“… why are you alive?”
Pergunta muito complexa na sua simplicidade. E é basicamente esta pergunta feita no final do 9º volume, que ata toda esta história brutal (mas honesta) nas emoções em que revolve.
No primeiro post que fiz sobre esta série coloquei
muitas generalidades e explicações, portanto leitores que venham até aqui pela
primeira vez, cliquem por favor no link seguinte para que tudo faça mais
sentido:
Alice in
Borderland Vol.1 & Vol.2
Não vou enumerar todos os jogos que aconteceram nestes sete
volumes, acho um pouco irrelevante, basicamente são testes de força,
inteligência e superação psicológica, mas no final o ingrediente principal é a
vontade de viver de cada um, é com essa vontade que se define o resultado de
muitos jogos mortais.
No post anterior ficamos no volume 2, onde Arisu e Usagi
encontram “a praia”. Local onde muitos jogadores se encontravam e coleccionavam
cartas para os jogadores mais antigos e mais fortes.
Este refúgio era um local de prazer para todos os jogadores que lá se
encontravam, desde que cumprissem as regras. Tudo mudou quando os se sabe que
existem Dealers do jogo misturados, e se abre um jogo neste local. O
jogo era o 10 de Copas, com o nome Witch Hunt.
Claro… jogo de Copas
implica intensa mortandade e guerra psicológica, assim no final do jogo “A
Praia” está completamente destruída.
Criam-se grupos, criam-se ligações entre sobreviventes, Arisu
e Usagi ensaiam um romance
Arisu pensa muito, pensa demais e entra num estado depressivo de que é
salvo por Usagi, conseguindo atingir alguns dias de felicidade finalmente.
Os jogos entram numa segunda, e final etapa, e são grandes e
terríveis jogos de vários naipes, alguns deles muito interessantes e retorcidos
moralmente.
Esta segunda fase traz os Gamemasters ou Citizens para a arena.
São eles que mandam em Borderland, sabendo-se depois em side stories que
eles são sobreviventes do jogo que preferiram ficar, portanto, personagens
poderosos.
Estes jogadores especiais vão arriscar a sua vida em jogos
contra Arisu e os seus amigos. Os locais são identificados com as
figuras de cada naipe. Sempre que um era eliminado a imagem da figura do naipe
era destruída.
Os jogos na sua maioria são bastante bons, mas também tem alguns bastante chatos. Arisu ganha o primeiro jogo, mas fica afectado psicologicamente decidindo não jogar mais até o seu visto de permanência caducar, ou seja, entra em depressão novamente. Mas é algo que muda depois de ver uma filmagem de um jornalista, que lhe vai abrir a mente.
Entra no último jogo com Usagi contra a Rainha de
Copas. O jogo é simples, mas é de Copas.
E foco-me por aqui no que respeita à história. Se quiserem saber tudo é fácil,
é só comprar estes 9 volumes.
Adorei a progressão da arte de Haro Aso, sempre a
melhorar até ao final. A narrativa gráfica sempre muito boa, e as personagens
sempre muito bem tratadas nas expressões, sobretudo quando entra o desespero e
o medo em equação.
O ambiente gráfico é muitas vezes sufocante sentindo-se toda a tensão da narrativa
cravada na parte da gráfica.
Falando da narrativa, as personagens são muito bem tratadas
psicologicamente. Não é uma nem duas personagens, são muitas, todas elas bem
diferentes umas das outras e completamente tridimensionais.
O fio da narrativa perde-se um pouco com as side stories que vão acontecendo, para contar a história de algum personagem, ou para colocar em evidência alguma situação pontual. Mas acabam por ser bastantes, e numa narrativa tão asfixiante, complexa e psicológica, o leitor acaba por criar uma ligação com o grupo principal, e quer saber o que se passa a seguir. Estas sides stories acabam por ser anti-orgâsmicas porque quebram a cadência do leitor. Nem todas, claro, algumas são importantes e cativantes.
Acabo este post com a pergunta inicial: porque estás
vivo?
Qual a importância da tua vida? Ou quanto vale a tua vida?
Este é o ponto central de toda esta história. No jogo de Chishiya
contra o Rei de Ouros isto é posto na balança de um modo brutal.
No final aparece uma carta diferente… o Joker. É um final excelente para toda
esta obra tudo o que acontece a seguir ao Joker.
No fim disto tudo, o Leituras de BD recomenda
vivamente esta obra.
Uma obra para se ler lentamente, a pressa estraga os pormenores narrativos.
Boas leituras





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