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quinta-feira, 19 de abril de 2012

A Palavra dos Outros: Habibi por Pedro Veiga Grilo


Habibi é um conto visceral e iniciático escrito e desenhado por Craig Thompson. Este autor já tinha maravilhado o mundo da BD com o conto autobiográfico Blankets, num ambiente muito cristão, agora conta-no outra estória, linda de morrer, num ambiente islâmico.
Esta obra tem tantos pormenores que obriga a várias leituras para nos apercebermos da vastidão de pequenos e deliciosos contornos e requebros com que este autor nos brinda a cada página.
Quase que nos obriga a acreditar na maior parte do livro que este conto se passa num passado longínquo... mas não, é nos dias de hoje! Mas o ambiente está tão bem representado que não reparamos em pormenores que nos indicam a todo o momento que estamos no presente, ou passado muito recente... basta olhar para o lixo! Está lá tudo!
O Pedro Grilo dispôs-se a falar sobre Habibi, o que muito me agradou, pois sei o quanto este leitor gosta deste livro. O Pedro Grilo também tem um blogue de Banda Desenhada: Reféns da BD. Não é actualizado com grande frequência, mas o que lá está é muito bom! Convido-vos a dar lá uma "espreitadinha"...
Fiquem com as palavras do Pedro:


Habibi

Habibi, “meu amado”, na tradução literal. Publicado em 2011 pela Pantheon Books, escrito e desenhado pelo inegável virtuoso Craig Thompson, foi um dos livros sensação desse ano, senão mesmo O livro sensação. Este é a quarta novela gráfica publicada do autor e, havendo ainda poucas dúvidas, ficam agora completamente desfeitas, é o livro que o reafirma como um dos mais virtuosos autores de banda desenhada em actividade. É uma forte assunção, considerando o vastíssimo leque de autores existentes, mas é bem segura. Independentemente do seu vasto palmarés de nomeações e prémios no seu portefólio (ganhou 4 Harvey, 2 Eisner, 2 Ignatz e 1 Prix de la Critic), Craig Thompson é um autor que não desapontará qualquer amante da 9ª arte, e não só.
O Craig Thompson já passou por Portugal, em Beja no ano 2009, e eu tive o privilégio de lá ter estado e de o ver a autografar dois dos meus livros por ele escritos e desenhados, “Good-Bye, Chunky Rice” e “Blankets”. Possuidor de um desenho “fácil”, rápido, limpo e seguro, autografou-os e dedicou-os em pouquíssimos minutos. Observando-o, não é difícil acreditar que tenha desenvolvido uma tendinite, que o levou a abandonar o seu trabalho na Dark Horse. Tal facilidade no desenho não descura um aturado trabalho por ele dedicado às suas obras. Quando em 1999 termina a sua primeira e logo aclamada novela gráfica, “Good-Bye, Chunky Rice”, começa a trabalhar em “Blankets” apresentando-a ao público em 2003, também extremamente aclamada pela crítica, pelo público e pelos seus pares. Obras estas com forte teor autobiográfico: a primeira referindo a sua mudança para outra cidade, as etapas inexoráveis da vida, o rompimento e a continuidade, com reminiscências da sua infância aos cartoons, daí os personagens de “Good-Bye, Chunky Rice”; a segunda, “Blankets”, bastante mais introspectiva, analisando e repudiando, desencantado em tom de desabafo, uma infância e adolescência vivida no seio da sua família profundamente religiosa, Cristã.
Estes sucessos, segundo Craig Thompson, dever-se-ão antes de mais a um então protagonismo de um estilo de banda desenhada demasiado violenta, intempestiva e carregada de cinismo, mesmo na chamada banda desenhada alternativa, por tal foi sua intenção desmarcar-se desse estilo, tendo essa reacção nesse período caído bem no público e na crítica.
Seguindo esta orientação, nos finais de 2004 começa a trabalhar em “Habibi”. Onde em “Blankets” o tema de fundo era o Cristianismo, em “Habibi” é o Islamismo. Pessoalmente, atrevo-me a escrever que a religião exprimida nestas obras funciona como música de fundo, que se imprime no estado de espírito dos personagens que “vivem” a obra e, por demais, naqueles que a leem. Sendo intrínseca não é o mote, embora tenha um carácter pesado no autor e sejam despejadas sem pudor no leitor. O que faz estas obras serem tão aclamadas e apreciadas reside no factor humano e nas relações destes, e as do autor no seu ponto de vista indelével, autobiográfico quando se aplica.
“Habibi” é uma história repleta de humanismo, no seu mais alto e mais aclamado expoente: o Amor. Cego, doentio, doloroso, cumprindo os maiores dos sacrifícios, mas sem isso sentir, apenas a maior das gratificações, da felicidade absoluta, única, a maior das glórias. O encontro, a descoberta, a vivência, a perda, o pesar mais negro que o breu, o reencontro depois de nunca desistir perante as mais vis e ignóbeis provações, e a consumação final.
Ao estilo das “Mil e Uma Noites” contadas por Sheherazade, transpirando de exotismo que nos leva a tempos não há muito idos mas parecendo terem sido há séculos, o autor desenha com uma riqueza de pormenores inebriante uma história que vai contando também ao estilo e com o conteúdo do Velho Testamento e mais para além deste, de mitos pagãos e da Tora, ensinando-nos, ou não nos fazendo esquecer, da interligação intrínseca das religiões predominantes, qual iniciados no Corão e suas inalienáveis minudências. A escrita serve como veículo iniciático, abrindo o caminho para a luz, o entendimento e compreensão, quase uma magia. A caligrafia Árabe é fortemente explorada, a sua não compreensão aos olhos de um estrangeiro que não a entende, ou um analfabeto, não os deixa indiferentes à sua beleza. O autor, aos poucos, vai levantando o véu dos mistérios da escrita Árabe, ensinando-nos a sua beleza na forma e no estilo, para além do traço. No meio de uma história de amor sofrido, épico, o autor consegue criar espaço para a comédia, naturalmente, demonstrando a sua mestria narrativa. 


“Habibi”, o conto de Dodola e Zam, é intemporal e sobremaneira absorvente tanto no texto como nos seus desenhos, por isso é que eu o aconselho fortemente. Fica também um apontamento positivo para a belíssima e luxuosa encadernação da edição Norte-Americana da Pantheon Books, pelo que não se podendo julgar um livro pela capa, se neste caso o fizéssemos, não estaríamos a ser injustos. Ainda na capa, um apontamento negativo, é escusada a inscrição “Author of Blankets” por debaixo do nome do autor. Tem aproximadamente 670 páginas e um preço de capa de US $35.


Convido-vos também a ler o meu post sobre a anterior obra de Craig Thompson, basta clicar no link em baixo:
Blankets

Podem ver a capa com as cores todas e em todo o seu esplendor no link em baixo. O meu scanner não consegue "apanhar" os dourados e prateados...
Capas: Habibi

Espero que vos tenha agradado!

Boas leituras
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sexta-feira, 2 de março de 2012

Este Mês na Bedeteca de Beja - Março 2012

Depois do Mês do Terror, em Fevereiro, a Bedeteca de Beja continua a a sua programação normal com maior foco nos artistas André Caetano e João Raz.
Fiquei contente pelo feedback extremamente positivo que as três exposições com base na Zakarella tiveram, sendo que se pode considerar um sucesso com muitos visitantes e referências no livro de visitas da Bedeteca.
Segue o programa para este mês!

ESTE MÊS, NA BEDETECA - MARÇO

EXPOSIÇÕES







De 10 de março a 28 de Abril
Exposição de Banda Desenhada
Local: Galeria da Bedeteca (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / André Caetano.
Nota: a exposição inaugura dia 10, às 16h30.







De 10 de março a 28 de Abril
Exposição de Ilustração
Local: Galeria Principal (1º andar, centro).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) /João Raz.
Nota: a exposição inaugura dia 10, às 16h30.











WORKSHOP DE TÉCNICAS DIGITAIS







Dias 8 e 15 de Março, das 18h30 às 20h00
WORKSHOP DE TÉCNICAS DIGITAIS APLICADAS À ILUSTRAÇÃO E À BANDA DESENHADA
Com NUNO GÓIS
Horário: quintas-feiras, das 18h30 às 20h00.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Nuno Góis.













LIVROS DO MÊS NA BEDETECA
 






GOOD-BYE CHUNKY RICE, de Craig Thompson.
Esta é a história de Chunky Rice, uma pequena tartaruga que deixa o ambiente familiar e o seu melhor amigo para partir à descoberta de novos horizontes.












BLANKETS, de Craig Thompson.
Uma banda desenhada autobiográfica que nos fala da infância e da adolescência de Thompson: a família, a religião, o seu primeiro amor… Uma obra comovente e intimista que conquistou milhares de leitores em todo o Mundo…








CLUBES








LEMON STUDIO – CLUBE DE MANGÁ
Horário: sextas-feiras, das 16h00 às 18h30.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Entrada livre.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Lemon Studio.












ATELIÊS








ATELIÊ DE ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA
Com Ana Lopes.
Horário: terças e quintas-feiras, das 19h30 às 21h15.
Local: Sala de Desenho (1º andar, ala direita).
Organização: Associação Pegada no Futuro.
Parceria: CMB (Bedeteca de Beja).















OURIÇO-DO-MAR – ATELIÊ DE BANDA DESENHADA
Com Paulo Monteiro.
Dos 8 aos 12 anos.
Horário: todas as terças-feiras, das 18h30 às 20h00.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).
















TOUPEIRA – ATELIÊ DE BANDA DESENHADA
Com Paulo Monteiro.
A partir dos 13 anos.
Horário: todas as quintas-feiras, das 18h30 às 20h00.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).












 ESTRADA FORA



A BEDETECA FORA DE PORTAS
No dia 2 de março, sexta-feira, estaremos em Odemira, para fazer parte do júri que avaliará os trabalhos do Concurso de Banda Desenhada da BDTECA – Mostra de Banda Desenhada de Odemira.
No dia 17, sábado, estaremos no Centro Cultural de Sines, das 14h00 às 17h00, para falar da História da Banda Desenhada, e para fazer um ateliê prático (também é bom por “as mãos na massa”).


OUTROS SERVIÇOS

CEDÊNCIA DE ESPAÇO PARA ATIVIDADES
Apoio e cedência de espaços, a escolas e outras instituições, para a realização de reuniões e eventos na área da banda desenhada ou da ilustração.

APOIO A ALUNOS E PROFESSORES
Apoio a alunos e professores para a realização de exposições ou outros projectos específicos na área da banda desenhada e ilustração.


CONTACTOS E HORÁRIOS

BEDETECA DE BEJA
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800 – 508 Beja
Telefone: 284 313 318
Telemóvel: 969 660 234
E-mail: bedetecadebeja@cm-beja.pt
Horário: de terça a sexta-feira, das 14h00 às 23h00. Sábados das 14h00 às 20h00.


PARCEIROS

APOIOS E PARCEIROS PARA A PROGRAMAÇÃO
Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja / Associação Pegada no Futuro / Lemon Studio / Livraria Contracapa / Museu Regional de Beja / NCreatures / Prisvídeo / Unimundos

PARCEIROS PARA A DIVULGAÇÃO NA NET

Boas leituras e quem puder, faça uma visita à Bedeteca de Beja!
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Capas: Habibi

Depois de ler, e em antecipação ao post que irei fazer deste livro, não resisti a mostrar esta linda capa!
Está magnífica, não acham? E a textura está um mimo!
Da autoria de Craig Thompson, que também é o autor do excelente Blankets.
A capa só não é perfeita por culpa da editora. Qual é a necessidade de pôr "author of BLANKETS" na capa???
(Palhaços...)

Boas leituras
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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Blankets


Confesso que me é um pouco dificil falar deste livro, tal é a míriade emocional envolvente a esta narrativa gráfica. Craig Thompson tem neste registo auto-biográfico uma grande dose de coragem, pois abre todo o seu coração e convicções pessoais ao leitor, desde a sua infância até ao amadurecer do jovem adulto.

É tocante, inspirado, apaixonado e desencantado. Todas as transformações por que passou este jovem estão patentes neste livro de uma irrepreensível narrativa gráfica, é um verdadeiro livro de Banda Desenhada.

Os "flashbacks" intercalam com o presente, e sempre a propósito, para explicar determinadas situações emocionais do próprio autor e as suas ligações para com os individuos que interagem com ele, desde a sua família, a escola, a igreja até ao seu primeiro grande amor e respectivo lar.

Graficamente intervala o desenho irrepreensivel com o mais puro experimentalismo alternativo. Muito bom.
O livro é dividido em nove capítulos que levam o leitor a visitor a alma de Craig Thompson até ao último dos seus pensamentos, é a vida de um jovem contada em cerca de 600 páginas a preto e branco, que começa na sua meninice no seio de uma família cristã ultra-religiosa, passando pelos seus problemas em conciliar a sua educação opressivamente religiosa com a "chamada" sexual da sua adolescência.

Conta os seus traumas escolares, em que normalmente o seu irmão servia para fazer a catarze de todas a suas frustrações.
Mostra como timidamente se aproximou de Raina, uma rapariga também de família cristã, mas mais desenvolta que ele próprio, que o convida a passar umas semanas com ela, e com a sua família em pleno desagregamento estrutural (o problema do divórcio numa família cristã praticante).

Craig Thompson não quis editar este seu livro à boa maneira Norte-Americana, ou seja, em formato reduzido primeiro e só depois a compilação, e conseguiu editar este romance gráfico de 600 páginas num único livro, onde a palavra se mescla perfeitamente com um excelente grafismo.
Recebeu vários prémios com este livro, sendo os mais mediáticos:
- 2004 Harvey Awards: Best Artist, Best Graphic Album of Original Work and Best Cartoonist
- 2004 Eisner Awards: Best Graphic Album and Best Writer/Artist
- 2004 Ignatz Awards: Outstanding Artist and Outstanding Graphic Novel or Collection
- 2005 Prix de la critique


A revista Time indicou esta novela ilustrada como uma das dez melhores de sempre!
Porque absurdo, não posso deixar passar isto dado que detesto este tipo de censura, no estado Norte-Americano do Missouri, foi alvo de uma tentativa de retirada das estantes das bibliotecas públicas por alegada pornografia! Leiam o livro e depois digam-me onde está o mínimo indício de pornografia! Em Asterix, Obelix dizia: "Estes Romanos são loucos!". Agora eu digo: "Estes Norte-Americanos são loucos!"
Boas leituras!

TPB
Criado por: Craig Thompson
Editado em 2003 pela Top Shelf
Comprado no Book Depository
Nota : 11 em 10
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