sexta-feira, 11 de junho de 2010

A Fórmula da Felicidade Vol.2


Comprei o primeiro volume da A Fórmula da Felicidade o ano passado em Beja e fiquei a ansiar pela sua conclusão. Tal aconteceu no Anicomics deste ano e o livro respondeu às minhas expectativas. Osvaldo Medina (desenho), Nuno Duarte (textos), Gisela Lopes e Ana Freitas (cor) deram corpo e alma a este excelente projecto da Kingpin Books. Houve quem dissesse que a sua finalização podia ser outra, mas como diz o anúncio, “podia… mas não era a mesma coisa!”. Acho que o final é o desfecho lógico para a ascensão, queda e redenção de Victor, o autor da matemática fórmula da felicidade.
Este livro fala-nos do lado sombrio da “felicidade” artificial, da adição psicológica que esta trás, e nisto podemos englobar qualquer tipo de droga. Victor tomou a decisão da sua vida numa altura de grande raiva, e esta não é boa conselheira… a partir daqui o drama psicológico (com traumas no relacionamento com o sexo oposto) é evidente desviando o personagem principal da vida, dos amigos e do amor. Tudo passa a ser artificial nas suas relações sociais passando a ser um VIP com todas as mordomias e manias que são apanágio deste tipo de gente. Apesar de tudo consegue conhecer o pai, mas não foi o encontro que idealizou, acabando por ficar ainda mais em baixo e desiludido, e sempre com a pressão de um patrão sem escrúpulos que vende a peso de ouro o recitar da famosa fórmula matemática a quem quiser pagar em circuito fechado de televisão “Pay per view”.
Depois de uma zanga com o patrão tira umas férias onde tenta voltar às origens para tentar perceber onde se perdeu, mas nem isso consegue pois acaba por ser perseguido pelos aldeões da sua aldeia natal, que queriam mais uma dose de felicidade!
Victor acaba por perceber à sua custa e dolorosamente que a felicidade de uns não é a mesma que a felicidade de outros… aqui, e por acaso, acaba por lhe ser indicado o caminho da sua própria felicidade! A felicidade não se “dá”, a felicidade conquista-se e temos de procurar dentro de nós o catalisador para tal, o que não é nada fácil…
Como acaba este bem estruturada estória, bem… comprem o livro!
Esta é outra parte de que eu gostaria de falar. Eu sei que a Kingpin é uma editora pequena a dar os primeiros passos no mercado editorial, mas uma tiragem tão pequena para uma obra que deveria ser difundida ao máximo por tudo quanto é circuito comercial e bibliotecas (porque não nas escolas também), é redutora para uma das melhores obras de BD feita por portugueses. Tem tudo para ser um sucesso! Boa estória, boa arte, boa cor, bom "lettering" e boa balonagem. É uma pena que esteja limitada a 400 exemplares! Espero que se este díptico esgote a Kingpin pense numa reedição, pois deveria estar acessível para a generalidade dos portugueses.
É um drama forte que eu recomendo a quem gosta de BD, e para quem queira experimentar-se nesta arte! Muito bom. Já agora, as figuras antropomorfizadas não querem dizer que o livro é para criancinhas… é um livro para adolescentes mais maduros e adultos! Só pessoas com um certo grau de maturidade poderão tirar lições deste livro, “sem ser ver os bonecos”. Parabéns a todos, mas sobretudo ao Nuno Duarte! Fazem falta à BD portuguesa boas estórias.
Boas leituras!

Softcover
Criado por: Nuno Duarte, Osvaldo Medina, Gisela Mrtins e Ana Freitas
Editado em 2010 por Kingpin Books
Nota : 9 em 10
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