quinta-feira, 12 de março de 2015

Máquina do Tempo: JLI, o Espaço e a Europa nunca mais foram os mesmos



Voltemos a dar uma olhadela por uma das incarnações mais engraçadas da Liga da Justiça, a loucura de Giffen/DeMatteis não parava de crescer e por isso a Liga necessitava de mais membros, de ir mais além e isso implicava também ir ao espaço. Poderão ler o primeiro artigo da JLI em Máquina do Tempo: JLI, os primeiros anos

Começamos a nova fase da JLI com uma ameaça extra terrestre, um grupo de comerciantes de outros planetas que gostam de comprar e vender coisas nos diversos mundos que visitam. O líder era o Lorde Manga Khan, que gostava de coisas melodramáticas e de falar consigo mesmo, apesar dos avisos do seu fiel servo robótico L-Ron. Este começo de uma nova fase só é manchado pela arte de Steve Leialoah, que não estava ao mesmo nível de Maguire nem assentava bem no estilo da equipa.

Giffen não esteve sempre presente, e o seu parceiro não tinha a mesma capacidade de criar comédia com aquelas personagens, por isso foi um começo com altos e baixos mas sempre com umas gargalhadas pelo meio. Graças a esta saga ficámos a conhecer também o Lanterna Verde G'Nort e tivemos ainda mais à frente a presença do Lobo e de heróis e heroínas nem sempre utilizados, como a Grande Barda.

Com parte da equipa no espaço e parte na terra, alternou-se a coisa com uma sequência de histórias ao nível do James Bond, envolvendo os membros Batman, Besouro, Gladiador, Fogo e Gelo (ainda provisórias) e repetindo o vilão de Bialya mas sendo rapidamente substituído por uma rainha muito mais ameaçadora. Felizmente essas aventuras tiveram a arte de Maguire, que fez sobressair o humor na história e com pequenos pormenores realmente fantásticos.


Entretanto no espaço, Manga Khan decide contratar o Lobo para destruir os Justiceiros que estavam no espaço, mas Barda consegue o enviar para bem longe deles, o pior é que ele vai parar à terra e bem para perto dos outros membros da Liga. Isso leva a um confronto com Guy Gardner, que graças à pancada que levou voltou a ser o mesmo do começo, alguém irritante e pronto para uma boa briga.

Pelo meio tenta-se aliciar novos membros para a equipa, o que nem sempre corre bem e cria alguns momentos bem engraçados. Com Ty Templeton na arte, temos a fase final da saga de Manga Khan, com toda a equipa (já com membros novos, mesmo que temporários, como o Gavião Negro) em Apokolips para enfrentar as tropas da Vovó Bondade e Darkseid, algo que termina quando sabemos que Oberon até é amigo do vilão, e depois de uma boa conversa tudo chega ao fim.

No geral foi uma saga um pouco abaixo da média, mas com grandes momentos e que cimentou o lugar da equipa no universo da DC, mostrando que apesar de serem uns palhaços, ainda eram a Liga e todos podiam contar com eles. Isso continua com os tie-in de Invasão, que mostra a equipa (especialmente o Capitão Átomo) a ser extremamente útil mas ao mesmo tempo super divertido (como o momento de vários heróis a babarem com a Mulher Maravilha). Tudo isto ajudado com a arte de Kevin Maguire, que realmente era a pessoa ideal para retratar esta equipa e suas desventuras. Há uma série de quadrados fantástica entre o Milagre e Gardner, impossível não rir com aquilo.


O non sense do humor crescia, as expressões faciais de Maguire faziam o resto assim como a combinação da história de Giffen com os diálogos de DeMatteis, tudo se complementava na perfeição e ninguém se cansava do estilo deste humor. O número em que ficamos a conhecer um bando de vilões fracassados prova bem isso, os autores podiam fazer o que queriam e nós apenas devorávamos alegremente o que nos entregavam.

Já tinham passado dois anos, tudo ficou fã do Caçador de Marte fã de Oreos, das besteiras de Besouro e Gladiador, da inocência do Soviete e do machismo de Gardner, eram todos uma grande e alegre família. Mas Maxwell Lord achava que era altura de crescer ainda mais

O número em que se organiza uma festa para todos os heróis que ajudaram na Invasão, é algo muito divertido, Oberon aproveita para propor que entrem para a Liga, o que origina a respostas bastante engraçadas. No final descobrimos que afinal se iria criar uma equipa da Liga que ficasse focada no continente Europeu, nesse grupo iriam estar alguns membros habituais como o Capitão Átomo (que seria o líder) e o Soviete, para além de heróis habitualmente identificados com outras fases da equipa como o Flash, a Mulher Maravilha (embora de forma fugaz) ou o Homem Elástico. A completar o grupo vinham Homem-Animal, Metamorfo e Poderosa, todos a representar diferentes núcleos do universo da DC e dando mais profundidade à equipe.

Os primeiros números realçavam a diferença entre o estilo mais sóbrio do Europeu, em contraste com o ar aventureiro e descontraído dos Americanos. Fora o facto de que eles nem falavam a língua, algo que foi sempre apontado em diversos números e culminou numa história bem divertida em que os heróis entram para uma escola nocturna de modo a aprender Francês.

A arte de Bart Sears era interessante e deu uma alma própria ao grupo, algo que a escrita de Giffen/DeMatteis também sempre fez questão de realçar, apesar do humor continuar presente, estes não eram apenas uma versão da JLI, era como se fosse uma à parte com as suas próprias personalidades e piadas privadas.


No começo também parecia que queriam recuperar um pouco o espírito antigo da Liga, houve muito mais acção nas primeiras aventuras da equipa, e até pequenos pormenores como a divisão dos membros para irem em pequenos grupos enfrentar os seus inimigos.

A perda de memória de Metamorfo, o nariz sempre a tremer de Ralph Dibny e a relação com Sue e a pouca maturidade de Wally West eram algumas das principais características da equipa. Existiam assim duas revistas para os fãs deste tipo de humor, no outro lado do Atlântico existiam alguns problemas com o Besouro e Gladiador, devido a uma lavagem cerebral que tinham sofrido e que precisaram da ajuda de Amanda Waller e do Kent Nelson/Nabu.

Sinceramente nesta altura eu era mais fã da JLE do que da JLA, as histórias estavam mais interessantes, mas como era fã já das outras personagens, conseguia sempre me divertir com as suas aventuras. A aventura em conjunto entre os dois grupos foi bem divertido, tendo acção com fartura e alguns momentos bem surreais relembrando o começo de tudo. Quem não se recorda da confusão com a Sra. Destino?

Entretanto dava-se passos para uma relação entre Garder e Gelo, duas personalidades bastante opostas mas que pelos vistos sentiam algo um pelo outro. Era um aspecto ainda não explorado nas aventuras da equipa, mas bem trabalhado pelos seus autores. Enquanto a JLE voltava à suas histórias com um pouco mais de mistério e acção, a JLA voltava à loucura total com a aventura na ilha kooey kooey kooey a ser um dos momentos mais marcantes de toda a história da JLI e uma ainda hoje relembrada por todos os seus fãs.

Foi o canto do cisne das vigarices e tentativas de dinheiro fácil de Besouro e Gladiador, e algo que podia ter corrido bem mal, mas que acabou bem com a ajuda de um dos membros fundadores da verdadeira Liga, o Aquaman.

A partir daí as coisas começaram a esmorecer, mas fica para o próximo artigo.





Já sabem que podem visitar o meu blog Ainda sou do Tempo para mais viagens no tempo
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3 comentários:

  1. Eu li mais dessa fase da Lje até que depois chegou o Gerard Jones e Jurgens na LJA houve reboot para a Liga da Justiça e Batman.

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  2. Ah, os tempos da Liga da Justiça Europa. Que raramente tinha membros europeus...

    É interessante verificar como havia uma altura na vida dele em que o Bart Sears sabia desenhar. E até adequou o seu estilo para não destoar muito do Maguire.

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  3. O Sears aqui estava muito bem, e sim por não destoar do Maguire a transição era boa. A cena de não terem europeus foi sempre muito bem trabalhada, e depois ainda arranjaram aquela Raposa

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Bongadas