terça-feira, 12 de abril de 2016

Heróis esquecidos da Marvel Parte 1




A Marvel atravessou um período ligeiramente criativo na época do pré-guerra, gerando meia dúzia de super-heróis de primeira linha e uma quantidade considerável de imitadores pouco originais. Mas a Segunda Guerra Mundial e o pós-guerra levaram a editora a apostar noutros conceitos, desde os humorísticos (Powerhouse Pepper, Super Rabbit, Patsy Walker, Tessie the Typist), aos western (Kid Colt, Black Rider, Ringo Kid) e as revistas de romance, guerra, ficção policial e ficção fantástica, quase sempre sem personagens permanentes.

Com o final da Segunda Guerra e as mudanças nos gostos dos leitores, os super-heróis e os heróis de aventura não foram prioritários até à estreia do Quarteto Fantástico em 1961, mas isso não quer dizer que eles não tenham existido. Durante os anos 50, em que usava o globo da Atlas como marca unificadora de uma linha, a Marvel chegava a editar cinco a oito revistas praticamente idênticas de uma temática específica, mensais ou bimestrais, e havia espaço para toda a gente. Alguns dos heróis eram conhecidos de antes, outros tornaram-se mais conhecidos quando foram resgatados por escritores modernos, enquanto muitos ficaram esquecidos. Esta é a listagem de todos os heróis e aventureiros que a Marvel publicou nos anos 50. Não vamos listar os heróis dos westerns e das revistas de guerra, que foram em número bem maior. Esta série vai ter mais duas partes.

Super-heróis

O breve regresso dos super-heróis é talvez o período mais estudado da época. Entre Dezembro de 1953 e Setembro de 1954, a Marvel tentou reviver os seus três principais super-heróis da década de 40, Capitão América, Tocha Humana e Namor, o Príncipe Submarino, com três revistas individuais, mas integrando também duas antologias. O Capitão América, novamente acompanhado por Bucky (nenhum deles envelhecendo nos anos em que estiveram parados), enfrentava essencialmente vilões e espiões de inspiração comunista, incluindo um novo personagem com o nome Electro (nada a ver com o inimigo do Homem-Aranha, ou com o robot dos anos 40 que foi reaproveitado em The Twelve) e uma nova encarnação do Caveira Vermelha. Quando o Capitão dos anos 50 foi recuperado nos anos 70 como um racista alucinado, o Caveira dos anos 50 foi revelado como um espião soviético chamado Albert Malik, para explicar porque um agente nazi iria trabalhar para um estado comunista. Quanto ao Bucky, foi revelado como sendo Jack Monroe, assumindo a identidade do Nómada nos anos 80 e 90.

O Tocha Humana foi o que teve mais visibilidade durante este período, aparecendo em destaque nas capas e sendo usado ainda nas histórias secundárias das revistas do Capitão e do Namor, novamente acompanhado pelo seu parceiro Centelha, que também não envelheceu (o Tocha tinha a desculpa de ser um andróide). O Tocha enfrentou não só espiões comunistas mas também membros do crime organizado, graças à sua filiação na Polícia de Nova York, onde tinha a identidade civil do guarda Jim Hammond (que não foi usada neste regresso). Muitos destes criminosos tinham deformidades físicas, como nas histórias de Dick Tracy, e o chefe de polícia Wilson continuou a aparecer como personagem de apoio. Depois do seu nome ser reaproveitado por Johnny Storm, o Tocha original foi ressuscitado por John Byrne nos anos 80, que o utilizou como membro dos Vingadores, na equipa baseada em Los Angeles.

Namor, o Príncipe Submarino, durou mais um ano que os seus congéneres, graças a um possível acordo que estava a ser negociado para a produção de uma série de televisão, que nunca se materializou. Foi preciso esperar até aos anos 70 para passar para a TV, na série O Homem da Atlântida, com o herói Patrick Duffy, mas com todos os nomes mudados. A sua prima Namora, a sua namorada ocasional Betty Dean, a sua mãe Fen e o seu avô, o rei Thakorr da Atlântida, eram personagens recorrentes, e embora Namor também estivesse envolvido em lutas contra comunistas, os cenários envolviam mais a marinha soviética do que espiões. Pelo caminho, o príncipe atlante teve ainda que lidar com alguns cientistas loucos.

Histórias publicadas em: Young Men #24-28; Men’s Adventures #27-28; Captain America #76-78; The Human Torch #36-38; Sub-Mariner Comics #33-42.

Heróis do passado

O Cavaleiro Negro era uma espécie de super-herói medieval, fingindo ser um nobre inútil com veia artística, Sir Percy de Scandia, cujo elmo lhe tapava completamente a cara e disfarçava a voz. Percy, apaixonado por Lady Rosamund (que, na boa tradição da BD americana, não lhe ligava nenhuma mas desejava ardentemente o misterioso Cavaleiro Negro), lutava contra invasões vikings e nobres ambiciosos, nomeadamente Modred, sobrinho do rei Artur, com a ajuda do mago Merlin. A história era claramente inspirada na do Príncipe Valente e o prolífico artista Joe Maneely conseguia até imitar o estilo de arte de Hal Foster. O Cavaleiro Negro foi reciclado constantemente nos anos 60, sendo ele próprio incorporado no passado do Universo Normal. Através da sua Espada Ébano, criada a partir de um meteorito encantado por Merlin, Percy deu origem a uma maldição que afectou o seu descendente, o americano Dane Whitman, que foi membro dos Vingadores e da equipa britânica M.I. 13.

Na mesma revista eram publicadas as histórias do Cruzado, um cavaleiro da corte do rei de Inglaterra, Ricardo Coração-de-Leão, que liderou a Terceira Cruzada no Médio Oriente. Apesar de pertencer à corte inglesa, era chamado um 'franco' pelos outros personagens (a Inglaterra foi conquistado pelos saxões e não pelos francos, mas na época era governada pelos normandos) e conhecido na guerra pelo seu nome árabe, El Alamein, sendo um inimigo dos exércitos 'sarracenos' de Saladino, de hordas mongóis e até de cavaleiros traidores. Nunca mais voltou a aparecer, embora uma ou outra história tenha sido reimpressa nos anos 70 na antologia Savage Tales, a preto e branco. O seu lugar na cronologia foi ocupado por outro Cavaleiro Negro.

Histórias publicadas em: Black Knight #1-5.
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