terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Vampirella Revelations


Como nome indica, este é um livro de revelações. Esta heroína tem sabido adaptar-se ao longo do tempo, e nada como um "twist" nas suas origens para renovar o personagem! Desta vez o guionista escolhido foi Mike Carey (Lúcifer, X-Men e Ultimate Fantastic Four), com arte de Mike Lilly (Nightwing) e Bob Almond (Black Panther).
Aos poucos as origens de Vampirella "Harris Comics" (de 1988 até hoje) vão-se distanciando da Vampirella "Warren Publishing" (1969 até 1983). Vão-se descobrindo novos pormenores da vida passada até se acabar neste livro, em que Vampi descobre que todo o seu passado é uma grande mentira...
Mais uma vez a arte usada em Vampirella é espectacular, tendo algumas pranchas de grande qualidade! Lilly e Almond fazem um trabalho de nível, quanto a Mike Carey, foi o escolhido para escrever uma estória que fosse sólida e credível, dentro do universo do personagem, claro, e que ao mesmo tempo fosse um marco de viragem e renascimento de Vampirella. Acho que foi bem sucedido!
Esta estória insere-se, mais uma vez, na grande luta dos editores actuais de Vampirella, para afastar o estigma da "bad-girl" deste personagem. Para isso Vampirella tem sido "escrita" por Alan Moore, Warren Ellis, Grant Morrison e Mark Millar entre outros, para demonstrar que o personagem tem densidade e estórias de qualidade, e não é só uma heroína de roupas mínimas.
Em Revelations, Vampi (depois de eliminar mais uns vampiros) decide ir falar com um místico para fazer uma regressão à sua infância, visto que as suas memórias estão cada vez mais confusas. Ao princípio tudo corre muito bem, mostrando imagens da sua mãe, Lilith, doente e do seu demoníaco amante Belial. É explicado que Lilith está a perder força devido à sua já longa prole de vampiros e demónios vários... todos eles ficam com um pouco da mãe! É então que que esta decide ter um filho com toda a sua força, puro, mais forte que todos os outros... por magia nasce Vampirella do solo de Drakulon e do sangue vertido de Lilith. É então criado um espelho que modifica ao longo do tempo as memórias de Vampirella, de maneira a elas serem sempre verosímeis para o personagem! Qual o verdadeiro objectivo de Lilith e Belial?
Isso cabe a vocês descobrirem. Já agora, e como nota de rodapé, este TPB tem alguns sketch lindos!
E já agora vão ao cinema ver um filme de vampiros diferente: Crepúsculo !

Boas leituras e um muito bom ano de 2009 para todos vocês!

Softcover (TPB)
Criado por: Mike Carey, Mike Llly e Bob Almond
Editado em 2006 por Harris Publications
Comprado em Vampirella.com Webstore
Nota: 8,5 em 10

domingo, 28 de dezembro de 2008

ElfQuest Archives Vol.1 & Vol.2


Série mítica da BD Norte- Americana que eu descobri há pouco, embora já tivesse ouvido falar. É uma criação do casal Wendy e Richard Pini.
Há trinta anos atrás (1978) saíam a preto e branco as primeiras revistas (comics) desta série de fantasia, que se propunha a contar as aventuras dos Wolfriders e seu chefe, Cutter.A primeira estória, ElfQuest #1, desta saga foi editada na revista "Fantasy Quaterly", que era editada pelo Independent Publishers Syndicate, ou seja... uma editora "underground". O casal Pini não gostou da qualidade da publicação, nem de estar entalado no meio de estórias que não tinham a ver e então decidiram criar uma empresa familiar: Wendy and Richard Pini Graphics (WaRP Graphics). O ElfQuest #2 já foi editado pela WaRP Graphics (mais tarde Warp Graphics), com capa a cores e em papel brilhante, sendo assim para todos os números seguintes. Com esta série de comics alternativos deu-se o feito notável para altura, de estes se colarem em sucesso ao "mainstream", com a particularidade notável também, de ser uma mulher a tomar conta de quase toda a parte criativa! Richard Pini apenas colaborou nalgumas narrativas, sendo o seu papel principal a parte comercial de ElfQuest.
A série original foi editada em 21 revistas, sendo que a última era composta por cartas e sketchs de material envolvente à série. A partir daqui houve uma série de sequelas e spin-offs, seguidos de nova série de antologia: ElfQuest 2 (publicada em 33revistas). Mais tarde a série inicial foi reeditada pela Marvel, que começou as primeiras edições a cores deste excelente material. Em 2003 a DC e os Pini acordaram em publicações desta editora "mainstream", mas ficando os Pini com os direitos criativos da série e personagens! Neste momento a DC já não tem os direitos para publicação e merchandise de ElfQuest... algo correu mal!
Os livros apresentados neste e em futuros posts sobre esta série referem-se à edição especial da DC Comics "ElfQuest Archives", que compreende a primeira série (as primeiras 20 revistas). Existem boatos de que os Pini e a DC tinham acordado em editar mais alguns "Archive", mas penso que apenas se trata disso: boatos!
A série foi apresentada de início como para crianças, mas depressa se vê que é tudo menos para a criançada, ou seja tem sexo implícito e cenas de bastante violência! A arte de Wendy Pini "engana" o leitor mais distraído, visto que os seus personagens são bastante agradáveis à vista, mas a estória por vezes consegue ser bastante cruel e violenta, tanto gráficamente como na sua narrativa. É nesta dualidade que Wendy Pini mostra a sua diferença, pois o seu traço simpático e feminino, quando necessário, transforma-se em força e brutalidade (de que normalmente não se está à espera).
O argumento é muito sólido e sem falhas, e a acção decorre quase sempre a grande velocidade, excepto quando a autora quer impor uma pausa... no fundo, para mim claro, a leitura desta série tornou-se viciante! Já só me falta o quarto volume e estou "em pulgas" para que chegue... felizmente os "Archives" editados pela DC cobrem toda a primeira série, não nos deixando a salivar por livros que não existem!
Falando da estória e até agora, Cutter, líder dos Wolfriders (elfos da floresta), defende o seu território das incursões dos Homens, assim como o faziam os seus antepassados. Os Homens com que este clã Elfo contactou, sempre foram violentos e radicais, querendo expulsar todos os Elfos a que preço fosse. A loucura apodera-se de um feiticeiro humano que ateia fogo a toda a floresta, com o fim de eliminar os Wolfriders. Estes conseguem escapar, mais os seus inseparáveis lobos, para os túneis dos Trolls... aqui sofrem a traição destes e desembocam fora da montanha, mas num deserto! Estes Elfos de tez muito pálida, e os seus lobos felpudos, vão sofrer muito aqui. Deixam um ferido para trás, mais a sua companheira, na esperança de encontrarem brevemente um sítio para viver. Acontece que chegam a Sorrow´s End, onde, e para abreviar, Cutter conhece a sua companheira: Leetah. Este clã de Elfos tem um aspecto diferente, são mais escuros para aguentar o sol tórrido daquele deserto, mas Sorrow´s End é um belo oásis onde os Wolfriders descansam e podem ser úteis. Aqui Cutter decide que vai partir em demanda de outros clãs Elfos... e a partir daqui leiam o livro:)
(Este post já vai muito comprido...)

Hardcover
Criado por: Wendy Pini e Richard Pini
Editado em 2003 (vol.1) e 2005 (vol.2) por DC Comics
Comprado no Book Depository e EBay
Nota : 10 em 10

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Boas festas, feliz Natal e... Van Dog


Desejo a todos um feliz Natal e aproveito para levar até vós um pouco de boa disposição com um cão que consegue ser por vezes bastante mordaz... Van Dog!





(Para ver maior... clicar na figura!)
Divirtam-se, ofereçam BD no Natal e boas leituras!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Votação Online para a próxima série Asa/Público

Está a decorrer uma votação Online, por parte do jornal O Público, para escolher qual a próxima série a ser editada pela parceria Asa/Público. Acho que será a primeira vez que tal se fará em Portugal... deixar os leitores escolher! Vou tentar fazer uma pequena sinopse destas oito séries, se falhei com alguma coisa corrijam-me! O link para votação é :
Escolham aqui!

Valérian
Série de Ficção-Científica em que acompanhamos Valérian e Laureline nas suas aventuras espácio-temporais. Esta série encontra-se entre as minhas preferidas e é graficamente de uma enorme riqueza, inclusivamente Méziéres trabalhou em alguns filmes em que ideias desta série foram aproveitadas (ex. 5º Elemento). Os textos de Christin têm flutuações de qualidade, mas sempre a um bom nível, sendo fácil encontrar analogias críticas sobre hábitos e estrutura da sociedade actual.
A série está quase toda editada em português, exceptuando os nº 0 e nº 19. Fica a lista de títulos, com os chamados “difíceis” numa cor diferente.
Les Mauvais Rêves (Dargaud)
A Cidade das Areias Movediças (Meribérica)
O Império dos Mil Planetas (Meribérica)
O País Sem Estrelas (Meribérica)
Bem-vindos a Alflolol (Meribérica)
Os Pássaros do Senhor (Meribérica)
O Embaixador das Sombras (Meribérica)
Nas Terras Programadas (Meribérica)
Heróis do Equinócio (Meribérica)
Metro Chatelet, Direcção Cassiopeia (Meribérica)
Estacão Brooklyn, Terminal Cosmos (Meribérica)
Os Fantasmas de Inverloch (Meribérica)
Iras de Hypsis (Meribérica)
Sobre as Fronteiras (Meribérica)
Armas Vivas (Meribérica)
Os Círculos do Poder (Meribérica)
Os Reféns do Ultralum (Meribérica)
O Órfão dos Astros (Meribérica)
Por Tempos Incertos (Meribérica)
Au Bord du Grand Rien (Dargaud)
A Ordem das Pedras (ASA)

Fora de colecção:
Os habitantes do Céu (Meribérica)
Pelos Caminhos do Espaço (Meribérica)


XIII
Jean Van Hamme e William Vance criaram XIII, um personagem amnésico que acordou numa praia, tinha uma única indicação, uma tatuagem com símbolos romanos... XIII !
É atacado sem saber porquê, mas defende-se como se tivesse um grande treino militar! XIII percebe que não é uma pessoa vulgar, assim sendo, nesta estória de espionagem, ele vai tentar saber tudo sobre o seu passado!
Aqui ficam os livros:
Dia do Sol Negro (Meribérica)
Para Onde Vai o Indio (Meribérica)
Todas as Lagrimas do Inferno (Meribérica)
Spads (Meribérica)
Alerta Vermelho (Meribérica)
Dossier Jason Fly (Meribérica)
Noite de 3 de Agosto (Meribérica)
Treze Contra Um (Meribérica)
Por Maria (Meribérica)
Cascador (ASA)
Trois Montres d'Argent (Dargaud)
Le Jugement (Dargaud)
The XIII mystery - L'enquête (Dargaud)
Secret Défense (Dargaud)
Lachez les Chiens! (Dargaud)
Opération Montecristo (Dargaud)
L'Or de Maximilien (Dargaud)
La version Irlandaise (Dargaud)
Le Dernier Round (Dargaud)



Esta é uma série que é ainda fácil de arranjar os números editados em português.

Marsupilami
Personagem criado por Franquim na série Spirou e Fantásio, e do qual ficou com os direitos. Tem alguns álbuns editados em português, mas bastante salteados! A saber:
Capturem um Marsupilami (ASA)
A Cauda do Marsupilami (ASA)
O Bebé do Fim do Mundo (ASA)
O Marsupilami Negro (ASA)

O Pólen do Monte Urticando
Baby Prinz (Marsu Productions)
Fordlândia (ASA)
O Olho da Boavista (ASA)
Le Temple de Boavista (Marsu Productions)
Le Papillon des Cimes (Marsu Productions)
Rififi en Palombie (Marsu Productions)
Houba Banana (Marsu Productions)
Trafic à Jollywood (Marsu Productions)
Le Défilé du Jaguar (Marsu Productions)
Um Filho de Ouro (ASA)
Que Palhaçada é Esta? (ASA)
L'orchidée des Chahutas (Marsu Productions)
Tous en Piste (Marsu Productions)
Robinson Academy (ASA)
Magie Blanche (Marsu Productions)
Viva Palombia (Marsu Productions)


Série divertida e os títulos em português são ainda fáceis de adquirir!

Ric Hochet
Série de enorme sucesso em França, em que um jornalista (Ric Hochet) investiga os casos mais intrigantes... um bom policial em BD!
Só vou por aqui os álbuns editados em português, porque a série já vai no livro nº 75 e ainda não acabou! Os livros em português desta criação de André-Paul Duchâteau e Tibet são:
Os 5 Fantasmas (Bertrand)
Os Espectros da Noite (Correio da Manhã)
O Monstro de Noireville (Bertrand)
Ric Hochet Contra o Carrasco (Bertrand)
Investigação no Passado (Bertrand)(Correio da Manhã)
Os Signos do Medo (Bertrand)
Alerta! Extraterrestres! (Futura)
Inimigo Através dos Séculos (Futura)
Operação 100 Milhões (Publicações Dom Quixote)
O Fantasma do Alquimista (Publicações Dom Quixote)
O Escândalo Ric Hochet (Correio da Manhã)



Se esta fosse a série escolhida, não sei como se iria proceder a uma escolha entre 75 livros... eheheheh

Os Passageiros do Vento
Para saber toda a minha opinião sobre esta fabulosa estória, do género aventura histórica, só tem de clicar no link em cima!

Gaston Lagaffe
Mais uma série cómica com um protagonista criado pelo belga Franquim, também de sucesso, e do qual ainda foram editados bastantes livros em português. São eles:
Gaffes et Gadgets (Dupuis)
Gala des Gaffes (Dupuis)
Gare aux Gaffes (Dupuis)
Gaffes à Gogo (Dupuis)
Gaffes en Gros (Dupuis)
Les Gaffes d'un Gars Gonflé (Dupuis)
Gaffes e Estragos (Meribérica)
Um Bronco que só dá Bronca (Meribérica)
Lagaffe faz das suas (Meribérica)
O Caso Lagaffe (Meribérica)
O Gigante do Disparate (Meribérica)
Gaffes, Broncas e Argoladas (Meribérica)
O Bando dos Broncos (Meribérica)
Lagaffe só à Estalada (Meribérica)
A Saga das Gaffes
(Meribérica)

Foram também editados pela editora Arcádia:
O Bando das Broncas
Burrices Barracas e Broncas
Dabronca dá Bota
O Caso Dabronca


Decálogo
A intriga incide sobre Nahik, um livro que pode ser considerado sagrado ou apenas um grande romance. Pode-se fazer uma analogia com os 10 mandamentos, mas de um ponto de vista muçulmano... inscritos na omoplata de um camelo! A narrativa anda da frente para trás e Frank Giroud convida um desenhador diferente para cada livro. A série foi editada em português pela ASA. À frente do nome do livro está o respectivo artista!

O Decálogo I - O Manuscrito - Joseph Béhé
O Decálogo II - A Fatwa - Giulio De Vita
O Decálogo III - O Meteoro - Jean-François Charles
O Decálogo IV - O Juramento - Tomaž Lavrič
O Decálogo V - A Vingança - Bruno Rocco
O Decálogo VI - A Troca - Alan Mounier
O Decálogo VII - Os Conjurados - Paul Gillon
O Decálogo VIII - Nahik - Lucien Rollin
O Decálogo IX – O Papiro de Kôm-Ombo - Michel Faure
O Decálogo X – A Última Surata - Franz


Uma grande série que eu não possuo... :P

Alix
Série com aventuras marcadamente históricas, em que Jacques Martin conta as aventuras do jovem Gaulês e do seu amigo Egipcio. Estamos em plena época de conquista pelas legiões romanas, e claro, plenas de intriga à boa maneira romana. Alix viaja por todo o Império Romano, é amigo de Júlio César e de Cleopatra, e numa dada aventura até a uma viagem à China tem direito! Jacques Martin por volta do número 20 começa a deixar o desenho a cargo de outros artistas, pois a idade não perdoa! Estão editados 27 livros, sendo que mais de metade foram traduzidos para português.
Alix o Intrépido (Edições 70)
A Esfinge de Ouro (Edições 70)
A Ilha Maldita (Edições 70)
A Tiara de Oribal (Edições 70)
Garra Negra (Edições 70)
As Legiões Perdidas (Edições 70)
O Último Espartano (Edições 70)
O Túmulo Etrusco (Edições 70)
O Deus Selvagem (Edições 70)
Iorix, "O Grande" (Edições 70)
O príncipe do Nilo (Edições 70) (ASA)
O filho de Espártaco (Edições 70) (ASA)
O Espectro de Cartago (Edições 70)
O Deus Vulcão (Edições 70)
A Torre de Babel (Edições 70)
Herkios, o Jovem Grego (Edições 70)
Vercingétorix (Edições 70)
O Imperador da China (Edições 70) (ASA)
O Cavalo de Troia (Edições 70)
Ó Alexandria (ASA)
Les barbares (Dargaud)
La chute d'Icare (Casterman)
O Rio de Jade (ASA)
Roma, Roma... (Casterman)
C'était à Khorsabad (Casterman)
L'ibère (Casterman)
Le démon du Pharos (Casterman)


Nesta série os livros das Edições 70 são bastante dificeis de encontrar...

Espero que tenha sido útil.
Boas leituras e boa escolha!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Menino Triste - A Essência


João Mascarenhas faz um belo ensaio sobre o conhecimento, a arte e a essência desta. Por vezes parece que divaga, mas não! A dita divagação tem um propósito, um objectivo. O Menino Triste debate-se com o problema existêncial de todos os artistas, ou os que almejam a tal... o que é a arte? É a arte que cria o artista ou o contrário? Ou será que está tudo intrinsecamente ligado? Sim, será a natureza intrínseca da criação, a sua essência ou alma, que faz com que algo seja considerado arte?
Ehhehehe! Até eu já estou a divagar!
José Luis Peixoto faz um belo prefácio ao livro d´O Menino Triste e na contracapa temos pequenos comentários sobre este livro, como por exemplo de Geraldes Lino, Luís Louro ou António Vitorino de Almeida.
Não sei se devo, porque não sei se será assim, considerar o Menino Triste como o João Mascarenhas dentro de uma vinheta... mas se o quarto dele for assim tem muito bom gosto! Disco de vinil dos U2 (o Boy ou então o War), Blondie e Police nos seus primórdios; e para além disso modelos aeronáuticos... :)
Como podem ver, ou sentir, por esta pequena informação, a arte de Mascarenhas é bem detalhada... e para além do detalhe, que por vezes é genial, tem um estilo muito próprio do qual eu gosto bastante! Destaco em Veneza os passeios do Menino Triste na procura da inspiração, da essência, em que muitas vinhetas se passam sem uma única linha escrita, e no entanto dizem tanto sobre o que é belo...
Esta viagem ao interior de nós próprios começa em Coimbra, no quarto do Menino Triste onde se lê:"O que não se vê, apenas se revela, a quem saiba procurar dentro de si". Coimbra é descrita gráficamente num passeio inicial do Menino Triste, onde este se interroga sobre a arte, inspiração e criatividade, acabando por convidar um grupo de amigos para jantar em sua casa. Após alguns dialogos sobre o tema, e na tentativa de devolver ao Menino Triste a sua inspiração, estes convencem o Menino a fazer uma viagem, cujo destino acaba por ser Veneza na altura do célebre carnaval Veniziano... claro que é uma viajem introspectiva, ao seu interior, à sua alma!
Eu gostei! Foi uma boa surpresa, e recomendo. Penso que foi o primeiro lançamento do género da nova editora "Qual Albatroz", que está de parabéns porque a edição está com um bom nivel.
Boas leituras

Hardcover
Criado por: João Mascarenhas
Editado em 2008 por Qual Albatroz
Oferecido por um novo amigo
Nota : 8,5 em 10

sábado, 13 de dezembro de 2008

Os Passageiros do Vento


Para mim a obra-prima de François Bourgeon, e uma das melhores séries de Banda Desenhada jamais feita! Não é grande, apenas cinco volumes, mas muito bons. Bourgeon leva-nos ao século XVIII, em plena guerra entre Inglaterra e França, mais visivel ao nível colonial. Mostra também a hipocrisia reinante, entre estas duas potências, quando tocava ao negócio de escravatura humana...
É um romance histórico, para adolescentes (crescidos) e adultos, em que Bourgeon faz um intenso estudo da época, desde os lugares aos costumes, roupagens e informação histórica geral, para o leitor estar sempre bem sintonizado com a época. Para isso serve-se de alguns personagens que practicamente apenas servem esse intuito... Uma grande parte da estória passa-se no mar, logo , e para fazer juz a essas maravilhosas descrições, os barcos são detalhadamente desenhados, pode-se dizer, tábua por tábua! Mas assim como trabalhou na fidelidade dos seus modelos náuticos, também, segundo dizem os entendios, as suas batalhas e estratégias militares marítimas também estão muito bem representadas gráficamente.
Esta série foi-nos presenteada pela Meribérica e a sua edição foi composta por cinco tomos, são eles:
- A Rapariga no Tombadilho
- O Pontão
- A Feitoria de Judá
- A Hora da Serpente
- Ébano
Bourgeon acabou o primeiro volume em 1980, prolongando esta sua excelente obra até 1984. Foi iniciada por cá em 1987, sendo que a maior parte dos volumes foi reeditado, é bastante fácil obter ainda os primeiros quatro, infelizmente o quinto volume é bastante mais dificil, mas desde que haja empenho do leitor, ainda se consegue adquirir! ehehehh
Esta série foi das que mais me inluênciou na minha adolescência (em conjunto com mais duas ou três...), pois nunca pensei que houvesse BD assim! A dita BD histórica portuguesa era bastante "maçuda", e continua ser (com excepção a Camões, de Jorge Miguel), ou seja, passei do Asterix, Lucky Luke e Tintim para esta obra.
Bourgeon apresenta-nos uma estória plena de acção, intriga, amor, sexo, coragem e extensas libações filosóficas sobre o ser humano, a escravatura e a liberdade. Estas últimas bem presentes e patentes no diário de Isabeau, e nas suas conversas com o médico do navio negreiro, Jean Rosselot.
A estória conta o caminho da jovem Isabeau, e sendo esta completamente anti-preconceituosa e livre, sofre bastantes agruras, pois no seu tempo as mulheres só tinham uma função...
Isa vai de viagem acompanhando a "amiga" Agnés, incógnitas porque o Comandante não queria que os marinheiros soubessem que iam mulheres a bordo! Isa gostava demais de liberdade para se confinar aos seus aposentos , acabando por passear pelo barco vestida como homem, e é aqui que conhece o seu amor e uma ferramenta para a sua vingança, Hoel!
Nos três últimos volumes, é-nos mostrado cruamente o negócio da compra e escravatura humana!
Uma das melhores BD´s de sempre!

Boa leitura.



Softcover
Criado por: François Bourgeon
Editado entre 1987 e 1990 pela Meribérica
Comprado no Miau, Bulhosa e Bertrandt
Nota : 12 em 10

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Snake Woman Vol. 3: Tale of the Snake Charmer


E assim chegou ao fim a saga da Snake Woman, com o seu terceiro e último volume! É uma pena que a Virgin Comics tenha fechado portas, isto é, penso que mudou o nome para Liquid Comics após uma reestruturação que aconteceu entre Agosto e Setembro deste ano.Foi com a Snake Woman Vol. 1: A Snake in the Grass que eu comecei este blog, em Julho do ano passado (parece tão longe...), depois veio a segunda crítica, Snake Woman Vol. 2: The Faithful e vamos finalizar hoje, que é um caso raro ultimamente... acabar uma série no terceiro volume...
Esta série teve um grande defeito para mim, foi mudar o desenhador, enfim o grupo de trabalho esteve sempre com algumas mudanças, talvez por isso seja o "script" o melhor desta série... nunca mudou, foi sempre de Zeb Wells. Às vezes a arte teve resultados bem abaixo do pretendido. A ideia principal da estória estava óptima, tudo ao redor de uma antiga lenda e antigos deuses da Índia profunda... com uma maldição a cumprir, claro!
Jessica encontra-se agora na Índia, tentando controlar os seus impulsos interiores de Snake Woman e ao mesmo tempo muitas pessoas um pouco por todo o glogo terrestre sentem-se impelidas a viajar para esse mesmo lugar, porquê? Têm de ler o livro!
Neste livro juntam-se à trama mais dois importantes personagens, o Cobra King e a Snake Charmer... estes tentam chamar à razão a Snake Woman, provando-lhe que o seu instinto de vingança, resultado da maldição dos 68, é errado.
Jessica acaba por ceder, mas no fim vinga-se na mesma! A identidade do Cobra King esteve bem escondida durante toda a saga, apenas se revelando, e bem, neste último capítulo.
Foi uma boa estória, e espero que a Liquid Comics continue as duas outras estórias que eu acompanho da antiga Virgin. Numa delas, e segundo consta, está em preparação um filme: Ramayan!

Softcover
Criado por: Shekhar Kapur, Zeb Wells, Vivek Chinde, Dean Hyrapiet e Michael Gaydos
Editado em 2008 por Virgin Comics
Comprado na Central Comics
Nota : 7,5 em 10

sábado, 6 de dezembro de 2008

Batman: The Black Glove


Grant Morrison continua a sua intervenção no mundo do Morcego e que, segundo consta, vai levar à "morte" de Batman no próximo volume: R.I.P.!
Penso que esta dupla, Grant Morrison/J.H. Williams III, esta a funcionar muito bem neste arco de estória do Morcego, que como início tem uma reunião do Club of Heroes numa ilha privada pertença do milionário Jonathan Mayhew, aqui começa um verdadeiro quebra cabeças para Batman, pois os heróis deste clube patrocinado pelo Morcego, são cruelmente atacados, assassinados e torturados. O responsável "assina" Black Glove...
Depois de escaparem daquela ilha maldita, de que mal saíram com vida, Batman e Robin entram de cabeça num antigo caso de completa loucura: The Third Man.
Este tinha sido já aflorado num anterior livro, mas eu não lhe dei a importância devida na altura... Grant Morrison é assim... sempre a trocar-nos as voltas!
Um destes falsos Batman consegue aprisionar o legítimo, acabando por se saber que ele mais outros dois falsos Batman, foram criados como substituição em caso da morte do verdadeiro Batman... mas a tortura mental e física a que foram sujeitos (a todos de maneira diferente), provocou esta loucura e vontade de vingança!
Digamos que o Morcego fica em muito maus lençóis nesta altura, e que, quem orquestra tudo por detrás "do pano", está dar cabo de tudo o que Batman sempre acreditou!
Esta Black Glove está muito bem escrita por Morrison, que se adaptou lindamente ao espírito de Batman (põe inclusivamente muitos pormenores que vêm da Silver Age) e J.H. Williams III faz um óptimo trabalho nos lápis, em conjunto com Tony Daniel, claro, nesta complexa storyline da saga R.I.P.
Boas leituras

Hardcover
Criado por: Grant Morrison, Tony Daniel e J.H. Williams III
Editado em 2008 por DC Comics
Comprado no Book Depository
Nota : 8 em 10

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Comercial Vs. Alternativo

O Pedro Mota no fórum de BD do Portal Central Comics referiu um assunto sobre o qual eu há bastante tempo desejava fazer um post… a relação entre a Banda Desenhada consumida pelo comum dos mortais e a chamada Banda Desenhada alternativa.
Logo aqui temos uma relação maioria/minoria, e em que será saudável este espaço alternativo, porque a Banda Desenhada tem de ser acessível e apreciada por todos! Mas temos de partir da premissa de que o mercado de BD, dita comercial, é saudável senão o nicho alternativo fica sem espaço! E desenganem-se os radicalistas alternativos se pensam que esse tipo de BD tão respeitável como os outros, possa sobreviver sem aquela coisa horrível que é a Banda Desenhada consumida pelo grande público!
Eu já ouvi alarvidades (ao vivo) de radicalistas alternativos dizerem que a “merda da BD comercial devia ser banida da face da Terra”! Que a cura para o panorama nacional da BD passaria pelo desaparecimento dessa coisa horrível que é a BD comercial...
Já agora, e perante este ponto de vista radical, posso fazer o seguinte exercício… Se eu fizer desaparecer da face da Terra a BD comercial, a alternativa passa a ser comercial, pois será a única que é vendida e publicitada… entretanto alguns autores começavam a desenhar diferente da BD instituída, passariam estes a ser os alternativos! Estes apoiantes veementes da então alternativa passariam a consumir o alternativo como sendo comercial. Ora sendo comercial, o alternativo, então, seria uma merda. Confundidos? Eu também… :)
Só posso considerar isso de uma obtusidade a toda a prova, provavelmente de alguém com pouco jeito para o desenho, pois se fizer assim uns riscos e umas caras esquisitas já é considerado alternativo, e o que é alternativo é conotado com intelectual, e o que é intelectual está acima da crítica do comum dos mortais... assim tolera-se a falta de jeito.
Já li muito bons livros de BD alternativa, assim como BD comercial que era um verdadeiro asco.
O problema não é se é comercial ou alternativo... o problema são os lobbies formados, que de alguma maneira restringem a própria BD, para dar ênfase àquela que acham que é a verdadeira, a boa, aquela que deve ser noticiada e apoiada. É lógico que quando uma minoria (porque é uma minoria) toma conta de canais privilegiados de comunicação com o grande público e apenas deixa passar a sua mensagem, e propagandeia quase a 100% apenas o dito alternativo, o grande público, ou seja as pessoas que compram, desligam-se… pois Banda Desenhada não serve para vestir nem para comer, serve para dar prazer e conhecimento! O comum dos mortais não olha duas vezes para a maioria dos livros de BD alternativa, e não vale a pena chamá-lo de ignorante, porque poderá não ser verdade. Chama-se alternativa, porque deverá ser alternativa a uma determinada forma de fazer, editar e estar da BD tradicional! Mas isto é para uma minoria…
Tem de haver espaço para o alternativo, para o Fanzine e para o experimental, mas estes espaços só existem quando aquilo que é consumido pelo grande público é absorvido, ou seja vendido! Aí uma editora pode investir/apostar num autor que fez uns quantos Fanzines promissores, ou editar uma obra alternativa, mesmo dando prejuízo! Para isso terá de se acabar com o elitismo!
Já agora, os organizadores dos poucos grandes eventos de BD no nosso país, que repensem os cartazes de propaganda a estes mesmo eventos. Não estou a apontar facas aos artistas que os fizeram, mas sim à escolha dos mesmos (cartazes). É minha opinião que esses cartazes são tudo menos comerciais, mas deveriam, mesmo, ser comerciais! Pois a publicidade serve para chamar o possível público consumidor, e não para afastá-lo! Porque o vulgar cidadão, com pouco contacto com o mundo da BD, ao ver aqueles cartazes vai dizer que aquilo é só para aquelas coisas esquisitas… a publicidade tem de ser apelativa para o grande público, e não para uns quantos fãs, nos quais eu me incluo. E sim, estou a falar dos cartazes de Beja, e sim estou a falar dos cartazes da Amadora! Não estou a falar dos eventos propriamente ditos…
Não se esqueçam de uma coisa, a BD para ressurgir no nosso país tem de vender e aí poderão surgir os alternativos, experimentais e mais importante que tudo: autores nacionais!
O grande público é o objectivo, se o foi nos anos 80/90 também o pode ser agora, mas não é com BD alternativa que vamos lá. Se este panorama continuar, haveremos de andar a oferecer fanzines uns aos outros para o resto da vida, e comprar importados comerciais, claro…
Concluo com a esperança de não tenha sido um post muito confuso, e também, com a esperança, que quem tem o poder de publicitar e fazer reviver a Banda Desenhada o faça, independentemente dos seus gostos pessoais, maneiras de pensar e inimizades de estimação!
Como é que um meio tão pequeno como é a BD portuguesa pode provocar tanta confusão?