segunda-feira, 20 de julho de 2020

Lançamento Ala dos Livros - Passageiros do Vento Vol.8
- O Sangue das Cerejas Livro 1



E foi assim, uma bela surpresa! Um dos meus autores favoritos continua uma das minhas séries favoritas, é um dois em um :)

A Ala dos Livros resgatou mais um autor e mais uma série (felizmente), quem sabe continuem também o Ciclo de Cyann (isto sou eu que sou um optimista por natureza :D ).

Esta série foi publicada pela Meribérica durante o seu 1º ciclo (5 volumes), e depois publicada novamente numa colecção com parceria Asa/Público. Infelizmente foi publicada em capa mole, nunca percebi o que reside à escolha capa mole vs capa dura nas parcerias com o jornal Público. Séries perfeitamente secundárias são publicadas em capa dura, e as grandes séries em capa mole (outro exemplo, Valerian).

O 2º ciclo contém dois volumes e foi publicado pela ASA em capa dura. Aqui em baixo têm o link com vários posts sobre esta série neste blogue:
Os Passageiros do Vento

O Sangue das Cerejas - Livro 1


Os Passageiros do Vento - Tomo 8

O sangue das cerejas (Livro 1)

Paris, 16 Fevereiro de 1885. Jules Vallès, escritor, jornalista e político ligado à Comuna Francesa, fundador, entre outros, do jornal Le Cri du Peuple falecera em Paris dois dias antes. A amnistia aos antigos elementos da Comuna verificara-se cinco anos antes, em 1880, e os Communards estão de regresso à capital francesa onde o ambiente é conturbado. Zabo, que há vinte anos se encontrava no Louisiana, está, também ela, no meio da imensa multidão que assiste ao funeral de Vallès, respondendo agora pelo nome de Clara. E quando Zabo vê uma jovem bretã recém-chegada a Paris ser maltratada, intervém…
Para situarmos a narrativa desenvolvida por François Bourgeon ao longo de Os Passageiros do Vento, convém recordar que esta série é actualmente composta por 8 livros divididos por 3 ciclos. No primeiro ciclo (5 tomos), cujo tema central é a escravatura do século XVIII, vemos a jovem e rebelde Isabel de Marnaye embarcar num navio da Maryne Royale e mais tarde num navio negreiro, acabando por chegar a S. Domingo; no segundo, o ciclo A Menina de  Bois-Caïman, composto por dois tomos,  acompanhamos os passos de Zabo, a bisneta de Isa, em plena guerra de Secessão Americana; e neste terceiro ciclo, denominado O Sangue das Cerejas, previsto para dois tomos, Zabo faz-se chamar Clara e vive em Paris, onde a Comuna divide a sociedade.
Traduzida em 20 línguas e com mais de 6 milhões de exemplares vendidos desde o início da sua publicação, a série Os Passageiros do Vento, de François Bourgeon, é uma das grandes séries de culto da Banda Desenhada franco-belga.
"Uma das grandes sagas da banda desenhada histórica.”
Le Figaro



SOBRE O AUTOR:
François Bourgeon nasceu em Paris, em 1945. Termina os estudos clássicos, aperfeiçoa o seu desenho em diversos estúdios e mais tarde entra para a escola de Artes e Ofícios que conclui com o título de mestre vidreiro. A sua primeira história de BD, L'ennemi vient de la mer, surge em 1972 na revista semanal Lisette, uma revista destinada a adolescentes, sobretudo femininas, na qual Bourgeon publicaria várias outras BD’s. Esta revista viria a fechar, tendo o autor colaborado com várias outras publicações, nomeadamente com a revista Djin, onde Brunelle et Colin viria a surgir pela primeira vez. Seria, no entanto, com a publicação da série Os Passageiros do Vento, em 1979, na revista Circus, que François Bourgeon contribuiria decididamente para a transformação da banda desenhada de aventuras num produto cultural adulto e cuidado, onde a personagem feminina adquire um papel preponderante. O primeiro tomo desta série, A Rapariga no Tombadilho, valeu-lhe um Alfred em Angoulême, em 1980.
François Bourgeon regressaria ao universo medieval, que já havia abordado em Brunelle e Colin, em 1984, com a série Os Companheiros do Crepúsculo (composta por 3 tomos e 1 H.S.).
Em 1993 inicia O Ciclo de Cyann, uma série futurista desenvolvida em parceria com Claude Lacroix e que conta com 6 tomos e 1 H.S.



Esperamos pelo próximo!

Boas leituras



Deixa o teu comentário

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Lançamento Ala dos Livros: O Corvo Vol.4 - Inconsciência Tranquila




A editora Ala dos Livro publica este mês de Maio o 4º volume da série O Corvo, de Luís Louro.
Uma pena os livros anteriores estarem mais que esgotados, excepto o primeiro, embora este Inconsciência Tranquila se possa ler como um livro solto.

Segue a nota de imprensa desta jovem editora, mas já com um belo catálogo de livros:



O CORVO
INCONSCIÊNCIA TRANQUILA


Argumento e desenho: Luís Louro


Vicente, morador em Alfama e carteiro de profissão, teve uma infância difícil – o pai, polícia, acabou por se enforcar depois de ter morto a mãe por causa de… futebol. Não é por isso de estranhar que, em adulto, Vicente sofra de alguns traumas e apresente um desdobramento de personalidade que faz com que, durante a noite, tenha necessidade de deixar emergir o seu “eu inconsciente” transformando-se no Corvo. Defendendo que o “destino de um homem depende das suas crenças e dos seus fantasmas”, o Corvo tenta superar a timidez de Vicente e vestir a pele de super-herói.

É assim que, assumindo o papel de justiceiro, o Vicente/Corvo vai neste livro tentar fazer frente ao que considera serem os (grandes) problemas da cidade de Lisboa: o Combustão (ou o Fanã?!), as pílulas do senhor reitor, as trotinetas ou… os pombos Kamikaze. E tudo isto, como não podia deixar de ser, na companhia de Robim, o seu inseparável companheiro.

INCONSCIÊNCIA TRANQUILA, é o quarto e mais recente volume das aventuras do célebre CORVO, o anti-herói português criado por Luís Louro em 1994, e assinala a estreia da Ala dos Livros na publicação de obras de autores portugueses.

64 páginas. cor
Cartonado. 235 x 310 mm
Maio de 2020. Ala dos Livros
PVP: 16,95 €
ISBN: 978-989-54726-1-1





BIOGRAFIA DO AUTOR
Luís Louro
Nasceu em Lisboa em Junho de 1965. Depois de ter terminado o ensino secundário, e desde sempre apaixonado pelas artes gráficas e pela imagem, ingressou na Escola António Arroio onde completou o Curso de Técnico de Meios Audiovisuais.
A sua incursão na BD remonta a 1980, ano em que em parceria com António José Simões (Tozé Simões), criou pequenas histórias, algumas das quais viriam a ser publicadas em diversos fanzines entre 1985 e 1990.
E é precisamente no ano de 1985 que Luís Louro vê pela primeira vez editada uma história de sua autoria numa revista de publicação regular: estávamos a 1 de Abril de 1985 e a história Estupiditia II surgia nas páginas do “Mundo de Aventuras” (revista coordenada à época por Jorge Magalhães).

Este é o ponto de partida para as publicações “profissionais” que se sucedem no “Diário Popular”, “Jornal Júnior” ou em “O Mosquito” (5ª série). Seria aliás no “Sábado Popular”, um suplemento do jornal “Diário Popular”, que viria a estrear-se, em Outubro de 1985, a série Jim del Mónaco (lançada em álbum, em 1986, pela Editorial Futura, que viria a publicar 4 títulos).

Paralelamente, e ainda em 1989, a parceria Louro & Simões estreia-se na Edições Asa, onde é lançado o primeiro álbum da série Roques & Folque (que contaria com um total de 3 títulos). Será ainda a Edições Asa a retomar, em 1991, a série Jim Del Mónaco, tendo publicado, entre 1991 e 1993, sete álbuns a cores. Depois de um interregno de alguns anos, dois novos títulos surgem em 2015 (O Cemitério dos Elefantes) e em 2017 (Ladrões do Tempo).

A partir de 1994, ano de lançamento do primeiro tomo de O Corvo, Luis Louro assume também os argumentos e assina sozinho álbuns como Alice (1995), Coração de Papel (1997), Cogito Ego Sum I (2000), Cogito Ego Sum II (2001). Esta carreira a solo seria, no entanto, pontuada por algumas colaborações com diversos argumentistas, como Rui Zink (O Halo Casto – 2000), João Lameiras e João R. Santos (Eden 2.0 – 2003), Nuno Markl (O Corvo – O Regresso – 2003) ou Rosa Lobato de Faria (ABC das Coisas Mágicas).

Ao longo da sua carreira enquanto desenhador de BD, Luís Louro ganhou vários e importantes troféus, tendo integrado, em 1998, a comitiva "Perdidos no Oceano", que constituiu a representação de Portugal enquanto país convidado no 25.º Festival Internacional de Angoulême.
Depois de Watchers (dois álbuns publicados em 2018) e Sentinel (dois álbuns editados em 2019), regressa a uma das suas personagens marcantes com O CORVO – INCONSCIÊNCIA TRANQUILA (2020), a sua mais recente publicação.





Boas leituras








Deixa o teu comentário

terça-feira, 19 de maio de 2020

Lançamento Arte de Autor: Verões Felizes Vol.2
- Menina Esterel
- O Repouso do Guerreiro




Depois do sucesso do primeiro volume da série Verões Felizes, eis que passado um ano surge o segundo volume!
A Arte de Autor programou este livro para o início deste Verão, a contar com certeza com o Festival de BD de Beja que muito infelizmente não se poderá realizar.

O primeiro volume, que conta com as histórias Rumo ao Sul e A Calheta, ganhou o prémio para o Melhor Livro nos Prémios Nacionais de BD (Amadora BD) do ano passado. Vamos ver o que se passa agora com A Menina Esterel e em O Repouso do Guerreiro :)

Nota de imprensa da Arte de Autor:

VERÕES FELIZES 2
MENINA ESTEREL | O REPOUSO DO GUERREIRO

Esta série não contém lutas sangrentas nem conspirações internacionais.

MENINA ESTEREL
1962 – quando se dançava “Let’s Twist Again”

1992, os anos passaram, o jovem casal está agora reformado, a pequena Pêpete tornou-se uma menina e o 4L está à venda... A oportunidade de recordar o ano de 1962, as suas primeiras férias a bordo com. os sogros. As férias com Yvette-a-perfeita e o Vovozão serão mais gastronómicas do que bucólicas... em direcção a Saint-Étienne!

O REPOUSO DO GUERREIRO
1980 – quando Lio cantava “Banana Split”

Neste livro, encontramos a família Faldérault completa: Pedro, Madeleine e os seus quatro filhos, aos quais se juntou Jean-Manu, o namorado da Nicole. Este Verão será o da grande mudança: Pedro tornou-se co-proprietário de uma casa nova, chave na mão, no campo provençal!
Mais do que nunca, a aventura está no programa, e é com bom humor que a família se cerra. O Verão dos Fadérault é sagrado! E este vai ser muito memorável...

Autores: Zidrou & Jordi Lafebre
Edição: Cartonada
Número de páginas:112
Data de Edição: Maio de 2020
ISBN: 978-989-54514-6-3
PVP: 22,75 €





Zidrou
Zidrou (Benoît Drousie) nasceu em 1962, em Bruxelas. Foi professor e, no início dos anos 1990, dedicou-se à escrita de livros e de canções para crianças. Em 1991, conheceu o desenhador Godi com quem criou L'Elève Ducobu. Começou assim a sua carreira de argumentista de banda desenhada! Assinou diversas séries para crianças e adolescentes, de Crannibales a Tamara, de Scott Zombi a Sac à Puces, e assegurou a continuação de La Ribambelle. É também autor de obras mais realistas, mas não menos sensíveis, como La Peau de l'ours, Lydie, Folies Bergères, La Mondaine, Les 3 Fruits. Em 2015, Zidrou regressou com três novos álbums: em Agosto, Le Bouffon, com Francis Porcel, em Setembro, uma nova série familiar, Verões Felizes, com Jordi, e em Outubro, com P. Berthet, um policial nas regiões remotas da Austrália, Le crime qui est le tien. Em 2016, continuou a escrever as recordações de férias da família Faldéraut em Verões Felizes e anunciou o fim de Veneza em Marina. Em 2017, Zidrou começou a nova série Shi, desenhada por Homs. Em Março, escreveu Natures Mortes para o desenhador Oriol. Em Junho, voltaram os Verões Felizes com Jordi Lafebre, para uma terceira recordação de férias. Em Setembro, Zidrou narrou as aventuras do Chevalier Brayard, num estilo Monthy Python, desenhadas por Francis Porcel.
Em 2018, encontramo-lo na Dargaud com dois volumes de Verões Felizes (um deles, uma surpresa invernal), o terceiro tomo de Shi e também L'obsolescence programmée de nos sentiments com desenhos de Aimée de Jongh.





Jordi Lafebre
Jordi Lafebre nasceu em 1979, em Barcelona, onde estudou banda desenhada e belas-artes, antes de dar os seus primeiros passos como desenhador, em 2001. Foi publicado em diversas revistas espanholas, sobretudo na Mister K, dirigida ao público jovem, na qual assinou El mundo de Judy, em colaboração com o argumentista Toni Front. O seu encontro com Zidrou foi decisivo: depois de alguns desenhos na revista semanal Spirou, participou numa obra colectiva escrita pelo argumentista de Ducobu, La vieille dame qui n'avait jamais joué au tennis et autres nouvelles qui font du bien. Em 2010, ambos lançaram um álbum aclamado, Lydie. Em 2014, sempre com Zidrou, lançou La Mondaine, e em 2015, a série Verões Felizes, publicada em Setembro. Os volumes 4 e 5 da série familiar protagonizada pelos Faldérault foram publicados em Junho e Novembro de 2018.





Boas leituras






Deixa o teu comentário

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Lançamento Asa: Asterix - O Menir de Ouro



A ASA prepara-se para publicar mais um álbum de Asterix, desta feita algo que seguramente trará os indefectíveis fãs desta franquia a correr para o obter. Um inédito em álbum com os dois criadores originais a assinarem o texto e ilustração: Goscinny e Uderzo.

Apenas isto basta para fazer soar campainhas, mas não fiquem nervosos... é só em Outubro, dia 21, que estará disponível para venda :)

Fiquem com a nota de imprensa fornecida pela ASA:


O MENIR DE OURO
Um tesouro reencontrado de René Goscinny e Albert Uderzo!

As Edições ASA convidam os seus leitores a descobrirem, no próximo dia 21 de Outubro, um verdadeiro achado:
O Menir de Ouro, uma aventura ilustrada de Astérix, escrita por René Goscinny e desenhada por Albert Uderzo, nunca antes publicada em álbum.
Descubra aqui a capa e as primeiríssimas informações.

Original de 1967

Reina a agitação na aldeia gaulesa: Cacofonix decidiu participar no famoso concurso de canto dos bardos gauleses para conquistar o Menir de Ouro!

Para o protegerem neste certame seguido de perto pelos romanos, Astérix e Obélix ficam encarregados de o acompanhar: eles não devem perder Cacofonix de vista, mesmo correndo o risco de… ficarem surdos!

Colocada à venda pela primeira vez em formato de livro-disco em 1967, esta aventura única tornou-se uma verdadeira relíquia quase perdida e nunca foi publicada em álbum.
Esta história, escrita com a vivacidade narrativa de René Goscinny propositadamente para uma gravação áudio e ilustrada com a mestria gráfica de Albert Uderzo propositadamente para o livreto que acompanhava o disco, é uma verdadeira jóia a redescobrir. Ela bem merecia ser valorizada, juntando-se a partir de agora à colecção de álbuns ilustrados de Astérix.





Restaurada

Um trabalho de ourives que poderá descobrir a partir de 21 de Outubro numa livraria perto de si.


Este novo álbum ilustrado proporá um novo grafismo com uma paginação mais forte, para permitir que o leitor mergulhe mais a fundo nos textos e desenhos destes dois génios da nona arte. E para esse efeito, com o propósito de manter inalterável o genial argumento do seu amigo René Goscinny, Albert Uderzo pôde supervisionar, em finais de 2019, o minucioso trabalho de restauro que foi levado a cabo pelos seus mais fiéis colaboradores sobre ilustrações já de si absolutamente sublimes. É Arte com letra maiúscula!

Tomando como ponto de partida as ilustrações digitalizadas a partir do livro-disco de 1967, os colaboradores históricos de Albert Uderzo tiveram de recorrer a todo o seu talento druídico para restaurar os desenhos de acordo com a vontade do cocriador de Astérix. O mais difícil foi sem dúvida eliminar a trama da impressão, preservando na íntegra os maravilhosos traços a tinta de Albert Uderzo.
Efectuaram igualmente uma actualização e uma calibragem
das cores fiel ao acabamento vintage original, tendo assim conferido a O Menir de Ouro um rejuvenescimento que vai seguramente congregar
à sua volta não só os fãs históricos mas também novas gerações de leitores.



Goscinny e Uderzo


Boas leituras





Deixa o teu comentário

domingo, 26 de abril de 2020

Lançamento Ala dos Livros: Mattéo - Terceira Época (Agosto de 1936)



A editora Ala dos Livros continua a impressionar pela qualidade das suas produções. Desta vez é o 3º volume de Mattéo de Jean-Pierre Gibrat.

Os dois primeiros livros estão publicados em português pela extinta editora VitaminaBD, e por isto mesmo penso que esta é uma edição muito corajosa desta jovem editora portuguesa. De qualquer modo Gibrat vale sempre a pena! :D

Posso dizer que a produção do livro está excelente, grande formato e um papel de grande gramagem dão o corpo a esta obra de Gibrat.

Fiquem com a nota de imprensa da Ala dos Livros:


Mattéo - Terceira Época

Agosto de 1936. França. É a época da Frente Popular, a felicidade das primeiras férias pagas. 15 dias sem fazer nada, como resmungavam os patrões! Mas desse por onde desse, eram 15 dias de lazer. E Mattéo, Paulin, Amélie e Augustin partem de carro a caminho das primeiras férias oficiais, em direcção ao mar, a Sul. Para grande desgosto da sua mãe, uma rezingona de primeira, há muito tempo que Mattéo não punha os pés em Collioure. Não sabe o que aconteceu a Juliette, nem sequer que tem um filho, Louis…

À alegria dos banhos no mar, soma-se a dos piqueniques, dos postais, dos bailes populares… Tudo parece possível, até o melhor! No entanto, do outro lado dos Pirenéus, numa Espanha muito próxima, o barulho e o furor da Guerra Civil fazem-se ouvir cada vez mais alto. Os legalistas enfrentam, desde 17 de Julho, a insurreição levada a cabo pelo General Franco. E se Paulin, a quem Mattéo lê diariamente o «L’Humanité», fica furioso quando o gabinete de Léon Blum decreta o embargo às armas que se destinam aos Republicanos – trata-se de um pacto de não intervenção que é assinado pelas grandes potências europeias – Mattéo parece totalmente indiferente a tudo isso, preferindo ler as páginas da Volta à França, que está a acabar. O tempo que passou na Rússia e no degredo destruíram a sua vertente militante e socialmente comprometida.

Mas deixará este filho de anarquista espanhol de ficar insensível aos gritos da pátria do seu pai?

E é aqui que termina a Terceira Época de Mattéo, uma série brilhantemente desenhada por J.P. GIBRAT, cuja edição a Ala dos Livros prossegue em Portugal.

SOBRE O AUTOR:

Argumento e Desenho: Jean-Pierre Gibrat

Nasceu em Paris em Abril de 1954. Depois de ter estudado grafismo publicitário e artes plásticas, inicia-se na banda desenhada em 1977, desenhando várias histórias curtas para a revista Pilote, as quais, em 1980, seriam compiladas no álbum "Visions Futées” (que conta com argumento de Éric Simonet, Jackie Berroyer e J.P. Gibrat). Em 1978, edita “Le petit Goudard”, uma série com argumento de Jackie Berroyer que mais tarde será compilada pela Dargaud em cinco álbuns. Paralelamente, Gibrat publica outros trabalhos em publicações como o “Le Nouvel Observateur”, “L´Événement”, “Science et Avenir” e as revistas infantis “Je Bouquine” e “Okapi”. Para esta última, realiza « Médecins Sans Frontières », com argumento de Gui Vidal e Dominique Leguillier. A partir dos anos 90 a obra de Gibrat regista uma tendência mais adulta, incluindo-se nesta fase as obras “Pinocchia” (1995, com argumento de Francis Leroi ) e “Maré Baixa” (1996, com argumento de Daniel Pecqueur).

Com a publicação de “Destino Adiado” (1997) e de “O Voo do Corvo” (2002), Jean-Pierre Gibrat passa a assinar o argumento das suas próprias histórias, o que volta a suceder na aclamada série Mattéo.




80 páginas. Cores
Cartonado. 235 x 310 mm
Abril de 2020. Ala dos Livros
PVP: 21,00 €
ISBN: 978-989-54726-0-4



Boas leituras





Deixa o teu comentário

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Os Cavaleiros de Heliópolis Vol.1: Nigredo / Albedo



Este foi um lançamento da Arte da Autor em 2019, que teve a sua conclusão com o segundo volume este mês, Abril de 2020. Farei a crítica a esse último volume para a semana.
De notar que os volumes são álbuns duplos, sendo este constituído pelos dois primeiros livros : Nigredo e Albedo.

O caminho que Alexandro Jodorowsky traçou em toda a sua carreira artística na 6ª, 7ª e 9ª Arte é completamente cheio de momentos e figuras com grandes cargas simbólicas, e sobretudo muitos excessos, sejam excessos da carne, sejam religiosos, xamânicos, de violência física, e emocional. Outra característica das suas obras é serem abertas a várias interpretações, muitas das sua obras não são de fácil absorção se o leitor/expectador quiser entrar mesmo dentro da cabeça deste chileno.

Em Os Cavaleiros de Heliópolis, Alexandro Jodorowsky faz uma viajem pelo mundo da alquimia abordando vários dos seus pilares, servindo-se para isso do mito do filho de Luís XVI.

Um dos grandes objectivos da alquimia é o elixir da longa vida, ou da vida eterna, o outro a transmutação em ouro, uma metáfora em que se acredita que tudo têm uma essência a parte mais pura do ser, ou seja, o seu ouro. Todos estes caminhos são desenvolvidos para atingir o objectivo supremo: a Pedra Filosofal.  Quem quiser saber mais sobre isto vá à descoberta de Jung! :D

Esta obra está temporalmente situado entre os séculos XVIII e XIX, apanhando a febre da Revolução Francesa com a queda de Luís XVI e Maria Antonieta e posterior ascensão de Napoleão Bonaparte.
Jodorowsky começa exactamente pela iniciação de um novo membro para a confraria d'Os Cavaleiros de Heliópolis, que seria o filho do casal real atrás referido, ou seja, o hipotético e mítico Luís XVII, daí o seu nome inicial nesta obra: 17.

Os alquimistas Cavaleiros são personagens conhecidas da História Universal como Lao-Tzé, Ezequiel, Nostradamus, João ou Imothep por exemplo. Esta primeira parte conta a história que está para trás relativa ao nascimento e posterior resgate de 17. Logo nesta primeira parte vêm à tona alguns excessos de Jodorowsky, um gorila gigante, que fala, servindo os Cavaleiros, e a apresentação de 17 como hermafrodita.

Jodorowsky segue os rituais alquímicos, sendo o primeiro Nigredo que dá o nome ao primeiro livro.
Nigredo designa o primeiro estado da alquimia: a morte espiritual, significando decomposição ou putrefacção.
Este livro tem uma primeira parte de mais excessos de violência, muita intensidade e brutalidade. É a parte que conta o início da vida de 17.
Depois temos já um 17, rebaptizado como Asiamar após passar o teste do Nigredo, a cumprir a sua primeira missão, e aqui passamos para uma parte mais aventureira e rápida, com perseguições e duelos.

Seguindo para o segundo livro deste primeiro volume, temos Albedo designado pelos alquimistas como o segundo estado do Magnum opus significando a purificação.
Neste livro Albedo é-nos apresentada a personagem de Napoleão. Este estivera para ser escolhido para entrar na fraternidade dos Cavaleiros de Heliópolis, mas entrou em demência megalómana querendo a imortalidade e poder absoluto, tornando-se assim em inimigo dos Cavaleiros.

A história de Napoleão é-nos contada por um Cavaleiro que esteve junto dele até perceber que os valores Humanos de Napoleão eram quase nulos, fugindo nessa altura. Esta jornada cobre a busca de Napoleão pela imortalidade no Egipto.




Entretanto Asiamar passa a segunda etapa na sua formação conseguindo atingir o objectivo do teste Albedo, recebendo a seguir mais uma missão. Desta feita irá surgir a sua parte feminina (ele é hermafrodita, não esquecer) e o objectivo é Napoleão.

Passando à parte gráfica, Jérémy Petiqueux exibe um desenho realista e brutal nos pormenores. A ambiência histórica está muito bem feita e detalhada. As sua página quando necessário são impregnada de velocidade e acção e penso que conseguiu pôr no papel aquilo que ia na cabeça de Jodorowsky. Gostei muito mesmo. Quanto à cor, esteve a cargo de Felideus e também gostei muito. Soube usar muito bem as paletes de cor adaptando-as aos momentos e cenas que Jérémy desenhou e Jodorowsky idealizou. Ambientes vermelhos, ambientes dourados outros mais crus e frios, sempre que era desejado para fazer vibrar uma página Felideus escolheu a palete certa na minha óptica (e gosto).




O livro... bem o livro como objecto foi trabalhado pela Arte de Autor de uma maneira que eu só posso dizer que é excelente. Uma maravilha ao tacto, um tamanho grandioso e sendo duplo torna a leitura um prazer imenso. Não posso deixar de falar também da gramagem do papel. Tudo neste livro está feito para o leitor ter o tal prazer imenso na leitura. :)




O Leituras de BD recomenda este livro


Boas leituras






Deixa o teu comentário

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Porque me apetece: A BD e o Vírus




Antes de fazer o post seguinte, que vai ser sobre o primeiro volume de Os Cavaleiros de Heliópolis da Arte de Autor, gostaria de fazer um pequeno apontamento sobre os tempos que correm, tempos estranhos, estupidamente estranhos.

O apelidado de Covid 19 mudou radicalmente a maior parte das vidas Humanas e a generalidade do tecido produtivo e económico. BD, vou chamar-lhe assim englobando todas as formas de arte sequencial desenhada (Franco-Belga, Comics, Fumetti, Manga, etc), porque simplifica um pouco a escrita.

Sabendo nós portugueses, e se não sabemos devíamos saber, a BD é um nicho de mercado que tem lutado  para viver em Portugal, com algum sucesso nos últimos anos devido ao afinco e amor de alguns dos seus actores.

Neste actores englobo as editoras que continuam com uma fibra enorme a publicar neste país mesmo nesta altura, obrigado G.Floy, Arte de Autor, Levoir, Ala dos Livros, A Seita, Kingpin, Polvo; e às lojas que teimam em não baixar os braços, salientando a Kingpin neste aspecto porque o seu dono, Mário Freitas, tem sido incansável na luta por ter a porta (quase) aberta, artigos na imprensa institucional, e movimentos nas redes sociais como por exemplo "O Entretenimento é o Último Reduto". A resiliência é uma das suas características :)
Neste parágrafo também quero salientar o nome de um incansável editor: José Hartvig Freitas!  Tem sido grande e continua a lutar.

Com isto não estou a menosprezar ninguém. Todos são importantes. Mas há nomes que sobressaem no panorama nacional, e eu não tenho problema em os escrever.

De qualquer modo todas as lojas estão a fazer um esforço para servir os seus clientes, Mundo Fantasma, Dr Kartoon, BD Mania ou Sétima Dimensão, e a já referida Kingpin, estão a apostar tudo em encomendas online enquanto o estado de emergência durar. Refiro já agora, que mesmo o retalhista monopolista internacional de comics, a Diamond, está com extremas dificuldades, o que dificulta ainda mais o trabalho das nossas lojas....

Como sabem, o mercado da BD em Portugal anda sempre nos limites, nas margens, e se aparece algo inesperado negativamente...  bom, a BD tende a retrair e sufocar um pouco ou bastante, conforme o nível da ameaça, é um mercado muito sujeito a riscos externos.
Devido a isso, eu agradeço honestamente a todos estes actores da BD em Portugal que têm sido incansáveis a manter a BD viva durante este período merdoso da nossa vida.


Pela minha parte não tenho encomendado nada do estrangeiro, tenho comprado cá, livros publicados cá, sejam de portugueses ou traduzidos.
E de repente as pessoas esquecem-se que dos grandes prejudicados são mesmo os autores portugueses, porque quando o mercado em Portugal não está saudável eles são os primeiros a sentir.
Pelo menos esta é a minha opinião.

Comprem cá, comprem em lojas portuguesas. Há alturas em que todos somos precisos, esta é uma delas.

Se clicarem no link em baixo terão uma série de artigos feitos sobre algumas das nossas lojas, em que inclusivamente têm os e-mails e as moradas:

Lojas de Banda Desenhada




Resisti até ao fim em colocar a minha opinião sobre se o Governo está actuar bem, se a Sociedade deste país tem sido exemplar ou não neste contexto, se o futuro vai ser um arco-íris ou não. Quis só focar-me na BD. Acho que consegui, não foi fácil, mas foi concretizado :D

Boas leituras











Deixa o teu comentário

quinta-feira, 12 de março de 2020

Lançamento A Seita: O Homem que Matou Lucky Luke




Esta recente editora de BD portuguesa que já conta com alguns livros no seu catálogo, como Dylan Dog - Trevas Profundas, A Assembleia das Mulheres, Andrómeda ou Dampyr - O Suicídio de Aleister Crowley, lançando-se agora na BD Franco-Belga com este Lucky Luke.


Sou sincero, não conhecia o trabalho deste autor francês, Mathieu Bonhomme, que faz esta premiada homenagem a este herói por ocasião dos seus 70 anos.
Parabéns à A Seita da BD por esta edição com duas capas, sendo que uma é exclusiva da FNAC (no final do post).

Fiquem com a nota de imprensa da editora:

O HOMEM QUE MATOU LUCKY LUKE
Arte e argumento de MATTHIEU BONHOMME

DESTRUÍ A LENDA! MATEI LUCKY LUKE!

Ao chegar a Frog Town numa noite de tempestade, Lucky Luke, além de ter de enfrentar o bando dos irmãos Bones, não imaginava que estava prestes a encontrar o homem que o iria matar.


Mathieu Bonhomme criou esta maravilhosa homenagem ao cowboy de Morris por ocasião do 70º aniversário da personagem, num álbum vencedor do prémio do público em Angoulême, reinventando o célebre cowboy solitário numa magnífica história que, entre outras revelações, explica o motivo por que Lucky Luke deixou de fumar!


A estreia d’A Seita na BD franco-belga, numa edição que conta com duas capas diferentes, uma delas exclusiva das lojas FNAC, e um extenso caderno de extras sobre o desenvolvimento do álbum.

Nascido em Paris, em 1973, Matthieu Bonhomme formou-se em Artes Aplicadas e iniciou-se na BD como assistente de Christian Rossi, o extraordinário desenhador que substituiu Jean Moebius Giraud como desenhador da série Jim Cutlass - o “outro” western a que o desenhador do Tenente Blueberry esteve ligado. Grande fã do western, Bonhomme confessa que “aprendi a desenhar com Lucky Luke, série que foi um dos pilares da minha formação como leitor,” e, logo no início da sua carreira, abordou o género. Mas a verdade é que os seus anteriores trabalhos em BD, desde L’Age de la Raison, até às séries Marquis d’Anaon, Le Voyage d’Esteban e Messire Guillaume, abordavam outras épocas e outros temas.




A ideia de escrever e desenhar uma aventura de Lucky Luke não veio só do aniversário da personagem, pois o autor é o primeiro a afirmar que “há mais de dez anos que pedia às edições Dupuis que me dessem uma oportunidade de o fazer. (...) não sabia que eles já estavam a reflectir na preparação dos 70 anos da personagem em 2016”. Respeitando o passado de Lucky Luke, aproveitou como ponto de partida da história, a única limitação que a editora lhe impôs: a de não poder mostrar o cowboy solitário com um cigarro na boca. Como o próprio referiu: “quis assim descobrir o que levou Lucky Luke a deixar de fumar”. Vencedor de vários prémios em Angoulême ao longo da sua carreira, Bonhomme regressou recentemente ao período do western com a sua série Charlotte Impératrice, sobre a princesa belga que se tornou Imperatriz do México em 1864.

Prémio Saint-Michel para Melhor Álbum, prémio Escolha dos Jovens e prémio do Público no Festival de BD de Angoulême.




72 páginas, formato 23 x 32 cm, cores, capa dura
ISBN 978-989-54574-6-5
ISBN 978-989-54574-7-2 (capa exclusiva FNAC)
PVP: 16,95€






Boas leituras



Deixa o teu comentário

quarta-feira, 11 de março de 2020

Moebius Ashcan Comics #5: Coffee Dreams



Moebius, ou Jean Giraud (como preferirem), tem raridades espalhadas de que apenas os verdadeiros fãs se apercebem onde foram ou são publicadas.
Estes Ashcan Comics são dedicados à publicação de algumas dessas raridades de Moebius, e este
número em particular a algumas ilustrações publicitárias.

Este Cofee Dreams teve direito a 100 exemplares e o seu valor em leilões ronda os 400€.

Em 1989 Moebius, aceitou uma encomenda de trabalho da Young & Rubicam, o cliente era o café Maxwell House.
Era um pedido para uma série de ilustrações publicitárias com o objectivo de serem publicadas em revistas francesas.

Moebius fez seis ilustrações, das quais quatro foram escolhidas para a campanha publicitária, e posterior publicações em diversos magazines. Têm uma personagem principal, Tatiana, que se mostra a beber o seu café sempre em pose bastante chique, por contraposição aos cenários de vida selvagem. Ou seja, "eu sou chique, mas o café leva-me à aventura" :D

Podemos apreciar todo o detalhe e composição que só um grande mestre consegue em todas estas ilustrações, Moebius nunca desilude!

As duas ilustrações finais são as que foram rejeitadas pela marca de café, e em legenda coloco a a respectiva frase publicitária traduzida :)



Tatiana tem uma merecida pausa de 5 minutos entre o cabeleireiro e o shopping

A pequena pausa foi um alívio para Tatiana, que estava farta de todo o blá-blá intelectual

Tatiana tinha um verdadeiro horror de ser perturbada durante a sua pausa

Tatiana insistiu em fazer uma pequena pausa entre duas lavagens de roupa







Boas leituras




Deixa o teu comentário