O Último a Rir
Este foi o livro que saiu a semana passada pela colecção “Super-Heróis Dc Comics” da Levoir.
Colecta duas das melhores histórias do universo Batman:
- Piada Mortal (Killing Joke)
- Joker
Outra particularidade destas duas histórias, é o Joker ser o protagonista, sobretudo na segunda história, e não Batman.
Vamos por partes.
Piada Mortal
Um verdadeiro ensaio de loucura!Esta obra dos finais dos anos 80 iniciou um estilo diferente a que alguém apelidou de grim and gritty. Histórias mais obscuras num ambiente mais realista, sempre presente um humor também ele negro.
Este estilo da época influenciou não só os Comics, mas também o cinema e criadores na sua generalidade.
“Um dia mau.” (One bad day)
Como é que apenas um mau dia na vida de alguém pode transformar a vida de tantos?
Esta é a premissa deste livro. Como levar alguém à loucura em apenas um dia?
É isto que o Joker quer provar a Batman… e para isso vai servir-se do Comissário Gordon e da sua filha Bárbara Gordon. De salientar que apesar de este título não pertencer à cronologia “normal” da DC Comics influenciou-a profundamente. Bárbara Gordon (Batgirl) fica paralítica numa cadeira de rodas e posteriormente vai transformar-se no Oráculo. Foi aqui que isto aconteceu!
O Joker quer provar a Batman que basta um mau dia para transformar uma pessoa incorruptível num louco. Para isso vai servir-se de Gordon e da sua filha.
A história inicia-se em Arkham onde Batman descobre que o Joker se tinha evadido deixando um “duplo” seu no asilo.
Mas o Joker não tinha perdido tempo para montar o cenário, e o cenário perfeito é mesmo uma feira de diversões abandonada.
Alan Moore escreve esta história irrepreensivelmente, mostrando “às pinguinhas” flashbacks da vida do Joker quando ainda era uma pessoa normal. No seu caso um cómico de quem ninguém se ria nos seus espectáculos, com uma mulher grávida, e sem dinheiro para assistir às necessidades dela. Acaba por aceitar fazer um trabalho numa fábrica para um gang. Depois de ter aceite recebe a notícia da morte da sua mulher devido a complicações de gravidez! Nesse momento já não quer fazer o trabalho para o gang, mas acaba por ser obrigado… corre mal, e acaba por cair num lago de resíduos químicos e transforma-se… foi aqui o seu primeiro contacto com Batman!
Este foi um dia mau para este homem, e que mudou a sua vida para sempre!
Agora quer provar ao morcego que basta mesmo isso! Para tal entra pela casa do Comissário Gordon dentro, dispara sobre Bárbara deixando-a paraplégica, rapta Gordon, despe a filha e tira-lhe fotografias.
Leva o comissário para o parque de diversões e submete-o a verdadeiras torturas psicológicas… ele quer quebrar fisicamente e psicologicamente Gordon! Mas Batman estraga tudo…
O final é sui generis… o Joker conta uma anedota a Batman. E riem-se os dois às gargalhadas!
Em que livro é vocês viram Batman rir-se às gargalhadas? Nunca! Alan Moore é especial, porque é. Consegue ser sempre original, mesmo que o conceito já esteja visto.
O trabalho de Bolland é maravilhoso. Quando li Camelot 3000 fiquei a adorar este desenhador, e aqui passou a ser um dos meus preferidos, mesmo!
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| Piada Mortal e Joker |
Joker
Diferente e perturbante. São duas palavras que me surgem logo quando penso nesta história de 2008.
Brian Azzarello tem aqui uma história a seu gosto! Se “Piada Mortal” o registo era negro, bem… aqui desce aos infernos!
Azzarello conta esta história através de um bandido de 2ª categoria. É Johnny Frost o narrador deste livro, ele gostaria de ser como o Joker… mas falta-lhe um bocadinho para isso. Frost vai receber à saída do Asilo Arkham o terrível Joker, estranhamente, alguém o considerou curado!
A partir daqui começa uma festa macabra. O Joker descobre que os seus “amigos” tinham dividido a “sua” cidade entre eles… mas ele quer a “sua” Gotham de volta. Para isso serve-se dos poucos que ainda lhe eram fieis e começa o massacre de inimigos e a chantagem aos que lhe ainda interessavam, como o Pinguim e o Duas-Caras. Tem um aliado poderoso, o Killer-Croc!
Este Joker não é engraçado, não há grandes piadas, mas compensa a falta disto com um sadismo que ultrapassa os limites, bem coadjuvado pela Harley Quinn nessa loucura completa. Batman, aparece apenas nas últimas páginas...
Azzarello fez o Joker mais sádico da BD! Esta é a minha opinião.
O que dizer de Bermejo… tornou o ambiente realisticamente sombrio. Sente-se nos seus desenhos realistas o stress da loucura do Joker. Consegue fazer emoções através dos seus desenhos, desenhando expressões finamente loucas!
A sua representação gráfica do Joker é a do filme The Dark Knight, protagonizado por Heath Ledger. Mas não é uma cópia! Este livro foi desenhado dois anos antes do filme, embora tenha saído quase na altura da estreia. Presume-se que Bermejo tenha enviado um concept do seu Joker, e que este foi aproveitado para a caracterização de Heath Ledger…
O Leituras de BD recomenda vivamente este livro. Não tem só uma história de excelência, tem duas!
Hardcover
Criado por: Alan Moore e Brian Bolland (Piada Mortal), Brian Azzarello e Lee Bermejo (Joker)
Editado em 2013 pela Levoir/Público
Nota: 11 em 10



