segunda-feira, 11 de março de 2019

Autores: John Byrne


Um dos meus autores preferidos, John Byrne foi o primeiro artista que segui a sério, procurando as revistas com os seus trabalhos, mesmo que fosse em personagens que nem conhecia bem.

Não tenho a certeza do primeiro trabalho que vi de Byrne, nunca fui muito de prestar atenção a quem escrevia/desenhava, mas tenho ideia de ter sido algum Luke Cage/Punho de Ferro, mas sei que o que mais me marcou foi o encontro do Aranha com o Capitão Britânia. Depois li uma história dos X-Men na Saga da Fénix Negra, e foi com a sua pequena (mas memorável) fase mo Hulk, que fiquei para sempre seu fã.

John Byrne nasceu a 6 de Julho de 1950, em Inglaterra, crescendo no Canadá (mudou-se para lá com 8 anos) e era um ávido leitor de comics, tanto DC como Marvel, começando o seu trabalho na indústria em 1973, como freelancer na Charlton e fazendo alguns fill-ins para a Marvel. Começou a ser chamado regularmente e desenhou diversas edições de Iron Fist, Champions e Marvel Team-up, muitas delas escritas por Chris Claremont.

Já fora da Charlton, começava a receber cada vez mais trabalho da Marvel e foi com Claremont que teve uma fase memorável com os X-men, um título que pouco vendia na altura, mas que tinha começado a receber alguma atenção de autores como Len Wein e Dave Cockrum. A dupla Claremont/Byrne funcionava bem, e começaram a aparecer histórias atrás de histórias fantásticas, Proteus, Dark Phoenix, Days of Future Past e personagens como as do Clube do inferno ou a Tropa Alfa.


Notava-se a predilecção de Byrne pelo pequeno Wolverine, dando-lhe sempre algum destaque, e exigindo a sua presença na equipa, criando muitos dos elementos que ajudaram a que se tornasse o personagem mais popular da Marvel a dada altura.

Começaram a trabalhar com os mutantes em X-Men #108, de Dezembro de 1977, e no #114 começou a aparecer como co-autor, deixando de ser apenas um desenhista. Mesmo assim era pela sua arte que era conhecido e no final da década de 70, e começo de 80, desenhava também histórias na revista Avengers (com argumentos de David Michelinie) e no Capitão América, fez uma série de histórias com o seu amigo Roger Stern, muito elogiadas pelos fãs e pela crítica.

De 1981 a 1986 entrou para revista que o fez apaixonar-se pelos comics, Fantastic Four, e no quarteto fez uma obra prima, escrevendo e desenhando, com arte final de Terry Austin. Foi uma fase elogiada por todos, com momentos que marcaram a equipa para sempre, e mudando várias coisas como o ter acabado com o edifício Baxter, o mudar a cor dos uniformes, o ter introduzido a Mulher-Hulk para o lugar do Coisa, ou o ter dado mais destaque à Sue Storm, tornando-a na Mulher Invisível.



Ao mesmo tempo, ajudou a criar a revista para a equipa que tinha criado nos X-Men, a Tropa Alfa, numa série de números bem interessantes de se seguir, com bons confrontos e uma arte fantástica. Isto apesar de dizer que não era um grande fã da sua própria criação, mas mesmo assim foi uma série acima da média do que se fazia na altura.

Byrne estava bem instalado, apesar de uma relação conflituosa com Shooter, o editor-chefe, que fez com que saísse abruptamente da companhia, e deixando uma série de histórias com o Hulk por concluir, com o autor Al Milgrom a terminar essa fase. Uma pena, porque foram poucos números, mas cheios de acção, com um Byrne em forma tanto na arte como na construção de história. Em poucos números ele separa o Hulk do Banner, casa-o com a Betty e faz com que meio universo Marvel persiga o golias verde.

Naquilo que foi uma mudança controversa, Byrne acaba por ir para a DC, incumbido de fazer um revamp na personagem principal da companhia, o Super-Homem. Aí produz uma fase odiada por uns, amada por outros, mexendo bastante no status quo do herói, reduzindo-lhe os poderes, ou a sua intensidade, no seu passado como Superboy, eliminou a fortaleza da solidão e tornou-o o único kryptoniano do universo DC.


Clark Kent tornou-se menos pamonha, e Lex Luthor tornou-se um homem de negócios com um ódio visceral ao homem de aço, isto tudo numa fase onde o autor experimentou muita coisa, e muitas mantiveram-se durante anos, e usados em outras mídias como nas séries televisivas.

Byrne fez também a mini-série Lendas, que ajudava a introduzir novas personagens no universo DC depois de Crise, mas manteve-se sempre pelo universo do Superman no seu tempo na DC. Em 1989, e com Shooter fora do comando, volta à Marvel, para os Vingadores da Costa Oeste.

Para além dos Vingadores, cria também uma revista da Mulher-Hulk, num tom mais cómico que tornou a personagem muito popular. mas problemas com os editores fazem com que saia cedo da revista. Byrne pega em Namor e também faz uma série de histórias fora do que estávamos habituados com a personagem.

Estes foram os seus últimos trabalhos regulares na Marvel, depois começou a fazer trabalhos criados por si, de raiz, em diversas companhias, nunca nada com muito sucesso. Voltou à DC em 1995, para uma série de histórias com a Mulher-Maravilha, e reinterpretando o quarto mundo de Jack Kirby, numa série regular que teve 20 edições.



Nesta altura Byrne fazia trabalhos para as duas companhias, fosse só como desenhista (como no Homem-Aranha de Howard Mackie), fosse como escritor e desenhista em várias  minis como
 X-Men Hidden years ou Superman & Batman: Generations.

No começo de Século, o seu trabalho aparecia mais na DC, em Liga da Justiça, Patrulha do Destino ou mesmo Super-Homem, que voltaria a desenhar. Na segunda década, começa a trabalhar mais para a IDW, em revistas de séries de TV como Star Trek ou Angel.

Felizmente pudemos acompanhar quase todo o seu trabalho do Século XX na editora Abril, e ter assim conhecido um dos melhores autores de BD Norte-Americana.







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1 comentário:

  1. Um dos meus autores/Desenhadores favoritoa.Deviam reeditar mais bds dele.Muito Pouco saiu em Formato Americano hc.

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Bongadas