
“Once
upon a time there was a princess.
And the princess had all the gifts any princess could hope to have
Beauty
Grace
Compassion
Wisdom
Things every princess need…
…when she was raised in HELL.”
Estava à espera de um modo geral de um “What if…”
decente, e com uma qualidade média aceitável, visto que de comics de
super-heróis pouco ou nada tem havido minimamente aceitável para ser lido com
prazer.
E não é que me enganei?
Todo o mito da Wonder Woman é virado ao contrário
neste Absolute Universe, como não podia deixar, ou não estivesse impregnado
com a energia negativa de Darkseid conforme explicado em Absolut Power.
Mas embora tudo mude “na paisagem” e nas personagens que rodeiam a sua infância e crescimento desta guerreira, houve uma coisa que não mudou: a sua personalidade. A sua dualidade de feroz guerreira e heroicidade, ao mesmo tempo nunca largando uma doçura e Humanidade que lhe sempre foram intrínsecas, tornam Diana numa das personagens dos comics que eu mais gosto de ler, quando bem escrita.
Esta tomada, e transfiguração do mito da Mulher Maravilha, é excitante e muito fresco. A sua infância passa da paradisíaca ilha de Themyscira, onde no universo canónico da DC ela foi criada como uma verdadeira princesa, para uma ilha no submundo de Hades, tendo como “mãe” a feiticeira Circe. Logo aqui prevemos que a magia esteja muito ligada a esta Diana.
Esta reinterpretação do mito chega muitas vezes a
entusiasmar o leitor, a força e o carisma desta WW é enorme. A história
inicia-se em Gateway City onde uma ameaça monstruosa faz a sua aparição,
usa a Lamina de Atena, o Laço Némesis e o seu cavalo Pegasus para resolver este
ataque. Durante o combate vamos ter muitos flashbacks, desde o início da sua
infância na ilha Selvagem, no Inferno de Hades, onde a pequena Diana é entregue
a Circe, e que num primeiro momento não a rejeita, mas também não a adopta.
Todo este alternar é feito de maneira magistral. Na
actualidade Diana, durante o intervalo da batalha, encontra Steve Trevor que a
ajuda a resolver alguns problemas físicos. Na ilha a pequena Diana transforma
todos os seres em que toca (ou quase todos), a própria Circe passa a amá-la
como se fosse sua filha.
No final é confrontada com Hades, mas alguns Deuses estão
com ela, e Diana consegue a sua permissão definitiva para sair do Inferno, com
algumas condições.
Esta história de Kelly Thompson está maravilhosa. É
assim que se escrevem comics, toda a sequência narrativa deste livro está muito
criativa, é uma história nova de uma personagem velha que prega o leitor na
cadeira. Mas para ajudar a que o leitor fique pregado na cadeira precisamos
também de Hayden Sherman (desenho) e Jordie Bellaire (cor).
É cativante o trabalho de Sherman, sobretudo na
maneira como casa com a narrativa de Thompson. A Mulher Maravilha deste
desenhador vive da sua postura forte, sem ser desafiante, os seus olhos
transmitem toda a emoção que o leitor necessita, e sobretudo, Diana é de uma
intensidade avassaladora que agarra e entusiasma o leitor.
Sheman colocou um visual bem diferente do normal nesta heroina, mas na sua alma
reconhecemos sempre a Mulher Maravilha.
Bellaire coloca toda a arte de Sherman a palpitar na
página, dependendo do espaço, muda o tom da história, coloca muito bem a cor
nas cenas de magia, os layouts de acção por vezes são autênticas explosões de
cor, e de repente entramos na zona do espectro mais avermelhado quando colocado
no submundo, sempre fazendo sobressair o trabalho do desenhador.
As fundações do mito foram reinventadas, e em cima disso foi colocada uma história de qualidade pela norte-americana Kelly
Thompson. Tenho o segundo volume a rir-se para mim na prateleira. Falaremos
dele depois, para verificar se esta alta fasquia se mantêm.
O Leituras de BD recomenda este livro
Boas leituras







Sem comentários:
Enviar um comentário
Bongadas