quarta-feira, 31 de maio de 2017

Corto Maltese: A Balada do Mar Salgado



A Arte de Autor vai revisitar Corto Maltese, passando a ser a casa deste herói.
Ao mesmo tempo que vai publicar o maior clássico de Corto Maltese, A Balada do Mar Salgado, inicia em Portugal as novas aventuras deste aventureiro escritas por Juan Díaz Canales conhecido entre nós pela série Blacksad, e pelo livro editado há pouco tempo por esta editora Como Viaja a Água; e desenhado por Rubem Pellejero, também já publicado em Portugal com o díptico Âromm. O livro tem como título Sob o Sol da Meia Noite.

E vou começar esta homenagem a um dos meus autores preferidos de banda desenhada com uma visita à Balada do Mar Salgado, até porque ao fazê-lo, estou ao mesmo tempo a reviver as fábulas de uma das personagens que mais me influenciaram ao longo destes anos: Corto Maltese por Hugo Pratt.

E vou começar precisamente pela obra A Balada do Mar Salgado até porque, cronologicamente (publicada entre 1967-1969), é a peça de abertura para o texto épico que se viria a desenrolar até à década de 90. Se aqui o denomino de épico não será tanto pelo carácter heróico dos seus personagens «que na maior parte das suas vezes, são tudo menos heróis» mas mais pelo carácter devastador das suas acções, que tanto a nível físico como a nível da sua psicologia, nos levam a embarcar num mundo de consequências grandiosas: ao mesmo tempo letais; ao mesmo tempo mágicas.

Corto Maltese é isso mesmo, um jogo de personagens complexas, não meras formas icónicas ou ideias que representam o homem característica a característica «bom/mau», «feio/bonito», «rebelde/conformado», mas um todo conjunto, espectro de ideias que nos definem a personalidade tal qual como é «conferindo espessura ao argumento, mas não só, dando-lhe também veracidade».

A Balada do Mar Salgado decorre algures ao largo da Papua e nela é desenhada uma história de pirataria moderna, de eventos que terão decorrido pouco antes, e durante o começo da I Guerra Mundial. É também uma narrativa inserida dentro de um jogo de xadrez de potências, no teatro pré grande guerra, onde se começam a impor as forças quase que imperiais que eram: os ingleses; os alemães; ou os japoneses. Algures, no limbo que é a cartografia deste espaço, existe uma ilha denominada de "escondida", que é comandada por uma figura misteriosa chamada apenas de monge que, acreditando nas histórias contadas pelos aborígenes, tem mais de 200 anos. A verdade é mais plausível, quem sabe, não interessa...

Depois, são-nos apresentadas algumas das personagens principais que nos vão acompanhar ao longo do trabalho de Hugo Pratt: Corto Maltese, o marinheiro que não necessita de apresentação; Rasputine, pirata psicopata, melhor amigo de Corto Maltese; os irmãos Cain e Pandora, que são recolhidos após uma terrível tempestade e um naufrágio. Se o espectro ou a expectativa de guerra nos introduz um factor de caos à narrativa, pelo menos algumas coisas se mantém constantes: a calma placidez do Pacífico; a fúria das suas ondas gigantescas e destroços; o destino de Corto Maltese, pois que, o nosso quase-que-herói, aquando pequeno, pegou numa faca e desenhou a sua própria linha da vida na palma.

O traço, é um traço simples mas muito rico e eficaz, a preto e branco, muitos de vós já o devem conhecer, quanto a mim, nunca me deixa de surpreender.

O livro conta com um prefácio de Umberto Eco e dizer mais do que isto, estaria a contar-vos de novo a Balada do Mar Salgado. Leiam.





A BALADA DO MAR SALGADO, em edição cartonada, a preto e branco com capa mate e verniz cartonado; esta edição, que conta com o prefácio de Umberto Eco e um caderno introdutório com aguarelas a cores, é limitada a 1000 exemplares.







Boas leituras





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terça-feira, 30 de maio de 2017

Lançamento Levoir: Colecção Mulher-Maravilha
Vol.1: Mulher-Maravilha - Terra Um



A Levoir iniciou na passada 5ª Feira (25/05/2017) mais uma colecção distribuída pelo Jornal Público.
A colecção é toda da Mulher-Maravilha, aproveitando, e bem, o hype do filme que estreia no dia 1 de Junho.

São cinco volumes de cinco fases diferentes desta heroína, sendo certo que a Levoir já editou dois
títulos desta personagem: Quem é a Mulher-Maravilha (George Pérez, Phil Jimenez, Allan Heinberg, Terry Dodson) e Super-Homem - Mulher-Maravilha, O Par Perfeito (Charles Soule, Tony S.Daniel)

Esta colecção incluirá prefácios e materiais extra, uma introdução a história da personagem além de uma cronologia detalhada sobre a Wonder Woman.

Mulher-Maravilha - Terra Um

Celebramos os 75 Anos da Mulher-Maravilha com o lançamento de uma colecção, um concurso de ilustração e um passatempo para os nossos seguidores de Facebook para assitir à antestreia do filme dedicado a esta heroína em colaboração com a Warner Bros. Portugal-NOS Audiovisuais.

"Mulher-Maravilha" é a nova colecção da Levoir em conjunto com o jornal Público que sai em banca a 25 de Maio. É uma edição de coleccionador composta por 5 volumes (livros em capa dura ) que incluirá prefácios e materiais extra, uma introdução à história da personagem e cronologia detalhada.

Por 11,90€, os leitores podem conhecer a história da Princesa Diana de Temiscira, a Mulher-Maravilha. Diana vive na Ilha Paraíso, com a sua mãe a rainha Hipólita. Durante milénios as amazonas habitantes da ilha contruíram uma próspera sociedade longe da maligna influência dos homens. Mas a jovem Diana não está satisfeita com sua vida reclusa, sabe que há mais mundo para além da ilha e resolve explorá-lo mesmo que tenha de ir contra os desejos de sua mãe e esta não concorde com os seus planos.
Escrita por Grant Morrison e ilustrada por Yanick Paquette chega a mais provocativa das origens da Mulher-Maravilha – uma leitura sem igual que honra a rica história da personagem!

Os livros da colecção são:
Volume 1 - Mulher-Maravilha: Terra Um – Argumento Grant Morrison, desenhos Yanick Paquette
Volume 2 – Mulher-Maravilha: Um por Todos – Argumento e desenhos Christopher Moeler
Volume 3 - Mulher-Maravilha: A Hiketeia – Argumento Greg Rucka, desenhos J. G. Jones
Volume 4 - Mulher-Maravilha: Homens e Deuses - Argumento Len Wein, desenhos George Pérez
Volume 5 – Deuses de Gotham - Argumento Phil Jiménez e J. M. De Matteis, desenhos Phil Jiménez


O primeiro volume da colecção incluirá a oferta dum postal com a imagem oficial do filme da Mulher-Maravilha com a colaboração da "Warner Bros. Portugal e NOS Audiovisuais"

>> Sabias que: Durante dois meses a Mulher-Maravilha foi Embaixatriz das Nações Unidas? E que o português Miguel Mendonça desenhou a Mulher-Maravilha durante a fase final da linha Novos 52 escrita por Meredith Finch?





Boas leituras





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segunda-feira, 29 de maio de 2017

XIII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja
Opinião e Fotos



No fim-de-semana passado celebrou-se o XIII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. Todos os caminhos deram a Beja por essa altura, uma oportunidade para rever amigos, conhecidos, enfim… muitas caras, muitas pessoas.

Oportunidade única também para comprar em primeira mão muitas novidades de BD, conviver com autores informalmente com uma cerveja na mão, visitar as muitas e boas exposições de originais.
Paulo Monteiro

Muitas apresentações, lançamentos, ou simples painéis de autores no auditório do Pax Julia foram feitos, sempre contados ao minuto pelo Paulo Monteiro, o homem (e a sua equipa) que mantém de pé este evento há 13 anos consecutivos.

O ano passado deu-se uma mudança na localização do núcleo principal do evento, passando da Casa da Cultura de Beja onde esteve durante mais de uma década, para o centro da cidade entre o Teatro Municipal Pax Julia e no largo do Museu Regional.

Existem pessoas que gostam mais desta nova localização, mas eu não sou uma delas por várias razões. Embora o Pax Julia tenha tido este ano as exposições muito bem montadas e grande bom gosto na sua disposição não é tão bom como a Casa da Cultura, onde existe um espaço muito amplo em que as exposições centrais “respiram” mais à vontade. De facto o auditório para lançamentos do Pax Julia é bastante melhor, mas as exposições ficam bastante mais labirínticas.

Depois, aquelas arcadas da Casa da Cultura eram um local onde os visitantes podiam descansar e fugir do Sol que não existe no Largo do Museu Regional, onde a natureza faz das suas sem fuga possível para os visitantes, tendo apenas umas árvores para refúgio.

Presumo que sirva melhor a cidade de Beja esta nova centralidade do festival, e este precise do apoio da Câmara Municipal… mas pronto, eu preferia sinceramente a Casa da Cultura.

Outra situação que eu tenho a apontar, e continuo a falar pessoalmente (existe com certeza quem goste), é o palco dos Concertos Desenhados. O local de lazer e descanso (e autógrafos) dos visitantes é precisamente o local onde o palco está instalado. Torna-se muito desagradável estar sentado a beber uma cerveja e conversar com amigos e ouvir durante uma tarde inteira check sounds para os concertos da noite. Ninguém consegue falar sem ser quase aos gritos e de vez em quando a saltar com alguns sons arrepiantes! Não é compatível “zona de descanso e lazer” com um palco em constante check sound e por vezes com pequenos concertos que nem sequer agradam a uma boa parte das pessoas presentes, ou seja, torna-se invasivo e anti-social.

Bem, quanto às exposições em si. Estavam maravilhosas, com muito bom gosto e recheadas com trabalhos de excelentes artistas.
As apresentações decorreram a um bom ritmo no auditório sem se tornarem enfadonhas, e sempre controladas pelo cronómetro do Paulo Monteiro.


O som nos Concertos Desenhados estava bastante decente e para quem gosta deste tipo de evento presumo que foram bastante bons.
Os artistas convidados foram de uma grande simpatia, nunca fugindo à convivência com os visitantes. Apenas faltou um “grande” no festival. Giménez não pode vir devido a ter sido sujeito a cirurgia Foi uma pena, pode ser que venha para o ano!

Quanto à cidade de Beja, continua igual e ela própria: espectacular!

As exposições ficam até ao final do festival, assim como a loja de BD, ou seja, até dia 11 de Junho. Até ao final haverão muitos workshops e um encontro de Urban Sketchers. Podem verificar as datas e horas no programa do evento, neste link:

XIII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja: Programação






Concertos Desenhados

José de Freitas - Terkel Risbjerg - Judith Vanistendael - Anne-Caroline Pandolfo

Sama - Pedro Moura

Janaína de Luna - Pedro Cobiaco


Juan Giménez



Jorge Coelho





Grazia La Padula





Artur Correia





Paolo Motturi





Flávio Luiz





Judith Vanistendael





Anne-Caroline Pandolfo & Terkel Risbjerg





Pedro Morais




Ricardo Venâncio



Vinhetas da Roménia







Rafael Coutinho







Luís Afonso




Pedro Cobiaco






Geral do festival e da cidade
Pedro Cobiaco e Grazia La Padula - Autógrafos na Kingpin Books

Loja do festival

Loja do festival

Tenda de Modelismo

Loja da Arte de Autor

Loja da Arte de Autor

Loja da Comicheart

Loja do festival

Sama
Loja do festival

Mário Freitas e Pedro Cobiaco

Anne-Caroline Pandolfo, Terkel Risbjerg e Josá de freitas

Visita à cidade por Florival Baiôa Monteiro

Graffiti em Beja



Boas leituras e até para o ano!






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