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terça-feira, 21 de abril de 2015

Uma ideia chamada Grendel



Os anos 80 permitiram a muitos autores norte-americanos de banda desenhada montarem uma carreira onde podiam explorar as suas próprias ideias. Uma das editoras receptiva a este género de artistas era a Comico, que pegou num jovem da Pensilvânia chamado Matt Wagner. A primeira série desenvolvida para a editora foi Grendel, que combinava o gosto de Wagner por crime noir pelo seu interesse no romance Grendel, de John Gardner, que contava o épico de Beowulf, mas da perspectiva do monstro.

Grendel pode ter começado como a história de um criminoso culturalmente sofisticado, mas com o passar dos anos a história evoluiu, adoptando roupagens de ficção científica e de terror, onde Wagner, mais tarde apenas como escritor, viria a misturar vampiros, samurais, ciborgues, incesto e uma guerra entre estado, corporações e religião. Para todos os efeitos, Grendel começou em 1982 com a primeira história que introduziu o assassino Hunter Rose, e terminou em 2000 com o livro ilustrado Past Prime, com o ciborgue Grendel-Prime, mais de 500 anos depois de Hunter Rose ter vivido. No entanto, o tema continua a ser revisitado, viajando entre o passado e o futuro.

Basicamente, a história de Grendel divide-se em quatro partes, que são correspondentes às quatro edições Omnibus que a Dark Horse Comics lançou entre 2012 e 2013.

Fase 1: Hunter Rose


Hunter Rose é o mais famoso de todos os que usaram o nome Grendel e, estranhamente, durante muitos anos, foi o que teve menos histórias. Rose começou numa antologia dedicada ao lançamento de novas propriedades (Grendel surgiu no nº 2 da revista Primer; The Maxx, de Sam Kieth, teve a sua origem no nº 5) e daí saltou para a sua revista a preto e branco, que foi cancelada após três números, devido às dificuldades financeiras da Comico. A pequena editora tentou entrar nas bancas e nas livrarias, mas, sem meios, acabou por necessitar de um novo proprietário.

Matt Wagner aproveitou para reorganizar a história e, quando a Comico regressou, desta vez com revistas a cores, em vez de relançar Grendel, resolveu contar uma graphic novel curta em capítulos, como história extra do seu outro título, Mage, que se apropriava da história do Rei Artur num ambiente urbano. Intitulada “Devil by the Deed”, foi republicada como uma edição especial em 1986, e contava sob a forma de documentário a curta mas intensa história de Hunter Rose, que morreu aos 20 anos, em combate com o lobisomem Argent, depois de ter-se simultaneamente tornado um famoso escritor policial e tomado conta do submundo do crime no espaço de dois anos.

Embora o falecido Hunter Rose continuasse a ser a peça motriz das primeiras 19 edições da futura revista de Grendel, Matt Wagner apenas voltou a pegar na personagem em 1998 e em 2002, com as mini-séries antológicas “Red, White and Black” e “Black, White and Red”. Wagner trabalhou com diversos artistas nas várias histórias, que preencheram com pormenores a história do primeiro Grendel.

Fase 2: A neta de Grendel

A primeira edição de Grendel não tinha a personagem principal na capa nem na história. Pelo menos, não directamente. Em vez disso, a história era contada do ponto de vista da jornalista Christine Spar, filha biológica de Stacy Palumbo, menina adoptada por Hunter Rose depois de Grendel ter assassinado o seu pai. Spar era jornalista e ganhou fama ao escrever o livro com a história de Grendel. Aqui, Wagner passou a concentrar-se na escrita, deixando a arte para os irmãos Jacob e Arnold Pander.

Christine vê-se forçada a usar a máscara e a arma de Grendel (uma forquilha eléctrica) para investigar o rapto e morte do seu filho Anson pelo vampiro Tujiro XIV, levando a um inevitável confronto mortal com o lobisomem Argent, depois de Christine se transfigurar completamente em Grendel. Apesar de se passar num futuro próximo na primeira metade do século XXI, Wagner não tem problemas em usar elementos sobrenaturais em detrimento da ficção científica, como lobisomens, vampiros ou possessão demoníaca.

A história continua brevemente com Brian Li Sung, namorado de Christine, que não se adapta ao novo papel como Grendel e o vê ser morto num confronto directo com o capitão da polícia de Nova York, Albert Wiggins. Volvidos quinze números, e por sugestão do artista Bernie Mireault, Wagner começou a explorar a ideia de Grendel poder possuir mais do que uma pessoa ao mesmo tempo. Os primeiros passos são dados numa série de quatro números em que Wagner volta a desenhar, em que Wiggins se torna famoso como autor de uma série de livros de ficção com Hunter Rose, garantindo assim a propagação de Grendel. Com o passar do tempo, Wiggins começa a enlouquecer e também conhece um fim trágico.

Fase 3: Da incubação a Grendel-Khan


Durante as próximas edições, Grendel parece estar adormecido. Com a morte de Wiggins, Matt Wagner leva a história a passos largos para o futuro, com as corporações a tomarem conta da América do Norte e consequente desagregação do tecido social. Através das histórias de Grendel contados por Wiggins e a sua transformação em programação televisiva subliminal, o nome passa a estar associado ao elemento criminoso, com os membros das gangues mais organizadas a chamarem-se Grendels a si próprios.

Mas a Igreja Católica estabelece-se na América e associa a figura de Grendel ao diabo, tornando-os uma só pessoa. A antiga organização religiosa reinventa-se completamente no novo território, associando imagens de Elvis Presley à sua galeria de santos, e instituindo uma nova Inquisição, depois de se fundir com a COP, a polícia corporativa. As actividades da igreja atraem a atenção de duas pessoas, um auditor chamado Orion Assante, que pertence a uma das famílias da aristocracia norte-americana, e Eppy Thatcher, um génio maníaco que torna-se a primeira pessoa em mais de 500 anos a usar a máscara de Grendel. As revelações sobre o papa Inocente XVII como sendo, na verdade, o vampiro Tujiro e o plano da igreja para tentar destruir o Sol podem fazer Thatcher parecer um herói, mas na verdade ele é um anarquista movido por vingança e paranóia.

As acções de Thatcher e as maquinações da igreja motivam Assante a envolver-se numa demanda político-militar. A sociedade americana entra em colapso devido à multiplicação desenfreada de vampiros (Pellon Cross, o novo líder depois da morte de Tujiro, morde pessoas constantemente) e à destruição do aparelho social da igreja. Entretanto, Orion estava ocupado a conquistar novos territórios, na América do Sul e na África, e usa a arma de Tujiro para devastar o Japão, assegurando que o espírito de Grendel conquista a Terra.

Fase 4: Grendel-Prime

A fase seguinte para todos os efeitos termina a saga de Grendel, mas com Matt Wagner a conseguir levar a propriedade da semi-falida Comico para a Dark Horse. Depois de ter dado à luz o seu filho num útero artificial, Orion Assante, agora o Grendel-Khan, morre deixando a regência nas mãos da segunda mulher, a autocrata Laurel Kennedy. No entanto, o tecido social volta a romper-se nos vários continentes e, antevendo a quebra da sociedade, Assante tinha dado ordem a um Grendel, um ciborgue conhecido como Grendel-Prime, para raptar e esconder o seu filho, Jupiter.

Crescendo até à idade adulta, Jupiter não teve dificuldades em assumir o comando no cada vez mais desordenado império americano, mas também ele viria a sucumbir a um assassinato anos mais tarde. A forma de Grendel já dominava o mundo, contaminando a ordem social como uma força paramilitar inspirada em samurais, mas não parece haver mais espaço de manobra para crescer. A sociedade do século XXVIII parece ser uma mistura de barbarismo e tecnologia avançada, num conflito entre os resultados desta e a natureza.

A história continua noutros formatos, na novela ilustrada Past Prime, onde Susan Verhagen, ex-amante de Crystal Kennedy, filha de Laurel e aliada de Jupiter, procura encontrar o desaparecido Grendel-Prime depois de ter caído em desgraça. Na história “Devil Quest”, incluída numa das séries de Grendel Tales, é o neto de Jupiter que vai à procura do ciborgue. Mas já não havia mais nada a explorar neste período. Então, Matt Wagner virou-se novamente para o passado, editando novas histórias com Hunter Rose.

Mundos parelelos: Batman e contos de Grendel



Fora da revista normal, foram publicadas muitas outras histórias de Grendel. As mais interessantes e de melhor qualidade são os dois crossovers com Batman, o primeiro com uma visita de Hunter Rose a Gotham City e o segundo com Grendel-Prime a viajar para o passado para encontrar a caveira de Rose.

Matt Wagner também explorou alguns mundos paralelos, nomeadamente uma mini-série com a origem do lobisomem Argent, intitulada Silverback. Pouco antes do fecho da Comico, Wagner tinha planeado iniciar uma série antológica chamada Grendel Tales, para contar histórias dos vários clãs de Grendels que infestavam o ambiente urbano da América futura, da autoria de outros escritores e artistas. Foram publicadas oito mini-séries, onde trabalharam nomes como James Robinson, Paul Grist, Darko Macan ou Steve Lieber.

Mais recentemente, Wagner regressou mais uma vez a Hunter Rose, para um crossover nos anos 30 com o Sombra, via viagem no tempo, e publicado pela Dynamite Entertainment em 2014.










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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Star Wars: Cavaleiros da Antiga República


Como é do conhecimento dos leitores portugueses a Planeta DeAgostini anda a publicar a grande saga Star Wars em BD. São 70 volumes que correm quase tudo o que está publicado nos EUA. Talvez uma das colecções mais ambiciosas de sempre da BD em Portugal.

Os primeiros volumes foram os clássicos da Marvel, são históricos mas apenas afloraram as possibilidades da expansão deste universo, com histórias “entre filmes” baseadas nas personagens principais dos filmes Ep. IV, V e VI. Ou seja, Princesa Leia, Luke Skywalker e Han Solo.

Mas já aí se notava as possibilidades que este universo poderia valer para a Banda Desenhada. Esta expansão ocorreu quando a Dark Horse ficou com os direitos da série.
E o arco que dá o título a este post foi um dos primeiros de grande sucesso: Knights of the Old Republic.

O autor do argumento desta saga foi John Jackson Miller, e este argumentista deu combustível à série durante cinco anos. Desde 2006 até 2010! No original foram 9 TPB que a Planeta DeAgostini compilou em 7 volumes.

Ao nível do argumento (e do desenho também) a série teve altos e baixos como seria de esperar pela longevidade da série, mas na generalidade foi bastante boa. Sobretudo foi muito consistente, e claro, isso deveu-se a que o argumentista fosse sempre o mesmo. Iniciou, desenvolveu e finalizou.

Graficamente teve muitos desenhadores. A revista era mensal, portanto não se compadecia com as velocidades naturais dos desenhadores. Assim tivemos Brian Ching, Travel Foreman, Dustin Weaver, Harvey Tolibao, Bong Dazo, Scott Hepburn, Alan Robinson, Dean Zachary e Ron Chan.

Visualmente a série é bastante atractiva, a narrativa gráfica flui muito bem por quase toda a série. Nada a dizer, os artistas envolvidos foram competentes.
O que fez com que esta série fosse um sucesso (até teve direito a um jogo de computador)?
Foi exactamente a finalização cinematográfica da série, com o Ep. III, e a ânsia dos fãs em quererem mais, muito mais!
























Assim a Dark Horse deu aos fãs uma aventura iniciada quase 4000 anos antes da batalha de Yavin (Ep. IV). É claro que tinha tudo para ter sucesso… e teve!

Cavaleiros da Antiga República conta a história de Zayne Carrick. Este Padawan foi culpado pelo massacre de vários outros Padawans… tudo porque os Mestres Jedis deste templo pertenciam a um ramo fundamentalista que acreditava em visões. Mestres estes que foram na realidade os responsáveis pelo massacre. Cada Mestre assassinou o seu aluno…

Mas a Força estava com Carrick das maneiras mais estranhas possíveis… sempre foi o aluno mais desajeitado e acreditava-se que nem sequer chegaria a Cavaleiro Jedi!
Mas como disse um Mestre, a Força manifesta-se de muitas formas, e na realidade Zayne era um sortudo! Conseguia sair das situações mais perigosas das maneiras mais estranhas possíveis.

Zayne consegue fugir aos Mestres assassinos, e alia-se a um bandido trafulha, Marn "Gryph" Hierogryph. Após algumas episódios de fuga encontra mais uns foragidos, a bela Jarael e o velho Camper… todos têm segredos que eu não vou revelar.

Zayne entra então em missão de “limpeza de nome” para se ilibar dos crimes que lhe eram atribuídos, e que faziam dele um verdadeiro inimigo público para a Ordem de Jedi.
Mas orgulhoso… mesmo depois de limpar o nome recusa-se a ser membro da Ordem que o perseguiu, e assassinou os seus jovens amigos.

As aventuras são óptimas e não param por aqui. Continuam em ritmo bem acelerado mesmo depois de Carrick limpar o seu nome. São aventuras que chegam a ser épicas de vez em quando, histórias de amizade, amor e vingança... tudo regado a sabres de luz!
Foi na realidade uma bela saga, apenas a última parte era escusada… mas felizmente pararam mesmo aí, senão iriam estragar esta bela série com linguiça e chouriço desnecessariamente!

Eu aconselho MUITO a leitura desta saga. Quem não comprou e esteja interessado vá ao site da Planeta DeAgostini e peça estes livros. Esta série está contida desde o Vol.13 até ao 18.
A próxima saga a ser presença aqui no Leituras de BD será a Guerra dos Clones.

Boas leituras

Hardcover
Criado por: John Jackson Miller e vários artistas
Editado em 2013 pela Planeta DeAgostini
Nota da série: 9 em 10
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Nova série Lone Wolf and the Cub para 2014 na Dark Horse


A Dark Horse vai publicar a sequela da mítica série Lone Wolf and the Cub!
O anúncio foi feito em Julho no Anime Expo de Los Angeles, e confirmado agora na San Diego Comic Con.

Esta série foi uma aposta ganha pela Dark Horse. Era uma tarefa monumental para esta editora publicar uma série daquela tamanho, mas acabou por ser um sucesso, com mais de 1 milhão de cópias vendidas. Muitos números já estavam esgotados e neste momento quando a Dark Horse celebra o seu 25º aniversário, iniciou também a reedição de Lone Wolf em formato Omnibus! São 700 páginas por livro e o formato tem dimensões superiores aos livros de bolso da edição antiga.

A nova série inicia exactamente onde terminou a série original, ou seja no campo de batalha onde Daigoro ficou sozinho. Portanto esta nova série irá ser protagonizada pelo filho de Ittō, ou seja Daigoro.
Serão mais 11 volumes, já publicados no Japão pela Shogakukan entre 2004 e 2007.

Devido à morte de Goseki Kojima no ano de 2000, quem vai ilustrar os textos de Kazuo Koike será Hideki Mori.
Penso que o nome desta sequela vai ser Shin Lone Wolf & Cub.

Boas leituras
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Os Comics e os Anos 90: Dark Horse - Hellboy [5]



A Dark Horse é uma editora criada em meados dos anos 80, mas foi nos anos 90 que se expandiu. O seu fundador foi Mike Richardson, em 1986, e concebeu esta editora virada para projectos em que os autores pudessem ficar donos das suas personagens. Isto aconteceu depois de Richardson abrir a sua loja de comics, a Pegasus Book. Os lucros desta loja serviram para criar o selo editorial!

Esta editora nos anos 90 criou um nicho de mercado que se provou rentável: adaptações de filmes!
Assim tivemos Aliens, Predator, Barb Wire, Star Wars, Buffy the Vampire Slayer, Aliens vs Predator, The Mask, RoboCop, Terminator, Indiana Jones e Serenity, só para enumerar uma parte.

Para além disso a sua publicação Dark Horse Presents foi uma rampa de lançamento para muitos artistas hoje famosos.
Mas não se ficaram por aqui. Investiram no Manga com títulos fortes: Gantz, Lone Wolf and the Cub, Akira, Ghost in the Shell, Usaji Yojimbo, Hellsing, Berserk, Trigun, etc… etc… De notar que a publicação Manga com maior longevidade no mercado norte-americano também é da Dark Horse: Oh My Goddess!

Mas foram títulos como Hellboy, BPRD, Sin City, e Umbrella Academy (mais recente) que lhe deram a notoriedade de material original de qualidade.
Destes escolhi Hellboy de Mike Mignola para este post, visto que foi criado nos anos 90, mais propriamente em 1993.

Este “demónio” foi apresentado ao público no San Diego Comic-Con Comics #2. A partir daí foi o sucesso, e até teve direito a dois filmes que agradaram aos fãs, o que se prova hoje em dia ser uma tarefa bem difícil!

Desde 1993 que Hellboy vem sendo publicado, sendo que neste momento vai no seu 12º volume. A lista é a seguinte:
  • Hellboy Volume 1: Seed of Destruction
  • Hellboy Volume 2: Wake The Devil
  • Hellboy Volume 3: The Chained Coffin and Others
  • Hellboy Volume 4: The Right Hand of Doom
  • Hellboy Volume 5: Conqueror Worm
  • Hellboy Volume 6: Strange Places
  • Hellboy Volume 7: The Troll Witch and Others
  • Hellboy Volume 8: Darkness Calls
  • Hellboy Volume 9: The Wild Hunt
  • Hellboy Volume 10: The Crooked Man and Others
  • Hellboy Volume 11: The Bride of Hell and Others
  • Hellboy Volume 12: The Storm and the Fury
À parte disto Hellboy teve vários livros fora de colecção e muitos crossover com personagens de outras editoras. O Universo de Anung Un Rama (verdadeiro nome do Hellboy) foi também o berço de vários spin-off como Abe Sapien, Lobster Johnson e o mais que famoso BPRD!

Como podem ver é um universo muito rico.
Mike Mignola traz para o nosso mundo o demónio Anung un Rama (a Besta do Apocalipse), Hellboy! O mundo de Mignola é extremamente influenciado por H.P. Lovecraft e Edgar Alan Poe, daí uma dedicatória do autor a estes dois autores do fantástico numa edição de luxo publicada com este anti-herói!
Mas Hellboy também se tornou uma escola, com o estilo inconfundível de Mignola, e claro, "copiado" por outros autores. Mignola já tinha trabalhado com a DC, e bastante com a Marvel em títulos mainstream como Daredevil, X-Men e Spider-Man entre outros.

Mignola é excelente na maneira em como "decora" o espaço da acção, velhas igrejas, muitas estátuas provenientes de cemitérios, enfim um estilo gótico muito expressivo. A acção propriamente dita é simples e eficaz: é Banda Desenhada! O seu traço simples promove essa eficácia e isto aliado ao ambiente gótico, resulta numa Banda Desenhada de rara qualidade.
Gosto especialmente do equilíbrio entre o negro, o vermelho e o amarelo. Existem páginas maravilhosas neste ambiente tenebroso, mas ao mesmo tempo belo!
Como poderão verificar, o desenho de Mignola em Hellboy foge completamente à moda vigente, que já foi abordada noutros artigos desta rubrica, apresentando um traço bastante estilizado...
























Infelizmente é um artista que toca muitos instrumentos e suspendeu o desenho em determinadas alturas devido a outros projectos, como por exemplo os filmes que contaram com este demónio vermelho! Assim tivemos alguns arcos em que o seu traço foi substituído por outros autores, embora o argumento seja sempre de Mignola.

Hellboy tem outra particularidade. As suas aventuras fantásticas, e sempre ligadas ao folclore local e sobrenatural, são passadas em muitos locais do mundo. Mignola tenta sempre nestas ocasiões ser o mais fiel que pode aos lugares que Hellboy visita, e Portugal está presente com uma aventura em Tavira (Algarve) na história “In the Chapel of Moloch”.
























Hellboy é trazido ainda “criança “para a nossa dimensão por Rasputin, em colaboração com as forças Nazis. Estávamos em 1944. Acaba por ser apadrinhado pelo professor Trevor Bruttenholm e trabalhar no referido B.P.R.D. (Bureau for Paranormal Research and Defense).
É um gigante bruto, mas de bom coração (estamos a falar de um demónio), e em colaboração com os seus amigos Abe Sapien (anfíbio) e Liz Sherman (capacidades pirotécnicas), livram o mundo de toda a espécie de demónios, fantasmas, vampiros... Enfim, tudo o que seja sobrenaturalmente negro.

As histórias de Mignola são baseadas em mitos, lendas e sonhos (ou pesadelos). Mas apesar deste carácter fantástico são sólidas, e nota-se um grande cuidado na investigação tanto das personagens, como do local onde se passa a história. Nada é deixado ao acaso, e por algum motivo Mignola nunca deixou ninguém escrever um único título da série principal de Hellboy.


De qualquer modo o final está a aproximar-se. Cheira-me que este demónio quase simpático não vai ter um fim feliz (minha opinião) e Mignola já disse publicamente que a série não era para arrastar indefinidamente.

Este é um título que eu aconselho a toda a gente, e se tiverem carteira para isso comprem as maravilhosas edições de luxo: Hellboy Library Edition. Já foram publicados seis números destas edições!

Já sabem, podem ver as outras entradas desta rubrica, Os Comics e os Anos 90, nos links em baixo:
Os Comics e os Anos 90: Image Comics - Youngblood
Os Comics e os Anos 90: DC Comics - A Morte do Super-Homem
Os Comics e os Anos 90: DC Comics - A Queda do Morcego
Os Comics e os Anos 90: Crossovers entre várias Editoras


Boas leituras.
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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Hellboy Library Edition Vol.4: The Crooked Man and The Troll Witch


Esta é a série com melhor edição que eu possuo! Os livros são um mimo, dizem que têm algumas falhas, mas eu nunca tropecei nelas! Papel grosso e brilhante, capa de tecido e uma envergadura parecida com os Absolutes. Depois temos um interior povoado com excelente estórias e grande arte! Que é que se pode querer mais num livro de BD? Ok… uma caixa não era mal visto para o tecido não apanhar pó…
:)
Este é o primeiro volume destas Library Editions em que Mike Mignola não é o artista de todas as estórias. Foi uma altura em que ele esteve um pouco parado na arte, apenas escrevia as estórias, devido ao filme Hellboy que entretanto estava em preparação! Também foi nesta altura que Mignola escreveu/desenhou uma série de estórias curtas devido ao facto falado anteriormente, ou seja, este livro tem uma certa falta de alma e do carisma próprio dos outros anteriores por isso mesmo. É quase uma manta de retalhos! A estória maior, desenhada por Richard Corben, é The Crooked Man e tem apenas cerca de 70 páginas, isto para um livro de mais de 300 páginas…o resto são tudo estórias curtas sem muita ligação entre si.
As estórias presentes nesta edição são:
  • The Crooked Man
  • The Penanggalan
  • The Hydra and the Lion
  • The Troll-Witch
  • The Vampire of Prague
  • Dr. Carp's Experiment
  • The Ghoul
  • Makoma
  • They That Go Down to the Sea in Ships
  • In The Chapel of Moloch

Não estão por ordem, mas quis deixar esta “In The Chapel of Moloch” para último por duas razões. A primeira é a volta após algum tempo de Mignola como artista, a segunda porque é passada em Tavira, no Algarve! É uma estória curta, onde Mignola inventou um pouco, visto não haver factos que digam que alguma vez houvesse adoração a este Deus em Portugal. Isto para além de ter inventado uma seita tipo Templários, que teria surgido para colmatar a extinção destes. Mignola assume isto neste livro.
Gostei bastante da arte de Corben, mas não é a mesma coisa. Mignola pôs um cunho muito pessoal em Hellboy e é-me difícil aceitar outro artista para este anti-herói! De resto gostei muito do The Crooked Man, The Troll Witch, e de Makoma. Embora num registo mais cómico, gostei de The Vampire of Prague!
Como é apanágio de Hellboy ele percorre as ruas mais negras de quase todo o mundo, resolvendo enigmas paranormais, lutando com demónios ou simplesmente ajudando pessoas miseráveis atormentadas. Hellboy tem um grande coração! É uma grande série que eu recomendo.
Este livro tem algumas introduções, contém também a génese escrita das estórias, sketchs abundantes e várias ilustrações, a cores e preto & branco, feitas por Mignola e outros artistas. São cerca de 30 sketchs nunca publicados!
A nota menos boa deste livro em relação aos outros deve-se ao facto de ter estórias curtas de mais, desequilibrando o livro...

 
Tavira

Hellboy está a ser editado em português pela G-Floy, mas não sei em quantos livros vai a colecção. O formato português é o TPB (capa mole)
Outras entradas de Hellboy no Leituras de BD:
Hellboy Vol.1 Library Edition
Hellboy Vol.2 Library Edition
Hellboy Vol.3 Library Edition

Boas leituras

Hardcover
Criado por: Mike Mignola e Richard Corben
Editado em 2011 por Dark Horse
Nota : 8,5 em 10
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sábado, 31 de março de 2012

Ilustração: Witchfinder (Mike Mignola)

Ilustração fantástica do arco Witchfinder da série Hellboy! O negro, o vermelho e o amarelo numa composição equilibrada! Mignola, apesar de não ser o colorista desta ilustração, dá as directrizes e este tipo de composição é recorrente na série de culto Hellboy Resulta sempre muito bem nestes "policiais do oculto"!
A outra imagem é da capa do Hellboy: Witchfinder #1 e a receita é a mesma.



Outras entradas de Hellboy neste blogue:
Hellboy Vol.1 Library Edition
Hellboy Vol.2 Library Edition
Hellboy Vol.3 Library Edition
Capas: Hellboy - The Wild Hunt #8

Boas leituras
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

The Amazing Adventures of Dog Mendonça & Pizzaboy


Pois, cá está mais um excelente desenvolvimento desta saga. A Dark Horse vai editar este livro primeiramente em comics, como já tinha sido noticiado anteriormente, e agora anuncia a edição do livro para Setembro de 2012!
Mais... nesta data este livro terá também edição brasileira por intermédio da Devir.
Caso para dizer: sucesso!
Fiquem também com o trailer do 2º livro: Apocalipse!



Boas leituras!
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domingo, 13 de novembro de 2011

Star Wars: Dark Empire Trilogy


Sou um fã confesso do universo Star Wars expandido. A Banda Desenhada prestou-se a esta expansão tanto no espaço, como no tempo. Para além disso as estórias sobre personagens que nos filmes aparecem apenas de passagem, mas que têm potencialidades para serem grandes personagens, são aqui trabalhadas e esculpidas por vezes até ao mínimo detalhe, dando ao leitor improváveis grandes estórias!
Também sou fã deste tipo de compilações, por isso tenho esperado pacientemente pelos Omnibus e HCs desta série... É a maneira menos dispendiosa de conseguir ter partes desta grande saga completas, inclusivamente com material que não saiu nos TPB normais. Estes HC Star Wars são excelentes, verifiquei isso mesmo no livro que comprei antes deste: The Thrawn Trilogy
Esta aventura tem a assinatura de Tom Veitch nos textos, Cam Kennedy (na primeira e segunda parte) e Jim Baikie (na terceira parte) na arte.
Os textos de Veitch são sólidos e coerentes com a filosofia e mitologia de Star Wars, que consegue uma intriga de acção e suspense muito boa! Quanto à arte… na generalidade bastante boa, embora confesse que não é o meu género. É um registo artístico um pouco sujo e monocromático, mas adapta-se bem à estória.
A estória passa-se seis anos depois de “Return of the Jedi”.
Luke anda nos limites dos seus poderes, tentando ultrapassar e dominar as forças negras exactamente onde seu pai falhou. Para aumentar a intensidade, profundidade e carga emocional surge um fantasma do passado muito poderoso, de que eu não vou dizer o nome…
Leia tem de proteger os seus filhos do poder desta alma negra, mas ao mesmo tempo quer muito ajudar o seu irmão! Os poderes de Leia vão aumentando ao longo desta trilogia.
Uma personagem adorada por muitos fãs de Star Wars persegue sem cessar Hans Solo, ou não fosse Boba Fett, o implacável caçador de prémios, que fez de Hans Solo e da sua nave um objectivo de vida!
Será que Luke cairá no lado negro? E será que o pequeno filho de Leia cairá nas mãos da personagem mais negra de Star Wars?
É um bom livro de BD, que eu recomendo a todos os fãs de Star Wars, com muito suspense e muita política à mistura. Boa acção, algumas grandes páginas de combate!
É assim que se produz um livro de alto entretenimento!

Boas leituras!

Hardcover
Criado por: Tom Veitch, Cam Kennedy e Jim Baikie
Editado em 2010 pela Dark Horse
Nota: 8,5 em 10
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sábado, 18 de junho de 2011

Star Wars: The Thrawn Trilogy


Star Wars é uma saga que inverte aquilo a que estamos a assistir neste momento, ou seja, o cinema está a aproveitar em grande escala a Banda Desenhada para grandes filmes baseados em personagens “de papel”; neste caso o universo que todos conhecemos dos seis míticos filmes passou com sucesso para o papel. Mais, o universo criado nestes filmes foi ampliado para milhares de anos antes, como os dois já apresentados neste blog, e para muitos anos depois do último filme que tem como ícone a batalha de Endor, e morte de Darth Vader.
Comprei vários Omnibus, sobre a história anterior ao primeiro filme (Star Wars: Tales of the Jedi), que gostei muito, e este ano arrisquei duas trilogias que são passadas seis anos depois (The Thrawn Trilogy) e doze anos depois (Dark Empire Trilogy). Tive um pouco de receio neste dois livros, pois poderiam acabar com a magia dos seis filmes que eu tinha na memória, mas tal não aconteceu!
Enriquecem o nosso imaginário, contam estórias com os heróis que conhecemos e vibramos nos filmes, e introduzem várias novas personagens que são uma mais-valia enorme. Uma delas seria óptima para um enorme spoiler, mas como é lógico não irei desvendar esse “mistério”…
Posso dizer com propriedade que a Banda Desenhada já passou muito à frente dos filmes existentes e era espectacular que George Lucas pegasse nisto para uma estrondosa sequela!
A editora responsável pelas adaptações de Star Wars à BD é a Dark Horse, e este livro em que Mike Baron trabalhou na adaptação para BD tem como autor Timothy Zahn. Os artistas de serviço são bastantes e variados, tanto em estilo como em qualidade, mas todos eles cumprem perfeitamente de maneira a termos uma boa obra de BD. São eles Olivier Vatine, Fred Blanchard, Vincent Rueda, Terry Dodson, Kevin Nowlan, Edvin Blukovic, Eric Shanower e como coloristas temos Isabelle Rabarot, Pamela Rambo e Dan Brown. É claro que o nome que salta mais à vista é o de Terry Dodson (Wonder Woman: The Circle, Homem-Aranha & Gata Negra: O Mal que os Homens Fazem), mas temos outras boas prestações de desenhadores menos conhecidos do público português.
Não pensem que este livro é de leitura leve, pois temos muitas coisas novas: novos personagens importantes, como Mara Jade e o Grand Admiral Thrawn, novas e espectaculares naves, mundos ainda não vistos, uma intriga política muito densa, estratégias militares planeadas ao milímetro, e porque não dizê-lo… um Jedi velho e esclerosado que nem serve o código Jedi, nem respeita o Lado Negro. No meio disto tudo aparecem os maravilhosos contrabandistas e caçadores de prémios (que eu adoro) e promessas de vingança antigas!
Denso!
Luke quer reanimar e criar uma nova linhagem de Jedis, estando a sua irmã Leia (agora muito mais treinada nas técnicas Jedi) casada com o irreverente Hans Solo e grávida de Gémeos.
Depois da derrota do Império na batalha de Endor e da morte de Darth Vader e do Imperador a República tornou a governar, mas as querelas, intrigas, traições e dissensões são muitas. Assim o homem que ficou à frente das tropas do Império, o Grand Admiral Thrawn, procura através de novas e singulares estratégias de combate tanto militar como na sombra dos corredores políticos de Coruscant, levar a melhor sobre a República e seus principais emblemas. Esta personagem é o oposto de Darth Vader, mas é talvez a melhor do livro! Adorei este vilão! Imaginativo, perspicaz e grande estratega. Mara Jade foi outra excelente aquisição para o livro, mulher forte que se quer vingar de Luke por algo que aconteceu no sexto filme… conseguem imaginar quem era ela neste filme? A sua função durante o Império do senador Palpatine era, digamos uma das suas assassinas de eleição, para além disso possui em si também a “Força”… e neste momento tem uma ideia fixa: pôr fim à vida de Luke Skywalker!
Mas uma coisa em comum tem todas estas personagens, foram muito bem pensadas de maneira a fazerem mesmo parte do universo Star Wars! Nem por um momento um fanático desta série diz que foram lá metidos à pressão para encher! Elas cumprem todos os requisitos, inclusivamente o seu passado, para o leitor pensar que elas sempre existiram.
Assim, temos um excelente livro que se espalha por mais de 400 páginas com certeza do agrado de quem gosta de Star Wars! Falando no livro, posso dizer que é uma excelente edição em capa dura da Dark Horse com bom papel e bem compacto.
Fica para depois uma nova crítica ao livro seguinte que já li e gostei: Dark Empire Trilogy!
Ahh! Já me esquecia… uma das coisas de que eu tinha medo em livros que contivessem a figura do Luke Skywalker e da sua irmã Leia, era que fossem retratados com aquele ar totó dos filmes. Tal não acontece, felizmente! Reconhece-se que são eles, mas sem ar de totós…
De qualquer maneira sou suspeito, sou fã de Star Wars!
:D

Hardcover
Criado por: Timothy Zahn, Mike Baron, Olivier Vatine, Fred Blanchard, Vincent Rueda, Terry Dodson, Kevin Nowlan, Edvin Blukovic, Eric Shanower, Isabelle Rabarot, Pamela Rambo e Dan Brown.
Editado em Dezembro de 2009 pela Dark Horse
Nota: 9 em 10
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sábado, 22 de maio de 2010

Gantz Vol.6, Vol.7 e Vol.8


Sangrento, violento, sádico e intenso!
Muito intenso!
Este é precisamente o melhor arco de estória dentro desta série que já vai no volume nº10.
Bom, esta é apenas a minha opinião!

Eu chamo-lhe o arco dos Budhas, embora ali esteja representado tudo quanto é Deus oriental, e o mais perigoso (neste caso perigosa) e a representação de Khali.

Depois de ler os vários livros até ao momento descubro que todos eles são a preparação para este momento. Apresentação de personagens, uma descrição da sua vida dependente da bola negra chamada Gantz, e a construção aos poucos e poucos de ligações entre o autor e as personagens principais. Esta é a parte mais sádica do livro, e não vou dizer porquê, embora me custe (está aqui debaixo da língua pronto a saltar!), mas vai ser muito difícil fazer uma analise deste trio de livros sem “spoilar”…

Gantz vai a meio (em inglês, claro) da sua “phase 1”, que terminará no volume nº20. Hiroya Oku e a sua equipe artística conseguiram que o meu interesse fosse aumentando de volume para volume até este ponto (Vol.8), construindo uma ligação sentimental muito forte entre o leitor e alguns personagens, e outros por quem não tínhamos nenhum interesse provocam-nos uma intensa tristeza no fim! 
É uma grande série Seinen (manga para adultos), isto é claro para quem gosta deste género de sci-fi negra.

E finalmente Kurono deixou de ser virgem! Viva! (LOL)
Para saber mais um pouco sobre o que se passou para trás têm neste blog dois links: Gantz Vol.1, Vol. 2 e Vol.3 e Gantz: algumas imagens!.

Neste episódio são apresentados mais uns actores para este arco, alguns bastante importantes no desenrolar do jogo macabro, mas é neste arco que Kurono descobre toda a sua valentia enquanto outros descobrem o amor, e outros o altruísmo absoluto.

Não posso falar muito disto, porque senão retirava todo o interesse a este exercício de Banda Desenhada nota 10.
Falando da parte gráfica, esta é perfeita nas expressões, nos detalhes do cenário e as cenas de movimento… bom, comprem os livros!

A manga não é cara e embora esta esteja em inglês, este é muito simples. Já agora, e como recado, a tradução da leitura online (que foi retirada a pedido da Dark Horse) era bastante superior em muitas páginas. Não que eu saiba japonês, mas achei-a mais credível com o desenrolar dos movimentos e expressões das personagens.

Boas leituras!

Tankōbon (単行本)
Criado por: Hiroya Oku (也奥)
Editados em 2009 por Dark Horse
Nota : 10 em 10
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domingo, 11 de abril de 2010

Umbrella Academy Vol.2: Dallas (Limited Edition)


Depois do primeiro volume, Umbrella Academy: Apocalypse Suite (onde salvaram a Terra da destruição), Gerard Way e Gabriel Bá ganharam mais uma aposta com este Dallas. Gerard Way melhora bastante no “storytelling” e Bá mantêm um registo igual ao do primeiro livro. Assim ficamos a ganhar! Esta estória define bastante melhor o perfil dos das personagens principais, e apresenta dois vilões espantosos e completamente psicóticos!
A família está completamente quebrada, com o seu líder, Luther (“Space”), gordo e preguiçoso passando os dias à frente da televisão. Allison (“Rumor”) perdeu a sua arma, a voz, e tenta fazer com que Vanya (“White Violin”) que provocou toda a destruição no primeiro volume, se lembre do seu passado. Diego (“Kraken”) está em grande usando os seus poderes para funcionar como super-herói, enquanto que Klaus (“Séance”) passa uma vida “boa” como celebridade, até ser capturado por “Hazel” e “Cha-Cha” (os dois vilões psicóticos de que falei atrás…).
Mas a personagem central desta aventura é mesmo o enigmático “Number 5”. Desaparecido com a idade de 10 anos, sabe-se agora que é capaz de viajar temporalmente em vários futuros, trabalhando para uma organização assassina que tem por objectivo controlar as linhas temporais, recorrendo para isso ao assassinato de quem posso mudar o seu próprio tempo. Este “Number 5” é sem dúvida o centro desta aventura, Dallas, e tem como fulcro o assassinato de John F. Kennedy.
É uma pena que algumas personagens não tenham tempo de se dar a conhecer em toda a sua plenitude, sendo eliminadas antes de tempo! De qualquer maneira acho esta aventura bastante melhor que a primeira. Alguns “gags” são muito bons, acompanhados graficamente por um Gabriel Bá em grande forma, para quem gosta deste tipo de artista. Estes partes “cómicas” da estória servem como contraponto ao sadismo louco de outras, equilibrando assim o livro e não deixando ficar “pesado”. Esta estória está cheia de voltas e reviravoltas, viagens ao passado e realidades alternativas… tudo rodando no excelente mundo de personagens criadas por Gerard Way, este é um ponto muito forte de “Umbrella Academy”!
O livro acaba de maneira a que possamos ter mais “Umbrella Academy”, ficaram algumas pontas soltas, tal como o relacionamento entre o “Space” e “Rumor”, e de como seguirá o mundo depois do vingativo assassinato final de “Number 5”. Já agora, e como nota final sobre este último assassinato, o "Number 5" ingere literalmente a sua vítima!!!!
Aconselho este livro, mas só depois de lerem o primeiro: Umbrella Academy: Apocalypse Suite.
Aproveitem o VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, onde Gabriel Bá estará presente!
Boas leituras!

Slipcased Hardcover
Criado por: Gerard Way e Gabriel Bá
Editado em Setembro de 2009 pela Dark Horse
Nota : 9 em 10
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domingo, 10 de janeiro de 2010

Hellboy Vol.3 Library Edition


O demónio "Anung Un Rama" mais conhecido por Hellboy, volta a este blog com mais uma “Library Edition”, a 3ª, e compila mais duas estórias:
- Conqueror Worm
- Strange Places
Esta última por si só já é uma compilação de duas pequenas estórias, “The Third Wish” e “The Island”.
Estas duas estórias estiveram para ser desenhadas por outros autores, mas Mignola resolveu que ainda não estava assim tão cansado, e nesta altura da vida do diabo vermelho corta-lhe o cordão umbilical que o prendia ao BPRD (Bureau for Paranormal Research and Defense), viajando Hellboy em “Strange Places” completamente a “solo”.
Mignola continua a apresentar excelentes e sólidas estórias, usando e abusando da mitologia e do fantástico referente aos locais onde se passa a narrativa/acção. Quanto à arte mantém aquele estilo inconfundível, que muitos novos autores tentam imitar. As cores de Dave Stewart estão muito muito boas! Acho que sentiu mesmo aquilo que Mignola queria.
Desde os primeiros trabalhos em “Conqueror Worm” até “Strange Places” foram cinco anos de trabalho, onde se meteu um filme pelo meio, e “Conqueror Worm” esteve para ser a primeira obra de Hellboy desenhada por alguém que não Mike Mignola. Matt Smith tinha sido o eleito, mas era uma estória muito grande e Matt não estava a dar conta do recado. Assim, a última estória dentro do BPRD continuava a ser quase totalmente do autor original. Este de início tinha idealizado a série Hellboy como a estória de uma equipa, mas aqui nasce um novo “franchise”, com Hellboy a pôr para trás das costas todo o seu passado, excepto os seus inimigos…
“Conqueror Worm” passa-se na Áustria e os eventos que dão origem à estória remontam à 2ª Guerra Mundial e ao projecto Ragnarok, de onde surgiu o próprio Hellboy. Nesta aventura Hellboy é acompanhado por Roger, o Homúnculo do livro anterior, e como guia para o castelo de terror tem Laura Karnstein da polícia austríaca. Durante o Projecto Ragnarok os nazis tinham mandado um cápsula para o espaço, e agora ela volta com um ser alienígena que iria trazer o fim do mundo. Missão de Hellboy: dar cabo daquilo tudo! Mas não conta com uma traição, embora tenha também uma ajuda improvável.
“Strange Places” mostra um Hellboy sozinho a passear pelo mundo. Em “The Third Wish” inicia uma viagem por África, onde toma contacto com a poderosa magia deste continente… é arrastado para o fundo do mar onde tem mais uma estranha aventura! “The Island” conta muito sobre as origens de toda a mitologia envolvente ao mundo criado por Mignola, e levanta um pouco o véu sobre o futuro de Hellboy. Posso dizer que Hecate está contente ;)
Como links de anteriores posts podem consultar:
Hellboy Vol.1 Library Edition
Hellboy Vol.2 Library Edition
Posso dizer que a qualidade destas Library Edition me continua a espantar! Que livros maravilhosos…
Boas leituras!

Hardcover
Criado por: Mike Mignola
Editado em 2009 por Dark Horse
Nota : 10 em 10
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Conan Vol.0: Born on the Battlefield


Não podia deixar de falar deste número zero, compilação feita depois de já terem saído outros números.
Kurt Busiek continua a fazer boas estórias do Cimério criado por Robert E. Howard, mas neste caso não é adaptação, mas sim criação. Busiek em conjunto com Greg Ruth criaram uma infância e adolescência para Conan, e que juventude! As estórias são fortes e contam como o "bébé" Conan nasce no meio de uma refrega, e como este facto o marcou.
Raramente se vê a caracterização dos Cimerianos nos livros de Conan, aqui Busiek faz-lhes a honra de um retrato sobre a sua maneira de viver, a sua sociedade e as suas lendas. O avô de Conan é o seu mentor, e é a partir das suas estórias e comando, que Conan vai crescendo de maneira a surgir mais tarde como todos nós o conhecemos.
Conan cedo se torna lider dentro dos pequenos Cimerianos da mesma idade! Era grande e forte já em pequeno. Depois de uns pequenos "arrufos" com rapazes um pouco mais velhos, Conan conquistou o seu espaço. Não que isso fosse muito bom na altura, pois nem era "velho" o suficiente para acompanhar os guerreiros da sua tribo na caça e em combate, nem os jovens da aldeia queriam "brincar" com ele... era forte demais!
Assim começou a caçar sózinho (e a espiar sózinho), parecendo-se mais com o nosso solitário herói. E é sózinho que mata o lobo alfa de uma alcateia e é sózinho que seduz a filha de um poderoso feiticeiro... isso vai sair caro aos Cimerianos, pois desencadeia uma série de eventos que acabam num verdadeiro banho de sangue.
Kurt Busiek está ao seu melhor nível nestas estórias saídas da juventude de Conan, e Greg Ruth consegue dar força e dinamismo (lembrando por vezes Frazetta) ao personagem, nesta viagem ao seu passado e à Ciméria.
Ninguém que compre este livro alguma vez se vai arrepender (isto se gostar do "universo Conan", claro...).
Outras entradas de Conan neste blog em Conan Vol. 5: Rogues In the House e Conan Vol. 6: The Hand of Nergal.
Já agora, e a quem for ler a "review" Conan Vol. 6: The Hand of Nergal, eu escrevi que era o último desta série iniciada por Busiek... é mentira, saiu há pouco tempo mais um livro desta série, e este meu post tem a ver com o novo volume nº7: Cimmeria! Conan volta às suas origens. Leiam primeiro este número zero e só depois Cimmeria.
:)
Boas leituras.

Hardcover
Criado por: Kurt Busiek e Greg Ruth
Editado em 2008 por Dark Horse
Comprado na Amazon
Nota: 9 em 10
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