
Armazém Central é uma óptima série feita colaborativamente entre os excelentes artistas Régis Loisel (Peter Pan e Em Busca do Pássaro do Tempo) e Jean-Louis Tripp. Decidiram fazer uma obra toda ela em dupla cooperação, sobre a vida de uma aldeia na província do Quebeque. Loisel desenha, e Tripp trabalha a arte final. A estória em si também tem os créditos dos dois. No início de cada livro é exemplificado o método de trabalho que utilizam durante a série!

Quem irá falar deste livro é a minha Diabba, que se dispôs, e acabou por se surpreender durante a leitura (o que não é fácil)!
Fica a crítica da Diabba:
Por indicação (foi mais a pedido, hihihihi) do diabbo-marido li os três livros (editados em português) “Armazém Central” de Loisel & Tripp.
Comecei logo por esbarrar no “afinal qual é o 1º volume?”, “ahhh é este” respondeu, indicando o “Maria”, “como sabes?” inquiri eu, “sei”, respondeu ele.
Meus amigos, é assim: Eu não percebo um corno (literalmente) de BD, e como eu estarão uns 95% dos portugueses. Não acham que tal informação deveria constar da lombada, ou, no mínimo, na primeira página deveria constar “volume 1 de X” ou simplesmente “volume 1”?
Reparem, eu que não percebo nada de BD entro numa livraria, pego num dos 3 livros (ao calhas), e gostando dos desenhos penso “ahhh giro para oferecer ao primo da tia que casou com o engenheiro que é irmão da sogra”, e compro. Agora imaginem que comprei o volume “os homens” que, não por acaso, até é o último volume editado.
A pessoa que o vai receber, não vai perceber nada (nem conseguirá descobrir que aquele é um volume de vários), não gostará da história, e não percebendo nada de BD (pertence aos 95% de ignorantes bedéfilos, onde me incluo), também não sentirá nenhuma vontade de continuar a ler “bonecada”.

Faz falta numerar os volumes.
Agora quanto à história, confesso que comecei por não gostar do desenho, achei que tinha riscos a mais, gosto de desenhos limpinhos e bonitos (o diabbo marido falou-me numa tal “linha clara”), mas depois acabei por entranhar o estilo e gostar.
A história (o diabbo-marido escreve “estória” mas eu não gosto dessa grafia) é quase contada por um espírito, ainda demasiado apegado aos bens materiais e à mulher que deixou, e vai acompanhando a Maria na sua viuvez, no seu crescimento como pessoa que já não vive dependente de um homem.
A Maria conhece Serge, alguém que foge de si mesmo, mas que adora cozinhar, e põe uma pequena aldeia a comer como se estivessem no melhor restaurante de Paris.
Depois os homens regressam do seu trabalho de inverno, homens duros (lenhadores), que não vêem com bons olhos a popularidade que um homem desconhecido, mas bem parecido, culto, e bom cozinheiro tinha granjeado junto de todas as mulheres, bom de quase todas as mulheres.
Tem um final surpreendente que me pôs a sorrir.
Vão ler sim?
Pontuação (acho que é hábito este blog pontuar os livros lidos): 7,5 em 10
Digamos que eu daria (pela minha escala que não tem máximo) 8,5! Mas como o post é dela…
Estão editados em português:
- Marie
- Serge
- Os Homens
Boas leituras!
Hardcover
Criado por: Régis Loisel e Jean-Louis Tripp
Editado entre 2007 e 2011 pela ASA
Nota : 7,5 em 10