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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Palavra dos Outros: D. João Carioca por Aida Teixeira


A Aida Teixeira conheceu o João Spacca o ano passado durante o 22º Amadora BD, e quis conhecer uma das suas obras emblemáticas: D. João Carioca.
Ora como não havia à venda por cá (nem no Amadora BD) o Paulo Monteiro fez o obséquio de lhe emprestar o livro!

Assim surge esta crítica, ao jeito muito particular da Aida Teixeira!

D. João Carioca

Desde o ano passado que tinha curiosidade para ler/ver este livro (a vantagens dos livros de BD é poder ver-se arte enquanto lemos). Curiosidade porquê?


1 – Disseram-me que era um livro excelente;

2 – Que foi um enorme sucesso no Brasil;

3 – (a mais importante) Tive o prazer de, há 1 ano, conhecer pessoalmente o artista João Spacca, que é uma simpatia, e ao que já tinha visto na net, tem um desenho que é mesmo o meu género.

Infelizmente, e como já vai sendo hábito, o Amadora BD trouxe-o cá há 2 anos, mas “esqueceram-se” que o livro não estava editado cá, portanto o Spacca não teve livros para autografar, pois a organização não se preocupa com esse “pormaiores”, e abandona ali o artista na zona dos autógrafos, a ver “navios” e a sentir-se humilhado porque ninguém o procura, ninguém o conhece, e nem podem conhecer pois não tem obra publicada, nem a organização lhe solicitou que trouxesse alguns livros (que venderia)… enfim, às vezes tenho a sensação que a organização do Amadora BD é amadora, no verdadeiro sentido da palavra.

Mas agora, e graças ao Paulo Monteiro, que fez o enorme favor de me trazer, de Beja, o seu exemplar autografado, já o li/vi.

O desenho está fantástico, muito, mas muito pormenor, nota-se que houve ali imenso trabalho de pesquisa, quanto aos lugares, monumentos, insígnias, vestuário de época, e factos históricos, mas … (há sempre um mas) o livro maçou-me.

É uma aulas de história dada por um professor chato, sempre espartilhado nos factos relevantes, e não dando importância àquilo que faz arrebitar qualquer aula: as curiosidades acerca dos personagens, uma piada aqui, uma graçola ali – nada!

Caramba, fiquei tão aborrecida que, quando acabei de ler, eu mesma fui procurar curiosidades sobre os personagens, não podiam ter sido tão chatos, e NÃO FORAM.

Sabiam que a D. Carlota Joaquina, era conhecida como a “megera de Queluz”? A mulher fez o que bem lhe apeteceu, desde os 8 anos. Tenho de a admirar (mas lembra ao diabbo casarem uma criança de 8 anos com um marmanjo (feio cumós trovões) como o D. João??), na "noite de núpcias" defendeu-se à dentada, trincou uma orelha ao gajo e deu-lhe com um castiçal no toutiço. Ficou assente (por decreto, ou algo que o valha) que "relações sexuais" só depois dos 14 anos, antes disso só se ela quisesse. Um engraçadinho de um padre gozou com isso fazendo uma pequena paródia "o gato que cheirou e não comeu" e ela mandou açoitá-lo nas nalgas com um chicote, e que lhe fosse introduzida pimenta no seu clérigo ânus... tudo isto me parece muito bem. Hihihihihihi. Ahhhh e também parece que era um nadita ninfomaníaca. Dizem as más línguas que dos 9 filhos só 5 era do D. João (cá para mim mesmo os 5… tenho dúvidas, leiam sobre ela e divirtam-se).

O filho D. Pedro foi retratado como um engatatão, que nada mais sabia do que música e luta de espadas, de resto a cultura geral, línguas… foi uma desilusão para a mulher. (uma mulher culta calhar-lhe na rifa um calhau giro, só podia passar a ser conhecida como “a princesa triste”) .

O D. João viveu quase sempre separado (fisicamente) da D. Carlota, em casas diferentes, quer em Portugal, quer no Brasil, porque ela tentou de tudo para o controlar, a ele, e aos assuntos de estado. Não o conseguindo tinha ataques de mau feitio que não lembravam ao diabo. Gira, esta personagem. Não foi aproveitada, nada.

O livro está todo centrado no D. João em que quase nada teve de ser feito para o “abonecar” o pobre homem tinha mesmo aquele ar de atrasado mental. Era muito inseguro na suas decisões e adiava tudo o que podia só para não ter de tomar partido, ou um decisão firme. Enfim, não governou, foi governado, e foi governando.

Recomendo o livro pelo desenho, mas a narrativa é muita maçadora, a Lilia Moritz Schwarcz que me desculpe, mas falta-lhe, na narrativa, a “pimenta” tão portuguesa.

Se o quiserem ler/ver terão de o mandar vir do Brasil, em Portugal não há à venda.
Vou pontuar de forma diferente da do Nuno:

Desenho: 9 em 10
Argumento: 3 em 10 (sim, porque factos são factos, não há ali criatividade quase nenhuma)

Texto por: Aida Teixeira

Espero que tenha agradado!
A Diabba (aka Aida Teixeira) também tem um blogue onde de vez em quando escreve alguns textos engraçados. Façam-lhe uma visita, basta seguir o link:

Inferno da Diabba

Boas leituras
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