quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Supergirl - Woman of Tomorrow


"It is true. She was many things to many people.
But she was never soft."


De vez em quando na vertente do género super-heróis escorregam para a prateleira grandes livros.
Este é um deles.

Senti um fascínio ao ler esta obra igual ao que senti ao ler a saga Annihilation da Marvel, ou não fosse eu um super fã de Sci Fi, e sim este conto épico passa-se todo no espaço, ninguém coloca os pés na Terra.

Esta história também me diz que eu me afastei demasiado dos comics, uma mini-série deste calibre saiu entre 2021 e 2022 e passou-me completamente ao lado, mas a culpa disto não é minha na realidade, a DC e a Marvel desde há muito tempo que só publicavam histórias medíocres, e enganavam os leitores ao mudar de autores a meio de um arco de histórias, por exemplo. Eu odiava isso… e abandonei quase completamente este tipo de leitura há 10 anos.

E devido a esse afastamento o meu desconhecimento da existência da brasileira Bilquis Evely era total! Descobri a genialidade dela neste livro, sabendo agora que ela já trabalhou em Wonder Woman e The Dreaming.

O meu único conhecido aqui é mesmo o escritor, Tom King, com muitas provas dadas em séries como Batman ou Miracle Man, isto porque o colorista de seu nome Matheus Lopes era outro desconhecido para mim. Aqui neste Supergirl – Woman of Tomorrow ele faz correr um caleidoscópio de cor em cima das linhas de Evely perfeitamente fenomenal. Desculpem-me os adjectivos para estes autores, mas acho que são merecidos.

O livro que comprei é a Deluxe Edition de 2024, e como livro vale todos os cêntimos gastos nele. Uma espinha resistente, um papel bem adaptado à coloração, e muitos extras. Bons extras. Todas as capas variantes, sketchs, e os thumbnails de Bilquis de todas as páginas da obra.
Penso que a sobrecapa poderia ser mais apelativa, comparando com toda a arte que este livro possui no seu interior. Assim decidi colocar na imagem de topo deste meu artigo de opinião a capa dura interior, que na minha opinião é muito superior à sobrecapa.


Falando da história… este é um tema dos mais antigos de livros ou filmes: vingança.
Mas esta é uma história de vingança cósmica, em que a saga de Kara Zor-El é contada através dos olhos de Ruthye Marye Knoll. Esta jovem faz a narração de toda a história, mas atenção, o leitor tem de estar desperto para algumas dessincronizações entre a narração e o que se passa nas imagens, pois Ruthye está a escrever um livro e por vezes o que escreve não é exactamente aquilo que se passou.

É com Ruthye que tudo começa. A sua demanda de vingança pelo assassinato do seu amado pai por Krem of the Yellow Hills .
As circunstâncias levam-na a cruzar-se com uma embriagada Supergirl, que estava a festejar os seus 21 anos de idade ao abrigo de um Sol vermelho, o que lhe tolda os poderes.


Embora Kara não quisesse acompanhar a sede de vingança da pequena Ruthye, acaba por o fazer, aparentemente porque Krem dispara duas flechas no seu cão Kripto deixando-o às portas da morte.

E assim começa esta saga, que nos vai fazer passar por viagens espaciais e inúmeros planetas, muitos horrores praticados por seres sencientes, e em que Ruthye vai aprendendo e calejando a sua personalidade simples, com doses de emoções muito fortes, eventos de coragem extrema, e por vezes muita tristeza.

Tom King apresenta-nos uma Kara Zor-El com danos e traumas porque passou por algo que o seu primo não passou. O Superman Kal-El saiu de Kripton bebé e não assistiu à destruição lenta do planeta e dos seus habitantes, uma morte lenta da qual Kara tem uma imagem bem vívida. Mas a sua resolução, coragem, valentia e empatia são as mesmas do primo, o sangue de El corre na família. Mas sim, ela luta pela verdade e pela justiça, mas à maneira dela, e o leitor apercebe-se de toda esta luta pelos olhos de Ruthye, o que não deixa de ser algo diferente neste tipo de história. Na realidade esta é a história de Ruthye, os factos, assim como o seu livro.


No meio de toda esta violência física e emocional aprendemos que esta é uma grande lição da Supergirl para a jovem Ruthye, em que podemos escolher no final que tipo de fim queremos dar à nossa história: vingança pura e dura ou podemos escolher a opção de não perdoar (mas poupar).

Já agora um dado curioso…  a quantidade de inimigos do Superman com que Kara se cruza 😅, até um planeta com um Sol verde alguém criou apenas com o objectivo de matar o Superman.

A conclusão da história é muito satisfatória na melhor história da Supergirl que já li. Tom King leva-nos por caminhos difíceis, com um inglês que exige bastante de um leitor não nativo, em que ele redefine a personagem Kara Zor-El, dando-lhe um “corpo” que ela não tinha. E isto é importante para tornar a personagem apelativa para as novas gerações de leitores.
E King foi muito bem servido por Evely e Lopes que conseguiram com a sua arte dar uma vertigem cósmica e exótica, que assentou que nem uma luva na escrita deste épico


Por vezes este género estagna (daí eu me ter afastado) e é preciso fazer algo de qualidade para que novos leitores adiram, assim como os antigos leitores de cabeça mais aberta se motivem a continuar a ler.

Isso foi conseguido neste livro!

Espero que o filme Supergirl, que vai sair no meu dia de aniversário, seja do mesmo calibre que o livro, visto que se vai basear nele.
Como curiosidade, já toda a gente viu que o Lobo vai entrar no filme, e embora não apareça no livro apresentado ao público, na ideia inicial de Tom King havia um team-up Supergirl/Lobo. No filme penso que se irá materializar.

O Leituras de BD recomenda a leitura deste livro

 

Boas leituras


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