sábado, 25 de abril de 2015

Lançamento Goody: Hiper-Disney #29


Já está nas bancas mais um Hiper-Disney. Definitivamente a Goody está a apostar no Superpato! :)

Como informação suplementar, a Goody informa antecipadamente que o Disney BIG #8 vai sair um dia depois da data que tinha sido avançada logo no princípio do mês, este facto deve-se a um pequeno atraso na gráfica. Assim o BIG não sai no dia 28, mas sim no dia 29 de Abril.

Fiquem com a informação da editora relativamente a esta publicação:

Hiper #29 nas bancas!!!

Esta Hiper vale uma fortuna! O Tio Patinhas nem parece estar incomodado com a presença dos Metralha, tal é a qualidade desta edição! E é justamente com o tio mais avarento de Patópolis que começamos esta viagem épica pelos quadradinhos mais divertidos de Portugal! O Tio Patinhas parece estar lançado para mais um negócio espectacular, mas acaba por ser vítima de uma grande trapaça! Ou será que a história não acaba por aí??? Bem, o melhor é leres Tio Patinhas e o colossal embuste para saberes mais!

E em Anderville o ambiente continua pesado… O Mickey prossegue a sua senda na investigação e deslinda os mais difíceis casos, mas os obstáculos são mais que muitos. Desta feita, é montada uma… Ratoeira!!! Não percas Mousetrap, que te vai deixar agarrado até à última página!

Mas não é só o rato detective que está em perigo… Há um certo pato com várias identidades que vai defrontar um difícil adversário. Falamos do Superpato, claro! O Donald enfrenta um novo némesis, que tem a peculiaridade de se deslocar no tempo… Avizinha-se uma missão muito difícil para o nosso herói, em Quando sopra o vento do tempo. Força, Superpato!!!

Para os mais saudosistas temos um novo episódio do Mickey com o incrível Atomino Bip Bip! Desta feita, o pequenino companheiro do Mickey inventa uma máquina incrível que consegue suspender a gravidade de qualquer objecto. O problema é que essa genial invenção pode cair nas mãos erradas… É preciso muito cuidado em Mickey e o Bip Bip-15!

Estas e muitas outras histórias na tua Hiper! Porque com a Hiper, a banda desenhada é ao quadrado!





ÍNDICE

07 TIO PATINHAS e o colossal embuste
50 MOUSETRAP
115 O FURO
123 AS HISTÓRIAS DA BAÍA – Ameaça do fundo
151 QUANDO SOPRA O VENTO DO TEMPO
211 CORRIDA SIMPLES
219 MICKEY e o Bip Bip-15
282 PATOLFO – O pato mais estranho do mundo
305 MICKEY E PATETA – Táxi espacial
313 LUCKY E O SALVAMENTO HERÓICO































Boas leituras

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Bizarrices: Hellcow (Bessie)


Ora vamos lá a descobrir mais um tesourinho da Marvel... :D
Quem diria que a Marvel tinha criado a Hellcow, uma vaca vampírica, inimiga do Howard the Duck e aliada do Deadpool? Ãh?

Pois foi... foi em 1975 no Giant-Size Man-Thing #5 que a nossa vaquinha apareceu pela primeira vez! Bom, mas antes que alguém venha dizer que não, que não foi em 1975, mas sim em 1951 na revista Strange Tales #21... eu digo que será meia verdade, pois se já era estranho a Marvel criar uma personagem tipo vaca vampírica ainda se torna mais estranho terem sido pouco originais e irem buscar uma ideia a 1951... Isto é mesmo uma strange tale! :D

Bom, esta nossa vaquinha tem uma identidade secreta... ninguém sabe mas ela é a Bessie! Como poderes ela consegue drenar os sangue das suas vítimas com as suas presas, a sua capa transforma-se em asas para poder voar e ainda se consegue transformar num nevoeiro místico, além de super-força vampírica. A imagem de marca é a sua célebre gargalhada maléfica "hahahamooo"! :D
Foi transformada em vampiro pelo próprio Drácula e como tal tem as mesma fraquezas: luz do Sol, alho, água benta e pode morrer como uma estaca no coração.

Foi criada para o Giant-Size Man-Thing #5 por Steve Gerber (argumento) e Frank Brunner (desenho), ou se preferirem por Joe Maneely para Strange Tales #21. A seguinte aparição desta estranha personagem remonta a 2011 na revista Deadpool Team-Up #885. E não pensem que não é uma personagem importante no Universo Marvel! Como podem ver na imagem, ela figura ao lado dos outras personagens vampiras da Marvel (lol).

Apesar de ter nascido em 1675, é nos nossos dia que a vaca conhece o seu principal inimigo: Howard the Duck! Este investigava uma série de crimes relacionados com a morte de agricultores, que em primeira análise achou que tinham sido galinhas a perpetrar os homicídios... no final lá descobriu que tinha sido a adorável Bessie a matou-a com uma estaca no coração. Como não lhe cortou a cabeça a vaquinha ficou só em morte aparente! O Dr Kildare retira a estaca e prende a Hellcow!

Porquê? Porque quer extrair o seu leite vampírico que ele achava que podia curar a tuberculose e dar a vida eterna! E é aqui que a Bessie conhece Deadpool. O Dr Kildare rapta Deapool para lhe retirar a Hipófise e o doido conhece a vaca nas jaulas deste vilão sem escrúpulos. Tornam-se aliados e Bessie transforma por instantes o Deadpool em vampiro, tornando possível a fuga.

História muito epicamente fofa da Marvel, hã? 
:D

Strange Tales #21
Strange Tales #21


























Giant-Size Man-Thing #5
Giant-Size Man-Thing #5


























Giant-Size Man-Thing #5
Giant-Size Man-Thing #5


























Deadpool Team-Up #885
Deadpool Team-Up #885


























Deadpool Team-Up #885
Deadpool Team-Up #885


























Boas leituras

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Capas Imaginárias: Capitão Falcão #1 & Capitão Falcão #3



Capas que um dia teriam sido possíveis se o Capitão Falcão tivesse sido publicado em banda desenhada nos anos 60 em Portugal! A primeira tem como autor Henryk Valadas e a "capa" seguinte foi retirada do blogue de cinema Cine 31 (desconheço o nome do desenhador).

Mais abaixo têm dois trailers do filme que estreia hoje, e ainda mais abaixo um magnífico poster da Carla Rodrigues, e mais abaixo uma comparação entre uma imagem oficial do filme em comparação com a capa do Batman #9 que consagra o gosto pela BD de João Leitão, o mentor deste projecto.

Este filme, que como disse atrás estreia hoje dia 23 de Abril de 2015,conta com a participação de Gonçalo Waddington, David Chan, José Pinto, Rui Mendes, Miguel Guilherme, Bruno Nogueira, Nuno Lopes e Ricardo Carriço, entre outros.

Capitão Falcão tem tudo para se tornar imediatamente num filme de culto. Inicialmente João leitão pensou numa série de TV, mas nenhuma estação televisiva apostou na série, apesar do bom piloto que foi feito. Mas se a televisão não quis, então o cinema era uma opção!

Este filme reflecte o gosto de João Leitão pela banda desenhada, aliás uma das coisas que ele nunca entendeu foi o porquê de Portugal não ter tido nenhum super-herói na BD! Assim nasce o Capitão Falcão, acérrimo defensor do Estado Novo e de Salazar. Odeia comunistas, feministas e figuras afins! Bom chefe de família e defensor dos bons costumes, luta contra a ameaça dos Capitães de Abril (que são os Power Rangers chapados, lol) e de tudo o que seja contra o regime fascista.

Claro que o filme é a ridicularizar o regime fascista que Portugal teve durante quase 50 anos. Amigos esquerdistas... não, não é um filme a fazer a apologia do fascismo -_- , amigos direitistas, não, não é para levar a sério, e não é uma prece ao "antigamente é que era bom" -_-
É apenas um filme de super-heróis! :D

Quem puder ir à estreia, aproveite. Eu não posso, mas faço figas para ser um sucesso estrondoso para haver um 2º filme! E já agora por falar nisto... espero pelo final porque teremos um pós-créditos à la Marvel!
Divirtam-se! (Muito)
:D
















Boas leituras

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Máquina do Tempo: Crise nas Infinitas Terras - No começo eram muitas



Foi a primeira grande saga dos comics, Crise nas Infinitas Terras tinha como intento comemorar os 50 anos da DC e ao mesmo tempo resolver os problemas de cronologia e continuidade que assolavam a companhia. Estreou em Abril de 1985 e se prolongou por 12 edições, fora as edições mensais que estavam ligadas de forma directa ou indirecta, acabando a Março de 1986 e dando origem a um novo Universo DC.

Vou começar um texto com um aparte pessoal, eu era um "marvete" nos anos 80, já tinha lido aqui e ali edições da distinta concorrência e apesar de gostar de algumas histórias do Batman e da Liga da Justiça, eram as do Homem-Aranha, Vingadores, Homem de Ferro, Punho de Ferro, Mestre do Kung-fu e afins que mereciam a minha preferência. Mas um dia deram para a minha mão um Superamigos, o número 24, e fiquei completamente vidrado com aquilo que acontecia naquelas páginas, aquela saga onde heróis estavam a lutar contra um inimigo tão poderoso que os conseguia matar era demais para o meu coração jovem. Comecei assim a seguir com mais atenção as revistas da DC e por isso tenho sempre um carinho muito especial por esta saga.

Painel antes de Crisis
Esta pequena explicação serve ao mesmo tempo para mostrar o porquê da criação desta maxi-série, a cronologia da DC era um pouco confusa e afastava alguns novos leitores, com as várias versões dos mesmos heróis vivendo em várias terras diferentes. Vendo a concorrente Marvel a ganhar cada vez mais espaço no mercado, não foi por isso de estranhar que quem estivesse no poder da DC, achasse que era altura de grandes mudanças, e que melhor altura para isso do que no 50º aniversário da companhia?

Tanto a presidente Jennete Khan como os vice presidentes Dick Giordano e Paul Levitz. percebiam a importância e a necessidade de acontecer algo do género, Nas reuniões efectuadas escolheram a equipa criativa que ficaria à frente do evento, assim como ficaria definido que heróis poderiam morrer e quais sofreriam mudanças no final disto tudo. O escritor Marv Wolfman e o artista George Pérez, responsáveis pela revista dos Novos Titãs que vinha tendo muito sucesso, foram os escolhidos pelos responsáveis da DC, com o veterano Len Wein como editor da série. Giordano seria responsável pela arte-final, mas devido às suas outras funções a dada altura isso passou para Jerry Ordway.

Como sagas envolvendo todo um universo era algo de novo, os editores tiveram a difícil tarefa de fazer com que os escritores das várias revistas respeitassem o que ia acontecer. Num memorando enviado para todos, foi pedido para que usassem pelo menos duas vezes num ano a personagem do Monitor, o mesmo não deveria aparecer mas ser mencionado e representado de alguma forma. Maior parte dos autores optaram por aparições sombrias e dando a ideia de que aquela personagem seria um vilão, quer pelo texto quer pela forma como ele (não) era retratado.

Revistas como All Star Squadron, New Teen Titans, Firestorm e tantos outros seguiram isso à letra, muitas vezes mostrando vilões que pelos vistos recebiam as suas armas desse misterioso monitor. Foi essa a forma encontrada pelos autores e logicamente seguindo a ideia que já estava delineada por Wolfman. O autor foi a escolha certa para esta empreitada, ele era um ávido crítico dos problemas criados pelo Multiverso da DC, recordando que aquilo que havia começado como um sonho (a história Flash of Two Worlds), tinha se tornado um pesadelo por causa de escritores que usaram e abusaram desse conceito.

A história que mostrou o encontro entre os dois Flashs, e cimentou o conhecimento de existirem duas terras com os seus respectivos heróis, foi aquilo que despoletou o conceito do multiverso. Começaram a aparecer cada vez mais terras, a própria companhia incentivava isso, colocando heróis que tinha comprado de outras editoras em terras próprias, que por vezes se cruzavam com os da terra principal.

Para a história de Crisis, Wolfman usou conceitos que tinha de uma personagem que tinha idealizado há muitos anos, que colectava informação sobre todos os heróis e que se chamava o Bibliotecário, Mudando o nome para Monitor, mas mantendo algumas das características, estava assim encontrado aquele que viria a ser um dos principais rostos do que viria por aí.


Nascido na lua de OA, o Monitor apareceu logo após o big bang despoletado pela ânsia de conhecimento do alien Krona, que fez inadvertidamente com que fosse criado um universo positivo, e outro para contra balançar, um universo de anti-matéria que tinha um mundo quase igual a OA, chamado Qward, e na lua desse planeta nasceu o Anti-Monitor, o grande vilão que vinha assim balançar o poder do universo.

Os dois "irmãos" iram "acordar" quando o cientista Kell Mossa tenta testemunhar a criação do universo, fechando-se numa sala de anti-matéria rejeitando de forma arrogante os apelos de todos que o rodeavam e avisaram dos perigos que isso podia causar. Mossa aparentemente ajuda a que o Anti-Monitor comece a sua missão de destruir os diversos universos, lançando uma nuvem de anti-matéria que começou por destruir o próprio mundo do cientista, que é salvo pelo enigmático Monitor.

Ficando com o nome de Pária, ele é forçado a teleportar-se de mundo para mundo, de dimensão para dimensão, assistindo sem hipótese de fazer algo contra isso à destruição desses universos. Foi assim que o começamos a ver, sempre a chorar por ser o causador daquilo tudo mas que não podia fazer nada para o impedir, Encontramos universos conhecidos, como o que continha a versão maligna da Liga da Justiça, e víamos estes desaparecerem sem se perceber o porquê. Na terra três vemos ser salvo o Alexander Luthor, ainda um bebé e que é colocado dentro de um foguete (ah a ironia), que mais tarde viria a revelar-se um dos elementos mais importantes da história.

Por outro lado, começava-se a ver mais do monitor e da sua ajudante, a Harbinger (Precursora) que tinha alguns poderes (voava e podia multiplicar-se) e ajudou o monitor a colocar o seu plano em prática e a juntar diversos heróis de diversas terras no seu satélite. Foi com essa imagem icónica, como só Perez poderia retratar, que começou a sério a aventura que nos iria apaixonar a todos.

Arion, Blue Beetle, Cyborg, Dawnstar, Doctor Polaris Firebrand, Firestorm, Geo-Force, Green Lantern (John Stewart), Killer Frost, Obsidian, Psimon, Psycho-Pirate, Solovar e Superman (Earth-Two) apareciam assim juntos no mesmo espaço. Heróis e vilões de diversas terras, uns nem se conheciam, outros já se tinham cruzado, e todos com alguma importância para o que viria acontecer.

Mas isso fica para a segunda parte destes artigos a comemorar o aniversário deste mega evento.









Para quem gostar de viagens ao passado pode sempre visitar o meu outro blog, Ainda sou do tempo.

Capas: Wonder Woman #38



Poderosa capa de David Finch para a série Wonder Woman!
Para quem não sabe, a série mudou de dupla criativa no número 35. David Finch (desenho) e Meredith Finch (argumento) substituíram respectivamente Cliff Chiang e Brian Azzarello que comandavam desde há 3 anos os destina da Mulher Maravilha.

A Wonder Woman incarna nesta capa o Deus da Guerra, e caramba, acho que lhe vestiu mesmo a pele nesta capa de David Finch.
Infelizmente parece que este novo take da personagem pelo casal Finch está a ser fraquito, segundo algumas críticas que li. Apesar de Azzarello e Chiang terem pegado na Wonder Woman de uma maneira pouco normal conseguiram 35 números com uma qualidade acima da média, embora tenha havido "baixos" houve muitos "altos".

E não, não gosto de ver uma Wonder Woman desenhada com uma expressão adolescente... ela é uma mulher, e forte!
Já gora nesta revista dá-se o acontecimento porque muitos esparavam, o retorno de uma personagem que desapareceu com os Novos 52. Adivinham quem?




Boas leituras

terça-feira, 21 de abril de 2015

Uma ideia chamada Grendel



Os anos 80 permitiram a muitos autores norte-americanos de banda desenhada montarem uma carreira onde podiam explorar as suas próprias ideias. Uma das editoras receptiva a este género de artistas era a Comico, que pegou num jovem da Pensilvânia chamado Matt Wagner. A primeira série desenvolvida para a editora foi Grendel, que combinava o gosto de Wagner por crime noir pelo seu interesse no romance Grendel, de John Gardner, que contava o épico de Beowulf, mas da perspectiva do monstro.

Grendel pode ter começado como a história de um criminoso culturalmente sofisticado, mas com o passar dos anos a história evoluiu, adoptando roupagens de ficção científica e de terror, onde Wagner, mais tarde apenas como escritor, viria a misturar vampiros, samurais, ciborgues, incesto e uma guerra entre estado, corporações e religião. Para todos os efeitos, Grendel começou em 1982 com a primeira história que introduziu o assassino Hunter Rose, e terminou em 2000 com o livro ilustrado Past Prime, com o ciborgue Grendel-Prime, mais de 500 anos depois de Hunter Rose ter vivido. No entanto, o tema continua a ser revisitado, viajando entre o passado e o futuro.

Basicamente, a história de Grendel divide-se em quatro partes, que são correspondentes às quatro edições Omnibus que a Dark Horse Comics lançou entre 2012 e 2013.

Fase 1: Hunter Rose


Hunter Rose é o mais famoso de todos os que usaram o nome Grendel e, estranhamente, durante muitos anos, foi o que teve menos histórias. Rose começou numa antologia dedicada ao lançamento de novas propriedades (Grendel surgiu no nº 2 da revista Primer; The Maxx, de Sam Kieth, teve a sua origem no nº 5) e daí saltou para a sua revista a preto e branco, que foi cancelada após três números, devido às dificuldades financeiras da Comico. A pequena editora tentou entrar nas bancas e nas livrarias, mas, sem meios, acabou por necessitar de um novo proprietário.

Matt Wagner aproveitou para reorganizar a história e, quando a Comico regressou, desta vez com revistas a cores, em vez de relançar Grendel, resolveu contar uma graphic novel curta em capítulos, como história extra do seu outro título, Mage, que se apropriava da história do Rei Artur num ambiente urbano. Intitulada “Devil by the Deed”, foi republicada como uma edição especial em 1986, e contava sob a forma de documentário a curta mas intensa história de Hunter Rose, que morreu aos 20 anos, em combate com o lobisomem Argent, depois de ter-se simultaneamente tornado um famoso escritor policial e tomado conta do submundo do crime no espaço de dois anos.

Embora o falecido Hunter Rose continuasse a ser a peça motriz das primeiras 19 edições da futura revista de Grendel, Matt Wagner apenas voltou a pegar na personagem em 1998 e em 2002, com as mini-séries antológicas “Red, White and Black” e “Black, White and Red”. Wagner trabalhou com diversos artistas nas várias histórias, que preencheram com pormenores a história do primeiro Grendel.

Fase 2: A neta de Grendel

A primeira edição de Grendel não tinha a personagem principal na capa nem na história. Pelo menos, não directamente. Em vez disso, a história era contada do ponto de vista da jornalista Christine Spar, filha biológica de Stacy Palumbo, menina adoptada por Hunter Rose depois de Grendel ter assassinado o seu pai. Spar era jornalista e ganhou fama ao escrever o livro com a história de Grendel. Aqui, Wagner passou a concentrar-se na escrita, deixando a arte para os irmãos Jacob e Arnold Pander.

Christine vê-se forçada a usar a máscara e a arma de Grendel (uma forquilha eléctrica) para investigar o rapto e morte do seu filho Anson pelo vampiro Tujiro XIV, levando a um inevitável confronto mortal com o lobisomem Argent, depois de Christine se transfigurar completamente em Grendel. Apesar de se passar num futuro próximo na primeira metade do século XXI, Wagner não tem problemas em usar elementos sobrenaturais em detrimento da ficção científica, como lobisomens, vampiros ou possessão demoníaca.

A história continua brevemente com Brian Li Sung, namorado de Christine, que não se adapta ao novo papel como Grendel e o vê ser morto num confronto directo com o capitão da polícia de Nova York, Albert Wiggins. Volvidos quinze números, e por sugestão do artista Bernie Mireault, Wagner começou a explorar a ideia de Grendel poder possuir mais do que uma pessoa ao mesmo tempo. Os primeiros passos são dados numa série de quatro números em que Wagner volta a desenhar, em que Wiggins se torna famoso como autor de uma série de livros de ficção com Hunter Rose, garantindo assim a propagação de Grendel. Com o passar do tempo, Wiggins começa a enlouquecer e também conhece um fim trágico.

Fase 3: Da incubação a Grendel-Khan


Durante as próximas edições, Grendel parece estar adormecido. Com a morte de Wiggins, Matt Wagner leva a história a passos largos para o futuro, com as corporações a tomarem conta da América do Norte e consequente desagregação do tecido social. Através das histórias de Grendel contados por Wiggins e a sua transformação em programação televisiva subliminal, o nome passa a estar associado ao elemento criminoso, com os membros das gangues mais organizadas a chamarem-se Grendels a si próprios.

Mas a Igreja Católica estabelece-se na América e associa a figura de Grendel ao diabo, tornando-os uma só pessoa. A antiga organização religiosa reinventa-se completamente no novo território, associando imagens de Elvis Presley à sua galeria de santos, e instituindo uma nova Inquisição, depois de se fundir com a COP, a polícia corporativa. As actividades da igreja atraem a atenção de duas pessoas, um auditor chamado Orion Assante, que pertence a uma das famílias da aristocracia norte-americana, e Eppy Thatcher, um génio maníaco que torna-se a primeira pessoa em mais de 500 anos a usar a máscara de Grendel. As revelações sobre o papa Inocente XVII como sendo, na verdade, o vampiro Tujiro e o plano da igreja para tentar destruir o Sol podem fazer Thatcher parecer um herói, mas na verdade ele é um anarquista movido por vingança e paranóia.

As acções de Thatcher e as maquinações da igreja motivam Assante a envolver-se numa demanda político-militar. A sociedade americana entra em colapso devido à multiplicação desenfreada de vampiros (Pellon Cross, o novo líder depois da morte de Tujiro, morde pessoas constantemente) e à destruição do aparelho social da igreja. Entretanto, Orion estava ocupado a conquistar novos territórios, na América do Sul e na África, e usa a arma de Tujiro para devastar o Japão, assegurando que o espírito de Grendel conquista a Terra.

Fase 4: Grendel-Prime

A fase seguinte para todos os efeitos termina a saga de Grendel, mas com Matt Wagner a conseguir levar a propriedade da semi-falida Comico para a Dark Horse. Depois de ter dado à luz o seu filho num útero artificial, Orion Assante, agora o Grendel-Khan, morre deixando a regência nas mãos da segunda mulher, a autocrata Laurel Kennedy. No entanto, o tecido social volta a romper-se nos vários continentes e, antevendo a quebra da sociedade, Assante tinha dado ordem a um Grendel, um ciborgue conhecido como Grendel-Prime, para raptar e esconder o seu filho, Jupiter.

Crescendo até à idade adulta, Jupiter não teve dificuldades em assumir o comando no cada vez mais desordenado império americano, mas também ele viria a sucumbir a um assassinato anos mais tarde. A forma de Grendel já dominava o mundo, contaminando a ordem social como uma força paramilitar inspirada em samurais, mas não parece haver mais espaço de manobra para crescer. A sociedade do século XXVIII parece ser uma mistura de barbarismo e tecnologia avançada, num conflito entre os resultados desta e a natureza.

A história continua noutros formatos, na novela ilustrada Past Prime, onde Susan Verhagen, ex-amante de Crystal Kennedy, filha de Laurel e aliada de Jupiter, procura encontrar o desaparecido Grendel-Prime depois de ter caído em desgraça. Na história “Devil Quest”, incluída numa das séries de Grendel Tales, é o neto de Jupiter que vai à procura do ciborgue. Mas já não havia mais nada a explorar neste período. Então, Matt Wagner virou-se novamente para o passado, editando novas histórias com Hunter Rose.

Mundos parelelos: Batman e contos de Grendel



Fora da revista normal, foram publicadas muitas outras histórias de Grendel. As mais interessantes e de melhor qualidade são os dois crossovers com Batman, o primeiro com uma visita de Hunter Rose a Gotham City e o segundo com Grendel-Prime a viajar para o passado para encontrar a caveira de Rose.

Matt Wagner também explorou alguns mundos paralelos, nomeadamente uma mini-série com a origem do lobisomem Argent, intitulada Silverback. Pouco antes do fecho da Comico, Wagner tinha planeado iniciar uma série antológica chamada Grendel Tales, para contar histórias dos vários clãs de Grendels que infestavam o ambiente urbano da América futura, da autoria de outros escritores e artistas. Foram publicadas oito mini-séries, onde trabalharam nomes como James Robinson, Paul Grist, Darko Macan ou Steve Lieber.

Mais recentemente, Wagner regressou mais uma vez a Hunter Rose, para um crossover nos anos 30 com o Sombra, via viagem no tempo, e publicado pela Dynamite Entertainment em 2014.










segunda-feira, 20 de abril de 2015

2ª Mostra do Clube Tex Portugal



O Museu do Vinho Bairrada situado em Anadia vai ser palco da 2ª Mostra do Clube Tex Portugal. Estarão presentes dois autores que trabalham nesta personagem, o que eu considero uma grande vitória para este Clube Tex, na pessoa do seu infatigável mentor: José Carlos Francisco. Os autores são Stefano Biglia e Pasquale Frisenda.

Passemos então ao programa:

PROGRAMA OFICIAL da 2ª Mostra do Clube Tex Portugal

Data: 9 de Maio (sábado) e 10 de Maio (Domingo)

Horário: 11h00 – 19h00 horas

Local: Museu do Vinho Bairrada – ANADIA

Entrada: GRATUITA (com direito a entrada gratuita na Exposição Permanente, designada por Percursos do Vinho e exposta ao longo de seis salas temáticas, com peças de valor arqueológico, etnográfico e técnico, reunidas com a colaboração de diversos vitivinicultores, entidades locais e nacionais. Entrada gratuita também para outras duas exposições temporárias relacionadas com a fotografia:
“A arte da tanoaria – os últimos”, de José Fangueiro
"Bairrada, a musa do espumante”, de Pedro Nóbrega

Tema: Esta segunda Mostra do Clube Tex Portugal tem como ponto alto a presença de dois dos mais consagrados desenhadores italianos de banda desenhada: Pasquale Frisenda e Stefano Biglia que vêm expor trabalhos de sua autoria relacionados a Tex:

Stefano Biglia e Bad Hand - Uma dezena de pranchas do autor, selecionados pelo próprio, pretendem dar, aos visitantes da 2ª Mostra do Clube Tex Portugal, uma visão geral acerca da colaboração mais recente deste consagrado desenhador italiano para com a Sergio Bonelli Editore. Poderemos assim ver expostas, em antestreia mundial, pranchas da história (Bad Hand é o seu título provisório) ainda em produção e com lançamento previsto apenas para o Verão de 2016.

Pasquale Frisenda e o Tex Gigante “Patagónia” – Uma dezena de pranchas do autor, selecionados também pelo próprio, pretendem dar a conhecer, aos visitantes, no seu formato original, algumas da mais belas páginas de uma das mais épicas histórias de Tex e que complementam o lançamento desta obra em Portugal: Patagónia, através do selo da Polvo Editora.






Programa Oficial
Sábado, 9 de Maio

14:30 horas – Inauguração Oficial da 2ª Mostra do Clube Tex Portugal (Auditório).
15:00 horas – Visita guiada por Pasquale Frisenda e Stefano Biglia às suas Exposições.
16:00 / 17:00 horas – Sessão de autógrafos com Pasquale Frisenda e Stefano Biglia.
17:00 / 18:00 horas – Conferência Tex em Portugal, no Brasil e na Itália, com a participação de Pasquale Frisenda, Stefano Biglia, Dorival Vitor Lopes e Carlos Moreira, sob a moderação de Pedro Cleto (Auditório)
18:15 / 19:00 horas – Desenho ao vivo com Pasquale Frisenda e Stefano Biglia
20:00 horas – Jantar/Tertúlia com a participação de Pasquale Frisenda e Stefano Biglia (Restaurante “Nova Casa dos Leitões”)





Domingo, 10 de Maio

11:00 / 12:00 horas – Aula desenho Tex com Pasquale Frisenda e Stefano Biglia. A partir dos 12 anos. Inscrições livres.
12:00 / 12:30 horas – Sessão de autógrafos com Pasquale Frisenda e Stefano Biglia
14:30 / 15:00 horas – Workshop com Pasquale Frisenda e Stefano Biglia, moderado por João Miguel Lameiras (Auditório)
15:15 / 16:00 horas – Desenho ao vivo com Pasquale Frisenda e Stefano Biglia.
16:00 / 16:30 horas – Sessão de autógrafos com Pasquale Frisenda e Stefano Biglia
16:45 / 18:00 horas – Sessão Cinema e BD: Como Tex ninguém jamais (no original: Come Tex nessuno mai), documentário (legendado em português) de Giancarlo Soldi. Com Sergio Bonelli. (Auditório)
18:00 / 18:30 horas – Sessão de autógrafos com Stefano Biglia.
18:30 horas – Festa de Encerramento.

Pasquale Frisenda
A ambição em seguir uma carreira como desenhador de banda desenhada esteve sempre presente, mas os passos dados para concretizar este desejo foram por vezes incertos e até casuais. As palavras são do próprio Pasquale Frisenda, milanês de 1970, e são reveladoras de um autor que chega à banda desenhada muito por vocação, mas também guiado pelo destino. E quis este que Frisenda frequentasse um curso de banda desenhada e ilustração de Castelo Sforzesco em Milão. Uma experiência que lhe permitiu contactar com outros nomes do meio e trocar experiências. Graças ao contacto mantido com o Studio Comix de Carlo Ambrosini e Giampiero Casertano, Frisenda começa a colaborar com a revista Cyborg e o seu primeiro trabalho é Tenebra, história que vai desenhar com texto de Michele Masiero. 

O grande salto chega com a entrada na equipa de desenhadores de Ken Parker, chegando à Sergio Bonelli Editore quando esta série é adquirida pela editora. Aqui desenhará Mágico Vento, estreando-se com a aventura La Bestia, escrita por Gianfranco Manfredi e a partir do número 32 vai herdar a composição das capas das mãos de Andrea Venturi, desenhando-as até ao número 75 da série. Depois de expressar a Sergio Bonelli a sua vontade em mudar de registo e de personagem, desejando confrontar-se com outras atmosferas, Frisenda é convidado a desenhar um Tex Gigante, uma ocasião que, apesar de não permitir mudar de género, surgirá como uma oportunidade única e irrecusável para o autor, desenhando a aclamada aventura Patagonia, com argumento de Mauro Boselli. Desenha ainda uma curta aventura para Dylan Dog e passa para a série regular de Tex com a aventura Il Segreto del Giudice Bean, uma vez mais com argumento de Boselli,

Na banda desenhada Frisenda parece ter o western como constante na sua carreira. Apesar de tudo, Ken Parker, Mágico Vento e Tex são séries com variantes diferentes, mas curiosamente Frisenda não se considera como um desenhador do género ou como um autor capaz de representar o velho Oeste na sua real dimensão ou com a sua verdadeira capacidade. Frisenda considera-se mais um emotivo, um autor que ama o western, toda a sua atmosfera e todas as suas características, factos que o ajudam no seu trabalho.
Mas Tex é o herói por excelência, um monstro sagrado que acompanha Frisenda desde sempre. Quando começou a desenhar Tex em Patagonia, a maior dificuldade para Frisenda veio com a gestão da narração muito própria das aventuras do ranger, aspecto que vai sendo moldado com a ajuda fundamental de Boselli, mas sobretudo com o próprio carácter de Frisenda, desenhador capaz de se documentar tanto ou mais que um argumentista. Tendo encontrado o ritmo certo, Frisenda considera que Patagonia acaba por reflectir a visão que o desenhador tem da personagem, a excelência narrativa de Boselli e a paixão que Sergio Bonelli colocava no seu trabalho, como também se constata ao descortinar as páginas expostas neste evento de Anadia.

Stefano Biglia
Nasce em Génova, em 3 de Março de 1969 e a sua paixão pelo desenho leva-o, duas décadas mais tarde, a ingressar na Scuola Chiavarese del Fumetto. Aqui conhece Renzo Calegari, seu primeiro mestre, entrando para o seu estúdio em 1990. Com este autor realiza duas histórias de ambiente negro que serão publicadas no Ken Parker Magazine e diversas histórias de western e aventura, algumas
escritas por Gino D’Antonio, para Il Giornalino. Em 1994 entra para a Sergio Bonelli Editore, desenhando La ballata di Zeke Colter, uma aventura de Tex escrita por Claudio Nizzi, com esboços a lápis seus e de Luigi Copelo e a arte final de Renzo Calegari. Depois desta curta experiência com o ranger, Biglia ingressa na equipa de Nick Raider, desenhando três aventuras. Mais tarde, em 1999, torna-se desenhador de Mágico Vento com a aventura La maschera del dio cannibale, escrita por Gianfranco Manfredi, permanecendo na série até 2010, quando começa a desenhar para a mini série Shanghai Devil ainda de Manfredi. Entre os seus mais recentes trabalhos, destaque-se ainda Atlantide Experiment e Lost Atlantide para a editora francesa Soleil.

Após ter concluído a sua participação em Shanghai Devil, Biglia manifesta ao editor Mauro Boselli, a sua vontade em desenhar Tex, mas este, depois de reunido com Mauro Marcheselli vai informar o desenhador que a candidatura não tinha sido aceite. A conversa decorreu ao telefone, mas tratou-se apenas de uma brincadeira, já que quando Boselli disse a Biglia que não era mesmo possível ele desenhar Tex, fez-se silêncio do outro lado da linha, após o que veio a excelente novidade. Afinal, a candidatura de Biglia a Tex tinha sido aceite e dali a pouco tempo iria ser contactado para desenhar uma história curta escrita por Gianfranco Manfredi. L’ultimo della lista, que acabou por ser publicada em 2014 no Color Tex 4, marca assim o regresso de Biglia a Tex. Biglia já tinha trabalhado com Manfredi em Mágico Vento e Shanghai Devil, já havia um conhecimento do trabalho e do estilo do autor, na precisão e na descrição que empresta aos seus argumentos, simplificando deste modo a tarefa do desenhador. Biglia tem liberdade para construir e compõe um Tex magnífico e fisicamente imponente. Daí até à série regular do ranger foi um passo.

Curioso que o percurso de Biglia em Tex tem vindo a ser gradual, já que se tudo começou a três mãos com La ballata di Zeke Colter, posteriormente Biglia assume sozinho o desenho da curta aventura L’ultimo della lista, até finalmente chegar a uma aventura de maior fôlego, em três partes, escrita por Mauro Boselli, com o título provisório de Bad Hand, aventura criada a partir de uma sugestão de Sergio Bonelli, e centrada na histórica figura de Ranald Slidell MacKenzie, um general da cavalaria dos Estados Unidos, com muitas cenas de batalhas e guerras índias, com lançamento previsto para o Verão de 2016 e da qual temos o privilégio de expor uma dezena de páginas em ante-estreia mundial nesta 2ª Mostra do Clube Tex Portugal.



Boas leituras

Lançamento Devir: Naruto #10

Naruto é uma popular série Manga shonen escrita e desenhada por Masashi Kishimoto.
Iniciou a sua publicação no Japão em 1999, sendo terminada no final do ano passado (Novembro, 2014), vendendo àquela data cerca de 200 milhões de cópias, o que faz deste Manga o terceiro mais vendido de sempre.

A Devir Portugal iniciou a publicação de Naruto em 2013. É uma tarefa ambiciosa, visto que a série contém 72 volumes! Não têm havido atropelos com a edição da série e a Devir pretende cimentar a imagem de que está forte no Manga. Para isso contribuiu a publicação de Death Note completa e uma boa cadência de publicação, tanto em Blue Exorcist como em Naruto.
Para já está aí o décimo volume de Naruto acessível para todos os fãs portugueses da série.




NARUTO VOL. 10
UM NINJA FORMIDÁVEL
MASASHI KISHIMOTO

A apenas dois combates do final das pré-eliminatórias da terceira fase do Exame Chunin, o muito aguardado confronto entre o misterioso Gaara, ninja da Aldeia Oculta da Areia, e o determinado e íntegro Rock Lee, ninja da Aldeia da Folha, está prestes a começar.

Irá Rock Lee sucumbir à sede de sangue e aos estranhos poderes de manipulação de areia do seu adversário? Ou conseguirá provar que a dedicação e a sua espantosa capacidade de trabalho são suficientes para vir a ser um ninja formidável?

180 páginas a preto
FORMATO: 126x190 mm
ISBN: 978-989-559-260-9
EAN: 9789895592609
PREÇO: € 9,99 PVR
EDIÇÕES DEVIR

Boas leituras

domingo, 19 de abril de 2015

Comprimidos Azuis



Uma história de amor poderosa.
Frederik Peeters escreveu e desenhou este romance gráfico, e autobiográfico, com uma positividade fora do comum, e foi uma pena que a Devir não tivesse deixado o subtítulo da versão em inglês “Blue Pills: A Positive Love Story”, isto embora o original também não tenha subtítulo e seja apenas “Pilules Bleues”. Penso que o subtítulo da edição em inglês identifica muito bem a obra.

Frederik Peeters nasceu em Genève, Suiça, no ano de 1974. Trabalhou como ilustrador para a imprensa Suíça, ganhando alguns prémios para “novos talentos”.
Em 1997 começou a colaborar com algumas revistas de BD, inclusivamente na Spirou.
O livro que o lançou para o sucesso foi mesmo este Comprimidos Azuis, publicado originalmente em 2001 pela editora Atrabile, ganhando pelo caminho alguns prémios.
A partir deste livro a sua carreira tornou-se visível e profícua!

Portugal nos últimos anos tem assistido à edição/publicação de muitos romances gráficos, felizmente. A Devir foi uma das editoras que deu o pontapé de saída neste género mais adulto com a sua linha “A Biblioteca de Alice” que já publicou títulos como Habibi , Blankets, Anne Frank, O Zen de Steve Jobs e mais recentemente a compilação em dois volumes da obra portuguesa A Pior Banda do Mundo.
Comprimidos Azuis insere-se neste selo da Devir sendo publicado em Portugal em Dezembro de 2012.

Uma rapariga atravessa-se por várias vezes na vida de Fred: Cati. Em alturas chave das suas vidas eles cruzam-se, falam e desaparecem. Até um dia.
Um dia Cati fica para sempre na vida de Fred. Mas com Cati vem também o filho dela e… a SIDA. Ambos, mãe e filho com essa doença perversa. Seropositivos.

E aqui começa verdadeiramente este livro. Uma história tocante de amor, em que o casal tenta superar todos os dias a sombra da doença. As páginas são muitas vezes poderosas, de um storytelling excepcional que agarra o leitor inconscientemente num preto e branco que dá ainda mais força emocional, aparentemente com um desenho descuidado para os olhos mais desatentos.

Os problemas de um casal em que mãe e filho são portadores de SIDA colocam à prova qualquer relação diariamente. Fred faz um registo, tipo diário gráfico, dos momentos principais, os mais fracturantes, das dúvidas mais viscerais que atravessam a sua mente e acaba por abrir o seu coração ao leitor.

E quando o autor de uma obra autobiográfica abre o seu coração ao leitor, e consegue passar as suas emoções e sentimentos a esse mesmo leitor, então o objectivo é inteiramente atingido passando o leitor a amar e a sofrer com o autor, neste caso não só com a força do texto mas também com um grafismo cheio de metáforas visuais.

Várias relações na vida de Fred são retratadas, todas elas muito importantes na sua vida. A relação de Fred com Cati, Fred com o filho de Cati (Lobinho) e Fred com o médico. Este é o triângulo emocional em que o autor anda em cima do fio da navalha, umas vezes imerso em dúvidas, outras em profundo amor, desespero, medo… enfim… não é fácil, mas o positivismo de Fred relativamente a esta relação consegue tudo, até a felicidade.

O livro tem como narrador o próprio autor (claro), onde ele expõe os seus pensamentos, muitas vezes impregnados de filosofia ligeira, que ao contrário de maçar o leitor, acabam por mergulhar o dito leitor no caldo de ideias de Fred. Este apresenta-nos visões e ângulos diferentes sobre problemas pouco experimentados (embora muito falados) pelo comum dos mortais. Ideias interessantes fluem narrativamente, mas penso que o capítulo do mamute era escusado. Embora perceba o porquê da sua inclusão, acaba por quebrar o ritmo de toda a narrativa na minha opinião.

Um tema ainda hoje considerado taboo em muitos sectores da sociedade, de uma doença completamente desconhecida na sua crua realidade para a esmagadora maioria das pessoas.




Comprimidos Azuis é um livro que recomendo, por todas as razões e mais algumas.

Boas leituras

Hardcover
Criado por Frederik Peeters
Editado em 2012 pela Devir