sábado, 28 de março de 2015

Curso de Banda Desenhada



O Museu Bordalo Pinheiro vai ser a casa de um curso de banda Desenhada organizado por Penim Loureiro (autor do livro A Cidade Suspensa) , com a colaboração do João Mascarenhas, André Oliveira, Daniel Maia, Susana Resende, Rosário Félix, Lígia Sousa e ainda uma aparição especial (como anfitrião do Lisbon Studio) Nuno Lourenço Rodrigues. Irá decorrer de 11 Abril a 30 Maio.

Fica a informação oficial:

Curso de Banda Desenhada por Penim Loureiro
11 Abril a 30 Maio no Museu Bordalo Pinheiro

Indicado para todos aqueles que querem conhecer um pouco mais acerca do fascinante universo da Banda Desenhada e pretendem fugir da trivialidade e das histórias estereotipadas. Para quem procura uma nova forma de libertar a criatividade e testar os seus próprios limites artísticos, para os que nunca tentaram a narrativa gráfica mas gostavam de experimentar algo inovador ou para os que até já se iniciaram nesta área, mas perderam o ânimo e agora gostariam de voltar.

Formação: Penim Loureiro | Artistas convidados: João Mascarenhas, André Oliveira, Daniel Maia, Susana Resende, Rosário Félix, Lígia Sousa.

Destinatários: Interessados em banda desenhada com mais de 16 anos

Início: 11 Abril| Horários: Sábados das 14h às 17h | Duração: 1º Módulo 4 dias + 2º Módulo 4 dias

Custo: Cada módulo 50 euros | Dois módulos (curso completo) 90 euros

Local: Museu Bordalo Pinheiro, Campo Grande, 382, Lisboa

Inscrições e informações: museu.bordalopinheiro@cm-lisboa.pt | tel. 218 170 671

Limites de inscrição: Mínimo 5 participantes - Máximo 20 participantes

Materiais: Cada aluno deverá levar canetas, marcadores ou lapiseiras com as quais se sintam confortáveis a
escrever e desenhar. Durante o curso os alunos irão trabalhar com materiais como tinta-da-china, guache,
aguarela, sobre papel A3, fornecidos pelo curso.

Apesar das aulas serem temáticas e haver uma sequência no programa, o curso está pensado de modo que cada sessão não está dependente da anterior; a sua participação é livre, permitindo aos alunos ensaiarem as matérias com que mais se identificam. No final será emitida declaração de frequência no curso.

PROGRAMA

1º MÓDULO 11 de Abril – 4 de Maio 2015
Objectivos: Aprender algumas técnicas básicas da Banda Desenhada. Enfrentar o medo de desenhar ou até mesmo esboçar BD. Descobrir como superar possíveis limitações no argumento ou no desenho.

  • DIA 11.04.2015: Pontos nos ii
Banda Desenhada, da arte à trivialidade.
Espaço gráfico. Vinheta (forma e conteúdo) Balões, rotulação e onomatopeias.
Composição e sequência: A página como unidade visual e continuidade gráfica entre páginas.
Artista convidado: João Mascarenhas (autor de BD e colunista, criador da personagem O Menino Triste)

  • DIA 18.04.2015: Picaresca viagem
Narrativa Visual. Articulação ideia/tema. Sinopse do argumento. Estrutura narrativa: guião, narrador e diálogos. Comunicação gráfica: universalidade e experimentação
Artista convidado: André Oliveira (escritor e argumentista multipremiado de livros de BD e cartoon)

  • DIA 23.04.2015: O Binóculo
Desenho do ambiente da acção. Registo e interpretação do espaço. Planos e perspectiva. Arquitectura e paisagem. Luz.
Artista convidado: desenhador/arquitecto a definir.

  • DIA 02.05.2015 A Berlinda
Visita ao atelier de BD, ilustração, animação: LisbonStudio
Artista convidado: (Guia/anfitrião da visita) Nuno Lourenço Rodrigues (jovem autor de BD).


MÓDULO II 9 de Maio – 30 de Maio 2015Objectivos: Estimular a criatividade através da linguagem da Banda Desenhada. Ganhar motivação para realizar projectos de narrativa gráfica dando ênfase ao estilo pessoal através da prática e da troca de experiências.

  • DIA 9.05.2015: O Calcanhar de Aquiles
Desenho das personagens: registo e acção narrativa. Princípios da percepção visual/táctil
Bases da figura humana. Expressão e dinâmica, Retrato emocional
Artistas convidados: Daniel Maia (autor de BD, artista na Dark Horse Comics) e Susana Resende (autora de BD e artista plástica multifacetada)

  • DIA 14.05.2015: O Besouro
Morfologia animal: dos peixes aos insetos. Máquinas zoomórficas, antropomórficas
Artista convidado: Lígia Sousa (Bióloga representante da nova geração de Ilustradores Científicos)

  • DIA 23.05.2015: A Paródia
Recursos: Cores e materiais. Suportes electrónicos. Impressão
Experimentação para todos
Artista convidada: Rosário Félix (artista plástica e urban skecher)

  • DIA 30.05.2015: Álbum de glórias
Dedicada inteiramente á criatividade dos participantes: produção de sequências narrativas que serão motivo de exposição no museu e da publicação de um fanzine. Balanço do curso


Boas leituras

sexta-feira, 27 de março de 2015

Beterraba: A vida numa colher



Saiu ontem “Beterraba: A vida numa colher”, obra de Miguel Rocha datada de 2003, na altura publicada pela Polvo.
A Levoir decidiu recuperar este romance gráfico rural para a sua colecção “Novela Gráfica” que está a sair com o jornal Público.
Percebo a escolha, insere-se perfeitamente dentro da linha seguida para esta colecção, e é de saudar a inclusão de um livro de um autor português.

Para o meu gosto não é um livro particularmente apelativo, embora eu lhe reconheça qualidade. É mesmo uma questão de gosto pessoal, aliás, os romances gráficos têm destas coisas, muitas vezes são bastante estilizados sendo a forma a adaptar-se ao máximo ao seu conteúdo, e aí o grafismo tende a conhecer formas mais arrojadas de interpretação da mensagem que o autor pretende transmitir.

Neste livro de Miguel Rocha é efectivamente a paleta de cores o que eu mais gosto. As cores quentes alentejanas estão muito presentes, são o grande pano de fundo deste livro, e não obedecem a contornos.O contraponto desta palete quente é mostrado no interior da casa, sempre escuro, mesmo durante o dia.
Esta ausência de contorno permite uma difusão cromática muito bela, e ao mesmo tempo torna secundários os pormenores, como por exemplos as faces das personagens, em favor do todo. É claro que aqui e ali há pormenores mais trabalhados, e que por isso mesmo saltam logo à vista nas situações que o autor o desejaria (penso eu).

Este romance fala-nos de um sentimento de "querer" a roçar a teimosia, fala-nos de sonhos de grandeza e mostra-nos o isolamento e a solidão em que um homem cai ao se alhear do mundo à sua volta, e mesmo proibir qualquer trespasse à cerca que construiu em volta da sua vida.
Mas a natureza é perversa e não faz a vontade a Olegário… um dos seus sonhos maiores era ter um filho. Assim nasce uma filha, outra filha, outra filha… e outra, outra…

Tudo é difícil para Olegário. Decidiu transformar um terreno baldio numa terra agrícola de sucesso! Fez a sua casa com pedra e areia, com as suas mão e o seu suor, aumentando-a sempre que necessário. Por acaso é uma das situações mais bem conseguidas para mim neste livro: o “castelo” de Olegário. Penso que vai reflectindo a vida dele durante todo o livro.
Mas a terra é agreste com ele. Não lhe dá o que ele quer! A natureza coloca-lhe pragas que ele com a sua força de vontade imensa tenta ultrapassar. E o filho que nunca mais chegava…

É também curiosa forma como Miguel Rocha trabalha o isolamento. Olegário vai tendo filhas, mas estas estão completamente isoladas do exterior! Olegário não permite que ninguém lhes ponha a vista em cima, sovando os jovens que se atrevem a espreitar se necessário. Assim elas crescem de uma maneira curiosa, estranhas por vezes na atitude e maneira de encarar a vida.

É um conto surreal, alucinado mesmo, passado em meados do século passado, em pleno período “Salazarista”. Na edição de 2004 do Festival Internacional de BD da Amadora ganhou os prémios de Melhor Álbum Português e Melhor Desenho de Autor Português.
Saltei por cima da boa informação enviada pela Levoir, assim as imagens, porque essa mesma informação está presente em vários blogues da especialidade. Assim, as imagens neste post também serão diferentes.


Outros livros de realce de Miguel Rocha:
  • Salazar: Agora e na Hora da sua Morte
  • Hans: o Cavalo Inteligente

Como curiosidade, o cartaz para o Euro 2004 de futebol foi da sua autoria!
:)


Hardcover
Criado por Miguel Rocha
Editado em Março de 2015 pela Levoir

Lançamento Goody: Superpato



Quem é que andava a pedir pelo Superpato?
Ele está aí em todas as bancas portuguesas!
:)

Disney Especial Superpato nas bancas!!!

O teu herói favorito tem uma edição dedicada inteiramente aos seus feitos e tu não a vais querer perder! Veste a tua melhor capa e põe a máscara para descobrires esta Disney Especial absolutamente fantástica! É que esta vai ser uma edição não só especial, mas também… Clássica! Sim, a seleção das histórias inclui alguns episódios históricos e marcantes na vida deste personagem tão amado! Qual é o fã ou leitor de BD Disney que nunca perguntou: “Como surgiu o Superpato? Qual foi a sua primeira aventura?” Pois bem… Essas perguntas terão aqui resposta, pois este volume vai incluir a primeiríssima aventura do Superpato!!!

O alter-ego do Donald surgiu para dar resposta às injustiças que este sofria na pele por parte do seu tio e de outros rivais, e nesta história, que conta a origem do herói, isso vai ser bem visível, à medida que o Donald for descobrindo a Villa Rosa e o segredo de Fantomius (o seu antecessor). Superpato, o vingador diabólico vai trazer justiça a um mundo que precisava deste herói! E se o nosso super-herói de eleição surgiu, em parte, para dar resposta à péssima atitude do Tio Patinhas, este último não vai desistir de fazer frente ao Superpato, depois deste surgir em cena.

Em Superpato e a ultrajante suspeita, o tio avarento vai tentar denegrir a imagem do herói, quando tenta “fabricar” uma notícia sensacionalista para que os seus jornais vendam mais. A ideia é dar a entender que o Superpato fez um mega-assalto. Só o nosso herói pode impedir que tal aconteça! Vai, Superpato!!! Mas vilões a sério são mesmo os Irmãos Metralha! Eles não perdem uma oportunidade para dar o golpe e quando eles percebem que, organizando uma corrida, isso servirá para afastar toda a gente da cidade de Patópolis, vão aproveitar para dar o maior golpe das suas vidas! Será que o Superpato o vai permitir?! Isso é o que vamos descobrir em Superpato e a corrida de fundo “furtiva”!

Estas e outras histórias “super” na tua nova Disney Especial!
Não percas!!!



























ÍNDICE
7 Superpato, o vingador diabólico
67 Superpato e a ultrajante suspeita
129 Superpato e o intrépido Senhor do Fogo
169 Superpato e a bússola parapsicológica
229 Superpato e o euro de um milhão
289 Superpato e a corrida de fundo “furtiva”
322 Superpato: A vida dupla de um super-herói – Perigos

Boas leituras

quinta-feira, 26 de março de 2015

A "Força" está com Star Wars... mais de um milhão de exemplares vendidos!?



Em Janeiro as vendas de revistas mostraram um novo campeão! A revista Star Wars #1 vendeu mais de 1 milhão de cópias deixando a concorrência completamente ultrapassada, e neste caso o segundo lugar da lista foi ocupado por Batman #38.

Este número de vendas é ainda mais impressionante se pensarmos que é o valor mais alto para uma única revista em 20 anos!

Outra curiosidade desta revista é que teve direito a pelo menos 68 capas variantes, para todos os gostos e feitios. Podem vê-las no link em baixo:
Star Wars #1 Variant Covers

Agora o que poderá ter contribuído para este hype? O retorno da marca Syar Wars à Marvel? O novo filme que se aproxima? Marketing agressivo por parte da Marvel?

Para já é um título que na realidade ainda não estou interessado pois parece-me que é um remake de aventuras já passadas, isto pelo que me deu a ver nos teasers que estão espalhados por essa internet fora.


QTY
RANK
DOLLAR
RANK
INDEX ITEM CODE DESCRIPTION PRICE VENDOR
1 1 894.46 NOV140709-M STAR WARS #1 $4.99 MAR
2 2 100.00 NOV140245-M BATMAN #38 $3.99 DC
3 3 95.67 OCT140832-M AMAZING SPIDER-MAN #12 $3.99 MAR
4 4 93.52 NOV140764-M AMAZING SPIDER-MAN #13 $3.99 MAR
5 7 67.90 NOV140703-M UNCANNY AVENGERS #1 $3.99 MAR
6 8 66.81 NOV140736-M WOLVERINES #1 $3.99 MAR
7 5 66.56 NOV140725-M ANT-MAN #1 $4.99 MAR
8 10 63.05 NOV140781-M THOR #4 $3.99 MAR
Janeiro de 2015





























Fontes:
Diamond
Comicbook.com

Boas leituras

sábado, 21 de março de 2015

Olhando para o Batmobile ao longo da sua história gráfica



Batman serve-se de inúmeros gadgets de alta tecnologia na sua luta contra o crime. Mas existe um que espalhou magia e provocou as mais diversas emoções ao longo do tempo!
O Batmobile.

O primeiro Batmobile digno desse nome  surge pela primeira vez em 1941 na revista Batman #5, e a primeira capa onde estrelou foi em Batman #20.

Cada autor ou desenhador que passou por Batman deu a este carro o seu cunho pessoal, de maneira que existem uma miríade de versões, embora umas mais radicais que outras, umas mais famosas que outras.

Para o sucesso do Batmobile também contribuiu muito o cinema devido à abrangência da 7ª Arte ser enorme! E no cinema estrelaram algumas das mais notáveis versões deste carro. Aliás, a minha versão preferida é mesmo uma que saiu para a televisão (em 1966 para um filme), e da qual eu tive em criança uma miniatura:
 O Batmobile de 1960!

Criado por George Barris a partir de um concept car da Ford, o Lincoln Futura, que custou apenas 1 Dólar (lol) fartou-se de dar problemas mecânicos durante a série devido à sua idade (era normal os pneus rebentarem durante as filmagens...). Devido a isso este designer automóvel substitui mais tarde este Lincoln Futura por um Ford Galaxie.

Para mim este foi o modelo Batmobile mais marcante de todos!

Lindo!

E o vosso, qual foi?
:)







Boas leituras

Lançamento Goody: Hiper-Disney #28



A Goody continua imparável nas publicações Disney! Apresento-vos o 28º número!
:)

HIPER #28

Queres saber qual o caminho para o divertimento? O Mickey ajuda-te! Ele é protagonista não só na capa mega-radical, mas também na primeira história da tua Hiper #28! Encontra o rumo da diversão em Lost & Found!!! E uma nova fase vai começar para o Superpato… Ele vai pôr tudo em causa, relembrar velhos episódios e no final… Bem o melhor é não nos adiantarmos para não te estragar a super-história que temos para ti!

Descobre tudo no episódio original Zero barra um!!! Se gostas de saber tudo sobre as origens dos teus personagens preferidos, a próxima história é para ti! Nunca te perguntaste como terá surgido a Tudinha na vida do Bafo-de-Onça? Pois bem, nós temos para ti a primeira história em que a Tudinha fez a sua aparição na BD Disney!

Mickey e o colar Chirikawa é também, por si só, uma aventura muito emocionante! E por falar em aventuras emocionantes… Haverá histórias com mais emoção e ação do que aquelas protagonizadas por verdadeiros piratas? As histórias da Baía – O ouro do gavião tem todos os ingredientes para ser mais um episódio de sucesso nesta série, onde abundam os heróis do mar!

Hiper é BD ao quadrado!!!

ÍNDICE
05 LOST & FOUND
69 ZERO BARRA UM
131 MICKEY e o colar Chirikawa
190 DONALD e a entrevista volante
217 A CHEGADA DA PATA LEE
257 AS HISTÓRIAS DA BAÍA – O ouro do Gavião
293 URTIGÃO – De estudante a professor






























Boas leituras

quinta-feira, 19 de março de 2015

Foi assim a Guerra das Trincheiras



Saiu hoje nas tabacarias e quiosques uma obra visceral e poderosa.
Vou passar por cima da nota de imprensa da Levoir e das imagens disponibilizadas oficialmente, passando directamente para um artigo (review, crítica... o que lhe quiserem chamar) sobre este livro onde a raiva, o sofrimento e a injustiça, são retratados por este virtuoso artista francês.

Jacques Tardi é um grande autor, conhecido em Portugal sobretudo pela sempre inacabada série Adèle Blanc-Sec. Mas na realidade ele é um profícuo autor com muitos livros publicados, sente-se como um peixe na água dentro do "preto & branco", e odeia a guerra. Aliás, a guerra é o fulcro de muitos dos seus livros mais famosos como Adieu Brindavoine, Le trou d'obus e Putain de Guerre para além deste livro publicado agora pela Levoir (uma bela edição, diga-se).

Graduou-se nas escolas de arte École nationale des Beaux-Arts em Lyon e na École nationale supérieure des arts décoratifs de Paris, começando a dedicar-se à BD em 1969 na célebre revista Pilote. Trabalhou em várias adaptações para a BD nesta altura antes de se dedicar à ficção.
Mas é o seu trauma em relação à 1ª Grande Guerra que vai estar em foco aqui com este seu "Foi assim a Guerra das Trincheiras".

Qualquer guerra é horrível. Ponto. Mas esta guerra, chamada 1ª Guerra Mundial, foi das mais horrorosas, em parte devido a ainda ser em feita de acordo com cânones mais antigos, mas misturados com invenções modernas. Esta mistura de tácticas antigas e transição para armas e métodos experimentais contribuiu para que fosse considerada como uma das mais bárbaras e negras guerras que já existiu.

"Os Homens são como ovelhas, o que torna possível os exércitos e as guerras.
Morrem vítimas da sua docilidade"
Gabriel Chevalier

O que torna chocantes as páginas deste livro é a facilidade com que Tardi transmite graficamente o horror, as histórias macabras, a injustiça, o sentimento anestesiado e a falta de vontade para viver.
Quase todo o discurso neste livro é indirecto, são contos. São poucos os balões de fala.

Tardi convida-nos a segui-lo passeando através de horrores inimagináveis, que deveriam ser a excepção, mas aqui são o quotidiano de merda dos soldados que povoavam as trincheiras em território francês. Os contos são quase hipnóticos numa mistura de desespero e tragédia desumana. É impossível acabar de ler este livro e no final sentir indiferença. É um livro que puxa pelas emoções. É um verdadeiro romance gráfico de alta qualidade!

"O que interessa a Tardi, é mostrar o absurdo de um conflito e a confusão dos pobres coitados arrastados nesta máquina que os tritura sem perdão. Tardi fala da guerra, de todas as guerras. Com a angústia de a ver regressar um dia, em toda a sua loucura assassina."
- Gilbert Jacques

A sua mestria no preto e branco ainda aumenta mais a pressão emocional sobre o leitor, para mim Tardi tem aqui a sua "obra-prima". Gostaria que prestassem atenção aos segundos planos das vinhetas, são assombrosos de detalhe muitas vezes bastante mais detalhados que a figura humana de primeiro plano, quase sempre mostrada como um farrapo.

Obrigado à Levoir por publicar este livro em português. Um livro essencial para quem gosta desta arte: a BD!
Indispensável.

Esta obra venceu dois Prémios Eisner, como Melhor Obra inspirada na Realidade e Melhor Álbum Estrangeiro.Também foi galardoada com o Grande Prémio da Cidade de Angoulême, em 1985.

Hardcover
Criado por: Jacques Tardi
Editado em Março de 2015 pela Levoir

quarta-feira, 18 de março de 2015

Joker: 75 Anos, e... a capa que não saiu em Batgirl #41

A capa cancelada de Batgirl #41

O Joker (Coringa) vai fazer 75 anos e a DC vai comemorar a data. Foi criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane em 25 de Abril de 1940 aparecendo pela primeira vez na revista Batman #1.

O Joker para mim é simplesmente o melhor vilão de sempre criado nos comics de super-heróis. Por norma "agarrado" ao universo do Batman, ele não tem super-poderes... é apenas um mega-louco psicótico, super inteligente e sociopata em último grau. Sim, o Joker mete medo, e tem histórias bem escuras plenas de maldade pura e insanidade para além do que estamos à espera!

Passou por muitas fases, umas mais psicóticas que outras e isso leva-me a uma das melhores histórias do Batman onde ele é o vilão de serviço: Batman: The Killing Joke (Piada Mortal) de Alan Moore e Brian Bolland (1988). Foi uma obra-prima.

Então a DC Comics resolve comemorar este momento importante com várias dezenas de capas variantes que irão sair em Junho.
Até aqui tudo bem, mas isto estraga tudo:

My Batgirl variant cover artwork was designed to pay homage to a comic that I really admire, and I know is a favorite of many readers. 'The Killing Joke' is part of Batgirl’s canon and artistically, I couldn't avoid portraying the traumatic relationship between Barbara Gordon and the Joker.
For me, it was just a creepy cover that brought up something from the character’s past that I was able to interpret artistically. But it has become clear, that for others, it touched a very important nerve. I respect these opinions and, despite whether the discussion is right or wrong, no opinion should be discredited.

My intention was never to hurt or upset anyone through my art. For that reason, I have recommended to DC that the variant cover be pulled. I'm incredibly pleased that DC Comics is listening to my concerns and will not be publishing the cover art in June as previously announced.

With all due respect,

Rafa

Pressões em cima deste artista que admiro, Rafael Albuquerque, que acaba por ser ele próprio a pedir para a sua excelente capa variante não saia como estava programado. Tudo em nome do politicamente correcto! Que barbaridade...


Nada nesta capa da Batgirl #41 faz supor que exista crime sexual, aliás em Killing Joke presume-se que Barbara Gordon é violada, mas nada nos diz que o foi comprovadamente, foram encontrados nus (Barbara e o pai) mas pode ter sido apenas humilhação por parte do Joker, não que tivessem sido factualmente violados. De qualquer modo... e se foram? E mesmo que o tivessem sido, querem apagar referencias a histórias marcantes do passado?
Sim, esta capa seria uma homenagem a uma das melhores histórias do Batman vs Joker! E querem esconder este passado magnífico em prol do politicamente correcto?

We live in a world of pussies
Anónimo

Para mim esta frase diz tudo...

Que pena. Esta capa está excelente! (E é só uma capa variante!)
:(





Boas leituras

terça-feira, 17 de março de 2015

ANICOMICS Lisboa 2015: Programa



Está quase aí mais uma edição do Anicomics!
É a 6ª edição deste excelente evento lisboeta, marcado para os dias 11 e 12 de Abril no sítio do costume, a Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Telheiras.

Como de costume vai haver muita animação, apresentações de livros de BD, dança, cosplay, workshops, autógrafos e muito mais.
Desta vez a partida para o Anicomics é feita com uma Launch Party duas semanas antes do evento propriamente dito. Irá acontecer na   no dia 28 deste mês de Março na "Fábrica 22".


Para já e como primeiro post deixo-vos o programa de Sábado e Domingo:



Programa do Evento



Sábado, 11 de Abril 2015

10h30 Abertura

Auditório
  • 11h00 Quiz
  • 12h30 Kirankana
  • 14h30 Lançamento do álbum “Casulo”, com o argumentista André Oliveira e vários artistas.
  • 15h00 Antevisão do ano editorial da Kingpin Books, com a apresentação dos livros “Vil: Fado do Assassino” (André Oliveira/Xico Santos), “Kong The King” (Osvaldo Medina), “Fósseis das Almas Belas” (Mário Freitas/Sérgio Marques) e “Solomon: Deluxe Edition” (Carlos Pedro), com a presença dos autores.
  • 16h00 Actuação das BB5 (Dança J-Pop)
  • 16h30 1ª Meia-Final do Concurso de Cosplay
  • 17h45 Actuação das Mirai No Yume (Dança J-Pop)
  • 18h00 2ª Meia-Final do Concurso de Cosplay
  • 19h15 Anúncio dos Finalistas do Concurso de Cosplay, seguido de AFTER-PARTY no palco

Piso 0 da Biblioteca
Sala Multiusos
  • 11h30 Workshop de Cosplay: “Underneath The Costume”, com Maria João Forte (com a duração de duas horas)
  • 14h00 Workshop de Cosplay Geral com Leonor Grácias (com a duração de duas horas)

Piso 2 da Biblioteca

  • 11h30 Workshop de BD e ilustração, com Osvaldo Medina (Melhor Desenho Nacional PNBD Amadora 2013 e Desenhador do Ano PPBD 2014, com “Super Pig: Roleta Nipónica”)
  • 14h00 Workshop de Japonês, com Ana Rufino
  • 16h00 Sessões de autógrafos, com autores a anunciar


Domingo, 12 de Abril 2015

10h30 Abertura

Auditório
  • 11h00 Concurso de Karaoke
  • 12h15 Concurso de AMVs
  • 14h00 Painel: Especial de Dobradores
  • 15h15 Painel: A febre dos Funko POP - caminhos cruzados da cultura POP, da BD à animação, cinema e TV.
  • 16h00 Actuação das Animyu
  • 16h30 Eliminatória Portuguesa do EUROCosplay
  • 16h45 Final do Concurso de Cosplay
  • 17h30 Show de Cosplay, com alguns dos principais cosplayers portugueses
  • 18h30 Cerimónia de entrega de prémios do EuroCosplay e do Concurso de Cosplay
  • 19h00 After-Party de encerramento do evento, no palco

Piso 0 da Biblioteca
Sala Multiusos
  • 11h30 Workshop de Cosplay: Materiais Recicláveis, com Raúl Batista
  • (com a duração de duas horas)
  • 14h00 Workshop de Cosplay: Perucas com Catarina Brás e Inês Oliveira
  • (com a duração de duas horas)

Piso 2 da Biblioteca

  • 14h00 Workshop de Japonês, com Ana Rufino

Actividades Permanentes
Sábado e Domingo

Pátio

Zona Comercial (Kingpin Books) e de convívio
Projecção audiovisual dos espectáculos do Auditório

Foyer do Auditório

Bar (Bubble Love e Spawn Point Gaming Lounge)
Associação Portuguesa de Cosplay
Projecção audiovisual dos espectáculos do Auditório

Piso 0 da Biblioteca
Galerias

  • Exposição de originais de BD de Carlos Pedro (Elephant Men e Solomon), Osvaldo Medina (Kong The King), Sérgio Marques (Fósseis das Almas Belas) e dos artistas da antologia “Casulo” (sob argumento de André Oliveira).
  • Exposição de figuras Funko Pop.
  • Artist's Alley
  • Projecção audiovisual dos espectáculos no Auditório

Sala de leitura

Zona Comercial: Casa da BD, Twin Guns e Stands Não-Profisisonais
Projecção audiovisual dos espectáculos no Auditório

Piso 1 da Biblioteca
Gaming Zone

  • Video games (torneios e demonstrações com a Spawn Point Gaming Lounge e a Nintendo)
  • Card games (torneios e demonstrações com a TCG Empire)
  • Board games (torneios e demonstrações com a Spawn Point Gaming Lounge)


Bilheteira


Preços para a 6ª edição do AniComics Lisboa

- Bilhete para 2 dias: até 4 de Abril, 10EUR; a partir de 5 de Abril e no evento, 12EUR.
- Bilhete VIP, que garante lugar reservado no Auditório (limitado a 40 bilhetes e apenas para 2 dias), 17EUR.
- Bilhete para 1 dia: até 4 de Abril, 7,50EUR; a partir de 5 de Abril e no evento, 8,50EUR.

Venda ONLINE de bilhetes:
Os bilhetes poderão ser pré-comprados através de depósito ou transferência bancária para o NIB 0033 0000 45422004634 05 (Banco Millennium BCP, em nome de Mário M Freitas - Livraria de BD Unip, organizadora do evento). Deverá ser enviado um comprovativo para o mail anicomics.lisboa@gmail.com, com a indicação clara do nome do portador do bilhete e nº do seu documento de identificação. À chegada ao evento, deverá dirigir-se ao balcão dos bilhetes pré-comprados, munido do comprovativo de pagamento e documento de identificação, para levantar o seu bilhete. Ao preço dos bilhetes pagos online, aplicam-se as mesmas diferenças, consoante a data em que forem comprados, tal como consta da tabela acima.


Bilhetes à venda - Lojas físicas:
Na loja Kingpin Books e na Spawn Point em Lisboa.

Toda a informação em:

ANICOMICS Lisboa 2015


O Leituras de BD apoia o Anicomics

Boas leituras

segunda-feira, 16 de março de 2015

Lone Wolf and Cub: Parte I - Introdução



Lobo solitário ou Lone Wolf and Cub por Kazuo Koike e Goseki Kojima é uma obra que merece uma referência especial, pelo que, dedicarei este espaço (as minhas próximas contribuições) a fazê-lo, na medida da minha capacidade.




























A forma mais adequada para eu fazer uma revisão a esta obra é desta forma: começo com uma introdução, o contexto; depois tentarei fazer uma súmula da obra; e, no fim, abordarei as suas consequências e farei a transposição para a sua presença na sétima arte, o cinema. O tema é vasto pelo que, mais do que ler a análise que aqui vos deixo, aconselho a leitura, vivamente.


Confesso, sim, que Lone Wolf and Cub é uma manga, a melhor que até hoje li, que me fascina. Pelo que tentarei ser o mais objectivo e concreto acerca dela quanto possível. É uma narrativa que se enquadra na era feudal correspondente ao período Tokugawa, ou Edo, no Japão, e desenha acontecimentos que terão ocorrido após o ano de 1655.

Nessa época o código de conduta samurai Bushido era fulcral para a descrição das práticas da sociedade. Assim como era também ponto assente a filosofia ou o espírito budista. A ficção começa assim, com uma descrição hierárquica da sociedade de então: o Shōgun, comandante do exército, (clã Tokugawa) senhor dos Daimyō (lordes do Japão); os Oniwaban, guardiões do jardim (clã Kurokawa), espiões, dedicados à obtenção de provas contra determinado Han (território feudal); os assassinos (clã Yagiū); e o carrasco mor, Kaishakunin, responsável pela decapitação (aquando do ritual suicida Seppuku) dos Daimyō insurgentes, ele mesmo portador da vontade última «a vontade do Shōgun».

Ogami Ittō (Lone Wolf), a personagem central do drama trágico da qual se desenrola a obra, até então Kaishakunin, vê-se enredado numa trama elaborada pelo clã Yagiū. Yagiū Retsudō, o líder do clã, arranja uma forma de assassinar a mulher de Ogami Ittō, e de o indiciar por crimes de sedição contra o próprio Shōgun. Na impossibilidade de defender a sua posição de honra, Ogami Ittō decide enveredar pelo caminho do assassino, o caminho da vingança, como um demónio saído do inferno Meifumadō, renegando assim o Bushido, o caminho do guerreiro.


Essa decisão não lhe compete apenas a ele, pai, mas também a Ogami Daigorō (Cub) o seu filho. Ogami Daigorō é ainda bebé aquando dos acontecimentos aqui descritos, tem de escolher: seguir o caminho do pai, escolher a espada (de um género especial, denominada de Dōtanuki); ou o caminho da mãe, uma bola Temari, e segui-la no mundo dos espíritos. Ou seja, Ogami Daigorō, praticamente recém-nascido, é levado a escolher entre a morte (às mãos do pai), ou a seguir uma vida maldita (ao lado do pai).

Ogami Daigorō escolhe a espada, numa das sequências que nos ficam, por ser, possivelmente, uma das mais carregadas de significado de toda a narrativa. Pois, porque, daí em diante, ambos seguem esse caminho, o caminho do assassino. Há toda uma sensação de inevitabilidade, e de ordem, na forma como se processa assim o seu destino. Faz-nos querer rever toda essa dialéctica que é a do livre arbítrio «podia ter feito» e a contraposição com essa ideia, que é a ideia da fortuna, ou fado «não fiz».

Daí em diante a saga é monumental, cada um dos seus capítulos é por si só uma obra de mestria, tanto em argumento como em desenho; ou em contenção ou soberba. E, dessa forma, e nesse contexto, atrevo-me a dizer que a realidade que é a dos seus autores se sobrepõe à tão própria realidade que é a da ficção, a da obra, ou seja: que é a do caminho do pintor (Goseki Kojima); ou a que é a do caminho do poeta (Kazuo Koike).



Goseki Kojima nasceu a 3 de Novembro de 1928 e morreu a 5 de Janeiro de 2000. Da sua biografia realça-se o facto de, autodidacta, ter começado a carreira como pintor de posters para salas de cinema. Mudou-se em 1950 para Tóquio, uma Tóquio devastada, pós II grande guerra, e dedicou-se à criação de arte kamishibai. Kamishibai é uma forma narrativa, de contar histórias, que se suporta na ilustração em papel, um actor executava pequenos dramas teatrais de rua (muitas vezes de teor moral) andando de cidade para cidade de bicicleta acompanhado de um palco portátil: as crianças que lhe comprassem doces, tinham direito aos melhores lugares da plateia. Embora a sua reputação tenha sido ganha, principalmente, enquanto artista da obra Lone Wolf and Cub, a sua primeira contribuição para uma revista deu-se com a série Dojinki. Durante a fase final da sua vida dedicou-se à concepção de romances gráficos baseados na obra do seu cineasta favorito: Akira Kurosawa.

Kazuo Koike nasceu a 8 de Maio de 1936, argumentista de Lone Wolf and Cub é, igualmente, um homem dos sete ofícios (na arte). Eu gosto de pensar nele, antes de mais, enquanto poeta. A ele se podem atribuir, também: a apresentação de programas televisivos; a criação de um magazine acerca de golfe; a produção de filmes; a escrita de guiões, ficção, ou mesmo poesia; a fundação de um colégio Gekiga Sonjuku direccionado à ajuda a escritores e artistas talentosos. Kazuo Koike coloca o desenvolvimento das personagens no topo das prioridades de um argumento de sucesso, e como podem verificar, não só o consegue provar como o consegue fazer de uma forma mestre, Lone Wolf and Cub é também, quer se queira quer não, o tão merecido êxito que se lhe atribui.

Deixo-vos com algumas imagens e textos do primeiro volume da obra "The Assassin's Road" cuja primeira edição é de 2000 sob a chancela da Dark Horse Comics. Mas não só, concluo com uma citação retirada de uma entrevista a Kazuo Koike, por mim traduzida da versão inglesa (à falta de melhor), e não resisto a fazê-lo, pois é um exemplo claro da sensibilidade que se transmite a toda a obra:




"De todos os mamíferos apenas o homem e o elefante sabem que irão morrer. Quando o elefante sabe que em breve morrerá, parte para estar só".

Recomendo, na qualidade de leitura obrigatória.

(Continua...)

Ilustração: Lone Wolf and the Cub por Goseki Kojima



Logo à noite neste blogue vamos ter a primeira parte de um post sobre este mítico Manga.
Ficam por agora com duas imagens do artista Goseki Kojima a preparar o post da noite.
:)



Boas leituras