terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Hän Solo


Acho que vou ser um pouco dissonante em relação ao resto das opiniões já expressas em relação a este livro.


Mas para começar, vou falar do livro em si. Acho a capa muito boa, uma ilustração única reunida nas badanas, capa, contracapa e lombada. Muito sóbrio na sua apresentação, este livro apresenta três cores base: verde (seco), preto e branco. Gostei muito deste diálogo entre estes três tons durante o livro todo... seja de noite, dia, ambiente exterior ou interior. Esta apresentação do produto final de Rui lacas pela editora polvo agradou-me bastante!

Em relação ao desenho, pintura e narrativa gráfica de Rui Lacas, nada a dizer. Eu gosto do estilo dele: simples, expressivo e eficaz! A narrativa gráfica dele é tão boa que se passam algumas páginas sem um único balão, ou didascália, e não se sente a falta de nenhuma dessas ferramentas da banda desenhada. O desenho conta a história por si só, sempre fluido, tornando a leitura muito fácil1 Não restem dúvidas que o Rui Lacas é muito bom desenhador!

Quanto à história em si... é aqui que eu ponho as minhas reservas. Seria uma história de vida, um conto do quotidiano de um jovem aparentemente normal, embora não o seja, e a sua bipolaridade até é bem explorada em algumas páginas. Mas por ser um conto descomprometido do quotidiano de um jovem holandês, que veio para Portugal ao abrigo do programa Erasmus, e que por aqui ficou não quer dizer que não falte muita informação!
Sinto tudo muito brusco devido à ausência de história. De onde vem Sandra? É a namorada? Ou é uma amiga colorida...?
Presume-se que sejam namorados, o autor apresenta-nos uma noite de amor correspondido... não há nada que nos faça pensar o contrário! Mas no dia seguinte ela já não está nem aí! Sem explicação.
Porque é que o Hän ficou em Lisboa em vez de regressar para o seu país natal? Amigos? Bem, isso ajuda-me noutra quase incongruência. É-nos dado a transparecer que Hän é uma pessoa quase sozinha, foi-nos apresentada Sandra por uma noite...
Hän decide sair de noite para beber um copo e encontra "montes" de gente conhecida da universidade. Afinal ele não é assim tão sozinho, mas nesses encontros Hän não nos diz nada sobre as suas motivações. Bebe copos!
Depois de soçobrar psicologicamente devido a ter sido "kikado" por Sandra (sem explicações) decide ir para Espanha! Voilá! Num estalar de dedos. Nunca se sabe quais as motivações que o levam a qualquer acção.
Pelo menos foi isso que eu senti a ler o livro quando saiu, e agora quando o reli.

Fica para mim deste livro um excelente trabalho gráfico do Rui Lacas, mas coxo na história.

Boas leituras

TPB
Criado por: Rui Lacas
Editado em 2012 pela Polvo
Nota: 6,5 em 10
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