segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Cinema: Doutor Estranho
(Doctor Strange)



Fui ver este filme a semana passada, e levava comigo um certo hype para ser honesto.
Doutor Estranho é mais um filme do universo cinemático da Marvel, o último que saiu, e que conta a origem do Mago Supremo.

Desde já digo que não caio nessas ratoeiras de vestir a camisola da DC ou da Marvel, sou adepto dos dois universos e sinceramente essa coisa do Sporting vs Benfica dos comics não me assiste.

A Marvel tem construído um bom universo para o cinema, mas contabilizando assim de cabeça só acho que sejam garantidamente bons 4 ou 5 filmes. O resto é bastante mediano, abusando em efeitos especiais para compensar argumentos mais fracos, e ainda existe um que eu considero mesmo fraco.

Como é lógico dificilmente se pode ter um pleno de filmes fantásticos, mas os filmes medianos também dão corpo a este universo tornando-o coerente e ligado.

Este Doutor Estranho deixou-me um pouco sem saber o que pensar mal saí do cinema. Eu estava à espera de uma coisa, e saiu-me outra. Estava à espera de um filme mais trabalhado na ascensão de Stephen Vincent Strange a Mago, com os protagonistas desta fase inicial mais bem aprofundados, e com o Mordo como o vilão deste filme.

Pois, não foi assim. Scott Derrickson, que escreveu e dirigiu este filme, colocou a carne toda no assador e retirou Mordo da galeria dos vilões neste filme (talvez já a pensar no próximo), fazendo com que o supremo vilão fosse o próprio Dormammu, muito bem secundado por Kaecilius e seus acólitos.
Agora a frio e pensando bem no filme, acabo por o colocar dentro do lote dos bons filmes da Marvel.

As personagens principais e actores:
  • Benedict Cumberbatch - Dr. Stephen Strange
  • Chiwetel Ejiofor - Mordo
  • Rachel McAdams - Christine Palmer
  • Benedict Wong - Wong
  • Mads Mikkelsen - Kaecilius
  • Tilda Swinton - The Ancient One 


Strange está bem trabalhado na sua arrogância inicial e posterior aprendizagem, temos um excelente Ancient One, um Mordo para já diferente do seu homólogo dos comics e um Kaecilius que me surpreendeu como vilão.
Uma das coisas que falta nos filmes actuais na sua generalidade, e nos de super-heróis em particular, é de um vilão a sério. Malvado. Com um aspecto tenebroso. Kaecilius conseguiu isso. Parabéns!
A Anciã ficou espectacular, sempre que entra numa cena sente-se a sua presença, é ela que ocupa sempre o espaço central. Tilda Swinton foi uma excelente escolha!
Uma palavra especial para a aparência de Dormammu… fiquei surpreendido! Está excelente e não era trabalho fácil!

Do argumento não vou falar muito mais do que já referi, visto que o filme ainda está em exibição. Mas uma das coisas que tenho a apontar é que agora todas as personagens sabem dizer piadolas! O Strange quase fica quase igual ao Tony Stark, que começou a senda das piadas, Cap. América, Thor, Hulk, enfim, todos são personagens engraçadas e cómicas... menos, está bem? Começa a não ter piada nenhuma!


Da parte dos efeitos, bom, foi do melhor que vi num filme de super-heróis, a lembrar o Inception mas mais pormenorizado. Acho que é um dos poucos filmes que vale a pena ver em 3D.

Recomendo o filme! Fiquem com três clips do filme:










Boas leituras





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sábado, 5 de novembro de 2016

Anima: Druuna - As Origens



Paolo Eleuteri Serpieri é um dos meus “Deuses” da BD. Posto isto toda a gente sabe que este post vai ser tudo menos isento. :)
Em jeito de aviso, este livro é apenas para adultos e não para os pequerruchos rubicundos, vulgarmente chamados de crianças.

A editora Arte de Autor apostou em Serpieri e na sua personagem Druuna no último trabalho deste artista até à data: Anima: Druuna – As Origens. Está à venda no Amadora BD no stand da editora.
Serpieri já com uma idade generosa (68 anos) presenteou-nos com mais um livro que mais uma vez consegue o patamar "delírio para os olhos".

Druuna foi apresentada ao mundo em 1985 no volume 1 da série (Morbus Gravis), terminando em 2003 no volume 8 (Clone), este novo livro vem como um volume 0, ou seja, uma espécie de prequela. De notar que os dois primeiros livros da série foram editados em português pela Meribérica em modo... horrível. Má cor, mau papel, formato estranho. Entretanto a editora faliu e acabou-se a série Druuna em português.

Os livros da série são neste momento os seguintes:
  • Anima - As Origens
  • Morbus Gravis
  • Druuna
  • Creatura
  • Carnivora
  • Mandragora
  • Aphrodisia
  • O Planeta Esquecido
  • Clone
Foi um retumbante sucesso quando apareceu em França conseguindo um tiragem de mais de100 mil cópias para o álbum Druuna, o segundo da série.

Se quiserem saber sobre a série e a personagem podem consultar os seguintes links do LBD:
Druuna
Druuna: Creatura
Druuna: Carnivora
Druuna: Mandragore
Druuna: Aphrodisia
Ilustração: Druuna X2
Ilustração: Druuna

Posso adiantar para quem não conhece que é uma série erótica-pornográfica de ficção-científica pós-apocalíptica com muito terror e mutações à mistura.

Voltando a Anima.
Uma história sem narrador nem balões, onde a expressividade e qualidade da arte e dos layouts de Serpieri fazem a história fluir perfeitamente.
A arte é brutal, é lindacom painéis gigantes de pormenor (alguns lembrando Moebius) e onde conseguimos já ter os avatares da série presentes, ou seja: uma mulher perfeita, tentativa de violação, seres mutantes, humor, e o grande sentido humano de Druuna. Para além disto, serpieri mais uma vez acaba por ser personagem no livro, embora desta vez em forma de caricatura numa homenagem à série.

A história propriamente carrega alguns simbolismos. O lugar onde esta proto-Druuna vive é mágico, e o paraíso. Inclusivamente tem uma macieira cujos ramos são serpentes. Não possui asas para descer à Terra, mas um grande pássaro está seu serviço para descer a uma Terra linda, mas por onde o mal se esconde das mais variadas e piores maneiras. Depois temos a "passagem" de uma personagem loura para morena que todos conhecem através de livros e do próprio Serpieri, acabando na mudança total através de um espelho.

Este livro contém mais uma história, o "Talvez" primeiro ensaio feito para a série original, uma curta de 1981 de 7 páginas que se manteve inédita em vários países curiosamente um dos quais foi a França.... :D


Para além disso, temos muitos, muitos sketchs de Serpieri para este livro. Vale a pena ver como ele consegue ser tão expressivo apenas com riscos. Sim, uma salganhada de riscos que consegue prender o leitor!

Posto isto, só me resta dizer que o LBD recomenda este livro. :)
(E a série também)


Boas leituras



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Jessica Jones - Alias Vol.2



Alias (Jessica Jones) foi a primeira série da linha MAX da Marvel, a sua vertente para adultos, e pelos vistos foi a primeira vez também que logo na primeira página se lê um “Foda-se” num livro da Marvel (logo para abrir na primeira página). A linguagem é para adultos, o sexo é apenas implícito.
A G.floy está a editar a série (quatro volumes) e neste Amadora BD lança mais um volume, o segundo livro da série.

Jessica Jones é uma personagem de segunda linha da Marvel, que teve alguma preponderância quando começaram a ser publicados os New Avengers e os eventos Guerra Civil e Invasão Secreta, estando casada na altura com Lucas Cage. Alias é anterior a isso.

Inicialmente Jessica foi criada por Stan Lee e Steve Ditko, na revista Amazing Spider-Man #4 em 1963. Ganha os seus poderes num acidente de viação entre o carro que levava a sua família e um camião com produtos tóxicos. A sua família falece no acidente e Jessica fica em estado coma até acordar devido a uma erupção de energia no primeiro encontro entre os FF4 e Galactus. Esta situação fez despoletar os seus poderes.
É enviada para um orfanato, sendo adoptada pela família Jones.
Teve vários Alias, como Jewel, Power Woman ou Knightress.

Foi recriada por Bendis e Gaydos exactamente com este Alias, tendo abandonado os uniformes de super-herói, e trabalhando como detective particular. E é com esta profissão que Bendis faz navegar Jessica Jones ao longo dos quatro volumes da série.

O argumento de Bendis como história até agora tem sido bastante bom, mas tem falta de alguma acção. A maior parte das cenas têm sido no interior, e aqui Bendis abusa bastante das “cabeças falantes”

No que respeita a Gaydos, conheci este desenhador na série Snake Woman, e a minha opinião é a mesma. Não é propriamente o meu tipo de arte, mas vai bem com histórias deste género. Agora, acho que abusou da reutilização de alguns painéis, embora de exteriores eu ainda acho normal, agora em expressões faciais… é preguiça! E não ajuda nada às “cabeças falantes” de Bendias existirem expressões iguais.

Neste livro Jessica vai tratar de um caso de uma rapariga desaparecida, numa cidade interior em que o povo é bastante religioso, e preconceituoso com a diferença. Depois temos um encontro com o Ant Man que não deixa de ser um arco bem disposto numa série noir


A minha opinião? Gosto bastante.
Para quem gosta de crime noir, com linguagem “vernácula” este série não vai desiludir.

Já agora, a série da Netflix foi baseada nesta recriação da personagem por Brian Michael Bendis.

"You shoot that gun at me... I will pull that bullet out of my ruined four hundred dollar leather jacket...and I will shove it up your ass with my pinky finger. And which one of us do you think that will hurt more?

- Jessica Jones quotes

Fiquem com o press release da G.Floy:

ALIAS volume 2
Argumento de BRIAN MICHAEL BENDIS e arte de MICHAEL GAYDOS

TUDO O QUE ELA QUERIA, ERA TER SIDO UMA SUPER-HEROÍNA.

As aventuras da Vingadora que se tornou detective privada continuam em mais dois casos. Jessica Jones viaja para uma pequena cidade do interior, uma cidade cheia de preconceitos e racismo, para investigar a desaparição de uma adolescente que todos acreditam ser uma mutante... mas será mesmo? E, logo depois, a nossa investigadora azarada vai sair num encontro com... o Homem-Formiga?!

Continuam as aventuras da heroína de banda desenhada da Marvel que deu origem à série de TV
da NETFLIX com o mesmo nome! Alias volume 2 apresenta-nos mais dois casos da vida da super-heroína que abandonou os Vingadores para se tornar detective. E inclui também um dos mais aclamados números de sempre da série, e considerado uma das histórias curtas mais importantes da década em que saiu, o número 10 da série:

J. Jonah Jameson contrata Jessica Jones para descobrir a identidade secreta do Homem-Aranha, usando as suas conexões com outros super-heróis! Pela primeira vez ouvimos falar do passado de Jessica como heroína, mas Jessica engendra um plano... diabólico. Contada de modo diferente do habitual, em painéis experimentais de uma página, pintados a aguarela, e focando o diálogo rápido, divertido e feroz que era a marca de Bendis na altura, como se estivéssemos a ver um ecrã de TV, este história curta foi escolhida pela revista Wizard como um dos 100 melhores números de sempre dos comics.



Inclui um extenso caderno de esboços e arte de DAVID MACK, o criador das capas da série

ALIAS volume 2
Brian Michael bendis e Michael Gaydos
Reúne os #10 a #15 da série original de ALIAS
Álbum, formato comic, 152 pgs a cores, capa dura. PVP: 12,99€
ISBN: 978-84-16510-22-1


Boas leituras





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domingo, 23 de outubro de 2016

27º Amadora BD (Parte I)



O Amadora BD começou hoje. Ia perdendo a data com tão pouca informação divulgada.
Algumas fotos por hoje.
Opinião?
Só no final…

Mas não me contenho... é impressão minha ou cada vez as exposições são menos, estão mais pequenas e com menos "quadros"?

E já agora, o que aconteceu à exposição do concurso de BD e Cartoon?




Esta foto e as duas acima pertencem à exposição de Marco Mendes




Infelizmente terei de racionar as fotos porque mais uma vez tive problemas com a segurança para tirar fotos. No próximo post explicarei melhor ;)


Boas leituras





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sábado, 22 de outubro de 2016

Lançamento Arte de Autor: As Aventuras de Philip e Francis
Vol.3 - SOS Meteorologia




As Aventuras de Philip e Francis irão ter o seu terceiro volume editado em português pela Arte de Autor.

Esta série tem a particularidade de os seus três volumes publicados terem sido editados por diferentes editoras:
  • As Aventuras de Philip e Francis Vol.1 - Ameaças ao Império - Editora Gradiva
  • As Aventuras de Philip e Francis Vol.2 - A Armadilha Maquiavélica - Editora ASA
É uma série criada por Veys (argumento) e Barral (desenhos) no ambiente de Blake & Mortimer, mas num registo cómico, ou satírico, se preferirem.
Fiquem com a nota de imprensa da Arte de Autor:

As Aventuras de Philip e Francis
T. 3 – SOS Meteorologia

O professor Mortimer está farto. Já não suporta ver os outros aproveitarem-se da sua lendária gentileza. Que o seu velho cúmplice Francis Blake se enfie em sua casa, ainda vá. Que Nasir, o seu fiel servidor, exija um aumento e o pagamento de horas extraordinárias, aceita-se. Que um bando de delinquentes, que diríamos saídos do filme Laranja Mecânica, o chateiem, admite-se. Mas quando Blake lhe chama “mole”, o seu sangue escocês começa a ferver: isto tem de mudar! De regresso a casa, Mortimer prepara um produto revolucionário que o vai transformar num malfeitor impiedoso e dominador...

Por Jove e por Horus! Mas o que é que aconteceu ao nosso velho amigo Mortimer? Não contente por se transformar fisicamente, qual doutor Jekyll, agora frequenta clubes de strip-tease, aterroriza Olrik e persegue a ambição de dominar o mundo?
Admirador do Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr Hyde, o romance de Stevenson, o argumentista Pierre Veys é também um leitor assíduo de Jacobs, tal como Nicolas Barral que tem o prazer de reproduzir, nos mais infimos pormenores, o seu universo gráfico.


Título : T. 3 – SOS Meteorologia
Série : As Aventuras de Philip e Francis
Argumento: Pierre Veys
Desenho: Nicolas Barral
Número de Páginas: 56
Impressão: cores
Formato: 23,5 x 31 cm
Acabamento: edição cartonada
Data de edição: Outubro de 2016
ISBN: 978-989-99674-1-0
Preço : 14,50€


Pierre Veys
Nasceu em Cambrai, em 1959. Multiplicou experiências de escrita no café-teatro e no teatro (onde também é actor) e posteriormente na televisão antes de escrever histórias curtas para a revista semanal Spirou. É o argumentista de Igor et les monstres, de Space Mounties, de Maître détective e de Avatars. Escreve igualmente gags para Boulle et Bill.

Nicolas Barral
Nascido em 1966, começa a trabalhar na revista Fluide Glacial antes de desenhar Les Ailes de plomb (argumento de Gibelin). O seu encontro com Pierre Veys muda-lhe a vida: juntos, criam Baker Street, e depois Les Aventures de Philip et Francis. Em colaboração com o argumentista Tonino Benacquista, Barral assina os dois tomos de Dieu n’a pas réponse à tout, e depois Les Cobayes. Argumentista de Mon pépé est un fantôme (desenho de TaDuc), sucede também a Tardi retomando a personagem de Nestor Burma.





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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Lançamento Arte de Autor: O Azul é uma Cor Quente




Este é o segundo de três livros que a editora Arte de Autor Vai lançar aproveitando o festival Amadora BD.

Quem viu o filme "A Vida de Adéle" já estará por dentro da história, visto que esse filme foi baseado neste Romance Gráfico.

Fiquem com a informação da editora:


O Azul é uma cor Quente

O Azul é uma cor quente”, tradução da obra “Le bleu est une couleur chaude”, é a primeira obra de Julie Maroh.
Uma história de amor que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2013.

O livro conta-nos a história de Clementine, uma adolescente de 15 anos que, um dia se cruza na rua com um par de raparigas. Uma delas tem o cabelo pintado de azul e sorri-lhe. A partir desse preciso momento, tudo muda na vida de Clementine: a sua relação com os amigos na escola, a sua relação com a família, as suas prioridades... e sobretudo a sua sexualidade.

Através de textos do diário da protagonista, o leitor acompanha o primeiro encontro de Emma e Clementine que tentam amar-se apesar das dificuldades implícitas na visão da homossexualidade por parte da sociedade e dos próprios preconceitos de Clementine.
É difícil saber o que é o amor e que aspecto assume, mas o amor entre as duas caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas dessa mesma relação.

Para além de ser uma obra premiada (teve, entre outros o Prémio do Público do Festival Internacional de Angoulême), O Azul é uma cor Quente é a BD que inspirou o filme A Vida de Adéle, de Abdellatif Kechiche, o qual ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, em 2013.

Esta novela gráfica, que se encontra editada em 15 línguas, incluindo o inglês, espanhol, alemão, italiano e holandês, e que pela sua sensibilidade se tornou um êxito mundial, não deixa ninguém indiferente.

Argumento e Desenho: Julie Maroh
Edição: Cartonada
Número de páginas: 160
Impressão: Cor
Formato: 21 x 28,5 cm
Data de Edição: Outubro de 2016
Editor em Portugal: Arte de Autor
ISBN: 978-989-99674-2-7
PVP: 19,95€


Julie Maroh
Originária do Norte de França, Julie Maroh formou-se em Banda Desenhada no Instituto Saint-Luc de Bruxelas e posteriormente em litografia na Royale Academia de Belas Artes. Publica o seu primeiro álbum “Le Bleu est Une Couleur Chaude” em 2010: trata-se de uma história sensível e comovente que se desenrola ao longo de 160 páginas, sobre o tema da homossexualidade feminina e da sua aceitação por parte da sociedade actual.

Julie Maroh publicou ainda uma outra novela gráfica “ Skandalon”, uma fábula sociológica incarnada por uma estrela de rock. Trabalha actualmente em vários outros livros, nomeadamente em "Corps Sonores", que será publicado em 2017.

Para saber mais consulte o site da autora em:

www.juliemaroh.com


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Lançamento Levoir: A Casa




O autor do excelente Rugas (editado pela Bertrand) e Inverno do Desenhador (editado pela Levoir) torna a ser traduzido para português. Desta vez é o premiado livro A Casa.

Vai sair amanhã com o jornal Público nas tabacarias e quiosques portugueses, e penso que é um livro a não perder.
Se quiserem saber o que escrevi acerca do excelente livro Rugas, é só clicar no link já aqui por baixo:
Rugas

Fiquem com a informação da editora Levoir:


A Casa

Na próxima sexta-feira, dia 21 de Outubro, com o PVP de 14,90€ a Levoir e o jornal Público editam mais um livro do conhecido e premiado autor espanhol Francisco Martínez Roca ou seja Paco Roca. Do mesmo autor editámos na colecção Novelas Gráficas 2016 O Inverno do Desenhador.

Em Espanha, A Casa, foi galardoado com o Premio Nacional del Cómic 2015 e mais recentemente, na 16ª Edición de los Premios de la Crítica, da revista Dolmen, com os prémios da, Melhor Obra e do Melhor Desenho Nacional e ainda do Melhor Argumentista. Em Itália, recebeu também o prémio do Melhor Autor no festival de Treviso.

Edição em capa dura e em formato ao baixo como na edição original espanhola.


A Casa é uma história de amor filial, uma emocionante homenagem de Paco Roca ao seu pai onde os sentimentos se misturam, dando lugar a uma ponte entre passado e presente.
A história, bem simples, mas contada com a mestria própria de um excelente narrador , conta-nos o regresso dos três irmãos à casa onde cresceram, mas que agora se encontra vazia devido à morte do pai. A Casa tem de ser vendida e em conjunto devem esvaziá-la mas, à medida que começam a fazê-lo encontram objectos que lhes trazem à memória recordações, pequenas situações cómicas, momentos vividos em conjunto com o pai.

A morte do pai e a necessidade de o recordar, homenagear ou até mesmo criticar é um tema já largamente divulgado pela literatura, tanto na clássica, com Kafka, ou em contemporâneos como Paul Auster e John Maxwell Coetzee, entre outros. Na banda desenhada vários são os autores que também o fizeram, entre eles, Altarriba & Kim em A Arte de Voar ou Jiro Taniguchi em O Diário do Meu Pai. Ambas as obras editadas pela Levoir em 2015 e galardoadas no Festival Amadora BD e na Comic Con.


Em entrevista ao jornal espanhol La Razón, no passado dia 1 de Setembro, Paco Roca afirmou: "Com a BD podemos contar tudo…É preciso ser um desenhador honesto antes de pensar nas vendas"…Gosto da memória como forma de procurar a minha própria identidade: como artista, com o "Inverno do Desenhador"; como sociedade, com 'Los surcos del azar'; e, como pessoa, escrevendo 'La casa".



Boas leituras





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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Animação: Are You Lost In The World Like Me?
(Música de Moby)



Cada vez mais somos seres a preto e branco num mundo colorido.
E quem é colorido torna-se cada vez mais num alien para a sociedade de consumo ocidental, ou seja, temos de encontrar lugar em subculturas ou pequenos nichos sociais em que a imaginação e valores Humanos ainda não morreram.

A digitalização da alma Humana está em curso. Fria.
Cada vez somos mais frios em relação a tudo subvertendo os valores que fizeram de nós poetas, pintores, escultores ou inventores. "Somos" capazes de estar a filmar com um telemóvel um Humano a ser espancado por vários bullies e "somos" incapazes de mexer um dedo para ajudar. Apenas registamos para colocar online e retirar-mos daí os imorais e frios Likes digitais.

Não tenho nada contra o avanço tecnológico, redes sociais digitais, ou aparelhos de comunicação avançados. Agora quando eles nos dominam, transformam e nos retorcem em seres vazios... sim tenho tudo contra. Tenho tudo contra, mas não contra o objecto em si. Tenho tudo contra a maneira como somos dirigidos por quem controla esses objectos e nos apresenta toda a panóplia de Ipods, Ipads, Tablets, Iphones, Smartphones como essencial, e imprescindível, para o nosso dia a dia para ao mesmo tempo nos controlar, manobrar e transformar num conjunto de seres não pensantes (mas que acham que pensam).


A adição é uma coisa terrível, e pelos vistos existe um verdadeiro mundo de tóxico-dependentes à escala planetária, em que um rebanho de ovelhas é capaz de ter mais iniciativa para resolver um problema que as afecte, do que esta manada humana que apenas chafurda num charco de informação completamente controlada.

Steve Cutts é um ilustrador/animador que já nos tinha habituado a pequenas curtas que chocam (a quem ainda tem um pouco de Humanidade dentro de si), como a sua animação "MAN", e agora usando a música de Moby "Are you lost in this World Like Me?" torna a fazê-lo, mostrando uma sociedade completamente fútil e inútil, controlada por um pequeno objecto que "nos liga" a todo o mundo (teoricamente).

Vejam e pensem. E tentem ser mais Humanos não ligando os dados do telemóvel só porque sim durante o dia todo. Talvez assim vejam que o mundo é colorido e consigam observar nuances da vida que não se encontram na pequena janela que vos controla completamente.
Esta é mais uma grande animação de Steve Cutts.




E esta ilustração não faz parte da animação, mas é também de Steve Cutts:



Tem tudo a ver, certo?
Não sejam escravos...

Boas leituras







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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Lançamento Arte de Autor: Druuna Vol.0
Anima - As Origens




Mais uma surpresa para este final de ano. Esta será a grande novidade desta jovem editora, Arte de Autor, para o festival Amadora BD.

Druuna a grande heroína de Serpieri irá conhecer assim uma nova vida, num livro sem balões ou narrador neste Anima!

Não esquecer que é BD para adultos!

Druuna foi publicada nos anos 80 em Portugal, mas a Meribérica ficou-se apenas pelos dois primeiros tomos, em edições bem fraquinhas, diga-se. Agora existe uma possibilidade bem real de a série ser toda publicada se este novo livro correr bem.

Fiquem com a nota de imprensa da editora Arte de Autor:




DRUUNA – TOMO 0
AS ORIGENS

Druuna está de regresso para desvendar as suas origens numa história sem palavras que dá pelo título de Anima. Vinte anos depois de lhe ter dado vida, e 13 anos após a publicação do último álbum, Serpieri regressa ao universo da sua famosa heroína, o qual é um misto de ficção científica e de heroic fantasy, povoado de estranhas criaturas, hostis ou amorosas.

Este tomo 0 é complementado com um caderno de 18 páginas que contem esboços e uma história curta de 7 páginas, inédita, a qual data de 1981.
Serpieri presenteia-nos pois, neste regresso de Druuna, com uma epopeia fantástica e sublime, onde os desenhos falam por si mesmos.

(Re)publicada em França pela Glénat tem 2015, esta nova edição de Druuna encontra-se já publicada em 10 países, incluindo a Noruega, a Grécia e a Coreia do Sul.

Argumento e Desenho: Paolo E. Serpieri
Edição: Cartonada
Número de páginas: 96
Impressão: Cor
Formato: 21x28,5 cm
Editor: Arte de Autor
ISBN: 978-989-99674-0-3
Data de Edição: Outubro de 2016
PVP: 16,50€


Paolo Eleuteri Serpieri
Nasceu em 1944, em Veneza. Começa a sua carreira profissional como pintor em 1966, antes de se virar para a banda desenhada, o que acontece em 1975. Grande apaixonado por Westerns, co-escreve L'Histoire du Far-West, série sobre o oeste americano com argumento de Raffaele Ambrosio, a qual é publicada em França pelas edições Larousse.

A partir de 1980 trabalha para diferentes projectos, tais como Découvrir la Bible, também para a Larousse, e numa série de histórias curtas para diferentes revistas.
Em 1985 cria a série “Druuna”, a qual é constituída por 8 volumes publicados originalmente entre 1985 e 2003.

Esta série conheceu, aquando da sua publicação inicial, um grande sucesso, tendo sido traduzida em 20 línguas e com vendas que ultrapassaram o milhão de exemplares.
Serpieri trabalhou igualmente no design do jogo de vídeo Druuna : Morbus Gravis, baseado na sua famosa heroína.


Boas leituras





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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Os Exércitos do Conquistador



Os Exércitos do Conquistador, de Jean-Claude Gal (Diosamante)e Jean-Pierre Dionnet (Exterminador 17) foi o último livro (Vol.15) da colecção Novela Gráfica da Levoir.

Dionnet é conhecido em Portugal pelo livro que fez em conjunto com Enki Bilal, Exterminador 17. Este livro foi publicado por cá pela Meribérica em 1989, e posteriormente pela ASA em 2005.
Começou a trabalhar no mercado de BD Franco-Belga na revista Pilote em 1971 como escritor de BD. Basicamente não o considero um bom argumentista de BD, embora tenha feito muitas histórias curtas nos anos 70 para "monstros" como Philippe Druillet, Jacques Tardi ou o nosso desenhador deste livro, Jean-Claude Gal.
Para mim a sua principal herança foi a criação da Métal Hurlant Magazine (revista Heavy Metal) em 1975, com Moebius, Druillet e Farkas, sendo o editor chefe até 1985.

Jean-Claude Gal é um artista daqueles... daqueles que é impossível ignorar. Cada vinheta, cada página é um encanto visual!
Foi professor de desenho durante toda a sua carreira como desenhador de BD, e começou esta actividade na revista Pilote nos anos 70 com pequenas histórias.
Esteve presente logo no primeiro número da revista Métal Hurlant exactamente com uma das histórias curtas que compõem Os Exércitos do Conquistador, com argumento de Dionnet. Estas histórias curtas de Os Exércitos do Conquistador viriam a ser compiladas em 1977 num livro.

O seu primeiro trabalho de grande fôlego surgiu já nos anos 80 com o título L'Aigle de Rome, mas foi a saga de Arn (compilada neste livro da Levoir) que lhe deu mais notoriedade. Posteriormente trabalhou com Jodorowsky no primeiro volume de Diosamante, editado pela ASA em 2003, mas que infelizmente deixou a saga aí devido ao seu precoce falecimento em 1994.
Pelo meio da sua carreira houve uma aproximação de Bill Mantlo para o trazer para o mercado dos comics norte-americanos, mas essa hipótese foi gorada pelo tempo que Gal demorava a construir as suas ilustrações super minuciosas.

Este livro que a Levoir publicou nesta sua segunda colecção de novelas gráficas vale sobretudo pelo trabalho de Gal. Como disse atrás não considero Dionnet mediano sequer como argumentista, mas sempre se soube rodear pela nata artística da época que ia desenhando histórias suas, este foi mais um caso.

Os Exércitos do Conquistador que a Levoir nos trouxe compõe-se de várias histórias curtas sob esse nome, assentando sobre o tema da fantasia-heróica, tentando sempre um final enigmático de contornos sinistros, e inesperados para o leitor.
A saga de Arn preenche o restante livro, que termina com a história curta de Bill Mantlo, A Catedral, que segue o mesmo padrão das curtas de Os Exércitos do Conquistador.

A primeira parte fala-nos de episódios passados com o exército do um poderoso conquistador, e em que esses exércitos tinham a fama de serem imparáveis actuando em vagas cíclicas. São as tais histórias com tentativas de final "à la Twilight Zone" por parte de Dionnet.
Algumas até são interessantes, mas o deslumbre vem como sempre por parte de Gal. A minúcia e o detalhe são soberbos, e estamos a falar de uma época em que não havia ajuda de computadores para o desenho. Peço que atentem bem nos detalhes de coisas tão simples como o elmo de um soldado... podem passar uma hora a absorver detalhes de uma única página!

Estas histórias têm como protagonistas simples soldados ou destacamentos do poderoso e imparável exército, formando no seu todo um quadro de um mundo imaginário preparativo para a saga de Arn que vem logo a seguir, quase parecendo que estamos no mesmo espaço, embora a saga de Arn seja posterior a estas pequenas histórias em alguns anos.

De seguida temos Arn, uma épica e fantástica história de fantasia-heróica. Este um trabalho mais longo de Gal e Dionnet. E como trabalho mais longo, logo surgem alguns plot holes por parte de Dionnet, mas sinceramente alguém liga a isso quando olha para aquelas páginas?

Gal tem em Arn uma obra-prima emblemática de todo um tema que encanta gerações. Do soberbo detalhe já falamos atrás, mas em Arn os layouts são brutais, Grandes painéis fraturados, painéis com pequenas vinhetas a promover o movimento, páginas inteiras, páginas duplas, usando um movimento rápido mas curto nas suas pranchas para de seguida nos fazer parar numa spread page brutal, tipo a da caverna, faz com que o leitor quase sinta as emoções de Arn e esteja ali com ele, e sim, Arn fala pouco (obrigado Dionnet), mas o desenho de Gal transmite tudo o que Arn pensa e sente sem necessidade de balões.

Bom, estou farto de me babar neste post... Arn é basicamente uma história de vingança, da criança de sangue real vendida como escrava e que quer recuperar o que é seu por direito.


O Leituras de BD recomenda muito este livro. Toda a gente deveria conhecer a arte Jean-Claude Gal, sobretudo neste modernos onde a "arte flat" é a rainha da BD.
Já gora, este livro da Levoir preza a arte de Gal, mostrando este seu trabalho na forma original, ou seja, a preto e branco. Felizmente foi publicado assim, e não na versão posterior colorida.




Boas leituras





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