixa onde reina o comércio da droga, sexo e onde ninguém confia em ninguém... é o salve-se quem puder! Um encontro fortuito com um delinquente, Lobo, faz com que Riff aprenda a sobreviver no meio daquela degradação. Seguidamente vamos assistir ao declínio de Riff, pois é muito dificil resistir vivo e mentalmente são na "Zona B".
Esta obra deu a Horacio Altuna o "Yellow Kid" para o melhor autor internacional, prémio esse que recebeu no festival de Lucca 1986.
Boa leitura!


Hardcover
Criado por: Horacio Altuna
Editado em 1990 por Meribérica
Comprado no Miau
Nota: 8 em 10

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

New Avengers Vol. 8: Secret Invasion Book I


Eis um volume que eu considero uma pouco confuso... com muitos "muitos anos atrás", seguidos de "agora" e depois "há pouco tempo atrás" com alguns "tempos depois". Tive de ler duas vezes seguidas para me encontrar com o livro! Bem... pelo menos o Leinil Yu desapareceu desta série (ufa), já estava farto dos "riscos" dele no papel. A arte melhorou muito, o que é agradavel para quem compra um livro de uma série que já vai no seu 9º volume! Outras críticas a esta série neste blog:
- New Avengers Vol.6 : Revolution
- New Avengers Vol. 7 : The Trust
- New Avengers : Illuminati
Neste volume os autores dão a conhecer as motivações e respectivas infiltrações dos Skrulls no nosso planeta. Fica-se a saber da intriga política que antecedeu a infiltração no planeta Terra, que eles acham que por uma profecia lhes pertence, depois de Galactus tempos antes ter consumido o seu planeta de origem. Conseguem copiar o DNA humano, que obtiveram em New Avengers : Illuminati, dos principais líderes super-humanos da Terra. Depois de muito tempo e experiências falhadas conseguem criar super Skrulls, em estes conseguem copiar os poderes de vários super-heróis terrestres ao mesmo tempo. A facção da princesa Skrull Veranke ganha e decide-se pela invasão, infiltrando-se nos New Avengers, Mighty Avengers e Shield em postos chave. A própria Princesa Veranke "substitui" Jessica como Spider-Woman.
O livro começa com a separação entre Luke Cage e Jessica Jones, fugindo esta mais o seu filho (e de Luke Cage) dos renegados New Avengers, para a Torre dos "legais" Mighty Avengers. Este episódio da vida pessoal destes dois já está a ser um pouco "seca"... A líder dos Mighty Avengers, Ms. Marvel deixa Luke partir em liberdade. Depois temos luta na Savage Land entre Ka-Zar (que saudades) e a sua namorada Shanna contra Skrulls disfarçados de agentes da Shield que tencionavam destruir o Vibranium existente nesta terra (o Vibranium só existe na Savage Land e em Wacanda), sabendo que este é um material que representa grande perigo para os Skrulls.
Para saber mais pormenores... é só obter o livro numa livraria especializada!
Frisando, comprem livros de BD em casas da especialidade, porque só estas lhes dão a informação que precisam!
Boas leituras (daqui a pouco tempo já têm a review do New Avengers Vol.9 Book II)

Hardcover
Criado por: Brian Bendis, Michael Gaydos, Billy Tan e Jim Cheung
Editado em 2008 por Marvel Publications
Comprado Amazon
Nota : 7,5 em 10

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Thorgal


É decididamente uma das minhas séries preferidas, infelizmente preterida pela ASA desde 2006 a favor de outros trabalhos e parcerias. Esta série tem sido editada ao longo do tempo por várias editoras desde 1983, portanto já vão 23 anos de edição desta série que infelizmente têm sido editada por “ondas”…
Como autor dos textos temos o incontornável Van Hamme (O Grande Poder do Chninkel, XIII, Largo Winch e Corentin entre outros) que encontrou na arte do polaco Grzegorz Rozinski (O Grande Poder do Chninkel, etc.) o parceiro ideal para as aventuras de Thorgal e respectiva família.


Estão editados os seguintes livros desta série:
- A Feiticeira Traída (Bertrand)
- A Ilha dos Mares Gelados (Futura)
- Os Três velhos do País de Aran (Futura)
- A Galera Negra (VHD)
- Beyond the Shadows (Cinebook)
- The Fall of Brek Zarith (Cinebook)
- O Filho das Estrelas (ASA)
- Alinoe (ASA)
- Os Arqueiros (ASA)
- O País de Qâ (ASA)
- Les Yeux de Thanatloc (Lombard)
- La Cité du Dieu Perdu (Lombard)
- Entre Terre et Lumière (Lombard)
- Aaricia (Lombard)
- Le Mâitre des Montagnes (Lombard)
- Louve (Lombard)
- La Gardienne des Clés (Lombard)
- L'Épée-Soleil (Lombard)
- La Forteresse Invisible (Le Lombard)
- La Marque des Bannis (Le Lombard)
- La Couronne d'Ogotaï (Le Lombard)
- Géants (Le Lombard)

- La Cage (Le Lombard)
- Arachnéa (Le Lombard)
- Le Mal Bleu (Le Lombard)
- Le Royaume sous le Sable (Le Lombard)
- Le Barbare (Le Lombard)
- Kriss de Valnor (Le Lombard)
- Le Sacrifice (Le Lombard)
- Moi, Jolan (Le Lombard)
- Le Bouclier de Thor (Le Lombard)

A partir do número 30 (Moi, Jolan) o autor dos textos passa a ser Yves Sente. Segundo consta a partir daqui o personagem principal passa a ser o filho de Thorgal, Jolan, embora a série mantenha o nome.

Os livros que estão a cor diferente são os que eu possuo, em azul estão os apenas editados em francês, língua que eu não leio nem falo…

A série Thorgal está organizada por ciclos, sendo que o ciclo de Brek Zarith nunca foi editado em português, excepto o livro “A Galera Negra”, que é o primeiro deste ciclo e consegue-se comprar em português do Brasil… os outros dois comprei compilados em língua inglesa pela Cinebook (Beyond the Shadows / The Fall of Brek Zarith).

Neste momento decorre muito devagar, ou parado (se assim o preferirem…), o ciclo de Qâ pela ASA. Este foi iniciado em “Os Arqueiros”, de seguida veio o “O País de Qâ e ficamos na expectativa de sair um destes anos o “Os Olhos de Tanatloc”! E pronto, a BD em Portugal tem estes problemas dos quais eu já desisti de falar…

Tenho de dizer que a História é fantástica, mas deve ser lida toda de seguida. Conta a história de Thorgal Aegirsson recolhido por Vikings, ainda recém-nascido, de uma pequena cápsula espacial. Como se deve imaginar sempre foi um Viking muito diferente… Todo o passado de Thorgal é explicado nos três primeiros tomos e depois no “Filho das Estrelas”. 

A sua família é sempre muito presente e envolvida nas histórias, a acção decorre sempre em bom ritmo e com bastante coerência entre os eventos passados, futuros e sua ligação ao longo de toda a narrativa… e são muitos volumes (31). Estamos a falar de uma estória de fantasia, aventura “histórica”e Ficção-Científica! Tudo ao mesmo tempo! 

Muito bom, infelizmente estou à espera do próximo, que se a ASA não se despachar comprarei o da inglesa Cinebook.

Thorgal é um homem fiel à sua família e aos seus nobres princípios, grande espadachim e melhor ainda com arco e flechas; mas a sua maior arma é a sua coragem e a sua ascendência, que lhe dá poder a entrar em alguns mundos sem o perigo de perecer… sim esta história, para além da caracterização que fiz mais acima, ainda contém muita magia e poderes arcanos. Dentro da sua familia emergem outros poderes e ramificações para histórias futuras. Não vou "spoilar".
Quanto à arte de Rozinsky é um pouco incipiente nos primeiros livros, mas depois de se sentir mais seguro parte para outros voos! Nota-se a melhoria livro após livro, e quando chegamos ao “País de Qâ” já é muito boa!

A última imagem é fornecida com o livro “O Filho das Estrelas”, portanto se o decidirem comprar, verifiquem o interior do livro a ver se se encontra lá, eu já vi alguns exemplares na FNAC dos quais já tinha desaparecido…
Já agora, e para verem a popularidade da série Thorgal, esta já teve direito a jogo para computador e está em 6º no Top 100 do conhecido site francês de BD "Bedetheque ".
Boa leitura!

Hardcover/Softcover
Criado por: Van Hamme, Rosinski e Yves Sente (apenas os dois últimos)
Editado de 1983 a 2006 por Bertrand, Futura e ASA


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

The Darkness Compendium Vol. 1


A primeira aparição deste personagem criado na Top Cow, surgiu na revista Witchblade nº10. Como estória principal, esta série conta como o poder primordial "The Darkness" afectou os seus portadores masculinos. Como curiosidade, este poder sempre pertenceu à família Estacado devido a um simples pormenor... o portador engravida alguma mulher e nesse mesmo instante "The Darkness" abandona o seu portador para se instalar no recente embrião. Isto causa a morte do portador... e faz com que todos os Estacado sejam orfãos. O seu poder apenas se manifesta na escuridão, aí consegue fazer com que a força do caos e também de criação, surja, aumentado-lhe exponencialmente a sua força, criando uma armadura mística da qual pode fazer sair tentáculos e garras. Pode também, e é um dos seus grandes poderes, criar seres conscientes, os "Darklings", que são tão eficazes como ele em batalha. Como inimigo principal tem a sua némesis, "The Angelus", cujos poderes são parecidos, mas "trabalha" na luz... isto não quer dizer que seja "boazinha" (o Angelus é sempre uma mulher), pois quer apenas reinar sózinha como poder predominante. Parece transparecer do princípiuo deste livro que Jackie Estacado, o actual portador, foi o primeiro Darkness a conseguir derrotar o Angelus... mas ao contrário do Darkness, que se o portador for morto desaparece, o Angelus apenas se desincorpora e procura outra portadora. A sua relação com o terceiro elemento primordial, a Witchblade, é dúbio... como Darkness tendem a antagonizar-se, sendo por vezes aliados à força; como Jackie Estacado e Sara Pezzini (portadora da Witchblade) tendem para a amizade... embora saibam perfeitamente das forças que cada um tem dentro de si.
A arte é bastante boa ao longo das 1280 páginas que tem este Compendium, sendo por vezes bastante acima da média. É o livro perfeito para quem quer seguir o Darkness! Todo o chamado Volume 1 (desde o início até ao fim da primeira fase, 2002) está compilado (39 revistas), mais a série paralela "Tales of the Darkness" e o primeiro número do Volume 2, ou seja, a revista nº40. É nesta série que surge pela primeira vez outro personagem bastante popular, a Magdalena, embora esta tenha um final infeliz às mãos do Darkness. Mais tarde este anti-herói há-de aliar-se à sucessora desta Magdalena para lutar contra o Angelus.
Ao nível da estória própriamente dita, tem arcos bastante bons e os "Darklings" são um autêntico achado! Apesar de horriveis e sedentos de sangue, são completamente fieis ao seu criador e por vezes extremamente cómicos! Eu já sabia que a Witchblade iria meter o nariz nestas estórias do Darkness, por isso (e também porque é o caracter principal da Top Cow) também adquiri o Witchblade Compendium. São apenas duas as estórias que têm fim, ou princípio noutro livro deste dois personagens. De qualquer maneira "fui enganado" por um cross-over existente que eu não sabia tão importante para algumas transformações no caracter de Jackie Estacado: o seu encontro com Batman! Jackie Estacado continuou a ser um hitman da máfia, mas de vez em quando lá fazia algumas boas acções... aliás as transformações na actuação de Estacado vão-se fazendo lentamente, mas o personagem está sempre a evoluir! Como curiosidade, Jackie sabe por um dos seus inimigos (Sonatine) que tem de se deixar de grandes actividades sexuais, pelo que já foi explicado no princípio deste post... agora imagine-se um verdadeiro playboy a ter que viver na abstinência sexual! Inclusivamente vai a sessões de terapia em grupo tipo Alcoólicos Anónimos, mas para pessoas que em vez de álcool são viciadas em sexo... e existem as personagens femininas da Top Cow, lindas e muitas vezes com pouca roupa. É um dos tipos de ataque que por vezes acontece à Top Cow... as meninas são lindas de morrer, grandes poderes mas... não têm uniforme como qualquer heroína da Marvel ou da DC! Têm armadura tipo mística, que umas vezes as cobre mais do que outras. O que se diz é apenas hipocrisia! O que é que são os uniformes das meninas Marvel ou DC? Apenas corpos nús, mas pintados para não ferir a susceptibilidade do povinho super conservador e cristão norte-americano...
E estou farto de escrever...
Podia ter feito montes de spoilers sobre a estória, mas contive-me bem! Tou orgulhoso de mim próprio! :D
E boas leituras!

Hardcover
Criado por: Garth Ennis, Marc Silvestri, Joe Benitez, Dale Keown, David Finch, Billy Tan, etc.
Editado em 2009 por Image/Top Cow
Comprado em A1 Books
Nota : 9 em 10

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Top Cow


Visto que brevemente irei fazer história/review de personagens deste universo, achei por bem fazer uma pequena introdução a este universo de personagens que ainda é pouco conhecido por cá, e isto para além do preconceito formado em relação às figuras femininas … mas já lá vamos! Começamos pelo princípio, e o princípio chama-se Image Comics.
Em 1992 oito conceituados e/ou conhecidos artistas da Marvel decidem que esta não estava a dar resposta às suas necessidades, esta saída foi chamada de X-Odus, porque quatro desses artistas trabalhavam em títulos relacionados com os X-Men. Foram eles:
Todd McFarlane (Spider-Man), Jim Lee (X-Men), Rob Liefeld (X-Force), Marc Silvestri (Wolverine), Erik Larsen (The Amazing Spider-Man), Jim Valentino (Guardians of the Galaxy), e Whilce Portacio (Uncanny X-Men).
A Image Comics foi construída por estes artistas tendo como base duas premissas:
- A Image Comics nunca possui o trabalho de nenhum artista, sendo o artista o detentor dos direitos do seu trabalho
- Não interferência por parte de nenhum parceiro desta associação, seja criativa ou financeira, no trabalho de outro artista.
Assim sendo cada um dos principais artistas criou um “estúdio” dentro da Image:
- Extreme Studios de Rob Liefield
- Top Cow de Marc Silvestri
- Wildstorm Productions de Jim Lee
- Highbrow Entertainment de Erik Larsen
- Todd McFarlane Productions de Todd McFarlane
- Shadow Line de Jim Valentino
Como séries ou trabalhos mais conhecidos editados pela Image temos:
Spawn, The Savage Dragon, Shadowhawk, Youngblood, Supreme, WildC.A.T.s, Gen¹³, Wetworks, Cyberforce, Witchblade, The Darkness, Invincible, The Walking Dead e o terceiro volume de Teenage Mutant Ninja Turtles.
A parte que interessa para este post é pertença de Marc Silvestri e o seu colorido universo: Top Cow.
Como títulos principais da Top Cow temos:
- Witchblade
- The Darkness
- Cyblade
- Cyberforce
- Ripclaw
- Tomb Raider
- Velocity
- The Magdalena
- Hunter – Killer
- The Necromancer
- Aphrodite IX
- Fathom
- Madame Mirage

Os primeiros oito títulos interagem continuamente entre si num universo presidido por uma trindade: The Darkness (caos), The Angelus (luz) e a Witchblade (ordem, equilíbrio). Os dois primeiros são completamente antagonistas e tentam ao longo dos séculos destruir o adversário, embora o portador actual da entidade The Darkness apenas quer é que o Angelus não o chateie… a Witchblade é um artefacto que contém uma entidade que nasceu da união das outras duas! O Darkness tem dois problemas graves… se for eliminado o seu portador, a entidade termina ali a sua vida e só se consegue manifestar ou defender na ausência de luz. Como segundo problema, a entidade passa automaticamente para o filho gerado pelo portador, morrendo este logo a seguir ao acto sexual! Isto é um problema dos elementos masculinos da família Estacado. O Angelus para além de poder actuar na luz, também consegue “trabalhar na escuridão durante um certo tempo e se a sua portadora perecer, o Angelus apenas se desincorpora para procurar outra portadora. A Witchblade foi gerada para manter a ordem nesta guerra…
Como novos factos neste universo, descobriu-se que existem mais dez poderes primordiais, para além destes três. Mas isso é outra estória… dois já foram descobertos: The Glaciar Stone e a Ember Stone!
Boas leituras (ainda não finalizei o Darkness Compendium… são 1280 páginas de acção e musculação...)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Taar


Faço este post sobre o herói Taar, mas quero fazer também uma pequena homenagem a Claude Moliterni, falecido no passado dia 21 de Janeiro, infelizmente não assistiu ao festival de BD de Angolême deste ano (29 a 31 de Janeiro), do qual foi um dos fundadores. Claude Moliterni foi o argumentista desta série, mas não foi por isso que se considerou Moliterni um dos maiores marcos da Banda Desenhada europeia até bem há pouco tempo.
Foi-me apresentado por Geraldes Lino no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora do ano de 2007! Como contributos de grande valor para a Banda Desenhada deste homem temos:
- Início em 1974 do festival de Banda Desenhada de Angoulême, foi um dos três fundadores do maior festival de BD da Europa para não dizer do mundo!(Os comic lovers podiam ficar ofendidos...) :P
- Produziu a primeira Enciclopédia Larousse da Banda Desenhada
Como outras actividades temos:
- Argumentista, autor de BD (Taar)
- Foi director de produção da revista Pilote
Para além disto tudo, esteve sempre ligado a tudo o que é festival de BD, seja Amadora, seja Lucca ou Angolême. Incansável na promoção da 9ª arte por todo o mundo...
Quanto a Taar, tem a marca de um dos grandes artistas dos anos 70/80, Jaime Brocal-Remohi, embora este tenha vingado superiormente ao nivel da ilustração ainda deixou a sua marca nalgumas séries de BD como Conan e Tarzan. Com Moliterni criou este Conan europeu, embora diferente na maneira de ser (mais polido e simpático) e com muito mais monstros esquisitos... ahh é claro que temos sempre aquelas princesas e feiticeiras com roupas que não deixam muito à imaginação! São aventuras que valem essêncialmente pela arte de Brocal, os argumentos de Moliterni deixavam um pouco a desejar... ou seja, muito infantis!
Foram editados 11 títulos, sendo os primeiros seis editados pela Meribérica em português. São eles:
- Taar - O Rebelde
- O Farol da Vida
- Os Gigantes das Águas Glaucas
- O Ser do Nada
- A Fortaleza do Silêncio
- A Ampulheta de Ouro
- La cité engloutie
- Le collier de la mort
- Le monde disparu
- L'empire du vide
- Le cercle de feu
- L'étau
É uma leitura que nos leva para o fim dos anos 70, princípio dos anos 80, ou seja naquela idade em que a BD tem aquela magia especial. Claro que estou a falar de pessoas com a minha idade... nesta altura eu teria 11/14 anos!
Boa leitura!

Hardcover/Softcover
Criado por: Claude Moliterni e Jaime Brocal-Remohi
Editado de 1978 a 1983 por Meribérica
Comprado no Continente, Miau e BD Portugal
Nota média da série em português: 7 em 10

sábado, 31 de janeiro de 2009

Green Lantern: Secret Origin


E Geoff Johns dá-nos um descanso depois de Sinestro Corps War...
A arte neste livro pertence essêncialmente a Ivan Reis e Oclair Albert, o habitual Ethan Van Sciver está a trabalhar no próximo trabalho desta série.
Este é um recontar da origem do Lanterna Verde Hal Jordan, e porquê este recontar? Geoff Johns formou na sua cabeça uma estória fantástica, uma verdadeira odisseia cósmica. Para iniciar precisava do maior Green Lantern de sempre: Hal Jordan! Ora este para além de se ter transformado no vilão Parallax, num lampejo de herói dá a sua vida para reacender o Sol, na mini-série "The Final Night". Portanto Johns precisava de um reaparecimente que não parecesse muito estúpido, que fosse sólido dentro da mitologia dos Lanternas Verdes. Conseguiu-o com o muito bom "Rebirth", e a partir daqui começou a preparar nos livros seguintes ("No Fear", "The Revenge of the Green Lanterns" e "Wanted") um dos pontos altos da série: "The Sinestro Corps War", e para além disso como acompanhamento foi editado "Tales of the Sinestro Corps".
Como Johns gosta de estórias bem estruturadas teve de reescrever as origens do Lanterna Verde Hal Jordan, sem fazer uma estória diferente na sua essência. Infelizmente já vi isso acontecer com resultados bem negativos. Não foi o caso porque essêncialmente ele cria estória nos "buracos" da estória original, e serve-se deles para semear os próximos pontos altos, sendo o seguinte "The Rage of the Red Lanterns"! Este é um exemplo de como se deve fazer uma mega-saga, sem tie-ins, spin-offs e outras coisas do género... apenas existe uma outra série, mas que não é essêncial seguir (eu não sigo), The Green Lantern Corps, que vai complementando a série principal. Não vou fazer absolutamente nenhum comentário sobre a estória deste livro, apenas digo que é aqui explicada a possivel origem dos Red Lanterns e dos Black Lanterns (e talvez dos Orange Lanterns...). Pelo menos as pistas são semeadas!
Outras referências a este excelente série neste blog:
- Green Lantern, de Geoff Johns
- Green Lantern: The Sinestro Corps War Vol. 1
- Green Lantern: The Sinestro Corps War Vol. 2
Boas leituras (sou fanático desta série...)

Hardcover
Criado por: Geoff Johns, Ivan Reis e Oclair Albert
Editado em 2008 por DC Comics
Comprado em Amazon
Nota : 9 em 10

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Inocente


Estamos no fim da 2ª Grande Guerra e a Alemanha está a ser bombardeada e tomada pelas forças Aliadas. Até aqui tudo vulgar, mas estes autores quiseram mostrar um lado raramente falado ou relatado desta invasão. Afinal, como em qualquer invasão, e sobretudo depois da brutalidade nazi nos países invadidos por estes, todos estes "libertadores" se portaram à altura... pilhagens, violações, etc. É lógico que esta é uma faceta da invasão da Alemanha Nazi que muito raramente se fala, por duas razões principais: os crimes de guerra Nazis foram tão hediondos que "abafam" completamente qualquer "mau comportamento" das tropas Aliadas, e também porque se quer sempre valorizar a parte positiva da acção dos exércitos responsáveis pela aniquilação do regime Nazi, dando um ar mesmo "cavalheiresco" nalguns documentários e crónicas da época... é claro que houve de tudo, sobretudo quando o espírito de vingança estava muito presente (sobretudo no lado Soviético, cujo país foi posto a ferro e fogo mais do que qualquer outro...) .
Eric Warnauts e Raives contam uma estória passada durante este tempo de transição e convulsão política, desde a entrada Norte-Americana, o bloqueio Soviético a Berlin e do Tribunal de Nuremberga. Este é um trabalho completo deste dois autores de BD, o argumento é de Eric Warnauts, o desenho é de Eric Warnauts / Raives e a coloração é de Raives.
Nina Reuber, que fazia parte de uma associação feminina de jovens Nazis, é convencida a fugir pela sua amante Lisel. Esta corta-lhe o cabelo e fornece-lhe roupa de rapaz, para evitar as violações pelos soldados invasores. Nina é apanhada por uma companhia do exército Norte-Americano, e não desconfiando do seu verdadeiero sexo, é usada como intérprete... Assiste impotente a violações e pilhagens perpetrados pelos soldados, mas ganha um amigo e protector: Jones. A curiosidade é que este é negro! Devido a um descuido seu, o seu verdadeiro sexo é descoberto, mas Jones salva-a de mais problemas. Durante o caminho para Berlim, conhece um jovem soldado alemão, Wim, do qual leva um recado para a sua família. Como recompensa esta família arranja-lhe trabalho com uma jornalista francesa. Quando Wim sai da prisão tornam-se amigos íntimos, e é aqui que o lado mais negro do pós-invasão/libertação chega ao conhecimento de Nina, o contrabando e o mercado negro, sobretudo de penicilina...
É uma estória recheada de momento politicos importantes, de desespero e de um triângulo formado por três mulheres (Nina, Bénédicte e Else) com os seus desgostos e desencontros (ou encontros) amorosos!

Softcover
Criado por: Eric Warnauts e Raives
Editado em 1992 por Meribérica
Comprado no Miau
Nota: 9 em 10

domingo, 25 de janeiro de 2009

ElfQuest Archives Vol.3 e Vol.4


Aqui termina a chamada "Original Quest", que Cutter iniciou no segundo volume. Divididos pelos quatro "Archives", esta primeira fase de 21 revistas, deu origem a várias sequelas ("Siege at Blue Mountain" e "Kings of the Broken Wheel") e "spin-offs" como "New Blood", "Hidden Years", "WaveDancers", "Blood of Ten Chiefs", etc. Depois disto tudo vem uma nova série intitulada "ElfQuest 2", distribuída por 33 revistas!
Eu penso ficar por estes quatro "Archives" da DC, visto que é um pouco complicado adquirir os restantes títulos com a cronologia correcta, isto se o casal Pini não chegar a acordo com a DC para mais alguns "Archives". Nesta segunda fase da demanda de Cutter por outras tribos de Elfos, Wendy Pini cresce como artista! Nota-se que se sente muito mais à vontade, e em muitos momentos os personagens desenhados perdem "a graça", pois a violência posta no desenho é bem marcada. Como disse em "ElfQuest Archives Vol.1 & Vol.2 ", não se deixem enganar pela arte "bonitinha" de Wendy Pini... nestes dois volumes tem páginas com autênticos banhos de sangue e sexo implícito. Se estivessem traduzidos para português, eu faria um aviso aos pais que resolvessem oferecer estes livros aos seus filhos pequenos!
Na sua demanda por outros Elfos (até agora conheciamos apenas os pálidos Wolfriders e os morenos Sun Folks), Cutter e Skywise metem-se em problemas que são sentidos por Suntop (filho de Cutter e Leetah, gémeo de Ember).
Aí Leetah e a maior parte dos Wolfriders sai de Sorrow´s End em missão de aviso e salvamento... acabando estes por se meter num perigo ainda muito maior! Acabam por ser salvos por Cutter e conhecer nas piores condições os Gliders. Assim como os Wolfriders têm um laço especial com lobos, os Gliders têm uma ligação parecida com uma espécie enorme de águias, sendo estas montadas pelos Gliders para caça ou defesa. Aqui surge a maior vilã de todo o universo ElfQuest: Winnowill!
Aí, na Blue Mountain, Cutter toma conhecimento da existência do Palácio dos High Ones (os primeiros Elfos a chegar ao planeta), mudando a sua demanda para a descoberta do mítico palácio.
No volume quatro conhecem mais uma tribo Élfica, os violentos e corajosos Go-Backs e sua líder Khavi. Neste volume respondem-se todas as questões levantadas sobre o passado dos Elfos, mas levantam-se outras...
Boa leitura!

Hardcover
Criado por: Wendy Pini e Richard Pini
Editado em 2005 (vol.3) e 2007 (vol.4) por DC Comics
Comprado no Amazon
Nota : 10 em 10

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sade: A Águia, Mademoiselle...


Uma edição de 1991 da Bertrandt, escrita por Jean Dufaux (Murena, Niklos Koda, Rapaces, Djinn, etc.) e com arte de Griffo (Vlad). A obra baseia-se nos escritos de Sade, a maior parte deles escritos nos 32 anos que passou na prisão, e é aqui na prisão que decorre praticamente toda a trama e seu cenário. Já agora, e como curiosidade, "L’Aigle, Mademoiselle…" foi uma carta escrita na prisão para a sua mulher, cuja adaptação do texto está neste livro de BD.
Dufaux, como argumentista exímio do mundo da 7ªarte, joga com as ligações entre ficção e realidade, mas neste livro achei a narrativa algo confusa... tudo gira à volta de uma companhia de teatro completamente louca e que vai representar obras de Sade. O cenário é a prisão onde Sade passou grande parte da sua vida, e como única ligação do mundo da ilusão à realidade, temos um telefone. Esta era a única maneira de contactar com o director! O que acontece é que dentro do teatro ficção, temos um outro teatro real, que também o não é... como disse atrás, é um pouco confuso!
A arte de Griffo foi o que me levou a adquirir este livro. É excelente no detalhe dos cenários, onde tem algumas vinhetas verdadeiramente assombrosas. Tem um belo jogo de cumplicidade com o escritor, infelizmente acho que Dufaux não teve à altura de Griffo nesta obra.
Outra curiosidade desta obra (que os autores não pretendem que seja entendido como um estudo psicológico ao Marquês de Sade), é a imposição de Depardieu para encarnar Sade!
E o livro termina com uma citação de A.P. de Mandiargues:
"É um homem, sim, que dá festas. Como poderemos não nos deleitar com ele, se nos convida para o seu teatro?"

"Pessoas de bem, sobretudo, deixem a moral no vestiário!..."

Boas leituras (e tenham variedade na vossa colecção de BD...)
:)

Hardcover
Criado por: Jean Dufaux e Griffo
Editado em 1991 por Bertrandt
Comprado na Serpis
Nota: 7 em 10

domingo, 18 de janeiro de 2009

Absolute Sandman Vol. 4


E assim chega ao fim esta mega-saga da Vertigo. Estes quatro magníficos “Absolutes” foram editados no curto espaço de dois anos, e agora só faltaria mesmo o spin-off “Absolute Death”, que está planeado para o fim de 2009.
Este super volume final é composto pelo muito bem estruturado “The Kindly Ones” e pelo belíssimo “The Wake”. A primeira estória, “The Kindly Ones”, é a maior de toda a saga e também a que tem a arte mais difícil de tragar… embora depois de começar a ler se chegue à conclusão que a ligação entre o texto de Gaiman e os desenhos de Marc Hempel, se interligam extremamente bem. Depois para adoçar a boca no seguimento de uma refeição bastante “agreste”, temos em “The Wake” uma arte maravilhosa de Michael Zulli, da qual é impossível não gostar! Como estórias introdutórias temos “The Castle”, antes de “The Kindly Ones”, e como apêndices temos “Exiles e “The Tempest”, depois de “The Wake”.
Como disse atrás, “The Kindly Ones”, é uma estória altamente bem estruturada que conta os últimos dias de Morpheus. Tudo é despoletado pelo desaparecimento de Daniel, filho de Lyta Hall (heroína reformada), e esta convence-se de que o senhor dos sonhos é responsável. A partir daqui personagens secundários tornam-se principais (Lyta Hall, The Corinthian, Thessaly, Rose Walker, Loki, etc.) e Lyta acaba por conseguir levar as “Furies” a perseguir Morpheus, pois este derramou sangue da própria família (Orpheus), premissa básica para a vingança destas bruxas. As Furies iniciam o seu plano de destruição do Reino dos Sonhos, eliminando metodicamente os personagens principais deste Reino. No fim, temos um triste Morpheus no topo de um penhasco, junto com a sua irmã Death… conversam, e ele dá-lhe a mão! No mesmo instante dá-se a metamorfose de Daniel…
“The Wake” é praticamente um epílogo de toda a série, onde todos os personagens de alguma importância desta série falam de Morpheus e de que modo ele afectou as suas vidas, assim como entre eles próprios… é o episódio que une o resto das pontas soltas. Acho que já fiz demasiados spoilers, portanto fico por aqui.
Ficam os links das outras três críticas:
- Absolute Sandman Vol.1
- Absolute Sandman Vol. 2
- Absolute Sandman Vol. 3
Boas leituras!

Slipcased Hardcover
Criado por: Neil Gaiman, Dave McKean, Michael Zulli, Daniel Vozzo, Marc Hempel, Kevin Nowlan, Todd Klein, Charles Vess, etc
Editado em 2008 por Vertigo (DC Comics)
Comprado em Amazon
Nota : 11 em 10


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Spider-Man: Death of the Stacys


A morte de Gwen Stacy marca um ponto de viragem na estória dos comics norte-americanos, marca o fim da chamada Silver Age. Até esse momento era inconcebível matar um personagem importante, no caso a namorada do herói principal (Homem-Aranha) sendo ela também uma personagem com uma boa base de fãs. Mas o mais impensável era o próprio herói falhar o salvamento! Nunca tinha acontecido, os heróis até à data vinham sempre, com mais mais ou menos dificuldade, salvar toda a gente das maquinações dos super-vilões…
Este livro reúne dois pontos-chave e com grandes repercussões na vida do Spider-Man. Primeiro a morte acidental do Capitão Stacy, pai de Gwendolyne Stacy (Gwen), depois a morte desta provocada pela tentativa de salvamento do próprio Homem-Aranha, depois do Green Goblin a ter atirado de grande altura. A equipa criativa do Spider-Man decidiu ao fim de oito anos “matar” esta personagem criada por Stan Lee e Steve Ditko, e acho que não fez mal… como alguém disse, Gwen é famosa porque morreu! Se estivesse viva não teria a importância que ganhou, e continuaria a ser uma loira muito sossegadinha e bonitinha sem grande influência nas estórias do aranhiço. O lugar foi ocupado pela muito mais proeminente Mary Jane Watson, que após a morte da amiga ganhou ainda mais densidade de carácter. A partir daqui os comics americanos tornaram-se bastante mais escuros e deu-se uma abertura para a criação de comics mais para adultos e a censura americana teve de rever as suas regras, pois é também aqui que se fala de um problema que começava a ser muito incómodo nos E.U.A., droga. Harry Osborn tornou-se dependente de drogas e só a pedido do Presidente Nixon o grande público pode ver este personagem a arrastar-se pelas vinhetas sentindo a falta de estupefacientes, todas estas páginas haviam sido censuradas na altura.
Divagando mais um pouco, os fãs do Spider-Man, não gostaram do primeiro filme exactamente porque esta situação, que é um marco nos comics americanos, é mal retratada no filme, ou seja, não é Mary Jane Watson é Gwen e não é um salvamento, é uma morte. A única cena certa é mesmo a morte do Duende Verde, como está retratada como no filme.
Gerry Conwayy conseguiu o que queria com esta sua estória, ser diferente e controverso. Abriu um novo mundo muito mais cinzento para Peter Parker e para os comics americanos, e não digo isto como se fosse uma coisa má… foi excelente! Como estórias são ambas muito boas, o Cap. Stacy morre ao tentar salvar uma criança de uma derrocada, com origem numa feroz luta entre o Dr. Octopus e o Aranhiço.
Já a morte de Gwen é mais trabalhada, o Duende Verde para forçar uma nova cena de pancadaria com o Homem-Aranha rapta a infeliz loura, que durante a refrega é empurrada pelo Goblin de uma grande altura. Fica-se sem se saber (e o Spider-Man também) se morre na tentativa de salvamento ou se já estaria morta quando a teia do Aranha a consegue apanhar. Uma coisa é certa… Peter Parker nunca mais foi o mesmo. A cargo da arte temos Gil Kane no desenho e John Romita Jr. nas cores, e com esta equipa de estrelas só podia dar num sucesso enorme, ainda nos dias de hoje se fala deste episódio… isto foi em 1973!
Já agora, de notar, que morrem dois personagens que conheciam a identidade secreta do Aranha: Capt. Stacy e Norman Osborn (1º Duende Verde).
A edição da Marvel é excelente e está incluída na linha “Marvel Premiere Classic”.
Boas leituras!

Hardcover
Criado por: Gerry Conway, Gil Kane e John Romita Jr.
Editado em Março de 2007 por Marvel Comics
Comprado no Book Depository
Nota: 10 em 10

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Drain Vol. 1


Drain é o primeiro trabalho da japonesa Sana Takeda no mercado norte americano, e que trabalho! Cebulski é conhecido por angariar artistas em todos os cantos do planeta (até portugueses) e visto gostar tanto da cultura japonesa, nada como uma vampira Ninja que se passeia pela Terra nos últimos 500 anos, desenhada e colorida por uma artista japonesa. Cebulski, conhecido escritor de estórias para os comics norte americanos, chegou a viver no Japão e adora todo o folclore e história deste país, assim sendo, quis escrever uma estória baseada nas lendas japonesas, acabando por escrever a estória de Chinatsu, transformada em vampiro no antigo Japão há 500 anos atrás.
Sana Takeda, consegue algumas páginas de grande beleza e muita violência, e penso que foi uma aposta ganha para esta estória de Cebulski. Eu sempre fui da opinião que quando os artistas japoneses têm tempo para aplicar cor nas suas Mangas, estas ficam excepcionais! Takeda usa a cor muito bem, numa BD com grande influência Manga, ou não fosse uma artista japonesa, transmitindo grande velocidade sempre que necessário. Para quem gosta do género manga, vampiros e sangue a rodos este é um "must have" para a sua prateleira.
Chinatsu é uma poderosa vampira, não apenas pela sua idade ou pelos seus poderes, mas sim porque soma a sua experiência de 500 anos mais todos os atributos vampíricos com a sua arte e treino Ninja, ou seja, mesmo dentro do mundo dos vampiros ela é letal! E a pergunta põe-se a Chinatsu... o que fazer quando se vive para sempre? No caso é fácil: vingança contra o vampiro que assassinou toda a sua família e a transformou apenas pelo prazer de mais tarde acabar com ela. A estória inicia-se em Nova Iorque, no nosso tempo (embora as torres Gémeas ainda lá estejam...), e conta com muitos "flashbacks" ao passado. Estes explicam alguns pormenores do presente... como o ataque do vampiro à sua família no Japão medieval e o seu amor na altura da Revolução Francesa, Freya, que lhe pede para ser transformada e após muita insistência acaba por ser um desejo concedido. Freya não se porta bem como vampira, e as duas amantes acabam por se tornar inimigas ao longo dos anos. Logo Chinatsu tem dois assuntos pendentes, Reiji o poderoso vampiro que a transformou, e Freya, a sua amante tornada vampira e agora sua inimiga mortal por despeito!
Aconselho este livro, mas é como já disse noutros posts... eu sou suspeito porque gosto muito do género.
Boas leituras!
:)

Softcover (TPB)
Criado por: C.B. Cebulski e Sana Takeda
Editado em 2008 por Image Comics
Comprado em Amazon
Nota: 9 em 10

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Abe Sapien: The Drowning


Abe Sapien é mais uma criação de Mike Mignola, com origem no universo de Hellboy. Foi sempre um personagem secundário, ou de apoio tanto na série Hellboy como em B.P.R.D. Com o sucesso do personagem junto do grande público, a que os filmes Hellboy não são alheios, Abe Sapien tem direito a um “comic one-shot” (Drums of the Dead), e depois a uma mini-série que deu origem a esta compilação: The Drowning.
A origem de Abe remonta à era Victoriana, em que Langdon Everett Caul é envolvido num ritual arcano, para libertar uma espécie de medusa sobrenatural presa numas antigas ruínas. Conforme o sobrenatural ser é liberto, Langdon é transformado num “Icthyo Sapiens”. Os seus colegas de ritual colocam-no num tubo com água, que é descoberto um século depois apenas com um pequeno rótulo no qual estava inscrita uma data: o dia preciso em que Abraham Lincoln foi assassinado, 14 de Abril de 1865. Como a criatura não tinha nenhuma memória passada ficou com nome do antigo presidente, sendo entregue ao Bureau for Paranormal Research and Defense (BPRD).
Actuando em conjunto Hellboy o personagem foi-se afirmando nos livros, culminando essa mesma afirmação nas grandes salas de cinema em todo o mundo. A partir daqui era fácil um spin-off das séries Hellboy e BPRD. Assim chegamos a este livro.
Gostei da estória escrita por Mignola, agora permitam-me desconfiar da arte… aprendi a gostar da arte de Mignola, mas uma imitação de Mignola… humm… Mike Mignola tem um estilo muito própria, e tão próprio, que eu acho que ninguém se deveria colar a esse tipo de registo gráfico. Acho que Jason Shawn Alexander deveria ter um estilo mais próprio! Lá por ser um universo criado por Mignola não quer dizer que tenham todos que desenhar como ele. Esta é a parte negativa deste livro para mim.
Hellboy anda desaparecido na companhia de uma arqueóloga, Anastasia Bransfield, e Abe é escolhido pela primeira vez para uma missão a “solo”, apesar de levar mais três elementos do BPRD como “backup”. A missão consistia na recuperação de um punhal “Lipu”, que se acreditava ser muito eficiente contra as forças negras do mal. Já se sabia qual a localização da adaga, agora era só ir lá buscá-la! Esta tinha sido espetada no peito da forma humana de um demónio antigo, quando este seguia num navio ao largo de França. Que é que pode correr mal numa missão tão simples? Isso têm de perguntar ao Abe Sapien…
Boas leituras!

Softcover (TPB)
Criado por: Mike Mignola e Jason Shawn Alexander
Editado em 2008 por Dark Horse
Comprado em Book Depository
Nota: 7 em 10

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Camões: De Vós Não Conhecido Nem Sonhado?


“Foi o nosso poeta de meã estatura, grosso e cheio de rosto e algum tanto carregado da fonte. Tinha o nariz comprido, levantado no meio e grosso na ponta. Afeava-o notavelmente a falha do olho direito. Sendo mancebo, tinha o cabelo tão louro que tirava a açafroado. Ainda que não era gracioso na aparência, era na conversação muito fácil, alegre, e dizedor, como se vê em seus motes e esparsas, posto que, já sobre a idade, deu algum tanto em melancólico.”

Manuel Severim de Faria
Vários Discursos Políticos

Assim começa este livro editado pela Plátano da autoria de Jorge Miguel!
Camões tem sido alvo de diversas adaptações para Banda Desenhada, sendo esta a que eu mais gostei! A Banda Desenhada dita histórica tem muitos livros editados sobre episódios da nossa História, mas consegue ser muito maçuda para um leitor que está á espera de ver sequências de imagem com bastante acção e dialogo. Não estou a dizer que tecnicamente não haja excelentes livros, mas o público leitor/comprador não tem complacência pela BD tecnicamente boa sobre factos, ou não, da nossa história, mas apresentados sob a forma de uma grande "seca", normalmente comprados por quem nunca compra BD, mas achou que ia ser uma boa prenda de Natal para uma criança que não conhece bem... É necessário mais qualquer coisa para o público comprar BD histórica, e eu penso que este livro caminha para aí! Existem algumas falhas (no meu ponto de vista) que não o desenho ou o texto. Estou a falar das cartas de Camões para os seus amigos, e vice-versa, que quebram bastante a fluidez da acção. Estas cartas poderiam ser apresentadas como extras ou apêndices no fim do livro, até o tornariam mais interessante, pois, inclusivamente se poderiam inserir mais algumas cartas.
Jorge Miguel, que já colaborou nalgumas publicações, sendo mais conhecido pelas suas ilustrações e aguarelas, e com Camões fez o seu primeiro grande trabalho em Banda Desenhada.
Penso que Jorge Miguel omite algumas partes da vida do poeta propositadamente para dar mais leveza à estória, focando-se na sua vida em Lisboa (bairros típicos e o Paço), e aqui como toda a gente sabe, Camões cria tantos inimigos como amantes. A partir daqui a acção voa para além-mar, primeiro norte de África, depois Índia, Molucas, Macau e a respectiva volta (com paragens, claro) para Portugal. Jorge Miguel insere os mais lindos sonetos e estrofes durante a sequência de imagens de uma maneira bonita e sem atrapalhar as vinhetas. Muito conseguido neste aspecto.
No desenho faz lembrar um autor de que eu não me lembro o nome, no seu estilo caricatural, mas ao mesmo tempo sério. É um desenho que por vezes penso que podia ser um pouco mais pormenorizado, mas não compromete… Em relação à coloração e conhecendo outros trabalhos do autor, penso que poderia ter feito melhor.
Para finalizar, gostava de dizer que gostei desta abordagem ao nosso poeta, e se estivéssemos num país em que a BD fosse tratada de maneira diferente, Jorge Miguel conseguiria fazer um trabalho de se lhe tirar o chapéu se contasse a história de Camões em três volumes. Penso que este seria o tamanho ideal da obra! Torna-se difícil meter a vida de uma pessoa como Camões em 64 páginas! Mas mesmo assim Jorge Miguel está de parabéns!

Hardcover
Criado por: Jorge Miguel
Editado em 2008 por Plátano Editora
Comprado na Bulhosa
Nota média da série : 8 em 10

sábado, 3 de janeiro de 2009

Comanche


E o ano começa com uma série de culto produzida na Europa: Comanche!
Os seus autores são mais do que conhecidos, são lendas da Banda Desenhada Franco-Belga: Greg (textos) e Hermann (desenho). O primeiro deve ter sido o mais prolífico autor de estórias e personagens da BD europeia (Comanche, Spirou e Fantásio, Modeste e Pompon, Bernard Prince, Luc Orient, Olivier Rameau, Clifton, Corentin, Os Náufragos de Arroyoka, Clorofila, Bruno Brazil, etc) e isto para além de ser o desenhador de Achille Talon. Faleceu em 1999... O segundo continua a ser editado em português, sendo o seu último livro editado cá, O Diabo dos Sete Mares Vol.1 , mas contando com muitas outras traduções para português deste artista: Bernard Prince, Comanche, Jugurtha, As Torres de Bois-Maury, Jérémiah, Caatinga, Mataram Wild Bill, etc...
Esta dupla funcionou até ao 10º volume desta série de 15 livros, Hermann abandonou a série no 10º volume por achar que as estórias de Greg se estavam a tornar "muito comerciais". A série Comanche ombreia sem problemas com Blueberry, apesar de diferente, há quem diga as que melhores estórias do Oeste americano (westerns) são Blueberry, Comanche e Tex (de notar que todas são de autores europeus...).
A série foi editada em português pela Bertrand e pela Distri. A ordem por que sairam cá foi quase aleatória... a ordem correcta é esta:
1 - Red Dust (Bertrand)
2 - Os Guerreiros do Desespero (Bertrand)
3 - Os Lobos de Wyoming (Bertrand)
4 - O Céu Está Vermelho Sobre Laramie (Bertrand) (Distri)
5 - O Deserto sem Luz (Revista Tintim nº20 ao nº31 do 9º ano)
6 - Fúria Rebelde (Bertrand)
7 - O Dedo do Diabo (Distri)
8 - Os Xerifes (Revista Tintim nº24 ao nº43 do 12º ano)
9 - E o Diabo Gritou de Alegria... (Distri)
10 - O Corpo de Algernon Brown (Distri)
11 - As Feras (Selecções BD 1ª Série do nº38 ao nº40)
12 - Le Dollar à Trois Faces (Dargaud)
13 - Le Carnaval Sauvage (Dargaud)
14 - Les Cavaliers du Rio Perdu (Dargaud)
15 - Red Dust Express (Dargaud)

A azul os álbuns não editados em português!
De notar que "O Deserto sem Luz", "Os Xerifes " e "As Feras" não saíram em formato álbum... os dois primeiros faziam parte dos números descritos acima da revista Tintim e "As Feras" noutra revista, Selecções da BD. Esta seria uma excelente série para ser publicada pela parceria Asa/Público! Tem qualidade, leitores e um número de livros que se coaduna com o que tem sido editado por esta parceria. É que há livros nesta série que atingem preços bastante altos, para além do "O Corpo de Algernon Brown " que atinge preço ao nível de "Mister Blueberry", ou seja, preços completamente loucos para livros de BD em português...
Quanto à estória, esta roda à volta do rancho 666 e dos seus ocupantes, principalmente Red Dust (capataz) e Comanche (proprietária). É claro que é um "Western", logo temos a construção da via férrea, Índios amigos, Índios não amigos, cidades típicas desta zona e época, bandidos do pior e grandes amizades/lealdades. A estrutura narrativa de Greg é excelente e em conjunto com a arte de Hermann conseguiram fazer uma série que fica entre as melhores da BD mundial. Fazendo a diferença com a outra grande série do género, Blueberry, temos o número de livros (Blueberry tem o dobro, e a série ainda não está fechada) e os arcos narrativos, ou seja, Blueberry pode-se considerar um arco de estória gigante, enquanto que Comanche vive de arcos mais pequenos e "one-shots", isto para além de que as aventuras do Tenente Blueberry sempre priveligiaram a relação entre a cavalaria americana com o resto do Oeste Americano com ênfase dado aos Índios; em Comanche é um rancho estratégicamente colocado entre Índios, o caminho de ferro e uma cidade tipicamente do Oeste, cheia de vícios, bébados e pistoleiros, isto para além dos bandidos "manga de alpaca".
De notar que o primeiro contacto que tive com esta série foi 1970/71 na revista Tintim (tinha acabado de aprender a ler), e a força das imagens nessa altura impressionou-me muito, mais do que Blueberry! Até à altura o que eu conhecia de Cowboys era a sua pretensa parte cavalheiresca, o seu aspecto limpinho e sua educação para com os outros... vaqueiros sujos, ruas sujas, pessoas mais parecidas com animais do que os próprios animais... eu ainda não tinha tido contacto com essa falta de "glamour" nos Westerns!
Se conseguirem álbuns desta série em alfarrabistas, aproveitem, sobretudo se estiverem a preços acessíveis!
Boas leituras.

Hardcover
Criado por: Michel "Greg" Reignier, Hermann Huppen, Michel Rouge e Rodolphe
Editado entre 1976 e 1988 por Distri Editora e Bertrand (nesta datas não foram incluídas as revistas)
Nota média da série : 9,5 em 10

Disqus Shortname

sigma-2

Comments system

[blogger][disqus][facebook]