quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Palavra dos Outros: Uns pensamentos sobre o Anicomics por Paulo Costa

Ainda o Anicomics!
Mas desta vez é a opinião do Paulo Costa, não sobre o Festival em si, mas alguns pensamentes que lhe perpassaram pela cabeça enquanto lá esteve.
Então fiquem com o desabafo pensativo e interrogativo do Paulo:

“Olá, o meu nome é Paulo e sou fã de super-heróis!”

Quase parece uma introdução nos Alcoólicos Anónimos. Mas tem razão de ser. É que no passado fim-de-semana foi a Anicomics, um dos poucos eventos no país que merecem o nome “convenção”. E isto é bom. Não estou interessado em “festivais” nem em “exposições”. Gosto da minha BD à americana e os americanos fazem convenções, onde os fãs se juntam para falar com os amigos, com os desconhecidos e também com os autores.
Não me apetece tecer qualquer comentário sobre o sucesso do festival. Quero apenas falar de algo que vi, que é completamente alheio à organização. Aliás, se há um problema, a culpa é minha. Minha e de outros como eu. É que num evento chamado Anicomics, a julgar pelo público, há mais “ani” que “comics”. O que não é verdade. Dois dos autores convidados trabalham ou trabalharam recentemente para a Marvel Comics, e um deles foi publicado na Vertigo. Há dois meses, eu não fazia ideia quem eram Marco Checchetto e Davide Gianfelice. Mas se trabalhavam para o mercado americano, eu estava interessado em ouvi-los, pois o que tivessem para dizer seria sempre familiar.
Foi o público que pareceu fazer pender a balança para o lado da cultura japonesa. Afinal, estava lá muita gente mascarada de desenhos animados japoneses, alguns com indumentárias que de certeza demoraram muito tempo a fazer. Os fãs de manga e anime parecem gostar de mostrar o seu apreço pelas suas séries e personagens preferidos. Parece quase motivo de orgulho. São otaku. De acordo com a Wikipedia, o termo otaku é derivado de um termo que designa uma casa ou família. E entendo que uma pessoa tenha orgulho na sua família.
Já eu (e os outros como eu) pertenço à subcultura “nerd”. Não à “geek”, pois há uma diferença. Para ser geek, é preciso ter conhecimentos científicos ou numa área tecnológica (quanto mais especializados melhor), não basta ter um interesse obsessivo em cultura pop centrada em ficção especulativa.
Por isso, sou um nerd. E talvez eu (e os outros como eu) acabe por levar demasiado a fundo o comportamento típico de um nerd. É que os nerds têm vergonha de se mostrar fora do seu meio-ambiente, e gostam de ser assim, para pensar que são diferentes e especiais. Demarcamo-nos assim, como se nos ríssemos a guardar um segredo que só nós conhecemos.
Dos mascarados, também vi um Deadpool, uma Poison Ivy e uma Harley Quinn. Tudo bem. Mas era quase tudo japonês. Os fãs de manga e anime tiveram um miniconcurso que incluía testes de conhecimento mas também teatro amador. Tiveram karaoke e concurso de máscaras. Até comeram ramen (essa parte não percebi bem porquê. Sempre havia Pocky?). E nós tivemos a conferência, a exposição e os autógrafos. E falámos. Gostamos muito de falar. Nem sempre para dizer bem. É outra diferença entre o otaku e o nerd. O otaku gosta de mostrar aquilo que gosta, o nerd perde tempo a criticar aquilo que odeia. Ainda me lembro da época em que era divertido dizer mal do Rob Liefeld…
Por isso, acho que tenho alguma inveja da energia com que os otaku se entregam ao seu hobby e como os outros fãs aderem em massa e com gosto a qualquer evento, por mais pequeno que seja. Não que o Anicomics não tenha sido divertido, porque foi. Mas se calhar queria ter-me divertido mais um pouco, e acho que podia ter contribuído para isso, tal como os otaku fizeram por si próprios. Ainda tenho que descobrir como. Acho que tenho um ano para pensar nisso.

Paulo Costa

Confesso que concordo e penso como ele em muitos aspectos. A comunidade que gosta de Comics em Portugal é envergonhada, e até se ri desdenhosamente muitas vezes em relação aos Cosplayers Manga/Anime! Esquecem-se que o Cosplay nasceu nos EUA com os Comics há muitos anos. Aliás se virem fotografias das Comicons norte-americanas verão que o Cosplay é o prato do dia, mas com personagens dos comics!
Fico com o Paulo...
"Ainda tenho que descobrir como. Acho que tenho um ano para pensar nisso."
:)

Boas leituras



57 comentários:

Hugo Silva disse...

Também concordo e também usei isso do "ani+comics" :D

Diabba disse...

Ainda vos hei-de ver vestidos de Navegantes da Lua!!
hihihihihihi

]:-D

Nuno Amado disse...

Hugo Silva
Estavam lá muitos fãs de comics e FB, embora considere que a maior parte eram fãs Anime/Manga, apenas são mais "envergonhados" que os outros, não se manifestando da mesma maneira. No primeiro Anicomics estavam muitos cosplayers de comics, eu ainda me lembro, mas depois não sei porquê o nº diminui...
Acho que apenas gostam de desdenhar quem é mais alegre e ficar encolhidos a ver os outros!
LOL
Este ano vi Harley Quinn, Poison Ivy, Deadpool, Two-Faces, Robin e X-23. Mesmo assim foi melhor que no ano passado em que praticamente só vi cosplay Manga e Anime.
:\

Diabba
Eu não!!!!!
Eu se fizer cosplay é de Hulk! Sou musculoso, por isso é só arranjar tinta verde!!
:P
:D

Diabba disse...

pfff quando muito serás o super-herói "Fio-de-Prumo" ]:-D

Guy Santos disse...

É mesmo curioso, aqui no Brasil acontece a mesma coisa, nos eventos de animes e comics, a maioria sempre é de Otakus fantasiados, acho isso muito legal, também gosto de mangas e animes, mas não sairia por aí como um cosplay, mas acho muito legal ver esse pessoal.

Nuno Amado disse...

Diabba
Estás a pôr em causa o meu poder físico?????
:O

Guy Santos
Também não faz a minha onda andar mascarado! Nem quando era pequeno no Carnaval gostava... mas gosto de ver!
:)

João Figueiredo disse...

Em primeiro lugar: Excelente artigo do Paulo Costa.
Em

segundo lugar: Deveria fazer este comentário no post

sobre as considerações finais. Mas achei que este artigo

do Paulo sintetiza tão bem certas questões sobre o

Anicomics. Sendo assim, Bongop e todos os Bedéfilos, aqui

vai. Não vos tiro muito tempo.

Começo por dar os parabéns ao Mário Freitas que fez (e a

sua equipa) um grande evento. Um evento diferente, que

veio para ficar. Em parte, a pedra no charco que faltava

a um país em que só existem dois Festivais fortes e algumas iniciativas meritórias. E sim, o Anicomics não é um Festival de BD à maneira europeia, mas sim uma Convenção à Americana. Daí ser dinamizado pela Kingpin. Daí ter uma abordagem mais comercial. Daí não se poder comparar à Amadora ou a Beja. No caso da Amadora, é certo que é um Festival com problemas. Muitos causados mais por questões políticas do que por questões de organização. E ainda a missa vai no adro sobre essa questão...e preparem-se todos para o que se pretende fazer com Beja, que só não aconteceu este ano, porque o Paulo Monteiro é um verdadeiro "carola".

Anicomics Vs Amadora. Eventos diferentes entre si, mas ambos necessários e compatíveis. Mais: Um é o maior Festival Nacional de BD. Seja a portuguesa, a japonesa, a franco-belga ou a americana. Outro é o maior evento de cultura Japonesa e de Comics Americanos. Sim...porque o IBERANIME é espanhol. E, neste momento (e isso confirmar-se-á no Anicomics 2013), até acho que já ultrapassou as experiencias americanas.

Ani ou Comics? Sinceramente, como eu disse ao Mário Freitas, acho que é verdadeiramente Anicomics. Tiro o chapéu a ele por conseguir fazer o equilibrio cada vez mais perfeito entre os dois mundos. E começa-se a verificar malta que vai ao Anicomics pelo Ani e descobre o Comics e vice-versa. E isso só faz ganhar os dois "mundos". Depois...é um facto que o mundo Ani está a ganhar cada vez mais adeptos. E tudo começou com mais força desde 1994, com o DragonBall na TV, depois foi com a vinda dos autores de Striker ao FIBDA de 1997, em que se verificaram as primeiras manifestações de Cosplay, seguiram-se os primeiros eventos de Anime portugueses, organizados pela Ana Saúde...aos eventos do Anipop e agora o excelente Anicomics. E o publico aderiu em peso.

Exposição no Anicomics...é para mim o ponto mais fraco. Podia ter muito mais do que tem. Não está em causa a qualidade das obras expostas, atenção. Essas, excelentes e, maravilha das maravilhas, originais. Mas podia-se fazer um pouco mais. Mais autores expostos. Essa é uma sugestão que deixo.

Área comercial (da Kingpin ou dos grupos presentes) - Muito boa. Aliás, não podemos negar (e eu sei por experiência própria com o Grupo Entropia o ano passado) que o Anicomics é uma iniciativa que ajuda em muito os grupos que se juntam no que diz respeito a vendas (o ano passado, nós esgotámos lá o nosso Kzine), assim como ajuda bastante aos resultados da Kingpin. E ainda bem.

Mas exactamente por o Anicomics ter uma abordagem mais comercial é que nunca poderá ser comparado à Amadora.

Por fim: O Mário Freitas é um verdadeiro "business man". Está em todos os eventos Ani a promover a sua livraria e a sua editora. Está em todos os Amadoras (e creio que em Beja). Faz o seu próprio evento. É um exemplo a seguir.

Nuno Amado disse...

João Figueiredo
Há um erro que acho que estão a cometer. Vamos lá comparar…
Pagamento de bilhetes de entrada: Ambos os festivais têm (Beja não)
Zona comercial: Os 3 festivais têm, embora Beja apenas faça uma banca corrida. A Amadora têm as principais lojas todas portuguesas que pagam bem pelo espaço (que ainda por cima nem é grande coisa), o Anicomics apenas a Kingpin.
Venda de livros ou originais dos autores presentes: Em Beja nunca vi (excepto uns posters do Erskine), na Kingpin fazem-no com pouca expressão, na Amadora aparecem bastantes.
Afinal… porque é que o Anicomics é Comercial e a Amadora não? A única diferença é que o Anicomics tem mesmo de dar lucro, ou pelo menos não dar prejuízo, e a Amadora não faço a mínima ideia de qual é o retorno, e quem paga no final são os contribuintes.
Vocês têm de fazer a comparação é entre um festival privado, e um festival de dinheiros públicos. Por aí está bem! Quanto às comparações só as fiz porque a maior parte são “pormenores” de organização que falham por vezes gritantemente na Amadora, e no Anicomics são o ponto forte! Não estou a falar de dinheiro, esto a falar de organização! Porque se for a falar de dinheiro o Amadora tem um orçamento imensamente superior a qualquer festival português, aliás bem maior que todos os festivais juntos portugueses.
Como toda a gente está farta de falar sobre os pontos fracos da Amadora e nunca ninguém leva em conta essas críticas… bem, assim o festival fica monolítico e nunca se renovará para melhor!
E não façam ideias erradas, eu adoro a Amadora! É um festival enorme, mas que podia ser muito melhor. É isso que eu quero, um Amadora BD de grande nível!
Quanto às exposições, é lógico que na biblioteca a sala que serve para expor é pequena e peca por isso. Esse é o defeito, mas é um defeito físico. O Amadora peca por excesso! Vou dizer uma coisa pela qual me vão enforcar… acabem com a exposição Central do Amadora BD! Ganham espaço que nunca mais acaba!
;)

Rafeiro Perfumado disse...

Eu sei quem é que não apanham vestido de Tio Patinhas (era a minha personagem preferida). Abraço!

Mário Freitas disse...

Obrigado por todos os comentários que têm sido feitos, sejam eles elogios ou reparos. Quanto a estes, há dados incontornáveis: limitações de espaço ou orçamento. Dessem-se um orçamento de 575.000EUR e um espaço como o do Amadora BD (desde que devidamente amputado das castrações burocráticas) e podem imaginar o festival que poderia organizar. E não é presunção, é constatação.

O AniComics teve um orçamento inferior a 8.000EUR, integralmente financiado por mim, ainda assim 2.000EUR acma do ano anterior. Comparem então esses 8.000 com os 575.000 da Amadora. E atenção: tal como o Nuno, eu gosto muito do Festival da Amadora e devo muito ao Festival da Amadora; mas há coisas que são óbvias e que não podem, definitivamente, ser menosprezadas.

Posto isto, tenho plena consciência que há coisas que devem continuar a ser melhoradas no AniComics, para que a próxima edição continue a ter os incrementos qualitivos e quantitativos que têm sido apanágio a cada nova edição. E, acreditem, já comecei a trabalhar nisso, na cabeça e no papel.

Um obrigado sincero e um grande abraço a todos.

Mário Freitas disse...

E só mais um detalhe: o João Figueiredo mencionou as minhas qualidade empresarias, o que agradeço, claro; porém, se calhar aquilo que me distingue ou destaca, como quiserem, é eu ser 50% business man e 50% creative soul. Nunca descuro, nem posso, a vertente económica, mas sei que só com originalidade, capacidade criativa e alma artística se pode montar um Festival de BD que interesse, de facto, às pessoas.

Macaco Malandro disse...

falando em Cosplay,segue a dica de uma dedicada modelo/cosplayer.

http://macacomalandro.blogspot.com.br/2012/05/cosplayer.html

Pensador Louco disse...

Sempre gostei de cosplay e, apesar de nunca ter participado dessa forma (no máximo, fui o "Tio Fester" em algumas festas a fantasia) concordo que é muito bom e bonito de se ver. E adoro convenções (nerds ou otaku), pois são uma forma válida de encontro offline de pessoas com assuntos e culturas afins.

Gostei muito do texto. Se tenho algo contra o que foi escrito é a parte na qual o autor fala de um tempo passado, em que era bom falar mal de Rob Liefeld. Minha discordância é que isso é atemporal, e cabe em qualquer época.

Grande abraço. :)

Stuntman disse...

Para o caro PC e todos os Nerds:

O que nos afasta (nerds) dos 'otakus' é que a malta do cosplay 'tá sempre na linha e nos os 'nerds' há muito que descuramos a nossa forma física.

Vá, tudo a fazer dieta e a fazer umas corridinhas diárias que para o ano o pessoal 'nerd' vai tudo fazer cosplay dos 199 mutantes restantes do Universo Marvel.

Aviso já, eu vou de Blob. :-)

João Figueiredo disse...

Mário: Sem dúvida que és um excelente "business man". E um excelente criativo. Só assim conseguirias criar o melhor dos dois mundos, como aliás te disse na entrevista (que não faço a minima quando vai para o ar, pois está a dar muito trabalho a montar o programa). Foste tu o primeiro a dar-me uma opinião sincera quando eu comecei a fazer argumentos e a tua postura é a que tem que ser. Goste-se ou não. O único reparo que faço ao Anicomics, para além da questão de precisar de ser noutro espaço, é só a Exposição que podia ser maior. Mas também sei que noutro espaço, tenderá a ser maior.

Nuno: Eu sei que todos gostamos do FIBDA. Quando digo que o Anicomics não pode ser comparado com a Amadora é exactamente pela diferença de um ser impulsionado pelo financiamento privado e outro pelo financiamento público. De uma autarquia, ainda para mais. Em última instância, um tem que dar lucro (e o Anicomics se não o dá - não sei se dá ou não - pelo menos trabalha e bem para isso), o outro tem que ser sustentável. Ou dar prejuizo, se esse for o entendimento, desde que o prejuizo seja um investimento. Um é uma vontade em querer fazer aquilo de que se gosta, sem nunca esquecer a componente de ser um negócio (e volto a dizer...o Mário está de parabéns, sabe o que faz. É o verdadeiro homem dos sete oficios.). Outro, deverá ter sempre como prioridade o serviço público. Com 575 mil euros ou com outro valor disponível. Sobre a organização do FIBDA, só mais uma questão. Na minha opnião, levantamos sempre muitas falhas ao CNBDI, mas acho que nos afastamos dos responsáveis principais, que são o Executivo da Câmara Municipal da Amadora. Porque o CNBDI é um departamento da Câmara. Cujo orçamento e o plano de actividades decorrem dos Orçamentos e Planos camarários. Sugestão: Após o próximo AMADORA BD irá decorrer na Assembleia Municipal da Amadora a discussão desses planos para 2013. Porque é que a comunidade bedéfila não aproveita e faz as sugestões directamente ao executivo?

Por fim...Nuno, desculpa a extensão do comentário. São as minhas opiniões sinceras sobre estes temas que a nós nos dizem muito.

Alex D'ates disse...

Rapaz, acho que quem faz as coisas na raça, dentro de suas possibilidades não pode ser simplesmente criticado.

Merece aplausos e icentivo!

Miguel Antunes disse...

Boas.

Tenho pena de não ter ido ao Anicomics, mas estive fora em trabalho e só voltei hoje. Parece ter sido muito bom e espero poder lá ir para o ano. Parabéns ao Mário Freitas.

Em relação ao Amadora BD, é notório que os erros persistem de ano para ano. Eu já vou ao Amadora BD desde adolescente e este ano não pus lá os pés porque já estava muito desiludido com os anos anteriores. O Mário Freitas escreveu que é 50% business man e 50% creative soul. Acho que a chave é essa: criatividade.Os cortes por parte da autarquia da Amadora não justificam tudo. Se o Mário conseguiu organizar um bom festival com 8.000 euros(reparem que estou a falar pelo que tenho lido, uma vez que não estive no Anicomics), os 575.000 do Amadora BD dão para fazer muito melhor do que têm feito nos últimos anos. Até só 200.000! O problema é que o pessoal da organização do Amadora BD tem uma visão muito limitada de como atrair público (começa pela péssima divulgação) e dinamizar o festival. (Há sempre tanto espaço mal usado ou não usado de todo no Amadora BD...) O festival da Amadora sempre deu muito mais destaque à bd franco-belga do que à bd norte-americana e japonesa. Se o Amadora BD é financiado por dinheiros públicos, então tem de ser um festival para todos e não apenas para os que gostam de franco-belga. Tem de ser dada a mesma atenção à bd norte-americana e japonesa, que a organização do Amadora BD dá à franco-belga! O Anicomics que sirva de lição ao pessoal do Amadora BD em relação ao público que há em Portugal para bd norte-americana e japonesa. Gostaria de fazer um pedido ao Mário Freitas: se é possível divulgar o número de visitantes que teve o Anicomics, para ficarmos com uma ideia.

Talvez até seja melhor mesmo a redução de orçamento do Amadora BD, a ver se o pessoal da organização tem mais capacidade de organização e criatividade. Porque como diz o ditado, a necessidade aguça o engenho!

Nuno Amado disse...

Rafeiro Perfumado
Podemos ir de Scarecrow!
LOL
:D

Mário Freitas
Obrigado pelo info e continua a trabalhar bem, os nerds como eu agradecem!
:)

Pensador Louco
Acho que te vou dar razão! Liefeld é intemporal, podemos dizer mal dele até ao fim dos tempos, mas ele continuará a trabalhar para as grandes editoras sem se preocupar conosco! Mas dizer mal dele é sempre divertido.
:D

Stuntman
Scarecrow para mim!
:D

João Figeiredo
Não tens de pedir desculpa pela extensão do comentário. Quem quer dar a sua opinião tem o espaço que quiser!
:)
Acho que se continua a confundir um pouco o chamado "de interesse público" e o "comercial".
Que é que te leva a dizer que a Amadora é de interesse público e o Anicomics não???
Que é que leva a dizer que o Anicomics é comercial e o Amadora BD não?
Interesse público é sinónimo de exposições que estão espalhadas pela Amadora e que ninguém visita?
Interesse público é convidar autores que ninguém conhece (e alguns vindos de fora e de fraca qualidade) e ficam a bocejar durante horas sem nada para fazer?
Interesse público é ter o festival aberto durante 3 semanas em que durante a semana passam por lá os putos da escola, uns obrigados, outros sem tempo para verem as como deve ser e com os professores a puxar a dizer "vamos embora que estamos atrasados?
Ou interesse público é ter o festival cheio de gente, animado, divertido e interessante?
Coemercial... o Amadora tem muitas mais lojas que o Anicomics e também cobra bilhetes. Mais ainda, cobra o espaço de merd@ que oferece às lojas com tal valor que eu acho que poucas ganharão dinheiro para pagar o espaço!
Afinal quem é que é comercial e que é que é de interesse público??
Só por ser privado leva logo com o rótulo de comercial, só por ser do estado/câmara passa a ser de interesse público?
Perguntas para ti, João Figueiredo!
:D

Nuno Amado disse...

Alex D'ates
Estamos a divagar um pouco entre dois festivais, um público e o outro privado. Como deves ter percebido o festival privado é o Anicomics. O festival feito com dinheiros públicos é o nosso maior festival: Amadora BD
O fulcro da questão é que um festival de baixo orçamento tem uma super adesão, e outro com um orçamento muito maior nem sempre funciona a apelar e atrair pessoas.
Nós só queremos é que o Amadora BD com tanto dinheiro para funcionar fosse mais interessante para o público visitante!
;)

Miguel Antunes
Primeiro e para que fique gravado, embora goste de todo o tipo de BD, aquela que faz mais o meu género é a europeia, ou Franco-Belga, se preferirem assim.
Acho que existe espaço para tudo e para todos, sobretudo no Amadora BD.
O que faz mais falta ao Amadora BD é simplesmente o que falaste: criatividade! Chamar e cativar o público, e quando falo em chamar o público não estou a falar nas pessoas que ali se deslocam apenas para passear ao Domingo depois de almoço. O Anicomics tinha muita gente vinda de bem longe e ninguém dos que vão passear ao Domingo depois de almoço. E estava cheio!
Beja é longe para caramba mas atrai pessoas de todo o País! Porque será?
Eu quero um Amadora BD forte! Interessante!
E o que me chateia é que têm todas as condições para isso, e nem sempre acontece...
NOTA: Não tenho nada contra as pessoas que vão passear ao Amadora BD depois de almoço. Pode ser que alguns fiquem cativados pela BD! Simplesmente não é esse o público que faz um festival, eu quero o outro, o público que já vai previamente interessado ou aberto a interessar-se e pronto para consumir BD.
:)

Paula disse...

Pela minha experiencia pessoal, concordo com tudo o que foi dito quer pelo Nuno, quer pelo Mário entre outros.
O CASH para o Anicomics é pago pela Kingpin, é comercial?
No way, pelo que li este ano tinha um pouco de tudo (Tony Sandoval (mais alternativo), Felice e Chechetto (mainstream) para além da zona e os seus lançamentos (que já têm um NOME expressivo na BD nacional e que mesclam o alternativo com o mainstream) e ainda o Rui Lacas.
575.000 Euros é muita CASH e na Amadora nos festivais que fui, só via lá muito aparato com as exposições e autores basicamente do mercado Franco-Belga (tirando um ano no qual cairam de paraquedas no amadora: Daniel Clowes e Charles Burns).
Quanto ao "ser" de interesse público; Amadora deixa muito a desejar, pois não DEVE ser somente um festival votado ao dominio do Franco-Belga, mas sim açambarcar um pouco de tudo (anime, super-heróis, alternativos, tiras humoristicas, Bd nacional e manga, pois eles têm capacidade para isso).
Acho que é um festival com excelente pujança, mas que poderia ser o "nosso" San Diego.
Contratarem pessoas para se mascararem de personagens de Starwars, pessoal do anime e mesmo de super-heróis poderia ser uma via.
E ainda por cima o AmadoraBD é a "pagantes" (para além de ter o dinheiro dos contribuintes).
Logo e na minha opiníão, deveriam apostar menos em exposições XPTO (e reduzir um pouco o orçamento das mesmas) e movimentar o espaço assim como a cidade da Amadora com flyers, posters, bonecos e mesmo andarem as pessoas fantasiadas no centro da cidade e nas escolas das proximidades e de lisboa para cativarem público para o mesmo.
Eles têm muito dinheiro para fazerem um festival dos melhores do mundo, logo que o façam.
Quanto ao preço das bancas para as editoras/lojas venderem lá, nem vou comentar porque é abominável.

Nuno Amado disse...

Paula
Há que usar bem o dinheiro e a criatividade!
:)

João Figueiredo disse...

Nuno, vamos ver se sou sintético (o mais provável é não ser). Pretendo contribuir para a discussão o melhor que sei.

Alguns esclarecimentos. Amadora BD, FIBDBeja, Anicomics, MAB Invicta, Portusaki, Universo do Entropia, Anigamix, Salão da Sobreda, Salão de Moura, Ciclo de BD da Câmara de Santa Marta de Não sei Onde, são tudo eventos de louvar. Sejam organizados por uma autarquia, pelo governo central, por individualidades, por empresas, por associações ou grupos informais. Porque todos tem o mesmo objectivo: Promover a Banda Desenhada e "artes paralelas" (entenda-se Animação, cultura, etc - o termo não é feliz). A diferença está nos fins. Uns é para fazer Serviço Público (já lá vou a isso), outros é para vender livros, outros é para fazer um misto. É nesta última "classificação" que eu considero que está o Mário Freitas. Um artista de BD que quer promover a sua arte e, obviamente, fazer uns trocos, já que tem uma livraria e uma editora. E, acima de tudo, porque acredita em si e acha que consegue fazer uma coisa que toda a gente (ou a maioria) gosta. E consegue!

Porque a grande questão em Portugal não são a falta de eventos. É a divulgação dos mesmos. É a falta de divulgadores. Faltam mais Vascos Granjas, Geraldes Linos, etc. Um portal sobre BD e alguns blogs de bedéfilos não chegam. Falta chegarmos ao Grande Público.

É aí que entra o Interesse/Serviço Publico. Para mim, Interesse ou Serviço Público é aquilo que eu considero fundamental numa sociedade. Seja no Desporto, na Informação, seja na Cultura ou na Ciência. Serviço Público de TV/Informação, por exemplo, não é para "ser igual aos outros" (leia-se, ser igual à SIC/TVI). É para mostrar ao público tudo o que existe por aí. Um pequeno aparte - Um ministro deste governo sem pasta da cultura dizia que 3% de audiência (referindo-se à RTP2), não é serviço público. Portanto, a destruir a Televisão Pública, que se destrua a RTP2. ERRADO. A RTP2 é a única TV dos 4 canais que tem desenhos animados adequados às crianças, em horários adequados (por alguma razão é que é o concorrente directo do Canal Panda e da SIC KIDs, canais Cabo e privados). A RTP2 é o canal dos fãs de séries americanas. Exibe uma por noite. As mesmas séries que dão numa Fox ou num AXN.A RTP2 é a unica televisão das 4 a promover TODO O DESPORTO. Sem ser só futebol.

Ou seja. Serviço Público existe para servir a população. Para que todos possam aceder a algo (Saúde, Educação, Água e Saneamento, Correios, Energia, etc, etc). Não tem que dar lucro. Mas também não pode dar prejuizo. Tem que ser sustentável. Um serviço Público tem que ser Universal (chegando a todos) e tendencialmente Gratuíto.

E é isso que, acima de tudo, um Festival de BD financiado publicamente tem que fazer. Acho que deu para ter a noção da ideia.

João Figueiredo disse...

Finalmente vou responder.

Que é que te leva a dizer que a Amadora é de interesse público e o Anicomics não? Nada. Ambos são de interesse público. Um porque assim foi pensado (mesmo que ande muito desviado do conceito). Outro porque o Mário Freitas não é a Jerónimo Martins. Tem interesse em ter lucro e a dar a conhecer a sua arte.
Que é que leva a dizer que o Anicomics é comercial e o Amadora BD não? - Há aqui uma diferença. O Anicomics tem vocação em ser comercial e fica a ganhar em também fazer serviço público. O AmadoraBD nunca deveria ser comercial. Por isso, acho que há muito que não deveria ser cobrada entrada.
Interesse público é sinónimo de exposições que estão espalhadas pela Amadora e que ninguém visita? Interesse Público é sinónimo de boas exposições, diversificadas, com espaços para novos autores, com privilégio para autores nacionais. Não está em causa o modelo do Festival. E eu, pessoalmente, considero que a dispersão na Amadora não resulta.
Interesse público é convidar autores que ninguém conhece (e alguns vindos de fora e de fraca qualidade) e ficam a bocejar durante horas sem nada para fazer? Interesse público é ter autores nacionais e internacionais, de referência ou ainda desconhecidos. A qualidade só provêm da quantidade e nunca o contrário. Mais Amadoras BD's houvessem, e se calhar a questão da qualidade era esbatida.
Interesse público é ter o festival aberto durante 3 semanas em que durante a semana passam por lá os putos da escola, uns obrigados, outros sem tempo para verem as exposições como deve ser e com os professores a puxar a dizer "vamos embora que estamos atrasados? Interesse Público é ter um festival curto, mas conciso. Ideal: 10 dias, de sexta ao outro domingo, boa articulação com a comunidade escolar para encher os dias uteis em horário laboral, algumas iniciativas à semana, de noite. E isso é bastante fácil de fazer. Falta é vontade política.
Ou interesse público é ter o festival cheio de gente, animado, divertido e interessante? Sem dúvida. Mas depende muito do que lá se mostra. Não é o caso do Anicomics, mas há iniciativas que estão cheias de gente, estão animadas, são divertidas, têm o seu interesse e não são de interesse público.
Comercial... o Amadora tem muitas mais lojas que o Anicomics e também cobra bilhetes. Mais ainda, cobra o espaço de merd@ que oferece às lojas com tal valor que eu acho que poucas ganharão dinheiro para pagar o espaço! Não conheço os preços, mas calculo que sejam caros. Os agentes económicos deveriam juntar-se e reclamar. Não é esse o objectivo da Amadora BD. Concordo que se cobre o espaço. Se os valores são desmedidos, apoio a reivindicação dos agentes económicos.
Afinal quem é que é comercial e que é que é de interesse público?? É comercial a venda de livros. É de interesse público a dinamização da arte. O Anicomics não é o Iberanime (é bem melhor).
Só por ser privado leva logo com o rótulo de comercial, só por ser do estado/câmara passa a ser de interesse público? Obvio que não. Se é privado, pode ter interesse comercial ou não. Por exemplo, as parcerias do Grupo Entropia com autarquias têm, em primeiro lugar, o objectivo de promoção das Artes. Só depois a venda das nossas publicaçãoes. Mas isso, porque nós "Grupo Entropia" assim o queremos. Tal como as autarquias com quem temos desenvolvido iniciativas.

Abraços, Nuno

Nuno Amado disse...

João Figueiredo
Deve haver serviço público sim! Mas com o dinheiro bem aplicado em eventos interessantes. Coisa que se calhar passa um pouco ao lado de alguns.
Não vou falar de eventos tipo Iberanime ou Portusaki, pois não os considero de eventos de BD. Lá por se venderem livros de Manga não quer dizer que sejam eventos de BD, embora sejam divertidos. Para ser evento de BD o fulcro têm de ser os artistas, várias exposições, autógrafos e debates.
Não fui eu que comecei a falar de comercial, ou serviço público. Por isso fiz aqueles comentários. Aliás... muito dificilmente se poderá dissociar essas duas vertentes num verdadeiro festival/convenção de BD.
Quanto aos "agentes económicos" que vão vender os seus produtos no Amadora BD... estão fartos de protestar!!!!
Mas é como eu te digo, um dos grandes defeitos da organização do Amadora BD é não ouvir as pessoas, ou se ouvir não tomar em consideração as críticas. O Amadora BD tem de ser renovado! O seu figurino neste momento está a desajustar-se mais a cada ano que passa! E eu quero um Amadora BD forte, mas será dificil se não ouvirem as pessoas! Acabem com os comissários de exposições, e com as exposições comissariadas. Equilibrem as ofertas para os gostos das pessoas! Sei lá... tantas coisas podiam ser feitas para melhorar e ano após ano o figurino é sempre os mesmo...
Por isso o festival de Beja tem crescido imensamente (este ano deve ser mais fraco devida a contingências monetárias) e sempre com orçamentos muito inferiores ao Amadora BD. O Anicomics todos os anos tem sido melhor, e com orçamento minúsculo...
Portanto o que é que falta ao Amadora BD?
Diz-me tu!
:P

João Figueiredo disse...

Muito simples. Chamar à pedra o executivo municipal da Amadora. O Sr. Raposo já devia ter sido responsabilizado por isso tudo. Em última análise, caberá à população da Amadora mudar as coisas (e isto levanta a questão se deve ser um Festival da Autarquia, do Poder Central, ou misto). E cabe a nós, bedéfilos, denunciar e propôr. Porque o que acontece é que o CNBDI fica com "o pepino", mas quem financia, quem decide...nunca ninguém aponta o dedo. Pelo menos que eu tenha reparado.

Mas concordo contigo. O Anicomics, embora não possa ser comparado, não pode ser desconsiderado e, nalgumas questões, poderá servir de exemplo.

Grande Abraço.

Oneiros disse...

Penso que se está a entrar demasiado no dominio da política:(
Se o AmadoraBD está "atado" á política é melhor que não se faça e que escutem mais os contribuintes que pagam para ter um festival com tanto potencial ser somente um festivaleco quando poderia ser um GRANDE festival.
Para mim, essas desculpas que vêm do sr. Raposo ou seja de quem for são desculpas de mão pagador.
Mais vale darem parte da verba para o amadoraBD e deixarem um privado fazê-lo.
O modelo do amadoraBD está gasto há anos.

João Figueiredo disse...

Também não concordo com parcerias publico-privadas. Por experiências diversas que mostram que são danosas, quer para o erário público, como para o serviço prestado. Mas sim...está-se a entrar no dominio da política...e se calhar é essa a questão. É que tem que se discutir a Amadora até ao fim.

Oneiros disse...

Caro João,
Repara que o pessoal que gosta de BD ou animação está a "marimbar-se" para as politiquices ou essas tretas.
Existe muito CASH para um mero festival de BD que na práctica não funciona como um grande festival europeu, logo deve-se acabar com esta questão política e seja quem for que se "movimente" dentro da organização do festival que demonstre que o festival é importante para a cidade da Amadora e para o país. (é essa a grande vantagem de Angouleme, por exemplo.. Demonstraram que o festival era importantérrimo para a cidade e a política acabou e passou-se a falar de um festival de BD).Tudo o resto não interessa para as pessoas que gostam de BD, animação, anime, manga, franco-belga, etc.
Que façam alguma coisa de jeito com o dinheiro dos contribuintes.
Porque essa "treta" de não puderem fazer nada por questões blalalalala.. politicas... blalalalala.. Já não cola para as pessoas que gostam destas artes.

refemdabd disse...

Sim senhor, concordo com tudo(!).

Agora, vocês são uns mariquinhas...Scarecrow, Blob?!!! Eu vou de Navegantes da Lua, conforme foi muito bem sugerido. Já pedi o orçamento para a depilação integral, já comprei umas cuequinhas muito à maneira, verdadeiramente Ikkithousen. Cambada de gays não assumidos...Scarecrow, Blob, pffff. A assustar a malta gira. Mário, já sabes, pessoal feio não entra (menos eu, humm). Hehehehe.

575.0000 euros. Ainda tenho esse número a bater nas meninges, de um lado para o outro, com violência. Cambada de gebos. Ao certo, não sei a quem pedir responsabilidades, mas cada vez que os políticos se metem na "gestão" é isto que acontece: muito dinheiro, muitos chefes, muito gestores que nunca antes geriram coisíssima alguma, muitas ideias, e, no final, uma bela borrada ("burrada" também, sem depreciar os asnos). Desculpas, muitas desculpas, boas desculpas, más desculpas, desculpas pobrezinhas, desculpas e mais desculpas. É isso que depois vem da Amadora BD. E o que mais me aborrece é que não são um pedido de desculpas, antes são um "eu não tive culpa, mas alguém, que prefiro não revelar, teve". Mais de meio MILHÃO de Euros. Depois venham-me com histórias de amor à camisola: "faço isto por carolice"; "se eu não fizer, mais ninguém faz"; "não me deixam fazer o que eu quero"...então demitam-se, ou desliguem-se ou lá o que têm que fazer. Tenham coluna vertebral, ou um punho para baterem com ele na mesa. Como se eu acreditasse que alguém iria desperdiçar esse meio MILHÃO de Euros praticamente cativo para esse festival. Como dizia a canção: "...é a mama, é a teta...", e sabemos bem como gostam de mamar na teta todos aqueles que dela provam.

refemdabd disse...

Já agora, um apontamento bem mais sério:

A Cosplayer que o amigo Macaco Malandro teve a felicidade e amabilidade de partilhar, está convidada para o próximo Ani+comics. Eu pago o bilhete da menina, Mário! E se tiver amigas tão dotadas (para o Cosplay, cambada de almas entregues ao Inferno), que as traga também. hehehe. (sem maldade pessoal, vá lá).

Diabba disse...

cof cof cof

Vou ali falar com uma Colega, já volto.

]:-D

Mário Freitas disse...

Caríssimos,

Não tenho qualquer problema em falar de números de visitantes. Mas número reais e não quaisquer fantasias multiplicadas por dez, tão típicas de outros festivais. Foi vendida a totalidade dos 1.000 bilhetes emitidos, à qual se juntam as 210 pessoas credenciadas (entre staff, voluntários, autores e convidados, cosplayers do concurso e dos shows, parceiros, stands e afins). Isto resulta em 1210 visitantes diferentes; se contabilizarmos as entradas duplas (pessoas presentes em ambos os dias), saltamos para os 1600, sensivelmente, números limpinhos, claros e transparentes, sem qualquer ponta de falácia ou "wishful thinking".

Quanto à vertente comercial vs. interesse público, permita-me também aqui puxar um pouco a brasa à minha sardinha; se eu quiser aumentar o lucro do festival, tenho uma forma muito simples de o fazer: deixo de convidar autores estrangeiros, porque não há qualquer hipótese, no modelo actual, de rentabilizar a vinda de cada um deles. Isto significa, em números redondos, que, por cada autor estrangeiro a mais que convido, o prejuízo directo aumenta. A quantidade de livros vendidos de cada um e o preço relativamente reduzido dos bilhetes não chegam, nem de longe nem de perto, para cobrir os respectivos custos. Nesse sentido, trazê-los cá é um serviço público, na plena acepção da palavra.

Posto isto, entristece-me que certas figuras gratas do nosso meio bedéfilo optem por ignorar ou virar as costas ao AniComics, talvez por anos acumulados de vícios "públicos" e por continuarem com a mentalidade que deve ser o estado a garantir tudo e a assegurar tudo. Ou então, por não digerirem bem a importância crescente que o AniComics e os seus organizadores têm vindo a assumir, e preferirem acreditar em contos da carochinha e outras confabulações, que certos dinossauros empedernidos da nossa praça (e outras espécies nocivas mais recentes) tanto gostam de disseminar.

De resto, sim, o AniComics dá lucro, porque eu não sou louco nem masoquista: ter todo o trabalho que tenho no evento, apenas para aquecer, seria altamente desaconselhável, quer do ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista da minha saúde, acreditem.

Um grande obrigado pelo vosso interesse e participação.

Hugo Silva disse...

Este comentário do Mário sobre a vinda dos autores é pertinente e realmente pode ser considerada serviço público.

Eram autores não muito conhecidos do grande público, logo os seus livros não seriam tão procurados, e assim uns tiveram a possibilidade de conhecer um pouco melhor a arte deles, de os ver a trabalhar (na sessão de autógrafos) e até de ter algum conhecimento interno do mercado Norte-Americano nos debates ocorridos no Anicomics.

Eu agradeço por isso, fiquei muito fã de um deles (ainda por cima o único que não consegui desenho buahh) e assim irei ler trabalhos dele, coisa que nunca faria. Assim cultivaram-me a mente e despertaram-me a curiosidade, tomara muitas coisas públicas que têm isso como objectivo o conseguir.

Depois é toda a animação do público, não há cá grupinhos do costume em conversa de biblioteca, não há desdém pela animação que um grupo de fãs mostra e que tem gosto em mostrar a sua paixão por algo tão "chato" como... ler.

Aqui falaram que o Amadora, como O evento Nacional que é, devia ser para todos. Completamente de acordo, e o ano passado não me viram lá mesmo por isso. Apenas para estar com os amigos? Para isso combina-se algo.. e nem falo do lado comercial descurado pelo FIBDA assim como o publicitário.

O Anicomics nestes 3 anos demonstrou mesmo ser o mais perto de uma convenção que temos, e para isso só necessita mesmo de dar o salto em matéria de espaço. Em todo o caso, de novo, Parabéns Mário e continua nessa senda vitoriosa.

verbal disse...

Boas,apanho aqui o comboio a meio, mas li com atenção e agrado todas as opiniões aqui registadas que contribuem para uma boa discussão.

E começo logo por dizer junto a minha voz aquelas (nomeadamente à do João Figueiredo) que acham que não é comparável o Anicomics com qualquer outro festival de BD que se realize em Portugal. Porque tem naturezas diferentes, porque tem públicos diferentes, porque tem objectivos diferentes. Assim qualquer exercício de comparação que se faça peca pelas conclusões erradas que dai podem resultar. O Amadora BD tem sido frequentemente chamado como comparável, mas esquecem-se que este se trata de um evento cultural (não tem como objectivo dar lucro) financiado com dinheiro público, via CM Amadora (como tal a organização obedece a fortes condicionalismos camarários) e que por opção de quem o promove se destina ao público em geral (visitantes em geral e escolas) e não a um público específico. Não estou aqui a defender mas sim a registar factos. E assim qualquer semelhança com o Anicomics é pura ficção ou mera coincidência.

Obviamente que não defendo que o modelo de organização do Amadora BD sirva de desculpa para tapar alguma desorganização, desilusão e o pouco sucesso que este festival conheceu nos últimos dois anos. Mas não podemos esquecer que se trata de um festival com mais de 20 anos de história e que trouxe a Portugal os maiores nomes da BD internacional, da Europa à América, que de outra forma nunca teriam vindo ao contacto do público português. E não deve haver muitos festivais de BD no mundo que se orgulhem de uma folha de presenças tão rica. E mais nada houvesse, só por isso devíamos estar todos gratos!

Fala-se igualmente no orçamento de € 500.000 do Amadora BD, mas deixem-me dizer que analisem bem a forma como mais de 50% desse orçamento é gasto e talvez se perceba melhor que o interesse aqui vai mais para além da banda desenhada e acreditem que a culpa está longe de ser do CNBDI!

Agora concordo que se podem tirar boas lições do Anicomics e que o Amadora BD podia beber muito dessa fonte. O Miguel Antunes focou aqui e de forma assertiva bem esses aspectos: visão muito limitada de como atrair público, má divulgação (e tardia acrescento eu) do evento e falta de dinâmica do festival.

Concordo quando se diz que o Amadora BD parou no tempo, talvez à sombra de sucessos passados, mas a banda desenhada, os gostos e os públicos evoluem e talvez o Amadora BD, ao contrário do Anicomics, ainda não se tenha apercebido.

Palavra final para a franqueza e transparência do Mário na divulgação dos números do Anicomics. Gosto de ter sempre uma ideia do resultado destas organizações e o Mário quebra tabus com a sua divulgação. Bem haja!

Miguel Antunes disse...

Obrigado ao Mário Freitas pela divulgação dos números. Quantos aos restantes não sei, mas acho que o Anicomics ter tido mais de 1000 visitantes é impressionante, uma vez que estamos a falar de um pequeno festival e com apenas 3 anos de existência.

O Oneiros focou um ponto que é preciso ter em conta em relação ao Amadora BD: a importância que o festival tem (ou não) para a cidade. Nunca fui a Angouleme, mas por imagens que tenho visto e pelo que tenho lido, é um festival que é muito bem acolhido pelos habitantes. Vi fotografias de montras de lojas com bonecos alusivos à bd, assim como divulgação do festival que lá se realiza. dá a sensação que a cidade "respira" bd enquanto decorre o evento. E na Amadora, é assim? Quantos moradores na Amadora visitam o festival? Quantos até saberão que se realiza o festival na sua cidade? Nas vezes em que fui ao Amadora BD (e já vão uns bons anos), nunca fiquei com a sensação que a cidade "respirasse" bd, mas sim que era um evento circunscrito a um determinado local. Sim, porque admitamos: apesar de haver exposições espalhadas pela cidade, quantos visitantes correm a cidade a vê-las? A maioria das pessoas só vai ao local central do evento.

E depois há problema de tudo o que sejam iniciativas financiadas com dinheiro público: os lobbys e os compadrios. Será que as exposições e a forma como é organizado o Amadora BD não é principalmente para agradar a um pequeno grupo de ditos entendidos em bd? Será que não há interferências na organização do festival por parte de grupos de lobby?

Miguel Antunes disse...

Uups, uma pequena correcção!

Onde escrevi "Nas vezes em que fui ao Amadora BD (e já vão uns bons anos)", eu queria na realidade ter escrito "Nas vezes em que fui ao Amadora BD (e já desde há uns bons anos)". :P

Nuno Amado disse...

Refem
Começando pelo fim… eu vou dizer ao Mário que pagas a viagem à senhora! Depois não te queixes com a bravata!
:P
Eu pago para te ver de Navegante da Lua! Mas de certeza que é outra bravata…
:D
Para rematar… o meio milhão já é um número sujeito a cortes! Os 700 mil de há 2 anos anos já era um número “cortado”, portanto presumo que nos anos anteriores o orçamento fosse mesmo “o” milhão!
E eu não quero saber se é um milhão, meio milhão, ou 8 mil … o que eu quero saber é o se faz com esse dinheiro todo!
;)

Nuno Amado disse...

Diabba
Cof cof???
Não fales com a tua colega... deixa-o vir de Sailor Moon! Depois a gente tira fotos e faz chantagem com ele!
:D

Mário Freitas
Muito obrigado por tornares esses números público. Desculpa lá a expressão, mas em Portugal é preciso "ter tomates" para falar disto sem complexos e tornar os números públicos. São números excelentes porque são "crús", não estão cozinhados com escolas e afins.
;)

Hugo Silva
Concordo contigo. Trazer artistas estrangeiros a Portugal é serviço público sim senhora!
Faz-me alguma confusão na Amadora ver pessoas na fila de autógrafos com livros em francês para serem assinados e autografados por artistas, que alguém trouxe com prejuízo, e estes mesmos artistas terem livros editados em português.
Por isso acho muito importante, e cada vez mais, regras nas filas de autógrafos.
;)

Nuno Amado disse...

Verbal, não estou de acordo com o não poder ser comparável. Claro que há muitos aspectos não comparáveis como o mais visível: orçamento. Aliás, o orçamento do Amadora BD não é comparável com NENHUM festival em Portugal, é de muito longe o maior!
A comparação faz-se ao nível do que é que se pode fazer com o dinheiro orçamentado. E aqui o Amadora BD perde! Perde porque não se renova. Perde porque o modelo não é o melhor nos dias que correm.
Dizes que o Amadora BD não é comercial… ok! Mas nesse caso não cobrem às lojas os preços durinhos por um espaço que não é bom! Nesse caso não cobrem dinheiro pelas entradas!
Dêem livros de BD aos visitantes! Vais dizer que costumam haver livros de borla para visitantes… pois! Oferecidos por uma entidade privada chamada Mª José!
Falas que nós não sabemos como é que eles gastaram o meio milhão de euros do ano passado… ok. Eu não sei. Explica-me tu! Se calhar há um “abuso” de pagamento aos comissários das exposições que ninguém vê! Se calhar há interesses camarários excusos em que amigos “mamam” o dinheiro da Câmara! Mas não… só o Isaltino é que é corrupto…
Posso concordar em que em muitos dos pontos que eu falei o CNBDI não tem culpa e tem de se vergar a outro tipo de interesses (como eu odeio politiquices…). Mas isso não desculpa o pedestal em que se põem não ligando nenhuma às críticas construtivas que se foram fazendo ao longo dos anos! Inclusive críticas que tu apontaste e apontas! Nunca nada se muda. Por isso a adesão cada vez é menor e se continuar assim pode vir a acontecer uma coisa que eu iria odiar: o fecho do festival!
Penso que estavas naquele último debate promovido, salvo erro, pelo Machado-Dias. Foi dito que a seguir ao festival a organização se iria reunir com os principais intervenientes no festival, ou seja: editoras, lojistas e críticos. Aconteceu? Vai investigar.
As minhas críticas são para ver se alguém ali se espicaça e começa a pôr a cabeça a funcionar para fazer algo de melhor do que aquilo que se tem feito. É necessário um festival para TODOS os amantes de BD, e que possa atrair novos leitores. Não um festival para passear ao fim de semana como muitos fazem. Esses não apareceram no Anicomics…
Eu quero um grande Amadora BD! Não aquilo que tem acontecido.
Já agora, e para veres a diferença de postura, aqui neste blogue quando há discussões sobre este tipo de assuntos já apareceram o Mário Freitas e o Paulo Monteiro. Nunca ninguém do Amadora BD desceu do pedestal para dizer de sua justiça. É a postura… Nem sequer quero dizer que seja aqui especificamente no Leituras de BD, embora o Mário e o Paulo venham aqui “botar faladura”, é que não é em lugar nenhum… blindagem completa.
;)

Nuno Amado disse...

Miguel Antunes
Fazes muitas perguntas interessantes. Mas eu não vou responder, senão ainda pensam que eu sou contra o festival da Amadora! LOL
Mas posso dizer-te que em Angouleme RESPIRA-SE BD. O nome das ruas são balões de BD. As farmácias vendem BD. Existem exposições de BD em sítios como lojas de roupa!
É a cidade da BD. Vendem-se milhares, mas muitos milhares de livros. Eu enquanto comia o meu croissant e bebia o cacau quente observava uma banca de uma tabacaria. Tenha sempre 3 pilhas de livros de BD (para aí 60 livros). Ora as meninas que tomavam conta da banca repunham a banca entre 2 a 3 vezes enquanto eu tomava o pequeno almoço! Amazing!!!
A postura dos professores e dos alunos enquanto visitavam aquele mundo era impressionante... só visto, não dá para comparar com aqueles que eu vi no Amadora BD.
É outro mundo...
:)

Mário Freitas disse...

Concordo em absoluto com o Nuno Amado, quando diz que há sempre uma coisa passível de ser comparada: qualidade da execução. Se eu, modestamente, fiz o que fiz com 8.000EUR, então é perfeitamente possível conjecturar o que se pode fazer com 575.000 ou até metade disso, excluindo já assim as despesas em tábuas de MDF e as luvas ou o saco azul.

E vou ter de falar dos "comissariados". Vão me chamar agora arrogante, mas é para o lado que melhor me deito: em 13 anos de participação no Amadora BD, nem por uma única vez fui convidado para comissariar uma das tais exposições especiais, embora saiba mais de BD com os dois olhos fechados que grande parte desses comissários com os dois abertos. Façam um debate, técnico ou histórico, entre mim e eles, se o quiserem comprovar. Se calhar sou demasiado frontal e crítico para poder usufruir dessas benesses...

Quanto aos que lançaram o meu nome para director do AmadoraBD, agradeço a "nomeação", mas acreditem que isso não passa duma graçola da vossa parte. Não sou funcionário camarário, e falta-me a diplomacia e o poder de encaixe para lidar com burocracias e pressões políticas. Como já disse antes, ia bater com a porta ao fim duma semana. Porém, há uma pessoa habituada a lidar com essas situações, e que tem vindo a demonstrar ao longo dos anos que é capaz de fazer muito com pouco: refiro-me, claro, ao Paulo Monteiro. O Nelson Dona que me desculpa, mas consigo bem imaginar o que não poderia fazer o Paulo à frente do Amadora BD, desde que acompanhado por uma equipa renovada, livre do desgaste acumulado de anos de FIBDA. E esse é outro dos pontos fulcrais: é difícil renovar um evento que não renova pessoas que, ainda por cima, em primeira instância, já não eram propriamente as maiores apreciadoras ou conhecedoras de BD.

Obrigado e um abraço.

Venerável Victor disse...

Amigo, eu sou um nerd viciado...e não quero tratamento...rs

Pedro Leal disse...

olha, uma coisa que noto em muitos eventos é meio que uma falta de "toque" administrativo... aqui em Sc tm um bocado de eventos quase todos deanime, e em sua maioria caem nos mesmos erros de sempre. Falta de organização, atrasos, coisas não garantidas nos anuncios...

Nuno Amado disse...

Mário Freitas
A organização e as ideias presentes neste tipo de eventos são sempre comparáveis. As filosofias até podem ser diferentes, mas o cerne de organização, escolhas de artistas, e
capacidade de captação de público é sempre comparável!
Quantos aos comissários... eu nem quero meter-me nisso! Não ando em festivais há muito tempo, mas já deu para observar que são sempre os mesmos! Agora cada um que tire as suas ilações. Cheira-me a "mama". Gostaria de saber quanto recebem estes comissários, que são sempre os mesmos, por exposição! Se calhar mais do aquilo que os artistas expostos ganharam com as suas obras... mas como não tenho números oficiais na minha posse, apenas informações das quais eu não posso provar a veracidade, prefiro não adiantar mais.
:\

Venerável Victor
Nerds com muito orgulho, irmão!
Quem nasce para a "nerdice", morre nerd!
:D

Pedro Henrique
O Anicomics prima por uma boa organização, e são raros os atrasos!
;)

Drexer disse...

Embora aprecie o ponto que está neste post, não posso concordar com a maneira como é apresentado ou pelo menos com a maneira como se diferencia e generaliza aqui as pessoas.

Creio que uma tentativa de definição das pessoas e fãs em otakus, nerds, geeks, etc.. é fútil e irremediavelmente faz mais mal ao meio do que qualquer bem, sendo um daqueles velhos hábitos que se mantém das divisórias guerras que se repetem ad infinitum pela internet. Mesmo esquecendo as várias definições que cada pessoa ou fontes de informação tomam para si mesmo(sempre me foi apresentado para mim como a diferença entre nerd e geek o grau de confortabilidade de socialização de cada um), tentar enquadrar um conjunto de fãs de banda desenhada americana ou japonesa com um termo ou outro diria que faz mais mal que bem ao tentar atribuir a esses grupos características generalistas que apenas diminuem a diversidade no seu meio. Acho que num pais como Portugal que tão encaixado está no meio do triângulo cultural dos três grandes populares ramos de banda desenhada não há razão para catalogar as pessoas como apenas fãs de uma ou outra coisa assumindo que não há overlap de interesse para outros temas, e como tal creio que tentar resumir esta diferença de participação simplesmente como uma diferença de atitude entre os fãs de dois ramos do mesmo meio parece-me injusto para estes mesmo fãs.

Há aqui um efeito que eu creio que é muito comum e ao mesmo tempo muito complicado de quebrar, que se baseia exactamente neste volume de cosplay em discussão. São estas pessoas mascaradas de personagens conhecidas que servem como os maiores pólos de conversa social neste tipo de evento, à medida que estes tiram fotos entre si e com fãs é que surgem conversas e animação paralela o que convida e entusiasma as pessoas que não o fazem a também fazerem cosplay para a próxima vez. Como tal creio que tentar aglomerar os fãs desta maneira é injusto, eu fui ao Anicomics à paisana e embora por um lado tivesse o meu grupo de amigos com que conversávamos entre nós, notei que se um ou dois de nós estivesse com cosplay certamente teria havido bastante mais interacção externa em vês de nos reservarmos às pessoas conhecidas.

(...continua a seguir devido a limites do blogger)

Drexer disse...

(...continuing)

Se me pedissem uma justificação para esta diferença de volume de cosplay(e eu aqui ao falar obrigo-me a responder a mim mesmo, visto que certamente não faria sentido vir aqui argumentar um post que foi feito certamente com bastante interesse pessoal se não partilhasse também qual a minha hipótese para este fenómeno), eu diria que a grande descontinuidade de valores que se vêem baseia-se principalmente na dificuldade da escolha de personagens que os fãs de banda desenhada americana passam relativamente ao cosplay. Assumindo que há sempre no mínimo um certo desejo de auto-identificação ou reflexão pessoal, as personagens ocidentais efectivamente parecem ocupar ou um espaço de iconicidade e valor cultural tão grande que o cosplayer não sabe bem como representar esta e sentir-se confortável na sua mesma representação(certamente muita gente gostaria de andar pelo Anicomics de Batman, Superman ou Wonder Woman, mas quanto investimento pessoal é preciso para retratar estas personagens que são ícones gigantescos no subconsciente colectivo? ), ou então as personagens possuem um certo nível de complexidade ou especificidade no seu aspecto e representação física que se torna mais difícil a uma pessoa sentir que consegue retratar essas idealizações correctamente(e aqui certamente também muito pode ser dito relativamente tanto às várias escolhas de roupas dos super-heróis como fatos justos e à objectificação de muitos fatos de super-heroinas, mas se por ai eu começar não é hoje que acabo de escrever). Por outro lado, embora haja certamente muita iconicidade no lado oriental também, o vário numero de séries conhecidas e ao mesmo tempo independentes entre si dá não só uma variedade de personagens com aspectos e muitas vezes retratadas com certos elementos exagerados, que se torna muito mais fácil aos cosplayers conseguirem-se sentir satisfeitos com o seu trabalho a partir de um nível mais razoável tanto de esforço como de dinheiro(que certamente também contará).

Como tal, independentemente das razões por que creio que o a banda desenhada ocidental complica este cosplay, creio que o efeito só poderá ser quebrado ao tentar criar um ciclo também para este cosplay de super-herói que se auto alimente, e isso só aparecerá com esforço de nós fãs para começar tal movimento. Se queremos escolher algo que dá mais trabalho ou dificuldade então temos que nos dedicar mais cedo a isso, e se eu este ano senti que quero fazer cosplay para o ano então estou já a trabalhar nesse sentido para enveredar uma personagem com que me sinta à vontade e que tenha orgulho de estar como tal no próximo Anicomics.

Peço desculpa pelo discurso talvez em demasia, mas se houver algum ponto que não se perceba ou com que não concordem, critiquem à vontade. :)

PS: Relativamente a toda a conversa que aqui se levantou do Anicomics e AmadoraBD, nem vou comentar porque nem tenho os conhecimentos e experiência nem conseguiria ficar imparcial. Gostei muito do Anicomics e de festivais do género, mas sendo da Amadora e tendo o FIBDA um lugar especial nas minhas memórias de tão cedo quanto o pré-escolar nunca poderia ser objectivo segundo o apreço que tenho desse festival.

César Alves

Nuno Amado disse...

Drexer (César Alves)
Obrigado pela colaboração! E não fugiste do tema! LOL
Bem vindo aos comentários do Leituras de BD!

Eu quando falo em ser nerd, é completamente sem sentido depreciativo e considero-me um nerd da BD toda! Consumo todos os tipos de BD desde que goste, tenho Manga, Manwha, Franco-Belga, Comics, Gibis, Fumetti e Tebeos!
E penso que o Paulo Costa dividiu o pessoal entre nerds e otakus foi numa intenção de identificar estes dois tipos de fãs para melhor falar sobre as diferenças.
E elas existem!
Mas fizeste-me pensar numa grande diferença. Um tipo para fazer cosplay em condições de quase todos os heróis ou vilões dos Comics tem de ter um certo porte físico, se não o tiver nunca conseguirá incarnar a personagem!
Por isso escolhi o Scarecrow... LOL.
Gostei do ponto de vista sobre o assunto!
;)

PC disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
PC disse...

César "Drexer",

Não estou a tentar dividir ninguém, estas são diferenças comportamentais reais. Os termos nerd e otaku são usados com orgulho pelos fãs, mas cada um deles traz traços identificadores diferentes na forma como cada um lida com o tema de que é fã.

Portugal está mais ou menos no meio das três correntes principais, mas existem separações, na maior parte dos casos generacionais. É por isso que há uma maior percentagem que lia BD francesa antes dos anos 80, substituídos por um grupo de leitores habituados a consumir cultura americana com regularidade muito maior, até que as imagens mais dinâmicas dos desenhos animados japoneses ocuparam a imaginação de uma nova geração com o final dos anos 90.

Como Portugal é mais consumidor do que produtor de cultura, é normal assumirmos caracteríscas da cultura que consumimos. Isso não é exclusivo da BD. Mas os fãs de BD francesa possuem algum chauvinismo cultural herdado dos franceses (também havia mais música e cinema franceses na época), enquanto os fãs de comics, habituados a lhes ser dito que são velhos demais para lerem bonecos do Tio Patinhas, têm tendência a evitar mostrar sinais exteriores dos seus gostos. Também vêm de uma época em que era difícil encontrar muitas pessoas com quem partilhassem gostos. Os fãs de manga/anime são naturalmente extrovertidos no Japão e este género popularizou-se em Portugal com o advento da Internet. Era mais fácil encontrar pessoas com gostos e comum e informação sobre o assunto.

O meu desejo de ver mais animação ocidental no Anicomics vai além do cosplay. Além do concurso de cosplay propriamente dito, um grupo de voluntários organizou um quiz show que inclua representação artística de diálogos e cenas específicas de banda desenhada, incluindo cantar alguns temas musiciais... em japonês! E nem todos os que participaram neste espectáculo estavam mascarados. É uma forma de consumir cultura completamente diferente do que as gerações anteriores estavam habituadas... consumir cultura fazendo parte dela.

Isto pode ser tratado com o habitual desprezo destrutivo de quem sente que fica fora da festa e prefere partir os brinquedos, ou pode ser usado como fonte de inspiração para criar algo mais. Não só para eu tentar ir mascarado de Dum Dum Dugan no próximo ano, mas também porque me apetece cantar o tema do desenho animado do Homem-Aranha dos anos 60. E assim sim, teremos algo de novo que partilhar com os fãs de One Piece.

Antes da convenção, eu reclamei para mim próprio porque é que o quiz show era só sobre desenhos animados japoneses. Bem, isso aconteceu porque houve alguém que organizou um nesse sentido. Fui ver o quiz show para ver o que eles faziam, porque queria fazer qualquer coisa estilo Jeopardy. Bem, o quiz show foi tão engraçado, cheio de energia, despreocupado, que a minha ideia de pseudo-Jeopardy seria uma seca. Por isso, quero fazer algo melhor.

verbal disse...

Viva, voltando a esta troca de ideias sobre o AniComics versus Amadora BD, toco aqui numa questão que parece ser sensível que é respeitante ao orçamento. Antes disso, aproveito até porque posso deixar escapar, dar os parabéns a quem com tão pouco consegue muito, que é o caso do Paulo Monteiro no FIBDB e do Mário no AniComics.

No que respeita ao orçamento do Amadora BD interessa saber como se gasta os cerca de € 500.000. Assim recomendo a todos uma leitura deste documento:

http://www.cm-amadora.pt/files/2/documentos/20120322170557338305.pdf

Verifica-se então que a empresa que trata de toda a obra de fornecimento, montagem, execução e desmontagem, que salvo erro é a mesma nos últimos anos, cobra cerca de € 211.937,15 ou seja cerca de 40% do orçamento (para este ano) se considerarmos os € 500.000!!! Não sou jornalista de investigação mas interessava saber como é que a mesma empresa todos os anos ganha um concurso que presumo seja publico? Quem são os seus sócios? Se tem ligações a alguém do executivo camarário?
O resto do orçamento presumo que seja gasto com as exposições (transporte, montagem, seguros, etc), com os autores (transportes, alojamento) e outros.

Agora concordo que com o 60% de um orçamento de meio milhão podia-se fazer mais e melhor, mas sejamos justos, se o festival falha não é pelas exposições (e respectivos comissários) pelo que pegar por aqui é um exercício de fraca memória. Muitas das exposições no Amadora BD são de elevada qualidade e as próprias exposições centrais revelam um estudo aprofundado que é feito na sua preparação (basta ler no catalogo do festival para se perceber isso). E pessoalmente devo dizer que aprecio bastante todo este trabalho de investigação.

Para concluir, fica o melhor disto que é sabermos que vai haver a 23ª edição do Amadora BD e que esta decorre entre 26 de Outubro e 11 de Novembro.

Fiquem Bem!

Nuno Amado disse...

Paulo Costa
Não me vou esquecer desse Dum Dum Dugan que vai aparecer no 4º Anicomics!
LOL
Talvez aparece um Scarecrow para te fazer companhia! (Viram? Eu disse TALVEZ!)
:D

Verbal
Sei que a minha opinião é diferente da tua, mas por mim acabava-se com a exposição central, e todas as exposição satélites espalhadas pela Amadora que ninguém vê. Para mim só ficavam as exposições dos autores. Assim como acabava com aquela mama daquelas representações de "não sei quantos países" que não trazem nada ao festival. Assim como acabava com as 3 semanas de festival e passava a ser uma só a apanhar 2 fim de semanas.
E acabava com a mama dessas empresas que mamam também à custa do festival.
Só com estes cortes arranjarias dinheiro para trazer artistas de topo à bruta!
(Digo eu....)
:)

Mário Freitas disse...

Uma questão que ainda não abordei: a do espaço/localização do evento. Creio que quando se está a falar do esgotamento do espaço actual, se está a pensar quase em exclusivo no auditório e nos seus parcos 300 lugares, entre sentados e em pé. Quanto a isso, de acordo: rebenta pelas costuras.

Porém, em todos os restantes espaços do evento circulava-se perfeitamente à vontade, bem melhor que o ano passado em que houve menos 40% de visitantes. Ter todo o espaço da biblioteca disponível este ano foi fundamental para esse desafogo geral e para o crescimento do evento. É claro, podem argumentar que o grosso do espectáculo se passa no auditório, isso é inegável; mas, se calhar, uma solução que passe pela transmissão cá para fora do que está a ocorrer lá dentro poderá dar um 2º fôlego (3º, neste caso) à actual localização. Mais uma coisa a pensar ;)

Luis disse...

Bongop, vim agora ver este post e só queria comentar que quando escreveste que "este debate já ia comprido" não estavas a brincar!! :-). Algumas das questões que começámos a falar no post das considerações finais, de uma forma geral já foram aqui mais detalhadas e é engraçado ver que a discussão até se encaminhou mais ou menos pelos mesmos caminhos! Revejo-em nos posts do Miguel Antunes e do Verbal mas para quem leu isto tudo de uma assentada é unânime o louvor de quem visitou o Anicomics à sua organização, e é unânime o reconhecimento de que o AmadoraBD tem aspectos a melhorar e da crítica à forma como o dinheiro é empregue. As divergências estão no facto de alguns acharem estes festivais comparáveis e outros acharem que não é tão simples (o que me parece que também não é uma divergência assim muito importante...). Quase que te sugeria a criação de uma entrada sobre a organização do AmadoraBD porque é isso que se tem estado a discutir :-), mais do que o Anicomics. Fiquei triste que a reunião que tinha sido anunciada pelo Nelson Dona, com livreiros e editores (e que talvez pudesse ser alargada a outros elementos do panorama da BD nacional) não se tenha realizado. Já agora, uma vez que estamos numa de "What If.." e salvaguardando que no outro post já mencionei que seria a favor de ter o Mário a organizar um Amadora BD, alguém sabe como seria um Festival de BD, organizado pelas mesmas pessoa que "organizam" o AmadoraBD, desde que fossem (parafraseando Mário Freitas) devidamente amputados das castrações burocráticas?

Abraço

Luis

Oneiros disse...

Depois de ler mais questões e "filosofias" acerca do AmadoraBD (não tendo eu nada contra o AmadoraBD). Só posso continuar a afirmar que se poderia fazer muito mais com esse orçamento descomunal (mesmo com excelentes exposições).
Continuo com a ideia que o AmadoraBD deveria ser espalhado um pouco por todo o país (nomeadamente na região de Grande Lisboa, pois têm dinheiro para isso)
Acho inacreditável como não vejo ninguém da organização da AmadoraBD a falar do festival na rádio, na TV e nos jornais.
Eu que até fiz um microfestival: Mab Invicta (com bons autores e com lacunas próprias de ser o primeiro) consegui divulgar a BD por todo o país e inclusive pelo estrangeiro.
(e nem vou falar de orçamentos, senão dá-me um ataque cardíaco:))..
Eu concordo com o Mário e com o Nuno relativamente á comparação com o anicomics.
A génese de tudo isto está de como é "conduzido" o festival.
Não nos esqueçamos que a organização trabalha neste festival durante um ano com os seus salários para além do orçamento e pessoas como o Mário Freitas (e eu incluido) trabalhamos grátis na promoção de artes que gostamos, logo só tenho que aplaudir quem merece e chamar atenção novamente para as "lacunas" que existem num festival como o AmadoraBD.
Acho que quem lê BD percebe de BD e de autores (assim como os de Mangá, cosplay, etc), logo por vezes só é preciso quem goste de uma arte e ajudar as pessoas que organizam festivais no que puderem.
Se ninguém fizer nada para tentar alterar as coisas, as coisas continuirão a ser o mesmo de sempre com os portugueses sempre no nosso "fado lusitano".. No qual as pessoas só se queixam e queixam e as coisas não mudam ano após ano. (e já fui bastantes vezes á AmadoraBD e não guardo grandes recordações, apesar dos excelentes autores que lá estiveram).
Penso que o Paulo Monteiro ou o Mário seriam mais valias para um festival como o AmadoraBD (talvez feito noutros moldes menos burocráticos e mais simples).
Eu gostaria que as coisas fossem como eram na altura do Vasco Granja, mesmo com uma conjectura actual diferente a nivel de comunicação (pois também existia muita crise em Portugal nessa altura (mas isso é uma utopia neste país).

Nuno Amado disse...

Mário Freitas
Tens razão! Circulava-se pelo recinto bem melhor que o ano passado, mas o auditória estava a rebentar mesmo.
É bom ver que já estás a pensar em soluções!
:)

Luis
Podem-se comparar diversos aspectos sempre. E não vale a pena fugir disso! Posso comparar a organização, o orçamento e o resultado final por exemplo.
Posso comparar a interactividade de uma direcção com outra e posso comparar a divulgação! São apenas algumas coisas que se podem comparar. Para mim quando dizem que não há comparação possível entre festivais de BD eu desconfio sempre!
LOL
Apesar de haverem certas filosofias presentes, e diferentes, há sempre algo que se pode comparar seja Amadora, Beja ou outro evento!
:P

Oneiros
A minha receita para a Amadora é simples!
-Acabar com a exposição central
-Acabar coms as exposições espalhadas pela Amadora
-Acabar com a vinda de autores que não trazem nenhuma mais valia ao evento
-Passar as lojas para o piso de cima
- Debates fora da hora dos autógrafos
-Regras nos autógrafos
-Passar o festival de 3 fim de semanas para 2
-Poupar dinheiro na montagem do festival, não se compreende o dinheiro que é gasto com isso... para servem os concursos públicos ou o voluntariado
-Com o dinheiro poupado em vários itens acima referidos trazer menos autores, mas os que viessem serem de nomeada.

E isto foi só assim sem pensar muito!
;)

Andreia Guerreiro disse...

Meu caro amigo. Boas ideias, boas ideias, mas, se ninguém mama, porque é que haverá festival? Não sabes que um politico só tem uma boa ideia se ele e os amigos mamarem dela? E quando escrevo "amigos" não me refiro aos da mesma cor política. Uma mesmo boa ideia é aquela que ao decorrer do tempo dá de mamar a todos.

refemdabd

Nuno Amado disse...

Refem
O homem é um animal terrível... logo de pequenino é habituado à mama, e muitos nunca chegam a fazer o respectivo desmame e enveredem por actividades adultas onde possam continuar a "dar no leite". Exemplo típico: a classe política!
:D