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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Palavra dos Outros: Estrelinha e Outras Páginas por Aida Teixeira


A Aida comprou um livro e quer partilhar a sua opinião. E como toda a gente que a conhece sabe, ela é sempre frontal e diz o que pensa... e ninguém a pode levar a mal por isso! É um hábito não comum socialmente.

O livro é Estrelinha e Outras Páginas de José Abrantes.
Uma edição de autor deste desenhador, mais conhecido pelos seus excelentes trabalhos na BD infantil, que aqui recupera alguns dos seus trabalhos que não se englobavam na BD infantil, mas que os decidiu partilhar nesta edição connosco.

Estrelinha e Outras Páginas

Acabei de ler “ESTRELINHA e outras páginas” do desenhador José Abrantes, que nesta obra, é também o autor dos textos, exactamente como o é na maioria livros de BD já publicados, mas direccionados para um público mais infantil (porque jovens, se quisermos, somos todos, até aos 120 anos).


Acho que é público o meu gosto por determinado tipo de desenho, o tal “linha clara”, e o José Abrantes faz parte desse leque de desenhadores de cujos desenhos gosto logo à primeira, adorei os 2 volumes do Homodonte que tenho (são 4 no total), história e desenhos.

Parece-me louvável que um desenhador, às vezes se aventure em estilos mais alternativos àquele a que habitua o “seu” público, mas… não percebi porque raio é que este livro é classificado como sendo para um público mais adulto. Porque mostra uma pila e mamas?

Para ser adulto tem de ter conteúdo realmente adulto, e este livro não tem, e para além de tudo tem de ser de fácil leitura, com letras que não nos aborreçam a vista (eu vejo mal – uso óculos), e fundamentalmente, tem de ter histórias credíveis, mesmo vivendo num mundo imaginário, as histórias têm de ser credíveis.

Bom, e agora vou analisar as histórias contidas neste livro de 52 páginas, três histórias no total.

Angstrom e Ribico

É uma história completamente inverosímil, lamento dizê-lo, mas é.

Então alguém está sentado, chega um desconhecido, diz “sou o teu melhor amigo” e esse alguém segue-o até ao fim do mundo, apesar de o “instinto” (só coloquei esta palavra para não fazer spoiler) lhe dizer para não ir?

E depois de chegado ao destino faz um discurso absolutamente bacoco, armado em “galanteador da avenida” a alguém que não conhece, cheio de palavras elaboradas, e dirigido – evidentemente – à parceira do “melhor amigo”?

Só vos digo: Mereceu o destino que teve.

O desenho, apesar de fugir ao que estou habituada, é bonito, e com um texto melhor, e melhor lettering, ganhava outra vida.

Estrelinha

Lamento muito, mas aqui não gostei, nem da história nem do desenho. Demasiado preto, parece-me que só existe para preencher a página que ficaria demasiado vazia se não estivesse, às vezes, quase totalmente preenchida a negro.

Já agora, os lábios vaginais, divergem de mulher para mulher, é certo, mas quando se retrata a mesma, devem ter sempre, e proporcionalmente, o mesmo tamanho. Acho eu, que não percebo um corno de desenho.

E fiquei com uma incerteza, afinal o sacripanta chamava-se Folapão, ou Fodapão? É que de página para página o nome vai variando…
























E quando algo é fofo, como a relva fresca, diz-se que é “fofinha”, e não “fufinha”.

“Fufinha” na minha terra significa outra coisa, pode ser sinónimo de “sapatão”, “camionista”, em suma, uma “lésbicazinha”.

Revisor precisa-se.

Cheia de Chuva

Aqui o José Abrantes está no seu registo, querendo, ou não, esta é uma história para crianças, e não é por estar apenas desenhada a preto que deixa de o ser.

E esta sim, dentro de um mundo de fantasia, tem lógica, e qualquer criança lhe acharia graça. Eu achei.

José Abrantes, esta não pretende ser uma crítica destrutiva, antes pelo contrário, pense no que escrevi, olhe para o livro com olhos de leitor anónimo, e faça uma auto-critica.

Texto: Aida Teixeira

E assim tivemos mais uma colaboração dentro da rubrica " A Palavra dos Outros". Para verem todos os artigos desta rubrica basta clicar no link em cima, para ver todos os textos da Aida Teixeira cliquem no nome dela!

Já sabem, quem tiver textos interessante com base na Banda Desenhada, e que os deseje ver publicados aqui no Leituras de BD, e só submeter para nmamado@gmail.com
Claro que existe um filtro, a ter em conta: o português e o interesse do assunto.

Boas leituras

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A Palavra dos Outros: O Maior de todos os Tesouros por Aida Teixeira


A Aida Teixeira manda outro texto para este blogue. Desta vez uma pequena publicação de Carlos Rocha editada pela Bedeteca de Beja, sim esta bedeteca publica livros de BD...

Fiquem então com as palavras da Aida:

O Maior de Todos os Tesouros



Li, há pouco tempo, um exemplar de uma edição da Casa da Cultura do Município de Beja (nº 5 da Colecção Toupeira, ano 2009) – O Maior de Todos os Tesouros – do desenhador Carlos Rocha, e que, neste caso foi também o argumentista.
Sou amiga pessoal do Carlos Rocha, mas isso em nada me impede de fazer uma apreciação da obra.
É uma pequena história cheia de bom humor, pejada de pormenores que nada têm a ver com a época em que, pretensamente, se passa a aventura, e, parece-me, por isso mesmo têm graça.

O humor do Carlos não passa só pela escrita, também as (ou “os”, ambos são admitidos no léxico português) personagens têm graça, pela postura, pelos tiques, pela afectação com que corrigem ou enganam os seus semelhantes.
Não pretendeu o Carlos, com esta história, fazer história na Banda Desenhada, nota-se que se divertiu a construí-la no seu todo.
Li algures, que um dos personagens é cópia de um personagem de desenhos animados que eu vi no século passado – o Bucha e o Estica – no caso seria cópia do Bucha, e não por acaso não concordo nada.
1 – Porque nem sequer está parecido, a não ser pelo volume.
2 - Se formos por aí, todos os bonecos “gordos” serão cópia do Bucha, e não são. No caso, se calhar, o Carlos ainda não tinha pensado no seu Guga (que, agora, já todos conhecemos), mas o “boneco” gordalhufo que aqui aparece já era o Guga, o Carlos é que ainda não sabia (ou sabia?)


A história é engraçada, e correndo o risco de fazer “spoiler” cá vai: há um grupo de malfeitores que não tem grande sorte nos assaltos, e por isso sonham assaltar alguém da nobreza. Por sorte um dia um nobre “cai-lhes no colo”, e é aí que eles acham que a sorte lhes sorriu finalmente.
O príncipe (sim, sorte grande, o nobre era um príncipe) promete-lhes “o maior de todos os tesouros”, e pronto, lá leva o bando para que tomem posse de tão grande tesouro.

Mas até os nobres têm atitudes pouco nobres, mesmo quando não faltam à verdade, e cumprem o que prometem.
Adorei os pequenos pormenores que se vão descobrindo ao longo da história, como o símbolo do Benfica nas cuecas do chefe do bando, as persistentes correcções que um dos subalternos faz ao chefe.
O desenho? Está bom, mas actualmente (e já decorreram 4 anos) o Carlos desenha muito melhor, com mais segurança, e os “bonecos” saem mais bonitos e naturais, mesmo quando não são para ser bonitos.

E se melhorou tanto em 4 anos, o Carlos vai ser incomparável dentro de alguns anos. Sim, ainda acho que tem margem para aprender, e eu sei que ele gosta de aprender, melhorar, e ir mais longe. Não se contenta com o elogio fácil que grassa por aí “está fantástico”, “fabuloso”, “nunca vi melhor” etc. etc. etc.
Termino com uma citação do chefe do bando de malfeitores “Há tipos que não desenham népia mas julgam-se grandes artistas, e nós sem coragem para dizer-lhes na cara a verdade, mas nas costas deles e entre amigos fartamo-nos de rir”.
O Carlos Rocha não é um desses casos. Ele é, e será um caso sério na Banda Desenhada nacional, e com sorte, salta lá para fora.

Texto de Aida Teixeira

Espero que tenham gostado, para verem as outras publicações da Aida Teixeira é só clicar no nome dela!

Boas leituras

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Palavra dos Outros: As 50 Sombras de Grey Vol.1 por Aida Teixeira


Já não é a primeira vez que o Leituras de BD aparece com artigos sobre livros que não são Banda Desenhada. A Aida Teixeira, minha mulher, resolveu escrever sobre o livro “As 50 Sombras de Grey”, com o título: As minhas Sombras.

Este post não é aconselhável a: mentes fechadas, cristãs, muçulmanas e judias. Lamento mas quem tem preconceitos ou barreiras mentais criadas pela sociedade e religião, não deve ler este post! Por favor... Não o leiam.

Estes post contêm linguagem considerada obscena e vai ser acompanhado por páginas de livros de BD que contêm imagens de sexo explícito.
Este é o último aviso, depois não me venham para aqui fazer queixas ao blogger, falar de bloqueios, etc, etc….

Todos avisados?
Ok…







































































Sigamos para o artigo de Aida Teixeira!

As Minhas Sombras

A História de O por Guido Crepax

Comecei a ler a trilogia “as cinquenta sombras de Grey”, tendo em conta que no Verão passado toda a gente falava disto, e o mulherio quase todo tinha lido. (segundo um amigo que trabalha num inferno que também vende livros, era os livros chegarem e desaparecerem).
Bom, vou na página 286 fo 1º volume, e já começo a perceber o porquê de tanto “sururu” à volta desta trilogia.
Começo por dizer que é um livro que se lê bem, é um livro (trilogia) bom para ler no Verão, mas que tem, desde logo um erro de “casting”: os protagonistas não podem ter a idade que têm (27 anos ele, 21 anos ela), porque não têm maturidade, lucidez, e experiência de vida para protagonizarem esta história. Só isso. Ele deveria ter 40, e ela 30/35.
Mas porquê tanto sucesso?
Porque a maioria das almas não sabe distinguir o “fazer amor” de “foder” (e vou deixar de usar aspas).
As mulheres têm fantasias (e muitas, e são muito criativas), mas não as comunicam ao parceiro, esperam que ele as adivinhe, mas, minhas caras, os gajos são muito maus a adivinhar, portanto não vão por aí.
Os homens são mais parcos em fantasias, quase todos vão directos ao foderem com 2 mulheres ao mesmo tempo. Original não é?? Pois não.
Pior, eles nem são capazes de satisfazer uma que goste de foder, quanto mais duas, ficavam ali a fazer o quê? A ver como se faz? É certo que sempre aprendiam qualquer coisa, mas convenhamos que não é a mesma coisa.
Quando as mulheres falam em fazer amor, é porque querem mostrar um lado mais romântico, porque a educação que tivemos ao longo dos séculos nos manda ser recatadas, nós não fodemos, nós fazemos amor. Tss tss nem pensem nisso, nós fodemos, muito, e bem. Os gajos é que não sabem explorar esse nosso lado, não arriscam, não nos surpreendem. E nós, temos medo de arriscar “o que vai ele pensar de mim?”
Kama Sutra por Milo Manara
Também eles, romanticamente, esperam que seja a mulher a fodê-los, a provocá-los, a inventar, a criar situações de risco, a ir mais além. São calões por natureza. É quase preciso escrever nas paredes “quero ser fodida de forma selvagem” para que eles percebam que a posição de missionário é para as beatas, enquanto brocham o padre, ou seja, estão de joelhos.
Nós queremos brincar, queremos brinquedos, E queremos usá-los. Ah gostam de sexo anal? Bora nessa, mas nós podemos fazer-vos o mesmo, boa? E podem aceitar sem medos, vão descobrir “mares nunca dantes navegados” . Sim os brinquedos são para ser usados por ambos, e um bocadinho de dor nunca fez mal a ninguém, deixem de ser mariquinhas.
Fazer amor fazemos todos os dias, ao chegar a casa, quando beijamos a pessoa amada, quando passamos por ela e lhe apalpamos as nalgas ou qualquer outra parte do corpo, fazer amor é gostar de estar com aquela pessoa e não com outra. Foder não tem nada a ver com isto. Pode-se fazer amor com uma pessoa e foder com outra.
E, voltando ao livro, o sucesso deve-se basicamente a isto: As mulheres querem foder, e vocês homens são um bando de incompetentes, que se acham muito bons, mas que na realidade são uma merda na cama. Experimentem prescindir do vosso prazer (leia-se orgasmo) para darem um verdadeiro orgasmo à vossa parceira, submetam-se, façam só o que ela quiser, sejam escravos, ou sejam donos, sendo que em qualquer dos papeis só pensam em dar-lhes o melhor. Vão ficar surpreendidos.

Clara de Noite por Jordi Bernet e Carlos Trillo
Medo de dizer quais são as vossas fantasias? Escrevam-nas. Combinem “eu escrevo as minhas 10 maiores fantasias, tu escreves as tuas, depois trocamos os papeis e vamos tentar conciliar e por todas em prática”.
Ahhh e aquela fantasia das duas mulheres com um homem?? É na boa, mas sejam vocês homens a arranjar a tal companhia extra, vão ver se é assim tão fácil como nos filmes porno.
Mas preparem-se porque a seguir pode vir o pedido de um companheiro extra, e vocês não podem dizer que não.
Foder é isto, vale tudo, desde que ambos concordem .
E este país é um bando de almas mal fodidas, literalmente.

Texto: Aida Teixeira

Espero que se tenham divertido com esta aproximação ao famoso livro!

Boas leituras

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Palavra dos Outros: D. João Carioca por Aida Teixeira


A Aida Teixeira conheceu o João Spacca o ano passado durante o 22º Amadora BD, e quis conhecer uma das suas obras emblemáticas: D. João Carioca.
Ora como não havia à venda por cá (nem no Amadora BD) o Paulo Monteiro fez o obséquio de lhe emprestar o livro!

Assim surge esta crítica, ao jeito muito particular da Aida Teixeira!

D. João Carioca

Desde o ano passado que tinha curiosidade para ler/ver este livro (a vantagens dos livros de BD é poder ver-se arte enquanto lemos). Curiosidade porquê?


1 – Disseram-me que era um livro excelente;

2 – Que foi um enorme sucesso no Brasil;

3 – (a mais importante) Tive o prazer de, há 1 ano, conhecer pessoalmente o artista João Spacca, que é uma simpatia, e ao que já tinha visto na net, tem um desenho que é mesmo o meu género.

Infelizmente, e como já vai sendo hábito, o Amadora BD trouxe-o cá há 2 anos, mas “esqueceram-se” que o livro não estava editado cá, portanto o Spacca não teve livros para autografar, pois a organização não se preocupa com esse “pormaiores”, e abandona ali o artista na zona dos autógrafos, a ver “navios” e a sentir-se humilhado porque ninguém o procura, ninguém o conhece, e nem podem conhecer pois não tem obra publicada, nem a organização lhe solicitou que trouxesse alguns livros (que venderia)… enfim, às vezes tenho a sensação que a organização do Amadora BD é amadora, no verdadeiro sentido da palavra.

Mas agora, e graças ao Paulo Monteiro, que fez o enorme favor de me trazer, de Beja, o seu exemplar autografado, já o li/vi.

O desenho está fantástico, muito, mas muito pormenor, nota-se que houve ali imenso trabalho de pesquisa, quanto aos lugares, monumentos, insígnias, vestuário de época, e factos históricos, mas … (há sempre um mas) o livro maçou-me.

É uma aulas de história dada por um professor chato, sempre espartilhado nos factos relevantes, e não dando importância àquilo que faz arrebitar qualquer aula: as curiosidades acerca dos personagens, uma piada aqui, uma graçola ali – nada!

Caramba, fiquei tão aborrecida que, quando acabei de ler, eu mesma fui procurar curiosidades sobre os personagens, não podiam ter sido tão chatos, e NÃO FORAM.

Sabiam que a D. Carlota Joaquina, era conhecida como a “megera de Queluz”? A mulher fez o que bem lhe apeteceu, desde os 8 anos. Tenho de a admirar (mas lembra ao diabbo casarem uma criança de 8 anos com um marmanjo (feio cumós trovões) como o D. João??), na "noite de núpcias" defendeu-se à dentada, trincou uma orelha ao gajo e deu-lhe com um castiçal no toutiço. Ficou assente (por decreto, ou algo que o valha) que "relações sexuais" só depois dos 14 anos, antes disso só se ela quisesse. Um engraçadinho de um padre gozou com isso fazendo uma pequena paródia "o gato que cheirou e não comeu" e ela mandou açoitá-lo nas nalgas com um chicote, e que lhe fosse introduzida pimenta no seu clérigo ânus... tudo isto me parece muito bem. Hihihihihihi. Ahhhh e também parece que era um nadita ninfomaníaca. Dizem as más línguas que dos 9 filhos só 5 era do D. João (cá para mim mesmo os 5… tenho dúvidas, leiam sobre ela e divirtam-se).

O filho D. Pedro foi retratado como um engatatão, que nada mais sabia do que música e luta de espadas, de resto a cultura geral, línguas… foi uma desilusão para a mulher. (uma mulher culta calhar-lhe na rifa um calhau giro, só podia passar a ser conhecida como “a princesa triste”) .

O D. João viveu quase sempre separado (fisicamente) da D. Carlota, em casas diferentes, quer em Portugal, quer no Brasil, porque ela tentou de tudo para o controlar, a ele, e aos assuntos de estado. Não o conseguindo tinha ataques de mau feitio que não lembravam ao diabo. Gira, esta personagem. Não foi aproveitada, nada.

O livro está todo centrado no D. João em que quase nada teve de ser feito para o “abonecar” o pobre homem tinha mesmo aquele ar de atrasado mental. Era muito inseguro na suas decisões e adiava tudo o que podia só para não ter de tomar partido, ou um decisão firme. Enfim, não governou, foi governado, e foi governando.

Recomendo o livro pelo desenho, mas a narrativa é muita maçadora, a Lilia Moritz Schwarcz que me desculpe, mas falta-lhe, na narrativa, a “pimenta” tão portuguesa.

Se o quiserem ler/ver terão de o mandar vir do Brasil, em Portugal não há à venda.
Vou pontuar de forma diferente da do Nuno:

Desenho: 9 em 10
Argumento: 3 em 10 (sim, porque factos são factos, não há ali criatividade quase nenhuma)

Texto por: Aida Teixeira

Espero que tenha agradado!
A Diabba (aka Aida Teixeira) também tem um blogue onde de vez em quando escreve alguns textos engraçados. Façam-lhe uma visita, basta seguir o link:

Inferno da Diabba

Boas leituras

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A Palavra dos Outros: Billy the Cat - Vida de Bichano por Aida Teixeira


A Aida Teixeira leu mais um livro, e decidiu fazer um pequeno texto.
É a sua 4ª entrada nesta rubrica "A Palavra dos Outros"!


Billy the Cat: Vida de Bichano

E se de repente acordássemos dentro de um animal? Humano por dentro, bicho por fora, como seria??

Já sei, já sei, a ideia não é nada original, já foram feitos filmes de troca de personalidades e tal… mas como seria se acontecesse mesmo?

Comprei um livro de BD para a diabita-minorca “Billy the Cat – vida de um bichano”.

Há um parvo de um miúdo (igual a muitos que conhecemos) que se diverte muito a pregar partidas, que estuda pouco (vá, não estuda nada), não se coíbe de torturar animais se isso o divertir, mesmo que isso signifique dar grandes desgostos à irmã (por norma são os animais de estimação dela que estão na berlinda). Um dia, tropeça e… quando dá de novo por si é um gato.

Um gato de rua, que a todos tenta convencer que é um menino, mas é claro, os humanos não percebem miuauês, e os outros gatos não acreditam nele.

O problema é que o menino continua a existir, a babar-se quando vê um anúncio com uma miúda (humana) gira, e vale-se da sua estatura de gato para poder olhar para debaixo das saias das meninas.

Mas no fundo, começa a tornar-se “um bom rapaz”, o problema é que não deixa de ser gato, e o seu protector acha-o um bocadinho… hummm maluco, e engendra um plano para que ele aceite que, na realidade, é um gato.

Se o plano funciona??

Funciona um bocadinho…


Nota: A diabbita-minorca, na inocência dos seus 8 anos, não se deu conta do “picantezinho” que há na história, mas há. É uma leitura recomendada (no meu ponto de vista) para pré-aborrescentes a partir dos 12 anos.

Texto: Aida Teixeira

Acho que foi o único livro desta série editado em português (pela ASA), o que é uma pena. O livro é bastante engraçado para a faixa etária a que se propõe atingir!

As páginas foram escolhidas pela Aida Teixeira.
Para verem as outras entradas desta colaboradora é só clicar no nome dela aqui em baixo:

Aida Teixeira

Boas leituras

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Palavra dos Outros: Capitão América - A Lenda Viva por Aida Teixeira


Aida Teixeira resolveu pegar no volume nº3 da colecção Heróis Marvel, que está a sair com o jornal Público, e dá a sua opinião sobre este livro. O seu estilo peculiar de escrita é tudo menos maçador, e espero que agrade!
:)


CAPITÃO AMÉRICA
Lenda Viva

Acabei de ler o livro de BD “Capitão América” da colecção do Jornal “Público”, e vou começar por dizer que, não gosto, nem nunca gostei do Capitão América.

Demasiado certinho, demasiado boa pessoa, demasiado moral, ou seja tudo aquilo que os americanos tentam vender ao mundo como sendo eles, e não são.

Aliás vê-se o respeito que os americanos têm pela vida humana (quase todos os americanos têm armas de fogo em casa – legalmente), e pelo planeta em geral. Suspeito que acham que o mundo apenas existe para os servir. Posto isto o Capitão América é tal qual o povo americano (na generalidade) não é? Pois…

Agora vamos ao livro:

Desatei a rir logo na página 9, o raio do homem é tão integro, mas tão integro que até paga bilhete por andar no tejadilho de um autocarro, pondo-se numa posição impossível, para comprar o bilhete. Pendura-se (em Homem Aranha mode) de forma a ficar de cabeça para baixo na janela do condutor, e compra o bilhete, enquanto conversa.

Ora, a menos que o Capitão América também seja o ultra-secreto Capitão Ventosa por forma a aderir ao tejadilho do autocarro, teria malhado do tejadilho abaixo que era um mimo, e com sorte ainda lhe passava o rodado traseiro por cima da sua super cabeça. Enfim…
Não conheço a versão original, e mesmo que conhecesse era-me igual, o meu inglês é uma porcaria, portanto não vou dizer se a tradução e adaptação está bem ou mal feita, mas uma coisa é certa, o tradutor/adaptador do livro partiu do princípio que todos os leitores portugueses sabem alemão, uma vez que a palavra “verdammt” aparece várias vezes, podiam ter colocado a tradução nem que fosse em rodapé com uma chamada feita por asterisco (*) se queriam deixar aquela grafia (e é lógico que lá esteja) para se perceber que o mauzão era alemão.

Já por outro lado, o tradutor/adaptador (nem sei se é a mesma pessoa que faz as duas coisas), faz questão de esclarecer VÁRIAS VEZES que S.H.I.E.L.D. significa Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão, embora em inglês signifique Supreme Headquarters of International Espionage and Law-Enforcement Division, e apesar de o meu inglês ser muito parco, parece-me que não significa exactamente o que o tradutor decidiu traduzir, mas pronto, isto é só uma picuinhice minha, acho.

Descobri também que o Tocha Humana (um dos meus heróis favoritos) e o Visão são seres sintéticos (pag.26), sendo que na pág 155 o Tocha Humana passa de sintético a andróide (é a mesma coisa? Pergunto eu), mas pode doar sangue a uma humana (!!!)

Os textos são chatíssimos, quer o herói quer os vilões botam muita faladura (e pensadura) que não passa de conversa mole “pra-boi-dormir”.
A Bernardette, Bernie para os amigos, é a “moça” com pretensões a namorada do Steve Rogers (o Capitão Ventosa, mas sem a roupa ridícula), e… por amor da santa, não podiam ter desenhado uma miúda mais gira?? Tenho cá para mim que o Steve vai ter uma má surpresa se avança para cenas mais intimas, ainda acaba por descobrir que a Bernie é um travesti.
E os diálogos entre eles?? De fugir, muito.

Depois há outra coisa gira que me fez lembrar um certo filme (já antigo – Highlander), onde é que o Capitão Ventosa esconde o escudo? Nas cuecas? É que ele muda de roupa em qualquer lado, e o escudo aparece do nada.

Na pag. 107 o Cap.Ventosa está a passar um mau bocado, e diz “ri-te o quanto quiseres Hide! Se não te deter, alguém o fará!” Hã? Desculpem? “se não te deter”?? Nem me vou pronunciar sobre isto.

Mas o que me fez rir a sério foi uma certa viagem como “incógnito” a Inglaterra, vê-se o Steve aflito a perguntar-se como é que vai passar na alfândega sem que lhe revistem as malas, onde vai guardado o uniforme e o escudo, e então, oh ideia genial, coloca um chapéu e quando lhe pedem o passaporte ele mostra-o, mas com o cartão de identificação do Cap. América (com foto) lá dentro, e o policia do aeroporto deixa-o logo passar. Cof cof cof… não era suposto ele não mostrar o rosto sem máscara? Pior, então um gajo mostra um cartão de super-herói e já está??

Vou mandar fazer um cartão, apetece-me ser a Zakarella, e as fronteiras do mundo vão abrir-se para mim, e já posso transportar as minhas armas todas sem ser incomodada.

Pontuação? Fraquito, mas a capa é gira, e eu gosto de livros com capa dura.

Texto: Aida Teixeira

Espero que vos tenha agradado! A escolha das imagens também é da Aida.

Boas leituras

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A Palavra dos Outros: O Imortal por Aida Teixeira

A Aida Teixeira, depois de ter colaborado na rubrica Lugar aos Novos , veio fazer uma segunda crítica para o Leituras de BD. A primeira foi Armazém Central, esta última sobre um díptico editado pela Booktree uns anos atrás (2002): O Imortal

O Imortal

Quais de nós, reles mortais, nunca pensou que a imortalidade era algo que gostávamos de alcançar?
Quanto aprenderíamos? Quantas pessoas interessantes conheceríamos? Se calhar a lenda dos vampiros imortais vem daí, do nosso desejo de imortalidade (ok, ok há o problema da estaca, dos alhos, e das balas de prata, mas isso são pormenores), por outro lado… que imensa solidão sofreríamos.
Se me dessem a escolher um superpoder a “imortalidade” não seria o poder eleito, definitivamente não.
Leio pouca BD, não porque me faltem livros destes na caverna, mas pronto, não sou calhada para isto, sou mais de ler a metro calhamaços com 500 páginas, e os desenhos faço-os eu na minha cabeça. O diabbo-marido aka Nuno Amado recomendou-me a leitura de “O Imortal”, e eu, mulher submissa (ou então não, então não, ]:-) hihihihihi) leio.
Ora bem, esta história passa-se no séc. XIII (e se quiserem saber como é que cheguei a esta conclusão terão de ler o livro e procurar pistas), idade média portanto, onde tudo o que fugisse à sacro-santa-igreja era certinho que fosse parar à fogueira, não sem antes levar uns apertos pouco amistosos de gente parecida com o primo Torquemada.
Tudo gira em volta de um tesouro (chamemos-lhe assim) que concedia a imortalidade, nem que para o conseguir tivesse de se matar meio mundo, e por em guerra o outro meio.
A história é engraçada, não é nada surpreendente, e tem coisas que me deixaram um bocadinho… hummm como direi? A pensar “quem escreveu isto é parvo, ou faz-se?”
Logo na prancha 2 do 1º Volume (são 2 volumes), um chinês quase parte um braço a um europeu que está com ele dizendo esta pérola “não lhe peço que pronuncie bem o meu nome, mas proíbo-o de colocar a sua mão sobre mim. Não sou um “latino”. Parei logo aqui… por a mão, latino, querem lá ver que os latinos são gajos para andar a colocar as mãos uns nos outros coisa assim tipo bichice pegada?? Terá sido isto que quem escreveu isto quis dizer?
Depois há o uso de palavras e termos que, duvido muito, mesmo muito, fossem usados na idade média “abram os olhos irmãozinhos”, “campónios”; “retocar-lhe a fachada” (em português actual é igual a “partir-lhe a fronha toda”, mas “retocar-lhe a fachada” é mais chique, é verdade, mas… pode igualmente ser usado agora. Séx XXI).
Mas, quem escreveu quis dar ar que sim, que fez investigação, e na prancha 14, também do 1º volume, na última vinheta é usada a palavra “pai” seguida de um asterisco * ( pai*) asterisco esse que faz a chamada para o rodapé, onde esclarece: “forma literária da época, particularmente insultuosa”. Estão a gozar?? Forma “literária” usada por dois “grunhos” (vá um deles não era, mas parecia, mas quem usou a expressão era grunho) ?
Na prancha 28 (1º vol), última vinheta, há uma frase inacabada, fiquei sem saber a opinião do senhor que a proferiu, disse ele: “aha! Sob o ar de velho caduco, ele parece-me ainda muito” , muito quê? Fresquinho? Viçoso? Vigilante? Inteligente? Espertalhaço? Grunffff
E a balonagem??? Mário Miguel de Freitas eu acho que eras gajo para te espumares um bocadito. Eu não percebo um corno de balonagem, mas este livro é a prova em como a balonagem consegue estragar a arte (da qual até gostei bastante), balões redondos, enormes, muito brancos (o livro não é nada de cores claras), balões e mais balões a taparem meias vinhetas, que, no original devem ser lindas, tendo em conta os pormenores.
Mas a arte é bonita – a que se consegue ver, e escapou à sanha do balonador – (no meu ponto de vista, claro), a história é aceitável (já disse que é previsível?), lê-se bem, mas não é uma obra-prima, quando muito será uma obra-sobrinha, ou até uma obra-tia-afastada, mas isto sou eu, que gosto de viajar nos livros, sentir-me dentro da época que eles pretendem retratar, e não gosto de tropeçar no “papá”, e “mamã” de um marmanjo barbado, independente, lutador, que sabe o que quer, mas que a única coisa que não sabia era que lhe iam atribuir falas bacocas.
E pronto é assim. Não é a crítica tradicional a que estão habituados, é a minha, uma pessoa que vê a BD do lado de fora
Não vou dar pontuação, daria se não tivesse aqueles balões todos a tapar os desenhos, assim não dou.


A Aida tem razão! A balonagem é horrível, e cheira-me que a tradução e respectiva adaptação do original também não é boa. Apesar da arte ser boa na sua generalidade tem alguns problemas de anatomia e estruração de movimentos. Em relação ao posicionamento temporal houve pesquisa aturada da Aida Teixeira, que é uma pessoa que liga bastante a pequenos pormenores, e devido a um Ducado de Ouro Veneziano colocou a estória no século XIII, embora a sinopse diga que é século XVI... é que estes Ducados só existiram no século XIII! De quem é o erro? Do autor Eric Puech? Do tradutor/adaptador?
Não sei... realmente os edifícios, roupas e personagens são posteriores ao século XV, mas aquele Ducado logo no início põe tudo no século XIII.

Boas leituras

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Palavra dos Outros: Armazém Central por Aida Maria Teixeira




Armazém Central é uma óptima série feita colaborativamente entre os excelentes artistas Régis Loisel (Peter Pan e Em Busca do Pássaro do Tempo) e Jean-Louis Tripp. Decidiram fazer uma obra toda ela em dupla cooperação, sobre a vida de uma aldeia na província do Quebeque. Loisel desenha, e Tripp trabalha a arte final. A história em si também tem os créditos dos dois. No início de cada livro é exemplificado o método de trabalho que utilizam durante a série! 


Quem irá falar deste livro é a minha mulher, a Aida, que se dispôs, e acabou por se surpreender durante a leitura (o que não é fácil)! Fica a crítica da Aida: 

Por indicação (foi mais a pedido, hihihihi) do marido li os três livros (editados em português) “Armazém Central” de Loisel & Tripp. Comecei logo por esbarrar no “afinal qual é o 1º volume?”, “ahhh é este” respondeu, indicando o “Maria”, “como sabes?” inquiri eu, “sei”, respondeu ele. Meus amigos, é assim: Eu não percebo um corno (literalmente) de BD, e como eu estarão uns 95% dos portugueses. Não acham que tal informação deveria constar da lombada, ou, no mínimo, na primeira página deveria constar “volume 1 de X” ou simplesmente “volume 1”? Reparem, eu que não percebo nada de BD entro numa livraria, pego num dos 3 livros (ao calhas), e gostando dos desenhos penso “ahhh giro para oferecer ao primo da tia que casou com o engenheiro que é irmão da sogra”, e compro. Agora imaginem que comprei o volume “Os Homens” que, não por acaso, até é o último volume editado. A pessoa que o vai receber, não vai perceber nada (nem conseguirá descobrir que aquele é um volume de vários), não gostará da história, e não percebendo nada de BD (pertence aos 95% de ignorantes bedéfilos, onde me incluo), também não sentirá nenhuma vontade de continuar a ler “bonecada”. Faz falta numerar os volumes. 

Agora quanto à história, confesso que comecei por não gostar do desenho, achei que tinha riscos a mais, gosto de desenhos limpinhos e bonitos (o marido falou-me numa tal “linha clara”), mas depois acabei por entranhar o estilo e gostar. A história é quase contada por um espírito, ainda demasiado apegado aos bens materiais e à mulher que deixou, e vai acompanhando a Maria na sua viuvez, no seu crescimento como pessoa que já não vive dependente de um homem. 

A Maria conhece Serge, alguém que foge de si mesmo, mas que adora cozinhar, e põe uma pequena aldeia a comer como se estivessem no melhor restaurante de Paris. Depois os homens regressam do seu trabalho de inverno, homens duros (lenhadores), que não vêem com bons olhos a popularidade que um homem desconhecido, mas bem parecido, culto, e bom cozinheiro tinha granjeado junto de todas as mulheres, bom de quase todas as mulheres. 


Tem um final surpreendente que me pôs a sorrir. Vão ler sim? 
Pontuação: 7,5 em 10 

Digamos que eu daria (pela minha escala que não tem máximo) 8,5! Mas como o post é dela… 
Estão editados em português: 
Marie
Serge
Os Homens 

Hardcover 
Criado por: Régis Loisel e Jean-Louis Tripp 
Editado entre 2007 e 2011 pela ASA 

Boas leituras!









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